Mundo Corporativo: Francisco Nogueira e Nina Campos propõem análise e diversão para simplificar as relações na empresa

Francisco e Nina em entrevista no Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“O palhaço traz essa verdade do lúdico da leveza das relações e a psicanálise traz a verdade do sujeito essa verdade que vai ser revelada a partir do inconsciente ..”

Francisco Nogueira, psicanalista

O bobo da corte era uma figura comum na corte dos reis e rainhas medievais na Europa. Acredita-se que sua origem remonte ao antigo Egito, onde havia uma classe de pessoas chamadas “bufões sagrados”, que eram responsáveis por entreter os faraós e suas famílias. Durante a Idade Média, os bobos da corte eram contratados pelas cortes reais para entreter os membros da realeza e seus convidados. Tinham, também, uma função social importante. Eram frequentemente os únicos membros da corte que tinham permissão para falar livremente com o rei ou a rainha, sem medo de represálias. Eles eram muitas vezes considerados conselheiros informais e podiam fazer sugestões ou oferecer críticas construtivas que outros membros da corte não se atreveriam a fazer.

Os “reis” corporativos – donos, CEOs e presidentes de empresas – talvez devessem buscar naquela referência do passado uma solução para enfrentar os desafios do presente. É o que se deduz a partir da experiência de Francisco Nogueira e Nina Campos, sócios da consultoria Relações Simplificadas, entrevistados no programa Mundo Corporativo. Ele é psiquiatra e psicanalista, enquanto ela é palhaça, no caso a palhaça Consuelo. Em dupla e na união do conhecimento e da arte de ambos, Francisco e Nina desenvolvem treinamentos em algumas das principais corporações do Brasil:

“Quantas coisas as pessoas gostariam de dizer umas as outras que elas não dizem. O palhaço dá essa licença. Então, quando eu estou de Consuelo em geral a conversa da equipe flui melhor e é mais direta. Todo mundo se sente autorizado de uma forma acolhedora a dizer o que está pensando”

Nina Campos

É verdade que quando o palhaço entra no palco corporativo, muitos o rejeitam porque afinal quem tem tempo a perder com … palhaçadas. Daí a importância de o trabalho ser complementar, tendo o psicanalista para promover o conteúdo e realizar intervenções e o palhaço (no caso a palhaça) para desconstruir as pessoas, com leveza e bom humor.

“Esse trabalho na medida em que traz leveza pode falar coisas que estão circulando na cabeça das pessoas e pode precipitar essa informação, trazer o não dito para a consciência”

Francisco Nogueira

A ideia de criar relações simplificadas, que está no nome da consultoria mantida por eles, é uma alternativa à utopia de se ter relações perfeitas que, diante de toda a complexidade do ambiente corporativo, se torna inalcançável. Porém, não se engane: almejar o simples não é fácil. Exige um desenvolvimento pessoal e uma sofisticação do ser: O problema é que muitas vezes não se percebe que estamos vivendo em lugares de sofrimento, haja vista que boa parte das pessoas que deparam com a pergunta sofre com andam as coisas no ambiente empresarial, a resposta que Francisco e Nina mais ouvem é que está tudo normal.

“A gente está perdendo essa capacidade de investigação do nosso mundo interno. As relações sofrem, as pessoas sofrem, a ansiedade aumenta, a depressão se agrava. E aí começamos a ter problemas muito sérios de saúde mental dentro das organizações. Isso vai impactar a organização, isso vai impactar as pessoas, isso vai impactar produtividade e todo mundo vai sofrer”

Francisco Nogueira

Na combinação de experiências, a despeito de a empresa estar ou não preocupada com a sua saúde mental e com as relações internas, Francisco recomenda que as pessoas façam análise, cuidem do seu mundo interno, porque isso organiza os pensamentos e ajuda a entender melhor o sofrimento do outro e a sair de um padrão de cobrança para um padrão de tolerância. Enquanto isso, Nina sugere que as pessoas divirtam-se:

“Brincar vai trabalhar o pensamento não linear que é o que as empresas mais estão procurando: a capacidade de inovar, a capacidade de criar, que vai fazer com que as nossas relações sejam mais inteiras e leves”.

Nina Campos

Para aprender mais com a experiência da palhaça e do psicanalista, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Rosângela Angonese vê nas mulheres o antídoto para os líderes tóxicos

Rosângela Angonese. Foto: Priscila Gubiotti

“O líder precisa saber fazer essa escuta e buscar formar um trabalho colaborativo com as pessoas da sua equipe, eu acho que essa é a essência”

Preste atenção como seus colegas chegam ao escritório. Observe o olhar deles e o ânimo que demonstram para iniciar o trabalho. Ouça como se cumprimentam, os comentários que fazem e os diálogos que travam. Aliás, perceba a si mesmo, entenda qual é o seu comportamento no ambiente de trabalho ou meça a sua disposição em sair da cama para iniciar o expediente.  Todos esses aspectos dizem muito sobre como são os líderes da sua empresa, porque é nos colaboradores e profissionais que a forma deles agirem se reflete. Se houver tristeza, olhares sem brilho, baixa autoestima, burburinho de corredor e reclamações na sala do café, tenha certeza, você está diante de uma empresa comandada por líderes tóxicos.

Apostar que os dias desses líderes estão contados é ter muita esperança na sensibilidade dos principais executivos das empresas — aqueles que têm o poder em contratar e demitir. A despeito disso, Rosângela Angonese, especialista em comportamento organizacional, se esforça para demonstrar às empresas o quão deletério é esse modelo de liderança. No programa Mundo Corporativo da CBN, a executiva apresentou algumas das ideias que ela e seu colega Ricardo Neves defendem no livro “O fim da liderança tóxica nas organizações” (Editora Neo21).

Rosângela tem estudado o tema a partir dos movimentos que ocorrem no ambiente organizacional, e quando eu perguntei para ela se já havia sido uma líder tóxica, não titubeou na resposta: sim! E explicou:

“A gente precisa demonstrar as nossas fragilidades e dizer “poxa, eu às vezes ainda sou tóxica assim”, “às vezes ainda eu piso na bola”, “às vezes eu ultrapasso o limite”, mas o o mais legal é quando a gente se dá conta disso, refazer a conversa. Eu acho que isso é uma coisa muito importante”.

