Mundo Corporativo: Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros, destaca o papel do empreendedorismo na transformação da indústria do seguro

Foto de Pricila Gubiotti

“Somos uma companhia de mais de 100 anos e mais de 3 milhões de clientes, mas o DNA é empreendedor porque a gente entende que  tem que reinventar nosso negócio a cada ciclo para atender aquele cliente que está mudando”.

Patrícia Chacon, Liberty Seguros

Construir uma visão empreendedora nas suas equipes de trabalho é uma das soluções que grandes empresas têm encontrado no sentido de dar maior autonomia aos colaboradores. Aplicado esse mesmo conceito na relação com os parceiros de negócio, cria-se um ambiente de colaboração e compartilhamento de conhecimento. É no que acredita Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros, entrevistada do terceiro episódio da série sobre empreendedorismo, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Na nossa conversa, Patrícia detalhou a importância da parceria com os corretores, o papel do empreendedorismo na transformação da indústria de seguros e como a visão empreendedora está sendo incorporada dentro da própria empresa. Esse olhar tem forte ligação com a história da própria executiva que saiu de Quito, no Equador, aos sete anos e foi estudar nos Estados Unidos, onde se formou em Economia. Ainda durante o curso superior, Patrícia foi para Gana, na África, atuar em projetos de empreendedorismo feminino ajudando as microempreendoras a se desenvolverem. Ao se formar, retornou ao Equador e trabalhou em projetos de apoio a pequenos agricultores para capacitá-los nas negociações com grandes empresas, o que se transformou em inspiração para ela quando assumiu cargo executivo na Liberty.

Parceria com corretores

Patrícia destacou que os corretores desempenham um papel crucial na distribuição dos seguros da Liberty Seguros, e a relação vai além de apenas parceria comercial. A empresa não apenas compartilha produtos, mas também colabora na criação de soluções personalizadas, baseadas em tendências e necessidades identificadas pelos corretores. Essa co-criação resultou em produtos como a marca de seguro “Aliro”, com valores mais baixos, a medida que os corretores percebiam que havia dificuldades financeiras que impediam os clientes de renovar ou fazer um novo seguro. A marca foi lançada em conjunto com os corretores e alcançou grande sucesso:

“A Aliro já vendeu na Liberty mais de 1 milhão de apólices e 50% dos clientes não tinham seguro antes”

Empreendedorismo como transformação

Para a CEO da Liberty Seguros o empreendedorismo, que hoje faz parte da essência da empresa com mais de 100 anos, envolve constantemente resolver as necessidades dos clientes e a capacidade de reinventar o negócio para atender às mudanças do mercado. Ela compartilhou exemplos de como a empresa se adaptou rapidamente a desafios, como a inflação, usando a metodologia ágil para capturar tendências e reagir de maneira eficaz.

Metodologia ágil e cultura empreendedora

A implementação da metodologia ágil na Liberty Seguros começou com treinamento intensivo da liderança. Patrícia explicou que o processo envolveu a criação de equipes multifuncionais, chamadas de “squads”, que têm autonomia para definir metas e soluções, com a liderança dando suporte e removendo barreiras. Essa abordagem, embora desafiadora, permitiu uma maior agilidade na adaptação às mudanças do mercado.

Visão empreendedora interna

A visão empreendedora não se limita aos corretores, mas também é aplicada internamente, de acordo com Patrícia. Ela ressaltou que os colaboradores são incentivados a ter essa mentalidade empreendedora, identificando desafios e oportunidades de negócios, e contribuindo para a inovação da empresa. A liderança fornece direção clara e metas, enquanto os times empoderados trabalham juntos para encontrar soluções e impulsionar o crescimento.

“A gente tem assim a grande satisfação de, em 2022, termos sido nomeadas como uma das dez melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Isso é motivo de muito orgulho para nós porque veio com o resultado financeiro, também. Então, acho que uma combinação que faz sentido”.

Em dez anos, a seguradora triplicou o seu tamanho passando de um faturamento de R$ 1 bilhão para R$ 3,3 bilhões — resultado registrado no primeiro semestre deste ano. O lucro líquido cresceu 15 vezes e está em R$ 320 milhões, o que, segundo Patrícia, permite que a empresa invista até R$ 100 milhões em tecnologia, o que tende a trazer mais benefícios aos corretores e clientes.

Iniciativas para empoderamento

A Liberty Seguros também implementou iniciativas para apoiar o crescimento dos corretores e seus negócios. Patrícia mencionou a importância de fornecer conhecimento e ferramentas, como treinamentos sobre tendências digitais e tecnologias de marketing. A empresa desenvolveu ferramentas que permitem aos corretores venderem nas mídias sociais e até mesmo oferecer cotações de seguros de vida através de links no WhatsApp.

Diversidade e empoderamento feminino

A presença de uma mulher no comando da empresa inspirou ações afirmativas como o programa “Mulheres Seguras”, iniciado em 2015. A intenção é apoiar as mulheres no mercado de seguros, incentivando o empreendedorismo e a liderança. A CEO ressaltou a importância de ter mais mulheres em posições de destaque, servindo como inspiração para outras e contribuindo para a evolução do mercado.

Uma dos desafios do “Mulheres Seguras” foi mudar uma realidade identificada em diversos estudos de que mulheres gostam menos de entrar em negociações o que impacta nos resultados que buscam. 

