Por Roberto Pereira
Ouvinte-internauta, jornalista e escritor

Samurai Executor saiu de circulação no número 8
“Talvez você tenha lido histórias em quadrinhos por uma boa parte de sua vida. Afinal, as HQs sempre foram parte de nossa cultura, de nosso lazer e de nossa alegria. Da Mônica ao Mickey, dos X-Men ao Homem Aranha, o Brasil sempre teve uma cultura de consumo e mesmo de produção de HQs bastante intensa. Foram centenas de milhares dos mais variados títulos, para todos os gostos e para todo tipo de leitor. Eram tiragens imensas, coisa de 100.000 ou 400.000 exemplares mensais, cobrindo todo o país.
Porém, com a saída da editora Abril do mercado, pois os editores dos EUA preferiram atender um público diferenciado, o das famosas “gibiterias”, houve um violento desabar dessas tiragens… Até que a Abril finalmente praticamente deixou o mercado de HQs.
Surgiram editoras menores que licenciaram esses novos títulos não tão interessantes: Panini, Mythos, Conrad e a editora especializada em mangá (quadrinho japonês) JBC. Por um lado a variedade de títulos disponível ficou interessante. Por outro, os editores, devido à redução do mercado, desandaram a praticar preços de capa sem o menor critério que favoreça o leitor.
Gibis que antes custavam centavos, hoje são vendidos em papel de luxo, capa especial mas com preços que variam de 20 a NOVENTA reais!
A distribuição, antes nacional, virou “setorizada”. Ou seja, só vai aonde vende mais. Há partes do país que nunca mais receberam quadrinhos ou, quando recebem, estão tremendamente defasados e com pouquíssimos exemplares.
Creio que o pior aconteceu na parte técnica das publicações: de olho no lucro fácil, os editores demitiram os profissionais consagrados da área e colocaram no lugar amadores, sem treino, sem prática alguma com quadrinhos mas que são “fãs”. Erros de português básicos, problemas de revisão, adaptação de texto, enfim, podemos encontrar de tudo nessas revistas… Sempre vendidas a altos preços, é sempre bom lembrar.
Na tentativa de se comunicar com os editores, o leitor indignado não possui canais de comunicação. No máximo existe um e-mail de contato que, “coincidentemente”, nunca é
respondido.
Os editores se colocaram em posições de total desprezo e pouco caso para com os leitores, lançando revistas caras, mal produzidas, mal impressas, de difícil obtenção e sem a menor possibilidade de expressão do leitor indignado.
Para completar, títulos seriados são cancelados sem aviso prévio e coleções interrompidas a torto e a direito; é o caso do mangá “Samurai Executor”, uma obra prima dos quadrinhos mundiais, que teve sua edição paralisada no volume oito. Para saber sobre a continuidade do título, o leitor desavisado precisa acessar uma das “check lists” das editoras em seus sites. Pois na própria publicação não vem informação alguma sobre quantos volumes serão publicados.
Acumulam-se problemas de todos os tipos, sendo um dos piores a total ausência de títulos desenhados por autores nacionais. Quando muito, nosso autor só consegue publicar após ter algum trabalho lançado no exterior…
São centenas, talvez milhares de autores que perderam oportunidades de trabalho pois licenciar um Super-Homem é mais barato que bancar um gibi nacional.
Mas a reação está começando.
Leitores estão se unindo em blogs e associações no Orkut visando, primeiro, manifestar sua insatisfação crescente contra essas atitudes para, em seguida, indicar aos demais leitores como proceder num caso claro de promessa editorial não cumprida.”