Como você leu no primeiro parágrafo, os sinais do tipo de liderança que atua na sua empresa estão expressos no escritório em que você trabalha. O chefe persiste no formato comando e controle e os funcionários absorvem a tese do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Os mais talentosos e corajosos tendem a ir embora e os que ficam carregam no mau humor e desânimo, o que impacta em sua produtividade. Se tudo isso acontece porque esses líderes não mudam suas características ou são mudados pela a empresa? 

“A meu ver, a liderança tóxica, que é aquela que não ouve, também é aquela que não ouve não só as palavras mas não ouve os sinais que estão acontecendo ao seu redor, por exemplo, como que as pessoas estão chegando no trabalho, elas estão trazendo algum problema particular, alguma questão que pode estar interferindo na sua satisfação de estar ali?”.

Os tóxicos não enxergam os sinais nos seus colaboradores nem em si mesmo. Muitos, segundo Rosângela, são incapazes de se perceber dessa forma, de entender que suas emoções estão influenciando na dinâmica e no rendimento da empresa. Apesar disso, a autora acredita que o espaço para esse modelo de liderança está se reduzindo. A começar pela fuga de talentos que tem levado às empresas a abrirem os olhos para a dificuldade em reter esses profissionais mais qualificados. Depois, aqueles que assumem os postos de comando, chegam já entendendo que há um novo comportamento sendo exigido pelas equipes de trabalho. E, finalmente, Rosângela credita às mulheres outro ponto de resistência:

“Um elemento que começa a transformar (o ambiente de trabalho) é a presença de mulheres em postos de liderança. Ela pode vir para o ambiente corporativo liderando, sendo feminina, tendo esse modelo feminino. Eu acho que isso seria um grande ganho para as organizações e para toda essa discussão da transformação do modelo da liderança”.

Aos que tem interesse genuíno de mudar sua forma de agir quando ocupam cargos de chefia, Rosângela sugere que inicie por criar um ambiente colaborativo e entenda que a era do chefe sabe tudo acabou. Ninguém mais consegue ter respostas para todas as questões que surgem ou dominar o conhecimento por completo. Para promover a inovação, as empresas precisam de múltiplos conhecimentos e isto vem de diferentes ideias e pensamentos: 

“O papel do novo líder é cuidar de gente, apoiar as pessoas, mandar menos e ouvir mais, e buscar criar um ambiente de colaboração”.

Para saber mais sobre o livro “O fim das lideranças tóxicas nas empresas” e entender as novas expectativas para as relações de trabalho, assista à entrevista completa com Rosângela Angonese, no Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Rafael Furugen, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Renato Barcellos.

Mundo Corporativo: Reynaldo Naves, da Olivia, sugere narrativas disruptivas para que pessoas e empresas mudem

Reynaldo Naves no estúdio do Mundo Corporativo da CBN, em foto de Priscila Gubiotti

Falar de como a tecnologia impacta a sua vida é “chover no molhado” — perdão por usar uma expressão de uma época em que as mudanças ocorriam de forma bem mais lenta do que atualmente. Todos sabemos como nosso cotidiano, nossas relações, nosso trabalho e nossas empresas estão passando por uma enorme migração diante da transformação digital. A despeito disso, se a ideia é acompanhar esses processos toda e qualquer organização tem de focar suas ações no desenvolvimento das pessoas. Quem fez esse alerta foi Reynaldo Naves, sócio e gestor da Olivia, no Brasil, consultoria internacional especializada em transformação organizacional.

“É preciso fazer o que chamamos de ‘twin transformation’ que é fazer a transformação digital, fazer a transformação focada em sustentabilidade a partir das pessoas, porque no dia a dia, para as coisas acontecerem, é que a cultura aparece. Então, se você não tiver uma orquestração da tua visão, dos teus serviços e da tua arquitetura a cultura que se instala  pode estar desbalanceada”. 

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Reynaldo explicou que o risco de a estratégia e a cultura estarem desconectadas  é o de as pessoas não verem sentido nas mudanças e quando isso ocorre os colaboradores tendem a produzir menos e os talentos vão embora.

“Esse é o grande paradigma. A gente tem que perceber que a estratégia — esse como e onde a gente chega — não pode estar desconectada de comportamentos coerentes, consistentes e congruentes com isso”.

A proposta da Olivia, de acordo com Reynaldo, é buscar formas disruptivas nos projetos de transformação organizacional a partir da criação de narrativas inspiradoras, simples e objetivas. Para ele, a complexidade do mundo já é grande demais diante de tantas ferramentas e soluções que surgem a cada instante — ciência de dados, inteligência artificial e internet das coisas, por exemplo. É preciso identificar o que realmente é importante para a organização, sem a tentação de querer repetir fórmulas criadas para outras realidades. Na conversa que tivemos antes do programa se iniciar, Reynaldo havia comentado que uma das coisas que mais o incomoda é quando o gestor o procura e anuncia: “quero implantar a cultura do Google na minha empresa”.  Vai dar errado, diz ele! Você não é o Google!

“Cultura não se copia. E a outra coisa é que quando você tem essa narrativa a forma como você faz as pessoas vivenciarem essa mudança ela tem que ser vivencial, ela tem que ser inesquecível” 

Repetindo o ensinamento de um dos maiores especialistas em cultura organizacional, o americano Roger Connor — “change the culture, change the game”-, Reynaldo defende que as experiências implantadas nas empresas têm de ser disruptivas porque assim consegue-se mudar as crenças que mudam os comportamento que fazem com que você haja de forma diferente alcançando resultados diferentes: 

“Essa é a grande sacada do processo que é a partir das pessoas alavancar a tua estratégia e não top-down”.

