Nessa pandemia seguimos com o isolamento, consciente de estarmos preservando os demais e a nós mesmos e realimentando esperanças de um mundo menos isolado. Convivência familiar limitada e até impedida é remediada por vídeos chamadas. Nesse contexto, minha filha, Marília, casada com Daniel, e meus netinhos Oliver e Nina, ficaram a uma distância geográfica e sanitária impossível de vencer. Moram na Áustria, na cidade de Bregenz. Tanto eu como demais familiares acumulamos saudades sem fim.
Para engajar as crianças, a Marília criou uma rotina dentro da tradição católica, forte na Áustria, de seguir as quatro semanas que precedem o Natal, celebrando o Advento. Atividade que registra em vídeos compartilhados com toda a família.
A cada dia meus netos de três a cinco anos buscam um dos envelopes pendendo de uma planta da sala, onde encontram a foto de um de nós — tios, tias, primos e avós —- quando éramos crianças. Em raras ocasiões os pequenos identificam de pronto o personagem do dia. As dicas para identificá-los ficam escondidas pela casa, exigindo uma caça ao tesouro, coordenada pelos pais. Uma dica leva a outra dica. Ao final, descobrem uma cartinha escrita para eles pelo personagem do dia, com um foto recente.
A árvore de Natal, então, ganha mais dois adereços: a foto de uma criança que fomos e a foto do que somos, amenizando a saudade, celebrando o advento e realimentando diariamente a esperanças de nos encontrarmos em breve.
José Simões Neto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe dos festejos de 468 anos da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br com o tema “em cantos de São Paulo”. E ouça seu texto em uma ediçao especial do Conte Sua História de São Paulo
Um fratura nos minúsculos sesamóides, dois ossinhos tão ridículos quanto necessários do dedão, me proporcionou uma série de experiências baseadas em observações e agitou a semana que prometia ser de pasmaceira no noticiário e entediada no cotidiano. A começar pela prova de quanto o corpo humano pode ser frágil e o ser humano, dependente.
Com a necessária imobilização do local fraturado, perde-se o movimento de uma das mãos e se restringe uma série de atividades para as quais damos pouca importância mas que podem se transformar em desafios que exigem malabarismo e súplicas de solidariedade. Tente amarrar o cadarço do sapato com uma só mão ou abotoar o punho da manga da camisa sem a mão do lado oposto – sim, eu sei, a humanidade tem coisas mais importantes com que se preocupar.
Eu também, tenho. Trabalhar, por exemplo.
Por isso me espantaram dois dos profissionais de saúde que me atenderam nesses dias. O primeiro insistia que eu aceitasse o atestado médico me dispensando por uma semana. O outro, depois de saber que eu seguia dando expediente, concluiu: “então você é o dono”. Nem do meu nariz! Que, aliás, tentei coçar à noite e arranhei com a órtese de mão que estou “vestindo” em substituição ao gesso desproporcional que o hospital me obrigou a colocar por ser o procedimento mais barato.
Observei também a reação dos amigos e parentes diante do incidente. Foi reveladora de como temos dificuldades de encontrar a forma mais apropriada de solidariedade. Um, antes de eu terminar minha triste história – e eu só queria ter o direito de externalizar minha dor -, começou a falar dos acidentes que ele sofreu. Todos muito piores do que o meu. Sai da conversa arrasado: os casos dele eram insuperáveis.
Teve o que exercitou a empatia, sempre recomendável nas relações humanas. Ao explicar que havia quebrado o sesamóide, ele logo se uniu a mim para dizer que é a “pior coisa que podia acontecer”. Ao deixar a conversa passei a cogitar a morte no próximo tombo que levar.
Um terceiro lamentou meu azar de ter caído quando faltavam apenas três degraus para chegar ao chão. Teria sido melhor que eu caísse da parte mais alta, então?
Experiência pior foi o que os exames laboratoriais me proporcionaram. Nem tanto pelo exame em si, nem pelo atendimento recebido – todos os funcionários eram muito simpáticos. Enquanto esperava as imagens da tomografia computadorizada feita em equipamentos ultramodernos, me vi na posição de observador de um diálogo do período jurássico, protagonizado por dois clientes na sala de espera.
