Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: onde você busca inspiração para o seu trabalho?

“Eu só vi mais longe porque estava sentado em ombros de gigantes”

Isaac Newton
Ilustração das etapas do Touro de Picasso

Se um dos cientistas mais influentes de todos os tempos fez questão de revelar a sua necessidade de desenvolver o seu conhecimento a partir da visão de outros grandes nomes da história, porque com a gente seria diferente? Infelizmente nem sempre temos humildade suficiente para entender essa necessidade. E, arrogantes, cometemos erros e desperdiçamos oportunidades. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso por mais de uma vez trouxemos as lições de grandes pensadores para inspirar nossos comentários. Desta vez, decidimos reunir alguns desses nomes e identificamos lições que podemos aprender com a experiência que eles compartilharam com a humanidade.

Jaime Troiano, logo na abertura de nossa conversa, depois de lembrar Newton, recorreu a Leonardo da Vinci que tinha abertura e capacidade de navegar por vários campos do conhecimento. Estudou de botânica à matemática, de anatomia à arquitetura. Seu interesse foi comparado por Jaime como o de uma criança obstinada a entender o porquê das coisas. Ia além: quando encontrava a resposta, abria novas janelas e sua curiosidade o fazia ir lá no fundo. Uma vida dedicada a conhecer, sempre mais:

“Acredito demais que para sermos bons profissionais, e aqui não me limito ao branding, precisamos ter essa grande angular ativada, a curiosidade à flor da pele, o desejo do porquê. Criar repertório, explorar, ser curioso, inquieto de saber. Isso nos torna profissionais menos rasos, mais capazes de fazer conexões e não apenas acumulador de dados”

Jaime Troiano

Cecília Russo lembrou de Pablo Picasso, inspiração para os gestores de marcas a partir de experiência que realizou para concluir um de seus trabalhos: o El Toro, de 1945. Esse trabalho é uma série de 11 ilustrações feitas em litografia reproduzindo um touro, nas quais a grande busca era pelas linhas mais simples possíveis. 

“Picasso disseca visualmente a imagem de um touro. Cada imagem representa uma fase sucessiva de um processo tendo em vista encontrar o absoluto “espírito” do animal. É como se ele caminhasse de frente para trás, do acabado para o esboço”

Cecília Russo

Em vários projetos de branding o que se busca é tirar os excessos para chegar à essência da marca, explica Cecília. A intenção é eliminar o que polui, desinforma e confunde a mensagem ao cliente.  Ela destaca que aquilo que é essencial passa a mensagem e tem muito mais chance de ser apreendido pelas pessoas e gerar valor. Porém, diante dessa visão, é preciso admitir a dificuldade de se chegar nesse ponto, de se alcançar as palavras sucintas na comunicação da marca, de descobrir o desenho de identidade visual  ideal ou criar o logotipo que seja simples e comunique muito bem o que se quer. 

“A mesma dissecação que Picasso fez, em El Toro, é muitas vezes o que precisamos fazer em gestão de marcas, ir atrás do que é básico, filtrar, selecionar, ser preciso”

Cecília Russo

Muitos outros autores e pensadores já inspiraram os gestores de marcas e  ilustraram nossas conversas por aqui. Seja de Newton, de Picasso, de Da Vinci ou qualquer outra referência que você tenha no seu cotidiano, o importante é saber que, mesmo estando longe de sermos gênios como eles, saber traduzir suas lições e adaptá-las a nossa forma de agir e pensar ajudará sua marca a ser um sucesso.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, às 7h50 da manhã.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a ingenuidade da simplificação

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“Há uma precipitação febril no uso de siglas para representar marcas que têm uma história consolidada com seu nome original. Cuidado com isso!”

Jaime Troiano

Que no Brasil, a turma gosta de colocar apelidos, encurtar nomes e criar siglas, nós sabemos bem. O José nunca vai escapar de ser chamado de Zé, a Elizabete de Bete e o Paulo César de PC — apenas para usar alguns dos exemplos que me vieram à mente enquanto escrevo este texto. Tem até uma piada antiga que fala deste hábito, se não me engano contada pelo Juca Chaves. Depois de uma sequência de nomes que ganharam novas versões, ele concluiu com o apelido de um amigo batizado Pica-Pau e apelidado de “Dos dois”. 

