Conte Sua História do Rádio em São Paulo: a disputa entre Roberto Carlos e Paulo Sérgio no rádio

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

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Em 1959, quando nasci na Maternidade de Vila Maria, zona norte, a maioria das pessoas não tinha como comprar uma televisão. As notícias, histórias, músicas eram pelo rádio.

Morávamos em um cortiço na Vista Alegre, onde também viviam minhas tias. Quase todos os dias, elas se reuniam em volta do rádio para ouvir a Nacional. Gostavam do programa “História que o povo conta”, interpretadas por Silvio Santos. Éramos pequenos e morríamos de medo com o programa.

Mantivemos o hábito quando nos mudamos para uma casa na Vila Sabrina. No rádio, também havia uma disputa entre os cantores Roberto Carlos e Paulo Sérgio. O programa levava ao ar a música de um e de outro e os ouvintes escolhiam  a melhor. 

Eu e meu irmão, adolescentes, tirávamos sarro com as duas filhas de um dos nossos vizinhos. Toda vez que Paulo Sérgio ganhava a disputa. subíamos no muro e gritávamos para elas: “Paulo Sérgio é o melhor”, Tadinha, fãs do Roberto, elas até choravam. O troco vinha no dia seguinte quando Roberto Carlos era o vencedor. Só que a gente não chorava …

Nos anos de 1970, acordávamos com o Zé Béttio, na Rádio Record, que produzia o ruído de uma bacia d’água sendo despejada sobre os dorminhocos.  “Olha à hora, gente, olha à hora”, “joga água nele”, “acorda, gordo!” Entre uma fala e outra, havia burro zurrando, galo cantando e boi mugindo.

Não abandonamos o rádio nem mesmo quando meu pai conseguiu comprar uma televisão preto e branco. 

Depois que casei, em 1978, passei a levantar da cama com o rádio relógio ligado na Excelsior. E mais tarde, nos anos 90, conheci a querida CBN. 

Hoje, aposentado, com dois netos morando em casa, mantenho o hábito. Acordo às seis horas com as notícias do dia. No caminho da escola, levo os dois com o rádio na CBN, que também é minha companhia nas caminhadas diárias de seis quilômetros. Não desligo meu radinho de pilha nem mesmo na hora do banho ou nos fins de semana. Só mesmo quando quero ouvir música busco a Alpha FM, mas volto em seguida para me atualizar na CBN.

O certo é que aqui em casa não sabemos viver sem ouvir os programas de rádio.  

Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Conte Sua História do Rádio em São Paulo: as luzes das válvulas do rádio

Giuseppe Nardelli

Ouvinte CBN

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Bom, o rádio sempre fez parte da minha vida. Lembro que ainda pequeno, tinha uns seis anos, morava no Largo do Arouche. Minha avó, no apartamento da frente, eu, meu pai e minha mãe no do lado. 

Todas as manhãs, eu ia dar um beijo e desejar bom dia pra minha avó, e ela estava ouvido o rádio valvulado. Era lindo: tinha a frente toda decorada; o “dial” era redondo e tinha um ponteiro, feito um relógio.

Ela ouvia às seis horas da manhã, o programa do grande Vicente Leporace. Voz firme e trazendo as notícias do dia.

Ainda estava escuro no quarto dela, mas as luzes das válvulas do rádio projetavam uns pontos lindos através da tampa traseira do rádio, cheia de furinhos. Eu ficava encantado com aquela voz que vinha daquele simples aparelho.

E assim foi… anos depois, meu pai sempre fazia a barba ouvindo a concorrente, Jovem Pan. Todas as manhãs, eu acordava com aquele som do “repita”. Era mágico!

E assim fui tendo o gosto e o vício de ouvir rádio. Mas não é só isso.!

O rádio esteve tão presente na minha vida que, quando minha avó ia para a Itália, o único meio de ter notícias dela era falar pelo rádio amador, o PY. Minha avó tinha um sobrinho que usava rádio amador potente na Itália e ele nos indicou um PY aqui de São Paulo. Pronto! Era só ir na casa dele, com poderosas antenas, e fazer contato com a Itália. Falávamos toda a semana com minha avó através das ondas do rádio. Como você pode ver, caro Milton, o rádio nunca saiu da minha vida. Nem o AM, nem o PY.

