O ministro da Fazenda Fernando Haddad anunciou o bloqueio de até 600 plataformas de apostas e jogos eletrônicos que funcionam no Brasil e não pediram a regulamentação ao Governo Federal. “Se você tem dinheiro em casa de aposta (ilegal), peça restituição já”, disse o ministro na entrevista que fizemos na edição desta segunda-feira, no Jornal da CBN.
Tirar do ar esses sites é apenas parte do problema. Os números divulgados pelo Banco Central na semana passada mostram o tamanho do desafio: entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões foram transferidos via Pix de pessoas físicas para a jogatina eletrônica, neste ano. O que mais causou espanto: em agosto, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família destinaram R$ 3 bilhões para esses jogos online.
Proibir aposta com uso do cartão dos programas sociais e com cartão de crédito, acompanhamento do CPF dos apostadores com alertas para gastos excessivos e limite no uso do Pix são algumas das medidas que o Governo vai anunciar nesta semana, segundo o ministro.
Ao mesmo tempo que tenta controlar os gastos abusivos de jogadores endividados e viciados, Haddad tem a tarefa de controlar as contas públicas do Governo. O ministro reforçou a necessidade de respeitar o arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso para controlar os gastos públicos e, assim, criar condições para a redução das taxas de juros e incentivar o investimento. Ele alertou que o descontrole das despesas pode levar ao aumento da dívida pública, comprometendo o crescimento econômico sustentável do Brasil.
A entrevista completa você assiste no vídeo acima.
Evento contará com a participação de Milton Beck, Diretor Geral do LinkedInpara a América Latina e África
O jornalista Mílton Jung em parceria com a WCES, startup americana especializada em educação e consultoria para empresas, realiza o workshop Comunicação Profissional – Técnicas e práticas para o sucesso no trabalho no dia 26 de setembro, quinta-feira, das 19h às 21h30, no Espaço Olos, em São Paulo. O evento, comandado pelo âncora do Jornal da CBN, ao lado do fundador da WCES, Thiago Quintino, será gratuito, aberto ao público e contará com a participação especial de Milton Beck, Diretor Geral do LinkedIn para a América Latina e África.
Com o tema Comunicação Profissional, Milton abordará técnicas e práticas para o sucesso no trabalho com foco na carreira, na produtividade e na boa relação. “A comunicação é estratégica na vida! Torna nossas relações mais saudáveis e sustentáveis”, afirma Jung. “No cenário corporativo é uma competência que precisa ser desenvolvida para o crescimento profissional, facilitando a relação com colaboradores, parceiros de negócios e clientes”, complementa.
Esse encontro marcará o lançamento do curso online de Comunicação Estratégica para o Desenvolvimento Profissional, criado por Jung e Quintino, que tem a participação de renomados professores convidados como o filósofo Mário Sérgio Cortella, a futurista Martha Gabriel, a fonoaudióloga Leny Kyrillos e o especialista em escutatória Thomas Brieu.
Presente em 15 países e com escritórios em Utah e São Paulo, a WCES se destaca como uma das principais startups do segmento educacional. A parceria com Jung visa aprimorar a comunicação estratégica em ambientes corporativos, abrangendo mercados no Brasil, Europa e Ásia.
Workshop estratégico:
Comunicação Profissional – técnicas e práticas para o sucesso no trabalho
Convidado especial: Milton Beck, Diretor Geral do LinkedIn
Vagas Esgotadas
Dia: 26 de setembro, quinta-feira
Horário: das 19h às 21h30
Local: Edifício Milano | Espaço Olos
Avenida Mário de Andrade, 1.400, 14º andar, Água Branca/SP
Quarenta anos se passaram desde o meu primeiro dia em uma redação. Eram 10 de agosto quando sentei em frente a máquina de datilografia e os cheiros da lauda, do carbono e da tinta que imprimia as letras no papel me faziam sentir pronto para desbravar o mundo com palavras — uma ilusão, pois, não estava tão pronto assim; de verdade, ainda era um estagiário, um jovem aprendiz.