Piadas à parte, quando migramos para o mundo das marcas é preciso muito cuidado com essas simplificações. Para Jaime Troiano e Cecília Russo existe uma precipitação e até ingenuidade dos gestores em aplicar a tese de quanto mais simples melhor. 

“O que preocupa é quando vira sigla nem sempre compreensível e gasta-se um dinheiro muito grande para explicar a mudança do nome. Sempre que se precisa explicar muito alguma coisa, é porque algo já está errado”.

Cecília Russo

Jaime e Cecília lembraram de simplificações de nomes de marcas que foram bem sucedidas, como é o caso da Vale do Rio Doce que se transformou apenas em Vale ou das Lojas Americanas que assumiu o segundo nome. O caso mais recente foi do McDonalds, que mantém a marca internacional, mas aceita de bom grado, inclusive com uso em peças publicitárias e produtos oferecidos ao público, o apelido Méqui. 

“Todos esses casos têm algo em comum: eles não são simplificações de nome impostas artificialmente de fora para dentro. São fruto de uma natural acomodação linguística pela qual a identidade original da marca passa”.

Jaime Troiano

Há uma tendência para que a linguagem fique mais compacta no mundo dos negócios e nas relações profissionais em geral, provavelmente influência de novas formas de comunicação no ambiente digital. As abreviações — algumas até forçadas —- já fazem parte do diálogo na rede social, além de palavras que são substituídas por símbolos como é o caso do sorridso que ganhou a versão gráfica :). O que não pode é sob o impacto do modismo “jogar o bebê fora com a água do banho”. 

Algumas marcas tem nomes tão conhecidos, tão tradicionais que ninguém  nunca ousou transformar numa sigla. Por exemplo, a Viação Cometa não virou VC, no máximo passou a ser Cometa. O cliente quando pede a cerveja Stella Artois reduz para um íntimo Stella, jamais S.A. Há casos de marcas que nasceram simples e aí  me permitam olhar para o próprio umbigo: a CBN é por origem Central Brasileira de Notícias, o que talvez poucos se lembrem. A IBM é a Internacional Business Machines e a FIAT, a Fábrica Italiana de Automóveis de Turim. 

Forçar um apelido ou uma sigla tende a se transformar em um grande erro de estratégia. É preciso preservar o sentido e o valor da marca; e respeitar a opinião e o hábito daqueles que a consomem:

“As marcas quando bem construídas não pertencem aos donos, pertencem aos clientes. Atenção, você estará mexendo em algo que não é seu”.

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: não queime etapas, respeite o ciclo de vida da marca

“Não pode se esperar da inovação algo linear, todos se apaixonarem ao mesmo tempo”. 

Jaime Troiano

Alguém aqui, entre os caros e raros leitores do blog, lembra quando surgiu o forno de microondas? Antes que você saia correndo para buscar a informação no Google e não volte mais para vá, eu conto: foi em 1947. Uau! Faz tanto tempo? Faz, sim. Apesar de que aqui no Brasil esse equipamento se popularizou mesmo foi nos anos de 1990. Naquela época e, provavelmente, na primeira década desta inovação entre nós, muitas pessoas tinham reticências em relação ao uso do forno de microondas para preparar sua comida. 

Cecília Russo, nossa colega no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, lembra que o primeiro ou um dos primeiros trabalhos de branding que realizou foi sobre comida congelada. Muita gente, no início, torcia o nariz para a funcionalidade do forno que descongelava a comida e prometia oferecer um prato com sabor e qualidade. “Nunca vai ficar com o mesmo sabor da minha comida” — pensavam alguns. Como o “tempo é senhor da razão”, conforme dito popular, muitos dos céticos entenderam que a facilidade para preparar alimentos superava seus questionamentos.

O ciclo de vida dos fornos de microondas e das comidas congeladas se iniciou da mesma forma que a maioria dos produtos e serviços inovadores que surgem no mercado. E para entender como esse ciclo se realiza é preciso considerar a Lei de Difusão da Inovação, desenvolvida por Everett Rogers, sociólogo americano, em 1962. 

