Ambiente Urbano: Inspeção pode não dar resultado

Por Osvaldo Stella
Comentarista

“Com a chegada do inverno, as condições de dispersão de poluentes ficam prejudicadas e as ocorrências de má-qualidade do ar aumentam. A qualidade ruim do ar em São Paulo já é um problema de saúde publica, os atendimentos médicos as faltas no trabalho aumentam nesta época.

Um dos grandes causadores da má-qualidade do ar é a frota de veículos. Para tentar melhorar este cenário a prefeitura da cidade implantou o sistema de inspeção veicular. Ele já funciona para os veículos a diesel e, a partir do ano que vem, para toda frota.

Em tese retirando os veículos mal regulados e antigos das ruas a qualidade do ar melhora, porém se o mesmo modelo de transporte individual for mantido e a frota continuar aumentando o efeito da inspeção veicular não será sentido em termos de melhoria da qualidade do ar.

De qualquer maneira, vai consumir aproximadamente R$ 250 milhões de reais por ano, recursos suficientes para transformar o transporte público na cidade e fornecer uma alternativa para aqueles que não querem, e para aqueles que agora, não podem utizar o transporte individual”.

Ouça este e outros comentários de Ambiente Urbano clicando aqui.

Caos no trânsito reduz produtividade em 5%, diz pesquisa

A manchete em cima e o texto embaixo são do UOL Economia e mostram o tamanho do problema que as maiores cidades brasileiras têm pela frente:

“Os problemas de congestionamento de automóveis devem limitar o potencial de crescimento econômico do Brasil e de outros países latino-americanos nos próximos anos, segundo estudo realizado pelo Citigroup.

A pesquisa levou em consideração o tempo que se gasta em viagens urbanas e concluiu que o trânsito gera uma perda de 5% na produtividade do Brasil. Entre os países da América Latina, apenas no México os gargalos de tráfego provocam uma perda semelhante à brasileira”.

A produtividade corresponde à relação entre quanto se produz e quanto se gasta na produção, incluindo o pagamento de funcionários.

Se um entregador, por exemplo, é capaz de fazer um serviço em 20 minutos quando não há trânsito, mas leva 40 minutos em momento de tráfego intenso, diz-se que, nesse caso, a produtividade cai à metade devido ao congestionamento.

O documento, obtido por UOL Economia, não foi divulgado para a imprensa. É a primeira edição de um estudo que será anual e se propõe a tratar de temas que, apesar de influenciarem a atividade econômica, são pouco analisados pela instituição financeira”

Leia o texto completo clicando aqui

Gasolina cara tira carro da rua, nos EUA


Número de passageiros cresceu 8%, em Denver

Com o preço da gasolina próximo de R$ 2,85 o litro (US$ 4 o galão), mais motoristas estão abandonando seus carros em troca dos trens e ônibus, nos Estados Unidos. De acordo com reportagem do The New York Times, o sistema de transporte público tem registrado aumento no número de passageiros com algumas cidades calculando até 15% mais viagens do que no ano passado.

Em Nova Iorque e Boston, onde o sistema de transportes é extenso e seu uso é habitual, o número de passageiros neste início de ano cresceu cerca de 5%. Já nas cidades do sul e do oeste americano, nas quais o carro é quase que uma instituição, as taxas superam os 10%. Em Denver, por exemplo, o aumento foi de 8% nos três primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2007.

Além de o sistema de transporte, no horário de pico, muitas vezes alcançar sua capacidade máxima, os estacionamentos das estações também estão lotados – reforçando a idéia de que os americanos estão preferindo andar menos com o carro e viajando mais com ônibus e metrô.

A compra de carros “beberrões” caiu a medida que os motoristas têm procurado veículos menores e menos poluentes. Nem tanto pela necessidade de proteger o meio ambiente, mas de proteger o próprio bolso. Outro reflexo desta mudança de hábito é que, pela primeira vez, o consumo de gasolina teve um declínio, desde 1991.

Especialistas americanos, ouvidos pelo jornal, lembram que a migração do carro para o transporte público tem preocupado os administradores do sistema, pois já há pressão para o aumento do valor da passagem. Além da gasolina estar mais cara, e a maioria da frotas não usa combustível renovável, os empresários se vêem obrigados a aumentar o número de ônibus nas ruas, fazendo com que seus custos cresçam, também.