Pra encerrar, ganhei o primeiro rádio Philco Transglobe, em 1979. Pegava as ondas curtas. Era um deleite ouvir várias línguas e várias notícias naquele chiado das pequenas e potentes ondas. Tenho ele até hoje, intacto e funcionando!

Na década de 1980, fui fazer rádio na Bandeirantes. Tinha um programa sobre eventos artísticos. Entrevistei muitos artistas e cheguei a fazer rádio ao vivo. Quero dizer que amo rádio e desejo um feliz dia do rádio a todos que, como eu, usam e abusam dessas ondas mágicas!

Giuseppe Nardello é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Conte Sua História do Rádio em São Paulo: as “crianças” da sala de aula de Nhô Totico

Flávia Bissoto

Ouvinte da CBN

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Uma semana antes de ouvir o convite da CBN para escrever nossas histórias no rádio, minha Tia Wilma Medeiros, que hoje tem 89 anos, havia me contado um fato de sua infância:  ela ouvia o programa de Nhô Totico — um dos ícones do humor radiofônico, no Brasil

O programa se passava em uma classe de escola, era a Escolinha da Dona Olinda, na qual havia vários alunos diferentes, com sotaques diferentes: um inteligente, outro chorão … e o preferido dela era o Jorginho, o Turco.

Minha tia me disse que quando tinha por volta de seis ou sete anos, a professora dela levou os alunos para conhecer o programa do Nhô Totico.

Chegando na emissora de rádio, minha tia ficou esperando pelas crianças da escolinha da Dona Olinda. E nada das crianças chegarem. As crianças não chegaram.

Para surpresa e decepção dela, Nhô Totico era um adulto, gente grande, que imitava a professora, Dona Olinda, e os alunos da sala de aula. 

Nhô Totico foi muito gentil com minha tia. Afagou sua cabeça e beijou suas mãozinhas, pois ela era a menorzinha da classe. Apesar do carinho, Tia Wilma disse que estava assustada. Não era o que esperava encontrar. Naquele dia, se desfez a magia daquele programa de rádio. 

Para ela o melhor do rádio estava mesmo na imaginação!

Flávia Bissoto Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Conte Sua História do Rádio em SP: minha fonte da informação

Neste mês de setembro, o Conte Sua História de São Paulo abre espaço para uma edição especial em homenagem aos 100 anos do Rádio, que se completam no dia sete. Os ouvintes foram convidados a falar de suas experiências com este veículo e os textos selecionados serão publicados todos os sábados deste mês e, também na semana de 5 a 9 de setembro, no CBN SP. Como sempre, a sonorização é de Cláudio Antonio que buscou nos arquivos do rádio de São Paulo momentos desta incrível história.

Mário Curcio

Ouvinte da CBN

Minha história com o rádio começa com um daqueles modelos à pilha e capinha de couro marrom, que já estava em casa antes de eu nascer. A marca era Hitachi. Ele ainda existe. Foi um presente que meu pai deu pra si mesmo no dia em que meu irmão nasceu. Dentro da capa está marcado à caneta o dia da compra: 6 de julho de 1959.

O radinho tem duas faixas, AM e Ondas Curtas, uma frequência em que é possível ouvir até emissoras da Europa e da China nas noites de céu limpo.

O seu João, meu pai, tem hoje 92 anos. Ele cresceu na época de ouro do rádio, quando a família se reunia à noite para ouvir shows de auditório, novelas e também notícias sobre a Segunda Guerra Mundial. Mas foi com aquele rádio marronzinho que ele comemorou as Copas do Mundo de 1962 e 1970. Também vibrou com muitos gols do nosso Palmeiras.

Neste radinho descobrimos quem era Adoniran Barbosa. Nossa música favorita com o Adoniran ainda é “O Samba do Arnesto”. Em 1970 meu pai estava no auge da carreira dele na indústria farmacêutica Squibb aqui em Santo Amaro e comprou um Chevrolet Opala Standard.

O carro veio sem rádio, mas nas primeiras viagens ele prendia o velho radinho no quebra-vento pra não perder o futebol. Esse aparelho também servia como espanta-ladrão: nas noites em que saíamos, ele ficava ligado na sala pra fazer de conta que tinha gente em casa.

