Mira: A voz dos muros

O Senado tem mais uma chance de ouvir o que pensa o cidadão sobre Renan Calheiros e seus laranjas donos de rádio. Vai a plenário, em sessão aberta mas com voto secreto, a decisão sobre a permanência dele no cargo. Na mira da minha câmera digital estava o muro desta favela de São Paulo com pedido simples para quem pensa na gente da rua.

Ecoponto “sujo” é de Guarulhos, diz prefeitura de SP

A fotografia acima foi tirada por agentes da prefeitura de São Paulo e mostra a sede de um Ecoponto que está na cidade de Guarulhos. É a resposta à reclamação da ouvinte-internauta Ana Ribeiro Sgroes que chamou o local de “ecosujo”, em mensagem enviada ao CBN SP. No texto, ela contou que os resíduos tomavam as calçadas e a aparência era de um lixão a céu aberto.

A prefeitura de São Paulo explica que “achamos estranho (a informação), pois nos nossos equipamentos o entulho é colocado em caçambas e os demais materiais são colocados em baias separadas por tipos”. Esclarece, ainda, que “as subprefeituras, quando a caçamba enche, pede para o Limpurb retirar o entulho, e, logo em seguida, coloca outra no lugar”.

O responsável pelo Núcleo Gestor de Entulho, Valdecir Papazissis, informa que “enviamos um técnico para vistoria e foi detectado que trata-se de Ecoponto sim, porém, pertence ao município de Guarulhos”. Ele ressalta que segundo informações do operador daquele Ecoponto, estes descartes na via pública são efetuados fora do horário de expediente da unidade que fica na Alameda Josefina Leme Zamataro, número 100.

O CBN SP vai cobrar posição da prefeitura de Guarulhos.

Agora o outro lado: GCM nega abandono de base


Foto enviada pela GCM de base comunitária no Anhangabau

O CBN SP recebeu resposta da Guarda Civil Metropolitana a propósito de críticas do sindicato que representa os funcionários da corporação sobre a desativação de uma das sedes da GCM no centro de São Paulo:

“Caro Milton Jung,

Com relação à Base Comunitária da GCM localizada no Vale do Anhangabaú, a GCM esclarece que a base não está nem será desativada. O prédio foi temporariamente fechado para reforma, conforme informam os seis cartazes afixados no local e que, inclusive, aparecem na foto divulgada em seu blog. A reforma foi necessária para melhorar as condições de trabalho dos guardas municipais porque o prédio apresentava problemas na rede de esgoto. As obras, iniciadas em setembro, incluíram reforma nas redes hidráulica e elétrica, substituição do piso e das peças sanitárias, reforma da bomba de recalque do esgoto, instalação de pia para refeitório, e pintura. A empreiteira ECC, responsável pela obra, ainda vai substituir as janelas de vidro por janelas corrediças e no próximo sábado vai retirar o entulho da obra. Com isso, a base da GCM voltará a funcionar no prazo estimado de 15 dias.
A denúncia do Sindiguardas, portanto, não procede. De todas as bases comunitárias da GCM, apenas duas foram desativadas, a da Praça da República e da Olido. A da Praça da República deverá dar lugar a um posto da SP Turis. O posto estava localizado em local inadequado em termos de visibilidade, mas a GCM manteve as operações na Praça da República com guardas de bicicleta. A base localizada ao lado da Galeria Olido ficava muito exposta e sofreu várias depredações, com pedras e bombas caseiras, após operações de combate ao comércio ilegal. Ela será substituída pela base que passará a funcionar na Nova Luz. A GCM mantém, portanto, 22 bases comunitárias espalhadas pela cidade, incluindo a do Vale do Anhangabaú. Quanto às pessoas em situação de rua que eventualmente ocupam o espaço defronte à base do Anhangabaú, a questão é acompanhada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, que desenvolve programas específicos para essa parcela da população.

José Francisco Pacóla, assessor de imprensa da Guarda Civil Metropolitana.”

A reclamação do sindicato e a fotografia enviada por ouvinte-internauta que registra a presença de sem-teto na sede da GCM que está fechada você encontra rolando o blog para baixo. A propósito, no momento em que as fotos feitas pela GCM para responder a denúncia foram feitas não havia morador de rua

Foto-ouvinte: Calçada ecológica

A planta toma toda a extensão da calçada e transforma o visual árido da rua em Ferraz de Vasconcelos um pouco mais agradável. O cenário registrado pelo ouvinte-internauta Vitor José Quarelo assim como se revela amigo do meio ambiente, esconde um problema típico das cidades brasileiras: é inimigo do pedestre.

Investimento da prefeitura privilegia ricos

A região de Parelheiros na zona Sul de São Paulo é uma das mais pobres da cidade, no entanto a subprefeitura responsável pela área foi a que recebeu o menor volume de dinheiro, este ano, pouco mais de R$ 8,6 mi, metade do que foi investido em Pinheiros, um dos bairros mais ricos da capital. Os dados estão no relatório de acompanhamento do orçamento das subprefeituras realizado pelo Movimento Voto Consciente.

Este é o segundo mês que a ONG realiza o estudo e constata que há contradição entre o dinheiro gasto em uma subprefeitura e as dificuldades sociais e econômicas da população. Ao mesmo tempo, conforme ressaltou o autor do relatório, Danilo Barbosa, a divulgação do orçamento do município impede que se avalie se a prefeitura está se esforçando para diminuir as diferenças econômica inter-regionais.

