Avalanche Tricolor: os “pitucas” do Renato estão batendo um bolão

 

Santos 0x3 Grêmio
Brasileiro — Vila Belmiro/SP

 

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Everton, Matheus e Luan foram destaques, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Passei a semana ouvindo que o adversário do Grêmio, na noite de sábado, não teria um dos seus principais jogadores do meio de campo, Pituca. Estaria lesionado, é o que relatavam os repórteres esportivos. Confesso que nunca havia ouvido falar dele. E não é menosprezo, é desatenção mesmo. Com tanta coisa para cuidar no dia a dia, acabo deixando de lado o interesse pela escalação dos adversários. Reconheço um craque de cada time ou o jogador mais expressivo, mas não peça para escalá-los ou comentar o desempenho deles individualmente —- talvez esteja aí uma boa explicação para meu pífio desempenho na Liga Hora de Expediente CBN, do Cartola FC.

 

Do time da Vila sei que vem há algum tempo disputando a ponta da tabela, tem um técnico gringo, inteligente e agitado, uma turma boa de bola e habilidosa, e um ou outro camarada que já passou lá pelo Rio Grande. Sei, também, que não costuma perder jogos dentro de casa. Mas não sabia que tinha um jogador chamado Pituca e a ausência dele poderia prejudicar o desempenho da equipe. Disseram-me que era quem botava a bola embaixo do braço e acionava o ataque veloz e talentoso, com sua ótima visão de jogo. Fui pesquisar e descobri que o volante já jogou Libertadores, marcou 19 gols na carreira e está com 27 anos —- além de, coincidentemente, fazer aniversário no mesmo dia que eu.

 

Assim que os times entraram em campo e a televisão confirmou a escalação das duas equipes, levei um susto: Pituca estava entre os titulares. Se já era difícil fazer três pontos em um time que diante de sua torcida é imbatível, imagine fazer em um time que diante de sua torcida é imbatível e tem o Pituca escalado? Temi pelo pior.

 

O frio e a chuva na Baixada santista somados a intensidade de jogo do adversário nos primeiros 25, 30 minutos também não facilitavam as coisas para o nosso lado. E a gente mal conseguia ficar com a bola no pé. A se destacar, a boa perfomance de Paulo Victor e uma defesa firme que conseguia nos safar de algumas boas investidas de Pituca e sua turma. Houve momentos de talento individual, também: a janelinha de Everton e o chapéu de Alisson, foram dois deles, que a TV e as redes sociais não se cansam de repetir.

 

Somente no fim do primeiro tempo redescobrimos nossa capacidade de chegar ao gol adversário. O fizemos por duas vezes com perigo, mas sem sucesso. Eram apenas ensaios do que viria a acontecer no segundo tempo.

 

Do vestiário, as palavras mágicas de Renato fizeram efeito sobre seus “pitucas”, ops, seus pupilos. A bola passou a ser passada de pé em pé, como estamos acostumados; Matheus Henrique tomou conta do meio de campo e distribuiu o jogo para lá e para cá; Luan encontrou seu espaço mais próximo da área, e Everton …. bem, Everton seguiu sendo Everton.

 

Aos nove minutos, Luan marcou nosso primeiro gol (e a grande notícia da noite foi perceber que ele está em fase de recuperação de seu talento); aos 41, Pepê completou um passe incrível de Matheus Henrique (nosso jovem atacante dá sinais de que recupera a confiança); e aos 47, Everton fechou o placar (bem, esse dispensa comentários extras).

 

Alcançamos um resultado que, dizem as estatísticas, jamais havíamos conquistado na Vila; seguimos em viés de alta  na tabela de classificação (mesmo tendo desdenhado de parte do Brasileiro); o time se reinventa diante das ausências de jogadores importantes do elenco como Geromel, Leonardo Gomes, Maicon e Jean Pyerre; sem falar nos “pitucas” do Renato que estão jogando um bolão.

Mundo Corporativo: para uma comunicação eficiente, respeite seu público e entenda o poder da palavra

 

 

“A palavra tem o poder de construir e destruir. Se existe uma frase que nos marca muito na história da humanidade é “pense antes de proferir”. Este pensamento precisa ser realmente estratégico com o coração que nós queremos atingir.” Diogo Arrais, professor

A comunicação pode ser transformadora na sua carreira e, portanto, precisa ser mais bem exercitada no cotidiano. O uso correto da palavra, que vai muito além do respeito às regras gramaticais —- apesar desse domínio também ser importante ——, aproxima pessoas, cria relacionamentos e gera negócios. No programa Mundo Corporativo da CBN, o jornalista Mílton Jung entrevistou o professor de língua portuguesa Diogo Arrais, fundador do Arrais Língua Portuguesa, que se dedica ao tema há mais de uma década:

“Do que adianta todo o domínio da norma gramatical se, ora, eu não tenho o respeito nem o conhecimento do meu público-alvo. De fato será um grande fracasso”

Conhecer o público-alvo é um dos caminhos propostos por Arrais para que se tenha uma comunicação eficiente. Ele vai além. Sugere que você respeite seu interlocutor, planeje o conteúdo, desenvolva a criatividade, tenha muito carinho e dedicação à língua portuguesa:

“Pense sempre que a sua plateia e o seu ouvinte não são pessoas tão especialistas e que não querem tanto a sua presença ali. O encantamento parte do pressuposto de que aquelas pessoas vão ter realmente um susto muito positivo com a sua educação, com a sua elegância, com o domínio sobre o palco e principalmente o domínio sobre a palavra.”

O Mundo Corporativo pode ser assistido às quartas-feiras, 11 horas da manhã, ao vivo, no Twitter @CBNoficial e na página do Facebook da CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; no domingo, às 10 da noite, em horário alternativo, ou a qualquer momento em podcast.

E aí, seu deputado “liberou geral” ou teve “vergonha na cara”?

 

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Sessão na Câmara que votou PL 5.029 em foto de Luis Macedo/Câmara dos Deputados

 

A propaganda política fora de época, inútil e cara, voltará ao rádio e à televisão. Essa é uma das mudanças aprovadas na noite de quarta-feira pelos deputados, na Câmara. Tem coisa bem pior: as novas regras diminuem o controle do uso do dinheiro que financia partidos e políticos e aumentam as brechas para caixa 2 e corrupção. Também é verdade que poderia ter sido pior ainda. Porque se você puxar da memória vai lembrar que o PL 5.029 de 2019 era uma espécie de “liberou geral” para as eleições do ano que vem.

 

O projeto havia passado na Câmara na surdina, sem que o eleitor fosse provocado a opinar. Graças ao alerta do pessoal da Transparência Partidária, a opinião pública se envolveu, os meios de comunicação entraram no assunto e os senadores, que já tinham fechado acordo para aprovar do jeito que estava, recuaram. Levaram medo. Devolveram a “batata quente” para os deputados, ao retirarem os dispositivos que facilitavam o caixa dois e dificultavam a fiscalização das contas eleitorais pelo TSE.

 

Os deputados, apesar do constrangimento sofrido, voltaram a avançar o sinal. E aprovaram, por exemplo, a anistia a multas por contas consideradas irregulares e a ampliação dos casos em que o fundo partidário pode ser usado. Uma das regras que entrarão em vigor na próxima eleição permitirá que os advogados sejam pagos “por fora”. Sim, sem que o dinheiro entre no cálculo dos gastos com campanha. Ou seja, um partido que já esteja no limite de gastos arruma um advogado amigo que se transformará em “laranja”. Repassa para ele, por serviços prestados, o dinheiro que vai comprar material de campanha ou pagar cabos eleitorais.

 

Hoje, no Jornal da CBN, entrevistei Marcelo Issa, diretor executivo da Transparência Partidária. Ele explicou que o texto original era um atentado em dois grandes pilares da democracia: transparência e integridade. Em relação a transparência foi possível impedir alguns absurdos, mas ele é extremamente pessimista quanto o tema é combate a corrupção. A expectativa dele é que o presidente Jair Bolsonaro vete os retrocessos do projeto de lei aprovado pelos deputados.

 

A entrevista completa com Marcelo Issa você ouve aqui

 

Ao longo do dia, muitos ouvintes que escreveram para mim na CBN, queriam saber quem foram os deputados que votaram a minirreforma eleitoral. O levamento mais claro está no portal G1, onde você pode fazer a busca por deputado, por partido e por Estado.

 

Confira como o seu deputado votou e saiba se ele “liberou geral” ou “teve vergonha na cara.

 

Aliás, você ainda lembra quem é o seu deputado? Aquele que vou votou no ano passado para ser seu representante na Câmara?

Senador, vai liberar geral ou vai criar vergonha na cara?

 

 

(Atualizada às 7h56 desta terça-feira)

O Senado pode votar nesta terça-feira projeto de lei que se caracteriza como um atentado à transparência na política. É o PL 5029/19 que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e precisa ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro até o dia 4 de outubro para que já comece a valer nas eleições municipais. Inicialmente, o PL teria de ser discutido na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas uma estratégia usada por senadores que apoiam o projeto é levar diretamente ao plenário para acelerar a aprovação.

 

 

Uma ampla mobilização se iniciou para pressionar senadores a impedirem o andamento deste projeto que será um retrocesso no processo eleitoral liberando geral para partidos e políticos usarem o seu dinheiro (o seu, o meu, o nosso dinheiro) da maneira que bem entenderem.

 

 

Além disso, ficará muito mais difícil controlar como esse dinheiro está sendo gasto. E não é pouca coisa. Pois os parlamentares estão tentando aprovar um fundo eleitoral que pode passar dos R$ 3,7 bilhões, em um orçamento escasso na maior parte das áreas de interesse do cidadão.

 

 

Apenas por uma das iniciativas da sociedade civil, os senadores já receberam mais de 1.000 e-mails pedindo para que parem com esta barbaridade. É pouco se levarmos em consideração o estrago que o projeto de lei vai provocar.

 

 

Abaixo, alguns pontos que foram avaliados pelo movimento que tem a participação de 20 entidades civis em defesa da transparência na política:

 

• Permite que cada partido utilize um sistema diferente para prestação de contas. Deverá significar o fim do sistema eletrônico implementado pela Justiça Eleitoral em 2017, que permite padronização e comparação das prestações de contas. Volta da caixa-preta dos partidos.

 

 

• Determina que multas por desaprovação das contas só podem ser aplicadas se ficar comprovada conduta dolosa, ou seja, intencional.

 

 

• Pode dar anistia às prestações de contas ainda não transitadas em julgado em todas as instâncias, uma vez que multas só poderão ser aplicadas se comprovada conduta dolosa.

 

 

• Permite que recursos do Fundo Partidário sejam transferidos para qualquer instituto privado, bastando que seja presidido pela Secretária da Mulher.

 

 

• Permite que os candidatos e partidos insiram dados falsos sobre as contas de campanha no SPCE e no DivulgaCand (sistemas eletrônicos do TSE utilizados para divulgar as contas dos candidatos durante as campanhas) e na prestação parcial.

 

 

• Permite o pagamento de advogados para políticos acusados de corrupção com dinheiro público.

 

 

• Permite o pagamento de advogado com recursos do Fundo Partidário, inclusive em processo de “interesse indireto” do partido.

 

 

• Afrouxa o combate à corrupção ao retirar as contas bancárias dos partidos dos controles de PEP (Pessoas Politicamente Expostas).

 

 

• Retira as despesas com advogados e contadores da contabilidade da campanha e do limite de gastos (margem para caixa dois e lavagem de dinheiro).

 

 

• Retira autonomia dos técnicos que analisam as contas dos partidos, que deixam de poder recomendar as sanções aplicáveis.

 

 

• Facilita ainda mais o pagamento das multas aplicadas aos partidos e diminui seu poder inibidor, limitando os descontos que a Justiça Eleitoral pode fazer nos repasses do Fundo Partidário a no máximo 50% do valor devido.

 

 

• Permite o pagamento de passagem aérea com recurso do Fundo Partidário para qualquer pessoa, inclusive não filiados.

 

 

• Isenta o partido das obrigações trabalhistas em relação à maior parte de seus funcionários.

 

 

• Permite que pessoas físicas paguem despesas de campanha com advogados e contadores sem limite de valor (margem para caixa dois e lavagem de dinheiro).

Você pode mandar o e-mail para os senadores da Comissão de Constituição e Justiça através deste link. Lá tem um texto pronto para você não ter trabalho.

 

 

A minha sugestão é que você use as redes sociais para perguntar ao seu senador:

 

 

VAI LIBERAR GERAL OU VAI CRIAR VERGONHA NA CARA?

Avalanche Tricolor: 1, 2, 3 …. 116 anos comemorados em um domingo azul

 

 

Grêmio 3×0 Goiás
Brasileiro — Arena Grêmio POA/RS

 

Gremio x Goias

A alegria do aniversariante em foto de LUCASUEBEM/GRÊMIOFBPA

 

 

“Desejamos a você um dia azul”, disse o comissário de bordo no momento em que a aeronave aterrissava na pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na viagem que marcava o fim das minhas férias —- curtas férias, registre-se; quase uma folga estendida, pois fiquei apenas uma semana fora do ar, na CBN.

 

Sei que a frase faz parte do marketing da companhia aérea em que voei, mas neste domingo me soou mais familiar. Afinal, estava chegando à cidade e em pouco tempo já estaria diante da televisão para participar da festa de aniversário do Grêmio.

 

Quis o calendário que o 15 de setembro deste ano caísse num domingo, dia clássico do futebol. E por uma conspiração da tabela do Brasileiro coube ao Grêmio jogar às quatro da tarde, —- parece-me que foi a primeira vez que isso aconteceu neste campeonato.

 

A torcida entendeu o recado e mais de 41.700 torcedores foram à Arena cantar parabéns à você ao clube que amamos e abraçar o time que nos representa em campo. Um time, aliás, que voltou a jogar o futebol que encantou a América do Sul, com altíssima intensidade, marcação forte, movimentação estonteante e dribles abusados. Um time à altura do nosso clube.

 

A confiança e simbiose com o torcedor “nesta data querida” foram tais que além de dribles também passamos a abusar dos chutes a longa distância. Haja vista o gol de Jean Pyerre que abriu o placar —- o mais bonito desde que ele passou a jogar entre os profissionais, foi o que disse o jovem meio-campista no intervalo do jogo. Já havia arriscado um pouco antes e repetiu a dose no segundo tempo, sempre ameaçando o goleiro adversário e revelando uma arma que pode ser o nosso diferencial nas pretensões que temos no Brasileiro e na Libertadores.

 

Assistir ao segundo gol de Everton me agradou muito também nessa tarde de festa. Gostei porque hoje é o jogador que mais bem nos representa, passou pela base onde foi forjado gremista — daquele que comemora o aniversário do clube de coração —- e é um talento reconhecido mundialmente que conseguimos preservar para a campanha deste ano —- quase um presente de aniversário.

 

Havia algo mais no gol de Everton a me agradar: a maneira como foi construído com participação coletiva e o fato de ter sido resultado da forma intensa que nosso ataque busca jogar. Tínhamos quatro jogadores disputando a mesma oportunidade de concluir a gol dentro da área: Jean Pyerre, Matheus Henrique e Tardelli, além de Everton.

 

No estado de graça que estava o aniversariante, o terceiro gol foi resultado de outros méritos desta equipe treinada por Renato. A começar pela precisão do passe de Jean Pyerre —- joga muito esse guri —- que encontrou Cortez correndo por trás de seus marcadores e o colocou em condições de cruzar para Alisson que, novamente, chegou forte dentro da área. A velocidade foi tanta que o auxiliar se atrapalhou e só não melou a festa porque o VAR o salvou mostrando que o lance era legal.

 

A vitalidade com que o Grêmio comemorou seus 116 anos nos permite acreditar que ainda teremos muito o que festejar em 2019 —- mas, independentemente do que o futebol nos reserve para o futuro, depois de assistir ao Grêmio nesta festa de aniversário, mais do que familiar o desejo do comissário de bordo foi mesmo premonição: o domingo foi azul.

 

Conte Sua História de São Paulo: o alvoroço com a chegada do circo do “peru que fala”

 

Por Wagner Nobrega Gimenez
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci na capital de São Paulo no ano do IV Centenário, 1954 — ano em que o Corinthians ganhou o campeonato que ficou na letra do seu hino: “o campeão dos campeões”. Também nesse ano foi entregue à população o maior parque da cidade: o Ibirapuera.

 

Porém, as minhas recordações pessoais mais antigas são de quando eu tinha 6 anos. Lembro com carinho os passeios que fazia com minha irmã Cidinha na Loja Pirani, na Av. Celso Garcia, no bairro do Brás. Eu brincava no parque infantil da loja e comia salgadinhos. Era muito bom.

 

Recordo-me ainda de ir às Lojas Americanas, na rua Direita, no centro da cidade, com a minha irmã. Lá eu comia o delicioso Bauru Paulistano: pão americano, presunto, queijo e tomate, prensado e bem quente, acompanhado de suco de laranja.

 

Também no bairro do Brás, na rua Almirante Barroso, onde eu morava, aos domingos era armada a lona do circo do “Peru que Fala” — apelido do apresentador Sílvio Santos. Era um grande alvoroço quando aquela caravana, como se chamava, vinha na minha rua.

 

Por vezes, eu e a Cida pegávamos o bonde camarão que passava na Rua Bresser, perto da minha casa, e íamos até a Praça da República, o lugar que eu achava o mais lindo da cidade.

 

Tinha também a quermesse da Igreja Santa Rita do Pari, bairro próximo do meu. Era no dia 22 de Maio, dia da santa.

 

Nos cinemas Roxy e Universo, ambos na Av. Celso Garcia, eu não podia entrar. Só via de fora. Ficava imaginando como seria lá dentro…

 

São essas as minhas queridas recordações da cidade de São Paulo daquele ano de 1960.

 

Wagner Nobrega Gimenez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história. Envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: quanto vale o produto ou serviço que você oferece?

 

 

“Nós fazemos a atração. A empresa boa, o profissional bom, cria um campo de atração, um campo de valor. Tanto é que quem faz clientar bem feito ou apreçar não precisa vender. Porque é o cliente que compra. Ele se sente parte da família” José Carlos Teixeira Moreira, EMI

Um dos pontos de maior atrito com o cliente é o da definição do preço do produto ou do serviço prestado. E o erro nesse processo está exatamente no momento em que o vendedor ou prestador de serviço quer impor o valor do seu trabalho, sem levar em consideração fatores que são intrínsecos nessa relação. “O cliente faz o preço antes mesmo de você dizer o seu preço”, explica José Carlos Teixeira Moreira, da Escola de Marketing Industrial, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Antes de apreçar, portanto, é preciso clientar, explica Moreira que criou esses dois neologismos para mostrar como deve ser a relação construída com os clientes. Ele define clientar como a arte e a ciência de fazer clientes e apreçar como a arte e a ciência de fazer preço. E entende que o apreçar é decorrência do reconhecimento que o cliente tem do trabalho que se realiza:

“Eu acho que clientar e apreçar são inseparáveis. Na medida em que o sujeito tem a arte de fazer clientes, o preço vira aplauso, não vira cobrança.”

Para Moreira é comum as empresas e pessoas construírem uma escala de valores na relação com o cliente que se inicia pelo lucro, quando esse é apenas a consequência do processo. A hierarquia que o consultor que está há cerca de 50 anos no mercado sugere, é a seguinte:

 

  1. Credibilidade
  2. Relevância
  3. Preferência do cliente
  4. Caixa exemplar
  5. Lucro

“… porque quando predomina uma visão financeira na instituição é o começo do fim, sabe. Ter a visão financeira é fundamental. Nós todos temos que ter. Mas predominar é terrível. Porque quando predomina, eles confundem austeridade com mesquinharia, entendeu? E aí é a predação total. É tristíssimo!”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

O chofer de aplicativo que transformou passageiros em personagens

 

 

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“No Divã do Taxi Driver” foi escrito por Paulo Maia e lançado nesta terça-feira, em São Paulo. O autor eu apresento em prefácio que reproduzo a seguir. O livro está a sua espera nas lojas do ramo ou no carro que Maia usa para transportar passageiros — sorte sua se encontra-lo na “praça”:

 

Sou do tempo do chofer de praça. O nome foi importado e reescrito do francês “chauffer”, que significava por lá “operador de máquinas a vapor e, por extensão, de outras máquinas”. Apenas alguns anos depois, demos preferência a motorista, que deriva do Latim motor, “o que confere movimento”. Como a palavra motorista passou a designar todos aqueles que dirigem algum tipo de transporte terrestre, sempre achei mais bonito chamar os profissionais da praça de chofer.

 

 

A propósito, chofer de praça porque geralmente era onde ficavam a espera dos passageiros. Sim, naquele tempo, não era o motorista que vinha até nós, nós é que íamos até o motorista — coisa antiga, não é mesmo?!? Por acaso, a maior parte dos pontos que usei ficava mesmo é na esquina e não na praça. Um deles o da Saldanha Marinho, onde morei na minha infância e adolescência, em Porto Alegre.

 

 

No ponto da Saldanha tínhamos choferes de primeira. A maioria conhecia minha mãe, a Ruth, e estava acostumada a vê-la chegar com os três filhos pendurados pela mão para embarcar para a escola, para a consulta no médico ou para qualquer outro destino na cidade. Conheciam-na pelo nome, assim como nós os conhecíamos, também. Sabiam parte de nossa história e costumavam palpitar sobre nossas escolhas de roupa, de hábito e de time. O faziam de maneira respeitosa.

 

 

A confiança era tal, que para se desdobrar entre a irmã mais velha e o irmão mais novo, minha mãe me deixava com o chofer, passava o endereço e sabia que a entrega seria garantida. Fez isso comigo e com meus irmãos. Pagava a corrida no outro dia —- devidamente anotada na caderneta de fiado do motorista. Por isso não me surpreendi quando há mais ou menos uns cinco anos, um dos choferes me reconheceu no banco de trás do carro e puxou papo sobre minha mãe, falecida em 1986.

 

 

O ponto ainda está por lá —- lembro de tê-lo visto na última vez que visitei a cidade. Mas como a maioria dos outros que persistem estava vazio. Para meus filhos, não fazem o menor sentido. Se precisam sair de casa, seguir para o trabalho ou encontrar os amigos, sacam o celular e acessam o aplicativo. Em segundos, o alerta da chamada aparece, o nome do motorista fica registrado, o tempo e o custo da corrida, também. Em lugar de procurar um chofer de praça esperam o motorista de aplicativo —— confesso que ainda procuro um nome melhor para a profissão, mas seja qual for o que eu escolha imagino já ser voto vencido. Assim que o motorista chega, chama meus filhos pelo nome e se houver oportunidade e interesse dos passageiros puxa papo com eles. A viagem se encerra sem que eles precisem ter dinheiro no bolso. “Esse merece cinco estrelas’, dizem os meninos.

 

 

Mesmo que o tempo tenha passado e os costumes se transformado de forma inimaginável para os choferes de praça que me transportavam — e para mim, também —, algumas coisas ficaram e devem ser perpetuadas por aqueles que exercem a função nos dias atuais. A gentileza no atendimento. O bom dia, o boa tarde e o boa noite. O por favor e o muito obrigado. O sorriso no rosto e a conversa agradável. A direção segura e o relacionamento confiável. O bom chofer precisa também ser bom ouvinte. Entender quando o passageiro entrou no carro disposto a contar a sua própria história ou quer apenas o silêncio da viagem.

 

 

Agora, imagine o que pode acontecer quando você entra em um carro de aplicativo e o motorista que vai levá-lo ao destino final, além de ter tudo aquilo que eu admirava em um bom chofer, também adora escrever? Acredite, você corre o sério risco de se transformar em personagem de belas histórias vividas no trânsito de nossas cidades. Assim como aconteceu com Dona Cristina e Dona Maria da Glória, Seu Vinícios e Doutor Fábio ou Doutor Renato e seu cão-guia Luky, que me foram apresentados neste livro que você tem em mãos. Aliás, assim como aconteceu com todos eles e muitos outros que tiveram o privilégio de chamar o transporte pelo aplicativo e deparar com Paulo Maia na direção — um motorista com hábitos dos meus choferes preferidos.

 

 

Por curioso que seja, mesmo que a mim tenha sido dado o privilégio de escrever este prefácio, nunca tive a chance de encontrar o bom chofer Maia nas minhas viagens pela cidade. A não ser dia desses quando estava atravessando a pé a avenida e ouvi um grito que saía pela janela do carro: “fala, Miltão!”. Aquela voz eu reconheceria no trânsito congestionado de São Paulo, na pizzaria lotada de fregueses ou em meio a solidão do Estreito de Gibraltar. Era o Maia com meio corpo para fora da janela me cumprimentando da mesma maneira que costumava fazê-lo quando nos encontrávamos nas atividades sociais e de voluntariado, no Morumbi, ou quando eu frequentava uma das melhores pizzarias que já conheci na cidade, da qual ele era o proprietário.

 

 

Sim, caro leitor, cara leitora, o Paulo Maia já foi dono de pizzaria e já se aventurou por muitas outras áreas da vida. Ele também já fumou duas carteiras de cigarro por dia, teve enfarto e driblou os males que a saúde lhe pregava. Recuperou-se e se desafiou: cruzou o Canal da Mancha e o Estreito de Gibraltar a nado —- aliás, foi o segundo brasileiro com mais de 50 anos a completar essa travessia. Foi nessa última que o entrevistei durante o programa de rádio que apresento na CBN. Na verdade, entrevistei seu treinador que estava em um barco ao lado, porque ele estava dedicado a dar suas braçadas para vencer os 20 quilômetros que separam Espanha e Marrocos. Conta que ao ouvir meu nome, lembrou-se de muita gente que gosta e estava em terra torcendo por ele. Isso o fortaleceu e o fez resistir às dores e completar o percurso.

 

 

O último desafio que enfrentou foi quando teve de fechar as duas pizzarias que tinha na cidade, encontrar uma saída para as dívidas que se avolumavam e pagar a conta dos funcionários que mantinha —- alguns há cerca de 20 anos trabalhando com ele. Para essa travessia da vida também contou com o apoio de amigos que o incentivaram a recomeçar, se reinventar. Maia pegou carona na economia compartilhada que proporcionou a milhares de brasileiros a oportunidade de transformar bens particulares em negócio. Cadastrou-se em empresas de transporte por aplicativo, colocou seu carro na praça e, desde 2017, calcula ter rodado mais de 170 mil quilômetros de norte a sul, de leste a oeste, de um canto a outro da cidade de São Paulo.

 

 

Foram mais de 11 mil pessoas transportadas na capital paulista — gente que ao chamar o transporte não imaginava que estava prestes a se transformar em protagonista de uma história bem contada. Com a atenção que o trânsito exige e o atendimento que o passageiro merece, Maia ouviu lamentos e recordações, alegrou-se com as comemorações e vitórias pessoais de cada um, e foi apresentado a citações religiosas e situações constrangedoras. Memorizou boa parte desses diálogos, anotou outras e reconstruiu algumas passagens que vivenciou enquanto levava as pessoas, seus amigos e seus familiares ao destino final.

 

 

Agora, Paulo Maia, como um bom chofer ou um motorista cinco estrelas —- para ficar mais atualizado — gentilmente nos convida a fazer essa travessia ao lado dele, nos levando por uma viagem que percorre a alma humana, entra na avenida mais próxima para nos revelar o que está na mente das pessoas e, desviando dos buracos do cotidiano, nos permite ouvir como bate o coração de cada um de seus passageiros.

 

 
Boa viagem!

Avalanche Tricolor: foi esplêndido, mas trocaria tudo isso por Geromel em forma

 

 

Cruzeiro 1×4 Grêmio
Brasileiro — Independência BH/MG

 

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Everton em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi um espetáculo. Do goleiro ao 14º jogador a entrar em campo, todos ofereceram o que tinham de melhor ao atuar contra um adversário que buscava a redenção diante de sua torcida. E ao listar os 14 não exagero.

 

Paulo Victor foi preciso em três ou quatro defesas de extrema dificuldade, assim como os três que saíram do banco: David Braz, que manteve a segurança defensiva, Luan, que por pouco não fez um gol de placa na tentativa de encobrir o goleiro, e Pepê que usou de sua velocidade e chute forte, no pouco tempo em que esteve em campo.

 

Claro que Everton foi o mais incrível de todos.

 

Jogou como ninguém joga no futebol brasileiro. Cada bola, um perigo à vista. Deslocava-se da esquerda para a direita. Da direita para a esquerda. Às vezes, fazia um estágio pelo meio. Independentemente do lado em que estivesse era capaz de dar dribles alucinantes e impor uma velocidade de deixar seus marcadores desnorteados. Descrição que pode ser ilustrada pelo primeiro gol que marcou quando entrou na área pelo lado esquerdo e cortou para chutar com o pé direito. Com o espaço fechado pelo adversário, tocou para o pé esquerdo e bateu forte, no alto e no ângulo, sem qualquer chance de o goleiro reagir.

 

Antes de marcar seus gols, já havia dado assistência a Alisson que entrou em campo endiabrado contra seu ex-clube. Em uma primeira tentativa de drible foi empurrado dentro da área. O árbitro entendeu que era disputa de bola —- como deve ter entendido que o zagueiro que interrompeu a trajetória do chute com a mão dentro da área adversária também estava apenas disputando a bola (com a mão).

 

Alisson não desistiu. Sempre que tinha a bola no pé, partia contra o marcador, encontrava seus companheiros livres para passar ou recebia faltas. No lance de seu gol, iniciou a jogada na direita, entregou para Everton e se deslocou para a esquerda, surpreendendo a defesa. Apareceu livre para receber a bola e conduzi-la até o momento fatal.

 

Uma goleada que se iniciou com o gol de letra de Diego Tardelli que também estava em uma manhã inspirada. Nosso atacante marcou, desarmou, armou e concluiu a gol de calcanhar, completando a boa jogada pela direita de Galhardo — calando a vaia provocativa do torcedor adversário e arrancando aplausos mesmo de gremistas desconfiados.

 

A nota negativa ficou por conta da lesão de Geromel. E digo com toda a sinceridade: trocaria a esplêndida apresentação deste domingo e os quatro gols marcados por um Geromel totalmente em forma e em condições de jogar a Libertadores.

Mundo Corporativo: microempreendedor precisa assumir sua identidade para crescer e investir em seu sonho

 

 

“Comece a partir do que você tem … Em vez de se focar naquilo que você deveria ter para empreender, foque naquilo que você já tem de valor para empreender, e comece a testar, porque empreender é um exercício que se aprende fazendo. Ninguém nasce totalmente empreendedor. A gente se torna empreendedor” — Lina Useche, Aliança Empreendedora

Micros e pequenos empreendedores representam 99% das empresas no Brasil e 27% do PIB. Também são responsáveis por 54% dos empregos. Apesar desses números, a maioria deles não se identifica como um empreendedor, porque no imaginário popular um empreendedor ou um empresário é aquele homem que veste terno e gravata que costuma aparecer nas reportagens e nas imagens publicadas na internet.
 

 

É preciso mudar essa visão e perceber que a senhora que faz comida para fora, a moça que é dona de um pequeno salão de beleza, o rapaz que realiza reparos em equipamentos eletrônicos ou vende pipoca são todos empreendedores ou no caso microempreendedores.
 

 

Ao não se identificar como empreendedor, muitos brasileiros desperdiçam as oportunidades que existem de programas de apoio e incentivo ao microempreendedorismo —- o diagnóstico é de Lina Useche e está baseado na experiência que desenvolve à frente da Aliança Empreendedora, que incentiva projetos voltados aos microempreendedores em comunidades de baixa renda.

“Essa falta de identidade faz com que a pessoa não se conecte com esse ecossistema do empreendedorismo. Ela tem uma primeira barreira que é se reconhecer como tal e se valorizar para acessar as oportunidades que existem”.

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Lina Useche relata que a burocracia também impede que muitos desses profissionais se desenvolvam na carreira:

“Essa é uma das questões porque esses micros não crescem: medo de se endividar, medo de contratar um funcionário e ter problemas. Então, o próprio arcabouçou legal, a legislação muito  bucrocrática faz com que esse microempreendedor se retraia. Não vou fazer o meu, vou trabalhar sozinho, vou sustentar minha família e vou no seguro porque é um mundo muito assustador”

A partir de pesquisa realizada pela Aliança Empreendedora, Useche descreveu as quatro personalidades de microempreendedores:

Profissional independente: aquele que sempre teve o sonho de empreender e só estava esperando uma chance de tirar a ideia do papel.
 

 

—- Empreendedor por consequência: aquele que a vida o obrigado a assumir essa função seja pode desemprego seja por mudança na configuração da família
 

 

—- Empreendedor de meio período: aquele que ainda tem emprego fico, mas tem seu empreendimento no restante do tempo e sonha em um dia ser apenas empreendedor
 

 

—- Jovem empreendedor: aquele pessoal que tem entre 18 e 19 anos e já encara a função de maneira diferente, desenvolve ideias diferentes, cria com base na tecnologia disponível e sonha solucionar problemas do mundo.

Outra curiosidade que a pesquisa da Aliança apresenta é que independentemente do tipo de microempreendedor que a pessoa seja existem três pontos em comum entre eles:

—- Mão na massa
—- Rede de contatos e articulação de sua família e amigos
—- Paixão pelo negócio

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, com transmissão pelo Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e aos domingos, 10 da noite, em horário alternativo. Ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.