Sim, é de baixo para cima, mas o líder é fundamental para que as mudanças aconteçam. Apesar de o processo ser bem estruturado para que as pessoas atuem na transformação, Reynaldo lembra que é “na última milha” que o sucesso se realiza. Um espaço que sequer tem um script, porque é o espaço do exemplo: 

“O sucesso de uma transformação é, quando um líder tem um plano na mão, o como ele faz isso, o como ele engaja ou o como ele escuta ou o como ele coloca no ar a contribuição dos outros”.

Quando tratamos de transformação organizacional não falamos apenas das grandes corporações. As mudanças se fazem necessárias em empresas de todos os tamanhos. Por isso, pedi para Reynaldo deixar sugestões a pequenos e médios empresários interessados em sobreviver ao atropelo causado pelas novas tecnologias e as mudanças de comportamento:

  1. A sua empresa é o seu exemplo: esteja conectado no comportamento que atrai clientes para crescer; crie um código de conduta; e mantenha a coerência entre o que diz que faz e o que realmente faz;
  2. Invista em tecnologia: existem soluções para pequenos negócios; invista em tecnologia de gestão da empresa para ter os dados
  3. Saiba se o cliente está satisfeito: ao fazer isso, não tome decisão sozinho, converse com o pessoal que está na linha de frente, veja se eles entendem o cliente, quais problemas que eles tem com os clientes e, a partir disso, faça as mudanças necessárias.

Para entender mais sobre como fazer as transformações no seu negócio para estar adaptado às demandas atuais, assista à entrevista completa com Reynaldo Naves, da Olivia:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: maior velocidade na transformação digital acrescentaria ao PIB mais de R$ 1 trilhão, diz Tatiana Ribeiro, do MBC

“Transformação digital é todo o processo desde a digitalização mesmo, acessos a negócios, utilização de ferramentas para isso e, também, tem todo o lado que está relacionado à mudança de cultura” 

Tatiana Ribeiro, Movimento Brasil Competitivo

A grande indústria que estuda a implantação da inteligência artificial,  a startup que nasce no ambiente virtual ou o armarinho do bairro que se relaciona com seus clientes pelo WhatsApp. Cada um a seu modo e do seu tamanho enfrenta os desafios da transformação digital, tema que motivou o Movimento Brasil Competitivo a convidar a Fundação Getúlio Vargas para estudar o impacto dessas mudanças na produtividade e no crescimento econômico. Tatiana Ribeiro, diretora executiva do movimento,  em entrevista ao Mundo Corporativo, foi quem nos apresentou o potencial que o país têm a medida que entenda a importância de criar condições para o investimento em transformação digital se acelere:

“É desafiador! A gente precisa avançar com mais velocidade, e isso poderia trazer para o Brasil um acréscimo de R$ 1,1 trilhão ao  PIB. Então, acho que isso é um indicador bastante importante para mostrar o potencial que isso tem de agregar pra economia”

A projeção tem como referência os resultados alcançados nos Estados Unidos, onde a ampliação da oferta digital nos últimos cinco anos, em média, foi de 7,1%. Aqui no Brasil, ficou em 5.7%. Ou seja teríamos de pisar fundo no acelerador. Para ficar com o pé mais no chão, a persistirem os atuais patamares brasileiros, conseguiríamos agregar coisa de R$ 300 bilhões no PIB — o que já é um bom dinheiro. 

Considerando os exemplos do primeiro parágrafo desse texto, percebe-se que a desigualdade digital brasileira se equipara a desigualdade social. Há um fosso que separa as indústrias que estão em estágios bastante avançados e outros tantos setores. A mesma FGV que atuou ao lado do Movimento Brasil Competitivo havia, anteriormente, realizado pesquisa em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial na qual mediu o nível de maturidade digital das micro e pequenas empresas: 

“Numa pontuação de até 100 pontos, elas estão ali na casa de 40 pontos. Inclusive já tem uma série histórica porque eles fizeram a mesma pesquisa em 2021 e 2022 e a evolução é muito pequena. Então, esse é um setor que a gente precisa olhar” 

Oportunidade de crescimento a vista. De emprego, também. De acordo com a pesquisa “Transformação digital, produtividade e crescimento econômico”, nos últimos cinco anos o número de empregos digitais teve crescimento de 4,9% em comparação às demais ocupações. Nem crise nem mudanças socioeconômicas foram suficientes para impedir, por exemplo, remuneração acima da média e melhor produtividade de trabalho. 

Só não avança mais porque falta gente bem preparada. Para ter ideia: a Confederação Nacional da Indústria identificou que serão abertas 700 mil vagas no setor de tecnologia até 2025. Tatiana explica que, considerando ensino profissional, técnico e superior, o Brasil forma, atualmente, apenas 50 mil pessoas por ano. Para os interessados, a dirigente sugere a presença em cursos de curta duração, de três a seis meses; o ensino técnico profissional; e, em uma terceira janela de oportunidade, a implementação do novo ensino médio que tem um itinerário formativo técnico e profissional.

A formação e a capacitação, percebendo as necessidades do mercado, com o governo interagindo localmente com o setor produtivo para entender as demandas regionais é uma das ações necessárias para que o Brasil aproveite o potencial de crescimento que a transformação digital nos oferece. Em um segundo passo é preciso trabalhar políticas estruturantes de suporte aos pequenos negócios, explica Tatiana:

“Eles são 99% das empresas do país e representam 30% da nossa economia, são responsáveis massivamente pela geração de empregos, e a gente precisa entender como apoiá-los de forma que realmente possam transformar e trazer muito mais eficiência para os negócios”.

Finalmente, há necessidade de políticas coordenadas do ponto de vista do setor público, a medida que temos uma série de atores e interlocutores que muitas vezes se sobrepõem ou duplicam esforços. Uma ação nesse sentido poderia minimizar um dos riscos que a transformação digital gera que é o abismo digital:

“A gente pensa por exemplo na conectividade. É fundamental que essa conectividade seja ampliada; que as escolas brasileiras de todo o país tenham acesso de qualidade para que os alunos possam usar isso como uma ferramenta de aprendizado”.

