Mundo Corporativo: Roberto Valério, da Cogna, fala do uso estratégico da inteligência artificial na educação

Entrevista no estúdio de podcast da CBN com Roberto Valério Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Se eu não conheço os processos, não consigo tomar decisões para tornar minha organização mais competitiva.”
Roberto Valério, Cogna

A inteligência artificial está mudando o modo como se aprende — e também como se ensina. Em um país marcado por desigualdades de acesso à educação e com enormes desafios na retenção e no engajamento dos alunos, a personalização do aprendizado por meio da IA deixou de ser uma promessa distante para se tornar um projeto em curso em larga escala. A maior prova disso vem de dentro da maior empresa de educação do Brasil. Esse é o tema da entrevista com Roberto Valério, CEO da Cogna Educação, no programa Mundo Corporativo.

Do hype à implantação

Em março de 2023, Valério esteve no South by Southwest, em Austin, nos Estados Unidos. A efervescência em torno da inteligência artificial generativa o fez voltar com um alerta: “Apesar de atentos, estávamos lentos”. A partir dali, liderou um processo de capacitação interna e redesenho de processos com foco na aplicação da IA. “Fizemos um mapeamento dos mais de 1.500 processos da empresa para entender onde aplicar com mais eficiência a tecnologia”, relatou.

Segundo ele, a IA só é produtiva quando usada com clareza de propósito. “O uso da inteligência artificial só pode ser feito se o executivo ou líder conhecer os seus processos”, enfatizou. Ao aplicar essa lógica, a Cogna criou um “marketplace interno” com mais de 120 agentes de IA em funcionamento — metade voltados à operação, 30% à educação e o restante a novos negócios.

Educação personalizada em escala

A grande aposta da empresa é na personalização da aprendizagem. “Se conseguirmos fazer com que a inteligência artificial construa esse modelo de forma que o tempo das pessoas seja produtivo, cada hora de estudo será realmente útil para aquele aluno”, afirmou. Essa abordagem se concretiza em ferramentas como a Plu, agente de IA da plataforma Plural, que auxilia professores na montagem de aulas e alunos na construção do raciocínio, sem fornecer respostas diretas.

No ensino superior, a IA atua de forma semelhante. “Se o aluno de engenharia tem dificuldade em cálculo 1, o sistema identifica que a origem da dúvida está no ensino médio e oferece, naquele momento, uma revisão contextualizada”, explicou Valério. A medida tem dado resultado: alunos que utilizam a ferramenta com regularidade têm desempenho acima da média da turma.

Riscos e cuidados

Implantar IA em empresas e escolas exige estrutura. “A tecnologia está disponível, mas para funcionar bem é preciso uma base de conhecimento organizada e medidas de segurança”, alertou o CEO. A Cogna evita, por exemplo, que conteúdos sensíveis apareçam nas respostas, e adota uma política rígida para evitar o risco de “alucinações” dos agentes.

Além disso, o executivo destacou o risco da automatização sem supervisão: “Criar com IA e publicar sem revisar é uma armadilha. Nenhuma empresa pode abrir mão da gestão de qualidade do que entrega”.

A preparação das equipes também foi um ponto central da transição. “Começamos com dois ou três entusiastas internos e, a partir deles, construímos um programa de letramento em inteligência artificial com consultorias e encontros semanais para debater aplicações e estrutura de execução”, contou.

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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Alfredo Cardoso, da Valsa Saúde, fala do desafio de equilibrar tecnologia e humanidade na saúde

Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“No final do dia, são pessoas cuidando de pessoas.”

Alfredo Cardoso, Valsa Saúde

A inteligência artificial avança, as tecnologias médicas se sofisticam, mas nada disso faz sentido se o cuidado com o paciente perder o vínculo humano. Esta é a convicção de Alfredo Cardoso, CEO do grupo Valsa Saúde, que defende uma gestão baseada em compaixão, escuta e personalização no atendimento em saúde. O tema foi tratado na entrevista ao programa Mundo Corporativo, que foi ao ar na CBN.

“Temos uma estrutura hospitalar desenhada para o pior cenário, mas a maioria dos pacientes precisa de cuidado contínuo e preventivo fora do hospital”, explica Alfredo. Com esse diagnóstico, o grupo Valsa Saúde passou a atuar em cuidados pré e pós-hospitalares e reabilitação, monitorando mais de 5 mil pacientes com doenças crônicas. O modelo busca atender precocemente, reduzir custos e melhorar a qualidade de vida, com médicos generalistas, clínicas especializadas e um hospital voltado para reabilitação.

