Câmara adia votação que libera advogado de rodízio

Ficou para amanhã, quarta-feira, a votação do projeto de lei que exclui os advogados do rodízio municipal de veículos na cidade de São Paulo. A discussão em torno do tema foi além da importância da proposta do vereador Edvaldo Estima (PPS). O assunto só entrou na pauta para atender acordo que o presidente da casa, vereador Antônio Carlos Rodrigues (DEM), tem com os demais colegas: votar pelo menos um projeto de lei de cada vereador.

O fim do rodízio para os advogados entrou na cota de Edvaldo Estima.

Como é assunto que interessa ao cidadão ganhou espaço nos jornais, valeu entrevista em rádio, e até reportagem em rede nacional na televisão. Mesmo com a pressão da OAB-SP não deve passar, mas o vereador garantiu sua presença na mídia e ganhou ponto com os advogados. Já havia feito isso, ano passado, quando tentou passar projeto para tirar representantes comerciais do rodízio de carros.

Quem o entrevistou nesta terça-feira na Câmara saiu com a impressão de que ele teria reunido os amigos na hora do almoço para comemorar.

Enquanto a derrota não vem, mantém-se a esperança no lobby organizado pela OAB de São Paulo. O presidente da Organização, Luiz Flávio Borges D’Urso, recomendou que os associados enviem e-mails aos vereadores.

Pertinente a sugestão. E vale também para você que não é advogado e quer mostrar sua indignação em relação ao projeto de lei.

Clique aqui e você pode preencher mensagem e enviar a todos os vereadores ao mesmo tempo.

Casa das Rosas ganha livraria só para poesia

São mais de 1.300 títulos sobre poesia. Uma fartura para quem costuma encontrar pouco mais de 10 nas prateleiras das livrarias em São Paulo. A loja aberta no interior da Casa das Rosas, na Avenida Paulista, dedica seu espaço a este gênero literário que consagrou inúmeros brasileiros, entre eles meu preferido: Mário Quintana.

A iniciativa é interessante pois derruba com a idéia de que poesia não vende. Recentemente, em conversa com os organizadores das bibliotecas do Metrô soube que um dos gêneros mais procuradores é a poesia.

E muitos jovens se mostram interessados. Aliás, como lembra Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas, a poesia tem destaque também na periferia de São Paulo. O Sarau Literário, organizado pela Cooperifa, toda quarta no Bar do Batidão, na zona sul da cidade, é prova disto.

Ouça a entrevista do poeta Frederico Barbosa ao CBN São Paulo:

Jovens vão para internet salvar Hospital Matarazzo

Três jovens paulistanas decidiram mobilizar comunidades digitais para preservar a história do Hospital Matarazzo, fechado há 15 anos, em São Paulo. Luana e a irmã dela Aldeneide foram pacientes da instituição enquanto Larissa é filha de um ex-funcionária. Elas se sensibilizaram com o abandono da área próxima a avenida Paulista e a falta de projetos para o local.

Luana conversou com a gente no CBN São Paulo:

Para conhecer as comunidades digitais sobre o Hospital Matarazzo você pode acessar os seguintes endereços:

www.myspace.com/hospitalmatarazzo

Orkut: Comunidade Hospital Matarazzo – O Retorno

Novos bares para comemorar o final de 2008

Se o reveillon já estiver na sua agenda, acompanhe as dicas da Ailin Aleixo:

Bar do Tavico

Mesinhas na varanda, algumas turmas comendo e conversando, ou seja, um típico – charmoso – bar de esquina de Moema. Por fora pode parecer, mas o novo Tavico, dos irmãos Julio e Juscelino Pereira (dono do Piselli), reserva boas especialidades. As mini focaccias são o destaque dos petiscos. A de funghi com emmenthal é leve e deliciosa, porém a de salame picante e provolone é realmente apimentada – você tem de gostar meeesmo de sabores fortes pra conseguir comer até o final. A Costelinha Devassa é outra boa pedida pra acompanhar o chope Primus ou Eisenbahn (claro ou escuro) – pelo menos, é mais seguro ficar no geladinho que pedir o coquetel da casa: um mix de vodca, cerveja, curaçau triple, licor de mandarino e soda. Aproveite para reunir os amigos na happy-hour e curtir a programação musical com bandas de MPB, blue e jazz. Dentro da casa, a decoração acolhedora com móveis rústicos, material de demolição e fotos da cidade de Joanópolis – e da família dos sócios do Tavico – dão o tom interiorano ao ambiente. O jogo de luzes no bar deu o toque final.

