A Polícia Federal e o lava jato de Walter White

 

Por Milton Ferretti Jung

 

2

 

Walter White,um frustrado professor de química que dava aula dessa matéria em um Instituto,pai de um adolescente prejudicado por paralisia cerebral e marido de uma mulher grávida,foi diagnosticado com um câncer no pulmão. Perto disso,os seus problemas anteriores passaram a segundo plano. Sua preocupação maior era que,se morresse em consequência da doença,deixaria financeiramente mal sua família.

 

Resumi,no primeiro parágrafo do meu texto desta quinta-feira,o que vi em uma das melhores séries a que assisti na TV, Breaking Bad. Comparo-a apenas com 24 Horas,estrelada pelo ator Kiefer Sutherland,que fez o papel de Jack Bauer,protagonista do seriado, que me fez lembrar os heróis de histórias em quadrinhos,lidas por mim quando menino.

 

Quem teve o prazer de seguir as peripécias de Jack Bauer, que me desculpe por estar contando uma série a qual já assistiram. Os felizes telespectadores, que viram o ator Kiefer Sutherland em uma de suas melhores atuações,devem estar ansiosos para que ele volte ao écran como protagonista de 24 Horas. Ao mesmo tempo,talvez estejam se perguntando aonde pretendo chegar com tão longo intróito. Já para quem não conhece o seriado,vou me permitir fazer mais um pouco de propaganda dele. Como não creio que volte à TV,se estiverem interessados,comprem a série em um pacote de CDs.

 

Retorno ao início do texto e trago de volta Walter White,na série interpretado por Bryan Cranston. O desespero de Walter diante do medo de deixar sua família na miséria aos poucos transformou-o em um produtor de metanfetamina. Afinal,ele era um químico experiente e viu na violenta droga um jeito de deixar ricos sua mulher e os dois filhos,mesmo sabendo que o seu cunhado era um policial do setor que combatia narcotraficantes. Daí para a frente,Walter White sofreu transformação radical,misturando-se aos traficantes e mafiosos que contaminaram a sua personalidade,reta até aquele momento,a fim de se convertendo-se em um sujeito sem escrúpulos quando se tratava de obter o que queria.

 

Sua mulher,que pensava cuidar das finanças de Walter, pressentiu que ele ficara ganancioso e seu interesse ia além da preocupação de um homem que pretendia deixar a sua família,caso viesse a morrer de câncer,em confortável situação financeira; usou-a para esconder os ganhos exagerados e sem explicação,colocando-a para cuidar de um… lava jato. Quando estouraram os escândalos,envolvendo empresários,políticos e toda espécie de patifes,passou pela minha cabeça a ideia de que a nossa Polícia Federal – que Deus a conserve – tenha aproveitado o nome do posto da esposa de Walter White para a sua operação Lava Jato. Oxalá,possa a PF limpar toda a sujeira que se esparramou por este Brasil recheado de gananciosos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Lembro do tempo em que jogávamos bola na pracinha

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Tenho por hábito ler,quando tomo o meu café da manhã, as páginas da Zero Hora que tratam de esportes. As que mais me interessam são as que versam sobre futebol,automobilismo de competição e basquete e tênis,nessa ordem. Não deixo também de dar uma olhada na que ZH batizou como “De Fora da Área”. Confesso que nem sempre,dependendo do assunto,sigo lendo o texto do dia até o fim. O dessa segunda-feira,17 de novembro,foi um dos que chamaram a minha atenção.Li-o de cabo a rabo.

 

Cristiel Gasparetto,editor de esportes do Diário Gaúcho,um dos jornais que fazem parte do Grupo RBS,informo aos que não são de Porto Alegre,assinou um texto com o seguinte título:”Menos Videogame e mais campinhos”. Lembra adiante que,na sua infância,na década de 80 em Santa Maria,os espaços para a prática do futebol eram fartos”. “Passávamos horas jogando bola em campinhos ou mesmo no meio da rua de paralelepípedos que quase não tinha movimento”,escreveu Gasparetto. No texto,propriamente dito,queixa-se que vê crianças hipnotizadas diante de monitores. Essas,hoje em dia,passam o seu tempo livre,desde que sejam controladas por seus pais para que não exagerem,jogando videogame.