O irônico deste movimento é que justo o petróleo (pelo alto custo), uma das fontes mais importantes de poluição nas grandes cidades, é que está provocando a mudança de hábito do cidadão que beneficiará a qualidade do ar.

Aqui no Brasil, o Governo Federal de olho na opinião pública tem subsidiado a gasolina, mantido os preços em baixa e incentivado o cidadão a comprar cada vez mais carros. E poluir as cidades ainda mais.

Ponte estaiada: R$ 233 mi só para carros

Ponte estaiada: R$ 233 mi só para carros


Gente e bicicleta estão proibidas (foto: Andre Pasqualini)

Inaugurada com palanque e políticos, a ponte estaiada sobre o Rio Pinheiros transforma-se em cartão postal da cidade. Se você leu os jornais deste fim de semana deve ter notado a quantidade de anúncios explorando a entrega da obra. Sem dúvida, um monumento. Cabe agora descobrirmos em homenagem a quem.

A construção custou R$ 233 milhões, começou na gestão Marta Suplicy, foi cortada pela administração José Serra/Gilberto Kassab e, entenda-se, comemorada pelo governo Serra/Kassab.

Na sexta-feira, quando passei por lá (de carro, eu confesso) e a operação limpeza estava em andamento (tiravam lixo, restos de construção e gente que “morava na redondeza), chamou-me a atenção a placa ao pé da ponte: pedestres e ciclistas são todos mal-vindos. Assim como ônibus e caminhões. A dinheirama ali investida só serve para os carros que entopem a cidade. Salvaram-se as motos na República dos Carros.

Após ler nos jornais que pequenos grupos protestaram durante a festa de inauguração, não precisei navegar muito para descobrir que entre eles estava a turma do “Apocalipse Motorizado”, que há muito alerta para os riscos de construírmos uma cidade que privilegia os automóveis. No cálculo deles, uma ponte estaiada gasta o suficente para a construção de 1.000 quilômetros de ciclovias.

Alguns cliques a mais e logo cheguei ao blog Gira-me que estampava a foto feita pelo André Pasqualini (ouvinte-internauta deste blog) com a mesma cena que havia me chamado atenção na sexta-feira.

Por chamar atenção, também fiquei “encasquetado” com o fato de o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) ter subido ao palanque ao lado do governador José Serra (PSDB-SP) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), ao mesmo tempo que a ministra Marta Suplicy (PT-SP) não compareceu (ou não foi convidada).

Maluf, ao subir na ponte, deve ter se emocionado ao lembrar dos tempos em que construiu a ex-Água Espraiada, motivo de alguns dos 150 processos a que responde na justiça, conforme dados do site Excelências.

Ex-funcionária do CDHU morre “ilegal”

Caro Milton

É com o coração partido que informo o falecimento da Dona Nina Levashko Eispu.

Essa Senhora, com mais de 70 anos de idade, morreu só em seu apartamento, acompanhada apenas pelos seus cachorros que ela tanto amava.

Russa, migrou para o Brasil ainda jovem. Lembro dela contar a seus amigos que, com dedo em riste, desafiou um agente da KGB, em sua terra natal.

Em 1986, começou a trabalhar dentro da CDHU, subordinada a funcionários da CDHU, porém por empresa terceirizada e em 1989, segundo as regras vigentes à época, foi selecionada e contratada pela CDHU por quem trabalhou afinco por 22 anos, initerruptos. Ela foi responsável pela montagem do Departamento de projetos Elétricos da CDHU, apesar de ser formada em medicina na Russia.

Finalmente, já com câncer no estômago, ela foi demitida da CDHU em 2006, sob a acusação de “ocupar um cargo público de forma ilegal e imoral”.

A Dona Nina, nunca, em sua vida toda foi imoral. Confiou sua vida profissional à sua patrôa, a sua chefe… a CDHU. Confiou que essa “Empresa de Economia Mista”, a contratou por meios legais, afinal a CDHU corroborava pela “legitimidade” de seu emprego, toda vez que a D. Nina recebia seu Holerith.

Ela sempre dizia a todos que deveriamos buscar a imprensa para denunciar “essa imoralidade” do Estado. Ela sempre se perguntava, “como posso eu ser ilegal se foi a empresa que me selecionou e me contratou?”… dizia ela também à comissão que organizava o grupo dos demitidos… “Devemos lutar pela nossa honra e para isso devemos alertar a imprensa”.

