Da bicicleta ao motor de hidrogênio

Coisas de Estocolmo*

Os modelos de carros antigos surpreendem pela elegância em alguns casos e a extravagância em outros. Há equipamentos estranhos, também, como a caixa de correio acoplada no caminhão. E curiosidades de todo o tipo. No passeio que fiz ao lado do diretor de produtos Rolf Hedberg pelo museu da Scania, em Södertälje, cidade próxima da capital Estocolmo, na Suécia, enxerguei a evolução do automóvel e dos veículos de carga, cada um a seu tempo representando as concepções da época em que foram montados.

Das peças que me intrigaram estavam três bicicletas encontradas no meio do caminho entre o salão dos carros e o de vagões ferroviários. Rolf explica em um cuidadoso português, aprendido na época em que morou no Brasil e Angola, que no início do século passado, a fabricante também montava bicicletas. Elegantes, diga-se de passagem. Um dos modelos, inclusive, havia acoplado um pequeno motor que facilitava a vida do ciclista.

Entre 1940 e 1945, a Scania-Vabis voltou seu negócio para os caminhões, abandonando a linha de carros e, mais ainda, de bicicletas. Hoje, desenvolve, também, ônibus, motores industriais e marítimos. E um dos esforços – seja imposto por lei, necessidade ou consciência – é colocar no mercado produtos que causem menor impacto ao meio ambiente.

Consumo de combustível

No ciclo de vida do produto deve-se avaliar os impactos em todos os estágios: desde o desenvolvimento de peças e motores; a montagem; o uso; a manutenção; e o descarte final.

Com a tecnologia implantada no desenvolvimento de peças e motores este esforço resulta, em média, economia de 0,5% ao ano no consumo de combustível, por exemplo. Em 20 anos, teríamos motores gastando 10% menos do que agora. Este desempenho pode ser alcançado em apenas um ano investindo algumas horas a mais no treinamento dos motoristas profissionais. Segundo Rolf, com a mudança de comportamento na condução dos veículos chegasse aos mesmos 10% de maneira mais rápida e barata.

Ônibus a etanol em São Paulo

Vontade política e prioridade pública no uso de ônibus movido a etanol são necessários para o uso desta tecnologia na cidade de São Paulo. O primeiro veículo está sendo testado há um mês, mas roda com sucesso e economia desde 1989, em Estocolmo. De acordo com o executivo da Scania, o motor a etanol consome 70% mais combustível do que o a diesel e, por isso, é preciso que a prefeitura ofereça vantagens aos operadores do sistema para que a substituição seja feita: “Na Suécia, a compra do etanol está isenta de impostos”.

Na capital da Suécia, 25% do transporte de ônibus é feito com combustível renovável e a meta é que até 2011 metade da frota utilize etanol ou biogás.

Para São Paulo, o biogás seria alternativa devido ao potencial de geração de dejetos, no entanto o custo para produção, armazenamento e distribuição pode ser muito alto, principalmente se compararmos com o etanol, combustível que se tem com abundância no Brasil.

Futuro limpo

Ônibus híbridos que geram energia elétrica a partir da frenagem e a utiliza depois para aceleração estão em fase de teste, na Suécia. Com o sistema é possível economizar 25% do combustível. Um quarto a menos de poluição jogada no meio ambiente. “A idéia é quando for lançado, o custo bem mais alto do produto seja auto-financiado. Como o combustível deve ficar mais caro nos próximos anos, é possível que se alcance este objetivo antes do que se imagine”, explicou nosso cicerone.

Para daqui 20, 25 anos, imaginasse motores a hidrogênio, contudo ainda não se tem solução para a produção de maneira sustentável. Como o produto não existe na natureza é necessário gerá-lo a partir de uma planta elétrica com o uso de combustível fóssil ou carvão. Outra encrenca é o risco no armazenamento, à medida que o teor de combustão é muito alto.

Caminhões e ônibus com impacto ambiental semelhante a bicicleta é utopia, portanto Rolf Hedberg não perde a oportunidade: “quem sabe não seria um bom negócio voltarmos a fabricá-las ?” – disse em tom de brincadeira. Se não está nos planos da Scania, pelo menos está no cotidiano dos funcionários que fazem o deslocamento de casa para o trabalho de bicicleta. E não falo apenas de operários da linha de montagem. Assim que encerrar a entrevista, Rolf pegará a sua no estacionamento e seguirá pedalando para casa a cinco quilômetros dali, sem se preocupar com o frio de quatro graus naquele meio de tarde.