 

Ocorre que, se os jovens da década de 80,foram talvez os primeiros a ver minguarem os espaços livres,onde jogavam futebol,o que dizer dos que vieram ao mundo bem depois. Gasparetto lembra como era fácil montar projetos de goleiras e improvisar outros apetrechos parecidos com os do futebol de verdade,o dos estádios, e jogar mil peladas,de pés descalços,os mais ricos com chuteiras,aquelas com uma proteção na frente,que facilitava dar bicos na bola quando isso se fazia necessário.

 

Eu,que nasci na década de 30,ainda aproveitei muito os espaços vazios. Morei grande parte tanto da minha infância quanto da adolescência,até me casar,na Rua 16 de Julho,157,que era separada da Zamenhof por uma pracinha. Foi o único espaço livre, depois que todos os terrenos baldios foram ocupados,no qual jogamos vários arremedos de esporte:futebol,vôlei,basquete e até tênis.A prefeitura de Porto Alegre tentou plantar flores no local,mas quando os trabalhadores terminam o serviço e iam embora,recuperávamos o “nosso” espaço.

 

Trabalhei 60 anos na Rádio Guaíba e várias vezes fui a São Paulo para transmitir futebol. Em um hotel no qual nossa equipe se hospedou,havia um computador e nele era possível jogar o tataravô dos videogames. Os jogos,pouco depois,foram se sofisticando e ficaram cada vez mais atraentes,que o digam os meus netos homens: Gregório e Lorenzo,paulistanos; Fernando,gaúcho de Porto Alegre.

 

Dos meus filhos,apenas o Mílton se dedicou a jogar futebol,primeiro na escolinha do Grêmio e após,basquete,também pelo Imortal Tricolor,começando no infantil e chegando ao time adulto. Fernando,filho do Christian,joga basquete no Colégio Nossa Senhora do Rosário. Ah,Malena e eu,diariamente,jogamos Tetris,um game que nos acompanha faz muitos anos. Seja lá como for,gostei do texto do Gasparetto. Ele me fez lembrar do tempo da pracinha,que nunca foi ocupada. Não sei se os meninos que moram nas duas ruas ainda a usam para praticar esportes. Acho,porém,que preferem videogame.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Meter-se em camisa-de-onze-varas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sempre gostei de ditos populares ou,se quiserem,provérbios,adágios e uma série de outros sinônimos. Nos textos que envio para o Mílton,volta e meia,uso um deles. Um que ainda não havia feito parte dos postados por mim neste blog e,talvez,seja dos mais antigos,é o que reza “meter-se em camisa-de-onze-varas”. Este nome,segundo se sabe,vem da expressão “pano de varas”. Era como se chamava um tecido grosseiro com o qual vestiam os condenados à morte,no tempo da Inquisição, ao serem levados para o suplício. Por que me lembrei deste dito? Ele me veio à cabeça,sem mais nem menos,quando buscava um provérbio capaz expressar o que minha filha Jacqueline e eu,por razões diferentes,sofremos a partir da semana passadas por vestirmos, me atrevo a a dizer,tal espécie de camisa. Não chegou a ser um suplício,mas provocou um baita incômodo.

 