Al. dos Nhambiquaras, 1839 – Moema, tel.: 5093-2005

Maré Alta

Com cobertura de sapê, grandes janelas e piso batido, o grande salão retangular também é bem arejado. A proposta é seguida à risca. Assim, o forte do cardápio são petiscos com peixes e afins. Há idéias bem interessantes, como os mexilhões cozidos com cerveja Stella Artois. Mas pode-se ir além. A dois, dá até para marcar um jantar romântico ou um encontro para experimentar pratos como o penne com salmão. Aprumado em uma travessinha, vem com maçã verde e dill, além de ser bem apresentado e saboroso. Se estiver no clima, há três opções de caipirinhas: vermelha, verde e amarela. Esta última, além de saborosa, também é olfativa – tudo por causa da soma do caju com a tangerina. O resultado é dos melhores.

Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã, tel.: 3721-6766

Iemanjá

QUando o bar era apenas um projeto, os sócios Ricardo Pellegrino e Kim Alvares escreveram o pedido para Iemanjá, colocaram em uma garrafa e lançaram ao mar. Na semana seguinte, apareceram três investidores, e o ponto, que era uma padaria, foi entregue a eles no dia 2 de fevereiro (dia de iemanja). No começo da obra a imagem da rainha do mar ganhou um pequeno altar na entrada da casa e ali permanece. As criações do cardápio foram todas pitacos dos sócios. O drinque Oferenda para Iemanjá, por exemplo, é uma caipirinha de limão, adoçada com licor. Nos especiais da casa, o salmão no espeto com tomate-cereja e cebola ao pesto de maracujá tem molho sensacional. A batata twister– em formato de parafuso– estava crocante por fora e cremosissima por dentro. Arrasou.

R. Mourato Coelho, 1325, vila madalena. tel.: 3032-6881

Trânsito e mobilidade dominam debate de ‘Época SP’

Acompanhe um dos trechos da reportagem do Portal G1 sobre o debate com quatro dos seis vereadoes mais bem votados na cidade de São Paulo:

Antes que sejam formuladas políticas para o trânsito, Gabriel Chalita defendeu a análise das experiências de outros países. Ele mencionou a implantação de garagens subterrâneas em Paris como uma das propostas a serem discutidas. “Não é uma solução. São várias ao mesmo tempo”, afirmou.

Netinho de Paula, que, como Chalita, vai estrear como vereador em 2009, disse ainda não ter elementos para formular propostas para essa área. “A gente, como vereador, tem de receber os projetos. Nós não somos técnicos”, declarou.

Senival, ex-suplente que assumiu o mandato e se reelegeu, afirmou que é necessário “colocar todo o corpo técnico da CET [Companhia de Engenharia de Tráfego] em campo para operar”. Segundo ele, essa providência “já vai melhorar muito a questão do trânsito”.

Para Mara Gabrilli, outra ex-suplente que assumiu e conseguiu se reeleger em outubro, uma medida “muito importante” para melhorar a fluidez do trânsito é a ultrapassagem dos ônibus nos corredores exclusivos. “O que a gente precisa mesmo é de uma evolução do transporte público”, disse.

Acesse a reportagem completa acessando aqui

Vereadores concordam com gastos, em debate na Época

Quatro vereadores – dois deles novatos -, alguns assessores, jornalistas preocupados com a cidade e cidadãos interessados em ver seus representantes assumindo compromisso com São Paulo. Encurto assim as duas horas de debate realizadas nessa segunda-feira, no auditório da Editora Globo, e organizada pela Revista Época São Paulo. Gabriel Chalita e Mara Gabrilli do PSDB, Netinho de Paula do PC do B e Senival do PT trataram de temas como educação, transporte, acessibilidade e respeito ao dinheiro público.

Goulart do PMDB alegou estar doente e não compareceu ao encontro, enquanto Milton Leite do DEM não se interessou sequer a responder o convite da organização que pretendia reunir os seis vereadores mais bem votados da capital paulista.