Humanização como estratégia

A tecnologia, para Alfredo, deve ser ferramenta e não substituição: “Se o médico faz o diagnóstico mais rápido com ajuda da IA, o que ele faz com o tempo que sobra? Deve escutar o paciente”. Ele critica a massificação e lembra que o paciente “representa 100% da sua própria estatística”.

Alfredo alerta para o risco de os avanços servirem apenas para aumentar a produtividade: “O desafio é que a tecnologia aproxime, e não afaste o profissional de saúde do paciente”. No grupo Valsa, a agenda médica não é comprimida por metas rígidas. “Deixamos que o médico determine quanto tempo precisa para cada paciente”, afirma.

Ouvir, explicar, consentir

Para Alfredo, o tratamento humanizado exige também uma comunicação clara e transparente com o paciente. “O procedimento consentido é uma boa prática. Não basta o profissional dizer o que será feito. O paciente precisa entender, confiar e aceitar.” O CEO do grupo Valsa defende uma escuta ativa também na gestão: “Verdades absolutas em saúde não existem. Estamos sempre aprendendo. É preciso ouvir as necessidades do outro”.

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Mundo Corporativo: André Carneiro, da Sophos, alerta para vulnerabilidade digital das empresas brasileiras

André Carneiro no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN

“Quem não monitora a empresa 24 horas por 7 dias, está vulnerável a tomar um ataque.”

André Carneiro, Sophos

O Brasil lidera a classificação global de empresas que mais pagam resgate após sofrerem ataques cibernéticos. Um dado que revela não apenas a fragilidade dos sistemas de segurança corporativa, mas também uma cultura de reação tardia frente ao avanço do crime digital. O alerta é do diretor geral da Sophos no Brasil, André Carneiro, convidado do programa Mundo Corporativo.

Durante a entrevista, Carneiro apontou que 58% das empresas brasileiras atacadas nos últimos anos optaram por pagar o resgate exigido por criminosos virtuais. “Quando uma empresa toma um ataque, ela fica 1, 2, 30 dias sem operar. Isso leva ao desespero do board executivo, que acaba pagando”, afirmou. A consequência direta desse comportamento é o estímulo a novos ataques. “O criminoso percebe que, se atacar aqui, tem boa chance de retorno financeiro.”

Segurança negligenciada

Segundo Carneiro, muitas empresas ainda tratam segurança como gasto, e não como parte do negócio. “Imagina um time de futebol. Ele quer ter muito atacante, mas não está nem aí para quem vai catar no gol”, comparou. O resultado são organizações com sistemas frágeis, expostas a invasões que usam desde e-mails com links maliciosos até a exploração de falhas em firewalls.

Carneiro também criticou a falta de transparência no Brasil quando o assunto são incidentes de segurança. “O brasileiro não gosta de admitir que foi atacado. Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma cultura de reportar falhas para aprender com elas.”

Prevenção e cultura digital

Para o especialista, a conscientização começa antes mesmo do ambiente corporativo. “Quisera eu que um dia as escolas ensinassem o que é clicar num link incorreto e o quanto isso pode prejudicar uma pessoa ou empresa.” Além da educação digital, ele destaca a importância de monitoramento constante com uso de inteligência artificial e ferramentas que antecipem os movimentos dos atacantes.

“Hoje, o crime virtual é mais lucrativo que o tráfico de drogas. O cybercrime já movimenta valores maiores que o PIB de muitos países”, afirmou Carneiro, ao destacar a sofisticação e globalização desses grupos, muitos deles baseados na deep web, com estrutura empresarial e atuação descentralizada.

Mesmo diante de casos extremos, pagar o resgate não é garantia de solução. “Já vi empresa pagar dois milhões, e depois o criminoso pedir mais dois. E se a empresa não pagar? O prejuízo dobra.”

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Mundo Corporativo: Carol Dias, da Kraft Heinz, propõe um novo modelo de líderes

Carol Dias na gravação online do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A gente precisa aprender, reaprender para aprender de novo.”