Essa trajetória que se iniciou há quatro décadas me levou às mais diversas redações e forjou minha experiência no campo da comunicação. Aprendi na lide e com os leads, entrevistando, com os entrevistados e com os colegas. Da profissão que escolhi, surgiram as oportunidades para desenvolver novos conhecimentos. E de tanto aprender peguei o gosto por ensinar. Comecei pelo microfone, depois passei aos palcos, nas palestras, e, mais tarde, às páginas dos livros. Já escrevi cinco até agora.
Começar uma nova etapa profissional, em paralelo a todas as demais que seguirei exercendo, é como folhear um livro cujas páginas ainda não revelam o que está por vir. Mas sabemos que a história será rica. Talvez seja a oportunidade de retomar alguns fatos já contados, com um novo olhar e de um novo jeito. Talvez, a chance de acessar outros conhecimentos e se espantar com o mundo de sabedoria que temos para explorar. A comunicação é uma criatura viva, inquieta. Sempre em busca de novas maneiras de se expressar, de se conectar. Não há um fim; há sempre um novo começo.
A decisão de ensinar me pareceu natural. É como compartilhar um segredo, só que sem mistério. Agora, sinto que estou entrando em uma nova fase com a produção de um curso de comunicação, que se inicia on-line e pode se expandir nos mais diversos formatos, ampliando essa conversa. Um livro em branco, pronto para ser preenchido com histórias e descobertas, mas com a vantagem de que, dessa vez, a jornada não será solitária — será acompanhada de parceiros, mestres e de cada aluno que decidir fazer parte desse percurso.
A nova aventura, que se soma a maior delas que realizo diariamente na rádio CBN, surge a partir da parceria proposta pela WCES — empresa americana de educação e consultoria. Desde os primeiros contatos, Thiago Quintino, o fundador da startup e especialista em experiência do cliente, me dizia: “Comunicação é coisa séria.” E isso me fez lembrar de uma lição que aprendi ainda criança.
Lá no início, quando eu era pequeno e andava de mãos dadas com meu pai, ele me levava ao estúdio da rádio onde apresentava o principal noticiário do Rio Grande do Sul. Enquanto ele transmitia as notícias, eu ficava quieto, sentado num canto, quase sem me mexer, consciente da seriedade daquela missão. Foi ali, naquele estúdio silencioso, que aprendi a respeitar o microfone — aquele equipamento mágico que amplificava a voz do meu pai e fazia suas palavras chegarem longe. O microfone me ensinou que comunicação é coisa séria.
A decisão de participar de um curso, nos moldes do proposto pela WCES, não é apenas um passo a mais; é um salto. É reconhecer que o mundo mudou, que a comunicação não conhece mais barreiras físicas, e o ensino também precisa se adaptar a essa nova realidade. Assim como na rádio, onde a voz precisa alcançar o ouvinte onde quer que ele esteja, o nosso curso tem essa mesma missão: chegar ao público, onde quer que ele esteja, com a mesma paixão e compromisso de quem acredita no poder da comunicação para transformar.
Nessa caminhada, tive o privilégio de contar com mestres generosos que aceitaram o convite de ampliar o conhecimento. O filósofo Mário Sérgio Cortella vai falar de ética na comunicação; a futurista Martha Gabriel compartilhará sua visão sobre a importância do pensamento crítico em tempos de transformação digital; Leny Kyrillos, fonoaudióloga e colega de diversos projetos, trará sua expertise sobre a comunicação efetiva e afetiva; e meu companheiro de livro, Thomas Brieu, vai nos mostrar como o exercício da escuta pode ser transformador para as relações humanas. Novas vozes se juntarão a nós em breve, pessoas que têm muito a ensinar e que, assim como eu, acreditam que, por meio da educação, podemos nos tornar melhores.
Este é o momento de pegar a experiência acumulada, os aprendizados ao longo da carreira, as lições de nossos parceiros e transformá-los em algo acessível, prático e, principalmente, transformador. Afinal, a comunicação é isso: uma jornada constante de troca, de aprendizado e de evolução. E agora, esse caminho se faz na tela, na conexão entre professor e aluno, num espaço virtual que promete ser tão envolvente quanto uma boa crônica.
