Ambiente urbano: Tem chuva, falta água

Por Osvaldo Stella

“Embora a frente fria que chegou a São Paulo tenha contribuído para melhorar a umidade do ar, julho foi o mês mais seco desde que se efetuam medidas de umidade relativa do ar em São Paulo. Esta época do ano é sempre a época onde chove menos, durante o verão a água das chuvas é armazenada em reservatórios e depois é utilizada para suprir as cidades durante o inverno, época onde a chuva não é suficiente para suprir o abastecimento.

São Paulo é uma cidade bastante frágil em relação ao fornecimento de água. A principal fonte de abastecimento, a Bacia do Alto Tiete é capaz de fornecer apenas metade da água consumida na região metropolitana, o restante tem que ser “importado” da Bacia do Piracicaba que também abastece a região metropolitana de Campinas. O contrato que garante este abastecimento vigora até 2014 e a partir daí São Paulo terá que procurar outras soluções.

Uma das alternativas para este problema é, além de buscar outras fontes para suprir a demanda, reduzir o consumo e o desperdício. O desperdício começa já no sistema de distribuição, 18% da água que é captada se perde por vazamentos da rede. Isto representa aproximadamente 1 bilhão de litros de água por dia. Outra fonte de desperdício está no uso. Lavar a calçada com água corrente, fazer a barba com a torneira aberta, entre outros hábitos, devem se revistos para atenuar a crise que se aproxima.

Investimentos em educação e infra estrutura serão imprescindíveis para atenuar a
crise que se aproxima”.

Empresas tentam faturar com rodízio de caminhão

Obrigados a parar na estrada devido às restrições impostas pela prefeitura de São Paulo, caminhoneiros começam a ser assediados por empresas como a Scania. A montadora oferece aos motoristas locais conhecidos por “Casa de Serviço” que estão em rodovias estaduais e federais na entrada da capital paulista. A idéia é que o tempo de espera seja aproveitado para a revisão dos caminhões. Um complicador é o fato de o caminhoneiro temr de agendar a revisão um dia antes. E se é possível programar a revisão também é possível acertar o horário para não ter necessidade de perder tempo na estrada a espera da liberação do trânsito para cruzar a cidade.

Congestionamento clandestino

Aliás, reportagem deste domingo, no Estadão, mostra que os motoristas buscam caminhos diferentes para enfrentar os limites da lei. Andam em ruas estreitas que não estão preparadas para o tráfego pesado mas que ficam fora do centro expandido. Segundo texto do repórter Diego Zanchetta “a melhora na fluidez do tráfego observada na região central e nas Marginais não ocorreu em vias agora usadas como rotas de fuga, como as Avenidas Casa Verde, Raimundo Pereira de Magalhães e Conceição, na zona norte, e Aricanduva, Sapopemba e Adélia Chohfi, na zona leste. A maior parte sem medição da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e com poucos agentes para orientar o trânsito, essas vias da periferia usadas como alternativa à Marginal têm hoje congestionamentos praticamente invisíveis ao poder público”

São Paulo inventou o congestionamento clandestino.

Conheça Ivan Valente, do PSOL, e faça sua pergunta

Uma das maneiras de buscar informações sobre o candidato do PSOL Ivan Valente é visitar o site Excelências, mantido pela Transparência Brasil. Como Valente é deputado federal, é possível encontrar uma série de dados sobre o trabalho dele no parlamento. Está disponível, inclusive, a lista de doadores da campanha para a Câmara dos Deputados.

Você pode usar o Excelências para consultar, também, o desempenho do candidato a vice na chapa de Valente: o deputado estadual Carlos Gianazzi do PSOL.

O texto abaixo está publicado no site oficial da campanha de Ivan Valente.

“Desde os anos 60 participa das lutas populares. Como membro da geração que, em 1968, despertou para a militância política na resistência democrática à ditadura, Ivan Valente, anistiado político, foi perseguido, preso e torturado pelo regime dos generais. Participou da fundação do PT sendo membro da sua Direção Nacional por 17 anos.

Por duas vezes foi deputado estadual (1987/90 e 1991/94) e está em seu terceiro mandato federal. Foi considerado pelo movimento “Voto Consciente” um dos parlamentares mais ativos da Assembléia de SP e é referência política e dos movimentos sociais no Congresso Nacional. Integra as comissões de Educação e Cultura e de Defesa do Consumidor na Câmara dos Deputados e sua atuação sempre foi pautada na defesa de uma educação pública de qualidade para todos e todas, do meio ambiente, da saúde do trabalhador, do direito à assistência farmacêutica e da dignidade da pessoa humana.