“Estudos mostram que (a mulher) quando começa numa negociação começa pedindo 30% a menos. A gente começou a apresentar fatos para as corretoras de como elas podiam quebrar um pouco dessas barreiras. O “Mulheres Seguras” foi crescendo e a gente impactou já mais de 5 milhões de pessoas com eventos e conteúdo”.

Outro aspecto destacado por Patrícia é que 45% do corpo executivo da Liberty é formado por mulheres que ocupam cargos de liderança em áreas como tecnologia, talento e assistência. Além disso, ela diz ter orgulho em saber que existem grupos de homens que são aliados neste projeto de fortalecimento feminino.

Você assiste a seguir à entrevista completa com Patrícia Chacon, CEO da Liberty Seguros. Toda quarta-feira, o Mundo Corporativo apresenta, ao vivo, no canal da CBN no YouTube, um entrevista inédita. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Veloso, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Alder Lima, da Metamazon, constrói oportunidades e vira referência no empreendedorismo negro

 “Em São Paulo, me encontrei. Eu pude entender o que significa carregar o peso de ser um homem gay e o peso de ser um homem preto no país empreendendo. Eu podia  olhar para o lado e ver várias pessoas iguais a mim”.

Alder Lima, Metamazon Solutions

Que a vida do empreendedor é difícil no Brasil, todos sabemos. E muitas dessas histórias já foram contadas no próprio Mundo Corporativo, programa que apresento na CBN. O desafio de ser um empreendedor negro e gay, porém, torna tudo mais complicado e precisa ser superado com coragem e resiliência. É o que faz Alder Lima, fundador e CEO da Metamazon Solutions, uma startup que alia a tecnologia à construção e venda de imóveis. Conversei com ele na série de entrevistas sobre empreendedorismo quando contou de sua trajetória, das barreiras para montar o próprio negócio, do preconceito que se expressa cotidianamente no Brasil e de que como foi capaz de, a despeito de tudo isso, seguir em frente e servir de referência para outras pessoas negras e LGBTQIA+ dispostas a empreender.

Desafio: empreendedor negro e gay no setor de tecnologia 

A jornada de Alder como empreendedor se inicia em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, onde começou vendendo cocada nas ruas para ajudar sua família. Passou por Minas, Acre e Fortaleza, onde mora atualmente. Foi em São Paulo, porém, que encontrou ambiente propício para desenvolver sua ideia inovadora no campo da tecnologia — um setor em que a diversidade ainda é limitada, principalmente em cargos de liderança.

A falta de negros à frente de empresas de tecnologia leva a situações que servem para reforçar ainda mais o preconceito estrutural que existe na sociedade. Os softwares, processos e algoritmos são criados a partir de vieses raciais. É esse mecanismo que, por exemplo, impede reconhecimento facial de pessoas negras em determinados serviços ou distorce o resultado nos programs de buscas de informação:

“Enquanto a gente não tiver pessoas pretas nesses cargos de liderança, o algoritmo não contribuirá para pessoas pretas. Então, pessoas pretas precisam também estar envolvidas em projetos como esses para que a gente tenha menos chance de ser impactado dessa forma. É muito profundo! É importante ocupar espaço!” 

O empreendedorismo negro, de acordo com Alder, vai além de ideias de negócios; é um movimento para mudar realidades e quebrar paradigmas. Ele ressaltou a importância de estudar e se capacitar para se destacar em qualquer área, especialmente quando se trata de empreendedorismo. Alder também enfatizou o papel crucial da coragem na jornada empreendedora, lembrando a todos que enfrentar os medos é essencial para atingir os objetivos. Destacou projetos como o Afro Cubo, desenvolvido dentro do programa de incubadoras de startups do Itaú, que o apoiou na construção da Metamazon Solutions. 

“A gente não consegue fazer nada sozinho e para você tirar uma ideia do papel, você precisa ter essas pessoas que já passaram por isso. E sabem como funciona esse sistema. Então, ninguém consegue fazer nada sozinho. Precisa realmente de ajuda de pessoas qualificadas”.

Diversidade nas empresas: da conscientização à ação

Alder abordou o tema da diversidade no ambiente corporativo, observando que a conscientização sobre sua importância tem crescido, mas ainda há muito a ser feito. Ele mencionou o papel de instituições como o Pacto de Promoção Equidade Racial, e ações afirmativas para impulsionar a inclusão de pessoas negras em posições de liderança. Alder também falou da necessidade de empresas desenvolverem governança e estratégias para tornar as equipes mais diversas e representativas da população do país.

A experiência dele mostra bem o impacto que a diversidade oferece na ambição das pessoas negras ou que sofrem pelos demais tipos de preconceito. Conta que foi criado por seus pais em um ambiente que naturalizava aquela condição de “vassalo”. Ainda hoje, percebe o estranhamento das pessoas pelo espaço que ocupa. Como se não fosse um direito oferecer soluções, por exemplo, para o público A e B no setor de construção de prédios e venda de imóveis:

“Causa impacto porque você costuma ver que a maioria das pessoas pretas nessas construtoras estão no papel braçal, não no papel de liderança. Ontem fizeram uma pergunta: quantos donos de construtoras incorporadoras pretas você conhece? Eu particularmente, Alder Lima, nunca vi uma pessoalmente”. 