Relato primeiro o sofrido pela Jacque,cujo resultado parece estar próximo. Ela e a Malu,sua cachorrinha,começaram a ter o sono prejudicado pelo calor,que chegou com vontade. Para o amenizar ou até mesmo acabar com a canícula,nada melhor do que um “split”. Jacque pesquisou nas lojas que trabalham com tal tipo de aparelho e escolheu um LG. Comprou-o pela internet e aguardou,ansiosa,a sua entrega no edifício onde mora. Então,já de posse do split,buscou a única assistência técnica da LG autorizada a fazer a instalação. Eu disse,reparem bem,a única autorizada da empresa, em Porto Alegre a instalar o aparelho. A LG deixou claro na nota do produto não se responsabilizar se o split ou qualquer produto dessa fabrica seja instalado por uma firma não autorizada. Minha filha,obediente e confiante, chamou a autorizada para fazer o serviço. E logo se arrependeu com a má vontade do “técnico com 11 anos de experiência” que,a certa altura”,fechou a porta do quarto no qual instalava o split e evitou a entrada da dona do aparelho. Ela só foi chamada a entrar na peça quando o “especialista” deu o trabalho por encerrado. Esse e o seu auxiliar foram logo embora para que a Jacque não se desse conta de que foram colocados dois parafusos na parte debaixo do split e um desses rachou a peça em que foi aparafusado. Aí,Jacqueline iniciou uma série de ligações telefônicas para a empresa antes de mais nada e,depois,para a “autorizada”,na qual foi tratada grosseiramente pela pessoa que atendeu a ligação. Essa acabou informando que o mesmo técnico com 11 anos de experiência iria olhar o aparelho e dar o seu veredito sobre os parafusos etc. O sujeito disse que a peça danificada seria substituída. O aparelho terá,porém,de ser levado,”oportunamente”,para a única assistência técnica autorizada pela LG,o que me deixa espantado. Um empresa,que produz produtos caros,me desculpe a LG,não pode oficializar o trabalho de apenas uma firma. Ah,o servicinho custou 500 reais para a Jacque,tirante,o preço do split.

 

Agora conto a minha parte na camisa-de-onze-varas. Minha carteira de habilitação venceu no dia 29 de outubro e,como todos os motoristas sabem, tem-se até um mês após a data natalícia para renovar o documento. Bem antes de os 30 dias terminarem,providenciei no pagamento da taxa de 100 reais,cobrada nos bancos autorizados, e logo me apresentei para o exame médico na CFC da minha zona,com o que,se não fosse reprovado, poria no bolso uma carteira novinha em folha. Já renovei inúmeras carteiras de habilitação. Em uma dessas vezes,exigiram-me até um exame a ser feito num computador de um Centro de Formação de Condutores,no qual se respondia uma série de questões sobre trânsito. Estudei com afinco e passei com nota alta. Fiz outras renovações e sempre me dei bem. Eu havia visitado o meu oftalmologista um dia antes do exame e estava tranquilo quanto à minha visão. Nunca tinha imaginado que a médica que me fez inúmeras perguntas sobre minha saúde,perguntou se já tinha sofrido operação e tive de dizer-lhe os nomes dos remédios que uso no dia a dia. Aí,apontou para o quadro com letras que vão das mais diminutas as grandonas. Ela queria que eu lhe dissesse que letras compunham a penúltima coluna. Não tinha como atender à sua ordem e não entendi até agora por quê eu necessitava enxergar aquelas letrinhas pequeninas. Para que,me perguntei,eis que no trânsito não há nada tão minúsculo quanto as letras que ela me mandara ler. Não as li. Aí,a doutora Délia – esse o nome dela – me liberou,não sem antes me informar que eu teria 90 dias para me reapresentar e fazer novo exame. Nesta terça-feira,11 de novembro,data em que entrego a coluna para o Mílton,voltei ao CFC e fiz o exame com um médico,o dr.Antônio,que rapidamente me aprovou. Entre o exame de uma e de outro – a médica e o médico – fiz,antes de voltar ao Centro de Formação de Condutores,uma pesquisa na Zona Sul de Porto Alegre,onde moro. Todas as pessoas que conheceram a médica foram unânimes em classificá-la de exageradamente exigente. Para não dizer coisa pior. Espero não vestir mais nenhuma camisa-de-onze-varas.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Leis para evitar tragédias têm de ser drásticas e rápidas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O incêndio da Boate Kiss ficou marcado por ter sido a maior tragédia a enlutar uma cidade brasileira,a gaúcha Santa Maria. O fogo,que matou e mutilou inúmeras pessoas,a maioria composta por jovens que imaginavam passar o sábado se divertindo,nunca será esquecido. Mãe e irmã de sócio da boate depuseram,recentemente,durante mais de três horas,a portas fechadas,na 1ª Vara do Júri,no Foro Central de Porto Alegre. O processo está em fase de instrução e tudo indica que ainda ouviremos fala dele por muito tempo. Era de se acreditar que o incêndio da Boate Kiss,entre outras coisas,servisse de dura lição às autoridades de todos os níveis,capazes de produzir leis que evitem a repetição do terrível acidente.

 

Eis,entretanto,que uma notícia divulgada pela mídia,referindo-se ao ocorrido,em Porto Alegre, na Stuttgart Danceteria, de Porto Alegre – suposta briga de gangues com troca de tiros – provocou a morte de um jovem e mais 17 feridos. Este tipo de ocorrência,dependendo da zona da capital e dos hábitos dos frequentadores de casas noturnas,não me causa espécie. Espanta-me,isso sim,que os proprietários da boate ainda não foram ouvidos sobre o tiroteio. Pior ainda,está aberta,desde 2012,graças a uma liminar.Foram várias as tentativas frustradas visando à proibição de sua abertura. A Stuttgart possui um processo numa Vara da Fazenda Pública,contra a prefeitura da Capital gaúcha,exigindo a liberação do local,desde 2010. Ainda não houve sentença nesse processo.A danceteria tem capacidade para 700 pessoas,mas o número de presentes,por sorte, era bem menor na hora da troca de tiros. É inadmissível que as leis que visam evitar tragédias como a da Boate Kiss não sejam mais drásticas e se arrastem durante anos. Repito o que escrevi faz pouco:as autoridades de todas espécies têm de fazer valer as leis em vigor,que pelo jeito não são levadas muito a sério.

 

Bem ao contrário agem as autoridades que cuidam do trânsito. Quem não quiser pagar caro por conduzir o seu veículo fora das leis deve ter ficado arrepiado ao tomar conhecimento de que as multas,agora,ficaram 900% mais caras. Era mesmo imprescindível que esta drástica providência fosse tomada. Basta olhar para o percentual do aumento para que se perceba que os motoristas têm de se dar conta do custo altíssimo das infrações mais graves e tratem de ser comportar corretamente,algo que muitos,principalmente os mais jovens,costumam não levar a sério. É possível que,com o aumento e o peso deste no bolso,os moços corram menos e deixem de representar 25% dos mortos em acidentes no ano de 2014. E prestem atenção,estou me referindo somente aos gaúchos. Conforme Diza Gonzaga,presidente da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga,queixa-se,com razão,que campanhas pontuais,como essas que são feitas em vésperas de feriados prolongados. Sempre que falo em trânsito,lembro que é de pequenino que se torce o pepino. O trânsito deve ser matéria obrigatória nos colégios. Eu disse,OBRIGATÓRIA.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Esta não é meme: Pizzolato está livre na Itália

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Vamos brincar de faz-de-conta? Não se espante. Os internautas conhecem muito bem o significado de uma palavra que,de tanto chamar a minha atenção,despertou a curiosidade deste veterano escriba. Passava os olhos pelo programa e era meme para cá, meme para lá. Só nesta terça-feira,porém,dia em que envio os meus textos para que o Mílton possa os postar na quinta-feira,resolvi informar-me sobre a palavrinha de duas vogais. Como pode existir ainda algumas pessoas distraídas que nem se deram conta de que surgia um novo nome no mundo da internet,apresso-me a usar mais este modismo que invade os nossos computadores,IPads etc.

 

O conceito de meme foi criado pelo zoólogo e escritor Richard Dawkins em 1978,ao escrever o livro “The Selfish Genre” (o Gene Egoísta). Tal como o o gene,o meme é uma unidade de informação com capacidade de se multiplicar,por meio de ideias e informações que se propagam de indivíduo para indivíduo. Os memes constituem vasto campo de estudo da Memética. Sua ideia pode ser resumida por tudo aquilo que é copiado ou imitado e que se espalha com rapidez entre as pessoas. Como a internet possui a capacidade de abranger milhares de pessoas em alguns instantes,os memes da internet são virais.

 

E já podemos,usando meme,ligá-lo ao que aconteceu com Aécio Neves,em Minas Gerais. O candidato teve de suportar memes que zombavam do resultado de,na terra dele,já haver perdido uma eleição para o rival Patrus Ananias,em 1992.Permitam-me comparar o que aconteceu agora no seu confronto com Dilma. Digamos que,em Minas Gerais,Aécio Neves imaginava poder imitar o Cruzeiro e que Dilma,mesmo contando com os votos dos nordestinos,cujos times são muito inferiores ao mineiro, líder do Brasileirão, perderia para ele. O Aécio-Cruzeiro chegou ao final da eleição superado pela atual Presidente por 500 mil votos. A partir de agora,pelo sim pelo não,o melhor é demonstrar respeito pelas Dilma-equipes do Nordeste. Muito cuidado,já que quem tentar diminuí-las,pode ser acusado de cometer crime racial.

 

Ao lado ou,no mínimo perto das notícias que li na internet antes de compor este texto,há uma outra,além do meme,que me deixou irritado: “Itália nega extradição e Pizzolato ganha liberdade”. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão. Pelo jeito, entretanto,Pizzolato vai,salvo melhor juízo(não leve isso como trocadilho)continuar na Itália. Trata-se de mais um ganacioso,incapaz de viver com o belo salário que o BB lhe pagava. Talvez consiga ficar na Itália porque está doente e não existem,no Brasil,presídios em condições de o receber.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Queimando as pestanas para entender algumas coisas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu neto Gregório já está fazendo vestibulares. O plural está de bom tamanho. Afinal,estudioso como o seu avô não foi,confesso lisamente,Greg não se contenta em queimar as pestanas com um único exame. Os mais jovens,provavelmente,não sabem o que significa a expressão que,por ser um velho senhor, estou liberado para usar o termo. O significado da junção dessas duas palavras – queimar as pestanas – é algo muito antigo. Ocorre que começou a ser usada quando ainda não se dispunha de energia elétrica e os estudantes da época eram obrigados, com bem se pode imaginar,a ler as matérias prescritas pelos mestres à luz de velas ou lampiões e se dizia,meio que forçando a barra, que queimavam os olhos.

 

Não estranhem,gosto muito dos adágios e,por isso,volta e meia, lembro de um que se encaixa no meu texto. Na última quinta-feira,escrevendo sobre o absurdo que seria trazer PMs do Interior para ajudar no policiamento de Porto Alegre,repetindo o que haviam feito durante a Copa do Mundo,disse que estavam, mais uma vez, despindo um santo para vestir outro. Esperava,voltando ao início desta postagem, que o Gregório, bem mais alto que o pai dele,que jogou basquete, do juvenil ao adulto,no Grêmio,pudesse aproveitar a sua estatura e,no mínimo,tornar-se um respeitável ala. Entretanto – e aí vai mais um provérbio – o segundo em idade dos meus netos vai seguir a carreira do pai dele e a minha. Vão dizer que a laranja não cai longe do galho. Sei – e sinto muito – que frustrei o desejo do seu Aldo,meu pai. Queria ver-me advogado. E não foi por falta de esforço dele que acabei me apaixonando pelos microfones. Não sei se ficou feliz ao me ouvir nas duas únicas rádios em que trabalhei,mas acho, pelo menos,se conformou. Fico torcendo para que o Fernando que,com a Vivi,mora em Porto Alegre,faça uma boa escolha quando chegar a hora do seu vestibular. Já mostrou que é um estudante caprichoso e isso é meio caminho andado.

 

Ao lembrar como precisavam estudar à luz de velas e lampiões os estudantes de antanho sem sequer imaginarem que,um belo dia,alguém inventaria o computador e,daí para a frente,uma série de outras tecnologias que facilitariam hoje a vida deles,duvido que não pensassem serem essas benesses coisas de livro de ficção científica. Agora,lamentavelmente,as grandes invenções do homem,dependendo dos interesses dos que nos governam,servem não para facilitar a vida das pessoas. Basta que se dê uma lida nos jornais dessa terça-feira que “o governo estadual decide adiar tarifaço da CEEE na conta de luz. Por quê? Porque um aumento agora poderia prejudicar os que desejam ser eleitos neste domingo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Trazer polícia do interior para a capital, é despir um santo para cobrir outro

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Perdoem-me,mas sou obrigado a tratar,novamente,de um assunto que já foi por mim abordado durante a Copa do Mundo,época que por diversas razões ainda não caiu no esquecimento da maioria. Era de se imaginar que não fosse um período lembrado efemeramente pelos brasileiros. Da Seleção Brasileira,então,seria melhor que não fosse lembrada,pelo menos,nos próximos quatro anos. Isso,porém,desta vez,é impossível:teremos de disputar a fase Eliminatória. Antes de seguir com o texto desta quinta-feira,esclareço por que,na primeira linha do parágrafo inicial,anunciei que vou tratar de uma questão que interessa apenas aos gaúchos,tanto os de Porto Alegre quanto os do Interior.

 

Ocorre que estão voltando a falar ou,mais do que isso,a agir,visando a transferir Policiais Militares do interior para Porto Alegre,a exemplo do que fizeram no período do Mundial. Lembro que,quando surgiu a ideia,passou pela minha cabeça um velho ditado:vão despir um santo para vestir outro. Agora,entretanto,já existe decisão judicial que proíbe o remanejo de soldados de Pelotas para reforçar o policiamento na Capital gaúcha. O Interior começa a reagir. Isso é ótimo. E,por favor,sou porto-alegrense honorário,título que me foi conferido pelos vereadores de Porto Alegre. Moro aqui desde que completei,em Caxias do Sul,uma semana de vida. Logo,alguém poderia pensar que estou tratando de uma questão com parti pris. Estou convicto de que os que moram nos municípios interioranos têm direito de contar com um contingente de brigadianos que,no mínimo,não os deixe nas mãos de bandidos,principalmente,os assaltantes de bancos,episódios com um sem número de episódios relatados e,pior,vividos por gente do Interior.

 

Se alguém duvida,que tome nota destes números assustadores:homicídios cresceram 76%;roubos de residência aumentaram 14%;roubo de veículos subiram 22% e roubos de todas as espécies chegaram a 19%. Isso depois que despiram o santo interiorano para vestir o porto-alegrense. Em reunião realizada no último dia 12,a Diretoria da Federação das Associações do Rio Grande do Sul ficou decidido que a FAMURS os prefeitos devem procurar a promotoria de suas cidadese acionar o Ministério Público para assegurar a presença normal de PMs em seus municípios. Aliás,dado colhidos na época da Copa do Mundo,quando foram remanejados para Porto Alegre deixaram claro o aumento da violência no Interior. Está na hora de se pensar e,mais do que isso,por em prática,o aumento do contingente de brigadianos,especialmente oferecendo aos interessados em vestir a farda da nossa Polícia Militar salários que combinem melhor com os perigos enfrentados por esses soldados. Que isso não fique apenas nos projetos,mas que esses sejam postos em prática por quem for eleito Governador do Rio Grande do Sul e por seus acólitos..

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A página de jornal que não gosto de ler

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Se existe uma página de jornal que leio a contragosto é a que trata dos óbitos. É quase como se fosse uma doença tipo ebola. Ultimamente,porém,quer queira quer não queira,sinto-me obrigado a lê-la. Caso faça de conta que esqueci de,no mínimo,passar os olhos pela página maldita,Maria Helena,minha mulher, faz questão de bancar o porta-voz da ou das notícias do falecimento de algum amigo ou de alguém importante,mesmo que o morto seja,por exemplo,um artista de cinema de quem sequer fui fã. A infausta informação dessa terça-feira foi daquelas surpreendentes. Jayme Ricardo Machado Keunecke é mais um ex-colega e amigo que nos deixa e com o qual trabalhamos juntos na Rádio Guaíba,onde,além de outras atividades,assessorava Flávio Alcaraz Gomes no programa Guerrilheiros da Notícia,na Rede Pampa.

 

Se não me falha a memória,chegamos a trabalhar no Jornal do Dia,extinto faz muito,de onde apresentávamos o jornal noturno da Rádio Clube Metrópole que ia ao ar usando notícias do periódico católico,com sede na Avenida Duque de Caxias. Por coincidência,começamos a pegar gosto por microfone em serviços de alto-falantes,eu nas quermesses da Igreja do Sagrado Coração de Jesus,em Porto Alegre, ele em Guaporé. JK,como ficou conhecido nos diversos veículos da mídia nos quais trabalhou, atuou por 18 anos na Rádio Guaíba.Foi funcionário, também, do Diário de Notícias,TV Piratini e do Grupo RBS. Jayme Keunecke estava com 78 anos. Ficou internado desde 3 de setembro na UTI do Hospital Santa Casa,com problema nos brônquios.

 

Esta notícia de óbitos não está na Zero Hora. Nessa se lê,abaixo da manchete “Juntos até o fim”,uma rara história de amor em que dois anciões,o homem de 89 anos, a mulher com 80,morreram com uma hora de diferença,no leito do Hospital São Lucas,da PUC porto-alegrense. Italvino Possa e sua esposa Diva,encerraram uma casamento que durou 65 anos e lhes rendeu 10 filhos e 14 netos, juntinhos, exatamente como pediram a Deus. Coroaram com sucesso a sua vida marital. Uma enfermeira colocou o casal em camas paralelas. Italvino morreu primeiro,Dona Diva, apenas 49 minutos depois. Com certeza,ambos partiram felizes desta vida. Imagino,que a história de amor de Italvino e Diva,dificilmente tem similar.

 

Bem diferente foi ou está sendo o drama de Paulo Roberto Costa,ex-diretor da Petrobras,cuja ganância – que outra explicação pode ser dada para a sua atitude – vai ter de devolver 23 milhões de dólares mal havidos. Não consigo entender a razão que leva um alto funcionário a desviar quantia tão grande,cujo sumiço,como geralmente acontece,não pode passar despercebido. Seja lá como for,a delação premiada vai permitir que Costa,apesar da tornozeleira eletrônica presa em sua perna,morar durante um ano em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung, o filho dele.

Por revanchismo, vereadores mudam nome de avenida em Porto Alegre

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Duvido que exista em São Paulo – refiro-me à capital – quem não se preocupe, um pouquinho que seja, com o Adote um Vereador.A ideia partiu da cabeça do Mílton. Quem lê o blog inserido no site da CBN sabe que se trata do meu filho. Acho tão importante o trabalho que a turma do Adote realiza – e hoje é bem grande – que não tenha encontrado seguidores em outros municípios brasileiros,nos maiores,pelo menos,porque quanto maior a cidade,mais vereadores elege. Não pensem que,em São Paulo,os representantes dos munícipes sejam policiados. Podem ser,isso sim,cobrados por aquelas pessoas que os puseram na Câmara,caso não façam o esperado pelos seus eleitores.

 

Estou tentando saber o que o povo votante da minha Porto Alegre pensa,agora que a eleição está tão próxima, de um projeto que passou pela nossa Câmara:refiro-me à troca de nome de uma avenida da cidade. Alega o prefeito José Fortunati que a comunidade porto-alegrense não foi consultada sobre a alteração que a Câmara aprovou.E fez bem. Talvez surja quem entenda que o chefe do município,como não vetou nem sancionou a lei,teria ficado em cima do muro. O texto da lei voltou para os vereadores. A Casa,no momento,está sendo comandada por um presidente em exercício – o petista Mauro Pinheiro. Este terá de sancionar a lei. O titular do cargo,Professor Garcia,peemedebista,está licenciado.

 

Não esclareci para quem não é porto-alegrense e,por porventura,esteja lendo o meu texto,qual é a via,importante porque é por ela que se sai da capital gaúcha,cujo nome está provocando a polêmica:Castelo Branco é o atual;Avenida da Legalidade e da Democracia,talvez venha a ser o novo. Como não poderia deixar de ser,Fernanda Melchionna e Pedro Ruas,ambos do PSOL,se surpreenderam com a posição de José Fortunati. Eles são autores do projeto. Para mim,a ideia de troca tem cheiro de revanchismo rançoso. Não lembro de ter notícia de avenida que mudou de nome por razões eivadas de politicagem.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Personagens da semana: gatos, gatunos e carrões

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Foto_Fotor_Collage

 

Sempre que não encontro inspiração para escrever o texto das quintas-feiras,compromisso que venho mantendo de longa data com o Mílton,procuro assunto no jornal Zero Hora. E encontro. Já estava quebrando cabeça quando resolvi apelar para a ZH e fui virando as páginas do fim para o começo. É um velho hábito. O futebol,em primeiro lugar,para ver o que se passa com o Grêmio e,como não,com o Inter. Aqui, no Rio Grande amado,Grêmio e Inter fingem que se odeiam. Na verdade,porém,são bem mais do que coirmãos:um não vive sem o outro. Creio que não sobreviveriam se não fosse assim. Dificilmente,no entanto,descubro assunto nas páginas dedicadas aos esportes,apesar da maioria deles. Só deixo minhas opiniões sobre aquele que cheguei a chamar,idoso que sou,de “esporte bretão”.

 

Passo agora para as matérias que me chamaram a atenção na Zero Hora,começando por uma lida na segunda-feira,22 de setembro (que bom reencontrar a primavera). A manchete é uma pergunta,coisa rara: “Comércio de animais deveria ser proibido?”. Lê-se abaixo que “ativistas estão elaborando projeto de lei e recolhendo assinaturas para tentar proibição da venda de cães e gatos em lojas especializadas”. Quando topo com qualquer coisa que parte de “ativistas” – que me desculpem pela desconfiança com a qual encaro o termo – mas temo pelo resultado.Esses, poucas vezes são satisfatórios.

 

Eu começaria a tirar os gatos da parada. Tenho uma gata preta cujas fotos enfeitam,volta e meia,o meu Facebook. Micky,é o nome dela, esteve fadada a ser um animal sem dono.Era o que aconteceria se eu e Maria Helena,minha mulher,não a tivéssemos achado, ainda bem pequena,miando baixinho,debaixo de uma cerca viva. É nossa desde 2007. Gatos a cães sobrevivem mesmo que não tenham quem os cuide. Os bichanos,todavia,fazem apenas o que lhe dá na telha,ao contrário dos cães,bem mais dependentes do seus donos. Seja lá como for,eu me pergunto qual é o problema desses dois animais serem vendidos em lojas especializadas,onde são bem tratados para agradar aos que se interessam por os ter como “peta”. “O animal não existe para o uso”,afirma Lidvar Schulz,coordenador do grupo de libertação animal. Não sei o que esse senhor quer dizer com isso. Não tenho conhecimento de que cachorras sejam confinadas submetidas a cruzas forçadas,mas se isso ocorre,tem que ser combatido por quem de direito e não por essas ONGs sem eira nem beira.

 

Da ZH,igualmente,saiu o meu segundo assunto. Os exemplos de ganância que levaram quem sofre desse terrível mal a virar notícia nas páginas policiais dos jornais e da mídia,em geral,são inúmeros. Não fazem,entretanto,que os gananciosos se corrijam. Eles seguem em frente como se tivessem um escudo que os proteja de serem flagrados pelos agentes da lei. Um deles teve a sua foto postada nos jornais dessa terça-feira e é um gaúcho acusado de fraude milionária envolvendo ações da antiga CRT. Jamais imaginei que essas ações produzissem tanta grana.O doutor Maurício Dal Agnol que o diga.Preso em Passo Fundo,ele esperava poder fugir da Polícia Federal,mas acabou ao sair do seu escritório portando uma sacola repleta de dinheiro e um passaporte com visto dos Estados Unidos. Triste engano. Não bastasse ser ganancioso ao extremo,era um homem de maus bofes,eis que,além da fraude,sua prisão foi agravada por porte de armas,entre elas,um fuzil.

 

Bem mais amena e saudável é a notícia que a Zero Hora publicou,também nessa terça-feira,Porto Alegre deve passar com carros elétricos para alugar. Neste sábado,os engenheiros Cezar Reinbrecht e Lucas de Paris,em evento acerca de mobilidade urbana promovido pela UFRGS,em parceria com a ONG Net Impact Porto Alegre,essa sim uma Organização Não Governamental que vale a pena,vão apresentar o projeto Sivi – Sistema Veicular Inteligente. Sei que os meus filhos Mílton e Christian,são fãs de biciclestas,mas duvido que não venham a adorar os carros elétricos.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)