Após a TV anunciar que o governo reduziria o tempo para a terceira dose da vacina contra Covid, o senhor, que parecia mais velho do que eu, balbuciou algo para a moça, que parecia mais jovem do que eu. Foi a senha para o início de uma conversa que me faz saber que ambos tinham contraído a doença e tomado as duas doses da vacina. Daí pra frente foi uma sequência de absurdos. Ela reclamou que ninguém sabe o que está fazendo porque a orientação sobre número de doses e tempo de intervalo muda a todo momento: “eu vou esperar uns sete meses antes da terceira dose pra ver o que vai acontecer com quem tomou”. Ele contra-atacou: “conheço uma monte de gente que passou mal, eu não vou tomar o reforço. Até já peguei Covid!”.
No segundo episódio da conversa, os dois passaram a relatar sequelas deixadas pela doença. E o senhor, do alto de sua sabedoria, recomendou a ela um chá sei-lá-do-que que tem o mesmo “princípio ativo” de um remédio que está sendo desenvolvido na Alemanha para conter os males deixados pela Covid-19. A moça que havia revelado descrença na ciência que desenvolve vacinas, arregalou os olhos e, antes de se despedir, comentou: “se esse chá funciona mesmo, será uma revolução”. Pegou os exames, despediu-se e foi embora batendo firme os saltos no piso, levando a tiracolo a crença na sabedoria popular e o negacionismo à ciência.
Confesso meu desejo de ter intervindo na conversa ao menos para saber o nome do chá milagroso que resolve o que conhecemos por Covid longa. Preferi resguardar-me em minha própria ignorância. E resignei-me ao papel de observador, apesar de estar convencido de que se eu prestasse mais atenção na minha vida do que na dos outros, talvez tivesse percebido que havia um degrau no meio do caminho. E meus sesamóides estariam intactos.
A subjetividade humana, o jeito de ser e que nos torna singular, se constrói nas relações humanas, nas quais as pessoas se influenciam mutuamente. Entretanto, esse encontro enriquecedor tem sido cada vez mais ameaçado pela polarização, que ultrapassa os limites políticos, tornando os diálogos escassos.
No lugar da troca de ideias e opiniões, do treino de habilidades, como a empatia, surgem discussões acaloradas e até mesmo agressivas, facilitadas pelo escudo protetor das redes sociais.
Isso nos custa em termos de desenvolvimento pessoal, cultural e social.
Ao conviver apenas com pessoas que pensam da mesma forma, nos tornamos reclusos em nós mesmos, numa espécie de narcisismo ideológico que limita a realidade e nos engessa em atitudes e escolhas.
Na esfera social, a polarização torna-se um risco, ao justificar as desigualdades a partir de elementos pautados em análises pouco racionais, favorecer discursos populistas e gerar a ideia de que um grupo possui supremacia em relação ao outro.
Rotulamos as pessoas por algumas características de comportamento, como se isso as definisse. Por outro lado, personalizamos excessivamente as situações, acreditando que tudo o que é dito ou feito pelos outros, possua alguma relação conosco.
Além de menos interessados pelo universo que cada ser humano representa, perdemos a capacidade de avaliar os fatos pela lógica – o que poderia mudar nossa opinião – apegados excessivamente às nossas emoções, que nesse ponto indicam raiva e irritação, numa busca incessante por estarmos “certos”.
E será que existe uma saída para isso?
Relações harmoniosas e construtivas têm se mostrado possíveis através do diálogo, numa compreensão de que apesar de algumas diferenças, porque somos únicos, também somos genéricos, porque guardamos muitas semelhanças.
Que tal tentar?
Numa próxima conversa, por exemplo, ao invés de dizer “eu detesto isso”, quando alguém contar sobre sua preferência, procure saber quais as motivações desse gosto, o que levou essa pessoa à essa escolha ou o que vê de positivo nisso. Faça perguntas como alguém que tem curiosidade genuína pela experiência do outro, evite julgamentos ou adjetivos. Isso vale inclusive para as redes sociais.