A jornada empreendedora: estudo, coragem e inovação

Alder enfatizou que a jornada empreendedora requer mais do que boas ideias: exige estudo, coragem e ação. Ele incentivou os aspirantes a empreendedores a buscar conhecimento, capacitar-se e enfrentar seus medos. Contando sua própria experiência, demonstrou a importância de ousar, fazer diferente e inovar.  Alder também compartilhou os detalhes de sua startup, a Metamazon Solutions, que opera no setor da construção civil. Ele explicou que a empresa busca transformar a maneira como os empreendimentos imobiliários são apresentados aos clientes, usando realidade virtual e inteligência artificial para proporcionar experiências imersivas e econômicas para os construtores e compradores.

“Fazer diferente hoje é você olhar o mercado, ver o que ninguém tá fazendo e você ter ousadia de buscar lacunas dentro desse espaço para você pensar: poxa, aqui existe um nicho de trabalho que eu posso fazer a diferença”.

A entrevista com Alder Lima ofereceu uma visão valiosa sobre o empreendedorismo negro, a importância da diversidade nas empresas e os elementos essenciais para construir um negócio de sucesso. Sua história de resiliência e inovação serve como um lembrete inspirador de que o empreendedorismo é uma ferramenta poderosa para a mudança e o progresso.

Assista à entrevista completa com Alder Lima, da Metamazon Solutions, no Mundo Corporativo, que tem as colaborações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen:

Mundo Corporativo: Paula Esteves, da Worklover, desvenda o universo do empreendedorismo

Paula Esteves em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“O empreendedor começa sonhando.Então, se eu não entendo o que eu posso sonhar e não identifico qual é esse sonho,  eu nem começo a empreender”

Paula Esteves, Worklovers

O empreendedorismo muitas vezes é visto como um desafio intimidador. No entanto, para Paula Esteves essa jornada representa uma tremenda oportunidade de autodescoberta e realização. Ela compartilha a visão de que, ao alinhar seu empreendimento com seu propósito de vida, os desafios se transformam em pequenas batalhas que impulsionam o crescimento. Paula,  criadora e CEO da Worklover, uma iniciativa voltada para a educação do empreendedor, foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da CBN, e destacou a mudança de mentalidade necessária, especialmente em uma cultura que muitas vezes valoriza a segurança do emprego tradicional. 

Para ela, também uma empreendedora, ao abraçar a liberdade e responsabilidade que vem com o empreendedorismo, podemos nos conectar verdadeiramente com nosso propósito.

“Empreender tem suas dificuldades, tem seus desafios, mas quando você faz aquilo que é para você, que está conectado com o seu propósito, justifica a razão pela qual você veio para cá, para essa vida. í a coisa fica diferente, aí os desafios, as dificuldades passam a ser pequenos desafios, apenas” 

O Mundo em Transformação

A sociedade está passando por transformações significativas, especialmente no mundo do trabalho. Paula observa que muitos indivíduos estão optando pelo empreendedorismo não apenas por escolha, mas também por necessidade. Isso ocorre à medida que as estruturas tradicionais de emprego se tornam menos previsíveis, levando um número crescente de pessoas a explorar suas paixões e transformá-las em negócios. Pesquisas indicam que mais da metade das pessoas que são demitidas decidem empreender por necessidade. Essa mudança de paradigma exige uma nova abordagem e planejamento, para que os empreendedores possam trilhar um caminho seguro e estruturado.

“O empreendedor não tem espaço para pouca paciência, o empreendedor não tem espaço para quem não tem foco e quer fazer mil coisas ao mesmo tempo, ele não tem espaço para quem não tem coragem e se vitimiza da sua própria vida”.

Educação Empreendedora Estruturada

Paula Esteves aborda essa lacuna educacional por meio da Worklover, oferecendo uma metodologia clara e direta para potenciais empreendedores. Seu “Método P”, baseado nos princípios de marketing de Philip Kotler, oferece uma abordagem abrangente para construir um plano de negócios sólido. Desde a definição do propósito até a construção de metas SMART (específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais), o método auxilia os empreendedores a navegar pelos desafios com confiança. Além disso, Paula enfatiza a importância de se livrar de equívocos comuns, como a antecipação de cartão de crédito, que pode prejudicar a saúde financeira dos empreendimentos.

Empreendedorismo com Propósito

Uma das lições mais profundas que podemos extrair da jornada empreendedora de Paula é a importância de alinhar nossas ações com nosso propósito pessoal. Ao refletir sobre sua própria experiência, ela percebeu que a busca por um propósito significativo é a força motriz por trás de uma jornada empreendedora bem-sucedida. Compartilhando sua paixão e conhecimento, Paula busca não apenas educar, mas também inspirar outros empreendedores a seguir seus sonhos com determinação e foco 

Paula destaca o envolvimento da Worklover em projetos sociais, como uma parceria com o G10 Favelas para capacitar e ajudar mulheres em situação de risco a empreender.

Na conversa com Paula Esteves, de desafios transformados em oportunidades a métodos educacionais estruturados, fica evidente que a jornada empreendedora exige coragem, paixão e uma abordagem cuidadosamente planejada. No entanto, ao abraçar nosso propósito e tomar as rédeas de nossas vidas, podemos trilhar um caminho de sucesso e realização.