Para conhecer mais sobre o estudo realizado pelo Movimento Brasil Competitivo e FGV assista à entrevista completa de Tatiana Ribeiro:

O Mundo Corporativo tem as participação de Renato Barcellos, Letícia Valente, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: Julia Maggion, da Ateha, explica como negócios verdes podem fazer do Brasil uma potência regenerativa

“A gente precisa como país se apropriar desse lugar. Realmente, entender que os negócios podem ser uma ferramenta para se colocar nessa posição de uma potência regenerativa mesmo” 

Julia Maggion, Ateha
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O Brasil tem a possibilidade de se transformar em uma potência regenerativa, a partir de uma série de ações que valorizem seus principais biomas, aproveitando-se da riqueza que oferecem para desenvolver novos negócios sustentáveis. Essa não é apenas uma visão otimista do que podemos fazer no país, é realidade que se enxerga a partir de projetos que estão em andamento, alguns dos quais sob o olhar da empreendedora Julia Maggion, uma das fundadoras da Ateha, empresa criada para apoiar empreendedores com ideias de impacto para as soluções climáticas, em 2021.

Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, Julia esbanjou entusiamo ao falar do empreendedorismo verde e das possibilidades que existem no Brasil. A existência de matas nativas e biomas diversificados — Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa, Pantanal e Bioma Marinho —permite ao país a liderança desse movimento de regeneração e o surgimento de fontes de renda para comunidades locais.

Após passagem em uma série de grandes empresas e no sistema bancário, nos quais aprendeu lições importantes na área corporativa, Julia descobriu-se em projetos de impacto social e ambiental. A ideia da Ateha surgiu nesse novo momento, quando então ela se juntou a parceiros de negócios no setor financeiro: Raymundo Magliano Neto, ex-CEO da Magliano Corretora e co-fundador da Expo Money e Humberto Matsuda, co-fundador da Performa Investimentos e fundador da Matsuda Invest. Uma combinação que para ela foi perfeita: 

“A Ateha faz investimentos sementes nas empresas, mas a gente entra muito no negócio, botando a mão na massa. É o que eu gosto de fazer. Eu adoro pegar o negócio no começo, a ideia e desenvolver. E o nosso papel também é fazer a ponte com o universo do investimento, haja vista a experiência dos meus sócios”.

Os projetos de impacto ambiental e regenerativos tem inúmeros benefícios e permitem que se atue no âmbito local, entendendo os limites territoriais, as fronteiras de crescimento e as características próprias de cada população.  Da mesma forma, exigem do empreendedor visão diferente daquela que costumamos ter nas grandes empresas, em que o lucro é a meta:

“Aprender com essa lógica (a da sustentabilidade) exige desconstruir muito do que a gente aprendeu no mundo convencional dos negócios, exige a criação de um arcabouço de novos valores e, principalmente, no sentido de a gente saber trabalhar conectado, entendendo os ritmos da natureza”.

Na nossa conversa, Julia destacou que um dos negócios que estão sendo fomentados pela Ateha é o Ekuia Food Lab, um laboratório que pretende valorizar a biodiversidade da Amazônia e regenerar florestas, impulsionando negócios e fortalecendo uma nova economia com a criação de produtos alimentícios. Também em desenvolvimento está a Ateha Escola do Clima que pretende disseminar conhecimento, formando mão de obra mais bem preparada e empreendedores que tenham a visão de negócios regenerativos.

Pensar em soluções ambientais não é função apenas para empreendedores verdes ou startups que nasceram com essa intenção. É responsabilidade, também, de todas as empresas e seus líderes que precisam entender quais são os mecanismos de impacto que podem ser desenvolvidos dentro de seu negócio. Uma preocupação posta por uma das nossas ouvintes no Mundo Corporativo foi quanto ao risco de o empreendedorismo verde em lugar de proteger se transformar em explorador do meio ambiente:

“A gente precisa criar os mecanismos justamente para que isso não aconteça. Isso tem a ver com políticas públicas, com associações de empresários e de empresas que têm esse pacto de não gerar o impacto negativo. Porque como eu falei, a empresa acaba muitas vezes fazendo um projetinho que está gerando um impacto positivo, mas na sua atividade principal gera um impacto negativo absurdo. Então, a sociedade, principalmente, tem que estar muito atenta”.

Um das formas de atuar para impedir esse desvio de conduta é ter informação e conhecer os instrumentos de fiscalização e proteção ambiental. No site da Ateha existem vários documentos e artigos, disponíveis de graça, que podem ajudar você a estar mais bem informado sobre o assunto. 

Antes, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Julia Maggion, CEO e cofundadora da Ateha:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Celso de Souza e Souza diz que o líder diferenciado tem compromisso com a sociedade

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“Para você exercer influência como o objetivo do desenvolvimento humano e social, você tem que ser um ser humano exemplar, você tem que ser uma pessoa altruísta. Entender e atender as necessidades legítimas das pessoas com que você se relaciona”.

Celso de Souza e Souza, consultor

Os líderes são formados para alcançar metas econômicas, porque a cultura organizacional tem como prioridade os resultados financeiros. O problema é que se a prioridade são os números, as pessoas ficam em segundo plano. Logo elas que são as responsáveis por atingirem os objetivos tão almejados. No fim das contas, em muitos casos, até se consegue atender as exigências que estão nas planilhas, o problema é que a maior parte dos gestores não percebe o custo a ser pago. Esse cenário é draconiano e um dos maiores desafios para a implantação do conceito da liderança diferenciada, promovida pelo consultor Celso de Souza e Souza, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo:

“O resultado econômico financeiro é legítimo; é uma necessidade do acionista: mas uma organização diferenciada está comprometida com seus stakeholders. Obviamente esses stakeholders estarão comprometidos com ela e o resultado econômico financeiro acontecerá como consequência”

Autor do livro “Como ser líder diferenciado”, Celso diz ter se inspirado na ideia que surgiu no Fórum de Liderança da Unesco, de 2006, que propôs aos gestores o compromisso de implantarem nas suas empresas processos para o desenvolvimento humano e social. Naquele mesmo momento, um alerta foi disparado às organizações: o líder diferenciado era um artigo de luxo nas empresas. Mais de uma década depois, o cenário mudou pouco de acordo com Celso de Souza e Souza:

“O avanço foi muito pequeno. A toda hora nós estamos recebendo pesquisas denunciando que alguns stakeholders estão insatisfeitos no atendimento de suas necessidades legítimas. Notadamente colaboradores”.