Mantenha a mente aberta e prepare-se para se surpreender com um mundo que vai além do seu.
Afinal, a polarização só permite um lado. E quem tem lado é quadrado.
Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung
“Pedra que rola não cria limo. Precisa ter consistência, paciência e tempo: três ingredientes das marcas líderes”
Cecília Russo
Qualidade e respeito são dois dos aspectos mais valorizados pelos consumidores do Rio de Janeiro quando constróem um relacionamento de afinidade com suas marcas, especialmente neste segundo ano de pandemia. De cinco dimensões medidas no projeto “Marcas dos Cariocas” foram as duas que ganharam espaço na análise de pouco mais de 2 mil pessoas entrevistadas por meio de questionário online. O estudo que chegou a sua 12a edição tem a participação de Jaime Troiano e Cecília Russo, nossos comentaristas e sócios na TroianoBranding, e do jornal O Globo.
Em uma primeira etapa, foram identificadas as marcas dentro de cada uma das 41 categorias a partir de menção espontânea dos consumidores. Em seguida, os participantes foram exposto a cinco categorias e apontaram qual marca está mais associada as dimensões do consumo:
Qualidade – oferece produtos e serviços de qualidade
Respeito – respeita o consumidor
Preço – valo que o que custa
Identidade – combina comigo
Evolução – está sempre se renovando
Considerando os 12 anos de pesquisa, têm sete marcas que permanecem no topo de suas categorias:
Bancos – Itau
Hospitais – Rede D’Or
Escola de Inglês – Cultura Inglesa
Farmácias – Drogaria Pacheco
Operadora de celular – Vivo
Protetor solar – Sundown
Shopping center – Barra Shopping
“Ao olhar nessa lista de marcas chama a atenção que cinco são marcas nacionais. Isso mostra a força das nossas marcas e o quanto elas criam laços poderosos, se fazem um trabalho bem feito.Afasta aquele fantasma de que nós seríamos engolidos pelas marcas globais”.
Jaime Troiano
Uma categoria que foi incluída no estudo desde o início da pandemia foi a que identificou quais as marcas que mais ajudaram os cariocas neste momento de dificuldade:
“O melhor caminho é colocar na rua e ver a coisa andando”
Kim Maschlup, Baskets
Foto: reprodução site Baskets.com.br
Queijo de ovelha, pão de batata roxa e bolo de fubá com goiabada. Biscoito de castanha do Pará, cerveja artesanal e aguardente. Essa cesta, tão variada quanto deliciosa, na qual cabem muito mais produtos, corria o risco de ficar vazia, diante da pandemia. Com o fechamento do comércio e o isolamento social, pequenos produtores pelo interior do Brasil perderam acesso a seus consumidores, e os que conseguiam receber as encomendas tinham de ter muita boa vontade com a falta de estrutura de entrega. Foi diante dessa dificuldade que a admiradora de produtos artesanais brasileiros Kim Maschlup assumiu o desafio de criar uma plataforma eletrônica para conectar produtores e consumidores.
Kim é consumidora desses produtos assim como muitos de nós. Se isso a permitiu enxergar o perigo que se avizinhava, foram outros papéis que exerce que despertaram nela o interesse em ajudar essa turma. Kim é administradora de empresa, mestre em liderança no terceiro setor, e inspiradora de negócios com impacto social. Ela também atua em empresas que fazem investimento em novos negócios e ideias.
Com o perdão do trocadilho, foi essa cesta de habilidades e competências que a fez construir a Baskets. E em apenas um mês. Porque com o tamanho da crise que se espalhava não havia tempo a perder. No Mundo Corporativo, Kim Maschlup explicou como foi possível colocar a plataforma no ar, em agosto de 2020. O primeiro passo foi ouvir consumidores e produtores para entender as dores de cada lado. Em seguida, foi o momento de estudar qual o melhor desenho para tornar essa conexão possível: foi quando veio a ideia da plataforma online. Montar a logística para que os produtos estivessem disponíveis em um centro de distribuição único:
“Nesse um mês, eu precisei fazer a curadoria de produtos, alinhar com os produtores como seria esse modelo de negócios, trazer todas as informações deles e dos produtos e colocar dentro da plataforma. Essa foi a parte que foi a mais trabalhosa”.