Rogers percebeu que a relação do consumidor com o produto ou serviço tende a seguir um padrão que pode ser ilustrado pelo clássico desenho da jiboia que engoliu um elefante, no Pequeno Príncipe. Ele enxergou no comportamento das pessoas diante da inovação uma curva que — assim como o desenho da jiboia e do elefante — começa embaixo, cresce aos poucos e alcança o pico até voltar para seu patamar inicial.

Mais do que descrever o comportamento do consumidor, Rogers identificou cinco padrões que explicam a adesão das pessoas às novidades oferecidas no mercado:

  • 1. Inovadores, que são cerca de 2.5% da população;
  • 2. Primeiros Adeptos, que se inspiram nos inovadores e chegam a ser mais ou menos 13% das pessoas;
  • 3. Maioria Inicial, que representam 34% dos consumidores;
  • 4. Maioria Tardia, que agrega mais 34%;
  • 5. Retardatários, que são as pessoas extremamente resistentes à inovação e estima-se representam 16% da população.

A percepção de Rogers ensina que o ciclo de vida das marcas inovadoras demora um tempo a pegar, mas a medida que conquista os primeiros consumidores, esses tentem a influenciar os demais. Com a adesão de um número maior de pessoas, a marca se firma no mercado.


“Não espere que as marcas que têm um padrão inovador sejam  adotadas, inicialmente, por todos. Só um grupo pequeno é que toma  essa iniciativa”

Cecília Russo

Um exemplo mais recente sobre como a Lei de Difusão da Inovação se realiza é quanto ao comportamento dos consumidores online. Apenas os inovadores aceitaram a ideia de que com alguns cliques na tela do computador era possível confiar que o produto seria entregue em sua casa. Hoje, especialmente após o advento da pandemia do coronavírus, as compras pela internet —- em suas diversas versões — são muito populares.

“Tem marcas que aceleram esse processo por iniciativas de comunicação, ou porque pegam um efeito de moda e avançam nessa curva. Podemos fazer coisas para acelerar ms temos um ritmo natural para entrar e sair dessa curva”

Cecília Russo

O cuidado que os gestores devem ter é em relação ao estágio em que a marca está neste ciclo, porque ninguém que ficar com produtos e serviços que as pessoas já estejam desconsiderando. É preciso atenção para que, no momento em que se estiver na parte mais baixa e final da curva — onde estão os retardatários — saiba-se atuar para oferecer atrativos aos inovadores.

“Há muitas marcas que conseguem retardar a descida na curva de Rogers e se manter atraentes por muito tempo. Outras, envelhecem e encurtam o ciclo de vida”

Cecília Russo

Aos gestores de marcas, Jaime Troiano recomenda paciência:

“Se você acha que tem uma marca inovadora, não queime etapas, saiba que sua evolução não será algo da noite para o dia. Tente identificar os seus primeiros aliados: aqueles que amam a inovação”

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: você lembra de marcas que fizeram sucesso no cinema?

“Se as marcas são parte de nossas vidas, por que não estariam nas expressões artísticas como o cinema também?” 

Jaime Troiano

Você está lá, sentado em uma confortável poltrona, diante do telão, no ar condicionado, pacote de pipoca na mão (vai me dizer que você é daqueles que são contra comer pipoca no cinema?), mente e coração abertos para se emocionar, se divertir e se envolver na história que está pra se iniciar. Começa o filme, o mocinho cumpre bem o seu papel e a mocinha surpreende ainda mais com sua performance. De repente, tropeçamos numa marca de bebida, em outra de roupa, na da loja diante da qual o casal discute a relação ou de um carro que entra em cena. 

Até onde a marca deve ou pode interferir no protagonismo da arte?

Esse é um cuidado que tanto gestores de marcas quanto os produtores de arte têm de ter, como alertaram Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Na nossa conversa, os dois nos trouxeram uma série de exemplos em que essa parceria funcionou a ponto de a maioria das pessoas sequer pensar que havia por trás daquele filme uma pegada comercial.

“O diabo veste Prada” é uma dessas ótimas referências. A marca foi para o título do filme e estava tão bem inserida no roteiro que em nada prejudicou o desenvolvimento da história ou causou desconforto em quem assistia. Dá pra dizer mais: a marca valorizou o filme. Foi um atrativo que, claro, se realizou, também e especialmente, porque, convenhamos, ter Maryl Streep como protagonista, torna qualquer história especial. 