Carol Dias, Kraft Heinz

A imagem do líder como alguém focado apenas em números, prazos e metas já não se sustenta nas grandes organizações. O que tem ganhado espaço, segundo Carol Dias, diretora de People & Performance da Kraft Heinz Brasil, é um novo modelo de liderança: mais conectado com as pessoas, aberto ao diálogo e consciente de seu papel no desenvolvimento humano.

Liderar é inspirar, não apenas gerir

Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Carol defende que, embora a gestão continue sendo necessária, o verdadeiro papel do líder está na capacidade de impulsionar pessoas. “Você convida as pessoas a fazerem a gestão junto com você, mas o seu foco tem que ser muito mais na conversa, em como impulsionar os outros a pensarem diferente.”

Esse novo líder precisa desenvolver competências socioemocionais, como presença, atitude e resiliência. “Não dá mais para separar a pessoa que está em casa daquela que está no trabalho”, diz Carol, ao apontar a importância da autenticidade no ambiente corporativo.

A Kraft Heinz tem apostado em três pilares para construir esse perfil de liderança: mentorias estruturadas, projetos de autoconhecimento e repertório ampliado por meio de experiências diversas. “É difícil exigir de uma liderança algo que ela ainda não tem. Por isso, é preciso oferecer suporte, formação e espaço para crescimento.”

A Amazônia como sala de aula

Um dos exemplos marcantes trazidos por Carol foi o projeto Liderança do Futuro, que levou executivos da empresa para uma imersão de cinco dias na Amazônia. O objetivo não era apenas desconectar do cotidiano — mas reconectar-se com a própria humanidade. “Você sai do WhatsApp, do e-mail e passa a se observar, a entender como se comunica e como se relaciona com o outro”, contou.

Segundo ela, essa vivência fortaleceu o pilar do autoconhecimento e ofereceu uma nova perspectiva sobre o papel da liderança no mundo. “A gente começou a perguntar: você é líder só da sua equipe ou também da sua família, dos seus amigos, da sociedade?”

Diversidade, tecnologia e o desafio de ser mais humano

Na conversa, Carol também abordou o compromisso com diversidade e inclusão. “Ter diversidade sem inclusão não basta. É preciso letramento, representatividade e políticas claras desde o processo de recrutamento.” Para ela, diversidade é um caminho para a performance: “Você só consegue provocar e inovar quando convive com o diferente.”

Outro ponto discutido foi o papel da inteligência artificial nas estratégias corporativas. Carol vê a tecnologia como aliada: “Ela vai liberar tempo para que possamos ter outro tipo de conversa — mais humana e mais estratégica. O desafio não é a IA. O desafio é o que vamos fazer com esse tempo que ela nos devolve.”

Ao final, deixou um recado direto aos jovens que ingressam no mercado: “Não se distraiam achando que já sabem tudo. Tenham humildade cognitiva para estar sempre curiosos e a disciplina para aprender algo novo.”

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Mundo Corporativo: para Luiz Alberto Ferla, do Dot Digital Group, a educação digital é uma aceleradora de pessoas

Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Precisamos acelerar as pessoas também para que elas se desenvolvam e estejam preparadas para todas essas transformações.”

Luiz Alberto Ferla, Dot Digial Group

A educação corporativa está passando por uma revolução tecnológica sem precedentes. Com a ascensão de novas ferramentas digitais, como inteligência artificial e realidade aumentada, empresas estão transformando a maneira como capacitam seus colaboradores. Segundo Luiz Alberto Ferla, CEO e fundador do Dot Digital Group, “o aprendizado ao longo de toda a vida é a palavra-chave do mundo corporativo hoje”. Essa abordagem, conhecida como lifelong learning, é essencial para que profissionais acompanhem as rápidas mudanças tecnológicas e permaneçam competitivos no mercado. O tema foi destaque na entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Educação como estratégia de transformação

Ferla destacou que o propósito do Dot Digital Group vai além da capacitação técnica: “Nós transformamos a vida das pessoas por meio da educação. Esse é o nosso propósito”. A empresa, que já capacitou milhões de brasileiros, utiliza tecnologias como vídeos interativos, podcasts, realidade virtual e cursos via WhatsApp para tornar o aprendizado mais acessível e dinâmico. “Hoje, 98% dos brasileiros acessam o WhatsApp. Isso nos permite levar conhecimento a qualquer lugar”, explicou.

Outro ponto abordado foi a personalização dos conteúdos educacionais. Segundo Ferla, “as empresas querem soluções desenhadas especificamente para suas necessidades”. Essa customização garante maior eficácia no treinamento dos colaboradores e contribui diretamente para a competitividade das organizações.