Os resultados apareceram rapidamente com o interesse de consumidores e produtores tornando o negócio viável. No início, quando Kim imaginava alcançar até 20 pequenos produtores, 34 aceitaram o convite; hoje são cerca de 50 e mais de 500 produtos – entre os quais aqueles que estão listados no início deste texto. A intenção é alcançar outras partes do Brasil, tanto na oferta como na entrega – o que deve ocorrer em breve.
Aos empreendedores dispostos a construir seu negócio, Kim recomenda que não se perca tempo na busca de projetos perfeitos: essa busca nunca vai cessar. É preciso encontrar o equilíbrio entre a quantidade de informação necessária para desenvolver o negócio e o tempo justo para lançá-lo no mercado. Ela sabe que o processo na Baskets foi mais veloz do que deveria, mas se isso ocorreu foi em nome da urgência do momento. Ouvindo Kim falar, descobre-se que a pressa não é inimiga da perfeição:
“Eu falava: eu preciso fazer para ter as respostas. Enquanto eu não estiver no mercado, enquanto as pessoas não tiverem consumindo, enquanto eu não estiver engajando os produtores, eu nunca vou saber de fato se essa ideia funciona”.
Ao acelerar o projeto e colocá-lo a rodar, Kim também descobriu rapidamente erros que foram sendo corrigidos ao longo do processo. Para ela é preciso estar disposto a errar e se reinventar todos os dias. Assim como trocar informação com pessoas que estão ao seu alcance, pedir feedback, ouvir e aprender. Depois de ter investido do próprio bolso para a ideia se concretizar, convenceu ‘investidores anjos’, no início deste ano, a acreditarem no modelo de negócio que havia construído.
“Uma coisa que você vai sempre ouvir de investidores, principalmente neste primeiro momento das empresas é ‘quem são as pessoas que estão por trás daquele negócio? Porque são elas que vão construir aquilo. Independentemente de qual seja o caminho que a empresa vai tomar, é importante entender que existe uma equipe por trás que vai ser capaz de entregar”.
Assista à entrevista completa de Kim Maschlup, ao Mundo Corporativo:
Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.
Meus avós tiveram quatro filhas – as “Quatro Helôs” – cuja descendência já soma 112 integrantes, entre nativos e agregados. Reunir a família toda para o Natal, como fazíamos há 25 anos, agora nem pensar. Mas que eu pensava, pensava!
Ainda mais neste ano, 2020, em que nem aos mais próximos tivemos acesso presencial. Desde março, eu precisei me reinventar, como muitos, e criar grupos de Whatsapp para dar aulas de bordado às minhas alunas, através de vídeos caseiros, fotos, textos, áudios e até ligações por vídeo pra cada uma. Que experiência!
De repente a ideia: por que não formar um grande grupo de Whatsapp – 75 adultos – e preparar uma celebração de Natal com dia e hora marcados, todos juntos? Convoquei um primo de cada ramo “Helô”, para conseguirmos todos os nomes, idades e números de Whatsapp. Também cada primo se responsabilizou por conseguir dois ou três depoimentos por vídeo sobre como foi a vida na pandemia – temos queridos na África do Sul, Estados Unidos, Alto Paraíso, Cunha, Vinhedo, Ubatuba, Taubaté…. Entre ideia e execução, apenas oito dias!
Criei um grupo de Whatsapp só meu, e lá fui acomodando as postagens, na ordem em que seriam apresentadas: fotos dos nossos avós, das “Quatro Helôs”, dos netos, dos bisnetos e dos trinetos. Depois, uma música de Natal muito popular nos nossos antigos Natais – com a letra para cada um cantar na sua casa e se imaginar cantando em grupo! Depois, o depoimento da prima da África do Sul, cujas crianças nem falam português – mas que apareceram no vídeo usando um aplicativo que as deixou com caras de gatinhos, focinho, orelhas… Uma graça!