Quando o PT se desmoralizou, deixou o partido, sendo já reeleito deputado federal pelo PSOL. Hoje integra a Direção Nacional do Partido Socialismo e Liberdade. Sua atuação partidária, no parlamento e na sociedade, tem sempre a marca da coerência e do compromisso com os interesses dos trabalhadores e das maiorias nacionais e com a luta pela democracia e pelo socialismo.”

Entrevistas com candidatos começam hoje no CBN SP

Um é prefeito. Dois já foram. Tem um ex-governador. E dois parlamentares. Dos dez candidatos à prefeitura de São Paulo, seis têm algum tipo de experiência na vida pública, fator que poderia tornar o debate eleitoral mais consistente. O conhecimento dos temas em discussão e das estratégias para se obter resultados que beneficiem o cidadão não tem se revelado nas primeiras semanas de campanha. Mesmo o debate da TV Bandeirantes, semana passada, ficou aquém da expectativa.

Os candidatos, além das atividades de rua, têm participado de entrevistas em emissoras de rádio, na televisão, nos jornais e na internet. Tirar deles um plano de governo bem estruturado e baseado na realidade paulistana transforma-se em desafio para os jornalistas que têm a oportunidade de entrevistá-los. Desafio ao qual me submeto a partir desta segunda-feira quando se inicia a série organizada pela rádio CBN.

Nos 25 minutos de entrevista (começa às 11 e 5 da manhã, logo após o Repórter CBN), a intenção é abordar temas que estejam entre as maiores preocupações do paulistano, neste momento. Mais do que isso, entender quais as metas que os candidatos pretendem alcançar em quatro anos de governo e os caminhos que irão percorrer para chegar até elas.

Os ouvintes-internautas poderão sugerir perguntas e assuntos para o debate através de três canais: nos “comentários” aqui do blog, pelo e-mail milton@cbn.com.br e pelo Twitter, se cadastrando na rede e procurando “miltonjung”.

Ao fim da entrevista, será aberto espaço aqui no blog para você avaliar o resultado da entrevista e o desempenho do candidato.

O primeiro a ser entrevistado é o candidato do PSOL, Ivan Valente. Na lista de convidados foi incluída Anair Caproni, do PCO, no entanto a candidatura dela ainda não foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Veja o calendário das entrevistas:

04/08 – Ivan Valente (PSOL)

05/08 – Geraldo Alckmin (PSDB)

06/08 – Anair Caproni (PCO)

07/08 – Ciro Moura (PTC)

08/08 – Renato Reichman (PMN)

11/08 – Levi Fidelix (PRTB)

12/08 – Marta Suplicy (PT)

13/08 – Sônia Francine (PPS)

14/08 – Paulo Maluf (PP)

15/08 – Edmílson Costa (PCB)

18/08 – Giberto Kassab (DEM)

Marcas brasileiras na Espanha

Marcas e produtos brasileiros fazendo sucesso no exterior. Assim como seus esteriótipos. O anúncio acima encontrei na revista de bordo da Ibéria, em meu vôo de volta ao Brasil. É de uma casa de rodízio de carne e ilustrado pelo o que os donos devem considerar a legítima carne brasileira.

Marca de sucesso

A qualificada participação nos comentários ao artigo do doutor em marketing de moda Carlos Magno Gibrail, publicado neste blog na quarta-feira, me motiva a ampliar o espaço do debate para que você também possa discutir o tema, seja aqui mesmo seja com as pessoas com as quais você se relaciona.

O tema proposto nesta semana pelo Carlos Magno foi a relação que mantemos com as marcas. Logo que o texto dele chegou na minha caixa de correio lembrei da cena que me chamou atenção no dia 12 de julho, quando estava na Itália, e os jornais estamparam na primeira página fotografia de um monte de jovens enfrentando a fila para comprar seu Iphone 3G. Foi um alívio, pois até então temia que os congestionamentos, alguns anos atrás, em torno da quadra do primeiro Habibs aberto em Porto Alegre, minha cidade natal, eram cenas explícitas de “caipirismo”.

Nunca entraria numa fila daquelas nem mesmo pelo Iphone; nem mesmo sendo produto de uma das marcas que mais admiro, a Apple, de quem sou consumidor contumaz.

A ouvinte-internauta Beth Penteado, representante comercial e consultora, foi quem abriu a discussão afirmando que “no segmento da indústria de moda, a construção de marca é a única maneira de permanência no mercado”. Lembrou que “o Brasil da moda precisa consolidar a sua marca imprimindo aos seus produtos os atributos necessários para ser reconhecido onde estiver colocado”.