Alguns membros do grupo procuraram sim a imprensa para “fazer voz aos Demitidos da CDHU”, por nulidade contratual. Talvez por serem poucos, apenas 76 funcionários admitidos em 1989, a notícia ou a “denuncia”, não teve repercusão.

Agora, com os números de demissões se elevando e mais sindicatos de mobilizando vêm à tona os fatos.

A D. Nina, lutou brava e heroicamente. Com sonda no estômago, não faltava às reuniões de mobilização do grupo. Ela opinava e exigia atuação dos sindicatos, dos advogados e de todo mundo. Como ela sempre dizia “temos que colocar a boca no trombone”. Ela lutou com muito mais energia que pessoas mais novas e saudáveis que ela.

Peço a você Milton, em nome da memória da Dona Nina, fale aos seus ouvintes em alto e bom tom, que os funcionários da CDHU, PRODESP, SABESP, CETESB e de outras empresas que estão passando pelo mesmo que a D. Nina, NÃO SÃO ILEGAIS. Os empregados do Estado são “hipo-suficientes” na relação laboral, e que agiram de boa fé, acreditando que o Estado, no seu dever por zelar pela Lei, sabe o que é legal ou ilegal.

Lembrando que todas essas contratações foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado e também pelo CODEC, Conselho de Defesa dos Capitais do Estado, assim como os corpo diretivo das empresas em questão.

Mensagem enviada por ouvinte-internauta que enviou todos os seus dados mas pediu anonimato

Brasil é líder mundial em consumo “verde”

A classe média brasileira é a mais atenta às atitudes e práticas sustentáveis. É o que revela uma pesquisa divulgada pela National Geographic Society, em parceria com a empresa de consultoria GlobeScan. Antes de comemorar é importante entender os critérios do estudo realizado em 14 países, conforme alertou o diretor do Instituto Akatu Hélio Mattar.

Caso você esteja interessado em saber mais sobre este trabalho clique aqui, vale a pena comparar os resultados no mapa virtual desenvolvido pela Greendex e calcular o seu consumo.

Ouça a entrevista de Hélio Mattar que apresenta dados interessantes sobre o hábito do brasileiro, a partir de estudo desenvolvido pelo Instituto Akatu:

Foto-ouvinte 1: Piscina de mosquito


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Caixa d’água aberta é piscina para aedes aegypti, e foi o que o ouvinte-internauta Flávio Knopp flagrou do alto do prédio dele, nesta favela no bairro do Morumbi. “Ainda há gente que não se deu conta do perigo”, comentou em mensagem. A prefeitura de São Paulo mantém programa que distribui “camisinha” de reservatório de água.

Fórum recebeu mais de 550 propostas, em SP

Melhorar a qualidade de vida do paulistano é o fator que une as cerca de 550 propostas enviadas ao 1o. Fórum Nossa São Paulo, que se realizará entre 15 e 18 de maio, semana que vem. A intenção do encontro promovido pelo Movimento Nossa São Paulo É Outra Cidade é estimular o cidadão a pensar em soluções para os desafios nas áreas sociais, econômicas, políticas, ambientais e urbanas da capital.

Além da apresentação das propostas, nas plenárias finais haverá debates e palestras com representantes de outras cidades do Brasil e do exterior que já desenvolvem experiências bem-sucedidas de cidades justas e sustentáveis.

De acordo com um dos organizadores do Fórum Social da Cidade Ademar e Pedreira, Airton Góes, “em uma região carente, incluir a palavra ‘propor’ às usuais ‘reclamar’ e ‘protestar’ pode representar o início de uma mudança cultural”.

O processo de participação no Fórum começou em fevereiro deste ano, e envolveu dezenas de organizações – empresas, associações, sindicatos, escolas – na realização de encontros preparatórios que resultaram na formulação de propostas.

O encontro será no Sesc Vila Mariana, na rua Pelotas, 141.

Cidade Limpa: Pizzaria “suja”


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O cheirinho de pizza é até agradável, mas o proprietário desta pizzaria esqueceu que vive em uma cidade que se esforça para combater a poluição visual. A vizinhança está incomodada com as placas que “decoram” a parte externa da casa, na rua João Ramalho, em Perdizes. Espera que algum fiscal da prefeitura faça uma visita ao local e o assunto não termina em …. pizza (tá bom, o trocadilho foi infâme, mas vai até lá e põe a casa em ordem).