E assim fui mesclando as postagens, até chegar no ápice, que foi uma oração de esperança para o ano de 2021, seguida de um PowerPoint com fotos de absolutamente todos os integrantes da família, por ramo, tendo como fundo uma lindíssima música de Natal que dizia “This is the story”… A história de cada um… E tudo isso aconteceu no dia 19 de dezembro, às cinco da tarde. Por quase uma hora e meia, em que eu ia encaminhando postagem por postagem; aguardando o tempo necessário para que todos lessem, vissem ou ouvissem. Terminada a celebração, todos puderam escrever seus votos de Natal, postar selfies, fotos da pequena família, da infância e… Meu Deus, que festa!
Estávamos todos dentro de uma grande sala virtual, nos curtindo, nos alegrando. Uma tia de 88 anos – a Helô caçula – chegou a dizer que foi o Natal mais emocionante da vida. No 25 de dezembro, reativamos o grupo e o deixamos aberto a tarde toda, para que todos compartilhassem suas lembranças e fotos dos Natais de cada pequena família! Desta enorme família das Helôs!
Talita Ribeiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe dos festejos de 468 anos da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br com o tema “em cantos de São Paulo”. E ouça seu texto em uma ediçao especial do Conte Sua História de São Paulo.
“Não há marca forte que resista a produto ruim e essa é a crença que faz com que a Gucci tenha toda essa história maravilhosa”
Jaime Troiano
Um assassinato sob encomenda é o centro de uma história de amor, traição, decadência, vingança, luxo … e de algumas lições de branding. Na tela do cinema, essa casa ainda pouco frequentada, desde que a pandemia se iniciou, o diretor Ridley Scott traduziu o que já havia sido bem escrito em livro de Sara Gay Forben, lançado em 2008, e relançado agora, no Brasil, com o nome Casa Gucci. Uma obra que parte de um crime bárbaro, encomendado por Patrizia Reggiani Martinelli, que culminou na morte de Maurizio Gucci, seu ex-marido. Na pesquisa de Sara e na transformação de seu livro em filme, se tem acesso a conceitos que fizeram da Gucci uma das maiores marcas de luxo do mundo.
Jaime Troiano e Cecília Russo foram ao cinema para assistir à Casa Gucci e de lá saíram entusiasmados não apenas com a trama, mas com o que se pode aprender sobre branding. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles apontaram três lições que devem ser consideradas por todos que estejam diante do desafio de administrar uma marca, mesmo que esta não seja de luxo como a Gucci:
Alma de fundador: a Gucci foi criada em 1922 por Guccio Gucci e foi pelas mãos dos seus filhos, Rodolfo e Vasco, que a marca se tornou um ícone. Eles eram homens do negócio e não homens de negócio, ou seja, eram apaixonados pela arte da moda, eram encantados pelo que faziam e levavam esse encantamento para a marca. Faziam uma gestão de marca com alma e não uma gestão burocrática, fria e calculista. Podiam pecar como gestores, mas compensavam essa falha pela paixão que nutriam pela marca.
“Alma e paixão pelo negócio movem marcas de sucesso”
Cecília Russo
2. Autenticidade preservada: O logo GG e as cores verde e vermelha, cores da Itália, em forma de listras, são as representações visuais históricas da marca. E foi exatamente pela insistência e repetição desses ativos que a Gucci favoreceu seu reconhecimento. Não cedeu à tentação de mudança. Porque nem sempre mudar é a melhor estratégia. É preciso coragem para preservar, até bem mais do que para mudar, diz Jaime Troiano. Isso é autenticidade de verdade.
3. Qualidade não tem preço: uma das melhores falas do filme ocorre quando um dos irmãos diz que o preço alto é aquilo que é esquecido enquanto a qualidade superior permanece.
“Garanto a vocês que o filme vale o ingresso que vocês vão pagar. A aula de branding vem de bônus”.
Cecília Russo
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.