O líder diferenciado está comprometido com o funcionário, com o cliente, com o fornecedor, com o parceiro de negócios, com a sociedade e com o meio ambiente. Seu olhar vai muito além do resultado financeiro. Deve entender e atender às necessidades dos stakeholders ou seja todos aqueles que são impactados pelas ações da empresa. Por isso, se diz que o líder diferenciado é um líder servidor. Que serve não apenas seus funcionários, mas a sociedade:

“O adjetivo diferenciado traz no seu bojo uma amplitude de atuação. O líder transcende as organizações, entra na sociedade, entra na família. O líder diferenciado que foi formado na organização, quando vai atuar como pai ou como mãe, vai exercer influência para os seus filhos, para os seus netos de uma forma extremamente diferente da tradicional, para melhor. Então, nós estamos falando uma metodologia capaz de fazer com que o mundo seja um mundo melhor:.

Para que esse método seja interiorizado na empresa, Celso não titubeia ao afirmar que depende muito do CEO ou daquele que ocupa o cargo mais alto na empresa: a chuva vem de cima para baixo, lembra o consultor. É preciso que o gestor assine um contrato psicológico no qual assume a responsabilidade de ser um agente de mudança, de ser o exemplo a ser seguido. E isso passa por adotar um manual de conduta que não apenas define o comportamento a ser realizado como as punições àqueles que não seguirem essas regras. 

“Essa política deixa muito claro quais são as responsabilidades da liderança e deixa muito claro que haverá tolerância zero para indisciplina.  Quem foi treinado para seguir o manual de liderança da empresa e não cumprir o manual sofrerá consequências”.

Usar comunicação apropriada é fundamental para uma liderança diferenciada se realizar na empresa. Mais do que isso. O carisma e a inspiração do líder têm de estar a serviço do desenvolvimento humano e social. Se não houver uma intenção altruísta, a comunicação terá efeito contrário. 

“Existem métodos e técnicas científicos para que você se comunique de uma forma adequada. Tudo isso existe. Métodos são os críticos. Você tem que descobrir onde estão esses escritos. Têm de ser científicos. E você tem que exercitá-los com frequência, tem que pratica-los. Aí você vai se transformar em um comunicador diferenciado. Então, a partir de uma comunicação eficaz, uma comunicação não violenta você consegue influenciar, você consegue fazer com que ele tenha o desempenho que você gostaria que ele tivesse”.

Para entender mais como funciona a metodologia do líder diferenciado, desenvolvida por Celso de Souza e Souza, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Kelly Carvalho, da FecomercioSP, aponta riscos e oportunidades do ChatGPT

Kelly Carvalho entrevistada no Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“O empresário que não se adaptar a essa nova tecnologia, não acompanhar essas tendências do mercado com certeza vai ter os seus dias contados porque a concorrência vai fazer”

Kelly Carvalho, FecomercioSP

Era fim de novembro de 2022 quando a empresa americana de tecnologia OpenAI lançou o ChatGPT, um chatbot com inteligência artificial especializado em conversação. Em cinco dias, havia mais de um milhão de usuários explorando as múltiplas possibilidade do serviço que pode ser usado gratuitamente, apesar de já ter versões pagas com mais funcionalidade. Hoje, não há qualquer risco em afirmar que o ChatGPT virou sinônimo de inteligência artificial (e se houver, assumo esse risco). 

Se nós, meros usuários da tecnologia, ainda aproveitamos a ferramenta da OpenAI para perguntas banais e até algumas brincadeiras típicas da 5a série ( -“ChatGPT, você conhece o Mário?”; -“Que Mário”), profissionais, empresas e organizações têm investido tempo e dinheiro para entender como tirar o maior proveito da inteligência artificial que se tornou muito mais acessível. A Fecomercio de São Paulo foi uma dessas instituições. Fez um relatório para orientar pequenos e médios comerciantes, neste momento em que os riscos e as oportunidades do ChatGPT ainda estão sendo mais bem avaliados.

No programa Mundo Corporativo da CBN, Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, antecipou o resultado deste trabalho e  elencou uma série de utilidades que o investimento no ChatGPT e seus assemelhados pode levar aos negócios do comércio. Ela participou, do Web Summit Lisboa 2022, considerada a maior conferência da Europa em tecnologia, quando uma das tendências apontadas tratava da inteligência artificial, principalmente no que diz respeito a se ter uma ferramenta digital cada vez mais intuitiva e conversacional. 

“Hoje, nós temos o WhatsApp, temos alguns chats em alguns canais de comércio eletrônico e esses chats tradicionais funcionam de uma forma muito robotizada de fato … O ChatGPT consegue ter acesso e proporcionar todas as informações possíveis para esse consumidor de uma forma muito mais otimizada e muito mais rápida”

Para aproveitar os benefícios da inteligência artificial, os comerciantes terão de fazer investimento em tecnologia. Aqueles que mantém equipes próprias conseguirão desenvolver melhor o serviço e com custos menores. Por outro lado, quem ainda não se preocupou com o tema da digitalização do seu negócio, terá de recorrer a consultorias tecnológicas para se adaptar a essas mudanças. É importante fazer pesquisa de mercado para se evitar desperdício em relação ao dinheiro investido e às suas necessidades.