Usar a marca em um roteiro costuma ser uma estratégia comercial porque ajuda nos custos de produção do filme —- é um tipo de merchandising. Estratégia que leva o nome de product placement. Pra ter ideia, a BMW, pagou U$ 3 milhões para o seu modelo Z3 entrar no filme 007 Contra Golden Eye, em 1995. Agora, antes de se entusiasmar com o dinheiro que pode entrar na conta, é preciso verificar se faz algum sentido o nome da marca entrar no filme. 

“Precisa haver uma conexão natural e inteligente entre a marca e sua presença no filme”

Jaime Troiano

Outro bom exemplo de “product placement” de sucesso é o filme Náufrago com Tom Hanks, em que a marca de material esportivo Wilson aparece, como uma companheira do solitário perdido na ilha, e a FedEx é a grande protagonista do filme, com seus valores e propósitos sendo inspirações para Chuck Noland, o personagem principal, sobreviver ao acidente e isolamento. Marcas que entraram de forma tão natural no roteiro que o interesse comercial do fabricante e do prestador de serviço é imperceptível.

O filme Encontros e desencontros (Lost in translation), com o Bill Murray e Scarlett Johansson, também soube aproveitar bem a relação marca e roteiro”

“Ele é um cara que vai para Tóquio para gravar um comercial do uísque Suntory. Que acaba aparecendo muito no filme e virou uma marca muito mais manjada para quem gosta de uísque”.

Cecília Russo

A teledramaturgia brasileira tem se beneficiado deste recurso, também. A novela Pantanal, que está no ar, por exemplo, inclui no cenário marcas como Coca-Cola, Dove e Itaipava. Pra você, esses produtos atrapalharam no romance da Juma e do Jove? 

De volta ao cinema, outras das lembranças da Cecília e do Jaime:

Amor sem escalas — Advantage Program, da American AirLines

Crown, o Magnífico — One/Pepsi

Ford versus Ferrari —- Ford e Ferrari, lógico

Fome de poder — McDonald’s 

E você, lembra de filmes que marcaram a sua memória e trouxeram marcas para a nossa tela? Se tiver alguma lembrança, conte pra mim.

Ouça aqui o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: gere valor e se livre das amarras do preço

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“O trabalho de branding, é, em certa medida, a construção de valor e por isso ele carrega tanta responsabilidade”

Jaime Troiano

Inflação alta e renda baixa é uma combinação desastrosa para o mercado de consumo. Os clientes se afastam, reavaliam compras e se adaptam a nova realidade. Cada tostão é gasto de forma cuidadosa, evitando ao máximo o desperdício e o excesso. Mesmo assim, muitos clientes não abrem mão de comprar determinados produtos ou usufruir de alguns serviços. Em pesquisas já se identificou, por exemplo, que uma mãe aceita comprar um produto de higiene pessoal de menor qualidade, de preço mais baixo, para continuar oferecendo ao bebê o leite em pó mais sofisticado, que tem um preço maior. A decisão explica bem a diferença que existe entre preço e valor. Para a mãe, o leite em pó da criança tem alto valor, por isso vale a pena pagar um pouco mais. 

Saber diferenciar preço e valor de uma marca é essencial aos gestores, como explicaram Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. A começar pelo fato de que quem determina o preço de um produto é o seu proprietário; já o valor, depende especialmente do cliente:

“Falamos de preço como condição absoluta e objetiva: quanto custa uma determinada marca; quanto ao valor, é o que eu atribuo de significado, relevância e utilidade àquele produto que comprei”

Cecília Russo

Uma dona de casa diante da gôndola de supermercado tem diante de si dois detergentes líquidos de marcas diferentes. Os dois custam mais ou menos o mesmo preço, coisa de R$ 2,50. Ela leva para a casa aquela marca que considera ter maior valor para o seu dia a dia. Esse comportamento ocorre na compra de produtos de preço baixo tanto quanto de preços altos.

“Pense na marca Volvo. São carros de preço alto, mas tudo indica que sejam percebidos com alto valor pelo mercado. Aliás, se uma marca não consegue gerar valor, dificilmente ela irá conseguir praticar preço alto, simplesmente porque os consumidores não pagam o preço que essa marca pede porque não veem valor nela”.