Participe do lançamento de “Comunicação Profissional – técnicas e práticas para o sucesso no trabalho”
Convidado especial: Milton Beck, Diretor-geral do LinkedIn
Vagas limitadas
Inscrição gratuita
Dia: 26 de setembro, quinta-feira
Hora: das 19h às 21h30
Local: Edifício Milano | Espaço Olos
Avenida Mário de Andrade, 1.400, 14º andar, Água Branca/SP
Era um jarro de 3.500 anos, testemunha de uma era que só conhecemos pelos livros e pelas escavações arqueológicas. Descansava silencioso em sua vitrine, sem barreiras, como se a história o protegesse por si só. Até que um menino de cinco anos, com sua curiosidade desmedida e típica dessa idade, se aproximou do objeto. Talvez tenha imaginado que ali, dentro daquele recipiente milenar, se escondesse um segredo tão antigo quanto o próprio tempo.
Puxou o jarro, quem sabe desejando ouvir algum som misterioso ou ver um brilho dourado surgir de dentro. Mas a história é feita de imprevistos, e aquele som que ecoou pelas paredes do Museu Hecht, em Israel, foi o de uma quebra, uma colisão abrupta entre o passado e o presente. O jarro, que sobreviveu ao tempo, à erosão e às mãos de tantos povos, sucumbiu à curiosidade infantil.
O pai, ao ouvir o som do jarro se estilhaçando, correu. Calmamente, acalmou o filho, com a sabedoria que só os pais conhecem. Chamou um segurança e esperou as consequências que viessem. E o museu, como reagiu? Não acionou a polícia, não apontou dedos. Em vez disso, tratou o incidente como um acidente. Um erro sem culpa. Um descuido compreensível. Afinal, a história do jarro e a curiosidade de uma criança estavam, de certa forma, alinhadas. Ambos são, em sua essência, uma busca por entender o que veio antes.
A decisão do museu de expor as peças sem barreiras, como se o passado pudesse ser tocado pelo presente, ressoa como um convite à conexão. Não se trata apenas de objetos antigos; são relíquias que nos fazem sentir, de alguma forma, parte de algo maior, algo que transcende as barreiras do tempo. O museu declarou que continuará com essa prática, permitindo que os visitantes apreciem de perto a magia dos artefatos, sem o filtro do vidro ou a distância das cordas de proteção.
O jarro será restaurado, as marcas da queda suavizadas pelas mãos habilidosas dos restauradores. E, quando voltar ao seu lugar de origem, trará consigo uma nova história. Não mais apenas a de uma peça que transportou vinho ou azeite em tempos bíblicos, mas a de um encontro com a curiosidade pura e simples de uma criança. E talvez seja essa a maior lição de todas: que a história, por mais distante que pareça, continua viva em cada um de nós, especialmente naqueles que ainda têm coragem de perguntar, de tocar, de descobrir.
Assim, o jarro voltará à sua vitrine. Um pouco mais frágil, talvez, mas carregando em suas rachaduras um lembrete silencioso de que o passado e o presente estão sempre a um toque de distância.
Neste 15 de agosto em que se comemora o Dia do Solteiro, aqui no Brasil, me pego refletindo sobre um marco pessoal: com 61 anos completados recentemente, já vivi mais tempo casado do que solteiro. E isso me faz pensar: será que ainda tenho a habilidade de falar sobre a vida dos solteiros, ou perdi essa “licença poética” ao adotar de vez a camiseta dos comprometidos?
Lembro-me em parte de quando era solteiro, tempos em que a vida parecia uma mistura de liberdade e busca constante. Liberdade para sair a hora que quisesse, viajar sem planejar muito, tomar decisões sem precisar consultar ninguém. Mas a busca – e como ela podia ser exaustiva! Nos bares, nas festas, nos eventos sociais. Sempre à procura daquela conexão que fosse além da superficialidade.
Hoje, a tecnologia tornou tudo isso diferente. O que antes demandava esforço e presença física, agora cabe na palma da mão. Aplicativos, redes sociais, um mundo de possibilidades ao alcance de um deslize do dedo. Será que essa facilidade compensa? Fico me perguntando se, ao reduzir as interações a cliques e likes, não estamos perdendo algo essencial. A conversa que flui, o olhar que diz mais do que palavras, o toque que reforça a conexão – será que isso tudo se preserva no mundo digital?