Quem foi, porém, teve a oportunidade de explicar suas idéias sobre o papel do vereador na capital paulista. Nenhum dos quatro criticou os gastos de pouco mais de meio milhão de reais, por mês, com verbas indenizatórias feitos pelos atuais vereadores. Entendem que o número de funcionários no gabinete, 18 no total, é necessário. Mara disse que não se sente atendida pelo corpo técnico da Câmara Municipal, enquanto Chalita acenou com a possibilidade de reduzir o número de indicados para melhorar o salário de cada um deles. Senival disse que as verbas não pagam apenas salários, mas custos com gráficas o que é fundamental para o vereador mostrar o seu trabalho ao cidadão. Idéia que é compartilhada por Netinho de Paula.

Uma pergunta que levei a eles a partir de provocação feita pelo Movimento Nossa São Paulo me obrigou a assumir compromisso com os vereadores e a platéia. Como nenhum demonstrou conhecer as 15 propostas apresentadas durante a campanha eleitoral pela entidade fiquei de pedir ao Movimento – e o faço através do blog – que procure os vereadores e entregue em mãos as idéias que vão desde mudanças no combustível usado pelos ônibus a ampliação do tempo da criança na escola.

Guilherme Evelin, da Época, Fausto Siqueira, do G1, Tatiana Farah, de O Globo, e João Carlos Moreira, do Diário de São Paulo, participaram com perguntas aos vereadores, também.

Resposta aos internautas

O Hilton deixou pergunta no blog para Netinho de Paula e Gabriel Chalita. E ambos disseram que pretendem cumprir os quatro anos de mandato como vereador. Netinho não foi assim tão afirmativo, pois existe um desejo explícito nas primeira entrevistas de sair candidato a senador. Vai pegar mal, avisei em público.

O pedido do Alecir Macedo que adotou Netinho de Paula na campanha lançada pelo CBN São Paulo foi repassado para o vereador eleito.

O Edson questionou Mara Gabrilli sobre a dificuldade para recuperar a passarela Rolim Amaro, diante do Aeroporto de Congonhas. O local é tombado pelo patrimônio histórico o que impede de que se faça melhorias e se torne o local acessível. “Só em São Paulo acontece este absurdo”, reclamou a vereadora tucana. Ao mesmo tempo apontou alguma situações em que foi possível obter as mudanças necessárias apesar do local ter sido tombado.

Foi a pergunta do Marcos que mobilizou a discussão sobre a qualidade das calçadas. Senival e Netinho lamentaram que na periferia sequer via pública tem para o cidadão, quanto menos calçada acessível. Chalita ponderou que os projetos têm de levar em consideração a realidade de cada região. Enquanto nos bairros centrais é possível discutir acessibilidade, nos locais mais pobres é necessário, primeiro, resolver o problema do saneamento. Mara, experiente na discussão, sugeriu redução de IPTU para o proprietário que conservar e recuperar sua calçada.

A Época SP publicará reportagem sobre o debate na sua próxima edição e o G1 deverá colocar à disposição o vídeo completo com a discussão.

Blog lidera campanha para doação de sangue

Este selo identifica a campanha por doação de sangue proposta pelo Blog Reação Ambiental. A idéia é que outros serviços de comunicação espalhem a proposta pela internet. Com informação, o pessoal que toca o Reação Ambiental acredita que o número de doadores e os estoques de sangue aumentarão nos hospitais.

“Nosso interesse é levar aos leitores e usuários da internet, as principais informações sobre doação de sangue. Disponibilizaremos uma página explicativa sobre doação, quem pode ou não doar, locais de coleta, entre outros”, explicou por e-mail Felipe Esotico.

Motorista-padrão é o que sabe lidar com os passageiros

Por Adamo Bazani

Quando as pessoas vêem os motoristas manobrando os ônibus enormes em áreas pequenas, fazendo curvas ou entrando em espaços minúsculos como se estivessem com um brinquedo de 15 metros nas mãos, falam; “Nossa, como esse cara manja de volante”

Realmente, para dirigir um ônibus é necessário ter técnica e perícia. Mas para os profissionais do setor, é preciso muito mais do que isso.

“Dirigir ônibus nas cidades é uma arte. Não basta operar o veículo. O motorista é a cara da empresa para o usuário. Ele é o elo passageiro-empresa. Por isso, tem de respeitá-lo e tratá-lo não como passageiro, mas como cliente e amigo”, afirma enfaticamente o motorista da Viação Guaianazes, Djalma Gomes de Moura, de 54 anos.