Assista à entrevista completa com Paula Esteves, CEO da Worklover. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti:

Mundo Corporativo: Marcello Schneider, da BYD, fala de geração de emprego e preparo para o futuro sustentável

“A fabricação de um carro elétrico é mais limpa e tecnológica em comparação com os carros a combustão, o que contribui para a redução da poluição e permite produzir veículos não poluentes em maior escala.”

Marcelo Schneider, BYD

O Brasil é um país estratégico para as operações da BYD, especialmente devido à sua rica biodiversidade e ao papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas. É o que diz Marcello Schneider, diretor empresa chinesa líder mundial em veículos elétricos e soluções sustentáveis, em entrevista ao Mundo Corporativo, especial ESG, da CBN. A BYD construirá três fábricas para a produção de automóveis eletrificados, caminhões e ônibus elétricos e baterias no município de Camaçari (BA). O investimento de R$ 3 bilhões deverá gerar 5 mil empregos diretos e indiretos, conforme anúncio feito em julho. A empresa acredita que o Brasil pode se tornar um líder global em sustentabilidade.

Veículos Elétricos e a Redução das Emissões

A BYD é pioneira em veículos elétricos e investe fortemente em soluções de mobilidade sustentável. Schneider ressalta que a frota de ônibus elétricos da BYD no Brasil já superou a marca de mil unidades, contribuindo significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a empresa fornece veículos elétricos para uso urbano e de carga, impulsionando a eletrificação do transporte no país. Na entrevista, ele identifica os benefícios e os desafios na fabricação dos novos modelos de veículos:

“Vou dar o exemplo do ônibus. Uma bateria pode durar 15 anos junto com os ônibus.  Após essa aplicação para rodar com os ônibus, nós retiramos essa bateria, ela é rebalanceada e ela pode ser usada por mais 10, 15 anos em outra aplicação que são sistemas estacionários de energia. Vamos imaginar grandes containers ou até pequenos containers onnde nós vamos gerar energia através da energia do sol e armazenar”

Energia Solar e Armazenamento de Energia

A empresa também é uma das principais fornecedoras de sistemas de energia solar e armazenamento de energia no Brasil. Schneider destaca que a energia solar tem experimentado um crescimento acelerado no país, impulsionado pela busca por fontes limpas e renováveis. De acordo com o diretor da fabricante chinesa, a BYD oferece soluções completas para geração, armazenamento e gestão de energia, permitindo aos consumidores a independência energética e a redução das contas de luz.

A Transformação do Mercado de Trabalho

Marcello Schneider aborda o impacto da BYD no mercado de trabalho brasileiro. Com a expansão das operações da empresa no país, a demanda por profissionais qualificados em tecnologias sustentáveis tem aumentado. A BYD acredita na importância de capacitar a mão de obra local, criando oportunidades de emprego e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

“Nós temos já aprovados aqui pelo nosso chairman global eum investimento da ordem aí de 10 bilhões de reais até 2025, tanto para abertura de uma nova fábrica quanto também para outros projetos de expansão e desenvolvimento. Sem dúvida, a gente vai ter uma uma necessidade muito boa de contratação de mão de obra especializada e não especializada”.

Desafios e Perspectivas Futuras

O diretor da BYD compartilha os desafios enfrentados no processo de eletrificação do transporte e da adoção de energias renováveis no Brasil. Ele enfatiza a importância da parceria entre governo, empresas e sociedade civil para promover políticas públicas que incentivem a sustentabilidade e tornem viável a expansão das soluções limpas.

Marcello Schneider destaca que a BYD está comprometida em continuar inovando e oferecendo soluções sustentáveis para o Brasil e o mundo. A empresa acredita que a transição para um futuro sustentável é urgente e que cada passo dado em direção a essa transformação é fundamental para garantir um planeta mais limpo e saudável para as futuras gerações.

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen

Mundo Corporativo: Roberta Colleta, da Lwart, fala da solução ambiental para o óleo usado do motor do seu carro

Imagem do site da Lwart

“A gente precisa saber para onde esse óleo lubrificante vai, a gente precisa entender que ele é um tema da pauta ESG, que deveria estar lá em cima.  Se fala muito em ESG, mas a gente não tem falado sobre o óleo lubrificante usado”.

Roberta Colleta, Lwart

“Troca o óleo”. Você já deve ter feito este pedido inúmeras vezes ao chegar em um posto de combustível ou oficina mecânica. Fazer a troca é recomendável para a saúde do motor do seu carro. Os fabricantes sugerem que isso ocorra a cada 5 mil ou 10 mil quilômetros, conforme orientação do fabricante.

Agora, você parou para pensar o que acontece com o óleo que o profissional tira do motor? Se descartado no meio ambiente, esse produto é bastante prejudicial à sua saúde e ao meio ambiente.

O  Mundo Corporativo, na série ESG, foi saber quais são as soluções desenvolvidas no Brasil para atender a rígida legislação ambiental do país.  Nós entrevistamos Roberta Colleta, head de comunicação e marketing da Lwart Soluções Ambientais. A empresa trabalha com  rerrefino do óleo lubrificante e é líder nesse mercado é a nossa entrevistada.