“Eu entendo que quando a gente está falando de diversidade de inclusão isso precisa estar na estratégia do negócio”
Carine Ross, Newa
Se sentir respeitada e ouvida no trabalho foi um desafio enorme para Carine Ross, mesmo após ter se formado em comunicação e sociologia, e estar ocupando um cargo de gerência de projetos dentro da Unesco. Diante dessa realidade, passou a entender melhor o drama que muitas mulheres são levadas a encarar no ambiente de trabalho. Sensibilizada pela situação e consciente de sua capacidade, Carine criou, ao lado de amigos, uma organização sem fins lucrativos com a proposta de fomentar o desenvolvimento de mulheres no setor de tecnologia e inovação – ao qual pertencia. Hoje, Carine comanda a Newa, uma consultoria de diversidade, inclusão e inovação:
“Eu percebi que um insight que eu dava podia mudar, muitas vezes radicalmente, a história de vida daquelas mulheres que estavam desistindo das carreiras por esses ambientes serem muito opressores”.
Em entrevista ao Mundo Corporativo, Carine Ross disse que a experiência mostrou que se a intenção era ter um cenário propício à diversidade, precisaria ampliar seu olhar. Não bastaria apenas dar consultoria de carreira às mulheres. Teria de levar seu conhecimento ao alto comando das empresas, traçando estratégias que estivessem alinhadas ao negócio e às pessoas, provocando uma transformação cultural.
“Quando a gente está entrando em uma organização, precisa entender quais são as dores, principalmente dos grupos que estão lá e os grupos que não estão sendo representados. A partir daí, a gente faz um trabalho com as lideranças”.
Antes mesmo de pensar em tornar as contratações mais plurais em termos de etnia, gênero e orientação sexual, Carine defende que se olhe para as pessoas que fazem parte da empresa e se identifique como os colaboradores se sentem, quais os processos de ascensão profissional e os planos de carreira. É preciso estruturar as políticas internas sob o risco de se desperdiçar os talentos internos e aqueles que serão recrutados.
“Tudo é feito em paralelo. Temos de revisar, por exemplo, o ‘job description’ para saber como a apresentação da vaga está sendo feita. Se está sendo feita de maneira inclusiva”.
Nesse contexto de transformação para a diversidade, é importante que os profissionais também entendam as suas responsabilidades. As pessoas precisam ser responsáveis sobre o seu desenvolvimento, e consciência de suas necessidades. Carine lembra que muitas vezes estamos em uma relação abusiva de trabalho e não somos capazes de impor limites, a medida que há uma relação direta de empregador e empregado, e esse está em uma posição vulnerável:
“A chave está pela busca do autoconhecimento …não permita que os outros digam o que você é capaz ou não de fazer. Você tem que saber o que é capaz ou não de fazer. E faça se estiver aí ao seu alcance”.
Na metodologia aplicada pela Newa para fortalecer o tema da diversidade nas empresas e oferecer conteúdo e argumento às pessoas em defesa de seus interesses foi criado um instrumento que pode ser acessado gratuitamente: o Baralho da Diversidade, que reúne perguntas e respostas que ajudam a esclarecer uma série de dúvidas e ampliam o conhecimento sobre o tema.
Assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:
Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.
Dezembro de 2005 ou 2006, quando ainda havia passeios para visitar a decoração de Natal do Banco Real, na Av. Paulista. Uma noite, em cinco amigos, nos encontramos na Praça da República e embarcamos no ônibus que fazia esse passeio. Nós e mais metade da população de São Paulo. Muito mais adultos do que crianças!
Se tivéssemos ido a pé teria sido mais rápido, o trânsito não andava. Mas chegamos e do lado de fora já estava lindo, encaramos a fila com disposição e naquele vai-e-vem, até encontramos mais três amigas vindas de São Caetano. Realmente, às vezes São Paulo é uma província.
Finalmente entramos e voltamos aos tempos de criança, embevecidas com Árvore de Natal, gnomos, renas, Papai Noel, as músicas de nossa infância que todos sabiam as letras. Que delícia!
A visita terminou, comemos um pacote de pipocas e pegamos o ônibus de volta para a Praça da República, onde chegamos mais ou menos 11 da noite. E agora? Tínhamos ido separados e estávamos em cinco, quase para o mesmo destino: eu, para Santa Cecília e quatro para Higienópolis. Táxi nenhum vai querer levar…
Mas é perto, vamos a pé, caminhar faz bem!
Noite quente, bonita, pessoas passeando, tomando seu chopp nos barzinhos … pegamos a Marques de Itu, Amaral Gurgel, Alameda Barros onde eu fiquei, e os outros quatro seguiram para a Dr. Veiga Filho, felizes e encantados!!
São cerca de 15 anos e ainda podíamos andar a pé pela noite de São Paulo, sem nenhuma preocupação nem importunação. 15 anos para dizermos aquela sonora frase: que bons tempos! 15 anos e dos cinco, Norma e Janete já não estão entre nós. Pedro e Manoel mudaram para uma cidadezinha no interior de Minas (loooongeee); e só eu ainda estou aqui em Sampa para dizer que saudade para os tempos não tão antigos e para os amigos que se foram!
Que saudade!!!
Neusa Stranghette é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Participe dos festejos de 468 anos da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br com o tema “em cantos de São Paulo”. E ouça seu texto em uma ediçao especial do Conte Sua História de São Paulo
Chamei o pai que está no céu. Pelo santo do pai que não é santo também clamei. A imagem do Padre Reus que o acompanhou em vida esteve na minha mão durante toda a partida. E a vela na mesa permaneceu acesa até o fim. Ao lado dela esteve a imagem encardida de São Judas Tadeu, o das causas impossíveis – generosidade da esposa que se gremista não o é, torce pelo marido ou para que este não sofra como sofreu. Ao lado direito esteve o filho mais velho que nunca me abandonou. Que aprendeu o que é ser gremista quando ressuscitamos na Batalha dos Aflitos. Que soube o que é ser feliz quanto assistiu ao seu time campeão.
Nem o pai redivivo nem o santo aclamado nem a vela acendida nem o filho solidário são capazes de se sobrepor aos fatos. Por mais crenças que tenhamos e depositemos nesta ou naquela figura consagrada, a realidade se impõe aos nossos desejos e se sobrepõem às nossas crenças. Assim como nossa mística é insuficiente para nos fazer vencedores, nossas convicções se revelam incapazes de substituir a inanição e a prepotência que nos contaminaram ao longo da temporada.
O Grêmio está na condição que se encontra por sua conta e risco.
De nada adianta maldizer os que pouco fizeram por nós. Terceirizar a responsabilidade da desgraça alcançada é trilhar pelo caminho que nos levou a esta condição.
Se aqui chegamos é porque nos atrevemos a desafiar maldições – e estas não perdoam. Das maiores que acreditamos que venceríamos, está a do terceiro mandato. Fomos mordidos pela mosca azul, aquela de asas de ouro e granada, que se deslumbra e passa a sonhar com poder e riqueza – assim descrita em poema de Machado de Assis. Que picou nosso presidente, Romildo Bolzan, e todos que acreditamos que mantê-lo no comando seria o melhor que tínhamos a fazer naquele momento.
Assim como a maldição da mosca azul definhou a fama e o poder de presidentes que se atreveram a se reeleger na República do Brasil, consumiu a capacidade de o Grêmio consagrar-se no sobrenatural, porque comprometeu nossa sanidade e senso de realidade. Pagamos. E pagamos muito mais caro do que merecíamos por acreditarmos sermos superiores à maldição do terceiro mandato. Não merecíamos todo este mal, a despeito de sermos os únicos responsáveis por irmos em busca dele.
Se chegamos onde chegamos por nossa culpa, nossa tão grande culpa, que sejamos capazes de respeitar o poder da imortalidade que nos notabilizou. E entender que só o alcançamos porque jamais desistimos de lutar. Uma luta que se inicia no amanhã e terá de ser brava ao longo de todo o ano de 2022. Afinal, como aprendemos no poema anônimo;