Tendo recebido vários prêmios como motorista-padrão, Djalma começou no setor numa oficina da Viação Santa Rita, em 1977, em São Paulo. “Quando peguei meu primeiro ônibus para dirigir, em 1979, fiz um ritual, o qual devo até agora o fato de nunca me acidentar. Abri as portas dianteira e traseira e disse – Deus, vá comigo em todas as viagens, escolha um dos bancos e sente” . Ele chorou e colocou o ônibus na rua.

Mas não foi só a fé a responsável por Djalma ter visto São Paulo e o ABC Paulista se transformarem de cidades simples com trânsito razoavelmente bom para verdadeiros caos sem ter ao menos uma vez riscado a lataria de ônibus. “A própria profissão e o relacionamento com os passageiros foi me moldando”.

Djalma diz que sempre tratou bem os passageiros, mas não admitia injustiças. “E olha, o trecho (as viagens, como são chamadas pelos motoristas), mostra cada coisa inacreditável”. Dentre elas, alguns motoristas, cobradores e usuários mal tratando idosos e deficientes.

“Eu chegava a bater em assaltantes desarmados, me envolvia em brigas de trânsito. Numa vez, um motorista da Viação Alpina, em Santo André,  me fechou três vezes. Desci do meu ônibus e dei um soco pela janela do ônibus da Alpina, que foi o vidro e a cara do outro motorista para o chão. Hoje me arrependo disso”

Com o tempo e com a orientação de gerentes das empresas de ônibus ele viu que transportar é uma das maiores expressões do relacionamento humano. “Comecei a ajudar pessoas que no meio do caminho encontrava passando mal, desmaiadas. Levava pessoas para o hospital, ajudava os motoristas de outras empresas com ônibus quebrados, etc”

Djalma se lembra que até os anos 80, as ruas de São Paulo e Santo André eram bem difíceis de se vencer. Até carros de passeio sofriam e muitos por causa da mecânica da época, sofriam com as subidas do trajeto ABC – Vila Industrial, Capital Paulista. Muitos carros pegavam fogo. “Eu parava e emprestava o extintor de incêndio do ônibus, que é bem maior, para ajudar o motorista do carro. Depois eu fazia o relatório de gastos para a empresa e estava tudo certo. Ser solidário tem de fazer parte da característica do motorista” – afirma Djalma

Outro profissional que recebeu prêmios de motorista-padrão é Marcelino Domingues, de 59 anos. Ele trabalhava em transporte de carga seca entre a Capital Paulista e Santos, até 1983, quando surgiu a oportunidade de trabalhar na então Viação Humaitá, de Santo André.

“Vi ruas se tornarem avenidas, vi Santo André, São Caetano e São Paulo praticamente se tornarem uma cidade só. Terrenos vazios ou casarões, nas linhas que eu fazia entre os bairros de Santo André e parte da zona Leste de São Paulo, viraram fábricas. Depois, com a mudança da economia, se transformaram em shoppings, loas, igrejas, revendedoras de carro, etc”.

Mas o que mais fascina Marcelino foi ver a transformação das pessoas. “Meninos que eu pegava, hoje viraram homens, pais de família e alguns até doutores e nem mais pegam ônibus”

Marcelino diz que é notória a diferença entre o transporte de passageiros, principalmente o urbano, e o de cargas. Primeiro porque no transporte de passageiros leva-se, segundo Marcelino, o bem maior, que é a vida.. “O cuidado é bem maior. No caminhão, uma freada brusca pode quebrar algo. No ônibus, ela pode machucar alguém”

O estresse é grande também, diferentemente de 25 anos atrás. Nem todo passageiro tem calma, os horários são muito esprimidos e o trânsito atual das grandes cidades prejudica a saúde da categoria.

Mas para Marcelino, nada pode justificar o mau trato para com o usuário, que é o ganha pão e o principal companheiro de viagem.

Em 2008, Marcelino recebeu mais um prêmio de motorista-padrão. E ele explica que para ser bom não basta pilotar bem a máquina (“Isso é o mínimo que se espera de qualquer um que se proponha a dirigir um ônibus’), é preciso saber se relacionar com o passageiro.

Adamo Alonso Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo. Toda terça-feira, publica aqui no blog mais um capítulo da história do transporte de passageiros e de carga, em São Paulo