Kelly disse que ainda não é posssível precisar quanto custará para os pequenos e médios comerciantes usufruirem as funcionalidades do ChatGPT e afins. A versão paga do chatbot da OpenAi é de US$ 20 mensais, pouco mais de R$ 100 por mês, e permite que se use o ChatGPT mesmo com alta demanda e se tenha respostas mais rápidas, além de receber acesso prioritário para novos recursos e atualizações. Porém, a ideia é que o empreendedor aproveite a inteligência artificial de forma muito mais profunda:

“Muito importante é que essa plataforma  pode até mesmo colaborar na redução de custos. Porque a partir do momento que você faz uma automação das atividades, principalmente atividades rotineiras, como emissão de relatórios  ou a questão do perfil do consumidor, você pode realocar aqueles profissionais para outras áreas da empresa e aumentar a própria produtividade”.

No relatório da FecomercioSP, foram identificadas algumas utilidades para o ChatGPT e a inteligência artificial:

Usar como assistente virtual para atendimento ao cliente, fornecendo informações rápidas e precisas, sem a necessidade de contratar ou treinar funcionários. 

Ajudar na automação de tarefas repetitivas, como lidar com solicitações e consultas de clientes, produzir relatórios e realizar promoções sem mídias sociais, criando materiais de marketing.

Processar grande quantidade de dados, permitindo que a empresa tome melhores decisões baseadas em “insights” gerados por meio desses dados.

Para o consumidor, o ChatGPT oferece a conveniência de obter informações e soluções de forma rápida e eficiente, sem ter de aguardar por uma resposta humana ou navegar por menus  complicados de atendimento telefônico. Podendo ainda fornecer informações personalizadas com base nas interações anteriores desse consumidor 

“Então, a gente tem aqui um bom momento para adaptar as operações na empresa, melhorando toda a jornada de compra do consumidor e conseguindo fidelizar esse consumidor”.

Como toda a tecnologia, é preciso que se tenha cuidados essenciais como a atualização das informações disponíveis ao consumidor, a veracidade dessas informações, o acesso simplificado à ferramenta na plataforma digital da empresa e a preservação dos dados desse cliente — as inteligências artificiais que conversam com humanos podem coletar e armazenar informações pessoais, um perigo se caírem em mãos erradas. 

O ChatGPT também tem limitações de compreensão, como destaca o relatório da FecomercioSP. Embora tenha conhecimento amplo, a ferramenta ainda tem limitações na interpretação de contexto e nuances humanas; pode não ter julgamento moral e ético, respondendo a perguntas impróprias, ofensivas e discriminatórias; e por ter sido treinado com base em dados da internet pode reproduzir informações incorretas e desatualizadas.

Para os comerciantes e demais empreendedores interessados no uso da inteligência artificial no seu negócio, Kelly Carvalho recomenda que se preste atenção nas discussões sobre a regulamentação dessa tecnologia no Brasil, procure saber quais são as empresas capacitadas a fazer a integração dos diversos sistemas do empreendimento e avalie o investimento necessário, planejando melhor seu orçamento:

“… porque como eu mencionei, o concorrente vai fazer e você pode perder espaço”.

Assista à entrevista completa com Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, ao programa Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: para Mariam Topeshashvilli, da LTK, é preciso ir “um pouco além do entendimento das coisas”

“Liderar pessoas parte do pressuposto de que você consegue ser muito transparente com relação ao que você está sentindo mas também ser muito humilde para entender e receber feedbacks do seu time”

Mariam Topeshashvilli, LTK América Latina

Foi para o Brasil que vieram na condição de refugiados os pais de Mariam, uma menina de apenas quatro anos, nascida na Georgia, país que faz fronteira com a Rússia e do qual ela tem poucas lembranças. Sabe mais pelo que o pai, cientista político, e a mãe, enfermeira, contam e pelos registros que fazem parte da história desta nação de cerca de  3,7 milhões de habitantes,  marcada por uma série de conflitos externos e internos.

Sem que os diplomas conquistados no país de origem fossem validados no Brasil, os pais tiveram de se virar do jeito que podiam. Seu Avtandil foi vender cerveja em lata na praia de Copacabana, no Rio. Mariam acompanhava o pai e não se contentava em observar o trabalho dele. Usava de sua desenvoltura para atrair os clientes, dando, sem que soubesse ainda, o primeiro passo em uma carreira vitoriosa de empreendedora e aprendendo lições que seriam aplicadas mais à frente: 

“O principal ponto (que aprendi) é ficar muito perto do seu cliente e entender o máximo possível todas as dores ou os momentos de consumo ideais e, realmente, conseguir conversar e ter esse diálogo. Eu olhava muito para o meu pai como uma inspiração de pessoa que tenta entender o seu redor”.

Escrevi no parágrafo anterior que ela tem uma carreira vitoriosa. Eu sei que pode parecer precipitado considerando que Mariam ainda é muito jovem, 26 anos, mas convenhamos: ter conseguido, com os pais, recomeçar uma vida aqui no Brasil depois de tudo que enfrentaram na Georgia já é uma baita conquista. A história dela não para por aí. Na crença de que a educação é transformadora, foi matriculada no Colégio Pedro II, escola federal das mais renomadas no Rio de Janeiro, participou de olimpíadas de matemática, química e história, fez trabalhos voluntários, aprendeu cinco línguas e formou-se em ciências sociais na Universidade de Harvard. 

“Eu acho que eu entendi muito cedo a importância das diferenças culturais, em conseguir construir algo ainda maior. Meio que um mais um não é dois é muito mais do que dois. Você consegue realmente enxergar muito além do que só uma cultura te entregaria ou só a outra te entregaria. Então, essa junção de culturas para mim foi muito importante. Me deu essa visão de sempre tentar ir um pouco além do entendimento das coisas”.

Em cada uma das etapas, Mariam foi construindo sua personalidade e amadurecendo além do seu tempo. Trabalhou na Ambev e The Kraft Heinz Company, e se realizou como empreendedora ao criar a Avocado que entregava com agilidade produtos de maternidade, ajudando mães de filhos recém-nascidos, investindo no modelo de dark stores — centros de distribuição que atendem às compras online. Os resultados foram tão positivos que a empresa foi comprada pela Rappi, durante a pandemida, em 2020, onde Mariam assumiu um posto de direção. 

