O futebol não quer você no estádio adversário

 

Gremio x Palmeiras

Torcida do Grêmio no Pacaembu, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em um momento em que o futebol brasileiro tem conseguido mobilizar uma quantidade significativa de torcedores para os estádios —- e os “calculistas” podem me confirmar se a média de público tem aumentado, neste ano —- quero conversar com você, caro e raro leitor deste blog, sobre a dificuldade para se assistir aos jogos no estádio do adversário.

 

(ops: antes de seguir em frente, acabo de receber a confirmação do meu colega Paulo Vinícius Coelho: o público tem aumentado, a média está em 20.700 torcedores, a maior em 36 anos)

 

Nasci e fiz minha infância e adolescência quase dentro de um estádio de futebol. O quintal da casa em que morei, em Porto Alegre, era o Olímpico Monumental. Assistir aos jogos pelo interior do Rio Grande do Sul também não era um problema pois tinha o privilégio de chegar aos estádios na companhia da equipe de esportes da Rádio Guaíba, estivesse ou não com o meu pai. Os portões se abriam e na pior das hipóteses eu arrumava um lugarzinho na cabine da emissora.

 

Nos clássicos que eram disputados no Beira Rio a logística era parecida graças ao carinho com que a diretoria do Grêmio sempre concedeu ao meu pai. Assim, era fácil encontrar um diretor gremista que me acolhia e  me levava junto com o staff para o estádio adversário.

 

As coisas começaram a ficar mais complicadas aqui em São Paulo. Os primeiros jogos em que me arrisquei foi no Canindé, em época na qual a Portuguesa estava sempre disposta a pregar suas peças —- bons tempos aqueles, não é Luisinho! Foi lá, porém, que tive minha primeira decepção. Pois insisti em levar um dos meus filhos. A desorganização na fila do ingresso, a forma agressiva com que os cambistas nos abordavam e a violência de uma das organizadas fez com que ele me pedisse para nunca mais convidá-lo para aquele selvageria.

 

Tivemos algumas experiências, também, no Parque Antártica e no Morumbi —- nada muito convidativo, mesmo que os resultados em campo tenham sido positivos para o meu Grêmio. Aliás, antes mesmo de os meus meninos serem gremistas, fui ao Morumbi com eles para ver o São Paulo em campo e os maus-tratos foram tais que acabamos sentados nas cadeiras reservadas ao time adversário, que estavam completamente vazias.

 

Transformei-me em torcedor de televisão, especialmente depois do surgimento do paga-pra-ver. É mais fácil, mais seguro e mais confortável — mesmo que nada se comparece com o prazer de você pular na arquibancada, gritar até a voz se perder e comemorar abraçado a alguém do seu lado que você jamais viu na vida e jamais verá de novo, mas se identifica com você pela cor da sua camisa.

 

Nesta semana, muitos amigos não acreditaram que eu não assistiria ao Grêmio na Libertadores, no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

 

Pense comigo: o trajeto até o estádio tem de ser feito de forma clandestina, porque se um louco qualquer identificá-lo com a camisa contrária, você corre o risco de ser agredido. Estacionar seu carro nas proximidades do estádio é uma façanha (e um achaque). O espaço destinado ao torcedor adversário é sempre o pior possível. Distante e em um canto qualquer, cercado de seguranças por todos os lados, oferecendo a sensação de que você é um terrorista prestes a explodir uma bomba. Ao fim da partida, você se transforma em refém, pois só pode deixar o local quando a polícia entender que está tudo em ordem do lado de fora. Ou seja, para um jogo que começa às nove e meia da noite, como foi o caso desse, você só vai voltar para a casa por volta de uma hora da manhã —- inviável para quem como eu acorda às quatro da matina.

 

Entenda, não estou aqui desmerecendo o sistema de segurança necessário para manter a ordem e os bons costumes em um estádio de futebol. Sei que a estupidez humana exige alguns limites. Mas chamo atenção para a necessidade de o torcedor adversário —- e aqui em São Paulo sempre sou o adversário —- também ser mais bem respeitado nos estádios de futebol.

 

Hoje, pensei em me organizar com a família e assistir ao Grêmio no sábado pela manhã, no Morumbi. O horário é ótimo —- mesmo que ainda me cause uma estranheza —- e o local é próximo de casa. Além de ver meu time, mesmo com os reservas em campo, ainda terei a oportunidade de acompanhar, ao vivo, a atuação de Daniel Alves, um dos maiores nomes do futebol mundial. Sim, eu gosto de ver craques jogando, apesar deles estarem do outro lado.

