É sobre todas as mulheres que sofrem violência por serem mulheres

Por Simone Domingues 

@simonedominguespsicologa

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“É o início do pesadelo. Quando o marido está assim, não importa a realidade,

ele detesta tudo e qualquer coisa. É como se fosse outro homem.

Janete se encolhe toda, olha para o colo, mal se mexe.

O tempo a ensinou como reagir. Melhor não dizer nada e esperar. Só esperar.”

(Trecho do livro: Bom dia, Verônica 
de Raphael Montes e Ilana Casoy)

A violência contra a mulher é um fenômeno em todo o mundo, independentemente de fatores sociais, econômicos ou culturais, vitimizando e dilacerando milhões de vida.

No Brasil, os dados apresentados pelas Secretarias Estaduais de Segurança Pública são assustadores. Em 2021, a cada sete minutos uma mulher perdeu a vida em consequência do feminicídio e a cada 10 minutos uma menina ou mulher foi vítima de estupro. 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ao longo da vida, uma em cada três mulheres é submetida à violência física ou sexual por parte de seu parceiro ou sofre violência sexual cometida por alguém que não seja seu marido ou parceiro.

A violência física é compreendida como qualquer comportamento que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher, na qual o agressor fere a vítima utilizando-se da força física, tais como chutes, tapas ou queimaduras corporais, podendo provocar lesões internas e externas.

A violência sexual ocorre quando a mulher é obrigada a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, através de intimidação, ameaça ou uso da força; bem como atitudes que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force, contra a sua vontade, ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição. 

Além desses dois tipos de violência, que de certo modo são mais visíveis, outra forma de agressão à mulher pode ser mais velada, encoberta, mas os danos causados são devastadores: a violência psicológica.

A violência psicológica é caracterizada como qualquer conduta que cause danos emocionais e psíquicos à mulher, prejudicando o seu desenvolvimento, ocorrendo através de ameaças, humilhações, insultos, manipulação, isolamento, ridicularização, limitação do direito de ir e vir. Frequentemente, o agressor proíbe a mulher de trabalhar, de se relacionar com amigos e parentes e até mesmo de sair de casa, justificando que tais atitudes visam sua proteção contra os perigos do mundo ou de pessoas que possam influenciá-la, com imposições de um saber superior ao da mulher.

Esse tipo de violência, ainda que tipificado na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006 sancionada para combater a violência contra a mulher), dificilmente é punido, entretanto, causa danos psicológicos significativos na vítima, tais como baixa autoestima, perda de confiança, apatia, tristeza, culpa, vergonha, medo, depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e síndrome do pânico.

A lista de consequências à saúde mental é longa, como reflexo da dor ou desesperança que muitas mulheres experimentam quando são vítimas da violência.

Quando a violência ocorre num relacionamento afetivo ou num contexto conjugal, em geral, ocorre num ciclo que é constantemente repetido, caracterizando uma relação abusiva. A psicóloga americana Lenore Walker caracterizou três ações que compreendem esse ciclo. Inicialmente, há um aumento da tensão, no qual o agressor tende a agir de maneira mais explosiva, como gritar, se alterar ou quebrar objetos. Em seguida, comete os atos de violência contra a vítima. A terceira fase do ciclo é caracterizada por arrependimento do agressor, alimentando, na vítima, a ideia de que possivelmente ele mudará o seu comportamento.

Isso gera um ciclo vicioso e perverso, no qual muitas mulheres se sentem impotentes, permanecendo ao lado dos agressores por medo, vergonha ou falta de recursos financeiros, na esperança que a violência termine.

Feliz será o dia em que minhas filhas poderão sair com a roupa curta sem que isso me gere preocupação com a vida delas. Feliz será o dia em que as mulheres possam usar os cabelos como desejarem, frequentar os lugares que quiserem e fazerem o que bem entenderem para si, sem medo de serem agredidas ou mortas.

Não é sobre o véu que deixou o cabelo à mostra. Não é sobre a roupa curta ou decotada. É sobre todas nós, mulheres, vítimas de violência pelo fato de sermos mulheres. Por todas elas, por todas nós! 