André Carvalho M.C.G complementou a idéia: “A grande marca que precisamos valorizar globalmente é a ‘marca Brasil’. Essa sem dúvida ajudará a expansão do comércio internacional brasileiro”.

Provocado, Carlos Magno que sempre nadou com tranquilidade neste oceano, lembrou afirmações de Al Ries quando esteve em São Paulo: “O Brasil tem credibilidade em áreas como florestas, praias,futebol, sol. Portanto, se quiser fabricar automóvel que faça um utilitário para andar na quinta avenida com a marca de AMAZON, ou seja, faça produtos com valor agregado mas cuide para que a marca reporte aos valores do país.” Assim como a Colômbia faz com o seu café, complementou o colunista.

Foi a deixa para que outro personagem entrasse no circuito. Craque, Nelson Barrizzelli escreveu: “A marca menos cuidada em nosso país é a marca “Brasil”. Ela tem valor incalculável tanto interna como externamente. Quando se fala de Brasil no exterior logo vem à mente das pessoas futebol, mulatas, carnaval, floresta amazônica e outros aspectos folclóricos. A marca Brasil deveria servir de suporte para os produtos com valor agregado derivados do nosso potencial agro-pecuário. Por exemplo: o maior país exportador de café processado do mundo é a Alemanha. Lá não existe plantação de café, mas eles aprenderam agregar valor a um produto que vários países subdesenvolvidos consideram apenas coisa de caipira”.

Com faro de repórter, em busca do furo, Carlos provocou Barrizelli a divulgar aqui, com exclusividade, a marca de café de alta qualidade que será lançada. Estamos ansiosos. Enquanto aguardamos a novidade, fomos apresentados a Donna Bella e suas bijuterias refinadas, da Carol, e a Concierge Bespoke, com atendimento personalizado no setor de turismo, da Cristiane. Nomes que a partir da qualidade do serviço e produto prestados querem se transformar em marcas. Grandes marcas.

Os cães de Santiago

Por Marcos Bin
Ouvinte-internauta do CBN SP

Ali, bem na esquina, a uns dez metros, um cão negro deitado, abandonado. Passo ao largo e continuo à deriva, em outra noite fria e silenciosa. Disponho de alguns dias e pretendo usufruí-los com toda a liberdade. Mais uma quadra, três cães farejando os cantos, o de focinho comprido manquitola. Rosnam entre si, numa brincadeira sem graça e se retiram. Para onde vão?

Nesta noite não quero programa, nem o aconchego de meu quarto de hotel. Estou feliz por caminhar sem destino, passeio Ahumada, avenida O’ Higgins, o Cerro de Santa Lucia, pouco movimento nas calçadas, o comércio com as portas cerradas, mesmo as enamoradas que gostam de freqüentar os bancos públicos parecem afugentadas para os interiores, bem as vejo sussurrando ou divertindo-se nas mesas, através das vidraças. Desprendo-me, permito-me flanar saltando de recordação em recordação, à espera da próxima surpresa, quem sabe na próxima esquina. Nada mais saudável do que andar sem critérios e observar o cenário em sombras, as mãos nos bolsos do casaco forrado, o ar gélido a penetrar pelas narinas. Quando penso em Muriel, a atenção volta-se para outro grupo de cães. Passo bem perto, o suficiente para tornar-me ameaçador e com isso afugentá-los. Ao mesmo tempo que dóceis, são esquivos e não se permitem aos humanos. O problema poderia ser comigo, um forasteiro que não sabe de suas artimanhas, mas não, tenho-os observado o suficiente para saber que evitam a todos os humanos. Por quê?

A caminhada me estimula as divagações. Penso nas duas brasileiras que encontrei no dia anterior, nas proximidades do cerro San Cristóbal. Entrei numa casa de artesanato e ali estavam elas, avaliando peças de cobre, bolsas, pequenas esculturas. Conversavam com o sotaque típico gaúcho, uma morando ao norte, em Huechuraba, outra de passagem por uns dias, felizes pelo reencontro depois de anos. Perguntei se tinham algum programa para a noite, não tinham, de modo que pudemos beber e falar das nossas expectativas. Lucia voltaria em breve para São Paulo, Renata ficaria por mais um tempo, concluindo o doutorado sobre o governo Allende. Eu não estava preocupado com elucubrações políticas, queria apenas a companhia delas. Mais de uma vez dei-me por satisfeito em presenciar os debates acalorados entre as amigas, sobre algum ponto visceral da sociedade chilena ou brasileira. Gostava de ver o movimento labial de Lucia quando se empolgava na conversa e foi esse detalhe que me fez escolhê-la para que me acompanhasse pelo restante da noite. Mas não, foram embora juntas, sem me permitir nada além de um beijo en las melillas. Partiram e não fiquei só, um pouco mais adiante, um bando desgarrado de cães apareceu para me ciceronear por umas quadras, com seus movimentos dispersos e olhares atentos.

