Tem mais duas subprefeituras e 4 fiscais na lista dos bingos

A quebra de sigilo telefônico do advogado de donos de máquinas de caça-níqueis e bingos Jamil Chokr revelou que ele mantinha contato com funcionários de pelo menos duas subprefeituras de São Paulo, Vila Mariana e Pinheiros, conforme informações obtidas por este blog. Chokr transformou-se em “homem bomba” após ter se envolvido em acidente de carro quando fugia de um suposto assalto. Com ele estavam cerca de R$ 27 mil e uma relação em que aparece o nome de homens de confiança de delegados titulares de 84 dos 93 distritos policiais de São Paulo.

Neste domingo, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), fez a promessa de praxe: haverá punição exemplar no caso de alguma denúncia ser comprovada. O comentário tinha como alvo a revelação de conversas entre o vice-presidente da Associação Brasileira de Bingos, Marco Antonio Tobal, e um outro homem identificado apenas como Jaques que faria a intermediação da propina para que casas de bingo fossem mantidas abertas na região administrada pela Subprefeitura da Sé, conforme informou a Folha de São Paulo, no sábado.

O que Kassab ainda não sabia – e se sabia não comentou – é que pelo menos quatro funcionários ligados as subprefeituras também aparecem na lista de telefonemas do advogado que está em poder da Polícia Federal. Três da Vila Mariana e um de Pinheiros. O fato de o nome deles estarem lá, não significa que tenham envolvimento com atos de corrupção, mas mostra que Chokr arrumava formas de se aproximar das subprefeituras possivelmente para obter benefícios dos fiscais.

Um dos funcionários da Subprefeitura de Vila Mariana, em conversa gravada pelo Jornal da Record, na sexta-feira, negou qualquer relação irregular com Chokr. Explicou que o advogado havia se oferecido para comprar cartazes e informativos anunciando uma atividade desenvolvida pelo órgão. O pedido de doações para empresários, comerciantes e moradores da região parece ser prática comum nas subprefeituras devido a falta de verbas para as atividades.

Coincidência: subprefeitos já falaram em CPI

O subprefeito Nilton Elias Nachle que responde pelos bairros de Alto de Pinheiros, Pinheiros, Itaim Bibi e Jardim Paulista, desde quando tomou posse tem realizado operações que culminaram com o fechamento de casas de jogos, bares e restaurantes. Segundo declarações de Nachle à CPI dos Jogos Eletrônicos “havia 15 bingos em funcionamento na região e 13 estariam fechados”.

Em setembro de 2006, após ação policial, um cassino clandestino foi fechado no Itaim Bibi e entre as pessoas presas estava o bicheiro Ivo Noal. Ele é acusado de ter recebido cerca de U$ 80 mil por mês de mafiosos italianos para operar as máquinas em São Paulo, como informou o presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falconi, Walter Maierovitch, comentarista do Justiça e Cidadania, da Rádio CBN.

O mais famoso bicheiro de São Paulo é tratado por alguns funcionários da subprefeitura de Pinheiros como “Doutor Noal” e identificado como “uma pessoal muito legal”.

O subprefeito de Vila Mariana, Fábio Augusto Martins Lepique, responde ainda pelos bairros de Saúde e Moema. Ele também esteve na CPI que investiga a sonegação de ISS das casas que exploram vídeo-bingo e caça-níqueis. No depoimento, afirmou que apenas um dos 13 bingos da região ainda funciona devido a existência de liminar.

Andrea Matarazzo, da Subprefeitura da Sé, que foi citada na denúncia feita pela Folha, e Paulo Bressan, da Lapa, também estiveram na comissão parlamentar de inquérito.

Governo do Estado demorou para agir em denúncia

No sábado, 26 de maio, quando os jornais estampavam informações sobre o acidente de carro com o advogado dos bingos Jamil Chokr, enviei e-mail para a produtora do CBN São Paulo, Fabiana Boa Sorte, para que acompanhássemos de perto o caso e marcássemos entrevistas sobre o assunto para a edição de segunda-feira. No dia 28, além de entrevista, tratamos do tema no Conexão Rio-São Paulo, chamando atenção para a desconfiança que a Corregedoria da Polícia, responsável pela investigação, tinha da informação de que a sigla DP que aparecia na contabilidade do advogado seria “distrito policial” ou “delegacia da polícia”. Um porta-voz da corregedoria levantou a possibilidade de ser apenas uma ingênua “despesa pessoal”.