Só é possível mudar essa realidade com ações efetivas de governos e pessoas, capazes de combater e denunciar essas situações nocivas, promovendo oportunidades de acesso à informação, à proteção e a serviços.

Não se muda a violência contra a mulher esperando que um dia ela acabe. Isso é justamente o que a mantém.

Então, querida Janete, na violência contra a mulher o tempo não é um aliado. Não é possível não dizer nada. Não é possível só esperar. A espera custa a vida. 

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: pra não pisar na bola com a Copa do Catar

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“As marcas não têm o direito de se aproveitar de um sentimento nacional que é muito maior e mais importante do que a importância que elas têm”

Jaime Troiano

O calendário de fim de ano está concorrido, a começar pela eleição que se realiza no próximo fim de semana e se estenderá até o fim do mês seguinte. Mesmo que a escolha do presidente seja decidida em primeiro turno —- uma possibilidade conforme as pesquisas de opinião —, ainda teremos muitos candidatos a governos estaduais se engalfinhando nas semanas seguintes. E assim que a eleição se encerrar, a Copa do Mundo do Catar provavelmente vai tomar para si as atenções do público, mesmo daqueles que dizem não se importar com essas coisas do futebol —- desdenham da força desse espetáculo, mas o simples fato de terem de ressaltar que não estão nem aí para a coisa, sinaliza que a coisa existe.

Futebol e politica se misturam desde que esse esporte passou a ser visto como expressão nacional. Por mais de uma oportunidade foi explorado por políticos e governos. Não é diferente agora, quando até a camisa da seleção brasileira — que por sinal é de uma instituição privada, a CBF — foi sequestrada por bolsonaristas. Na Copa de 1970, a Ditadura Militar não se fez de rogada. Roubou a felicidade dos brasileiros diante da conquista do Tri Mundial para benefício próprio. Causou constrangimento e deixou um sabor amargo nas comemorações de um povo que só queria ser feliz diante da conquista de sua seleção.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, meus colegas de todos os sábados, Jaime Troiano e Cecília Russo, lembraram aquele momento para fazer um alerta às empresas, às marcas e aos seus gestores que pretendem usar a Copa como inspiração para suas campanhas assim que a eleição terminar. 

Primeiro — neste caso, sou eu quem estou chamando atenção aqui neste texto — é preciso saber que a Fifa é muito rígida e competente no controle de como a sua marca e a do Mundial são exploradas. Somente os patrocinadores oficiais têm o direito de usá-las em seus anúncios. Nem mesmo o nome Copa do Mundo do Catar pode aparecer nas peças publicitárias — se você não for um patrocinador oficial. Portanto, antes de tudo, cuidado para não ter de responder judicialmente.

O segundo aspecto a ser considerado  — e aí a bola está com o Jaime e a Cecília —- é o da antiga lição de que jamais devemos transformar oportunidade em oportunismo. O público sabe bem quando isso acontece:

“Mantenha o seu posicionamento, a sua identidade sempre, mesmo quando você  tiver que aproveitar alguma ocasião especial. Pode ser uma data comemorativa, uma celebração, um evento especial, etc. Mesmo  quando você embarca numa dessas datas, nunca troque sua alma, sua essência por uma oportunidade de ocasião”

Cecília Russo

Marcas que mudam de cara conforme a “festa” deixam de ser autênticas e perdem identificação com seu público. A coerência na comunicação constrói imagem e, portanto, nenhuma comemoração —- por melhor que seja participar dela — deve ser motivo para você se arriscar em aventuras distantes da sua essência. 

Jaime constata que, com a aproximação da Copa, algumas marcas querem tirar proveito desse clima de seleção e mostrar, por exemplo, que o evento nos aproxima, como se não soubéssemos da distância que o clima político tem gerado na sociedade brasileira:

“Assumir o papel de quem abençoa a união nacional vai um pouco além da conta, como função de uma marca”.

