Vaga de garagem é coisa séria: Raquel Dodge vai ter de se explicar no STF

 

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No condomínio, poucas coisas causam tanta discussão quanto uma vaga na garagem. Por mais modernos que tentam ser os administradores, usando da tecnologia para determinar qual quinhão caberá a cada um dos condôminos, sempre alguém sai insatisfeito do sorteio realizado. Ou porque o carro ficou muito ao fundo, ou porque está próximo de mais da pilastra, ou porque o espaço é estreito para manobrar o USV do malandro.

 

Em alguns condomínios a vaga é fixa. Em outros, é rotatória para ver se acalmam-se os ânimos. Em todos tem sempre alguém insatisfeito e ameaçando levar às últimas instâncias sua reivindicação por uma vaga mais confortável onde possa deixar seu carango sem risco de arranhões na porta ou contorcionismos ao volante.

 

Por uma conspiração do destino — e agradeço a Deus por essa graça alcançada —-, apenas uma vez na vida tive de encarar o desafio de dividir espaço e controvérsias com moradores de apartamentos vizinhos. Mesmo assim foi apenas de passagem e decidi que estacionaria meu Gol no lugar que os demais condôminos decidissem. O único transtorno era ter de manobrar diariamente o carro que ficava na vaga em frente a minha. Mas confesso que até me diverti com a oportunidade.

 

Verdade que quando era mais jovem, meu Chevette não tinha lugar na garagem de casa e tinha de estacionar na oficina de um vizinho que alugava o espaço. Ali o problema não era a vaga, mas o barulho. Como era adepto das noitadas e o dono da oficina já era um senhor de idade e com família comportada, toda vez que entrava com o carro, ele se revirava na cama.

 

Nas empresas brasileiras, ter vaga na garagem ou mais próxima da entrada principal é coisa para crachá de peso. Funcionário comum pára onde pode e dependendo da organização vai ter de pagar aluguel no estacionamento da região. Um comportamento que diz muito da maneira como vivemos em uma sociedade formada por castas ao contrário de países mais civilizados.

 

Você já deve ter assistido a vídeos e informações de que em alguns países desenvolvidos, quem chega antes pára mais distante da entrada, pois têm tempo de sobrar para chegar ao escritório. Assim deixam as vagas mais próximas para turma que se atrasa e precisa correr para bater o ponto. É civilização que chama, né?

 

Aqui no Brasil essa discussão é tão complexa que até a futura-ex-Procuradora Geral da República Raquel Dodge é alvo de ação no STF por negar vaga de garagem a um subprocurador. Isso mesmo: ela pode ser condenada por não ceder uma vaga na garagem no estacionamento da PGR.

 

Segundo o portal G1, o subprocurador Moacir Guimarães foi quem entrou com ação no Supremo Tribunal Federal. Ele ficou incomodado porque havia pedido para que um auxiliar pudesse estacionar na garagem para “agilidade dos trabalhos”. Raquel Doge, que responde também pela área administrativa da Procuradoria, baseou-se em portaria que prevê vagas apenas para os subprocuradores, não para seus auxiliares. É privilégio que chama, né?

 

Guimarães reclama porque, segundo ele, existem várias vagas desocupadas na garagem, “o que demonstra claramente a má vontade da Autoridade coatora em atender, no final do seu mandato, o pedido do impetrante eis que em todo o período de sua gestão os questionamentos foram feitos”.

 

Para quem achava que os maiores problemas que Raquel Doge teria de enfrentar nessa reta final de trabalho —- ela deixa o cargo no dia 17 de setembro —- fossem as indicações fora de época que fez para algumas procuradorias regionais ou o pedido de demissão dos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, jamais imaginaria que ela estaria com a cabeça a prêmio e julgada pelo STF por uma acusação desse porte: não autorizar o uso da vaga da garagem para subalternos.

Conarec 2019: da expansão no engajamento empresa-cliente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O CONAREC — Congresso Nacional das Relações Empresas Clientes –, que será realizado nos próximos dias 10 e 11, no Hotel Transamérica, em São Paulo, traz expectativas de novidades, moldadas no tema “Expandindo as fronteiras do engajamento”. Serão 250 expositores e painelistas representando 100 marcas aproximadamente.

 

No intuito de obter um trailer, conversamos com uma das participantes do evento, Stella Kochen Susskind, master da pesquisa de mercado, que comanda a startup SKS CX Customer Experience, recentemente entrevistada no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Stella, fundadora, pioneira e CEO da maior empresa de cliente oculto da América Latina durante 30 anos, manteve atenção total na região de Israel onde surgiram empresas disruptivas que criaram o Waze, o Pendrive, o WeWork, o Wix e até o tomate cereja, entre outros tantos produtos que trouxeram benefícios e melhorias.