Os números me surpreendem. O Brasil, com seus 81 milhões de solteiros, superando os 63 milhões de casados. Um fenômeno global, dizem. E nas redes sociais, o que já foi um assunto pessoal, quase íntimo, virou tema de conversa aberta. Leio na newsletter Cartogramaque a Statista detectou um aumento de 4.000% nas discussões sobre relacionamentos entre 2022 e 2023. Parece que todo mundo tem algo a dizer sobre estar ou não estar em um relacionamento. Aliás, cá estou eu a dar palpite neste assunto.
Apesar de aparentemente não ter lugar de fala no tema em questão, vamos aos fatos. E fatos científicos. Estudos mostram que o estado civil impacta diretamente na saúde física e mental. Pessoas casadas tendem a apresentar melhores indicadores de saúde física e mental comparadas aos solteiros, mas isso depende muito da qualidade do casamento. Um estudo publicado no *Journal of Marriage and Family* revelou que pessoas em casamentos saudáveis relatam menos depressão e maior satisfação com a vida. Contudo, em casamentos disfuncionais, esses benefícios desaparecem, tornando os efeitos tão negativos quanto estar solteiro.
Por outro lado, solteiros frequentemente possuem uma rede social mais ativa, o que contribui para uma maior sensação de liberdade e autonomia. Eles também tendem a buscar novas experiências e a investir mais em suas habilidades pessoais. A tecnologia, ao facilitar as conexões iniciais, pode não substituir a profundidade de um relacionamento, mas certamente redefine as regras do jogo.
Uma vantagem inegável de estar casado é não ser alvo de certos preconceitos que os solteiros enfrentam. Frases como “Você é tão bonito, por que ainda está solteiro?” ou “Não vai arrumar ninguém?” continuam a incomodar e reforçar estigmas. Essas perguntas podem gerar desconforto e sugerir que estar solteiro é uma condição transitória ou indesejável, o que nem sempre é o caso.
Sem sequer ser capaz de descobrir por que no Brasil se comemora o Dia do Solteiro em 15 de agosto — na China é 11 de novembro e já se transformou em um sucesso comercial, enquanto nos Estados Unidos é em 15 de fevereiro —, sigo minha jornada, refletindo que, no fim das contas, seja casado ou solteiro, o que realmente importa é estar em paz consigo mesmo. A verdadeira realização vem de uma conexão genuína com quem somos, sem importar o estado civil que nos define no papel. Afinal, a vida é feita de escolhas, e a mais importante delas é ser feliz do jeito que for melhor para você.
Nesta semana, enquanto revisava arquivos guardados na memória do meu computador, deparei com dois textos que, apesar de publicados em momentos bastante distintos, dialogam de maneira surpreendente com o contexto atual em que vivemos. O primeiro, um artigo de Umberto Eco, publicado no jornal *La Nación*, da Argentina, em 1991. O segundo, um texto recente de Ruy Castro, que li na “Folha de São Paulo”, de 2023. Ambos os textos me levaram a refletir sobre um tema que tem estado cada vez mais presente em nossas discussões: a importância de exercitarmos a qualidade da escrita diante da ascensão da inteligência artificial.
No artigo de Umberto Eco, o filósofo, escritor e semiólogo italiano refletia sobre o temor que os sábios da Antiguidade tinham em relação à invenção da escrita e, posteriormente, dos livros. Eles acreditavam que esse novo instrumento poderia alterar o comportamento humano, limitando a capacidade de memória e de pensamento crítico. É curioso perceber que, mesmo tantos séculos depois, esses medos ainda ressoam, agora em um novo contexto. A inteligência artificial, com sua capacidade de gerar textos e ideias de forma quase automática, nos faz questionar: será que as máquinas poderão limitar ou até substituir a criatividade humana?
Já Ruy Castro, jornalista e escritor brasileiro, em seu texto mais recente, faz uma análise crítica e bem-humorada sobre o conceito de “escrever bem”. Para ele, ninguém realmente “escreve bem” de primeira. Escrever é, na verdade, um exercício de reescrita. É no processo de revisar, cortar excessos, eliminar palavras ou frases desnecessárias e clarificar a mensagem que reside o segredo de um bom texto. Castro nos lembra que a escrita é um ato de reflexão, que exige tempo, paciência e, acima de tudo, autocrítica.