Jaime Troiano

É possível usar os grandes eventos para engajar o público, mas deve-se considerar se sua marca tem alguma identificação com o assunto. Aqueles que já exploram o universo esportivo podem fazer essa conexão de maneira mais apropriada, portanto cuidado para “não pisar na bola” —- com a devida licença para o uso do trocadilho.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Mundo Corporativo: a comunicação consciente exige escuta genuína, diz a fonoaudióloga Mara Behlau

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“A comunicação profissional é treinada: comece escutando genuinamente o outro; confirme o que você escutou; lembre-se que em toda a comunicação, eu preciso ter um objetivo e um eixo condutor. Valorize quem ouve e faça uma associação entre a sua mensagem verbal e não verbal”

Mara Behlau, fonoaudióloga

A maior parte do tempo que nos comunicamos o fazemos de forma automática. E isso tende a causar uma série de desconfortos. Não por acaso, das reclamações mais ouvidas está a de que o outro não me entende — como se não fossemos os responsáveis pela mensagem transmitida. Comunicação inconsciente gera comunicação inconsistente. Porque não se faz de maneira plena. A começar pelo fato de praticamente eliminarmos dessa jornada o elemento mais importante que é a escuta, como alertou Martha Behlau, fonoaudióloga, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN:

“Existe uma arquitetura estrutural na comunicação e o terreno dessa construção, dessa arquitetura é a escuta; então, a escuta é a base de uma boa comunicação. Lembrando que o ouvido ouve e quem escuta é o cérebro. A escuta é interpretativa”.

Doutora em distúrbio da comunicação humana e professora de comunicação para negócios e relações interpessoais do Insper, Mara escreveu em co-autoria com Marisa Bárbara, especialista em comunicação corporativa, o livro “Comunicação consciente, o que comunico quando me comunico”. Nesse trabalho, fica evidente a ênfase que devemos dar a prática da escuta, a ponto de terem sido identificados cinco tipos de escuta: 

  1. Passiva — quando escuto alguém que eu gosto, que me conta uma história bonita ou que me conta uma piada, eu não faço nada a não ser apreciar; e o outro gosta de se sentir apreciado.
  2. Empática — quando alguém desabafa, quando alguém conta um problema, o que a pessoa quer é acolhimento; não, necessariamente, a pessoa quer que você resolva o problema dela. 
  3. Organizativa — quando alguém conta uma história difícil, de um acidente, uma tragédia ou de uma crise pessoa, as mensagens vêm confusas e cheias de emoção. Quem ouve tem de parar o falante e organizar o roteiro de sua fala; e a pergunta principal é: de tudo o que você está me dizendo o que é o mais importante, o que eu preciso saber agora?
  4. Perspicaz — é a escuta do aprendizado; que ocorre, por exemplo, quando estamos conversando com a concorrência e avaliamos se aquela informação tem serventia, se é possível aplicá-la em alguma situação e se já ouviu algo semelhante.
  5. Avaliadora — é a escuta de julgamento; quando fazemos uma série de perguntas com objetivos bastante específico de julgar uma pessoa ou um colaborador que, por exemplo, não atingiu a sua meta. É quando escutamos para entender se nosso interlocutor deve ser desculpado, corrigido ou punido.

São fatores de sucesso, também, na comunicação a autenticidade, o respeito às regras, expressão de auto-estima, a atitude de resolução de problema e o foco duplo —- que vem a ser o cuidado que tenho tanto com a mensagem que transmito quanto com quem está recebendo essa mensagem. Mara aproveita para recomendar a você que está preocupado com a mensagem que vai transmitir e com quem vai receber essa mensagem: entre duas palavras, escolha a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta; jamais infira o que o outro entendeu, certifique-se; e, acima de tudo, lembre-se:

“O impacto da comunicação é imediato e é enorme. Eu posso mudar com duas palavras no WhatsApp pressão sanguínea, batimento cardíaco, respiração e o humor de uma pessoa que está em Katmandu, em Nova Iorque ou em outro lugar”.

Ao não entender essa influência que pode ter sobre os outros é que muitos líderes acabam criando ambientes tóxicos de trabalho. Mara diz que esse tipo de liderança muitas vezes não percebe o mal que faz, até porque, por algum tempo, os resultados aparecem na empresa. Porém, costumam ter dificuldade de desenvolver pessoas e geram desafetos ao longo de sua jornada profissional.