O impacto da inteligência artificial

A inteligência artificial (IA) na educação corporativa está acelerando o desenvolvimento de conteúdos e permitindo maior personalização no aprendizado: “Essa é a maior revolução que estamos vivendo desde o advento da internet”, diz Ferla. Ele também ressaltou que a tecnologia não deve ser vista como uma ameaça aos empregos, mas sim como uma oportunidade de crescimento: “O risco não é a inteligência artificial, mas perder espaço para quem sabe usá-la”.

Para Ferla, o futuro da educação está cada vez mais ligado à integração entre tecnologia e aprendizado contínuo. Ele acredita que ferramentas como computação quântica irão potencializar ainda mais essa transformação nos próximos anos.

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Mundo Corporativo: Carolina Junqueira, do Grupo Globo, ensina que compliance começa com o diagnóstico dos riscos da empresa

Gravação da entrevista de Carolina Junqueira. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Não se apaixone pelo seu programa de compliance.”

Carolina Junqueira, Grupo Globo

A reputação de uma empresa pode ser abalada por uma única falha ética. E manter o comportamento institucional alinhado com a lei e os princípios morais não depende apenas de cartilhas formais, mas da atuação consistente de lideranças e da criação de um sistema de governança que vá além do discurso. Esse é o foco da entrevista com Carolina Junqueira, diretora de riscos e compliance do Grupo Globo, no programa Mundo Corporativo.

“Entender qual o perfil de risco da empresa e concentrar os seus recursos no enfrentamento daquelas questões é a melhor forma de criar um programa de compliance eficiente”, afirma Carolina. Segundo ela, o compliance não deve ser visto como uma área distante, e muito menos como um “repositório” de problemas que ninguém sabe resolver. “Compliance não pode ser um instrumento de resolução de conflitos, se não existem outros mecanismos na empresa para isso.”

Liderança, confiança e regras claras

A diretora do Grupo Globo destaca que o papel das lideranças é “fundamental para pautar o tom das relações, identificar questões nas equipes e criar um ambiente em que a resolução de conflitos seja possível antes que vire uma questão ética”. Essa perspectiva reforça a ideia de que o compliance não pode ser isolado num departamento, mas deve permear toda a cultura organizacional.

Na prática, isso se traduz em três pilares: clareza das regras, canais seguros de denúncia e atuação independente do compliance. “Quando você tem uma regra clara, fica mais fácil cobrar o cumprimento dessa regra”, afirma. Na Globo, esse conjunto está formalizado no código de ética e conduta, que é conhecido por funcionários, parceiros e prestadores de serviço.

Outro ponto sensível é o sigilo no tratamento das denúncias. “Essa confidencialidade é uma forma de proteger o sistema como um todo”, explica Carolina, ao lembrar que o cuidado com os envolvidos garante a confiança no processo. “As pessoas se sentem mais estimuladas a nos procurar quando sabem que o relato será tratado com respeito e discrição.”

Compliance é para todos

Ainda que muitas vezes seja visto como algo restrito às grandes empresas, o compliance é igualmente relevante para pequenos negócios. “Primeiro, olha o risco que você corre”, alerta Carolina. Até mesmo um pequeno comércio pode ter interações com agentes públicos, estar sujeito a legislações trabalhistas ou correr o risco de falhas éticas no ambiente interno. “Compliance é conformidade com as leis e regulamentos que se aplicam ao seu negócio.”

A recomendação é que, independentemente do porte, o empreendedor identifique os principais riscos do seu setor e adote mecanismos simples para prevenir desvios. Isso pode começar com um código de conduta, um canal seguro de escuta e um comitê ético com autonomia para analisar relatos. “Mesmo em empresas menores, a estrutura pode existir de forma proporcional à realidade”, reforça.

Carolina também aponta que a diversidade nas equipes de compliance é uma vantagem estratégica. “Esse conhecimento do dia a dia, da realidade das pessoas, ajuda muito na avaliação dos casos e gera acolhimento para quem nos procura.”

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Mundo Corporativo: Vetusa Pereira, da Heineken, afirma que diversidade não é moda, é negócio

Foto: divulgação

“Diversidade e inclusão não são custo nem moda; são estratégia de negócio que traz resultado financeiro para as empresas.”