Lucia, Renata… não estou interessado em aventuras. Prezo este sossego momentâneo para sair e chegar a qualquer hora, de vagar por qualquer parte da cidade, de pensar que disponho de tempo. Talvez mais adiante, quem sabe conhecer uma chilena mapuche como tantas que despontam com sua graça pelas ruas e aí sim, quem sabe, ouvir um pouco de política, de saber das histórias de um povo, emocionar-me com os relatos de uma cultura ignorada… Antes, porém, quero sentir essa liberdade de poder ficar à toa, ouvir outras vozes, sentir o rumor do vento noturno, sorver mais bebidas. As madrugadas são convidativas para esses passeios sem destino, escoltado por cães perdidos. Nada mais bizarro. Ali vão eles, mais uma turma, enfurnam-se pela vegetação da praça e logo retornam, sempre juntos. Desta vez se aproximam, como se fosse uma comitiva representando os cães de Santiago. No fim da fila o de focinho comprido, o mesmo de algumas horas atrás. Lembro-me de Atma, o velho cão de meu avô, em comum a cor marrom e mais nada. Este Atma é sem raça definida, tem o pelo espetado pela sujeira do abandono e é ágil, embora… embora seja perceptível algum problema com uma patinha, o jeito como se apóia com certo incômodo. Eles chegam e me circundam numa órbita elíptica, ora próximos, ora distantes, agrada-me observá-los em seu ritual grupal e a certa distância se detêm para uma derradeira conferência silenciosa, onde Atma é escolhido o interlocutor. Cão de rua é arisco, pouco dado a interlocuções. Atma não é diferente, aproxima-se com cuidado, mais pela obrigação de expressar o que sente, ou o que foi incumbido de expressar. Aguardo pacientemente, observo a aproximação tímida, incerta, verifico a desilusão estampada no par de olhos. Agora, tão próximo que posso acariciar levemente sua cabeça, ergue sua pata machucada, seguro-a, nada posso fazer porque não identifico o problema. Ele retira a pata de minhas mãos, porém não se afasta, é como se me desse mais uma chance.

Levanta pela derradeira vez seus olhos, informando-me que o tempo se esgota, que eles precisam ir. Quer que eu os acompanhe. Passo a segui-los, enveredando por caminhos ao sabor das estrelas, a noite mais fria a cada beco e viela ultrapassados e prosseguimos, determinados a alcançar um fim. Quando o negrume da noite se impõe, chegamos a um destino marcado pelo desconsolo. Os cães, como a cumprirem sua missão, se aconchegam aos corpos que os acolhem com movimentos macilentos, remexendo o lixo que os protege. Gestos débeis, de exígua duração: logo todos sossegam e adormecem. Talvez fosse apenas isso, os cães atraindo o homem ao limite extremo da caminhada, para os monturos da sua própria civilização.

Metrô terá mais trem e dinheiro

Dois bilhões a mais no bolso e 35 mil assentos a mais nos trilhos do metrô de São Paulo. Estes são os resultados de duas ações adotadas pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos, nesta semana.

O governo aumentou sua capacidade de endividamento e com isso elevou os recursos do Plano de Expansão do sistema de transporte metropolitano de R$ 17 para R$ 19 bilhões. O dinheiro extra vai para as obras de expansão da Linha 5-Lilás, entre o Largo 13 e a estação Chácara Klabin, que até 2010 ganhará duas novas estações: Adolfo Pinheiro e Campo Belo.

A partir de segunda-feira, aumentará o número de vagões circulando nas linhas do metrô – e da CPTM, também – nos horários que estão fora do pico. Alguém há de perguntar por que não aumentar esta capacidade no horário de pico ? Simples, nestes períodos metrô e CPTM já andam no limite. Não há espaço para colocar mais trens nos trilhos. Apenas a modernização do sistema de controle dos trens e a compra de vagões permitirão viagens em intervalos menores.

O investimento no setor de transporte vai ao encontro do interesse do governador José Serra (PSDB) que pretende apresentar a melhoria no setor como uma das principais bandeiras na disputa à presidência da República.