 

Aí surge a primeira decepção: na busca de ingresso, a informação que descubro é que a torcida visitante pode comprá-lo, mas “somente no dia da partida, na bilheteria 05 do portão 15”. Não fosse o fato de ser um dos mais caros, R$ 80,00, você tem de ficar sentado na arquibancada superior, a mais distante do gramado e sem direito a cobertura — torça para não chover no dia nem ter de enfrentar um sol escaldante.

 

Com todas as possibilidade de os ingressos serem vendidos on-line, difícil entender o motivo de oferecer como único serviço ao torcedor adversário a bilheteria e no dia da partida — o que nos leva a crer que haverá filas enormes e a possibilidade de entrar quando a bola já estiver rolando. Só uma coisa justifica essa atitude: convidar o torcedor adversário a ficar em casa e diante da televisão.

 

 

 

Mais colaboradores, mais líderes e mais empresas realizam trabalho voluntário

 

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A crise econômica não foi suficiente para tirar o ânimo do pessoal que trabalha com voluntariado corporativo. É a impressão que se tem ao conversar com os gestores que atuam nesse segmento e ao se observar o resultado de pesquisa que está sendo divulgada nesta semana.

 

Você, caro e raro leitor deste blog, deve lembrar que há duas edições, no programa Mundo Corporativo, entrevistei Marcelo Nonoay, da MGN Consultoria, que falou de estratégias para a implantação de projetos de voluntariado nas empresas e de impactos gerados nas pessoas que participam dessas atividades —- sem contar o resultado que isso gera na vida daqueles que são beneficiados pelas ações desenvolvidas.

 

A empresa criada por Nonoay é responsável por organizar dentro das corporações atividades de voluntariado. Identifica o potencial existente, planeja os programas e engaja o pessoal —- muitas vezes se descobre que os profissionais já são voluntários por conta própria. Na entrevista, ele mostra que empresas investem nesses projetos porque percebem que ajudam a desenvolver competências nos colaboradores: “a pessoa não volta igual”.

 

Se não lembra ou não assistiu à conversa, é só clicar aqui e você encontra o vídeo e o resumo da entrevista.

 

O otimismo em relação ao voluntariado corporativo também se fez presente na pesquisa da Comunitas, organização que se dedica a inspirar as empresas a realizar investimentos sociais. Para Marcar o Dia do Voluntariado, que será em 28 de agosto, quinta-feira, a instituição vai publicar o resultado da pesquisa BISC 2019 — Benchmarking de Investimento Social Corporativo — com 256 grandes empresas e fundações empresariais.

 

Na 12a edição da pesquisa, alguns resultados que já são conhecidos e destaco a seguir:

O número de colaboradores envolvidos em programas de voluntariado em grandes empresas do país aumentou 15% em relação a edição anterior.

 

O número de empresas em que a maior parte dos líderes participa das atividades também subiu. E subiu muito: de 11% para 21%. Quanto mais os líderes atuam no voluntariado maior é a garantia de manutenção desses programas.

 

Tem mais dinheiro disponível também: foram investidos R$ 11,6 milhões, um aumento de 12 em relação ao levantamento anterior.

 

Outro aspecto interessante é que boa parte das empresas (44%) tem como meta engajar até 15% de seus colaboradores nesses projetos —- uma meta e tanto se levarmos em consideração que o número de voluntários ainda é baixo diante do número de total de colaboradores: 8%, segundo a pesquisa.

 

A professora Anna Maria Medeiros Peliano, que coordena a pesquisa, viu nos dados consolidados em 2018 e divulgados agora o reconhecimento das empresas em relação aos benefícios proporcionados pelos programas de voluntariado.

“Ganham as comunidades, pelo atendimento recebido; ganham os colaboradores, que se sentem gratificados pela oportunidade de contribuir para a sociedade e desenvolver competências úteis à carreira profissional; e ganham as empresas com a melhoria do ambiente interno de trabalho”

 

Assim que os dados completos da pesquisa estiverem divulgados, eu publico aqui para vocês, enquanto isso me responda:

 

Você realiza algum trabalho voluntário?

A lição do Seu Paulo a oportunistas de plantão

 

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A imagem do apoio do pai de uma refém à mãe do sequestrador é de  Pedro Teixeira/Agência O Globo

 

Foram cerca de quatro horas de transmissão, ao vivo, descrevendo as cenas de um homem que mantinha reféns o motorista de um ônibus e 38 passageiros. No seu entorno, forte aparato policial, agentes especializados em negociação de risco, atiradores de elite e uma quantidade enorme de gente que teve seu caminho para o trabalho bloqueado. A história que monopolizou os programas matutinos —- incluindo o Jornal da CBN —, nessa terça-feira, e tinha a ponte Rio-Niterói como cenário nos trouxe de volta à memória o sequestro do ônibus 147, que resultou na morte do sequestrador e de uma refém, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, em 2000.