Vetusa Pereira, Heineken

O Brasil avança com estratégias efetivas de diversidade e inclusão no ambiente corporativo, enquanto assistimos a movimentos contrários ganhando espaço internacionalmente, como mostram os recuos nos Estados Unidos de Donald Trump. No entanto, para que o país se proteja dessa onda de retrocesso é preciso entender como essas iniciativas afirmativas podem ser transformadas em resultados práticos. Nesse sentido, o Mundo Corporativo entrevistou Vetusa Pereira, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo Heineken.

Segundo Vetusa, é fundamental desmistificar a ideia de que diversidade é um gasto sem retorno ou apenas um modismo passageiro. “Se as pessoas realmente se debruçarem sobre os estudos, esse mito cai rapidamente”, afirmou.

Inclusão com resultado

A experiência do Grupo Heineken no Brasil ilustra bem a possibilidade de crescimento por meio de políticas claras de diversidade. Vetusa destaca que, nos últimos anos, a representatividade feminina na liderança da empresa saltou de pouco mais de 20% para 44%, com meta de alcançar 50% até 2026. Já na questão racial, a companhia atingiu quase 37% de lideranças negras, com um objetivo declarado de chegar a 40% até 2030.

Esses resultados, segundo ela, só foram possíveis graças a uma análise detalhada da realidade interna e externa da empresa, estabelecendo ações específicas como programas de aceleração de carreira, treinamentos corporativos e apoio no desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores.

Vetusa enfatiza que diversidade e inclusão geram uma conexão real com os consumidores, contribuindo diretamente para os resultados financeiros das empresas. “Se queremos chegar ao coração e ao copo de todos os brasileiros, precisamos falar uma linguagem diversa e inclusiva”, destacou.

Meritocracia e equidade

Sobre o debate envolvendo meritocracia e ações afirmativas, Vetusa esclarece que ambas são compatíveis desde que aplicadas corretamente. Ela explica que as políticas internas são desenhadas para oferecer ferramentas adequadas de desenvolvimento, garantindo que todos possam competir em igualdade de condições. “Ninguém vai promover alguém só por ser mulher ou pessoa negra. Precisa haver repertório de conhecimento”, pontuou.

Outro aspecto abordado por Vetusa foi o papel da comunicação, descrita por ela como fundamental no avanço das iniciativas de diversidade. A Heineken investe em treinamentos específicos que ensinam lideranças e colaboradores a comunicarem suas demandas e necessidades sem cair em extremismos ou receio de “cancelamento”. Segundo ela, “o objetivo não é policiar, mas letrar e educar com empatia e diálogo”.

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Mundo Corporativo: na Electy, Paula Klajnberg quer simplificar o acesso à energia limpa

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Paula Klajnberg

“Adoro um ‘não’.”

Paula Misan Klajnberg, Electy

O que leva uma empreendedora a insistir em um mercado altamente regulado e resistente à mudança? Para Paula Misan Klajnberg, CEO e cofundadora da Electy, a resposta é simples: cada negativa recebida foi um incentivo para provar que era possível criar um novo modelo no setor de energia. Transformar desafios em oportunidades foi essencial para estruturar a primeira plataforma digital que conecta consumidores e geradores de energia limpa no Brasil. Essa jornada de inovação e resiliência foi tema da conversa no Mundo Corporativo.

Construindo um novo modelo de negócios

A proposta da Electy nasceu da necessidade de simplificar a adesão ao mercado livre de energia, tornando-a acessível para consumidores residenciais e empresas. “O desafio inicial foi lidar com o excesso de ‘nãos’. Nos diziam que vender energia digitalmente não era possível, que não haveria energia disponível. Mas descobrimos que a dificuldade estava no fato de que isso nunca tinha sido feito antes”, contou Paula.

Além dos desafios técnicos e regulatórios, outro obstáculo foi a estrutura organizacional das startups que atuam nesse setor. Segundo Paula, a hierarquia reduzida e a proximidade da liderança com a equipe são fundamentais para a inovação. “Para inovar, para ser ágil nesse mercado, a gente tem que ter essa proximidade com quem está na ponta, porque a gente corrige rápido. Não dá para ter um nível hierárquico muito longo, senão você demora muito a perceber isso.”

