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Adriana Sekulic
Ouvinte-internauta do CBN São Paulo
Gostaria de compartilhar o meu desabafo com relação à falta de sensibilidade dos usuários do metrô com idosos, deficientes físicos e gestantes. Estou grávida de sete meses e todos os dias utilizo a linha verde do metrô para ir e voltar ao trabalho. Na ida consigo sentar porque pego o metrô na estação Alto do Ipiranga. O problema é na volta para casa quando pego o metrô na estação Consolação. Dificilmente consigo lugar para sentar, nem mesmo nos bancos preferenciais que muitas vezes estão ocupados por outras gestantes ou pessoas idosas. Nada mais justo. O problema é quando eles estão ocupados por outras pessoas que não deveriam estar ali.
Já os passageiros dos outros bancos preferem fingir que estão dormindo ao ter que oferecer seus lugares para quem precisa. O que me causa espanto são os mais jovens. Eu achava que ainda se ensinava que ao ver uma pessoa idosa, uma grávida ou uma pessoa com alguma dificuldade física é preciso se levantar e oferecer o lugar. Engano meu. Eles estão sempre tão cansados, ouvindo seus MP3´s.
Apesar do medo de ser espremida e do cansaço por conta da barriga que aos sete meses pesa bastante, o pior não é fazer a viagem de metrô em pé, mas sentir que as pessoas não estão nem aí com as outras. É um salve-se quem puder! Será que essas pessoas não imaginam que um dia suas esposas, irmãs e filhas poderão passar pela mesma situação? Ou ainda que quando estamos nas ruas de uma cidade como São Paulo a qualquer momento podemos precisar da boa vontade de um desconhecido?
Um dia desses me deparei com a seguinte situação: eu estava sentada no banco preferencial e ao meu lado sentou-se uma moça bem jovem. Entrou uma idosa no metrô e a moça fingiu que estava dormindo. Eu ofereci o meu lugar, mas a senhora não aceitou. Será que é a correria do dia-a-dia de uma cidade como São Paulo que deixa as pessoas mais insensíveis? Outro episódio foi um rapaz portador de deficiência física que se ofereceu para ceder seu lugar para mim. É claro que não aceitei e agradeci. Porém, sua iniciativa fez com que um rapaz ao lado, talvez envergonhado, cedesse o lugar dele. As pessoas que passam por isso todos os dias e sentem na pele o problema acabam sendo mais solidárias.
Diante todos os problemas que uma cidade como São Paulo enfrenta este parece ser o menos importante, porém não deve ser desconsiderado. Se isso acontece no metrô, que é tido como o meio de transporte mais eficiente da cidade, imagine como deve ser nos ônibus e nas linhas de trem.
Não é uma questão de obrigação, mas sim de educação e educação se aprende em casa.