Boa parte do dinheiro previsto para o Plano de Expansão que atende as três empresas do sistema – Metrô, CPTM e EMTU – será aplicado até 2010 quando a intenção do Governo é ter diminuído o tempo médio de viagem em 25% no sistema metroferroviário.

Inspeção veicular: adesão é pequena e poluidores são muitos

Em três meses de inspeção ambiental veicular, 5.350 veículos passaram pelo posto da Controlar, empresa responsável pela prestação de serviço, em São Paulo. De acordo com o balanço antecipado ao CBN SP, 47% dos carros e caminhões apresentaram irregularidades e foram reprovados. O diretor Eduardo Rosin destaca que este percentual comprova a necessidade da realização deste programa na capital paulista: “o número de reicidentes também é grande, alguns tiveram de voltar até quatros vezes para serem aprovados”.

Um fato preocupante é a baixa adesão a inspeção veicular até aqui. Os veículos movidos à diesel com placa finais 1 e 2, licenciados na capital, somam cerca de 13 mil e destes apenas 2.800 passaram pelo controle da empresa. Os demais não conseguirão fazer o licenciamento se não apresentarem o certificado de qualidade, além de pagarem multa de R$ 550.

Ouça a entrevista do diretor da Controlar Eduardo Rosin ao CBN SP:

Mais informações visite o site da Controlar

É o louco do viaduto!

Por Fernanda Campagnucci

Um ônibus passa rasgando a avenida Alcântara Machado, ao lado do viaduto de mesmo nome. Dois, três carros sobem atrás dele, apressados em direção à zona leste. Quem estava embaixo dali, como eu naquela tarde de sábado, via os carros pelo vão do concreto…

… mas, entre o chão e o viaduto propriamente dito, havia mais coisas do que supõe a nossa vã filosofia (ou o nosso cansado senso-comum). Ringues, sacos de boxe e pneus improvisados, bicicletas ergométricas, aparelhos de musculação, livros, brinquedos. A academia de boxe e biblioteca Cora-Garrido não é o que se espera de um baixo de viaduto. Mas o que esperar de um lugar que é um não-lugar?

Responda rápido, sem pensar. Diante da pergunta “o que vem à sua cabeça quando se fala em viaduto?”, pessoas na rua disseram sem pestanejar: mendigos. Violência. Drogas. Criminalidade. Falta de iluminação. Alguns pareciam surpresos: é só um lugar de passagem. O que mais seria?

O arquiteto Igor Guatelli explica que o baixo de viaduto é um espaço não-projetado e não tem significados a priori – ele mesmo define o espaço como um “entre”. Pode ganhar novos sentidos com iniciativas como aquela, do boxeador amador Nilson Garrido. Segundo Guatelli, quando a ocupação de um espaço surge espontaneamente, da própria comunidade, ela se transforma em uma verdadeira máquina social.

Para os moradores mais atentos da Paulicéia, pode ser que a academia de boxe do viaduto Alcântara Machado, que fica no Brás, não seja novidade. É que Garrido já havia começado com sua loucura anos antes, primeiro no viaduto do Chá e, depois, no Viaduto do Café, na Bela Vista. , ele ouvia. Mas não ligava. “Os maiores homens do mundo foram considerados loucos. Se você está me congratulando com essa palavra… ”, dispara, bem humorado.

Moradores de rua, desempregados, ou simplesmente moradores do entorno (ou não!) freqüentam o lugar. Crianças também são bem-vindas, na brinquedoteca ou na biblioteca. Mas Garrido e Cora, sua parceira nessa empreitada, fazem questão de lembrar que não se trata de uma academia, apenas. É um projeto
social.

Jailton de Jesus, de 21 anos, entende bem o que isso quer dizer. Quem vê aquele sujeito alto e forte – hoje ele é lutador de boxe profissional – não imagina que, ainda adolescente, ele comeu lixo, viveu debaixo de uma carroça e trabalhou por anos separando material reciclável das 6 da manhã à meia-noite. Agora ele mora na academia do Viaduto do Café, que coordena. E sabe que o mundo dá voltas. “Antes eu tomava tapa na orelha de policiais, era enquadrado”. Hoje, são os policiais do GOE que o procuram. Para ter aulas particulares com o campeão de boxe, que aprendeu tudo ali, debaixo do viaduto.

* Fernanda Campagnucci é quase-jornalista e estagiária da CBN. Escapou por pouco de um olho roxo enquanto filmava do córner as lutas sob o viaduto Alcântara Machado, para o documentário “Entre – Ringues e Concreto”.

Entre – Ringues e concreto, o vídeo