Água 2: Nordestino tem mais do que paulistano

A fama é dos nordestinos, mas a escassez de água é dos paulistanos. A quantidade de água disponível em São Paulo por pessoa é menor do que a existente para os moradores de estados do nordeste, onde a seca é um dos cenários mais conhecidos.

Quem faz o alerta é a consultora ambiental Maria Aurélia Jordão, especialista em gestão de recursos hídricos. Acompanha a entrevista:

Ambiente Urbano: Por um político suicida

De Osvaldo Stella

A crise anunciada do caos no trânsito na cidade de são Paulo se desdobra de maneira alarmante. Frente ao cenário desolador da última semana a reação da prefeitura de são paulo é preocupante. O pacote de abril anunciado pelo secretário dos transportes Alexandre de Moraes se baseia em:

-proibir o estacionamento de veículos durante o horário de pico em vias de trânsito complicado;

-retirada de caminhões destas vias durante o horário de pico;

-anúncio de rotas alternativas para aliviar o tráfego nas vias principais.

Todas estas medidas já deveriam ter sido implementadas há muito tempo. São medidas que não necessitam de grandes investimentos e de rápida implementação, a famosa canetada. Nos moldes do Cidade Limpa, grande efeito, baixo custo, ótima em termos políticos. No entanto, estas medidas são modestas e insuficientes para atenuar o problema.

A solução do problema passa pelo reordenamento do espaço urbano, o desenvolvimento do transporte público e a restrição ao uso do transporte individual. Estas são medidas de longo prazo que precisam de vários mandatos para serem implementadas. Como São Paulo tem sido apenas trampolim para os políticos ou parada estratégica para fazer caixa para vôos maiores, a solução definitiva se inviabiliza. Restam as soluções de gabinete, de repente com um flash
de genialidade é só alterar as regras do rodízio, dias pares só circulam carros com placas pares e dias ímpares placas ímpares. Será esta a medida que vai iniciar a revolução?

Metade da população sem poder usar o carro e sem transporte público, caos ao quadrado. Depois de introduzir o rodízio municipal, Fábio Feldman nunca mais se elegeu para um cargo público. Por outro lado o que seria de São Paulo hoje com 20% a mais de automóveis nas ruas sem o rodízio?

Nenhum político tomaria esta decisão pois o único motivo é a reeleição. Seguimos a deriva esperando o suicídio político de alguém.

Kassab atrasa o trabalho das panfleteiras

Meninas aguardam diante do banco e confessam o pecado …


Enquanto isso, Kassab reza na praça recém-inaugurada

Na porta da agência do banco, cinco meninas estavam sentadas com cara de sono, uma delas com a cabeça deitada sobre um calhamaço de papel-jornal ensaiva um cochilo no momento em que cheguei. Eram 9 da manhã, ainda, e para abrir caminho e ser gentil, perguntei: “Não vão trabalhar, hoje ?”. A resposta condenava o ato: “Só depois da uma da tarde, a prefeitura esta aí”, indicando para o outro lado da rua com a cabeça.

Lá do outro lado da rua estava a praça Homem de Montes, onde uma barraca branca era levantada por funcionários de empresa contratada, servidores da área de limpeza varriam e recolhiam o lixo, fiscais da CET organizavam o trânsito, um pessoal não-identificado esticava faixa e uma equipe de gravação da prefeitura fazia algumas tomadas. A comitiva da prefeitura estava para chegar para a inauguração da praça na esquina da Guilherme Dumont Villares, na zona oeste.

A presença desta turma toda e do prefeito Gilberto Kassab (DEM) impedia que as moças que todo fim de semana entregam panfletos de lançamento imobiliário trabalhassem. As empresas que as contratam sabem que a panfletagem fere a Lei Cidade Limpa e pode dar multa de R$ 10 mil, mas insistem na irregularidade porque é uma das maneiras mais eficientes de chamar atenção dos compradores.

A festa na praça, com direito a benção cristã, se encerrou, o prefeito seguiu para outro compromisso, e as panfleteiras sacudiram a poeira e tomaram as esquinas do bairro. Começava a venda de apartamentos.