A presença feminina no setor de energia

Embora tradicionalmente dominado por homens, o setor de energia tem visto um crescimento significativo na presença feminina em posições de liderança. Paula destaca que as mulheres que atuam nesse mercado têm desempenhado um papel fundamental na inovação e na transformação do setor. “As mulheres da energia fazem algo que raramente vi em outros mercados: elas se apoiam. Essa rede de colaboração tem sido essencial para superar desafios e impulsionar novas ideias”, afirmou. Com lideranças femininas à frente de grandes comercializadoras e geradoras, a diversidade tem sido um fator determinante na evolução do mercado energético.

O futuro do mercado de energia e a importância da tecnologia

A Electy aposta na digitalização para facilitar a migração dos consumidores para o mercado livre de energia. Com a abertura desse mercado prevista para os próximos anos, a possibilidade de escolher o fornecedor de energia se tornará uma realidade para milhões de brasileiros. “Hoje, o consumidor já pode economizar de 10% a 30% na conta de luz, dependendo da região e da oferta disponível”, explicou a executiva.

Paula também destacou que o setor energético ainda tem um longo caminho a percorrer na adoção da inteligência artificial. “A geração de energia já está dominada, mas as startups que tiverem foco em automação de processos e experiência do consumidor terão muitas oportunidades. Inteligência artificial ainda está começando a ser explorada no setor.”

Com uma estratégia baseada em parcerias e na tecnologia, a Electy se projeta para ser uma referência na democratização do acesso à energia limpa no Brasil. “A Electy será a plataforma de energia para todo mundo. Nosso objetivo é centralizar as soluções e personalizar as ofertas para cada consumidor”, afirmou Paula.

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Mundo Corporativo: João Sanches, da Trinity, explica como a governança fortalece o mercado de energia

Reprodução de vídeo do Mundo Corporativo com João Sanches



“A rapidez na tomada de decisão e mudança de rumo da companhia é um ponto bem importante para que você possa acompanhar e ter bons investimentos dentro desse mercado.”

João Sanches, Trinity Energias Renováveis

Construir credibilidade no mercado de energia renovável exige mais do que tecnologia avançada e capacidade de investimento. Para João Sanches, CEO e fundador da Trinity Energias Renováveis, a transparência e uma governança corporativa sólida foram fatores decisivos para que sua empresa conquistasse espaço e estabelecesse parcerias de longo prazo com grandes geradores e consumidores do setor. Esse foi o tema da entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo.

Governança como diferencial competitivo

Desde a sua fundação, a Trinity buscou estruturar processos internos para garantir transparência e confiabilidade nos números apresentados ao mercado. “No início, nós tínhamos uma grande dificuldade de fazer negócios com grandes empresas, mas depois da governança implantada e da transparência que trouxemos para o mercado, conquistamos a confiança de grandes geradores e consumidores”, afirmou Sanches.

A credibilidade conquistada permitiu que a empresa firmasse contratos de longo prazo, fundamentais no setor de energia, que envolvem compromissos de até 30 anos. O reconhecimento do trabalho veio com a classificação da Trinity como a melhor empresa de energia no quesito governança corporativa no anuário 360º da Época Negócios.

O impacto das mudanças regulatórias e as novas oportunidades

O setor de energia está em constante transformação, e acompanhar as mudanças regulatórias é essencial para manter a competitividade. “Existem muitas mudanças acontecendo e que estão por acontecer. A modernização do setor trará muitas oportunidades, e estar preparado para essas transformações é crucial para a gestão das empresas de energia”, destacou o CEO da Trinity.

A empresa também investiu na geração distribuída de energia solar no Nordeste, uma região que oferece vantagens como maior incidência solar e menores custos de terra. Além disso, incentivos financeiros do Banco do Nordeste favoreceram a tomada de decisão. “A análise de viabilidade financeira mostrou que essa era a melhor região para os nossos investimentos”, explicou Sanches.

Outro ponto relevante é a expectativa de expansão do mercado livre de energia para consumidores residenciais entre 2026 e 2028. Essa abertura poderá trazer novas oportunidades de negócio, desde que haja infraestrutura para escoamento da energia gerada em regiões como o Nordeste para os grandes centros de consumo.