Assista ao Mundo Corporativo com a fonoaudióloga Mara Behlau:

Colaboraram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: tal qual uma caixinha mágica, exerceu um encantamento sem igual

Por Samuel de Leonardo

Ouvinte CBN

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Chegamos na cidade em 1957, vindos de Inúbia Paulista. Meus pais, eu ainda bebê, meu irmão mais velho e meus avós paternos. Por muitos anos moramos em um local que não tinha ruas asfaltadas, saneamento básico, sequer energia elétrica: no bairro de São Domingos, no Butantã. Em meados de 1961, finalmente chegou a energia elétrica instalada pela Light. Daquele momento em diante tudo mudou. Até então não tínhamos sequer um radinho de pilha.

Com a instalação  da energia elétrica,  meu pai compra um extraordinário rádio, da marca Semp, em móvel de madeira envernizada, com 4 faixas de ondas,  via carnê na Mesbla da Rua Butantã, em Pinheiros. Assim começamos a ouvir rádio pela manhã, ao longo do dia, até a hora de dormir. Vale frisar que os aparelhos transmissores à época tinham válvulas, ao acionar o botão “on” demorava alguns segundos para esquentar e ligar o aparelho de fato.

Meu avô não perdia nenhuma edição do “Primeira Hora” e de “O trabuco” com o Vicente Leporace, ambos na Rádio Bandeirantes.  Já o meu  pai gostava de ouvir, na Rádio Piratininga, o jornalístico “Rotativa no Ar” e o “Grande Jornal Falado Tupi”, na rádio Tupi, com os comentários de Corifeu de Azevedo Marques. 

Desde então, o rádio faz parte do meu universo. Aquele aparelho sonoro, tal qual uma caixinha mágica, exerceu um encantamento sem igual, extrapolando a imaginação do menino de apenas seis anos.

Ao som de locutores extraordinários, grandes jornadas esportivas, eu acompanhei a alegria contagiante na conquista do bicampeonato na Copa do Mundo de 1962, no Chile, e as lágrimas pelo fracasso na derrota do Brasil contra Portugal, em 1966,  na Copa da Inglaterra.

Ao som do rádio, o garoto cresceu. Virou hábito acompanhar as jornadas esportivas, alternando no dial, entre uma  emissora e outra para comparar a precisão do narradores, sempre vibrando ou sofrendo com o tricolor. Acostumara, de madrugada, sintonizar emissoras de outras localidades, navegando nas quatro ondas, que o aparelho oferecia, como fazemos hoje navegando na internet. Mamãe também tinha seus momentos, novelas e mais novelas na Rádio São Paulo.

Chegara a adolescência, e com ela o prazer de ouvir músicas que atendiam o público jovem e, bem antes da disseminação das emissoras em FM, tenho boas lembranças da Excelsior — A maquina do som, com Antonio Celso, e da Difusora com o “Disco de ouro”, na voz de  Darcio Arruda.

Aos quinze anos consegui emprego em uma empresa do setor agropecuário, com sede em Santo André, com escritórios em Pinheiros. No período em que lá permaneci, conheci um grande apresentador de rádio daqueles tempos, Rubens de Moraes Sarmento, cujo programa na Rádio Tupi tinha o patrocínio da empresa. Eu cuidava do envio dos spots em disco vinil, no formato de um compacto, em 78 rotações, para a veiculação no seu programa, fazia a checagem das inserções comerciais e, pessoalmente, do pagamento do seu cachê. Isso, e mais a minha infância toda ouvindo rádio, exerceram forte influência na minha escolha profissional. 

Hoje, publicitário aposentado, continuo sem dispensar a companhia do Rádio, quer seja no carro, na cozinha, no quarto, no celular, no computador, na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapé. 

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio.

Avalanche Tricolor: o sorriso de Lucas Leiva

Grêmio 3×0 Sport

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegte/RS

Lucas Leiva comemora gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Punho cerrado, braço estendido em direção ao céu e corpo elevado por um dos colegas. Assim Lucas Leiva comemorou o primeiro gol dele desde que voltou ao Grêmio e o segundo na vitória importantíssima desta noite — não apenas porque nos deixa mais próximo da classificação à série A , mas também porque corremos o risco desta ser a última partida na Arena, nesta temporada. Havia também um sorriso estampado no rosto desse gremista que, após vitoriosa carreira no exterior, decidiu encerrar sua jornada no time do coração.

