O paulistano que abriu os jornais da cidade nesta manhã deve ter levado um susto: está lá na primeira página o prefeito Gilberto Kassab sentado sobre enormes sacos plásticos cheios de quinquilharias. Em uma delas, inclusive, a impressão é que o prefeito caiu sobre o material, pois aparece um assessor estendendo a mão para ele. Tudo não passou de jogo de cena, apenas para aproveitar a prisão de Law Kim Chong, considerado pela Polícia Federal o maior contrabandista do País.
A história começou com reportagem do jornal O Estado de São Paulo que mostrava ser Law o dono de um shopping popular que seria inaugurado no bairro do Pari, região central, com o apoio da prefeitura. Prefeito, subprefeito e secretários anunciaram que não sabiam quem era o dono do estabelecimento comercial que iria abrigar camelôs. E prepararam o contra-ataque. Colocaram a fiscalização no local e, lógico, encontraram produtos contrabandeados. A Polícia Federal foi acionada e, a espera de um bom motivo para devolver Law para a cadeia, algemou o suposto contrabandista.
Fato consumado, o prefeito Gilberto Kassab não perdeu tempo, cancelou agenda, desviou a rota do helicóptero no qual estava a bordo e rumou para o Pari para tirar fotografia em meio aos sacos de contrabando e anunciar: “Sr. Law, São Paulo não o quer aqui. O senhor é um bandido”. Alguns juram que a frase certa seria “Sr. Law, São Paulo não tem espaço para mais bandido” – mas isto fica por conta da galhofa.
Espera-se, agora, que o mesmo rigor seja usado em relação a todos os demais centros comerciais que vendem produtos contrabandeados na cidade. E não é preciso ir muito longe dali onde estava o prefeito. Um passeio pela mais importante avenida da capital, a Paulista, renderia muitas poses para o álbum de fotografias do prefeito.