Os fatos que vieram na sequência você deve ter acompanhado, afinal uma série de reportagens fori publicada no rádio, nos jornais e nas emissoras de televisão.

No entanto, foram necessários 22 dias, inúmeras denúncias, além do anúncio do jornal O Estado de São Paulo de que 84 dos 93 distritos policiais da cidade fariam parte do mapa da propina, para o Governo do Estado reagir. Foram afastados 20 policiais suspeito de envolvimento com a Máfia do Jogo, designados mais dois delegados da corregedoria para acompanhar a delegada Cíntia Maria, que até agora trabalhava sozinha, e três equipes de investigadores.

Se até um neófito (para ser gentil comigo mesmo) em casos policiais e investigações como este jornalista foi capaz de desconfiar de que havia algo mais do que simples despesas pessoais no carro do advogado, é difícil de entender o descaso do Governo do Estado, Secretaria de Segurança e Corregedoria da Polícia em relação aos fatos. Talvez a reação se explique pelas palavras do delegado-geral Mário Jordão Toledo Leme. Ele disse estar “surpreendido” com a extensão do problema.

Lula deve ter adorado esta do Rio Amazonas

O rádio e a internet foram os primeiros, os telejornais falaram à noite e os jornais logo cedo anunciaram que pesquisadores brasileiros e peruanos teriam comprovado que o Rio Amazonas é o mais extenso do mundo. Os cálculos ainda não estão concluídos mas estima-se que chegue aos 6.850 km, suficiente para superar o Nilo e seus 6.670 km.

Aguarda-se ansiosamente a declaração pública do presidente Lula sobre o fato: “Nunca antes no Brasil, o Rio Amazonas foi o mais extenso do mundo”.

Depois o Serra reclama do pessoal da USP

“Nasceu Gabriella, nova neta de Mônica e José Serra, filha de Verônica e Alex Bourgeois e irmã de Antonio, que escolheu o nome. O avô estava na sala de parto, e foi ele quem entregou Gabriella para Verônica, às 10h15 da manhã, no Einstein. A garota nasceu forte e saudável, e a família está feliz”.

A nota é da coluna Persona, de César Giobbi, no Estadão. Depois o Serra reclama que os estudantes da USP o acusam de ser centralizador, não sabe por quê.

Laura Finocchiaro canta Mário Quintana, no CBN SP

O poeta Mário Quintana terá seus versos cantados por Laura Finocchiaro, gaúcha que há mais de 20 anos mora em São Paulo. Neste sábado, a cantora conversou com Fabíola Cidral, no CBN São Paulo, e, pela primeira vez, mostrou em público o trabalho que pretende lançar no segundo semestre.

Aproveite a entrevista e conheça a música inédita de Laura:

Laura Finocchiaro estará no Centro Cultural São Paulo neste domingo, às seis da tarde (saiba mais em nota deste blog do dia 15/06)

Denúncia de corrupção na Subprefeitura da Sé

Acompanhe trecho da reportagem da Folha de São Paulo sobre o diálogo entre o vice-presidente da Associação Brasileira de Bingos e Jaques, intermediário de suposta propina paga a fiscal da Subprefeitura da Sé para manter casas de bingo abertas. A conversa teria ocorrido em 9 de fevereiro deste, às 3 e 15 da tarde.