Um sorriso que não escondia o alívio de quem sabia da dívida que tinha com o clube, pois desde que retornou não havia conseguido impor o futebol que lhe alçou ao sucesso. O próprio Lucas confessou, ao fim da partida, a frustração de não ser capaz de repetir com a camisa do Grêmio o talento que lhe projetou internacionalmente — ops, não é de bom tom usar essa palavra em uma Avalanche Tricolor, vamos então mudá-la para mundialmente. 

Nesta terça-feira, jogando mais à frente , pela total ausência de armadores e criadores no meio de campo, Lucas demorou para entender sua função. Participou de alguns lances, mas sem o diferencial que esperamos de alguém com a capacidade dele. 

Foi no segundo tempo, quando se imaginava lhe faltaria fôlego para manter a intensidade na marcação na saída de bola, que Lucas apareceu. Iniciou a jogada do primeiro gol no meio de campo e participou da sua finalização já dentro da área adversária, com a conclusão de Biel — em tempo: é incrível a dedicação desse menino de apenas 21 anos. O segundo gol, como já disse, foi de autoria dele e resultado de lançamento de Diogo Barbosa e da presença de Rodrigo, recém-entrado, dentro da área. Lucas disputou com o zagueiro e bateu forte, estufando as redes.

O sorriso na comemoração voltou a se repetir na entrevista final, ao comentar o placar elástico sobre um adversário que vinha se assanhando na competição e já era visto como uma “touca” do Grêmio, diante das estatísticas favoráveis nas últimas temporadas. Lucas Leiva estava feliz com o gol e a vitória — o terceiro gol foi marcado por Bitello. Uma felicidade que me representava em campo. Uma felicidade apropriada para o momento, sem a ilusão de que está tudo resolvido e menos ainda de que estamos esbanjando qualidade técnica.

Foi o próprio Lucas Leiva quem disse ao repórter que o abordou ao lado do campo que no Grêmio nada é fácil, tudo vem com sofrimento, mas, no fim, na maioria das vezes, as coisas dão certo. 

Que Lucas siga nos dando o direito de sorrir!

Em tempo: o que você vai ler a seguir, é claro, é opinião de um torcedor gremista; mesmo assim, espero que você tenha parcimônia em compreender o que penso sobre o assunto. Torcedores do Santos invadiram o gramado e um deles tentou dar uma voadora no goleiro Cássio do Corinthians. O time paulista foi punido com perda de mando de campo nos dois próximos jogos da Copa do Brasil, no ano que vem. Alguns torcedores se engalfinharam nas arquibancadas, na partida contra o Cruzeiro, e o Grêmio foi punido com a perda de três mandos de campo, que se for mantida representará o fim da presença gremista em seu estádio nesta temporada. É justo?

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: sete regras para escolher o nome da marca

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“Já dei nomes para marcas. Já dei nome para filhos. Muito mais difícil dar nomes para marcas”

Cecília Russo

Escolher o nome da marca exige cuidados muito especiais. Como disse Cecília Russo no epígrafe deste texto, é mais difícil do que escolher o nome do seu filho – em tempo, além de especialista em branding, ela é mãe. O que justifica esse pensamento? Na minha opinião, que sou pai, é que nome de filho escolhemos para nos agradar e nome de empresa ou marca, para agradar o cliente. Sem contar outros cuidados burocráticos que essa decisão exige.

Para facilitar sua tarefa, a Cecília e o Jaime Troiano identificaram sete regras, ou sete ‘tens’, para você escolher o nome da marca:

  • Tem de ser diferente — nomes precisam ter algo, de fato, diferente dos seus concorrentes. Caso contrário, vão ser engolidos por eles. 
  • Tem de emocionar — os melhores nomes são aqueles que ajudam a provocar algum tipo de emoção, de sentimento e não apenas uma palavra fria.
  • Tem de registrar — consulte o INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial para saber se você pode registrar sua marca ou ela já tem dono
  • Tem de ser curto — vale a pena um grande esforço para se  ter um nome tão curto quanto possível. O que não significa obrigatoriamente criar uma sigla. Mas uma palavra enxuta. Exemplos: Gol; ZAP; Visa, Skol.
  • Tem de saber pronunciar —  é meio lógico, mas é um alerta. Apesar de que nomes que alguns difíceis de pronunciar terem sido capazes de criar uma certa graça como é o caso do Haagen-Dazs. 
  • Tem de desenhar — se o nome permitir uma fácil representação  visual, melhor. A construção da marca agradece. Querem um bom e atual exemplo: Twitter, a sua representação por meio de um pássaro é uma grande sacada por causa do nome tweet que se refere ao barulho de um passarinho. Tem mais: os peixinhos da Hering.

 “Desde pequeno, em nossas vidas, a gente tem muito mais dificuldade de guardar na memória palavras e muito mais facilidade de guardar imagens” Jaime Troiano 

  • Tem de valer lá fora — marcas que poderão ser vendidas em outros países têm de cuidar com as palavras impronunciáveis ou que significam palavrões em outros lugares.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Avalanche Tricolor: você não tem ideia

Novo Horizontino 2×0 Grêmio

Brasileiro B – Estádio Jorjão, Novo Horizonte/SP

Foto de Lucas Uebel

Foi hoje pela manhã que terminei de escrever o texto que você encontra abaixo deste. Com os dias corridos como têm sido esses últimos, não havia conseguido publicá-lo na sexta-feira que antecede a apresentação do programa Mundo Corporativo, como gosto e costumo fazer, com o objetivo de oferecer ao ouvinte e leitor acesso às informações completas que vão ao ar no programa de rádio. 

Atrasei a entrega, considerando o prazo que minha disciplina me impõe, porque a semana foi intensa tanto quanto cansativa. Foi feliz, também, já que os resultados alcançados foram bastante positivos —- os meus resultados, lógico! 

Encontrei plateia entusiasmada diante da mensagem que apresentei em palestra e ouvintes carinhosos e acolhedores pela visita que fiz a Manaus, no meio da semana. Em São Paulo, de um frio arrepiante, também tive dias gratificantes, tanto pelo que aconteceu na profissão como na vida pessoal. Dias que se encerram aqui no interior de São Paulo onde aproveito a companhia da família em meio a uma reserva florestal.

Compartilho tudo isso, em um espaço que seria dedicado apenas ao futebol, porque foi o atraso no texto escrito que me fez ter acesso a recomendações de uma especialista em gestão e desenvolvimento humano, na manhã deste sábado, antes de começar a escrever esta Avalanche. Ela recomenda que não se haja impulsivamente frente a situações difíceis ou que exijam sensibilidade. Pede para que se ouça atentamente o outro, observe-se a situação com cautela e se dê um tempo para responder, permitindo que nossas ideias, às vezes animalescas, migrem do cérebro reptiliano para o cérebro racional.

Oportuna lição, porque você não tem ideia do que o meu cérebro mais primitivo estava doido para escrever nesta Avalanche depois do que assistimos na noite de ontem, em Novo Horizonte. Ou, se você viu o jogo, talvez tenha ideia, sim!

Mundo Corporativo: o novo líder tem de ser uma grande observador, diz a consultora Andrea Deis

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“Hoje, se cobra muito do indivíduo. Mas na minha opinião é uma incoerência muito grande porque ele não pode pensar, ele não tem autonomia para decidir e, detalhe, ele ainda tem que entregar resultado e sorrir”  

Andrea Deis, professora e consultora

O ser humano tem de estar no centro da estratégia. E nada pode ser mais importante do que isso, porque sem ele não existe competência, tanto quanto não se tem resultado nem inovação. Mesmo que se insista em falar em transformação digital e metaverso, as pessoas são a prioridade e a pandemia nos ensinou isso — ao menos deveria ter ensinado. Para Andrea Deis, professora de gestão de desenvolvimento humano e empresarial, uma das lições que ficaram foi a de que se o indivíduo não estiver bem, não existe competência:

“Em gente adoecida não existe competência, com morte não existe competência e desenvolvimento do pensar, se as pessoas não estão com a sua saúde mental em equilíbrio”.

Especialista em neuroliderança, Andrea foi entrevistada no Mundo Corporativo da CBN e lamentou que muitas empresas ao retomar as atividades tenham regredido dois anos em sua forma de atuar, pois decidiram manter os mesmos padrões, apesar das lições que a pandemia ensinou. Um dos exemplos é em relação ao trabalho híbrido, quando se provou que era possível manter-se a produtividade e as atividades mesmo à distância, com uma série de benefícios como a de se eliminar o tempo perdido no deslocamento da casa para o trabalho e do trabalho para a casa. No entanto, certificando a tese de que “se age no caos, mas esse caos não nos ensina”, as organizações tentam impor aos seus colaboradores a mesma dinâmica do passado:

“Um valor para ser mudado precisa no mínimo de uma década ou seja mais de duas gerações fazendo com que realmente se reafirme aquele novo modelo mental. O que que aconteceu com a pandemia? Aconteceu todo o caos. Existiu uma adaptação para que as empresas pudessem persistir àquele cenário, porém a grande maioria não voltou com essa habilidade construída”.

Para acelerar esse aprendizado, Andrea recomenda que as empresas abram mão do sistema de controle, gerem pontes com seus colaboradores, exercitem a  humildade e se habilitem a ouvir as pessoas. Não ouvir é desperdiçar 30% da sua receita — dizem pesquisas na área de gestão, segunda a consultora.

Para ela, o problema é que um pequeno grupo dentro das empresas toma as decisões e as transformam em estratégia empresarial, entregando-as para as bases sem que estas se sintam proprietárias dessas ações. Ou seja, são apensa cumpridoras de tarefas e não protagonistas. Isso explica, em parte, porque pesquisas mostram que cerca de 75% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho. De acordo com Andrea, o primeiro motivo é porque os colaboradores não têm senso de pertencimento; o segundo é porque os relacionamentos não são saudáveis; e apenas em terceiro lugar, decido aos salários. 

“Tem muita gente escutando e falando, pouca gente se comunicando e ouvindo. Ouvir é você parar para sentir o que o outro estava sentindo; você entender a necessidade do outro e não, simplesmente, entrar no processo de luta e de defensividade, porque isso só distancia. Então, a escuta empática aproxima através do atendimento dessas interesses em comum”

Andrea lembra que interesse é palavra que nos remete a “inter seres” ou “entre os seres”. A neurociência ensina que não existe desenvolvimento da humanidade com total inconsciência, portanto para que o interesse se realize é preciso ter consciência do outro. Uma das formas é evitar a fala instintiva, sem reflexão, o que leva Andrea a propor o uso de uma ferramenta batizada STOP, sigla em inglês para quatro passos necessários para que a comunicação se realize de forma efetiva: parar, pensar, observar e falar. Instrumento que deveria pautar o comportamento dos líderes:

“Antes a gente falava que o líder é aquele que influencia. Hoje, o líder é o grande observador. Mais do que liderar, ele precisará observar talentos e através dessa observação interpretar e facilitar caminhos. Eu falei observar, eu não falei nem guiar nem influenciar. O papel do líder é aquele que para, observa, entende e interpreta para facilitar resultados. Esse é o papel do líder pós-pandemia. Ele vai observar o que você tem de melhor, entender e interpretar para facilitar o seu processo. E, principalmente, como líder ter a tomada de decisão de alocar você na melhor posição”.

Você pode assistir aqui à entrevista completa com Andrea Deis, no Mundo Corporativo, da CBN:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: estar em casa era estar com o rádio ligado

Américo de Oliveira Matos 

Ouvinte da CBN

americo.matos@uol.com.br

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Tenho 70 anos e sou natural da Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. Desde que me conheço por gente sou fascinado pelo rádio. Creio que por influência da minha família. Meu avô, em 1932, foi o primeiro proprietário de um aparelho de rádio da minha rua. Modernidade rara naqueles tempos !!! Ele queria acompanhar melhor os acontecimentos da revolução de 32, os jornais em papel, já não o satisfaziam, ávido por notícias.

Eu desde pequeno ficava ao pé da minha mãe, outra fanática por rádio. Enquanto ela costurava ou fazia outros afazeres, eu brincava. E através de um Philips ou em outro de marca Belmonte, aqueles de válvula e um olho mágico, para auxiliar na sintonia das emissoras, ela ficava ouvindo as novelas da Rádio São Paulo, ou o programa “Parada de Sucessos” da Bandeirantes, notícias na Rádio Piratininga ou Nacional, músicas na Rádio Cultura ou Tupi. Ah… E religiosamente todas as tardes, às 18 horas, reunia os filhos e ouvíamos “A hora da Ave Maria” na rádio 9 de Julho.

Já meu pai, outro fanático por rádio, além de ouvir programas que tocavam fados, afinal era um português saudoso da “terrinha”, costumava ficar com o radinho de pilha ouvindo futebol na Panamericana, Gazeta ou Bandeirantes.

Quando eu já era adolescente, estar em casa era estar com o rádio ligado. Ouvir as estações jovens da época: Difusora, Excelsior e até Mundial do Rio de Janeiro e aproveitar para gravar as músicas preferidas no gravador de fita cassete. Afinal, comprar long-plays ou compactos simples era proibitivo.

À noite, um dos meus maiores passatempos era sintonizar as rádios de outras cidades, tanto em ondas médias como nas curtas. Fazia planilhas listando as rádios e as frequências que eu conseguia sintonizar. Era enorme a emoção de captar em ondas médias rádios de Buenos Aires, Montevideo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e até Salvador. E nas ondas curtas, captar rádios das mais diversas línguas e em plena “Guerra Fria” ouvir a “A Voz da América” ou a ” Radio de Moscou”.

Desde que surgiu a CBN – A rádio que toca notícias, passei a ouvi-la diariamente, tornei-me praticamente um dependente da melhor divulgadora de notícias do país. Até hoje nada me dá mais prazer do que ouvir uma boa música ou saber das últimas, numa boa rádio!!!

Américo de Oliveira Matos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: contagem regressiva para o fim da maldição

Grêmio 2×1 Vasco

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Thaciano comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Empurrado pelo torcedor e motivado pelo treinador, o Grêmio venceu um dos adversários diretos pela classificação à Série A. Saiu atrás, com um gol tomado logo nos primeiros minutos, não esmoreceu e virou o placar ainda no primeiro tempo. Bitello fez um gol de “chiripá”, nome de uma indumentária que os gaúchos vestiam antigamente que serviu para batizar esses chutes que saem meio enviesado mas chegam ao seu destino. O outro, de Thaciano, aos moldes “carretão”, aquela máquina movida por tração animal capaz de moer o que havia no caminho. 

Jogou melhor que o adversário e brigou de igual para igual —  o verbo é mais apropriado para o que os dois times apresentaram na disputa pela bola na etapa final. 

Enquanto jogou futebol, o fez com intensidade e velocidade, haja vista o gol da virada: se iniciou com o corte da defesa, a bola foi para Thaciano que encontrou Biel disparando na frente, em uma desabalada correria; o mesmo Thaciano chegou livre na cara do gol, recebeu e marcou. Contra-ataque de carteirinha.

Quando o futebol não se expressava mais,  demonstrou dedicação, esforço e entrega. Teve carrinho com direito a vibração de zagueiro, catimba para conter o desespero do adversário, um goleiro que fez ao menos duas grandes defesas e um ferrolho com três e até quatro volantes de marcação para impedir a pressão no fim da partida.  

Seis pontos à frente do quinto colocado e com 92% de chances de se classificar, faltam agora nove partidas para o fim do campeonato, quatro delas em casa quando teremos o torcedor no cangote para fazer o time resistir ao adversário, e ao futebol precário. Será preciso marcar pontos fora de casa, também, para não corrermos riscos.

A maior motivação está na promessa do treinador de que a meta é subir e o bom futebol a gente vê depois —- suficiente para engajar uma torcida desacreditada no potencial do clube, desde a tragédia do ano passado. Curiosamente, nada diferente do que tínhamos até aqui — até os velhos desafetos do torcedor estiveram todos em campo na tarde deste domingo —, mas o futebol é assim mesmo: a narrativa vale mais do que os fatos. E enquanto a narrativa for vitoriosa, prevalecerá. Que siga sendo ao menos até que a gente se livre dessa maldição. Estamos na contagem regressiva.