Foto-ouvinte: Carros velhos nem sempre anônimos

Kombi HeródotoEm São Paulo, existem 2 milhões de carros circulando irregularmente e em condições precárias. fato lembrado nesta semana pelo secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge. A informação faz parte da justificativa da prefeitura para explicar porque apenas os carros fabricados a partir de 2003 estão obrigados a fazer a inspeção veicular ambiental. A maioria dos ilegais é mais antiga e, portanto, não passaria pelos centros de análise de poluentes na capital.

Chama atenção, também, para a necessidade de que se desenvolva estrutura de fiscalização capaz de identificar estes veículos que são um risco a vida e a saúde da população.

Há cacarecos que ao rodarem pelas vias de São Paulo escancaram a falta de controle à frota na capital. Poderiam, quem sabe, se transformar em peça de museu como ocorre com esta kombi, totalmente desmontada, que expõe suas vísceras, compondo instalação no terceiro andar do Tate Modern Gallery, em Londres, na Inglaterra.

Foi o ouvinte-internauta Antonio Athayde quem descobriu esta “obra de arte” na galeria britânica e lembrou não dos carros velhos e anônimos que andam em São Paulo: “ Veja na foto anexa o valor insuspeitado que tem a Kombi de nosso amigo Heródoto Barbeiro!”

A obra que vemos é de Joseph Beuys (1921 – 1986), batizada The Pack e datada de 1969

Imposto menor na troca de caminhão velho para combater poluição, sugere deputado de São Paulo

Amplio a discussão sobre a poluição veicular, em São Paulo, puxando para este post comentário deixado no blog pelo deputado estadual Donisete Braga (PT -SP), que organizou na quarta-feira seminário sobre o tema, na Assembléia Legislativa:

Prezado Milton

Tenho informações que o jeitinho brasileiro está sendo aplicado por quem teve o veículo reprovado na inspeção da Capital. Em vez de regularizá-lo, o proprietário do veículo está licenciando-o em outras cidades da Região Metropolitana, mas continua circulando na Capital. Falta consciência ambiental.

No Seminário que realizamos nesta semana, houve um jogo de empurra-empurra entre a ANP, a Petrobrás e os fabricantes de veículos, no caso representados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA). Ninguém quis assumir a responsabilidade pelo não cumprimento da resolução do CONAMA.

Não cabe agora buscar bodes expiatórios. O mais importante é trabalharmos para reduzir os níveis da poluição veicular.

Muitas sugestões surgiram no seminário. Minha assessoria técnica está estudando como transformar as sugestões em propostas de lei.

No caso, aqui de São Paulo, o governo do Estado poderia contribuir em muito para reduzir a poluição veicular. A começar pelo incentivo da renovação de frota de caminhões.

Hoje, no Brasil, a idade média da frota de caminhões e de 17 anos. Dos 1,4 milhão de caminhões que circulam no país, 480 mil têm mais de 20 anos.

O governo do Estado poderia incentivar a redução da frota com três medidas: 1) Isenção de ICMS na troca de veículos antigos; 2) IPVA progressivo e 3) incentivo a veículos novos em pedágios de rodovias estaduais.

Outra medida será estender a inspeção veicular para todo o Estado de São Paulo e para veículos mais antigos. Hoje, a inspeção é feita somente na Capital para veículos fabricados a partir de 2002, ou seja veículos praticamente novos.

Donisete Braga

MP quer mais rigidez no controle à poluição veicular

Os índices de poluição usados para avaliar os carros que passam pela inspeção veicular ambiental são da década de 90. Com isso, o programa desenvolvido na cidade de São Paulo não seria eficiente para combater os problemas ambientais provocados pela maior frota de veículos do país. A opinião é do promotor do meio ambiente do Ministério Público de São Paulo José Eduaardo Lutti que promoveu audiência pública para discutir o tema, nesta semana.

Para Lutti, a partir do próximo ano, a prefeitura tem de exigir índices atuais, compatíveis com a qualidade dos motores produzidos, para impedir que os carros continuem a provocar os altos índices de poluição registrados nos últimos anos na capital paulista. Além disso, o Ministério Público pretende forçar o Governo do Estado a aderir ao programa, implantando o serviço de inspeção veicular em todo o Estado.

Um dos motivos que mais causaram indignação nos participantes da audiência pública foi o critério usado pela prefeitura para definir a frota de veículos obrigada a passar pela inspeção, apenas os fabricados a partir de 2003. No entanto, Lutti concorda com a justificativa da administração municipal.

