Bingo Leão de Ouro é penta !

Pela quinta vez, a Subprefeitura de Itaquera vai fechar o Bingo Leão de Ouro, na rua Victorio Santim, 52. Nem mesmo o fato de os operários da prefeitura terem construindo três vezes uma parede para impedir acesso a casa foi suficiente para impedir a jogatina. O dono do bingo já responde a inquérito policial e as multas pela teimosia chegam a R$ 150 mil.

Eros, meu labrador, que não entende muito bem das coisas do homem, quer saber por que o bingo só será fechado amanhã (quarta-feira) se os fiscais já sabem que a casa está funcionando irregularmente desde a tarde de hoje.

Ouvinte-internauta: “Só em SP é proibido bingo?”

Ouvinte-internauta: “Só em SP é proibido bingo?”

Atenta e indagadora, a ouvinte-internauta Eunice Teresa Alves não entende porque apenas na capital paulista os bingos estão sendo fechados. Ela escreve para informar que em Osasco e imediações (leia-se Carapicuiba e Itapevi) as casas funcionam normalmente. Sugere até aos funcionários que protestam em São Paulo pela perda de emprego que se candidatem para trabalhar por lá. “A lei aqui deve ser outra”, suspeita a moradora de Osasco.

Agora o outro lado: Subprefeitura responde a suspeitas

Em nota, a Secretaria Municipal das Subprefeituras respondeu as suspeitas de que fiscais das subprefeituras tinham envolvimento com a Máfia dos Bingos:

“Em relação a denúncias sobre o envolvimento de funcionários da Subprefeitura Vila Mariana com advogado de donos de máquinas de caça-níqueis e bingos, informamos que a Subprefeitura da Vila Mariana, após apuração dos fatos, já providenciou a exoneração do servidor Wanderlei Araújo do cargo de Assistente Técnico, por entender sua conduta inadequada, já que teria solicitado patrocínio do advogado para realização de evento sem autorização do subprefeito. Informamos ainda que o citado servidor não era fiscal.

O assunto, da mesma forma como tem sido feito na subprefeitura da Sé, foi encaminhado para averiguação preliminar feita em conjunto pelas Secretarias Municipais das Subprefeituras e de Negócios Jurídicos, que têm providenciado e continuará providenciando o afastando imediato de qualquer funcionário público que possa estar envolvido em atividades ilegais nas subprefeituras”.

CPI da Câmara vai investigar subprefeituras

O relator da CPI dos Jogos Eletrônicos, vereador Adílson Amadeu, antecipou ao CBN São Paulo que a comissão vai investigar os fiscais das subprefeituras que têm contato com o advogado dos bingos Jamil Chokr. Amadeu disse que além do subprefeito de Vila Marian, Fábio Lepique, mais três agentes serão convocados a dar explicações.

Adílson Amadeu afirmou que eles teriam recebedio R$ 5 mil para patrocínio de uma “festinha”.

Na sexta-feira, o jornalista Lúcio Sturm, da TV Record, entrevistou por telefone um fiscail da Vila Mariana, que não teve seu nome identificado, que confirmou o contato com o advogado que estava disposto a ajudar a subprefeitura na confecção de cartazes e folhetos informativos.

Ouça a entrevista do relator da CPI dos Jogos Eletrônicos, vereador Adílson Amadeu, para a jornalista Fabíola Cidral, âncora do CBN São Paulo:

Denúncia fecha mais um bingo em São Paulo

O Bingo Royale Itaim foi fechado por fiscais da prefeitura, após denúncia feita por um ouvinte-internauta do CBN São Paulo que enviou a informação ao secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, pelo e-mail amatarazzo@prefeitura.sp.gov.br.

A nota abaixo foi enviada pela assessoria de comunicação da secretaria:

“Após entrevista na CBN em que o secretário Andrea Matarazzo passou seus contatos, ele foi procurado, via e-mail, por vários ouvintes. Um deles denunciou o desrespeito ao lacre feito no Bingo Royale Itaim, na rua Joaquim Floriano, 850. Por conta desta denúncia, acionou a Subprefeitura de Pinheiros, que foi ao local e constatou o desrespeito ao quarto lacre já colocado no estabelecimento, realizado na sexta-feira passada, dia 15. Diante desse novo desrespeito, o local teve suas portas de acesso fechadas com concreto. O caso foi novamente encaminhado para o 15º DP para investigação por reincidência na desobediência ao lacre da Prefeitura”.

Nome dos fiscais está em lista da Corregedoria

As informações para a investigação sobre o envolvimento da Máfia dos Bingos com a Máfia dos Fiscais podem ser encontradas no trabalho realizado pelo Instituto de Criminalística “Perito Criminal Dr. Octávio Eduardo de Brito Alvarenga” de São Paulo. Caso a prefeitura paulistana tenha interesse em descobrir quem seriam os quatro fiscais que mantinham contato com o advogado Jamil Chokr deve solicitar a Corregedoria de Polícia os laudos com nomes e telefones que fazem parte da agenda do radiocomunicador (Nextel) usado pelo “homem-bomba”.