 

Estava atenta também às informações que o próprio mercado em que atuava sinalizava:

“Com tantas mudanças nas experiências dos clientes, com omnichannel — convergência de todos os canais utilizados por uma empresa — me perguntava a todo momento: como o mercado de pesquisa não se moderniza no mesmo ritmo? Como apresentar um resultado de pesquisa quase 20 dias após a experiência do cliente? Por quanto tempo os clientes compradores de pesquisa investirão muito em diversas metodologias, de empresas distintas, sem inovação e sem conseguir enxergar os resultados de maneira integrada?”

A presença com o ecosistema das startups israelenses e o desempenho da SKS, reconhecido internacionalmente, originaram um convite da Checker Software Systems, de Hadera, Israel, para trazer a nova tecnologia para o Brasil.

“Além do avanço das startups israelenses me chamando, a decisão de aceitar o desafio veio com uma frase de um cliente durante uma reunião: Stella, você é a pessoa que vai colocar fim nas apresentações de 80 slides só com números e key points sem sentido.”

Com esse estímulo, Stella assumiu a missão de absorver a nova tecnologia, depois de reuniões em Split (Croácia), Roma (Itália) e Hadera (Israel):

“O que mais parecia uma missão para a Mossad se tornou um caso de sucesso. Além de adotar uma metodologia de mensuração mais integrada — assim como a integração da jornada do cliente no universo físico e digital — e inovadora, a inovação é também na maneira de apresentar descobertas às empresas, modernizando de uma apresentação monótona e ultrapassada, que exigia a presença de um pesquisador para uma apresentação de dados. O modelo ‘pesquisa’ mudou. O empresário quer ele próprio acessar em tempo real o que o consumidor está falando de sua marca nos mais variados canais e poder agir baseado no estudo”.

Stella estará, portanto, apresentando as mudanças efetivadas nas pesquisas de satisfação dos clientes, embasada na nova tecnologia assimilada e já experimentada em seu trabalho atual. E, convida:

“Afinal, se com o Waze chegamos sem erro e pelo melhor caminho ao destino, com o que mostrarei no painel a jornada do meu cliente será assim também! Simples, potente e integrada”.

O painel de Stella Kochen Susskind em que mostrará alguns dos temas que foram antecipados para nós nesta conversa será o “Customer Experience a moda de Israel: inovadora, potente e segura”, dia 10 de setembro, às 12h50, na Conarec.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: vamos ter de ganhar a Libertadores, fazer o quê?!?

 

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Copa do Brasil — Arena da Baixada/PR

 

 

Gremio x Athletico-PR

Geromel em campo, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Havia enorme expectativa de uma disputa regional do fim da Copa do Brasil, mas logo no início da noite o Grêmio não cumpriu a sua parte. Jogou menos do que costuma, abaixo de suas qualidades e aquém do necessário. Mesmo assim, segurou o resultado negativo possível até o fim, apesar de ter perdido um de seus principais jogadores no começo do segundo tempo. E de estar diante de um adversário competente, competitivo e empurrado por seus torcedores

 

 

Teria tido a oportunidade de mudar a história da decisão se, nos primeiros minutos de partida, o árbitro não tivesse tido sua visão embasada pela prepotência. Ao não ter visto em campo o pênalti que favoreceria o Grêmio, foi forçado a olhar a tela do VAR. E mesmo que a cena se repetisse várias vezes diante dos seus olhos, com a bola sendo desviada pelo braço do marcador dentro da área, insistiu no erro. Nenhum dos comentaristas de árbitro que ouvi na TV e no rádio foi capaz de concordar com ele.

 

 

Prejuízo anotado, temos consciência de que o futebol gremista não foi aquele que nos levou a sequência de títulos nestes últimos três anos. Mesmo assim, o destino nos ofereceu a oportunidade de mudar a história dessa semifinal na cobrança de pênaltis. Em uma série na qual os cobradores demonstraram muita qualidade. Alguém haveria de errar. Erramos nós. 

 

 

É hora de deixar a ferida secar, recolher os trapos e se concentrar no próximo desafio. Eis aí  uma vantagem de ser torcedor do Grêmio: estamos sempre prestes a mais uma decisão.

 

 

Fora da Copa do Brasil, o que vamos fazer? Ganhar a Libertadores, ué! A gente pode,.

 

Bola pra frente!

 

No varejo, sucesso não tem padrão, mas precisa de visão

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Loja Pop Up da Tiffany em Los Angeles (Foto Divulgação)

 

No auditório da Casa Petra, em São Paulo, dia 20, a ALSHOP reuniu um conjunto de especialistas com o propósito de expor as tendências para o varejo, revisitando o passado e cotejando o presente.

 

A adaptação às mudanças, a obrigação de acompanhar a sua velocidade que vem aumentando gradativamente e a necessidade de ter a capacidade de visualizar o futuro, são itens necessários para participar do jogo atual dos negócios. Mas insuficientes para obter sucesso, cujo caminho não pode ser padronizado.