Na conversa de hoje, o promotor José Eduardo Lutti também explicou a ação civil pública exigindo que a Petrobrás distribuida o diesel S-50, menos poluente, em todo o Estado de São Paulo.

Ouça a entrevista com o promotor José Eduardo Lutti, do Ministério Público de São Paulo

Foto-ouvinte: Quem vai multar ?

Quem vai multar ?

Ironia do ouvinte-internauta Daniel Aveiro que acompanha a discussão sobre a multa que não é lavrada contra os carros com licença diplomática, os “Placa Azul”. Este carrinho aí, estacionado de maneira irregular, foi flagrado na rua Vergueiro, zona sul de São Paulo. “O que é mais difícil de multar, o Placa Azul ou o sem-placa da foto ?”, pergunta em mensagem enviada ao blog.

Calouríadas para combater o trote violento

Veteranos pisoteando calouros que estavam deitados de bruço no chão de areia foi a última cena que assistimos com destaque no noticiário envolvendo trote violento em universidade. O ‘rito de passagem’ que chegou ao Brasil nos hábitos de portugueses, em 1831, ano em que um estudante foi assassinado, tem proporcionado desagradáveis exemplos no decorrer da história. Apesar de algumas iniciativas que tentam imputar gestos de cidadania ao trote, a recepção violenta aos recém-chegados ainda ocorre de maneira chocante.

A Secretaria Municipal de Esporte de São Paulo pretende combater o trote violento com gincanas físicas e esportivas. Uma Calouríada, na qual os calouros sejam motivados a integrarem equipes, organizadas por veteranos, logo que  realizarem a inscrição na faculdade. Reitores das mais importantes universidades paulistanas estiveram em conversa com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário Walter Feldmann (PSDB) discutindo a possibilidade de realização do evento esportivo já no segundo semestre deste ano, quando novas turmas estarão chegando as faculdades.

O projeto de Feldmann é canalizar a extemporaneidade e irreverência juvenil, que muitas vezes se concretiza na violência do trote, para a competição esportiva. Resultados alcançados pela cidade durante a realização das Viradas Esportiva e Cultural, quando se teve baixo registro nos índices de violência, motivam o secretário a acreditar que a medida amenizará o clima de guerra que existe hoje.

Há menos de um mês, o CBN São Paulo entrevistou o vice-Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Ronzelli, que analisou  a ocorrência de agressões entre jovens universitários. Na conversa, disse que o Mackenzie havia tentado mobilizar as associações atléticas para impedir o trote violento, mas que não tinham encontrado apoio nas entidades.

Citei o fracasso dessa experiência ao secretário de esportes que manteve, mesmo assim, sua convicção no projeto. A diferença para ele é que, agora, haverá a participação do poder público e o envolvimento de várias universidades.

Leia e ouça o que disse o vice-Reitor do Mackenzie, Pedro Ronzelli

Leia artigo publicado pelo colega de blog Carlos Magno Gibrail, semana passada.

Leia texto do ouvinte-internauta Ricardo Gomes Fo. publicado no blog

Puc anuncia apoio a torneio de calouros (publicada em 12h22 de 06/03)

Ouça a entrevista do pró-Reitor da PUC, Hélio Roberto Deliberador, ao CBN SP, nesta sexta-feira

Sec. da Educação nega falta de vagas em escolas do ensino infantil

A dificuldade de famílias para colocar seus filhos nas escolas e creches municipais, destaque na edição desta quinta-feira do CBN São Paulo (leia e ouça as reportagens aqui mesmo no blog), levou a Secretaria Municipal da Educação a enviar nota ao programa na qual nega a falta de vagas na rede de ensino da capital paulista.

Reproduzo na íntegra o recado encaminhado ao programa pela Secretaria:

Caro Milton Jung,

Recebemos várias ligações ontem de pessoas que ouviram a reportagem e entenderam que crianças do ensino fundamental estariam sem vagas. A título de esclarecimento, gostaria de lhe informar que não há falta de vagas neste caso. No Ensino Fundamental, que atende crianças de 7 a 14 anos, as crianças e jovens são matriculados sempre, numa escola municipal ou estadual. Há casos isolados de matrículas feitas após o prazo que se referem, na maioria, à transferências de outros Estados, municípios ou mesmo casos de pais que querem escolher a escola dos filhos (por exemplo, transferi-los do Estado para o município). E mesmo nestes casos estão garantidas as vagas.