Impactos Ambientais e de Saúde do Óleo Lubrificante Usado

O óleo lubrificante usado é aquele líquido preto que sai do motor de carros, motos, ônibus e máquinas. O produto pode causar danos significativos ao meio ambiente quando descartado incorretamente. Ele possui potencial para contaminar a água, o solo e o ar, causando sérios problemas ambientais. Apenas um litro de óleo usado pode contaminar até um milhão de litros de água, tornando-se uma fonte poluidora poderosa:

“Na água, um litro de óleo usado, de óleo lubrificante usado, é capaz de contaminar um milhão de litros de água. No solo, ele permeia e pode ter prejuízos para a plantação, água etc. E no ar, quando ele é queimado, gera resíduos  tóxicos, tanto para o ser humano quanto para a camada de ozônio. Então, é um tema que a gente precisa olhar com carinho”.

Rerrefino: A Solução Sustentável

A Lwart Soluções Ambientais é pioneira na técnica de rerrefino de óleo lubrificante usado no Brasil. Esse processo ocorre a partir do óleo básico extraído do petróleo, que é aditivado e se transforma em óleo lubrificante.

O óleo, após ser usado e extraído do motor do carro, é coletado pela empresa. que o refina novamente, eliminando contaminantes e transformando-o em óleo básico de alta qualidade. Esse processo leva a um ciclo completo, tornando-o uma solução ambientalmente correta e sustentável:

“Através de tecnologia, a gente consegue mudar a estrutura molecular desse óleo e transforma ele de novo em óleo básico. Então, perceba que é uma cadeia circular perfeita. Ele foi refinado. Ele foi usado. Ele foi rerrefinado. E ele volta para o mercado de novo depois de aditivado novamente como óleo lubrificante. E isso é infinito”. 

A empresa faz a coleta em cerca de 4 mil municípios brasileiros e concentra o produto em 18 centros de coleta, que são unidades armazenadoras espalhadas em diversas partes do país. O material é levado para a fábrica da Lwart em Lençóis Paulistas, interior de São Paulo. Lá é feito o processo de rerrefino do óleo lubrificante. Por ano, são rerrefinados cerca de 240 milhões de litros, segundo dados oficiais da Lwart.

Quem é responsável pela gestão do óleo usado

legislação brasileira é rigorosa em relação ao óleo lubrificante usado. A única destinação ambientalmente correta é a reciclagem por meio do rerrefino. Postos de combustível, concessionárias, oficinas e indústrias têm a obrigação legal de destinar corretamente o óleo usado para o refino.

“Os países de grandes extensões territoriais, como o Brasil, são grandes produtores de óleo lubrificante, e muitos deles também são grandes rerefinadores, mas outros países têm legislações diferentes. Então, posso citar para você, por exemplo, os Estados Unidos que permitem a queima do óleo lubrificante usado. O Brasil não permite, o que para nós é um uma grande conquista”. 

Roberta explica que de cada 10 litros de óleo coletado, sete e meio são rerefinados e voltam ao mercado de máquinas e motores. Outra parte dos resíduos desse processo vai para a indústria da construção civil como impermeabilizante e manta asfáltica. A água usada na operação passa por uma estação de tratamento e volta à natureza, ou gera vapor e alimenta a própria fábrica.

Desafios e Conscientização

Apesar da legislação e dos avanços na reciclagem, ainda existem desafios. Um dos principais é conscientizar as pessoas sobre a importância de destinar corretamente o óleo lubrificante usado. Muitos ainda não têm a consciência dos riscos ambientais desse produto e precisam ser sensibilizados para contribuir com a preservação do meio ambiente.

Além do Óleo Lubrificante

A Lwart Soluções Ambientais não se limita à coleta e rerrefino de óleo lubrificante usado, conforme explica Roberta Colleta. Há 50 anos no mercado, a empresa expandiu suas atividades para outras soluções ambientais. Hoje faz a gestão de resíduos sólidos, incluindo plástico, metal, madeira, papelão e águas contaminadas. Além disso, a Lwart investe em inovação e tecnologia, buscando soluções que agreguem valor aos resíduos e enfrentem desafios futuros.

O tema da coleta e reciclagem do óleo lubrificante usado é de suma importância para a sustentabilidade ambiental. E os resultados no Brasil são bastante positivos. Para Roberta, no entanto, a conscientização e a colaboração de todos são fundamentais para que esse esforço da coleta seja ainda mais significativo. Ela destaca que devemos lembrar que, ao cuidar do descarte adequado do óleo lubrificante, estamos zelando pelo planeta e pelas gerações futuras.

Assista à entrevista completa com Roberta Colleta, head de comunicação e marketing da Lwart Soluções Ambientais. O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Leandro Gouveia e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Samuel Campos, da Vega, mostra como a tecnologia e o compliance ambiental transformam o Agronegócio

“Quem não tiver, não acompanhar esse movimento, não vai conseguir escoar o seu produto e não vai conseguir ter acesso, nem a prêmios ou investimentos, financiamentos de bancos que têm linha de crédito verde com juros diferenciados no mercado; e para ter acesso a isso você tem que mudar o seu modelo”

Samuel Campos, Vega

O conceito de compliance ambiental abrange as práticas e o manejo agrícola, buscando entender a interação da produção do imóvel rural com aspectos ambientais relevantes, como o combate ao desmatamento, sobreposições com terras indígenas, povos e comunidades tradicionais e unidades de conservação. A implementação dessas práticas sustentáveis é essencial para que o produtor atenda aos principais protocolos internacionais, como os da União Europeia, garantindo a aplicação desse conceito em toda a cadeia de suprimentos. Sobre o tema, o Mundo Corporativo entrevistou Samuel Campos, da Vega, uma empresa que especializada em monitorar a produção agrícola e testar a sustentabilidade das práticas na cadeia produtiva do agronegócio.