Neste e em outros aparelhos, eu e meus irmãos passamos parte da infância e a adolescência ouvindo duas emissoras de AM aqui na capital paulista, a Difusora 960 e a Excelsior 780, a Máquina do Som, que deu lugar à CBN em 1991. Também pegamos o período de transição para o FM, uma frequência que melhorou muito a utilização do aparelho, especialmente dentro de empresas ou lugares com muitos equipamentos elétricos, que ainda causam interferência no AM.

Sou jornalista e o rádio é minha principal fonte de informação. Ouço a CBN dia e noite. Para o meu pai, que perdeu a visão por causa da diabete, o rádio é sua tevê, seu futebol e sua vida.  

Mário Curcio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Em outubro, voltaremos à nossa programação normal, então aproveite para contar a sua história da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para conhecer outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: os estranhos fenômenos que permitiram a vitória do Grêmio

Grêmio 2×1 Vila Nova

Brasileiro B — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Thaciano comemora segundo gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Para falar da vitória gremista nesta noite de sexta-feira, destaco dois momentos que me chamaram atenção na partida.

No primeiro, o VAR cconvoca o árbitro depois do segundo gol do Grêmio. Pior do que a dúvida de ver o gol ser anulado, é o risco de o lance retornar à origem e um pênalti ser assinalado; de o 2 a 0 que o placar da TV já registrava se transformar em 1 a 1, em meados do segundo tempo. Foram quatro ou cinco minutos de discussão, revisão e ameaça de correção. Acostumado com os acontecimentos dos últimos tempos, do alto do sofá de minha casa, já previa o pior porque assim tem sido nossa jornada desde a tragédia do ano passado: se alguma coisa pode dar ruim, dará ruim.

No segundo, um escanteio a favor do adversário é assinalado quando o cronômetro já havia corrido mais de seis minutos desde os 45 finais. Era resultado de uma sequência de tentativas de ataque que pressionavam nossa defesa e provocavam um sofrimento desmesurado na torcida. Um gol naquele momento seria a decretação do empate — já havíamos tomado um aos 33 do segundo tempo —, da manutenção da série sem vitórias e a abertura da temporada de horrores na reta final do campeonato. Antes de o cruzamento se realizar, meu descrédito previa o pior. Tinha a impressão de que nada seria capaz de impedir aquela bola de entrar no nosso gol. E o pior esteve perto de ocorrer, porque a bola foi mal rebatida pelo Grêmio, ficou dentro da área e por duas vezes o adversário teve a oportunidade de marcar.

Do lance em que o VAR tentou anular à iminência de gol nos acréscimos, algo estranho para esses tempos complexos que vivemos aconteceu: nem o árbitro sinalizou o pênalti nem os atacantes adversários conseguiram botar a bola na rede — nesse caso, bem que um deles enxergou o canto aberto e empurrou a bola naquela direção, mas quis o destino que fosse desviada para a linha de fundo.

Nada do que fizemos em campo, nesta noite, foi muito diferente do que vinha sendo feito até então. Feitos que nos colocaram há algum tempo entre os quatro primeiros classificados mesmo que diante de alguns resultados capengas. 

Houve a pressão inicial — neste caso premiada com um gol bastante cedo —- e o espaço para o adversário se aproximar da nossa área; assim como houve um esforço descomunal dos nossos jogadores para revelar disposição na marcação e a imprecisão em muitas jogadas de ataque. Houve até Diogo Barbosa (que por sinal jogou bem e participou dos dois gols) e Thiago Santos, no mesmo time —- o que faria as telhas do Estádio Olímpico despencarem na cabeça de qualquer um que por lá se atrevesse passar. Houve vaias para Campaz e muxoxos para qualquer outro que não fosse capaz de fazer em campo o que a torcida imaginava na arquibancada.

Nada mudou. Nem se poderia esperar por isso, apenas porque a direção do Grêmio decidiu demitir todo o comando do departamento de futebol – com medo de perder votos na eleição do conselho deliberativo do clube, no próximo dia 24 – cometendo mais uma injustiça contra Roger. Mas estou convicto de que alguma força qualquer decidiu nos ajudar, nesta sexta-feira. Dessas coisas que a gente não sabe explicar direito. Dessas que alguns chamam de sorte ou azar. Outros falam em sobrenatural. Os atrevidos dizem que é coisa de quem nasceu com aquilo virado para a lua. 