No texto de apresentação do relatório, Danilo Barbosa cita entrevista realizada no programa CBN SP, no mês passado, com o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo:

“Quando emitimos a primeira edição deste Demonstrativo, o secretário de Coordenação de Subprefeituras, em entrevista à rádio CBN, procurou enfocá-lo como se ele fosse uma análise do orçamento das subprefeituras, o que ele não é. Declarou também que uma consulta ao orçamento das secretarias de governo mostraria os valores alocados para as subprefeituras. Não somos especialistas em orçamentos, mas como teste tomamos os dados de execução da Secretaria de Educação para setembro, por exemplo, e verificamos que em três rubricas de construção de unidades educacionais, as 1427, 1431 e 1849 – uma linha apenas por rubrica – foram alocados investimentos de R$ 397.799.076,00 e liquidados R$ 164.246.105,00, sem qualquer indicação de para que subprefeitura o dinheiro foi alocado, nem em qual foi gasto”.

Você acompanha o relatório completo no site da ONG Voto Consciente

Guarda civil enfrenta crise em São Paulo

Os rádios comunicadores para aproximar a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar de São Paulo não foram entregues, apesar da promessa ter sido feita pela atual administração municipal. As bases comunitárias foram desativadas e estão abandonadas. Faltam guardas e viaturas. Estão são algumas das reclamações feitas pelo Sindicato da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo no CBN SP.

Ouça a entrevista do vice-presidente do sindicato, Carlos Augusto Souza:

Moradores de rua cuidam de sede da GCM, em São Paulo


Sede desativada virou moradia de sem-teto

No dia em que se discutiu a falta de carros e motos da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, o fotógrafo Henrique Manreza registrou esta imagem diante da sede da GCM, no centro da capital, que apenas não está abandonada porque moradores de rua decidiram tomar conta do local. Montaram acampamento por ali mesmo, onde, devem imaginar, não serão importunados pelos guardas que realizam a segurança.

O trabalho de Manreza você confere no blog 28mm – Blog Angular

Nepotismo pode, gay dançando não pode

O decoro parlamentar reivindicado por deputados na Assembléia Legislativa de São Paulo – e destaque no noticiário neste início de semana – não se deve a falta de ética de algum de seus pares. A contratação de marido, sogro, filhas e filhos com dinheiro público como ocorre em parte dos gabinetes do legislativo estadual está longe de incomodar os parlamentares, sejam de qual coloração política e plumagem forem. O CBN SP fez uma série de entrevista (ouça e leia nas notas publicadas neste blog) com os líderes dos partidos para saber a opinião deles sobre leis anti-nepotismo que já foram apresentadas na casa, mas não são levadas à votação. Alguns não tiveram vergonha em defender a contratação de parentes, outros usaram como álibi deputado deficiente visual que necessita da mulher para exercer seu trabalho, houve quem, sem pudor, assumisse que levaria a debate a questão – o que, evidentemente, ficou apenas na promessa. O assunto, está claro, não interessa aos deputados.

A presença de um transformista em um dos salões do legislativo tem gerado muito mais debate. O rapaz ou a moça foi convidado pelo deputado estadual do PSOL Carlos Gianazzi para participar da abertura da Frente Parlamentar em Defesa da Comunidade Gay. As imagens gravadas pela TV Assembléia mostram o transformista – que se tornou em celebridade nos jornais, nessa segunda-feira – realizando uma dança de mau gosto em meio as mesas e cadeiras da Assembléia. Semi-nu demonstrou desenvoltura na defesa da causa gay sob o aplauso da maioria dos que assistiam ao espetáculo.

A performace ganhou destaque no noticiário, portais e gabinetes dos deputados. O presidente da casa, deputado Vaz de Lima (PSDB), ficou 1 hora e 40 minutos diante do computador pessoal assistindo às cenas. A dedicação se deve a relevância do caso, já que incomodados pediram a cassação do autor da idéia.

Gianazzi que já foi ameaçado pelo PT quando representava o partido na Câmara Municipal e defendia idéias contrárias as da administração de Martha Suplicy, agora se vê diante deste “escândalo” defendendo a sigla do PSOL. Poderá perder o mandato se os deputados estaduais decidirem levar em frente o processo por falta de decoro parlamentar. Mesma preocupação não foi oferecida quando denuncias muito mais graves e lesivas ao cidadão foram apresentadas em plenário – algumas mereciam, no mínimo investigação mais profunda em comissão parlamentar.

Imagina-se que o discurso feito com cara fechada e ar de indignação na defesa da moral e dos bons costumes da família paulista não passe de mais uma performance no parlamento.

Cá entre nós: Em São Paulo o desfile do transformista causa espanto, enquanto na Itália os eleitores parecem se acostumar com as posições da primeira deputada européia transexual, Vladimir Luxúria. No início da legislatura houve debates, inclusive, sobre qual o banheiro que a parlamentar deveria usar. Consta que a eleita pelo Partido da Refundação Comunista siga entrando nos das mulheres. Sobre este assunto, porém, sugiro leitura no blog do colega Walter Maierovitch , um especialista nas coisas da Itália.