Cecília Russo

Para Jaime Troiano, o trabalho de branding  é aquilo que torna as marcas menos sensíveis a preço. Ou, aquilo que gera valor para as marcas ficarem menos reféns de preço. São capazes de manter preços mais altos na etiqueta porque têm maior valor no coração dos clientes.  

“Vamos comparar a Volvo, que a Cecília trouxe, com outra marca de luxo, Mercedes Benz, que também tem apenas carros de preço alto. Veja, não estou me referindo a nenhuma dessas marcas como cara ou barata. Sabe por quê? Isso depende do valor. Um mesmo preço pode ser considerado alto ou baixo, a depender do valor que eu atribuo a ele. Para uns a Volvo vale mais do que a Mercedes e vice-versa”

Jaime Troiano

O gestor de marca deve sempre se perguntar, considerando a qualidade e a entrega que têm o produto ou serviço:

“Estou gerando valor ou apenas estou sendo refém da minha política de preço?”

Cecília Russo

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, de sábado, às 7h50 da manhã.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as cinco avenidas que levam a marca ao triunfo

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Um passeio por Paris é sempre bem-vindo. Se feito sob a tutoria de quem tem a nos ensinar, melhor ainda. Pois foi esse o convite que Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram aos ouvintes do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Calma! O convite não é para viajar a Paris, é para viajar  pelo mapa de  Paris. Nas suas ruas e avenidas. Em especial, nas que nos levam ao Arco do Triunfo que, cá na nossa conversa, se transforma em uma metáfora para identificar o objetivo de todos que trabalham com branding.

Quem já se ateve a geografia da capital francesa deve ter percebido que existem avenidas que convergem para o Arco, proporcionando um desenho harmônico tanto quanto pedagógico aos mais atentos. Em lugar de percorrer as 12 avenidas parisienses, Jaime e Cecília separaram cinco delas e as batizara com o nome de lições que precisamos aprender.

Vamos a elas: 

Avenida da simplicidade:

na vida de uma marca, qualquer forma de falar a respeito dela, qualquer comunicação que não seja simples atrapalha muito. Não é fácil ser simples. Quando se consegue ser, o resultado é inesquecível: “se é Bayer, é bom”; “quem pede um, pede bis”; ou é “fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?”. Não é mesmo?!? 

Avenida da profundidade:

é a avenida para afastar a ingenuidade. Qual? De esquecer que consumidor diz o que pensa mas faz o que sente. Quem constrói marcas apenas com base nas respostas politicamente corretas que ouve dos consumidores, não chega ao “Arco do Triunfo”. 

“Estudos científicos que usam neurociência, por exemplo, são essenciais para penetrar nesse espaço pequeno, de um centímetro cúbico, escuro e úmido, onde se escondem os verdadeiros sentimentos e motivações dos consumidores”

Jaime Troiano

Avenida da vitalidade:

precisamos saber, com um olhar externo e independente, se a marca é forte não apenas na visão interna da empresa e dos seus vendedores. Essa avenida exige uma consulta a quem, de fato, determina o sucesso da marca: seus consumidores e clientes. 

“Deixem de lado a vaidade corporativa, ouçam o que dizem as vozes que vêm da rua ou você não chegará na Charles De Gaulle Etoile”

Cecília Russo

Avenida da autoridade:

aqui sua marca precisa ter convicção de que tem mais do que força apenas, tem autoridade para trabalhar com outras áreas de produto. Quando a Dove, por exemplo, percorreu as outras avenidas e chegou a esta quarta sabia que podia deixar de ser apenas um sabonete. Mas também outros “N” produtos que enraizaram a ideia de hidratação. E que tal a Tilibra que foi muito além de cadernos e adotou vários itens que têm a ver com a vida escolar: agendas, estojos, mochilas… 

Avenida da verdade:

é a avenida que revela a suprema razão de ser da marca, o seu propósito.  A avenida que mostra que não é apenas mais uma, mas que mostra o quanto atende, de forma autêntica, as necessidades da sociedade.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as lições que temos de aprender com marcas centenárias

Arquivo: Livraria Bertrand, Lisboa

“O valor não tem a ver com idade e sim com  a entrega que se faz todos os dias”

Cecília Russo

Frágeis, fugazes e maleáveis. Assim são as relações sociais e econômicas, na visão do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor do conceito de modernidade líquida. Diante deste cenário, imagine o desafio de marcas, empresas e serviços que se propõem à longevidade. Por isso, inspirar-se naquelas que foram capazes de superar a barreira dos 100 anos ajuda a encontrar caminhos que influenciam tanto a gestão do negócio quanto o comportamento do consumidor. Jaime Troiano e Cecília Russo foram ainda mais longe: trouxeram de Portugal a experiência de marcas com mais de 200 anos de existência.