 

 

Cada momento da negociação, a liberação dos primeiros reféns, o atendimento médico, a movimentação estratégica dos policias, a angústia do trabalhador que estava preso no congestionamento ou do motoboy que teve entrega interrompida foi contada minuto a minuto. A participação de repórteres que levantavam as informações possíveis no local ou à distância, assim como a palavra de porta-vozes oficiais e especialistas em segurança pública e gerenciamento de crise colaboravam na construção daquela crônica de uma cidade tensionada pelo medo e a violência.

 

Os tiros que deram fim a atuação do sequestrador —- que se soube depois ser um rapaz de apenas 20 anos —- não puderam ser registrados pelas câmeras, mas foram ouvidos e relatados pelos jornalistas que estavam próximos. Tiros seguidos de gestos de comemoração expressados por pessoas transformadas em plateia viva daquele drama, em uma reação expontânea de um público acuado e já incomodado com a demora para o desfecho do caso. Nada que estivesse a altura do espetáculo grotesco proporcionado na sequência pelo governador do Rio, Wilson Witzel, que desceu saltitante do helicóptero, com um sorriso no rosto, braços erguidos e punhos cerrados como se comemorasse a vitória da barbárie. Tudo devidamente registrado pelo celular de um aspone que buscava o melhor ângulo para as redes sociais —- não se tem notícia onde foram parar aquelas imagens, após a repercussão negativa do comportamento do governador. 

 

Nas declarações que se seguiram, Witzel tentou recuar e disse que estava comemorando a vida salva dos 39 reféns, jamais festejando a morte do sequestrador. Agora já fala em ajudar a família do rapaz, oferecendo apoio psicológico. Difícil acreditar nessa retratação, especialmente se levarmos em consideração o histórico do governador —— “a polícia vai mirar na cabecinha”, declarou logo após eleito ao definir a política de segurança pública que colocaria em vigor no Estado. De lá até agora, o que assistimos foram muitos jovens inocentes sendo mortos com esses tiros a esmo disparados em confrontos entre policiais e bandidos nas comunidades mais pobres do Rio.

 

Após os diversos relatos ouvidos ao longo do dia, nos deparamos com o gesto do pai de uma das reféns em solidariedade a mãe do sequestrador morto. Paulo César Leal, de 54 anos, ainda tinha o coração dolorido pelo drama que enfrentou durante as quase quatro horas em que temeu pela vida da filha, Raiane, de 24. Todos os dias ele a deixava no ponto de ônibus para embarcar na linha Alcântara x Estácio e não demorou muito para saber que a jovem estava entre os 39 reféns. Nada disso foi tão forte que o impedisse de dar um abraço na mulher que havia acabado de ver seu filho ser morto por ter protagonizado aquelas cenas de ameaça e violência.

 

“Como ser humano, fui ajudar, porque naquele momento a dor é dos dois lados. Eu não tenho poder de julgar nem falar qualquer coisa que seja boa. Só falei para ela ter calma e confiar. O que eu vou dizer para ela, de conforto? Não tem o que dizer”, declarou aos jornalistas que se aproximaram dele. 

 

Obrigado, Seu Paulo. Seu gesto não apenas apaziguou o coração daquela mãe como nos serviu de lição de que ainda é possível acreditar na generosidade do ser humano. Que nossas autoridades, perturbadas pelo populismo, um dia aprendam com o senhor.

Maratona Piauí CBN de podcast: um novo modelo de negócio

 

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Adriana Salles Gomes, Ana Paula Wehba e Fernanda de Paula e eu em FOTO DE MARCELO SARAIVA

 

A reportagem a seguir foi publicada originalmente no site da Revista Piauí, onde você encontra a cobertura completa da Maratona Piauí CBN de podcast, que se realizou nesse sábado, dia 17 de agosto, em São Paulo:
 

Por que apostar em um podcast e como conseguir financiamento? Ao mesmo tempo, como democratizar o acesso aos podcasts? Foram essas algumas das questões discutidas na abertura da 2ª Maratona Piauí CBN de Podcast, que acontece neste sábado em São Paulo, no campus da ESPM na Vila Mariana. Adriana Salles Gomes, editora-chefe da Revista HSM Management e apresentadora do podcast CBN Professional, Ana Paula Wehba, diretora de eventos, projetos e negócios da revista Trip, e Fernanda de Paula, gerente de marketing de produtos do laboratório Boehringer Ingelheim, conversaram sobre estratégias de negócios para criar podcasts. A mediação foi do jornalista Milton Jung, da CBN. Na plateia e pelas redes, o público participou enviando perguntas para os participantes de mesa. A maratona tem apoio do Google News Iniciative.