Mariam Topeshashvilli, entrevistada do programa Mundo Corporativo, recentemente assumiu o cargo de líder da LTK América Latina, uma plataforma de marketing digital que conecta marcas a influenciadores. E leva para a empresa aquilo que ela própria define como sendo suas características de empreendedora: 

“Acho que o principal é questionar. Então, eu gosto muito de questionar as coisas. Eu não necessariamente aceito as respostas, por exemplo, que o meu time dá. Eu sempre gosto de questionar e tentar entender se de fato aquilo está fazendo sentido. E obviamente perseverança. Não aceitar as barreiras que a vida impõe para você. Eu acho que tudo tem um jeito, talvez não seja o jeito que você visualiza mas você consegue chegar lá de outra forma, por outro caminho. Além disso, humildade pra saber que nem sempre você está certa e tentar o máximo possível ouvir as outras pessoas”.

Na LTK, a ideia é potencializar a capacidade de criadores de conteúdo e permitir que cresçam como influenciadores, e oferecer às marcas aqueles que têm maiores possibilidades de conversão de vendas. Escrevi no masculino, mas deveria ter feito no feminino, até porque a maior parte do público que passa pela plataforma da LTK, atualmente, é formada por mulheres. Geralmente meninas que não precisam ter um turbilhão de seguidoras — a partir de quatro a cinco mil seguidores e você já pode ser identificada como uma influenciadora —, porque o importante não é o número de quantos as seguem, mas, sim, de quantos ou quantas elas influenciam. 

“Você (para ser influenciadora)  precisa da confiança da sua base para converter em vendas”.

Se ficou interessada ou interessado — já que a Mariam disse que homens são bem-vindos na plataforma — a recomendação é que você visite o site da LTK ou faça contato com a empresa pelo Instagram @LTK.brasil . Lembre-se, é preciso também planejar sua presença nas redes sociais, desenvolvendo conteúdo de interesse do público. Não é fácil, não!

A entrevista completa com a Mariam Topeshashvilli, da LTK América Latina, é bem mais inspiradora do que esse texto aqui, por mais que eu me esforce para ser um influenciador do meu jeito (não, não vou aceitar o convite dela para me inscrever na plataforma, porque jornalistas não devem ou não deveriam vender produtos). Por isso, convido você à assistir ao vídeo completo com a Mariam que está publicado em seguida. Tenho certeza que você terá muito a aprender sobre empreendedorismo, marketing digital e liderança feminina:

O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo:  sete atitudes para superar o etarismo nas empresas

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“Não confie em ninguém com mais de trinta anos
Não confie em ninguém com mais de trinta cruzeiros
O professor tem mais de trinta conselhos
Mas ele tem mais de trinta, oh mais de trinta
Oh mais de trinta, oh mais de trinta”

Marcos Valle. ‘Com mais de 30’

É assustador! Em uma sociedade cada vez mais longeva a ansiedade por uma ascensão profissional surge cada vez mais cedo. Jovens de 30 anos – sim, ainda são jovens, no meu ponto de vista – se revelaram preocupados por não terem alcançado cargos de gestão e liderança e duvidam que os alcancem após os 35. Esse foi o resultado de uma pesquisa realizada pela Talento Sênior, Vagas.com e Colettivo, em agosto do ano passado, com a participação de 252 profissionais de recursos humanos.

No programa Mundo Corporativo, Cris Sabbag, CDO da Talento Sênior, analisou essa contradição e apresentou soluções para incluir as empresas e seus profissionais no combate ao etarismo — o preconceito com a idade:

“Primeiro as empresas precisam olhar a sua fotografia e entender onde estão e onde querem chegar.  E importante: não vai fazer isso porque é boazinha! Nenhuma empresa faz isso! Pode parar! A empresa faz porque tem consciência. E aí quando tem consciência, vai atrelar essa política esse programa com as estratégias dela”.

Empresas que não se dedicam a combater o etarismo tendem a desperdiçar talento e conhecimento. Profissionais mais experientes que detém informações estratégicas do setor em que atuam ao serem dispensados levam sua experiência embora e os jovens que permanecem perdem o acesso àquele conhecimento. 

“Se a informação está na cabeça de uma pessoa e essa pessoa foi desligada porque simplesmente fez 50 anos, ela está levando um monte de coisas que o profissional jovem não vai ter onde achar”

Além do etarismo institucional —- aquele que parte da própria empresa —, esse tipo de preconceito também ocorre entre os colegas de trabalho e de forma autodirigida, ou seja, a própria pessoa começa a se ver incapaz de novas conquistas e têm medo de chegar aos 40 anos.  

“O etarismo vai acontecendo no dia a dia do mundo corporativo. Começa a acontecer quando a empresa passa a classificar o seu colaborador pela idade e o cerceando de determinadas ações, por exemplo, de capacitação”.

Expressões como “ele é um dinossauro”, “isso não dá mais pra ele” ou “pra ele é difícil aprender coisas novas” são ouvidas com frequência no ambiente de trabalho e contaminam as relações e a confiança dos profissionais mais maduros. Cris comenta que de tanto serem repetidas a própria pessoa passa a aceitar essa situação e cria limites para o seu desenvolvimento.