Acho que é um pouco de cada coisa, porque tem gente chegando que dá a enteder que foi iluminada por forças superiores, pois mesmo que trace linhas tortas consegue escrever a história do jeito que deseja.  

Mundo Corporativo: Gilson Magalhães, da Red Hat, defende que a colaboração produz mais que a competição

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“A nossa cultura é inacreditavelmente diferenciada justamente por isso, porque todos temos a liberdade de opinar em qualquer nível. E a colaboração acaba acontecendo e a inovação vem também acompanhando toda essa dinâmica” 

Gilson Magalhães, Red Hat Brasil

O surgimento dos smartphones, que mudaram a sociedade, permitindo que a tecnologia da informação chegasse às mãos de bilhões de pessoas, foi o impulsionador das soluções em código aberto. A opinião é de Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, líder internacional no desenvolvimento de software open source —- perdão, é assim, em inglês, que a turma costuma se referir ao tipo de produto criado em um regime descentralizado em que a empresa não é a única responsável por sua produção.

“A gente não entende, talvez, a dimensão do impacto dessa tecnologia no nosso dia a dia e como ela veio com escala muito maior. Saímos da escala de milhões de pessoas que usavam Tecnologia de Informação para bilhões de pessoas. Foi necessário o uso de novas tecnologias e um dos casos importantes nesse avanço foi justamente a participação das soluções de código aberto como um fomentador da inovação e crescimento da escala”.

Gilson foi criado no ambiente do código proprietário, ou seja, cada um é dono do seu próprio nariz e ninguém põe a mão. Foi há oito anos que se descobriu um apaixonado pelo código aberto provocado pelo que identificou ser um tendência de mercado e se ofereceu para trabalhar na Red Hat Brasil:

“Não só não me arrependo da decisão, como acho que esse é o caminho para as novas gerações, porque é o caminho que garante que haja, na evolução dessa grande indústria, a possibilidade da colaboração das pessoas participarem da estruturação de como vão ser as entregas, as soluções de TI”

Em uma indústria em que a colaboração é a chave que aciona a inovação, a gestão de pessoas tem de ser pautada por essa mesma ideia. As relações têm de ser abertas como os códigos-fontes e o conceito precisa ser exercitado na dinâmica de trabalho das empresas. Para Gilson, o sucesso desse negócio depende de se ter uma cultura que ofereça espaço para a colaboração espontânea. O método tradicional do comando-controle, do “eu mando e você obedece” ou hierarquizado não funciona nessa indústria. Gilson diz que na Red Hat não adianta mandar fazer, porque se a pessoa não concordar com o caminho proposto, não o seguirá. E isso não é um problema. É a solução.

“Nós temos que fazer e trabalhar com convencimento. O poder de influência é muito mais importante nesse sentido. Isso contamina o líder que tem que ser um exemplo a ser seguido e não ser uma eminência a ser satisfeita”.

A pandemia — não seria diferente nesta indústria — tornou-se um desafio a parte na busca da criação de ambientes colaborativos, porque a ideia de ambiente, muitas vezes relacionada ao espaço físico da empresa, deixou de existir. O que falamos ser ambiente — e no meu caso, escrevo muito aqui no blog — na realidade é cultura da empresa. Agora imagine levar essa cultura a todos os colaboradores quando cerca de 30% deles chegaram nos últimos dois anos, ou seja, já dentro do modelo de trabalho à distância. 

Uma das formas de simplificar a adaptação dos colaboradores que chegam é identificar já no recrutamento perfis que estejam de acordo com o pensamento colaborativo e aberto. Essa cultura também impacta nas decisões de promoção que não consideram a senioridade, mas a contribuição ou o poder de influenciar e levar os outros a caminhar em uma direção significativa para o cliente. 

“Aqui é uma outra dinâmica. A gente costuma dizer que nós não temos portas abertas,  nós simplesmente não temos portas. Não tem como dizer que o chefe é intocável. O chefe precisa estar lidando com qualquer questão, da limpeza do escritório a decisão de novos produtos”.