Rastreabilidade e Avaliação de Fornecedores

A rastreabilidade dos produtos agrícolas é fundamental para garantir a procedência sustentável da matéria-prima. Empresas como a Vega monitoram toda a produção desde a origem até a chegada na indústria, aplicando certificações e selos de sustentabilidade que atestam a conformidade com os protocolos ambientais. A avaliação de fornecedores desempenha um papel crucial nesse processo, e muitas empresas têm regras bem definidas para aceitar ou barrar a compra de produtos com origem não sustentável.

Tecnologia e Desafios para a Sustentabilidade no Agronegócio

A tecnologia tem papel fundamental no desenvolvimento sustentável do agronegócio. Samuel explica que a Vega usa técnicas de Inteligência Artificial e Big Data para processar e analisar dados de mais de 48 milhões de hectares de terras agrícolas no Brasil, buscando formas de integrar lavoura, pecuária e floresta para otimizar a produção e reduzir emissões de CO2. Os desafios incluem a conscientização dos produtores, a regularização ambiental, o monitoramento em tempo real e a transparência de toda a cadeia produtiva.

“O produtor rural às vezes quer estar dentro de um modelo mais produtivo, mas ele não encontra ainda as alternativas de saída: como é que ele vai regularizar o seu passivo? Como é que ele vai trabalhar com o estado no programa de regularização ambiental? Como é que a gente vai trabalhar esse monitoramento dessa transição? Esse para mim é um grande desafio na conscientização e na mudança desse modelo de produção brasileira”

Potenciais Impactos Negativos e Incentivos para a Sustentabilidade

Os produtores que não se adaptarem aos protocolos de compliance ambiental podem enfrentar restrições na venda de suas commodities em mercados internacionais, reduzindo a liquidez de seus produtos, de acordo com Samuel. Por outro lado, aqueles que adotam práticas sustentáveis têm a oportunidade de receber prêmios financeiros pela sua produção, além de acesso a linhas de crédito verde com juros diferenciados. A conscientização e a transparência na cadeia de suprimentos são cruciais para que a sustentabilidade se torne um ativo e não um passivo para os produtores. Além disso, lembra Samuel, os produtores ao aplicarem em tecnologia podem ampliar a variedade de safras e melhorar a produtividade:

“A gente costuma dizer que quando a gente conseguir mudar o mindset do produtor rural, que ele pode ter uma safra, uma safrinha, uma terceira safra ambiental, conectada a rastreabilidade da produção sustentável dele, a gente vai mudar toda a cadeia”.

Samuel destaca que o agronegócio está passando por uma grande transformação, impulsionada pela tecnologia e pelo compliance ambiental. O futuro do agronegócio está na conscientização dos produtores, na transparência da cadeia produtiva e no investimento em tecnologias inovadoras que permitam uma produção mais eficiente e sustentável. O desafio é grande, mas as oportunidades para profissionais qualificados no campo da tecnologia e da inovação são igualmente promissoras.

“Hoje, o mercado ele precisa  cada vez mais pessoas que enxerguem essa visão de sustentabilidade, que tem noção dessas questões de  ESG, de compliance; e quando você traz isso munido ali de conhecimento de inovação de tecnologia, você hoje é um profissional diferenciado no mercado”. 

Assista à entrevista completa com Samuel Campos, da Vega, ao Mundo Corporativo que tem a colaboração de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Saville Alves, da Solos, mostra como estratégias de ESG e economia circular podem avançar com base na tecnologia

“O que a gente não pode perder de vista é que catador, cooperativa, não fica rico com catação. A gente precisa mudar essas relações de trabalho para que a gente possa ter empreendimentos escaláveis, e que coloquem o Brasil numa ponta de índices de reciclagem”

Saville Alves, Solos

Um dos maiores desafios quando o tema é economia circular é a conscientização do cidadão sobre o descarte correto de resíduos recicláveis. No Brasil, a taxa de reciclagem é muito baixa, cerca de 3%; e 90% do material reciclado é coletado pelos catadores, muitas vezes em condições precárias. Saville Alves, CEO da Solos, identificou esse problema e contou ao Mundo Corporativo como a criação da startup gerou oportunidade para o desenvolvimento de soluções nessa área. Ela é a primeira entrevistada de mais uma série especial sobre ESG — que trata da governança ambiental, social e corporativa.

A Solos é uma startup que trabalha com o descarte correto de resíduos recicláveis e economia circular. Além de conscientizar os cidadãos sobre a importância do descarte correto, a Solos percebeu a necessidade de criar um sistema de inclusão socioeconômica para os catadores e estabelecer parcerias com grandes indústrias recicladoras. Essa abordagem visa costurar todas as pontas da cadeia de reciclagem, desde o cidadão que faz o descarte até o reciclador que transforma o material em novos produtos, utilizando matéria-prima reciclável em vez de matéria-prima virgem.