A Talento Sênior se dedica a incluir os profissionais 45+ em empresas dos mais diversos portes e tem como meta impulsionar o mercado usando novos modelos de contratação. A pedido do Mundo Corporativo, Cris Sabbag elencou sete atitudes que as empresas esperam dos ‘talentos seniores”:  

  1. Entender o mundo fora das grandes corporações: o mercado aponta novas oportunidades para profissionais maduros fora das grandes corporações. Para entendê-las é preciso se atualizar sobre novas práticas e tendências do mercado em geral. Cursos que trazem temas atuais, acompanhar estudiosos futuristas, novas tecnologias, metodologias, novos processos e profissões são indicados. Manter-se atualizado é um ‘passaporte carimbado’ para conquistar novas experiências de trabalho
  2. Saber trabalhar com dados: sabemos que hoje em dia os dados são valores estratégicos para as empresas. Entender e saber interpretá-los é um diferencial importante e bem avaliado pelas empresas; 
  3. Identificar suas soft skills: tão importante quanto saber quais são as habilidades comportamentais que incluem pensamento crítico, comunicação, letramento digital, multitarefas, alteridade, dinamismo, intraempreendorismo entre outras, o profissional sênior deve identificar quais são as suas principais soft skills e ainda buscar constantemente se desenvolver em cada uma delas.
  4. Usar seu conhecimento tácito: reconhecer o próprio capital humano (habilidades, experiências e conhecimentos) e quão bem você consegue alavancar esses seus atributos. Mesmo sendo esse tipo de conhecimento mais difícil de ser formalizado e transmitido às outras pessoas, ainda assim é importante não só saber aplicá-los no dia a dia, mas como criar os nexos entre os desafios, pois dele podem surgir futuras inovações;
  5. Aceitar a nova ordem das coisas: é preciso estar atualizado sobre as transformações sociais para conseguir trabalhar com outras gerações. Mudar o ultrapassado conceito de “competição” para o de “construção” e “colaboração”. Um bom exercício é ler livros que nunca imaginou ler ou assistir a programas diferentes daqueles que está acostumado. “Mudar de canal” é importante para entender as transformações do mundo.  
  6. Participar de processos seletivos cada vez mais digitais: a tecnologia pode e deve ser usada para expandir possibilidades e crescimento. O fato de um processo seletivo ser digital não deveria tornar nenhum candidato invisível. Caso isso aconteça, significa que a marca ou a empresa desenvolveu códigos enviesados e precisa reescrevê-los. É preciso usar as ferramentas a seu favor e saber se posicionar. Não descuide de seus perfis nas redes sociais e faça deles uma vitrine do seu conhecimento.
  7. Conhecer novos modelos de contrato e rotina de trabalho independente: é preciso entender sobre os direitos e deveres nos novos modelos de trabalho. Flexibilidade, trabalho híbrido, home office, autonomia, são todas possibilidades reais de ganhos para além da CLT. Se bem planejado, os novos modelos já aprovados em lei, podem ser ótimas opções para o profissional e a marca empregadora.

Em relação a tecnologias que são usadas com maior frequência pelas empresas e precisam ser dominadas pelos profissionais, a Talento Sênior listou ao menos 12 delas. É bem provável que existam outras surgindo a todo o momento e não há desculpa para desconhecê-las, pois geralmente essas informações estão disponíveis a uma simples busca no Google ou no Bing:

Discord 

Slack

WhatsApp

Microsoft Teams

Google Meet

Zoom

WhereBy

Trello

Google Drive

One Drive

Calendly

Redes de pesquisa

Ouça aqui o PODCAST do Mundo Corporativo com Cris Sabbag, CDO da Talento Sênior

O Mundo Corporativo tem participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Mara Leme Martins, do BNI, ensina empresários a construir relacionamentos antes de fechar negócios

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“Eu costumo dizer que o networking é uma maratona não é uma corrida de 100 metros” 

Mara Leme Martins, BNI Brasil

Há muito tempo que a construção de relacionamentos profissionais e de negócios vão além da troca de cartões de visita. Não que essa prática tenha sido deixada de lado, haja vista o surgimento de novos modelos de cartões que surgiram no mercado permitindo que  troca de contatos possa ser feita por meios eletrônicos, com o uso de QR code, por exemplo. O fato é que ainda existem pessoas que resumem sua estratégia de networking a esse hábito que provavelmente foi criado pelos chineses no século XV — eles desenvolveram cartões telefônicos e entregavam às pessoas que tinham a intenção de visitar.

Diante da complexidade dos relacionamentos e da diversidade de contatos que se tem à disposição, ficou evidente que a prática de networking precisa ser planejada e repensada, a começar por se afastar a ideia de que o negócio é só fechar negócio — com o perdão do jogo de palavras. No Mundo Corporativo, da CBN, Mara Leme Martins, vice-presidente do BNI Brasil — Business Networking International mostra a executivos que a missão que têm é muito maior:

“Acho que um grande erro é focar só na parte do business, na parte de negócios; ou seja, fez um negócio: “próximo, por favor, próximo, porque  eu preciso vender mais, enfim, eu tenho metas”. Isso é pobre para o ser humano, isso não satisfaz”.

O BNI se dedica a criar oportunidade para que empresários façam networking, compartilhem contatos e referências de negócios, a partir de encontros presenciais e implantação de metodologia própria. Além disso, oferece cursos e treinamentos com o objetivo de ajudar a desenvolver habilidades relacionais e confiança. Essa, aliás, é palavra-chave, segundo Mara:

“Sobre relacionamento, eu poderia falar várias coisas, mas eu vou pontuar na confiança. Os relacionamentos se formam de maneira ocasional, os relacionamentos de trabalho, etc, mas ele se firmam na questão da confiança”.

Para que a confiança surja, a recomendação é que não se entre diretamente no modo de vendas, pulando etapas importantes como a da criação de visibilidade e credibilidade. É preciso considerar ainda o que Mara chama de “efeito borboleta”: a possibilidade de um contato —- sem interesse comercial — levar a outros que podem se transformar no fim das contas em um grande negócio. Ter consciência de que a velocidade com que as coisas acontecem atualmente não pode ser justificativa para a criação de relações fugazes também é importante:

“Nós somos agricultores, não somos caçadores. A confiança, traçando um paralelo, se faz através de uma agricultura … o agricultor vai cultivando, vai cuidando da terra. Tem o tempo de espera”.

De acordo com vice-presidente do BNI Brasil, jamais devemos perder a perspectiva de que, a despeito de os empresário representarem empresas, a negociação é entre pessoas: 

“Os princípios do ser humano — lealdade, afetividade, solidariedade — é isso que, daqui a algum tempo, vai sobrar”

Para entender as estratégias que podem ser usadas para a construção de relacionamentos confiáveis, assista à entrevista completa de Mara Leme Martins, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.