Shoppings não estão preparados para carga

Pelo menos três shoppings da cidade de São Paulo não têm área apropriada para a descarregar a carga que vai abastecer as lojas. Dos 35, 13 só tem uma doca onde os caminhões podem parar. Estes são alguns dos dados levantados pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (SETCESP) em pesquisa na capital para identificar as dificuldades dos entregadores, principalmente neste período de Natal.

Ouça a entrevista com o presidente do Setcesp, Francisco Pelucio, ao CBN São Paulo:

Agora o outro lado

Um dos fatos que chamam a atenção na pesquisa dos transportadores de carga é que a prefeitura de São Paulo autoriza a construção de shoppings na cidade sem exigir áreas apropriadas para as entregas e manobras de caminhões. A produção do CBN São Paulo foi atrás de uma resposta e a Secretaria Municipal das Subprefeitura enviou o seguinte esclarecimento que, para mim, não explicou o ponto principal desta discussão. Seja como for, lá vai o que pensa a Secretaria:

“É importante esclarecer que os shoppings acima de 25 mil metros quadrados de área construída (sem contar a área das garagens e estacionamentos cobertos) podem fazer carga e descarga a qualquer horário com tanto que o trabalho seja realizado com veículos pequenos como caminhonetes e pequenos caminhões, conforme decreto municipal (46.049). Quando o descarregamento de produtos é realizado com veículos de grande porte, os shoppings precisam respeitar o horário das 22h às 06h, de segunda à sexta-feira, e das 14h às 24h aos sábados, sendo livre o trabalho de carga e descarga aos domingos e feriados. O não cumprimento da legislação estabelecida pode acarretar multa de R$ 2,00 a R$ 10,00 por metro quadrado da área do estabelecimento, conforme constatação dos fiscais das subprefeituras. Lembramos também que os estabelecimentos localizados na Zona Máxima de Restrição a Caminhões também precisam respeitar as condições desta legislação na região, passível de vistoria pelo órgão fiscalizador de trânsito”

Adote um vereador: Marco Aurélio não é do São Paulo

Conhecido pelo trabalho como dirigente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha se elegeu vereador na capital paulista. No entanto, se esforça para mostrar que a vitória nas urnas extrapola sua proximidade com o clube. Fala das atividades como médico, atuante em serviços sociais e o reconhecimento dos moradores da zona oeste para ter alcançado os 38.421 votos que lhe garantiram uma cadeira na Câmara Municipal, a partir do ano que vem, representando o DEM.

Interessante que durante a entrevista, já chegava na caixa de correio do CBN São Paulo mensagem de eleitor de Marco Aurélio decepcionado com as afirmações dele. Edison Goulart, por exemplo, escreveu que duvida que o ex-dirigente são-paulino tenha conquistado os mais de 38 mil votos entre pacientes, clientes e amigos.

Seja como for, Marco Aurélio Cunha diz que pretende investir sua legislatura em ações em favor da educação.

Ouça a entrevista do vereador eleito Marco Aurélio Cunha (DEM), ao CBN São Paulo:

Marco Aurélio é um dos nomes da lista dos 55 que tomarão posse no ano que vem e podem ser o seu escolhido na campanha Adote um Vereador. Alguns ouvintes-internautas já fizeram esta escolha e estão acompanhando o trabalho dos representantes no legislativo municipal através de blogs e redes comunitárias.

Hoje é festa lá no meu busão, pode aparecer

Por Ádamo Bazani

A maior parte dos motoristas e cobradores de ônibus quando começa na profissão não tem idéia do que acontecerá no dia-a-dia. Cada turno é uma surpresa. É risco de assalto, de acidente, de demissão pela instabilidade econômica e política que marcou a história do setor. No passado houve, ainda, a dificuldade em abrir caminhos nos anos 1920, a crise de combustível dos anos 1940, a Segunda Guerra Mundial, e a inflação dos anos 1980, dentre tantos eventos.

Há – e houve – surpresas positivas, também. E na conversa com os funcionários das empresas as melhores se dão quando o assunto é relações humanas: amizades com os passageiros, o bate-papo das garagens, e as festas.

Com o motorista Olécio Aparecido da Silva, de 46 anos, não foi diferente. Ele começou a trabalhar numa época difícil. Mais precisamente em 14 de abril de 1976. Época de ditadura militar em que até as conversas nos ônibus corriam perigo de serem vigiadas.

Olécio entrou no ramo como cobrador, com 14 anos, no grupo formado pelas empresas Viação Nima, Auto Viação Vila Alpina e Expresso Santa Rita, de Santo André. Todas extintas. Ele se recorda de estudantes, trabalhadores e militantes que passavam pela catraca e iam para as reuniões políticas. Dentro do ônibus, com medo, muitas destas pessoas cheias de ideais, eram tomadas pelo silêncio, mesmo sendo o ABC Paulista um dos berços do movimento pró-democracia na época.

Em 1988, quando foi trabalhar na Viação Vila Ema, da Capital Paulista, os ares políticos eram outros. No rádio dos ônibus se ouvia falar na Constituinte e o tema prevalecia entre os debates nos pontos e nos bancos, na época de fibra, duros, de modelos como Caio Gabriela e Caio Amélia. Olécio também havia passado pelo grupo Benfica, com linhas operadas hoje pela Viação Padre Eustáquio, de São Caetano do Sul

A pedido dos passageiros da Expresso Santa Rita, que fizeram até abaixo-assinado, Olécio teve de voltar à empresa, que tinha ligação com a viação da Capital Paulista.

Mesma linha todo o dia, mesmos rostos, os mesmos “bons dias”, até que num mês de dezembro de 1995, na Viação Humaitá, que também era do grupo da Santa Rita, Olécio ganha um presente inusitado: uma festa de fim de ano sobre rodas.

“Foi emocionante. Uns 60 passageiros se reuniram, o ônibus ficou apinhado de gente e me encheram de presente. Muitos destes passageiros eu sequer sabia o nome. Ganhei panetone, bolo, nozes … menos bebida alcoólica. Desse dia pra cá, o carinho que tive com os passageiros aumentou ainda mais”.

Os que não tiveram tempo de comprar presente deram dinheiro. “Ganhei 79 reais limpinhos, um bom dinheiro pra época. O Plano Real tinha há pouco tempo”

Mas as surpresas que a vida nos transportes reservaram não pararam por aí.

No trabalho, Olécio conheceu Marta Oliveira da Silva, hoje sua esposa.

“Tínhamos muita coisa em comum. Gostávamos de nos ver todos os dias, quando ela pegava o ônibus, tínhamos as mesmas conversas e os mesmos gostos”. Inclusive pelo transporte coletivo. Tanto é que Marta Oliveira da Silva atualmente é motorista de ônibus em Santo André, também. Faz a linha que serve o bairro de Capuava e a estação de trens da CPTM, Prefeito Saladino.

“Trabalhar com ônibus simplesmente me deu tudo: meu caráter foi melhorando; lidando com diferentes tipos de passageiros, consegui patrimônio e estabilidade de vida e, sim, lógico, o diesel e os brutos urbanos que presentearam com o amor da minha vida” diz Olécio no ponto final.

Ádamo Bazani é reporter da Rádio CBN e busólogo. Toda terça-feira reproduz aqui no blog histórias registradas nas muitas viagens de ônibus que fez.

Blog substitui rádios em pane e orienta Blumeau

A manchete acima está em destaque na primeira página do caderno Cotidiano do jornal O Estado de São Paulo e chama atenção para os canais abertos na internet para informar a população da cidade catarinense atingida pela tragédia provocada pelas chuvas. As emissoras de rádio tiveram dificuldade de transmissão devido a prejuízos provocados nas suas antenas e geradores.

Os internautas criaram blogs para alertar a população sobre a situação das ruas de Blumenau. A localização dos abrigos da prefeitura, vias interrompidas pela água, fotos e vídeos de casas destruídas, locais em que ocorreram deslizamento de terra foram divulgados com o intuito de reduzir o nível de tensão entre os moradores.

Chamo atenção para o fato de que o material informativo foi organizado por uma publicitária, no caso Juliana da Silva, criadora do Blog Alles Blau, e produzido por moradores da cidade que passaram a integrar, voluntariamente, a comunidade virtual.

A notícia é significativa para quem – como eu – acostumou-se a recorrer ao rádio em períodos de crise e tragédias pela agilidade na comunicação. Os blogs ganham espaço no mercado de informação e constroem credibilidade. É mídia que não pode ser desprezada pelas empresas e pelo cidadão.

Vai que é tua, Tânia !

Nesta segunda-feira, Tânia Morales estará no comando do CBN São Paulo devido a viagem que farei a Porto de Galinhas, em Pernambuco. Saio às nove da manhã de Guarulhos, chego no Recife, pego ônibus e em uma hora e meia estarei em um hotel qualquer para, fechado em uma sala, conversar com um grupo de 30 pessoas sobre a importância da comunicação. Assim que terminar de falar, faço a mesma viagem de retorno à capital pernambucana, embarco em um avião para o vôo que fará escala no Rio de Janeiro e aterrissará, se tudo der certo, às quatro e meia da manhã de terça-feira, em São Paulo. Cinco horas depois já estarei de volta ao CBN São Paulo.

E você ainda ainda se atreve a dizer que não estou no ar nesta segunda-feira só porque o Grêmio perdeu ontem. Êta, injustiça !

Foto-ouvinte: Se essa rua, se essa rua fosse minha

Uma corrente fechada com cadeado segue impedindo o acesso à rua Igarapava, no bairro do Itaim Bibi. Os moradores haviam colocado um portão de grade se apropriando da via pública. A Subprefeitura de Pinheiros com base em decisão da justiça foi até lá e liberou o acesso (foto 1). Assim que os fiscais foram embora os vizinhos interromperam a rua, mais uma vez, conforme as fotos (2) feitas pelo ouvinte-internauta Alberto Penteado. Por e-mail ele comenta: “este é um péssimo exemplo da uma classe que, por ter décadas de vício, não acata uma simples decisão judicial”.

Agora o outro lado

A ouvinte-internauta Lizandra mostra que nem tudo é como parece. E justifica a atitude dos moradores:

“Prezado Milton,

Preciso de sua ajuda. Você tem o e-mail do sub-prefeito Nilton Elias Naschle ( Pinheiros)?
Moro em uma rua sem saída que recebeu alvará de fechamento em 2001 e, para a supresa dos moradores, a sub-prefeitura de Pinheiros REMOVEU o portão integralmente alegando que o portão de pedestre estava irregular em 19 de novembro último.
Bem, havia um portão de pedestre que ficava permanentemente ABERTO diferentemente das outras duas vilas da mesma quadra que se quer portão de pedestre têm.
Se a lei atual proíbe este tipo de portãozinho, porque não removeu o portão de pedestre e mateve o do leito carroçável? Quem vai arcar com nosso prejuízo? Colocamos uma corrente com cadeado e uma cópia do alvará em uma das colunas…até o alvará sumiu… Seríamos vítimas de interesses maiores ao do nosso direito de cidadão?”

Vereadores de São Paulo dizem que acabaram com nepotismo

Dez vereadores da atual Câmara Municipal de São Paulo mantinham parentes contratados na casa. Após a súmula do TSE que determinou o fim do nepotismo no poder legislativo todos tiveram de afastar os parentes. Dos dez apenas um não se reelegeu, Jorge Borges (PP).

Veja as informações que Fernanda Campagnucci do CBN São Paulo levantou da situação do ex-nepotis:

Jooji Hato – PMDB (reeleito) – Havia três funcionários-parentes; todos foram exonerados;

Marta Costa – DEM (reeleita) – Os funcionários foram exonerados;

Adilson Amadeu – PTB (reeleito) – O filho trabalhava com ele, mas foi exonerado;

Dalton Silvano – PSDB (reeleito) – Eram duas pessoas, que foram exoneradas;

Abou Anni – PV (reeleito) – Empregava a tia que também foi exonerada;

Toninho Paiva – PR (reeleito) – O sobrinho e a filha foram exonerados;

Carlos Apolinário – DEM (reeleito) – Demitiu a esposa de seu sobrinho;

Wadih Mutran – PP (reeleito) – Não lembra quantos funcionários eram, mas afirma que todos foram exonerados.

Atílio Francisco – PRB (reeleito) – Eram quatro funcionários: A chefe de gabinete, que era casada com seu sobrinho; a cunhada, na liderança; e dois casos de nepotismo cruzado: esposa do vereador Jorge Borges que trabalhava em seu gabinete, e seu filho, que trabalhava no gabinete do vereador Jorge Borges

Jorge Borges – PP (não se reelegeu) – não respondeu

Consultamos Sônia Barbosa do Voto Consciente para confirmar as informações, mas ela explicou a dificuldade que a ONG encontra para levantar os dados e nomes dos parentes já que a única forma de confirmar a proximidade é pelo sobrenome, a partir da lista de funcionários que a Câmara é obrigada a divulgar. Diga-se de passagem, lei esta de iniciativa da ONG.

Prestar atenção no nome dos funcionários contratados pelos vereadores na próxima legislatura é mais uma tarefa para quem aceitou a proposta da campanha “Adote um Vereador”. Eles são obrigados a divulgar o nome dos que prestam serviço no gabinete na Câmara e no escritório político (que também é mantido com dinheiro público).

O do Juca tem mais de 43 milhões. O do TAS e do Noblat nem se encontra mais o número. Eles são fera no jornalismo e o trabalho reproduzido nos blogs que mantém revelam claramente a qualidade de cada um. Por isso, não tenho dúvida de que chegar a marca de 200 mil acessos não é nada mesmo. Só interessa ao próprio autor deste espaço que começou há pouco mais de um ano. E passou a contar os acessos há menos de nove meses.

Então por que abrir um post para falar sobre a marca ? E por que abrir o programa falando do assunto com a Patrícia Madeira como fez na manhã de sexta-feira ? Apenas para se divertir, claro. Afinal, meu colega Heródoto Barbeiro que jura ter um blog ancorado na página da CBN, vem falando do assunto há algumas semanas e até agora não chegou lá. Vai chegar, com certeza. Vai ultrapassar, não tenho dúvida. Está à frente de um dos programas de maior audiência do rádio brasileiro. E esta se refletirá em qualquer trabalho que realizar com o mesmo talento.

Toda esta conversa é justificativa para falarmos um pouco sobre esta ferramenta atrelada ao rádio. Há quatro ou cinco anos quando publiquei o livro “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto) escrevi sobre a forte relação que existe do veículo desenvolvido por Marconi no início do século passado e a internet criada há pouco mais de 20 anos. Os blogs ainda não eram um fenômeno.

Dia desses, entrevistado pela Tânia Morales no Revista CBN, Ricardo Noblat comentou que o veículo mais próximo do blog é o rádio pela ordem e ritmo com que se publica notícias. Agilidade e precisão, dois dos conceitos que nos pautam nas emissoras de rádio, também fazem parte do cardápio dos jornalistas quando estão no papel de blogueiro ou desenvolvendo outros serviços na internet.

A cultura do wiki que tem como principal ícone a enciclopédia criada por Jimmy Wales, o Wikipedia, pode ser identificada na construção do programa de rádio, principalmente aquele que tenha as características do CBN São Paulo que apresento.

Pautas surgem por participação dos ouvintes-internautas, entrevistas sofrem interferência deles quando conseguem disparar um e-mail antes que esta termine, informações e opiniões são agregadas ao nosso conteúdo de acordo com os argumentos usados pela audiência. Quando tudo isso vai parar no blog através de post é a vez do pessoal que se encoraja a propor novas visões na área reservada aos comentários. Às vezes participam com arquivos de áudio e imagem.

Em pouco tempo, uma enorme comunidade de ouvintes-internautas se mobiliza, colabora e constrói a informação. Prometo me aprofundar no tema mais para a frente.

Hoje, o que interesse é aproveitar a marca para lembrar que nestes últimos seis meses, o Blog do Milton Jung ganhou reforços que ajudaram a aumentar a participação dos ouvintes-internautas, principalmente do ponto de vista dos comentários.

Todo domingo, a Maria Lucia Solla escreve sobre temas da atualidade e nos leva a refletir sobre nosso cotidiano. Na segunda, o Márcio Rachkorsky conta uma história de condomínios, acompanhado do Osvaldo Stella que reproduz o tema do Ambiente Urbano, programa que faz parte do CBN São Paulo. Na terça, temos o Ádamo Bazani registrando a história do transporte de passageiros no Brasil. Na quarta, o doutor em marketing de moda Carlos Magno Gibrail provoca a opinião do público com artigos que vão da economia ao comportamento humano. A qualquer dia da semana, a Cátia Toffoletto registra em imagem cenas com as quais se depara no dia a dia de repórter. Sem contar, a presença constante dos ouvintes-internautas nos mais diferentes formatos.

A todos que colaboram com este espaço, registro aqui meu agradecimento e deixo o convite para comemorarmos os próximos 100 mil acessos já com um novo blog no ar. O que deve ocorrer no mês de dezembro quando teremos um espaço com mais recursos e, principalmente, maior destaque à participação do ouvinte-internauta.

É nosso desejo, e nossa certeza.

Até mais,

Milton Jung