O presidente da Red Hot Brasil diz que essa forma de trabalhar leva à escuta ativa, o que se fazia com maior simplicidade quando todos compartilhavam o mesmo espaço fisico, mas que agora, com o trabalho à distância, exigiu a criação de novos métodos e hábitos como encontros informais e cafés com os líderes. Nessas e nas demais atividades de relacionamento, Gilson afirma que todos são estimulados a falar o que quiserem e sem restrições ou retaliações. 

Provocado por um dos nossos ouvintes, que queria entender se em ambientes colaborativos também haveria espaço para a competição que sempre foi vista como indutora do desenvolvimento e da melhor produtividade, Gilson preferiu colocar essa questão de uma maneira diferente. Começou lembrando que parte dos colaboradores da Red Hat decidiu tatuar a marca da empresa em uma demonstração da admiração por aquilo que fazem; e explicou:

“O que acontece quando a pessoa faz uma tatuagem é que ela está demonstrando que tem um vínculo, uma paixão por aqui. Então, a motivação está mais em fazer parte de alguma coisa transformadora do que você ser melhor do que a outra”. 

Ouça o programa Mundo Corporativo com Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil, que também falou sobre oportunidade de emprego nesse setor de soluções de código-aberto e o tipo de profissional que mais buscam no mercado:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a ingenuidade da simplificação

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“Há uma precipitação febril no uso de siglas para representar marcas que têm uma história consolidada com seu nome original. Cuidado com isso!”

Jaime Troiano

Que no Brasil, a turma gosta de colocar apelidos, encurtar nomes e criar siglas, nós sabemos bem. O José nunca vai escapar de ser chamado de Zé, a Elizabete de Bete e o Paulo César de PC — apenas para usar alguns dos exemplos que me vieram à mente enquanto escrevo este texto. Tem até uma piada antiga que fala deste hábito, se não me engano contada pelo Juca Chaves. Depois de uma sequência de nomes que ganharam novas versões, ele concluiu com o apelido de um amigo batizado Pica-Pau e apelidado de “Dos dois”. 

Piadas à parte, quando migramos para o mundo das marcas é preciso muito cuidado com essas simplificações. Para Jaime Troiano e Cecília Russo existe uma precipitação e até ingenuidade dos gestores em aplicar a tese de quanto mais simples melhor. 

“O que preocupa é quando vira sigla nem sempre compreensível e gasta-se um dinheiro muito grande para explicar a mudança do nome. Sempre que se precisa explicar muito alguma coisa, é porque algo já está errado”.

Cecília Russo

Jaime e Cecília lembraram de simplificações de nomes de marcas que foram bem sucedidas, como é o caso da Vale do Rio Doce que se transformou apenas em Vale ou das Lojas Americanas que assumiu o segundo nome. O caso mais recente foi do McDonalds, que mantém a marca internacional, mas aceita de bom grado, inclusive com uso em peças publicitárias e produtos oferecidos ao público, o apelido Méqui. 

“Todos esses casos têm algo em comum: eles não são simplificações de nome impostas artificialmente de fora para dentro. São fruto de uma natural acomodação linguística pela qual a identidade original da marca passa”.

Jaime Troiano

Há uma tendência para que a linguagem fique mais compacta no mundo dos negócios e nas relações profissionais em geral, provavelmente influência de novas formas de comunicação no ambiente digital. As abreviações — algumas até forçadas —- já fazem parte do diálogo na rede social, além de palavras que são substituídas por símbolos como é o caso do sorridso que ganhou a versão gráfica :). O que não pode é sob o impacto do modismo “jogar o bebê fora com a água do banho”. 

Algumas marcas tem nomes tão conhecidos, tão tradicionais que ninguém  nunca ousou transformar numa sigla. Por exemplo, a Viação Cometa não virou VC, no máximo passou a ser Cometa. O cliente quando pede a cerveja Stella Artois reduz para um íntimo Stella, jamais S.A. Há casos de marcas que nasceram simples e aí  me permitam olhar para o próprio umbigo: a CBN é por origem Central Brasileira de Notícias, o que talvez poucos se lembrem. A IBM é a Internacional Business Machines e a FIAT, a Fábrica Italiana de Automóveis de Turim. 