Bastidores da notícia: Andréia, a perseguida


Jornalistas fazem de tudo para chegar até Andréia, e não conseguem

A cafetina Andréia Schwartz, que saiu, entregou e derrubou o ex-governador de Nova Iorque Eliot Spitzer, foi perseguida pela imprensa brasileira e americana, nesse sábado. O nome dela estava na lista do vôo da American Airlines, que chegaria pela manhã, segundo fontes do governo americano que a deportou, após fechar acordo com a justiça.

Jornalistas que trabalham em Nova Iorque embarcaram no mesmo vôo, enquanto a turma da redação brasileira era pautada a comparecer no aeroporto internacional, em Guarulhos. Quem pode escolher assento, correu em selecionar lugar próximo da moça. Assim que a tripulação anunciou a autorização para decolagem a pergunta que mais se ouvia era “cadê ela ?”.

Um colega mais atrevido convenceu uma das aeromoças de que havia perdido a namorada dentro do avião. Ela acreditou e foi ao telefone chamar: “Por favor, senhora Andréia Dias Schwartz, pedimos a gentileza que se identifique levantando a mão”. “Ohhhhh” foi o que se ouviu, sem que ninguém se apresentasse.

No Brasil, uma dezena de fotógrafos, cinegrafistas, repórteres de rádio, TV, jornal e internet a espera da moça praticavam exercício comum nestes momentos: a fofoca. “A mãe dela está no aeroporto acompanhada de dois policiais”, diziam alguns. Sem saber quem era ela, um fotógrafo americano navegou em alguns sites e em pouco tempo todos os jornalistas já tinham cópia da imagem da mãe. Após vasculharem rosto a rosto na área de desembarque internacional e não encontrarem ninguém parecido, um dos repórteres teve a grande sacada: ligou para o serviço de informação e pediu para chamar Elza Dias, a mãe. A espera no balcão da American Arlines, ponto de encontro, foi inútil. Elza, a mãe, estava bem distante dali, na casa dela em Vila Velha, no Espírito Santo.

“A Record comprou a entrevista exclusiva”. Começou a correr a notícia entre um café e um pão de queijo, estragando o paladar de jornalistas com medo de tomarem o furo. A notícia surgiu dos concorrentes. Nem a redação da Record sabia. A negativa dos jornalistas da emissora não era convincentes.

As 7 e 10 da manhã, os primeiros jornalistas que haviam embarcado em Nova Iorque começaram a surgir na porta de desembarque em Guarulhos. No rosto, a marca do cansaço proporcionado por nove horas de vôo e da frustração pela ausência da personagem principal, a cafetina. A perseguida.

Zidane passou por aqui


O francês arma o drible, no Paineiras

O Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 entrou no roteiro das empresas que exploram o futebol e usam o nome de craques e ex-craques para chamar atenção do público-consumidor. O inglês Beckham esteve em Natal, recentemente. Neste fim de semana, foi a vez do francês Zidane, em São Paulo.

Inaugurou quadra de futsal reformada, na favela de Heliópolis, cobrou pênalti com jaqueta verde e amarela (para garantir o gol colocaram o senador Eduardo Suplicy de goleiro), foi para o chiquérrimo Paineiras, deu entrevista coletiva, almoçou e bateu bola, novamente – desta vez com ginásio lotado.

Na conversa com os jornalistas cumpriu bem seu papel: se disse emocionado por visitar Heliópolis, lugar que o lembrou do bairro pobre que viveu em Marseille; falou que não falaria da cabeçada na final da Copa de 2006 por ser assunto pessoal (?); e elogiou o futebol brasileiro, espetando os britânicos de tabela: “Se a Inglaterra inventou o futebol, o Brasil o aperfeiçoou”.

Por trás da visita de Zidane a São Paulo, estava a ação da Adidas, empresa de artigos esportivos que o patrocina e para mostrar como é boazinha desenvolve programa de recuperação de quadras de futsal, na América Latina. Até 2014, além da quadra de Heliópolis, pretende entregar mais cinco aqui no Brasil – uma por ano. Um investimento bastante acanhado para uma gigante do mercado esportivo que tem a intenção de “inspirar jovens carentes no mundo inteiro a se envolverem com o futebol”.