“E o tiule para dar pra esses putos?”, pergunta Jaques – tiule é a gíria de cadeia e de travesti para designar dinheiro.
“Ah! Manda vir pegar, né?”, responde Tobal. Ele diz que o pagamento era para o despachante Jaques.
Na conversa, Jaques avisa Tobal que um determinado bingo pode voltar a operar -a Folha apurou que se trata do Sampa Bingo, na avenida Ipiranga, área sob a jurisdição da Subprefeitura da Sé: “O que foi conversado foi a nível de subprefeitura. Você derruba as paredes, eles não vão mais te incomodar”, conta Jaques.
A parede derrubada era a que havia sido erguida pela subprefeitura em 8 de fevereiro porque o bingo desrespeitara a ordem de fechamento. A conversa gravada pela PF foi no dia seguinte. O lacre definitivo do bingo só ocorreu em 27 de abril, 77 dias depois da conversa.
Logo em seguida, ele cita o preço do negócio: “Ficou 30 cruzeiros!”, um valor que policiais acreditam ser R$ 30 mil.
“Puta vida! É muito! Duas de dez eu topo”, propõe Tobal. “Eles tinham pedido 50, bicho, nós que quebramos para 30”, rebate Jaques.
Tobal quer saber quem autorizaria a abertura: “Reginaldo”, responde Jaques.
Há pelo menos três Reginaldos na Subprefeitura da Sé. O mais graduado na hierarquia do órgão é Reginaldo José Fazzion, supervisor de fiscalização.

Como não seria recomendável aparecer na subprefeitura, Tobal indica uma pessoa para fechar o negócio -Willian Rossi. “Esteja lá na subprefeitura do centro e aí você vai encontrar com o rapaz, depois você vai com o Willian lá no bingo e pega os valores, tá bom?”, ordena. Segundo Tobal, Rossi é o dono daquele bingo.

Mais informações:<a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1606200701.htm
” target=”BLANK”>http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1606200701.htm

CBN São Paulo: Ouvintes-internautas com a palavra

Os caminhos abertos para pessoas com deficiência física foi um dos temas debatidos no CBN São Paulo, nessa sexta-feira, que foi apresentado do estúdio montado na Conferência Internacional de Empresas e Responsabilidade Social, promovida pelo Instituto Ethos, no Hotel Transamérica. Participaram o consultor João Ribas e Priscila Neves, que falaram sobre o trabalho desenvolvido na Serasa, a vereador Mara Gabrilli (PSDB), que relatou ações adotadas na cidade de São Paulo, e o fotógrafo e cineasta Renato Freitas, que está com mostra em São Paulo e atua em defesa de crianças com AiDS (veja mais sobre ele neste blog)

O estúdio itinerante da CBN foi adaptado para atender as pessoas com necessidades especiais, uma medida que será adotada em todos os locais em que a emissora montar sua estrutura (veja foto)

Durante o debate alguns ouvintes-internautas também deram sua opinião sobre o tema. Acompanhe:

“Tenho uma filha cadeirante, 22 anos, formada em pedagogia com habilitação em educação infantil na PUC-SP. Ela procura trabalho em escolas ou estágio, desde o 3o ano, e não consegue. As escolas pequenas não tem estrutura; as grandes, nem chamam para entrevistas. Há casos de escolas que quando a vem na cadeira de rodas, falam: “chiiiiiiiiiiiiiiiii, como voce vai cuidar das crianças ?” Ela foi voluntária de uma creche por cinco anos. Quando se formou e cogitou a possibilidade de ser contratada, ouviu : “Não é possível…”. Além de concursos, que chances ela tem ? Como conseguir ser pedagoga ? A inclusão melhorou muito para alunos, mas professores ?” (Magali Camargo).

“Meu pai tem paralisia infantil, porém a vida toda ele trabalhou. Numa época, ele trabalhava à noite, noutra era de dia, saía de casa às quatro da manhã. Lembro que ele sempre sofreu discriminação, “o aleijado”, o “manquinha”, entre outros, porém levantava a cabeça e ia em frente. Ao meu ver, sempre achei que deficiente é aquela pessoa que não procura o que fazer da vida e que, simplesmente, fica esperado pela caridade dos outros, pois quem quer algo de bom em sua vida tem que correr atrás.” (André Luís)

“Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para denunciar as montadoras que, de acordo com a lei, deveriam montar os carros para deficientes conforme as necessidades exigidas pelos laudos e pelo próprio DETRAN. Porém, se for exigido um carro com câmbio automático as mesmas só nos oferecem carros não populares. Até o ano passado, a GM fabricou o Corsa 1.6, agora nem sob encomenda ou por necessidade. Não é estranho? Nos carros mais caros podem ser instalados e para qualquer tipo de pessoa, mas para nós que necessitamos não é possível“ (Elias Moura)

A redenção pelo sexo e pela religião na cidade triste

Por Wellington Ramalhoso

Sabe aqueles relatos de sexo, confissões entre amigos, entre amigas, textos em revista, na internet? Muita autocensura, não é? E muito exagero também, não é? São os relatos mais imprecisos que existem. Ou é muito mais ou é muito menos do que aquilo que contam. E quando se faz tanta questão de relatar um bom sexo é porque, na média, as coisas não vão ou não iam muito bem. O mais provável é que as coisas realmente não sejam tão espetaculares, assim como não é tão garantido o passaporte para o paraíso.