*Estive na Suécia durante uma semana a convite do governo de lá para conhecer tecnologias ambientais. Algumas das experiências tenho descrito em artigos neste blog.

“Eu nem estarei aqui !”

Foi o que deixou escapar o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, durante reunião com grupo de assessores na qual discutia ações no setor de urbanismo para os próximos anos. Cobrado por um dos assessores, o prefeito desconversou. Para quem anda próximo dele, teria sido o primeiro sinal de que não vê qualquer chance de convencer a militância do PSDB a apoiá-lo em campanha à reeleição.

Emurb defende obras viárias e restrição no tráfego

O projeto urbanístico previsto pelo arquiteto Paulo Bastos para a Avenida Jornalista Roberto Marinho não foi aprovado pela cidade. De acordo com a diretora da Emurb Regina Monteiro, a lei que define o projeto da avenida, na zona sul de São Paulo, mudou a idéia original e obrigou a administração a dar prioridade, neste momento, as obras viárias. Ao mesmo tempo, ela diz que a empresa pretende desenvolver ações para restringir a circulação de carros nas ruas secundárias para reduzir o impacto na qualidade de vida dos bairros próximos.

Ouça quais são as medidas que podem ser adotadas na região e deverão ser levadas a outros bairros da cidade na entrevista de Regina Monteior, ao CBN SP:

Arquiteto critica idéia de São Paulo na ‘Roberto Marinho’

O arquiteto Paulo Bastos, contratado para elaborar o projeto urbanístico da Operação Urbana Água Espraiada, critica a opção da Prefeitura por transformar a Avenida Jornalista Roberto Marinho em um canteiro de obras viárias. A intenção dele era implantar o conceito de “avenida-parque”, o que teria sido deixado em segundo plano.

A pista é uma das apostas da atual administração – assim como também foi da passada – para facilitar o fluxo de carros entre a Marginal Pinheiros e a Rodovia dos Imigrantes, que segue para o litoral.

Ouça a entrevista de Paulo Bastos ao CBN SP:

Pedágio melhora trânsito e o ar na Suécia



Coisas de Estocolmo*


Cobrança de taxa começou em 3 de janeiro de 2006

Foi no metrô e no ônibus que Estocolmo investiu antes de restringir a entrada de carros na cidade. Mesmo assim, não foi fácil. Oito de cada 10 moradores achavam muito ruim ter de pagar a “tax congestion” ou, em bom português, o pedágio. Lá, o governo sueco costuma arrecadar em tributos cerca de 50% do que produzem no país. A partir de agosto de 2006, seriam obrigados a deixar no bolso do governo mais um pouco: de 6 a 10 coroas suecas (de R$ 0,68 a R$ 2,80), dependendo a hora que decidissem entrar de carro no “centro expandido” de Estocolmo.

Um ano depois, pouco mais da metade dos cidadãos ouvidos em consulta pública disseram aceitar a idéia. É o que mostram os números oficiais, não o que se ouve nas ruas.

Larsson Jan-Eirk é motorista de táxi há 10 anos. Não sabe quanto gasta por mês com a taxa para andar na cidade. Mas sabe que não gosta: “se paga para tudo e o congestionamento é o mesmo”. Ele tem de pagar porque o carro dele é a diesel. Carros movidos, mesmo que parcialmente, a álcool, gás ou energia elétrica estão isentos.

Kajsa Norell, jornalista, entende que nos primeiros meses houve redução no número de carros circulando na cidade, mas, agora, os suecos já se acostumaram. E pagam para andar.

O diretor de tráfego Biger Höök diz que, em setembro deste ano, diminuiu em 11% o número de carros que entraram na área de restrição. No ano passado, no mesmo período e perímetro, passaram 418 mil carros. No último registro, 375 mil. Se você olhar para os números dos primeiros meses da cobrança verá que houve meses em que a redução chegou a casa dos 25%.


Cobrança eletrônica está nas pontes de acesso à cidade

Para a diretor Louis Melander o tráfego passou a fluir melhor e o tempo perdido no trânsito diminuiu de 30 a 50% , beneficiando, também, a circulação de ônibus na cidade.