Forçar um apelido ou uma sigla tende a se transformar em um grande erro de estratégia. É preciso preservar o sentido e o valor da marca; e respeitar a opinião e o hábito daqueles que a consomem:

“As marcas quando bem construídas não pertencem aos donos, pertencem aos clientes. Atenção, você estará mexendo em algo que não é seu”.

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo:

Avalanche Tricolor: Roger, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem

Roger em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Jamais deixarei de torcer pelo Grêmio. Jamais! Nada do que fizerem com meu time será suficientemente forte para desconstruir a paixão que forjei desde criança com o meu Imortal. Se tivessem essa capacidade seria a derrota final. A falência da esperança, contra a qual lutarei sempre. Uma luta que promoverei em todas as dimensões da minha vida, porque sou um apaixonado pelas coisas que me envolvem: família, mulher, filhos, amigos, colegas, trabalho, projetos e, sim, meu time de futebol.

Assisti ao Grêmio em seus piores momentos. aprendi a torcer por este time quando sequer o mais próximo dos títulos possíveis, o Gaúcho, era possível. Acreditei nele mesmo quando assisti do gramado aos torcedores explodindo foguetes contra os meus ídolos. Mantive-me fiel apesar das picuinhas que infernizavam o ambiente do clube e me eram contadas por pessoas que viviam intensamente aquele momento. Vi o Grêmio ser rebaixado três vezes e se reerguer. Vi o Grêmio sobreviver a Batalha dos Aflitos.

Crente nos seus méritos, leguei aos meus filhos o amor que o tricolor havia me proporcionado. Os fiz gremistas mesmo à distância. Os fiz acreditar que aquele era o caminho a ser percorrido. Que o meu sofrer e o meu prazer serviriam de inspiração para a caminhada que eles estavam iniciando nessa incrível jornada que o esporte é capaz de oferecer ao ser humano. 

Lembro do dia que fiz os dois guris chorarem ao meu lado porque havíamos vencido a mais incrível das batalhas. E da noite em que os dois vestiram orgulhosos a camisa do Grêmio para entrar no estádio Hazza bin Zayed, em Al Ain, nos Emirados Árabes, e torcer pelo time que disputaria uma vaga à final do Mundial de Clubes, em 2017.

Esses momentos que tive o privilégio de vivenciar são muito maiores do que a mediocridade de dirigentes incapazes de enxergar a grandeza de uma história. 

Por isso, hoje, primeiro de setembro de 2022, decreto que não deixarei de torcer pelo Grêmio mesmo diante da maior das injustiças que poderíamos cometer nesse instante de instabilidade: a demissão de Roger. Esse homem que foi vítima do racismo estrutural que impera no Brasil e sofre a intolerância dos incapazes de entender que no futebol podemos ter pessoas com inteligência e senso crítico, agora é demitido em um ato de covardia do seu presidente que, um dia antes, havia confirmado a manutenção dele diante do comando técnico da equipe. 

Roger paga pelo que fala, pelo que pensa e pelo que conhece da vida.  Paga por sua inteligência e sua consciência. Paga pela incompetência de quem fez o clube refém de pretensões políticas. As mesmas aspirações que tentaram apagar a história de Luis Felipe Scolari, que venceu sete títulos no clube, entre Libertadores, Copa do Brasil, Brasileiro, Recopa Sul-Americana e Campeonato Gaúcho; ou de Vagner Mancini, que conquistou Libertadores e Campeonato Gaúcho, como jogador. 

Na primeira vez que Roger foi demitido como técnico, escrevi que “cheguei a imaginar que a política interna do clube seria insuficiente para influenciar o trabalho dele e conseguiríamos desenvolver um planejamento de longo prazo”. Hoje, vejo que sou um iludido, um desatinado diante das coisas podres do futebol,  incapaz de ver que o desejo de poder e a vaidade se sobrepõem aos interesses do clube. 

Roger mais uma vez é sacrificado. Sofre injustiça. Arca com a responsabilidade que não é dele. Merecia mais respeito do Grêmio e de seu torcedor. Mas, infelizmente, o futebol não é feito de justiça, assim como a vida. A me consolar, está a crença de que Roger saberá ser maior do que estes que o demitiram e o criticaram, porque tem caráter, tem personalidade forte e tem propósitos que estão acima do resultado dentro de campo e da política que corrói o ser.