Não era sobre isso que eu ia falar, mas sei lá por qual motivo isso me veio à cabeça.

O que queria dizer é que atravessaram as pontes e viadutos da Cidade triste, lotaram os ônibus e os trens, fecharam as ruas. Milhões… E não era pra trabalhar. As avenidas foram tomadas pela multidão. Ou melhor, por duas multidões. Multidões furiosas, ávidas pela chance de se manifestar. E não era pra derrubar ou formar governo, não era pra comemorar título nem pra cortejo fúnebre.

As multidões não se encontraram. Uma celebrou a religiosidade no feriado de quinta-feira, Corpus Christi, e a outra celebrou a liberdade sexual três dias depois, no domingo.

Assim tem sido nos últimos tempos na Cidade Triste. As duas multidões crescem a cada ano como se houvesse uma competição entre elas. Mas não duvido de que existam os que participem das duas celebrações. Assim como há os que participam mesmo sem um vínculo forte com as causas em questão.

A marcha evangélica e a parada gay se popularizam, tornam-se tradicionais. Viram um colosso, como tudo na Cidade Triste. Cidade livre? Cidade celebrada? Cidade ainda triste.

Nenhuma das multidões hasteou a faixa “Basta de corrupção!!! Prisão aos criminosos do colarinho branco!!!”. Nem a “Chega de desigualdade e miséria” nem a “Estatizem tudo” nem a “Privatizem tudo”. Nem mesmo se viu a faixa “Moradia já, Saúde agora, Educação imediatamente”. Nem ao menos a trivial “Justiça!” foi carregada.

As multidões não gritaram pela restrição aos carros nem por mais investimentos em transportes para a melhoria da circulação pela Cidade Triste. Não clamaram pela limpeza dos rios nem pela construção de mais parques. Não bradaram contra a violência dos bandidos e da polícia. Não urraram por mais lazer e espaços públicos.

Mas o que significa mesmo ler nas entrelinhas? O que dizem e pedem, então, as multidões em suas espetaculares marchas pela Cidade Triste? Pedem respeito à sua fé e à sua orientação sexual? Sim, pedem. Pedem porque carecem de espaço público e liberdade, carecem de festa e lazer.

Não é de admirar que a religião e o sexo impulsionem as maiores manifestações populares da Cidade Triste. As multidões pedem respeito porque, conscientemente ou não, sabem que a religião e o sexo são dois dos últimos refúgios onde se abriga o indivíduo que se vê num ambiente violento, restritivo, insalubre e deplorável.

“O mundo é bárbaro e corrupto, mas Deus me conforta, tenho orgulho disso e me deixa orar, irmão!” “O mundo é desigual e miserável, mas o sexo me redime, tenho orgulho disso e me deixa pelo menos trepar!”

Não é tão simples assim, mas o mundo é amargo mesmo e o que é ruim fica pior e monstruoso na Cidade Triste, megalópole mal-amada do terceiro mundo (ou quinto?). A cidade toda é uma grande Carençolândia*.

Talvez isso seja uma nova configuração de tradições. A marcha evangélica vai ocupando o lugar das celebrações católicas e a parada gay deixa na poeira o Carnaval da cidade sem-Carnaval. Tudo ampliado e mais agudo dentro desse caldeirão traiçoeiro.

E o tempo foi passando, o texto foi acabando e não consegui arrumar uma explicação para aquele começo. Deixa ele lá.

*Expressão criada pelo jornalista, escritor, ator e compositor Xico Sá.

Wellington Ramalhoso é jornalista da Rádio CBN, tem talento nas letras e texto postado em http://www.jornalirismo.com.br