O maior exemplo apresentado no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é o da livraria Bertrand, uma rede varejista de livros que existe desde 1732 —- sim, isso mesmo, estamos falando do século 18. Em um mundo em que as marcas nascem todos dias, assim como desaparecem, ter uma que beira os 300 anos é fantástico, especialmente porque persiste em área tão fundamental como a cultura.

Cecília reproduziu no programa, o texto escrito pelos gestores da Bertrand que diz muito do seu sucesso:

“Passa o tempo, mudam-se as gerências, mas ficam os livros. É verdade, são já quase trezentos anos de uma História que se confunde com a de Lisboa. Bertrand é hoje o nome da mais antiga e maior rede de livrarias em Portugal. A nossa História ensinou-nos a cumplicidade com o leitor, a lealdade. Fazemos questão de lhe oferecer as mais atuais obras do mercado, os best sellers do momento, mas também de ter em estante, ao seu dispor, os títulos de referência e uma variedade editorial que desafia leitores de diferentes gostos e idades. Fazemos História, estando no presente. Atuais, atentos, ainda apaixonados pelo LIVRO.”

Dessas linhas que resumem a visão da livraria sobre o seu negócio, Cecília identificou três mensagens que servem de lição aos gestores de marcas:

Compromisso com o leitor: coloque seu cliente no centro, sempre, é o que ensina a Bertrand. Tenha cumplicidade e se lembre que tudo começa com um profundo respeito e amor às pessoas.

Capacidade de evoluir, preservando: a Bertrand traz o novo e o antigo juntos, ensinando que uma coisa não “mata” a outra. Ou, cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água do banho, como alertamos frequentemente.

Amor pelo que faz: a paixão pelo negócio alimenta o poder de uma marca. Sem que os gestores sejam apaixonados pela área, pelo que vendem ou pelo que oferecem, teremos uma gestão burocrática, mecânica e fria.

Outra referência lusitana: Porcelana Vista Alegre, fundada em 1824. Foi a primeira unidade fabril dedicada à porcelana em Portugal. E, assim como muitas outras marcas longevas, teve um fundador obstinado, José Ferreira Basto, que levou à risca o ideário liberal da época, tendo se tornado o primeiro exemplo de livre iniciativa de Portugal.

“Isso mostra uma outra face das marcas que sobrevivem ao tempo. Elas nascem de um ideal e trazer alguma ousadia desde o nascimento. Se nos transportarmos para aquela época e nos colocarmos nos sapatos do senhor João, veremos que ele foi um visionário. Marcas precisam dessa visão de futuro”.

Atualmente, é possível encontrar marcas centenárias também aqui no Brasil, cada qual com sua característica própria: a Granado que está com 152 anos; a Hering, com 142; a União, com 136; a Klabin, com 123; e a Gerdau com 120 anos. Todos persistem porque souberam alimentar a relação com os consumidores, mantiveram-se relevantes e não se descuidaram de seus produtos. 

Ouça o comentário completo do Jaime Troiano e da Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com a sonorização do Cláudio Antônio”

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quatro dicas para o turismo reconquistar clientes nestas férias

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“Olhe para esse momento como uma maratona, no longo prazo, e não como uma corrida de velocidade, tentando ganhar terreno em pouco tempo” 

Cecília Russo

Após dois anos turbulentos, com as restrições impostas pela pandemia, o setor de turismo volta a ter excelente oportunidade de retomar contato com seus clientes, devido o início das férias de inverno, no Brasil. Quase como a possibilidade de oferecer uma segunda “primeira impressão” a turistas que viajam internamente e internacionalmente, neste período do ano. O alto custo das passagens aéreas e a desvalorização da moeda brasileira no exterior, faz crescer as expectativas de quem atua no turismo interno —- e para todos esses, o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresenta quatro sugestões às marcas do setor:

1. Entenda o consumidor

Tenha consciência de que o consumidor sofreu nesse período, talvez tenha até mesmo perdido parentes e amigos para a Covid. Provavelmente, viveu uma vida mais limitada, restrita. Não dá, então, para ignorar isso e fingir que estamos retomando de onde paramos, em março de 2020. É preciso respeitar e celebrar esse consumidor

“Imagine chegarmos num hotel e sermos recebidos como se nada tivesse acontecido nesses dois anos? Mas, se ao contrário, ao entrarmos no quarto e encontrarmos um bilhetinho gentil da direção do hotel celebrando omomento de retomada, tudo ficará melhor na nossa estadia. E um bilhete não custa nada, então não há desculpa para não fazê-lo”.

Cecília Russo

2. Sinalize as mudanças

Mostre que sua marca também se transformou nesses dois anos. Mudanças que podem estar nas medidas sanitárias adotadas, no procedimento de limpeza dos ambientes e na criação de espaços livres ou de um manual com orientações básicas sobre o que fazer diante de sintomas de doença. 

“Nada que gere pânico Nada que gere pânico, mas que mostre empatia e cuidado pelo turista. Isso trará uma sensação de mais segurança e criará a percepção de que o hotel, a empresa de turismo, a companhia aérea está cuidando de verdade”.

Cecília Russo

3. Ofereça tratamento diferenciado

As exigências impostas pela crise sanitária aumentaram as regras de controle e acesso, diante disso é preciso que quanto mais rígidas sejam as normas, mais simpático tem de ser o atendimento. Pedir RG, informações e certificado de vacinação, por exemplo, se justifica, mas a abordagem tem de ser com o olhar voltado para o cliente e as palavras, recheadas de gentileza.

“Minha dica então é treinar muito bem sua equipe para estar preparada para cobrar as exigências necessárias de forma a acolher esse turista, e não de encurralá-lo”.

Jaime Troiano

4. Não queira tirar o atraso

Bastam a inflação alta e a perda de poder econômico. O cliente não pode ser punido pelos dois anos de resultados negativos da sua empresa. Majorar os preços na tentativa de recuperar os prejuízos anteriores vai afastar ainda mais o turista.

“Aqui não falo apenas das tarifas de hotel, tarifas aéreas e essas coisas, mas também em serviços extras. Em geral, é nesses extras que preços altos aparecem, numa estratégia para tirar o atraso”.

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.

Greve de ônibus expõe, mais uma vez, falhas das empresas que exploram transporte por aplicativo

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A greve de motoristas e cobradores, em São Paulo, nesta quarta-feira, revelou mais do que os desafios constantes de um sistema de transporte caro e problemático. Expôs a fragilidade da relação entre usuários do transporte por aplicativo e as empresas que exploram esse serviço, especialmente Uber e 99. Enquanto a dificuldade de as partes entrarem em acordo, remunerando e oferecendo benefícios aos trabalhadores e conseguindo conter o custo do transporte de massa na cidade, deixou mais de um milhão e meio de passageiros a pé, o modelo de negócio dos ‘aplicativos’ voltou a prestar um desserviço à população.

Sem muitas alternativas, os passageiros de ônibus recorreram ao celular em busca dos “aplicativos” e foram surpreendidos, seja pela ausência de motoristas seja pelo alto custo. Foi enorme a quantidade de ouvintes da CBN reclamando do fato de terem tido uma série de corridas negadas pelos motoristas, mesmo depois de a viagem ter sido aceita — claramente, ato tomado pelos motoristas que perceberam que a remuneração seria bem menor do que o custo daquela viagem. Os passageiros que tiveram sucesso na chamada, se sentiram explorados pelo valor pago — resultado da tarifa dinâmica. 

Por coincidência ou não, ao mesmo tempo que ouvia as reclamações, ao vivo ou por mensagens dos ouvintes, recebi texto do meu colega de programa Jaime Troiano, um dos apresentadores do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Dos maiores conhecedores na área da gestão de marcas do Brasil, Jaime, baseado na frustrante experiência que teve com o Uber, ditou: 

“Como cidadãos, fomos espoliados. Como profissional de mercado, que pensa em Branding, pensei em outra coisa: que oportunidade maravilhosa o Uber perdeu!”.