 

A menstruação e suas dores motivaram a criação do podcast Seu Forte é Ser Mulher, parceria entre a Trip e o laboratório Boehringer Ingelheim, que fabrica os medicamentos Buscopan e Buscofem, usados contra cólicas menstruais. O podcast é uma ação típica de branded content, conteúdo de marca, quando a empresa financia o projeto.

 

“Toda mulher menstrua, e ainda assim o tema é um tabu. Resolvemos falar disso de forma muito autêntica. É um tema que conversa com a marca, nem preciso colocar o nome do produto”, afirmou Fernanda de Paula.

 

A partir de uma pergunta da plateia, as participantes discutiram o risco de o conteúdo patrocinado prejudicar a isenção jornalística e, por consequência, a qualidade do produto.

 

“Há um risco, claro, e não se pode transformar o programa em uma propaganda”, respondeu Wehba. “A gente queria trazer as dores reais das mulheres. Se a gente interferisse, ia prejudicar a naturalidade da vida real.”

 

Apresentadora do podcast CBN Professional, Salles Gomes disse que a HSM Management, uma plataforma de educação corporativa, viu nos podcasts uma chance de ampliar seu público e tornar a marca mais conhecida. O modelo de negócio é o patrocínio tradicional.

 

“O podcast permite manter a profundidade para abordar os assuntos, num tom mais leve e com participação do público”, afirmou Salles Gomes. Ela destacou, porém, a necessidade de uma boa interação entre os parceiros responsáveis pelo projeto. “A gente tem de abrir mão de uma coisa para ter outra coisa. Negociar, enfim.”

 

As três participantes defenderam a necessidade de democratizar o acesso aos podcasts. “Acho que a gente deve olhar para o podcast como uma ferramenta de democratização da informação”, afirmou Wehba. Ela criticou as dificuldades para localizar os podcasts nos tocadores. “Ainda precisamos de uma plataforma de distribuição na qual você consiga ver tudo que está sendo produzido de podcasts.”

 

“Não se pode tratar o áudio como se fosse um cidadão de segunda classe”, cobrou Jung. Para quem quer começar um podcast, as dicas da mesa foram: ouvir podcasts do Brasil e do exterior, escolher um tema “verdadeiro, legítimo”, ou seja, pelo qual a pessoa tenha interesse genuíno, e, por fim, ter o que dizer. A dica de Jung também foi precisa: falar com cada ouvinte individualmente, para que ele se sinta próximo. “É preciso chamar o ouvinte de você”, concluiu.
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Magalu é negócio da China

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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(foto divulgação)

 

Hoje, quem desejar ter uma visão do varejo do futuro é fácil. Não precisa mais ir até a China, basta verificar os índices e resultados alcançados pelo Magazine Luiza publicados recentemente sobre o último trimestre.

 

Com 22,3 milhões de clientes na base, recebe visita mensal de 12 milhões pelo aplicativo e oferece 8.100 “vendedores associados” com 7,5 milhões de itens em 36 categorias de produtos em seu Marketplace.

 

Esse fantástico unicórnio do Marketplace, precisou de apenas seis meses para atingir o 1 bilhão de reais, enquanto o Magazine Luiza físico precisou de 42 anos para chegar a unicórnio, e o e-commerce, 10 anos.

 

O crescimento exponencial da operação digital, iniciada em fins de 2016 e entregue a Felipe Trajano, o filho da Luiza Trajano, teve criatividade e agilidade. Empresas de aplicativos e logística foram incorporadas pela compra, assim como recentemente a NETSHOES e a ZATTINI.

 

É interessante ressaltar que mesmo diante de fortes investimentos o setor digital apresentou lucro.

 

Ao mesmo tempo, o mundo físico do Magazine Luiza não perdeu o pique. Desde a operação “Copa do Mundo” com a campanha Sai Zica, que resultou na venda de um milhão de aparelhos de TV, até a recente campanha Smartphoniza Brasil, estimulando a troca de celular, levando a financeira do grupo Luizacred a atingir no fim de junho o montante de 9,5 bilhões de reais.

 

Aqui o OMNICHANEL é uma realidade, e as lojas se transformam em pontos de distribuição. O Retira Loja, que permite a entrega na loja das compras digitais utiliza mil lojas em 16 estados e corresponde a 35% das entregas.

 

A entrega expressa realizada em até 48 horas atinge 40% dos pedidos em 290 cidades.

 

Na grande São Paulo, em Campinas e em Belo Horizonte as entregas são feitas no mesmo dia.

 

A venda comparativa de abril, maio e junho teve um aumento de 24,4% em relação ao ano anterior, que já tinha sido bom, em decorrência do Sai Zica.

 

As lojas físicas cresceram 9%, e a base do Cartão Luiza evoluiu 24% com 4,6 milhões de cartões.

 

É preciso observar que a Netshoes só contribuiu com 15 dias de participação nestes dados.

 

O Ebtida apresentou 304 milhões de reais de lucro com margem de 7,2%.

 

Para quem gosta de afirmar que na prática a teoria é outra, a Magalu é um desafio, pois a agilidade e competência em aplicar os conceitos, que muitos práticos duvidavam, trouxeram ao sucesso de agora.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Quanto mais exposição ao mundo, mais dúvidas; quanto mais tempo numa sala climatizada, mais certezas

 

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Texto publicado pelo colega Lourival Sant’Anna

Quanto mais exposição ao mundo, mais dúvidas. Quanto mais tempo numa sala climatizada, mais certezas. Quanto mais estrada, mais humildade e silêncio. Quanto mais ideologia, mais arrogância e estridência. O prazer do repórter está em ser surpreendido todos os dias pela realidade, em ver o mundo desmentir suas pautas, suposições e planos.

 

O jornalismo habita o mundo do ser, não do dever ser. Sem pretensão de objetividade, porque temos uma dimensão simbólica, subjetiva; nem de imparcialidade, porque é impossível ver o todo. Mas tendo a isenção como desejo, tarefa, ideia reguladora, consciente de que não a alcançará. Como escrevi em 2008, no “Destino do Jornal”: quem acredita que alcançou a isenção se torna ingênuo; quem desiste dela se torna cínico.

 

A reportagem é uma estrada. Nela, o percurso importa tanto quanto o destino. O fim, a verdade, inatingível, serve de rumo. Essa analogia entre a reportagem e a vida é parte de seu encanto. Jornalismo e doutrina vivem em campos opostos.

 

Nosso princípio é a honestidade; nosso negócio, a credibilidade. Precisamos mudar o recorte do jornalismo brasileiro. As pessoas não reconhecem a realidade no que consideramos notícia. Ao redor do crime, há também segurança. De trás das declarações absurdas e fantasiosas, há decisões e medidas reais. Fora do extraordinário, há o comum, o cotidiano. É preciso contemplar o entorno, contextualizar. A campanha de descrédito do jornalismo é parte de um plano para proteger os que vivem da mentira, da manipulação. O jornalismo é o seu grande obstáculo, sua permanente frustração. Daí o empenho em destruí-lo ou substituí-lo por “jornalistas” de aluguel.

 

Esse ambiente torna o jornalismo mais importante e mais difícil. É preciso lucidez, humildade e amor à reportagem. Quem tem auto-estima e dignidade não precisa de vaidade e prepotência. #minhaguerracontraomedo

Quando a manchete vira notícia

 

O Guilherme Caetano, repórter de O Globo e revista Época, conversou com seus leitores pelo Twitter sobre a reação do público a uma manchete que ele escreveu em reportagem que tratou das declarações do presidente Jair Bolsonaro idolatrando o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Diante das críticas que recebeu, Caetano reavaliou o trabalho que havia feito e refez a manchete para ser mais preciso e justo com os fatos na abordagem.

 

Caetano aproveitou a oportunidade para mostrar como funciona a construção de uma manchete e o risco que corremos sempre que precisamos traduzir uma informação em espaços mais curtos —- especialmente em um cenário no qual a maior parte dos consumidores de informação leem apenas o título ou a chamada, não se aprofundam no caso (e isso sou eu quem estou dizendo, não o Caetano).

 

Reproduzo o texto dele no Twitter por considerar uma boa aula sobre o trabalho que realizamos diariamente, os cuidados que devemos ter e a obrigação de estarmos sempre reavaliando nossas palavras, observações e opiniões — manchetes, também.

 

No passado, havia mais filtros entre a informação apurada e a notícia publicada. No jornal impresso, por exemplo, o texto passava pelas mãos do repórter, do editor e do corretor. A manchete ficava a cargo de uma pessoa que não havia se envolvido diretamente na reportagem — e todos esses olhares sempre ajudavam o repórter que pela proximidade com os fatos relatados talvez não tivesse percebido sutilezas de uma frase, uma expressão ou um título.

 

A humildade em admitir erros é uma marca necessária para quem faz jornalismo profissional — é um dos pontos que nos diferenciam daqueles que investem na criação de “fake news” para manipular a opinião pública.

 

Reproduzo a seguir, o que escreveu Guilherme Caetano:

 

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O gancho da matéria foi a visita da viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi, um dos mais conhecidos centros de repressão na ditadura militar, onde houve crimes, violações dos direitos humanos, tortura, ao presidente Jair Bolsonaro.

 

A ideia da pauta era falar com pessoas das Forças Armadas e dos grupos de direita e descobrir o que eles pensam do Ustra, sabendo que o coronel é visto como ídolo pelo presidente. E também responder à dúvida: por que só vemos a esquerda, de uma forma geral, bater no Ustra?

 

Conversei com generais e lideranças da direita. Apuração feita, constatei que muitos segmentos da direita poupam Ustra, que já foi condenado por tortura, de críticas. E aí redigi o título de uma forma muito questionável. Na correria da redação, essas coisas acontecem.

 

Depois de ver que a matéria estava sendo massacrada, fui reler e também reparei no erro. Alterei-o para “Condenado por tortura na ditadura militar, Ustra segue poupado por segmentos da direita”. Conceitualmente mais correta, sem atenuar a gravidade do personagem.

 

Nesta mesma semana, o New York Times foi criticado por uma frase também mal feita. A manchete da terça-feira, após a tragédia no Texas e em Ohio, era “Trump urges unity vs. racism”. E gerou uma repercussão bem negativa.

 

O maior jornal do mundo foi massacrado e mudou a manchete na segunda edição para “Assailing Hate but Not Guns”. O Nelson de Sá escreveu na Folha uma coluna sobre o caso: “NYT alivia para Trump e é forçado a recuar após revolta“.

 

Tom Jones escreveu sobre: É fácil criticar a manchete do Times, mas é preciso parar por um segundo e pensar como é difícil redigir manchetes. Essa história do Trump, por exemplo. Você tem tiroteios que mataram 31 em duas cidades. Então, Trump discursa por 10 minutos sobre (…)

 

(…) uma epidemia que ninguém concorda e ninguém pode resolver. E alguém, em um deadline curto, precisa juntar tudo isso em sete palavras cuja soma precisa ter um número exato de caracteres.

 

Muita gente criticou O Globo pelo meu péssimo título. Queria dizer que muito do que as pessoas acham que é manipulação, mau caratismo e parcialidade da imprensa muitas vezes é só pressa, inexperiência e descuido de um jornalista atarefado. Mas isso não nos exime da culpa.

Palavras do presidente têm efeito mais letal sobre a vida humana do que videogames

 

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Cena de CSGO (gamerview.com.br)

 

Donald Trump adora um videogame. Especialmente se for para transformá-lo em bode expiatório. Sem nunca ter saído do palanque, segue com seu discurso de ódio, ataca minorias e desrespeita o contraditório. Nos atos e nas omissões, incentiva o culto às armas e critica o uso de jogos eletrônicos, como voltou a fazer nesta semana após deparar com mais dois ataques a tiros, que levaram a morte 31 pessoas, no Texas e em Ohio. Para Trump, “os videogames desumanizam as pessoas” e são parte da culpa dos tiroteios em massa.

 

O discurso de Trump está décadas atrasado. Essa discussão já foi superada, ao menos do ponto de vista da ciência. Mas como estamos vivendo uma era de ascensão dos obscurantistas —- o Brasil que o diga —-, a retórica contra os games volta a todo instante. Foi assim em março deste ano quando ficamos chocados com o assassinato de estudantes em uma escola, em Suzano, Grande São Paulo.

 

Pedro Doria, em Vida Digital, no Jornal da CBN, terça-feira, falou do assunto em seu comentário. Lembrou que a relação entre atos de violência e videogame data dos anos de 1990 com o surgimento de jogos do modelo “first-person shooter” ou “tiro em primeira pessoa” —- em que o jogador controla um personagem pelo cenário, carregando armas e lançadores de projéteis. Dois ícones desse tipo de jogo foram o Wolfenstein 3D, criado em 1992, e o Doom, em 1993 .

 

Para entender porque se começou a refletir sobre o risco desses videogames é preciso lembrar que os anos de 1990 terminaram com a primeira grande tragédia em escola. Foi o massacre que matou 12 alunos e um professor na Columbine High School, em Columbine, no estado americano do Colorado, em abril de 1999.

 

 

O debate na época foi importante como outros tantos são essenciais atualmente, afinal ainda precisamos entender muito da relação humana com os avanços tecnológicos. E a cultura do videogame já se estabelecia especialmente entre os mais jovens, no fim do século passado. No entanto, desde lá, inúmeros estudos já derrubaram a tese que se mantém na cabeça ultrapassada de gente como Trump —- e como tem gente que pensa como ele!

 

Em seu comentário, Pedro Doria lembra de dois estudos que mostram, primeiro, que jovens envolvidos em tiroteios em massa costumam estar 20% menos envolvidos com videogames do que a média das pessoas da mesma faixa etária. Ou seja, seus filhos ou suas filhas devem jogar muito mais videogame do que esses assassinos —- nem por isso são agressivos ou revelam desejo de matar o próximo.

 

Em outra pesquisa, identificou-se que os níveis de emoção, adrenalina e agressividade aumentam enquanto a pessoa está jogando —- aspectos que não permanecem por muito tempo após o jogo ser desligado. De outro lado, identificou-se que o foco total na cena durante o jogo reduz as capacidades de planejamento e organização necessárias para a realização de ataques em massa. Ou seja, nem a turma sai da frente do game disposta a matar o primeiro que aparecer nem com disposição para preparar um ataque mais tarde.

 

Pesquisadores da Alemanha, foram além e, em 2017, publicaram a primeira investigação dos efeitos de longo prazo da violência nos videogames sobre a agressividade. Os pesquisados jogaram o GTA, que está na categoria dos violentos, o The Sims 3, considerado não-violento, ou simplesmente não jogaram nada, durante dois meses —- e quem jogou, jogou por muito tempo seguido. As evidências são amplamente contrárias a tese de Donald Trump.

“Em conjunto, os resultados do presente estudo mostram que uma extensa intervenção no jogo ao longo de 2 meses não revelou quaisquer alterações específicas na agressão, empatia, competências interpessoais, impulsividade, depressão, ansiedade ou funções de controle executivo; nem em comparação com um grupo de controle ativo que jogou um videogame não violento nem com um grupo de controle passivo”

Se quiser conferir, o estudo está publicado na revista Nature

 

Trump ajudaria muito o debate contra a violência se começasse a medir o peso de suas palavras, que têm efeito mais letal sobre a vida humana do que videogames.

 

Em maio, após demonizar imigrantes ilegais e chamá-los de “bandidos” e “animais”, perguntou à plateia que o assistia em comício, na Flórida: “Como você para essas pessoas? Você não pode”. Alguém na multidão, gritou: “Atire neles”.  Trump  sorriu enquanto o público aplaudia esse absurdo. Por isso não surpreende que manifestos racistas publicados na internet, como o feito por Patrick Crusius, um dos responsáveis pelo massacre de El Paso, usem retórica semelhante a do presidente.

 

 

Missa de 7º dia pelo falecimento de Milton Ferretti Jung

 

 

Convidamos parentes e amigos para as missas de sétimo dia do seu falecimento que serão realizadas em São Paulo e Porto Alegre.

 

 

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Missa de 7º dia em São Paulo
Sábado, dia 03 de agosto, às 18 horas

 

 

Capela da Imaculada Conceição
Rua Paulo Sérgio de Macedo, 197
Bairro: Vila Sônia

 

 

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Missa de 7º dia em Porto Alegre
Domingo, dia 04 de agosto, às 10 horas

 

 

Paróquia Menino Deus
Praça Menino Deus, 18
Bairro: Menino Deus

 

 

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Meu minuto de silêncio

 

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O minuto de silêncio que antecede o início de partidas de futebol é protocolar. Geralmente pedido pelo clube da casa ou por autoridades com a intenção de homenagear pessoas queridas —- muitas públicas, outras celebridades e algumas conhecidas da comunidade local. Há minutos de silêncio marcantes como o da tristeza pelo acidente aéreo da Chapecoense ou pela morte dos garotos do Flamengo — apenas para citar os mais recentes. Por contraditório que seja, um dos mais bonitos foi o proporcionado pela torcida do Botafogo que cantou um samba por um minuto em homenagem a Beth Carvalho. Nelson Rodrigues dizia que no Maracanã se vaia até minuto de silêncio como forma de descrever a irreverência do torcedor de futebol no Rio de Janeiro. A verdade é que na maior parte dos estádios nem sempre há o respeito devido e o grito de guerra de torcidas organizadas se sobrepõe ao silêncio dos demais.

 

Na segunda-feira à noite, sentei-me à frente da televisão, na casa da Saldanha Marinho, em Porto Alegre, para assistir ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. O jogo era em Maceió, Alagoas, e antes de se iniciar o árbitro sinalizou a homenagem tradicional. O repórter de campo informou que o silêncio se fazia para lembrar alguém querido do clube da casa, o CSA.

 

O silêncio se fez dentro de mim.

 

Não fazia muito, eu havia participado da cerimônia de encerramento que marcara a despedida de meu pai, Milton Ferretti Jung, de 83 anos, que morreu no domingo pela manhã, em Porto Alegre. Nas últimas 24 horas, a dor da perda se fazia forte no coração. Havia experimentado uma montanha russa de emoções, em que no vale havia uma tristeza profunda por saber que jamais poderia abraçá-lo e beijá-lo novamente. E no cume, o orgulho de ouvir amigos, colegas de trabalho, ouvintes do passado com suas memórias e histórias a revelar a dimensão que o pai teve na vida de muita gente.

 

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Imagem de arquivo de jornal 

 

Estar sentado naquela sala, onde praticamente nasci e vivi minha infância e adolescência, era uma tentativa de resgate dos tempos em que passeava de mãos dadas com o pai, em direção ao estádio Olímpico ou a caminho da rádio Guaíba, onde trabalhou por 56 anos. Naquela sala, assistimos juntos às primeiras imagens a cores da TV que ele comprara. Sentamos no sofá para ouvi-lo contando as aventuras de viagens ao exterior, proporcionadas pelas coberturas esportivas. Nos atirávamos no tapete para acompanhar as sessões de slides que ele reproduzia na parede, um por um, cada qual com sua história —- e histórias que se repetiam sessão por sessão como se fosse a primeira vez que estivesse nos contando.

 

O minuto de silêncio no jogo que deveria ter se iniciado parecia não acabar mais.

 

Lembrei-me de quando estive com o pai na final do Campeonato Gaúcho de 1977, de quando comemoramos o Mundial de 1983 e das várias vezes em que ele me abraçou para sustentar meu choro por uma derrota qualquer. De quando invadiu o campo suplementar do Olímpico para brigar com o árbitro que havia expulsado o filho dele injustamente —- sim, sempre que fui expulso o juiz havia sido injusto comigo. De outras tantas, que ele sofreu sentado na arquibancada das quadras de basquete enquanto torcia por mim.

 

Pensei como ele foi importante para me fazer jornalista.

 

No apoio incondicional a todas as minhas decisões — menos aquela de partir com 20 e poucos anos para trabalhar em Florianópolis (ainda bem que ele não deixou). Mesmo aquelas que me levaram para longe dele como o dia em que decidi morar em São Paulo e ele não tinha mais como me impedir. No  dia em que me permitiu narrar a fuga de presos do Presídio Central de Porto Alegre, apesar de ter de tirar parte do Correspondente Renner do ar e invadir a Hora do Brasil. No gol do Grêmio que compartilhou comigo, na época repórter de campo.

 

 

 

Agradeci no minuto de silêncio, que já se estendia por um jogo inteiro, pela forma como o pai se comportou com os colegas de trabalho, pela retidão na conduta pessoal e profissional e pela maneira humilde com que recebia elogios e reconhecimento. Pelo jeito meio desajeitado de revelar seu amor pelos filhos, mesmo que esses gestos parecessem tão difíceis para quem cresceu sob outra orientação. Por ter aprendido, mesmo que tarde, a dizer: “eu te amo”. Agradeci até pela angústia que o consumia sempre que eu saía para à noite. Porque de sua personalidade e seus valores, aprendi muito para a vida.

 

O silêncio não estava mais dentro de mim, estava por toda parte. Porque nada era mais importante do que a memória que eu estava construindo naquele instante com a ajuda de todas aquelas pessoas que tinham me abraçado horas antes no Crematório Metropolitano São José, me enviado mensagens com lembranças vividas com meu pai, me encaminhado gravações do passado e homenagens feitas no presente —- como a dos locutores esportivos da Rádio Globo que cantaram o gol repetindo o bordão que marcou a carreira do pai.

 

No silêncio, agradeci a Deus por ter me permitido vivenciar tantos momentos incríveis com meu pai e por ter colocado tanta gente boa ao meu lado nesse instante de tristeza. Uma gratidão que, tenho certeza, é também do Christian e da Jacqueline, meus irmãos, tanto quanto da Abigail, minha mulher, do Lorenzo e do Gregório, meus filhos.