A demissão dele e a contratação de Renato —- o mesmo que foi incapaz de manter a trilha vitoriosa e nos levou ao caminho da Segunda Divisão — são resultado de uma política covarde, sem personalidade nem índole, que contamina o ambiente do clube, impacta o empenho em campo e mancha nossa história. Um política que apenas visa o poder.

Roger — se é que você um dia lerá essa Avalanche — peço desculpas pelo que os atuais diregentes do Grêmio fazem mais uma vez com sua história. Perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem (e há algum tempo não sabem). E peço que você me entenda — e tenho certeza que entenderá por gremista que nunca deixará de ser: a despeito do que decidam e façam, jamais deixarei de torcer pelo Grêmio. Jamais!

Avalanche Tricolor: que venha Setembro, logo

Criciúma 2×0 Grêmio 

Brasileiro B – estádio Heriberto Hülse, Criciúma/SC

A defesa de Brenno em foto de LucasUebel/GrêmioFBPA

Que Agosto se vá e não deixe saudade! Foi o que pensei ao fim da partida da noite de terça-feira, apesar deste ser o mês de meu aniversário. A sequência de maus resultados — três derrotas e um empate — me remeteu ao dito popular de que “agosto é o mês do desgosto”,  má-fama que surgiu na Idade Antiga com crendices romanas de que, neste período do ano, um dragão cruzava o céu —- claro que expelindo fogo pelas ventas, porque não fosse isso, o espetáculo de horror não estaria completo. 

A coisa era tão séria e se espalhou pelo mundo que, em Portugal, se dizia que “casar em agosto traz desgosto”, o que fazia com que muitas mulheres adiassem a cerimônia. Necessariamente não era por medo do azar, mas pelo fato de que no período as embarcações deixavam a costa rumo ao Novo Mundo levando seus maridos, o que sempre era uma viagem de risco. Na lista de “malfeitos” do mês, uma lenda que corria entre cristãos dizia que 24 de agosto é o Dia do Diabo. Coincidência ou não, mesma data em que Getúlio Vargas cometeu suicídio — fazendo com que o mês ficasse ainda mais mal-afamado entre os políticos brasileiros.

Convencido de que os maus agouros, as três derrotas e os nove gols tomados eram de responsabilidade do Agosto, antes de começar a escrever olhei nossa performance nas partidas disputadas neste mês e percebi que a primeira semana havia sido bem melhor: ganhamos os dois jogos que disputamos, um fora de casa, coisa rara, e outro de goleada.

Minha pesquisa agora cedo derrubou com minha tese da noite de ontem. Minha desculpa para o desempenho abaixo do esperado e desejado se frustrou. Descobri que meu consolo para o que estamos assistindo em campo era tão frágil quanto o futebol jogado, neste momento. 

A despeito dos motivos que tenham nos levado a essa queda de rendimento que Setembro chegue logo e possamos voltar a sorrir com vitórias, gols e classificação garantida.

Conte Sua História de São Paulo: te amava no meu Dodginho Polara

Anita Costa Prado

Ouvinte da CBN

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Te amava subindo e descendo as ladeiras da Casa Verde Alta, para pegar o busão, indo ou voltando do Colégio Centenário, na Casa Verde Baixa. Lembro colegas de classe debatendo o motivo de um bairro se dividir em dois, questionando: haverá também a Casa Verde Média?

Te amava no comércio variado do centro da Lapa, onde passeava no intervalo das aulas da Faculdade de Educação Campos Salles, perto também do Mercado Municipal que tinha de tudo um pouco. Até seriguela e coco.

Te amava ao chegar com meu velho Dodginho Polara, na Avenida Rio Branco e em determinado ponto virar à direita para seguir rumo ao Teatro Escola Macunaíma, onde um aluno achava que um carro como aquele merecia ser personagem de peça mambembe.

Eu te amei em várias fases da minha vida e continuo te amando São Paulo, pois aqui a Casa Verde não desbota, o sonho breca mas não capota e sua grandeza nos impulsiona a seguir não apenas em frente mas para cima. Sempre.

Anita Costa Prado é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva você também o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo