Candidatos são convidados a declarar doadores, em SP

O financiamento de campanha é um dos temas mais complicados do processo eleitoral. Partidos e candidatos costumam não falar do assunto. A legislação aperta o cerco, mas tem deixado buracos na cerca. Apesar de serem obrigados a fazer declarações particiais do dinheiro que receberam de empresas e pessoas fisicas, o nome dos doares somente será conhecido após a eleição.

A pressão da opinião pública tem mudado o comportamento em alguns locais. No Rio, conforme publicado na edição de hoje do jornal Valor Econômico, todos os candidatos a prefeito declaram o nome dos doadores e a quantia doada. Em Curitiba, o eleitor já pode saber quem financia a campanha, apesar de candidatos e partidos ainda não divulgarem quanto cada um doou.

Em São Paulo, ninguém sabe, ninguém viu. E mesmo candidatos mais a esquerda que denunciam o abuso do poder econômico falam que declarar antes da eleição o nome do financiador vai constrager doador.

Nessa terça-feira, o CBN São Paulo enviou aos candidatos que ocupam os seis primeiros lugares nas pesquisas eleitorais mensagem solicitando o nome de quem financia a campanha deles. Estas informações serão divulgadas no programa e aqui no blog, assim que forem enviadas à CBN.

O consultor da ONG Contas Abertas Gil Castelo Branco falou sobre a iniciativa e a importância para o eleitor saber quem financia a campanha do seu candidato:

Use a cartilha para saber se tem corrupto na área

O be-a-bá da improbidade administrativa, da compra de votos e da corrupção eleitoral está na cartilha editada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo que tem como objetivo informar o cidadão sobre irregularidades que possam estar sendo realizadas durante a campanha. De acordo com a promotora de Justiça da Cidadania Adriana Moraes a lei de iniciativa popular aprovada em 1997 tem permitido que candidatos que atuem de maneira irregular sejam punidos mesmo após a eleição.

As denúncias podem ser encaminhadas para o endereço eletrônico eleitorais@mp.sp.gov.br e a cartilha está à disposição no site do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Ouça a entrevista da promotora Adriana Moraes ao CBN SP e fiscalize:

As regras para você ter uma calçada limpa


Imagem enviada pelo ouvinte-internauta Daniel Aveiro

“É difícil ser pedestre”, disse a diretora da Emurb Regina Monteiro ao comentar as normas que regulamentam a construção de calçadas na cidade de São Paulo. O pensamento dela vai ao encontro do que afirmou, durante debate promovido pelo CBN SP, no sábado, a professora Asuncion Blanco, que se transformou em uma ativista dos pedestres. Ela havia chamado atenção para algo que muitos de nós já sentimos nos pés, não apenas na capital paulista: as calçadas não são feitas para as pessoas.

Um dos problemas apontados para tanto desrespeito seria o da desinformação e, por isso, resolvemos conversar com Regina Monteiro que, além de ser dirigente da empresa de urbanização da cidade de São Paulo, é outra batalhadora na busca de calçadas limpas (leia-se, sem obstáculos).

Assim, se você quer saber se a sua calçada está em ordem, antes mesmo de tirar a lixeira de grade da frente, ouça esta entrevista:

Sindicato dos taxistas é usado para campanha de ex-vereador

Dois candidatos a vereador disputam um segmento importante do eleitorado: o dos taxistas. São mais de 35 mil, sem contar os clandestinos, que transportam mais um tanto de pessoas na cidade. Durante muitos anos, se disse aqui em São Paulo que eram os “motoristas da praça” os principais cabos eleitorais de Paulo Maluf. Nesta campanha a opinião deles está dividida em relação ao seu representante na prefeitura.

A briga se dá na vaga para a Câmara Municipal: Natalício Bezerra, ex-vereador e presidente do Sindicato dos Taxistas, e Salomão Pereira, proprietário da Folha do Taxista, se apresentam como representantes dos motoristas e usam suas armas. Simão explora o jornal de sua propriedade para divulgar seu trabalho, enquanto Natalício se aproveita da estrutura do sindicato.

Na edição de “O Taxista”, jornal da entidade, deste mês, o presidente licenciado assina o expediente, aparece em quatro fotografias e tem nome citado cinco vezes. Além disso, o jornal publica editorial no qual compara os dois candidatos sem citar nomes: “Você prefere depositar seu voto e sua confiança em um candidato que dedicou sua vida às causas dos taxistas e em solucionar os seus problemas, ou prefere aquele que possui apenas interesse em expandir seus negócios, alavancados à custa da própria categoria ?”, pergunta.

Se em uma reportagem Natalício aparece como o responsável pela conquista do direito de os taxistas usarem o corredor de ônibus, em outra Salomão é apontado como defensor dos motoristas irregulares.

Mesmo no “Espaço do Leitor”, os editores não perderam a oportunidade de publicar uma carta que defende – e aí, sim, com o nome – Natalício Bezerra e crítica o opositor com texto muito semelhante ao do editorial.

Natalício Bezerra já foi vereador em São Paulo, mas tem encontrado dificuldades de voltar ao legislativo municipal desde que perdeu a vaga há duas eleições. Foi duramente criticado quando, recentemente, decidiu vender a tabela de reajuste dos táxis aos motoristas não sindicalizados apesar desta ter sido impressa pela prefeitura.


Procuradoria vai investigar candidato

(notícia publicada no dia 24/09)

“Senhor Milton Jung,

Após tomar conhecimento da notícia intitulada “” veiculada em seu blog e na Rádio CBN, esta Procuradoria Regional Eleitoral, por seu Procurador Substituto, adotou as providências pertinentes ao caso, encaminhando expediente à Promotoria de Justiça da 1a Zona Eleitoral de São Paulo, órgão com atribuição para proceder as investigações.

Atenciosamente,

Santiago André Schunck
Assessor Jurídico”

Um ônibus vale por um quarteirão de carro

Uma campanha publicitária da década de 90 comparou a capacidade de transportar passageiros dos ônibus e dos carros. Considerando que a lotação de um ônibus é de 70 pessoas e os carros não costumam levar mais do que duas por viagem, os organizadores mostraram o espaço que cada um destes modos de transporte ocupa em uma cidade. Para levar o grupo, o ônibus toma algo em torno de 13 metros, enquanto os carros precisam de um quarteirão inteiro.

O material que fazia parte de campanha para incentivar o transporte coletivo foi garimpado pelo repórter Ádamo Bazani em suas pesquisas busólogas. Sim, além de todos os méritos, o cara ainda é apaixonado por ônibus e sobre isso ainda vamos conversar aqui no blog.

Condomínio Legal: Ódio do meu amado vizinho

Por Márcio Rachkorsky

Recém casada, uma moça recatada mudou-se para São Paulo com o marido. Uma bela mulher, com aproximadamente 25 anos de idade. O marido trabalhava muito e quase não parava em casa. Ela, ainda sem emprego em São Paulo, passava o dia todo no apartamento. O vizinho de porta era um jovem rapaz solteiro, com hábitos totalmente contrários às regras da boa vizinhança. Ouvia o som sempre em alto volume, promovia festas em seu apartamento, desrespeitava sistematicamente as normas do condomínio.

Indignada, nossa personagem tentou dialogar com ele e, como de nada adiantou, reclamou ao síndico. Após reuniões, pedidos e advertências, que de nada adiantaram, o condômino foi multado reiteradas vezes. Certo dia nossa personagem discutiu feio com o vizinho mal educado e quando seu marido chegou em casa, exigiu providências e, aos prantos, pediu que o marido fosse tirar satisfação com o vizinho. Cansado e sem paciência para tais assuntos, o marido disse que tinha mais o que fazer e um assunto tão bobo motivou uma abrupta separação. Ele voltou para a cidade do interior e nossa brava personagem permaneceu em São Paulo.

Alguns meses depois, para minha surpresa e indignação, recebi um feliz casal em meu escritório, ávidos para realizar o pagamento de uma dívida de condomínio. Era uma sexta-feira, por volta das 17:00 horas. Não é que a moça agora namorava seu vizinho, aquele mal educado! E estavam no meu escritório justamente para pagar as multas, aquelas aplicadas em função das reclamações dela … Dei um belo desconto, fechei o escritório e fui tomar uma gelada e merecida cerveja !

Márcio Rachkorsky é comentarista especializado em condomínio na CBN. Toda segunda está aqui no blog com textos inéditos e abre espaço para conversar com você.