Estes percentuais, no entanto, não mostram o maior efeito da cobrança de pedágio para restringir a entrada de carros na cidade: o meio ambiente. Segundo Höök, melhorou a qualidade do ar em Estocolmo com a redução na emissão de dióxido de carbono, monóxido de nitrogênio e outras partículas, principais responsáveis pelas doenças respiratórias.

Estima-se que na parte interna da cidade, caiu em 13% a quantidade partículas inaláveis, em 8,5% o monóxido de nitrogênio e 14% os compostos voláteis. O impacto no pais foi menor: de 2 a 3%.

A cobrança é simples, apesar do sistema ser engenhoso. Houve um esforço de comunicação antes da implantação do sistema, alem de um período de teste no qual não era cobrada a taxa. Em 18 pontos estratégicos para quem chega na cidade, foram instalados pedágios, diferentes destes que conhecemos, com sensores fotoelétricos que recebem sinal de um equipamento obrigatório em todos os carros e câmeras de vídeo que gravam as placas da frente e de trás.

Não é para assustar nenhum paulistano. Mas o aparelho que você tem de por no pára-brisa do carro é igual àquele que seremos obrigados a usar a partir do ano que vem para controle do fluxo de automóvel na cidade. O mesmo que alguns carros já têm para usufruir do conforto de entrar nos estacionamentos de shoppings sem precisar parar.

Como temos o “cartão magnético”, temos as pontes ideais para serem pontos de controle de acesso à cidade, e temos os congestionamentos, só falta coragem para o prefeito implantar o pedágio.

Marta, das embaixadas à Embaixadora na Suécia

Coisas de Estocolmo*


A brasileira é “figurinha carimbada” nas páginas de jornais como o Expressen

Falar inglês não é segredo para os motoristas de táxis, em Estocolmo. Alguns aprenderam até o espanhol. Assim, as viagens são sempre acompanhadas de um longo bate-papo. A conversa não difere muito daquela que temos com nossos taxistas no Brasil: a meteorologia, o trânsito, a segurança e o futebol. Sim, eles adoram falar em futebol quando descobrem que o passageiro é brasileiro.

Não para lembrar do passado glorioso da seleção que conquistou o Mundial de 58. Nosso craque por aqui atende pelo nome de Marta. Todos a conhecem, sabem da sua história, perguntam se já conversei com ela e se mostram impressionados com o que a jogadora brasileira é capaz de fazer em campo. “Adoro vê-la fazendo embaixadinhas”, disse-me um dos taxistas.

Surpreendente esta reação para quem, em viagens ao exterior , sempre encontra fãs do futebol de Ronaldinho e Kaká, principalmente. Só não tive oportunidade de entrar em lojas de material esportivo para verificar se camisetas de futebol com o nome dela estão à venda. A imagem dela, sim, aparece nos portais de notícias e jornais esportivos com frequência.

Os suecos estão satisfeitos com a decisão de Marta que resolveu ficar no Uema, time da terra, em vez de atender ao chamado dos americanos.

O futebol feminino brasileiro é sucesso, a lamentar a distância com que este sucesso se concretiza.

*Nesta semana, aproveito para compartilhar com você algumas percepções da viagem a Estocolmo, feita a convite do Governo da Suécia

Yoko Ono vai falar a língua da cuíca

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Depois de Heródoto, Osvaldinho faz dupla com Yoko(foto/Maicon Roberto)

Osvaldinho da Cuíca vai acompanhar a mais famosa viúva do cenário musical, Yoko Ono, em show no Teatro Municipal de São Paulo, na noite desta quinta-feira. O diálogo dos dois se dará pelos instrumentos e sonoridade. Osvaldinho, após o segundo ensaio com a artista plástica disse que “a obra musical da Yoko é riquissima, uma sonoridade que está a frente do que nossos ouvidos estão acostumados”.

Há duas semanas, Osvaldinho esteve no palco do Sesc-Paulista (foto) ao lado de Heródoto Barbeiro. Eclética esta figura.

Cidade (In)Sustentável

Cidade (In)Sustentável

Dependuradas sobre o córrego Olaria. Assim viviam 79 famílias do Jardim Marisa, no distrito de Pedreira, zona sul de São Paulo. A imagem foi divulgada pela subprefeitura de Cidade Ademar que retirou as pessoas de lá em troca de dinheiro – “o investimento ultrapassou R$ 395 mil”, está no comunicado. A intenção é recuperar o meio ambiente com verba do Programa Córrego Limpo, da Sabesp. Pouco se sabe do destino das pessoas.