“O nosso negócio é um negócio B2B, ou seja, ele é uma empresa que vende uma solução para outras empresas, mas a gente parte sempre da premissa da geração do impacto. Seja ela através do aumento de volume de resíduos reciclados, da geração de renda para as populações historicamente excluídas dentro desse processo, e, também, pelo número de pessoas que a gente vai alcançando e vai convertendo para participar das nossas ações”. 

A Solos atua em três frentes principais:

  • a primeira é por meio de experiências e conteúdos sustentáveis, que buscam sensibilizar e engajar o público de forma leve e lúdica.
  • A segunda frente é a gestão de resíduos em grandes eventos, oferecendo consultoria e operação logística para aumentar a quantidade de resíduos destinados à reciclagem.
  • A terceira frente é a implementação de operações de logística reversa e micrologística, garantindo o acesso ordenado e estruturado à coleta seletiva em diferentes regiões do país.

Saville Alves Alves  é uma empreendedora que teve sua trajetória marcada por vivências significativas. Ela estudou comunicação na Universidade Federal da Bahia, onde teve contato com um ambiente de pensamento crítico e começou a questionar os paradigmas sociais. Sua participação em movimentos como o Movimento Empresa Júnior e organizações internacionais, como o TETO, despertaram o desejo de fundar um negócio de impacto. A Solos foi então concebida como resultado desse processo de amadurecimento pessoal e profissional.

O Papel da Tecnologia na Reciclagem

No contexto da reciclagem, a tecnologia desempenha um papel fundamental. O Brasil tem a oportunidade de usar algoritmos e sistemas de rastreamento para trazer mais transparência e informações para a população. O lastreamento da cadeia de reciclagem, identificando a origem e o destino dos materiais, pode ser realizado por meio da tecnologia. Além disso, a automação das estações de triagem e beneficiamento contribui para aumentar a eficiência e diminuir as taxas de erro no processo.

De acordo com Saville, a Solos está explorando formas de digitalizar o processo de conscientização da população, especialmente das crianças e adolescentes, para criar um hábito sustentável desde cedo. A empresa acredita que, ao mudar os hábitos das novas gerações, teremos adultos conscientes e engajados na reciclagem. A tecnologia também desempenhará um papel importante nesse processo, permitindo a conexão de informações e a automação de diversas etapas do ciclo de reciclagem.

Dicas para Empresas interessadas na Economia Circular

Para empresas que desejam adotar práticas de economia circular, é importante começar de maneira verdadeira e identificar o que é mais sensível para o negócio. Cada empresa tem suas peculiaridades, e é essencial escolher causas alinhadas aos seus valores e setor de atuação. Inicialmente, focar em questões como resíduos, inclusão socioeconômica ou qualquer outra área relevante pode ser um bom começo. É fundamental buscar parcerias e redes confiáveis, participar de programas de aceleração e capacitação, e aproveitar as oportunidades oferecidas pela digitalização para expandir o impacto positivo.

Saiba outras formas de colaborar e investir em economia ciruclar, assistindo à entrevista completa com Saville Alves, CEO da Solos, no Mundo Corporativo, especial ESG:

O Mundo Corporativo tem as participações de Priscilla Gubiotti, Rafael Furugen, Renato Barcellos e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Luiz Fernando Lucas destaca que a integridade é responsabilidade do indivíduo

No estúdio do Mundo Corporativo com Luiz Fernando Lucas Foto: Priscila Gubiotti

“Esse é o ponto em que as empresas vão começar a se destacar contratando seres humanos mais íntegros no sentido da palavra de mais completos, de mais clareza de quem são”

Luiz Fernando Lucas, advogado

Os dilemas éticos que enfrentamos no cotidiano são nossos e devem ser solucionados por nós. Cabe a cada um fazer suas escolhas diante das diversas situações que enfrenta na sua vida pessoal e profissional. Portanto, você é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Tem de ser pautado por essa premissa, sob o risco de perder o protagonismo e a liberdade. Nada disso, tira a responsabilidade de a empresa construir um ambiente eticamente saudável, mas é preciso entender que na “hora do vamos ver” a decisão é sua. Conversei sobre estes temas com Luiz Fernando Lucas, advogado por formação, especializado no tema da ética por convicção e autor do livro “A Era da Integridade” (Editora Gente). 

“Acredito mesmo que não as empresas, mas nós como seres humanos precisamos cada vez mais voltar aos princípios, as virtudes, aos valores”.

No programa Mundo Corporativo, Luiz Fernando explicou que a integridade é a busca pela plenitude e completude, sendo congruente entre o que se fala, pensa e faz. Essa sintonia é que diferenciará cada vez mais o profissional de seus colegas e concorrentes. De verdade, já diferencia, porque, como dito na epígrafe deste texto, às empresas  estão em busca desses talentos, que deixou de ser apenas a referência para aquele que é inovador, colaborativo ou excepcional na execução da sua tarefa:  

“Estamos indo para um momento no qual mais importante do que os hard ou soft skills são as inner skills, aquelas competências que vêm de dentro,  a sua essência”.  