As crianças que estão em fase de matrícula (5 mil para as creches e  5 mil para as EMEIs) serão matriculadas nos próximos dias. Nesta fase os pais interessados são procurados, o interesse na vaga é confirmado, os documentos são pedidos e a matrícula é feita. O tempo de duração desse processo é curto. É importante lembrar que a rede recebe crianças o ano todo em creches e que a obrigatoriedade do ensino, onde os pais devem necessariamente cadastrar seus filhos, ocorre somente no ensino fundamental.

Creches e EMEIs compõem a chamada Educação Infantil. No primeiro tipo de unidade ficam as crianças menores, de 0 a 3 anos. Nas EMEIs estão as crianças de 4 a 6 anos.

Por último, gostaríamos de esclarecer à senhora Fabiana Camargo Bezerra, que reclamou no Conselho Tutelar do Jabaquara sobre a falta de vagas, que seu filho Kevin está matriculado desde o dia 18 de fevereiro na EMEF Nelson Pimentel Queiroz. A Diretoria Regional de Santo Amaro vem tentando há dias contato com a família, sem sucesso.

Carro mata mais pela poluição do que em acidente

Calcula-se que 20 pessoas morram por dia, na região metropolitana de São Paulo, vítimas da poluição área provocada pelos automóveis, motos, caminhões e ônibus.  Isto representa cinco vezes mais do que o número de pessoas vítimas de acidentes no trânsito, na capital paulista.

A situação tem -se agravado com o aumento da frota de veículos e a má-qualidade do combustível consumido, principalmente o diesel, disse ao CBN São Paulo, o doutor Paulo Saldiva, das maiores autoridades médicas do País no estudo dos efeitos da poluição no ar. Ele acaba de concluir estudo sobre os riscos à saúde por situações ambientais para o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, órgão do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPQ). No trabalho indentificou-se que São Paulo perde até U$ 1 bilhão em vidas prejudicadas pela qualidade do ar.

Triste saber, também, que o quadro se agravou depois de a cidade ter alcançado avanços no combate a poluição do ar, conforme análise feita em 2004. Saldiva defende a melhora da qualidade do diesel, a intensificação da inspeção veicular e o investimento em transporte público.

Ouça a entrevista com o médido Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição da USP

Canto da Cátia 2: “São Paulo não tem capacidade”

São 114 mil crianças nas creches municipais e 307 mil na educação infantil. Em quatro anos, a prefeitura aumentou em 80% o número de vagas nas creches. No ano passado o acrescimo foi de 30%, enquanto o aumento médio no número de vagas na região Sudeste  teria sido de 15%.

Estes são os dados usados pelo secretário de Educação da cidade de São Paulo, Alexandre Schneider, para responder às críticas de falta de escola e creches para as crianças que dependem da rede municipal de ensino. Schneider diz que a situação é grave, mas que o investimento da gestão Serra/Kassab nesta área é incomparavelmente maior do que nas administrações anteriores.

Na entrevista para Cátia Toffoletto, porém, Alexandre Schneider diz que São Paulo não tem capacidade de atender a demanda que existe na rede municipal de ensino.

Ouça a entrevista de Alexandre Schneider para Cátia Toffoletto

Leia, também, reportagem do Agora “Kassab anuncia vagas em creches fechadas”, na qual o jornal visita locais que a prefeitura diz estarem recebendo crianças de até quatro anos. De acordo com a reportagem existem pelo menos 110 mil crianças sem creches na capital paulista.

Canto da Cátia 1: Filho de sete anos que nunca estudou

Fabiana Camargo Bezerra mora no bairro de Jabaquara, zona sul de São Paulo, e tem um menino de sete anos. Como toda mãe sonha oferecer-lhe educação de qualidade. Pensando bem. Ela já se contentaria se conseguisse dar ao garoto o direito de estudar na escola como alguns dos amiguinhos dele. Mas tudo que obteve até aqui foi o pedido das autoridades do ensino público municipal para que “esperasse, esperasse e esperasse”.

Ela espera, indignada é verdade, assim como os pais de no mínimo 10 mil crianças que não tem escola ou creche municipal à disposição. Este é o número oficial de inscritos “em processo de matrícula” – expressão burocrática da Secretaria Municipal de Educação – na rede de ensino da cidade de São Paulo.

Os Conselhos Tutelares tem recebido uma série de reclamações, todos os dias, de mães que assistem ao início de mais um ano letivo sem ter como oferecer ao  filho o direito à educação.

Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto que conversou com representantes do conselho tutelar e mães que contam o drama que enfrentam.