Ao comparar essas duas leituras, fico impressionado com a atualidade das preocupações de Umberto Eco e a pertinência das observações de Ruy Castro. Eco nos alerta para o risco de confiarmos demais nas tecnologias que, embora úteis, podem nos afastar do processo criativo essencial para a produção do conhecimento humano. Por outro lado, Castro nos mostra que a boa escrita não é fruto de genialidade espontânea, mas de um trabalho árduo de refinamento e aprimoramento contínuo.
Nesse cenário, a inteligência artificial surge como uma ferramenta poderosa, capaz de produzir textos com uma velocidade e precisão impressionantes. No entanto, há uma preocupação legítima de que essa facilidade possa nos levar a perder a profundidade e a qualidade que caracterizam a escrita humana. Quando deixamos as máquinas fazerem o trabalho por nós, corremos o risco de nos distanciarmos do processo criativo, que envolve não só a reflexão e a dúvida, mas também a reescrita e, muitas vezes, a frustração de não alcançar imediatamente o resultado desejado.
Eco nos lembra que os livros prolongam a vida ao preservar a memória e o conhecimento. Mas esses livros foram escritos por mãos humanas, imbuídas de sentimentos, pensamentos e experiências únicas. A inteligência artificial, por mais sofisticada que seja, ainda não consegue capturar essa dimensão humana. Ela pode imitar estilos, reproduzir padrões, mas não substitui a alma que se revela em cada frase cuidadosamente escolhida, em cada ideia que emerge do conflito entre o que queremos dizer e o que conseguimos expressar.
Portanto, ao nos depararmos com o avanço da inteligência artificial, torna-se mais importante do que nunca exercitarmos a qualidade da nossa escrita. Devemos encarar a IA não como uma substituta, mas como uma ferramenta que pode nos ajudar a alcançar novos patamares de criatividade, desde que sejamos nós, seres humanos, a guiar o processo. A escrita é uma das formas mais íntimas de expressão do ser humano, não apenas para comunicar ideias, mas também para transmitir emoções, experiências e, em última análise, nossa própria humanidade.
Exercitar a escrita frente a ascensão da inteligência artificial é reafirmar nosso compromisso com o que nos torna únicos. É garantir que, mesmo em um mundo dominado por máquinas, a essência do que significa ser humano – com toda a sua complexidade e profundidade – continue a ser preservada, celebrada e transmitida às futuras gerações.
Assim, a lição de Ruy Castro se torna ainda mais relevante: reescrever é essencial. É preciso ter a coragem de revisar o que as máquinas produzem, de refinar e humanizar, garantindo que a palavra escrita continue sendo uma extensão do pensamento e da alma humana, e não apenas um conjunto de algoritmos friamente calculados. Porque, no fim, é a nossa capacidade de criar, refletir e expressar que define a verdadeira qualidade da escrita – e isso, nenhuma máquina pode substituir.
As emoções se entrelaçaram de forma contraditória, nestes últimos dias. Fomos levados a extremos que desafiam nossa compreensão e nossa capacidade de reação. Na sexta-feira, uma tragédia se abateu sobre Vinhedo, no interior de São Paulo, onde um avião caiu, levando consigo as vidas de 62 pessoas. Naquele mesmo instante, estávamos tomados pela euforia dos Jogos Olímpicos de Paris. Acompanhávamos em êxtase o ouro conquistado pelas atletas brasileiras do vôlei de praia, Ana Patrícia e Duda; a prata do canoísta Isaquias Queiroz; e o bronze de Alison dos Santos, no atletismo.
Essa dualidade de sentimentos, de dor e de celebração, nos coloca diante de um desafio único, tanto para o público quanto para nós, jornalistas. Eu já estava fora do ar quando o acidente aéreo foi confirmado e acompanhei à distância a tentativa dos colegas na redação em equilibrar a cobertura de uma tragédia de proporções tão devastadoras com a exaltação de conquistas esportivas que simbolizam o esforço, a superação e o orgulho de uma nação. Como transmitir a dimensão de uma perda irreparável sem deixar de reconhecer o mérito e a felicidade daqueles que, após anos de dedicação, alcançaram o topo de suas carreiras?
O escritor e filósofo Albert Camus, em sua obra “O Mito de Sísifo”, explora a ideia do absurdo da existência, uma sensação que muitos de nós experimentamos quando confrontados com situações como essas. Camus argumenta que, mesmo diante do absurdo, o ser humano deve buscar significado e continuar sua jornada. Essa visão pode nos ajudar a entender que a celebração das conquistas olímpicas não diminui a gravidade da tragédia aérea, assim como o luto pelas vidas perdidas não deve obscurecer a alegria daqueles que alcançaram o sucesso.
Da mesma forma, o filósofo Friedrich Nietzsche, em “Assim Falou Zaratustra”, explora a profundidade da existência humana e os extremos que vivenciamos, como a dor e a alegria. Nietzsche nos desafia a abraçar a vida em sua totalidade através do conceito do “eterno retorno”, que propõe que cada momento, seja de felicidade ou de sofrimento, deve ser vivido como se estivesse destinado a se repetir infinitamente. Essa ideia nos convida a aceitar a convivência desses sentimentos contrastantes e a encontrar uma forma de viver que permita honrar tanto a memória das vítimas quanto celebrar o triunfo dos atletas, sem arrependimentos.
O papel do jornalismo, nesse contexto, é justamente o de ser o mediador entre esses extremos, oferecendo ao público uma cobertura que respeite a gravidade da tragédia e, ao mesmo tempo, celebre os feitos daqueles que superaram limites para representar o país no cenário internacional. Não podemos permitir que a existência de um fato desmereça o outro. A dor e a alegria, o luto e a celebração, fazem parte da condição humana e, como tal, devem ser abordados com a devida sensibilidade e respeito.
Ao final, cabe a cada um de nós, como indivíduos e como sociedade, aprender a lidar com essa dualidade, reconhecendo que, apesar de estarmos imersos em uma realidade que nos apresenta cenários tão distintos, somos capazes de encontrar força para seguir em frente, carregando em nossos corações tanto as lágrimas da perda quanto as da vitória.
Sou o que costumam chamar de ‘early adopters’. Perdão pelo anglicismo logo na abertura do texto, mas é assim que a turma que fala de tecnologia prefere chamar aquilo que lá no meu Rio Grande do Sul denominaríamos de ‘guri metido’ — aquele cara que não pode ver uma novidade e já se atreve a usar. Foi assim com o ChatGPT. No dia em que ouvi falar, já estava fuçando suas funcionalidades. Virei embaixador do negócio. Sugeri para colegas, amigos e parentes — até para o cunhado.
Fiz o primeiro curso que apareceu. Comprei o primeiro livro sobre o assunto. Entrevistei as fontes que entendi serem mais relevantes e acessíveis. O negócio cresceu em uma velocidade exponencial e tomou uma dimensão que não dei conta diante de todas as possibilidades. Mesmo assim, apaixonei!
As primeiras polêmicas se tornaram públicas. O CEO Sam Altman foi demitido e recontratado em um movimento tão rápido quanto as respostas que a inteligência artificial é capaz de nos oferecer. Questionamentos sobre segurança e responsabilidade causaram tanta ‘alucinação’ quanto o ChatGPT pode produzir frente a um ‘prompt’ impreciso.
A última polêmica foi a situação envolvendo Scarlett Johansson. Após quase um ano de negociações para que a atriz emprestasse sua voz ao ChatGPT 4.0o, Johansson recusou. No entanto, a OpenAI lançou uma voz incrivelmente semelhante à dela, chamada Sky, sem sua autorização. Quando a estrela de “Encontros e desencontros” ouviu a demo, ficou chocada e irritada. Mesmo com a negativa clara da atriz, Altman pareceu brincar com a situação ao sugerir no Twitter uma referência ao filme “Her”, onde Johansson dubla uma assistente de IA.
Essa atitude de Altman lembra muito o que Elon Musk fez com o Twitter, agora rebatizado de X. Musk, em sua gestão tumultuada e desrespeitosa com o cliente, transformou a plataforma, outrora um espaço de troca de ideias e informações, em um terreno de controvérsias e desinformação. A marca Twitter, construída ao longo de anos, foi profundamente danificada pela conduta errática e decisões questionáveis de Musk. E agora, Altman parece trilhar um caminho semelhante com a OpenAI.
A comparação é inevitável. Ambas as situações envolvem líderes carismáticos que, ao invés de preservar e fortalecer as instituições que dirigem, parecem mais interessados em promover seus próprios egos e preferências pessoais. No caso de Altman, a obsessão com o filme “Her” e a tentativa de replicar a voz de Johansson sem sua permissão demonstra um desrespeito pelas normas éticas e pelos direitos individuais. Isso não só prejudica a imagem da OpenAI como também levanta questões sérias sobre a integridade da empresa.
A saída de Ilya Sutskever, cofundador da OpenAI, e de outros membros da equipe de superalinhamento, reflete o ambiente conturbado dentro da empresa. Eles faziam parte do time focado em garantir a segurança de possíveis futuros sistemas de inteligência artificial ultra-qualificados
A OpenAI, que deveria ser um exemplo de pesquisa e desenvolvimento seguro de IA, agora parece mais preocupada em lançar produtos chamativos e ganhar mercado a qualquer custo. Essa mudança de foco é preocupante, especialmente com relatos de acordos de confidencialidade abusivos e uma cultura de segredo.
Assim como Musk transformou o Twitter em um campo minado de controvérsias, Altman está levando a OpenAI por um caminho perigoso. A empresa, que nasceu com a missão de desenvolver IA de forma segura e ética, agora parece mais interessada em ganhar visibilidade e lucro rápido. As ações de Altman, como no caso de Scarlett Johansson, mostram um desrespeito pelos princípios que deveriam nortear a OpenAI.
A postura de “vencer a qualquer custo” não é apenas insustentável, mas também prejudicial. Quando líderes colocam seus interesses pessoais acima das responsabilidades institucionais, a confiança do público e a integridade da organização são comprometidas. O caso de Johansson é um alerta para todos nós sobre os perigos de uma liderança que negligencia a ética em favor do ganho pessoal.
Sam Altman precisa reconsiderar suas ações e prioridades antes que a OpenAI sofra danos irreparáveis, assim como o Twitter nas mãos de Musk. A comunidade global de tecnologia e os usuários — especialmente aqueles que como eu nos apaixonamos pelo tema — querem confiar que essas ferramentas sejam desenvolvidas com responsabilidade e respeito. É hora de voltar aos princípios fundamentais e garantir que a OpenAI se alinhe novamente com sua missão original.
Recorrendo a um jargão consagrado pelo conterrâneo e humorista Andre Damasceno, criador do personagem o “Magro do Bonfa”: Altman, “não me faz te pegar nojo”, porque a OpenAI merece mais do que isso!
“O reconhecido jornalista Mílton Jung, âncora do Jornal da CBN e do Mundo Corporativo, ambos da rádio CBN, é um dos profissionais que amam o que fazem e, naturalmente, vem se destacando em meio a tantos outros. Além disso, sua paixão e sua entrega pelo Jornalismo, fizeram ele aprender tanto que passou a palestrar sobre Comunicação e Liderança para que os profissionais das empresas se tornem melhores, mais produtivos e mais felizes no ambiente de trabalho”
Assim, Analice Nicolau inicia entrevista na qual tive a oportunidade de falar da minha carreira e de projetos que realizo, além do rádio. Agradeço a ela e seu colega de coluna, Rafael Gmeiner, pela oportunidade que me ofereceram.
A entrevista com o prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico, nesta manhã de segunda-feira, no Jornal da CBN, trouxe à tona memórias e emoções profundas. A cidade, ainda despertando de mais um pesadelo, teve sua área rural devastada pelas fortes chuvas e passou a madrugada sob o impacto de um tremor de terra que, segundo relato de moradores, durou cerca de meia hora.
Caxias do Sul não é apenas um ponto no mapa; é um lugar de recordações pessoais vividas quando criança, durante as férias escolares, sempre ao lado dos Ferretti. Foi lá que meu bisavô, Seu Vitaliano, viveu. Foi lá que nasceu minha avó, Ione, e para lá que ela voltou apenas para parir meu pai. Das muitas lembranças, recordo das Tias Ema e Olga, esta última residia no casarão de madeira da Nove de Julio. A avenida, famosa pelo desfile da Feira da Uva, é um símbolo de momentos felizes da minha infância.