RHs têm de investir em indicadores de integridade

A despeito da valorização que ética, responsabilidade e integridade têm tido, Luiz Fernando diz que os departamentos de recursos humanos ainda não usam métodos capazes de identificar esses valores nos profissionais que se apresentam como candidatos. Segundo o advogado, há vários instrumentos de avaliação de perfil psicológico e de personalidade, há indicadores financeiros e de resultados, assim como sociais e ambientais, porém ainda são incipientes do de governança corporativa. 

“A proposta é quais indicadores de valores de impacto na sociedade, por exemplo, de saúde do grupo de pessoas que estão não apenas dentro da empresa, mas como que elas estão levando bons exemplos para a sociedade”.  

O autor ressalta que vivemos na “era da integridade”, e estamos vivendo um momento de ampliação da consciência humana e que é possível escolher evoluir como espécie através da integridade e consciência. Destaca a relação entre confiança, valores e felicidade, e a importância de se fazer escolhas éticas e responsáveis diante das novas tecnologias. Além disso, chama atenção para a influência que os ambientes profissionais e pessoais que vivenciamos têm na construção desses relacionamentos éticos e responsáveis:

“Se eu tenho uma conduta ética na minha vida pessoal, eu vou contribuir com aquilo no meu grupo de trabalho e se na minha empresa valoriza-se a cultura de integridade, a ética, os valores de alguma forma, eu vou levar aquilo pro meu seio familiar, para o meu pro meu convívio social. E aqueles aprendizados vão fazer refletir sobre o impacto da minhas ações e das minhas omissões como ser humano na vida”. 

Para uma reflexão mais completa sobre integridade, assista à entrevista com Luiz Fernando Lucas, ao Mundo Corporativo, programa que teve as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira,  Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Julio Campos, do Movimento Jovens do Brasil, convida você a transformar a potência da juventude em realidade

Nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“Cada vez mais é importante que a sociedade se mobilize porque é dessa forma que a gente vai transformar a potência do jovem numa realidade para o país”. 

Julio Campos, Movimento Jovens do Brasil

A população brasileira está prestes a assistir uma transformação no seu perfil demográfico. Atualmente, ainda temos uma quantidade enorme de jovens e adultos com potencial de levarem o país ao crescimento econômico e a dar um salto de qualidade. É o que os técnicos chamam de “bônus demográfico” — mais jovens e adultos do que idosos e dependentes da Previdência Social. Haverá, porém, uma queda expressiva da população e o aumento no número de idosos se acentuará — e diante dessa transição virá o “bônus demográfico”. Mais gente sendo sustentada pela Previdência, menos produzindo. 

Temos uma janela de oportunidade se fechando e será preciso investir fortemente na juventude para inserir essa população no mercado de trabalho. Esse é um dos desafios do Movimento Jovens do Brasil uma iniciativa de Luiza Helena, do Magazine Luiza, e de Julio Campus, CEO da Compra Agora, que surgiu em 2018. Entrevistado pelo Mundo Corporativo, Julio disse que a educação é o fator primordial para inclusão dos jovens, oferecendo-lhes escolhas e preparo adequado. 

“O acesso à educação e às oportunidades são fundamentais para que os jovens possam avançar em suas carreiras”.

O movimento tem como objetivo oferecer treinamento de habilidades técnicas, cognitivas, emocionais e sociais aos jovens, capacitá-los para que se tornem agentes de transformação na sociedade, conectá-los a oportunidades de trabalho e promover o diálogo entre gerações, unindo jovens e jovens por mais tempo — expressão que a instituição usa para identificar os mais velhos que se dispõem a colaborar nessa transformação.

Dentro do Movimento Jovens do Brasil, são trabalhados quatro pilares essenciais: desbravar, transformar, conectar e dialogar. Através dessas trilhas, o movimento busca fortalecer os jovens e prepará-los para o mercado de trabalho. A trilha do desbravar engloba a capacitação técnica, cognitiva e emocional. Já a trilha de ser um agente de transformação convida os jovens a exercitar um pensamento crítico sobre políticas públicas e seu papel na sociedade. O movimento também conecta os jovens às oportunidades de trabalho e cursos disponíveis. Por fim, a promoção do diálogo intergeracional fortalece tanto os jovens quanto aqueles que já têm mais experiência, incentivando a compreensão mútua.  

Júlio também destaca a importância da mobilização da sociedade em auxiliar os jovens, especialmente aqueles que vivem em áreas periféricas, a superar as barreiras e alcançar seu potencial máximo. É importante destacar que o Movimento Jovens do Brasil busca formar jovens multiplicadores, capazes de impactar positivamente suas comunidades. Através do voluntariado e do entendimento de seu papel como cidadãos, esses jovens podem devolver ao seu território as oportunidades que receberam. 

“Acho isso extremamente potente. Porque você traz gente que fala a linguagem dos seus semelhante, do seu igual, ele entende aquela realidade. Então, ninguém melhor do que ele para poder passar esse conhecimento. Então, a gente forma o jovem voluntário para que ele possa ser se agente multiplicador na sociedade.”

Para saber como participar desse projeto, seja em busca das oportunidades de conhecimento existente seja diante da possibilidade de oferecer o seu conhecimento ao movimento, visite o site jovensdobrasil.org.

Assista à entrevista completa com Julio Campos, do Movimento Jovens do Brasil, ao Mundo Corporativo que teve às participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.