Jaime Troiano

Em um cenário ideal, Uber, 99 e as demais empresas que exploram o serviço de transporte por aplicativo — e aqui o verbo pode simbolizar sua pior versão — teriam se colocado ao lado dos cidadãos, oferecendo vantagens aos passageiros e remunerando de forma decente seus motoristas. Não foi o que aconteceu. E assim a receita adicional obtida nesta paralisação dos ônibus jamais cobrirá o “mal-estar provocado nos seus potenciais clientes e os respingos na imagem institucional”, como escreveu Jaime. 

Chantagear o cliente em momentos de dificuldade tende a cobrar um alto preço nas organizações. E torna um desperdício o dinheiro investido nas campanhas que assistimos estampadas em painéis eletrônicos pela cidade nas quais os “aplicativos” forjam uma sintonia com seus clientes, ao transmitirem mensagens de apoio às mais diversas causas. 

Forçam a mão no storytelling e desdenham do storydoing que no fim das contas é o que interessa às pessoas.

Por curiosidade: o texto que recebi de Jaime Troiano era uma referência a greve de ônibus anterior, ocorrida no dia 14 de junho, em São Paulo, e se encerrava com a esperança de que a lição seria aprendida:

“Torço para que ela (Uber) não perca outras oportunidades como a do dia 14 para demonstrar suas autênticas convicções e valores. Os mesmos que ela professa publicamente”.

Lamento dizer, Jaime, perdeu! Perderam!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as 5 avenidas do branding que levam ao triunfo

“Quem constrói marcas apenas com base nas respostas politicamente corretas que ouve dos consumidores, não chega ao ‘arco do triunfo’”. 

Jaime Troiano

Observar ambientes e comportamentos ajuda na construção de marcas e inspira novas ideias. Já se falou disso, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Talvez você não lembre, mas o Jaime Troiano confessou, em algum programa do passado, que não resiste a uma armário de banheiro na casa das visitas. Os produtos que encontra dizem muito das pessoas e, especialmente, do que representam as marcas. Desta vez, ele e Cecília Russo mudaram o foco: ainda bem! Buscaram no mapa da cidade de Paris inspiração para pensar nos caminhos que levam as marcas ao sucesso.

O olhar deles concentrou-se nas estradas que convergem a Praça Charles De Gaulle-Étoile, onde está o Arco do Triunfo. Em vez das 12 avenidas originais, selecionaram cinco; e em lugar do marco histórico, convidaram os ouvintes a passearem até o que chamaram de Triunfo das Marcas. 

Acompanhe a seguir, quais são as cinco avenidas que os gestores das marcas precisam percorrer:

Avenida da Simplicidade:  na vida de uma marca, qualquer forma de
falar a respeito dela, qualquer comunicação que não seja simples atrapalha muito. Não é fácil ser simples.Eis aí bons exemplos: “se é Bayer, é bom”; “quem pede um, pede bis”.

Avenida da profundidade: é a avenida para afastar a ingenuidade. Qual? De esquecer que consumidor diz o que pensa mas faz o que sente. Mais do que nunca, estudos científicos que usam neurociência, por exemplo, são essenciais para penetrar nesse espaço pequeno, de um centímetro cúbico, escuro e úmido, onde se escondem os verdadeiros sentimentos e motivações dos consumidores.

Avenida da vitalidade: é aquela avenida em que  precisamos saber, com um olhar externo e independente, se a marca é forte não apenas na visão interna da empresa e não apenas na visão dos seus vendedores. Essa avenida exige uma consulta a quem, de fato, determina o sucesso da marca: seus consumidores e clientes. Deixem de lado a vaidade corporativa, ouçam o que dizem as vozes que vêm da rua ou você não chegará na Charles De Gaulle-Étoile.  

Avenida da autoridade: é nessa avenida que sua marca precisa ter convicção de que tem mais do que força apenas, tem autoridade para trabalhar com outras áreas de produto. Quando Dove percorreu as outras avenidas e chegou a esta quarta, sabia que podia deixar de ser apenas um sabonete.

Avenida da verdade: é a avenida que revela a suprema razão de ser da marca, o seu propósito.  A avenida que mostra que ela não é apenas mais uma, mas que  mostra o quanto atende de forma autêntica, as necessidades da sociedade.

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O quadro vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, às 7h50 da manhã.