O futuro do setor e o armazenamento de energia

Com a transição energética em curso, o armazenamento de energia desponta como uma das grandes tendências. “A tecnologia está permitindo a construção de baterias de grande porte a custos cada vez menores, assim como ocorreu com os painéis solares”, observou Sanches. Ele ressaltou que a Trinity já começou a oferecer soluções de armazenamento para clientes que precisam de segurança energética, como hospitais. O armazenamento de energia também pode mitigar os riscos de oscilações no fornecimento, garantindo maior estabilidade para consumidores e empresas que dependem de um suprimento constante, como indústrias e serviços essenciais. “Hoje, muitos hospitais utilizam geradores a diesel como plano B, mas a bateria oferece uma solução mais confiável e eficiente”, acrescentou Sanches.

A importância da comunicação

Para enfrentar os desafios do setor, o CEO da Trinity destaca a importância da comunicação. Internamente, ela é essencial para manter a equipe alinhada e preparada para mudanças. “A comunicação interna clara garante que todos saibam para onde a empresa está caminhando e quais são as prioridades”, afirmou Sanches. Ele também enfatizou a importância da troca de experiências dentro da organização, permitindo que a equipe se antecipe a mudanças no mercado e ajuste estratégias conforme necessário.

Externamente, a comunicação desempenha um papel fundamental na construção de relações com parceiros e concorrentes. “A comunicação nos permite entender as tendências, trocar experiências e aprender com o mercado”, explicou o CEO. Segundo ele, manter um canal de diálogo com outros players do setor ajuda a identificar oportunidades e aprimorar as práticas de negócio.

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Mundo Corporativo: para ter eficiência energética é preciso entender onde estão os gastos, diz Marcelo Xavier, da GreenYellow

Reproduçao do vídeo do Mundo Corporativo

“Nada resiste ao trabalho. As oportunidades vão passar na sua frente diversas vezes, então você tem que estar preparado para elas.”

Marcelo Xavier, GreenYellow

Reduzir o consumo antes de investir em novas fontes de energia. Esse é o princípio básico que deveria guiar empresas em busca de eficiência energética, mas nem sempre é o caminho seguido. “Muitas vezes, as empresas pensam em colocar um telhado fotovoltaico sem olhar para as máquinas. Você acaba superdimensionando sua necessidade de energia, sendo que poderia reduzir o consumo antes”, afirma Marcelo Xavier, diretor-presidente da GreenYellow no Brasil. A gestão eficiente da energia e a transição para fontes renováveis foram tema da entrevista ao Mundo Corporativo.

Eficiência energética: por onde começar

O conceito de eficiência energética, segundo Xavier, se divide em duas frentes principais: redução de consumo e geração de energia renovável. “O primeiro passo é fazer um diagnóstico, entender onde estão os grandes gastos e otimizar os sistemas”, explica. A empresa atua identificando pontos de desperdício em processos como iluminação, refrigeração e climatização, realizando substituições e modernizações para minimizar custos e aumentar a eficiência.

Além disso, a transição para fontes renováveis deve ser feita de forma estratégica. “Reduzimos o consumo, depois dimensionamos a necessidade de geração com fontes renováveis, como energia solar”, destaca. Modelos de geração distribuída, em que usinas solares atendem unidades consumidoras remotamente, cresceram no Brasil nos últimos anos, mas agora enfrentam desafios com a redução de incentivos. A tendência, segundo o executivo, é investir em geração próxima ao consumo e em soluções híbridas, com armazenamento de energia.

O papel da comunicação na transição energética

Além dos desafios técnicos, Xavier ressalta a importância da comunicação no processo de eficiência energética. “A maneira como o comercial transmite a informação para um cliente pode definir se uma venda será feita ou não. Clareza e objetividade são fundamentais”, afirma. Dentro da empresa, ele vê a comunicação como uma peça-chave para alinhar as equipes e garantir que as estratégias sejam implementadas de forma eficaz.

A mudança para um modelo de energia mais descentralizado e digitalizado também exige uma evolução na mentalidade do empresariado e do setor público. “O Brasil tem todo o potencial para ser líder global em transição energética, mas ainda engatinha. Falta educação corporativa sobre o tema e mais incentivos governamentais”, aponta Xavier. Ele cita o exemplo de países europeus, onde os galpões logísticos já são projetados para receber painéis solares, enquanto no Brasil ainda há resistência e barreiras estruturais.

Para os profissionais que ingressam no mercado, Xavier deixa um conselho direto: “A gente estuda algo e imagina que vai trabalhar com isso para sempre. Mas isso não vai acontecer. Oportunidades surgem o tempo todo, e você precisa estar preparado para elas”.

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