Leitores reagem contra fim de coleções de HQ

Por Roberto Pereira
Ouvinte-internauta, jornalista e escritor


Samurai Executor saiu de circulação no número 8


“Talvez você tenha lido histórias em quadrinhos por uma boa parte de sua vida. Afinal, as HQs sempre foram parte de nossa cultura, de nosso lazer e de nossa alegria. Da Mônica ao Mickey, dos X-Men ao Homem Aranha, o Brasil sempre teve uma cultura de consumo e mesmo de produção de HQs bastante intensa. Foram centenas de milhares dos mais variados títulos, para todos os gostos e para todo tipo de leitor. Eram tiragens imensas, coisa de 100.000 ou 400.000 exemplares mensais, cobrindo todo o país.

Porém, com a saída da editora Abril do mercado, pois os editores dos EUA preferiram atender um público diferenciado, o das famosas “gibiterias”, houve um violento desabar dessas tiragens… Até que a Abril finalmente praticamente deixou o mercado de HQs.

Surgiram editoras menores que licenciaram esses novos títulos não tão interessantes: Panini, Mythos, Conrad e a editora especializada em mangá (quadrinho japonês) JBC. Por um lado a variedade de títulos disponível ficou interessante. Por outro, os editores, devido à redução do mercado, desandaram a praticar preços de capa sem o menor critério que favoreça o leitor.

Gibis que antes custavam centavos, hoje são vendidos em papel de luxo, capa especial mas com preços que variam de 20 a NOVENTA reais!

A distribuição, antes nacional, virou “setorizada”. Ou seja, só vai aonde vende mais. Há partes do país que nunca mais receberam quadrinhos ou, quando recebem, estão tremendamente defasados e com pouquíssimos exemplares.

Creio que o pior aconteceu na parte técnica das publicações: de olho no lucro fácil, os editores demitiram os profissionais consagrados da área e colocaram no lugar amadores, sem treino, sem prática alguma com quadrinhos mas que são “fãs”. Erros de português básicos, problemas de revisão, adaptação de texto, enfim, podemos encontrar de tudo nessas revistas… Sempre vendidas a altos preços, é sempre bom lembrar.

Na tentativa de se comunicar com os editores, o leitor indignado não possui canais de comunicação. No máximo existe um e-mail de contato que, “coincidentemente”, nunca é
respondido.

Os editores se colocaram em posições de total desprezo e pouco caso para com os leitores, lançando revistas caras, mal produzidas, mal impressas, de difícil obtenção e sem a menor possibilidade de expressão do leitor indignado.

Para completar, títulos seriados são cancelados sem aviso prévio e coleções interrompidas a torto e a direito; é o caso do mangá “Samurai Executor”, uma obra prima dos quadrinhos mundiais, que teve sua edição paralisada no volume oito. Para saber sobre a continuidade do título, o leitor desavisado precisa acessar uma das “check lists” das editoras em seus sites. Pois na própria publicação não vem informação alguma sobre quantos volumes serão publicados.

Acumulam-se problemas de todos os tipos, sendo um dos piores a total ausência de títulos desenhados por autores nacionais. Quando muito, nosso autor só consegue publicar após ter algum trabalho lançado no exterior…

São centenas, talvez milhares de autores que perderam oportunidades de trabalho pois licenciar um Super-Homem é mais barato que bancar um gibi nacional.

Mas a reação está começando.

Leitores estão se unindo em blogs e associações no Orkut visando, primeiro, manifestar sua insatisfação crescente contra essas atitudes para, em seguida, indicar aos demais leitores como proceder num caso claro de promessa editorial não cumprida.”

Poluição 12: Calçadas verde e marrom


Clique nas fotos e vá até o álbum de imagens da série sobre Poluição em São Paulo

A foto à direita é da calçada verde que está sendo construída diante da sede da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, em São Paulo. A da esquerda, fica do outro lado da rua e mostra como é o calçamento no caminho da maioria dos paulistanos. As duas foram feitas pela repórter Fabíola Cidral em suas andanças, nesta sexta-feira, para a produção da reportagem sobre poluição.