É um catatau de papel com listas e mais listas que mostram as relações de Chokr com policiais civis, federais, técnicos do Instituto de Criminalística (sim, ele também conhecia as pessoas que faziam perícia nas máquinas de vídeo-bingo e caça-níqueis) e fiscais das subprefeituras de Vila Mariana e Pinheiros.

Para não perder tempo em meio a papelada, a prefeitura pode solicitar os laudos com o levantamento das ligações recebidas e realizadas pelo advogado Jamil Chokr que levam os números a seguir:

01/020/28728/2007

01/020/28729/2007

Os documentos estão em poder da Corregedoria da Polícia em segredo de justiça, portanto o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, deverá encontrar a mesma dificuldade que diz ter tido quando procurou a Polícia Federal. O órgão tem em pastas a degravação das conversas telefônicas obtidas na Operação Xeque Mate que, também, apontam indícios de envolvimento da Máfia dos Bingos com a Máfia dos Fiscais.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), poderia convocar a base governista para propor a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal que investigaria as suspeitas e teria maior facilidade para obter os documentos protegidos por sigilo de justiça. A alegação de que o legislativo municipal já tem a CPI dos Jogos Eletrônicos não convence, pois a comissão foi criada com outro objetivo, investigar a sonegação de pagamento de ISS pelos estabelecimentos comerciais que têm máquinas de vídeo-bingo e caça-níqueis, a não ser que os vereadores aceitem a manobra juridicamente arriscada de mudarem o foco da CPI.

Em tempo: com exceção da Subprefeitura da Sé nenhuma outra está sendo investigada, seja em inquérito policial seja em sindicância interna.

CPI dos Bingos é kit-PT, diz Serra

“É o kit-PT. Qualquer coisinha eles querem CPI. Para os outros, não para eles”. A critica é do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que não quer saber de comissão parlamentar de inquérito na Assembléia Legislativa para a investigar o envolvimento de policiais paulistas com a Máfia dos Jogos Eletrônicos, conforme informação da reportagem da CBN.

Mais erra do que acerta o governador com esta afirmação.

O acerto fica por conta da avaliação de que os petistas só querem CPI para investigar o governo dos outros. Em Brasília, fogem do assunto como o diabo da cruz.

O primeiro erro é a falta de auto-crítica, já que os deputados e vereadores tucanos agem da mesma forma na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal.

O segundo é que o pedido de CPI não se restringe ao PT. Parlamentares do PV querem a comissão, também.

O terceiro e maior erro é considerar “coisinha” o tamanho da denúncia que atinge a polícia de São Paulo. Quase todas as delegacias e seccionais, também, estão sob suspeita, desde a descoberta do dinheiro e anotações no carro do advogado dos bingos Jamil Chokr.

Secretário reclama da falta de informação

Os meios de comunicação têm as informações, diálogos são divulgados, listas de telefone circulam nas redações, repórteres gravam entrevista com supostos envolvidos em caso de corrupção, mas a prefeitura de São Paulo ainda não teve acesso aos dados das investigações da Máfia dos Bingos que estão sob segredo de justiça.

O secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, disse na CBN que a Polícia Federal pediu para ele ir ao STJ se quiser ter acesso às informações já que a instituição não tem autorização para divulgá-las.

Matarazzo, que acumula o cargo de Subprefeito da Sé, anunciou o afastamento do diretor de fiscalização Reginaldo Fazzion até o fim do processo interno de investigação. O secretário lembra que a medida é preventiva e não condenatória.

Quanto ao diálogo divulgado pela Folha, que levou ao afastamento do funcionário, fez o seguinte comentário: “Se tiver alguém vendendo facilidade está vendendo vento”. Justifica a afirmação lembrando que boa parte dos bingos na cidade está fechada.

Uma sugestão ao secretário Matarazzo: visite a Corregedoria da Polícia onde estão parte das informações sobre possível envolvimento da Máfia do Bingo com a Máfia dos Fiscais.

Erramos, mas não nos enganamos

Ao contrário do que registramos neste blog dois policiais foram afastados das funções externas após a denúncia de que o advogado dos bingos Jamil Chokr transportava propina para as delegacias de polícias de São Paulo. Mas não comemore: os dois eram os PMs que encontraram o dinheiro e levaram a denúncia para a Corregedoria. Os outros só sofreram alguma punição neste fim de semana, após reportagem do Estadão.

A informação é do deputado estadual do PV-SP, Olímpio Gomes, em entrevista a Fabíola Cidral, no CBN São Paulo