Adolescente, retornei a Caxias para jogar basquete com os amigos do Recreio da Juventude, clube esportivo e social da cidade. Essas experiências construíram uma conexão forte e duradoura com a região, tornando a entrevista desta segunda-feira especialmente tocante.
Durante a conversa, vários sentimentos se misturaram. O prefeito lembrou que Caxias do Sul era o maior produtor de hortifrutigranjeiros do Rio Grande do Sul, e as recentes calamidades dificultaram o acesso aos centros de consumo devido aos bloqueios nas rodovias. Desde o início, áreas de risco foram evacuadas e passagens foram abertas nas regiões de deslizamento para permitir o trânsito de veículos e o transporte de mantimentos para as famílias ilhadas.
Cobrir essa tragédia em Caxias do Sul, mesmo à distância, é um desafio que vai além do profissional, evocando lembranças de tempos passados. Cada relato faz com que eu sinta a dor da comunidade como se fosse minha, reforçando a importância de uma cobertura empática e comprometida com a verdade e a solidariedade.
Manter o equilíbrio e a frieza jornalística em momentos como esse é uma tarefa complexa. Esforço-me para imaginar o que estão sofrendo os colegas jornalistas que presenciam a tragédia no “campo de batalha”. Muitos deles gaúchos como eu. A psicologia dessa cobertura exige um controle emocional que nem sempre é fácil de alcançar. É aqui que os ensinamentos de estudiosos do jornalismo se tornam particularmente valiosos.
Philip M. Seib, em “Broadcasts from the Blitz: How Edward R. Murrow Helped Lead America into War”, discute como jornalistas precisam equilibrar empatia e profissionalismo durante a cobertura de crises. Ele ressalta a importância de preservar a objetividade enquanto se reconhece o impacto emocional das histórias que estão sendo cobertas. Isso se aplica diretamente à minha experiência ao entrevistar o prefeito de Caxias do Sul, onde cada palavra e expressão trazia à tona uma mistura de sentimentos pessoais e responsabilidades profissionais.
Para abordar a necessidade de equilíbrio emocional no jornalismo, a obra de Anthony Feinstein, “Journalists under Fire: The Psychological Hazards of Covering War”, oferece uma análise detalhada dos efeitos psicológicos que os jornalistas enfrentam ao cobrir conflitos e desastres. Feinstein destaca a importância de intervenções psicológicas e de apoio profissional para ajudar os jornalistas a lidarem com o trauma e o estresse associados a essas coberturas.
Adicionalmente, os ensinamentos de Dan Harris, jornalista e autor do livro “Dez Por Cento Mais Feliz” — que já foi referência neste blog — são especialmente úteis. Harris defende a prática da meditação como uma ferramenta para melhorar a saúde mental e emocional, lição que aprendeu duramente após sofrer “panes” enquanto apresentava telejornais nos Estados Unidos. A meditação ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, proporcionando uma maior clareza mental e um senso de calma, fundamentais para jornalistas que cobrem crises. Incorporar essas práticas pode fazer uma diferença significativa na capacidade de manter o equilíbrio durante coberturas emocionalmente desafiadoras.
Essas referências sublinham a importância de buscar um equilíbrio psicológico durante a cobertura de tragédias. Técnicas como a respiração controlada, a meditação e o estabelecimento de limites claros entre o pessoal e o profissional são cruciais – não, infelizmente, eu não as pratico. Além disso, buscar apoio em colegas e profissionais de saúde mental, reconhecer e aceitar as próprias emoções, sem deixá-las dominar a cobertura, são passos essenciais para realizar um trabalho ético e eficaz.
Revisitar Caxias do Sul em meio a uma tragédia — e ressalto, mesmo que à distância — me trouxe à mente não apenas a responsabilidade jornalística, mas também a necessidade de cuidar de meu próprio bem-estar emocional. Assim, posso continuar a fornecer uma cobertura que não só informa, mas também honra a resiliência e a humanidade da comunidade que tanto significa para mim.