 

O sucesso depende de recursos criativos, emotivos, objetivos, e alguns, surpreendentes, como buscar problemas e não se afastar deles ou errar e errar de novo. Entendendo também que os clientes procuram benefícios e serviços e não produtos. Gostam de histórias e simpatizam com a customização. Clientes que esperam boas comidas com garçons que saibam servir bem e tirar boas fotos, pois tanto quanto o sabor, a imagem é prioridade. Outros, que seus cães façam as próprias compras pela internet.

 

Esta é a síntese que os expositores, com privilegiadas experiências de sucesso, apresentaram. Das quais, destacamos alguns pontos.

 

Jean Carlo Klaumann, da Linx Software de Gestão de Varejo, ressaltou a oportunidade que o omnichannel oferece, dado que apenas 5% das vendas de varejo no Brasil são realizadas online — além de estarmos atrasados também com a rapidez de entrega, pois prazos de quatro dias ou mais estão sendo efetivados nas capitais. As marcas com grande número de unidades podem usar o estoque das lojas para efetivar entregas, que daria vantagem de custo e satisfação do cliente. A presença em Marketplace é inquestionável.

 

João Apolinário, da Polishop, contou que para criar o seu negócio procurou questionar o que não existia dentro do seu segmento e visualizou uma distribuição que fosse ao consumidor em todas as situações de compra. Aproveitou para registrar o erro do e-commerce fora de Marketplace.

 

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Petz em Santos/SP (Foto: Divulgação)

 

Sergio Zimerman, da Petz, disse que o sistema de inovação que adota é a tentativa e erro. Se não der certo, persiste, com resiliência mas não com insistência, que seria repetir tudo da mesma forma. Como exemplo de criatividade, exibiu o comercial premiado sobre a tatuagem que precisa ser apagada, e sugere que a namorada Ana que traiu pode ser substituída por uma linda cachorra que se chamará Ana. Como inovação exibiu o processo de compra canina pela internet, usando a inteligência artificial.

 

Charles Darwin não foi citado, mas esteve presente no tema de Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, quando focou na necessidade de adaptação às mudanças, usando a tecnologia e se transformando digitalmente. A tecnologia é um valor operacional e estratégico. A Informação será mais e mais essencial. Serrentino evidenciou também a necessidade de ajuda externa às empresas com objetivo de adaptação e assimilação ao novo; e recomendou enfrentar os problemas ao invés de fugir deles.

 

Carlos Ferreirinha, sinônimo do mercado de LUXO, pela trajetória de sua obra iniciada com a implantação da Louis Vuitton entre nós, registrou como inspiração para o seu painel a inteligência da gestão do luxo como diferencial competitivo. Afinal é no LUXO que está um punhado de marcas de mais de 100 anos, ou de 200 anos como a Baccarat, que para permanecerem ativas inovaram constantemente. Ferreirinha ressalta que há obrigatoriamente aspectos que já devem ser assimilados, tais como:

 

— O cliente não diferencia o digital do físico;
— Convergência de canais;
– -A Farfetch do mundo virtual para o físico;
— Diversidade mais forte que nunca;
— Imagens são protagonistas;
— Instagramabilidade, quando a foto da comida é tão importante quanto;
— Whole food, onde o luxo vai para os rabanetes expostos como arte & chic;
— Loja Louis Vuitton, em New York, com gigantesco painel luminoso do novo estilista, que foi mais fotografado do que a Estátua da Liberdade;
— Experiências + experiências = transformação, não temer o erro;
— A necessidade do PROPÓSITO claro e preciso;
— Liderança “AGILE”;
— Dados são o novo “PETRÓLEO” = cliente no centro da informação;
— Entretenimento & food & leisure/Colabs, colaborativo: Airbnb experience; futuro dos Shoppings é o entretenimento; os espaços colaborativos; as “Pop Up” da Hermès vendendo lenços e gravatas além das lavanderias abertas em Paris; as novas lojas Tiffany; as novas unidades conceituais da Gucci

Como se vê, Ferreirinha é assertivo quando se inspira no LUXO para inovar e quebrar padrões.

 

Há, portanto, que entregar produtos sabendo que o objeto físico perdeu o protagonismo para o composto subjetivo que está agregado a ele. Compete ao varejo ofertar o que possa despertar desejo, em qualquer lugar, de qualquer modo, em qualquer momento e o mais rápido que puder.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: torcer em família

 

 

 

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Campeonato Brasileiro —- Morumbi, São Paulo/SP

 

 

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A alegria de torcer em família, em foto de Paulo Pinto do Foto Públicas

 

 

De mãos dadas com o pai, o guri chegou vestindo a camisa do Grêmio feliz da vida as arquibancadas reservadas a torcida adversária no Morumbi. O sol forte que ardia na pele, na manhã de sábado, fazia brilhar ainda mais os olhos dele, que se movimentavam com rapidez de um lado para o outro como se quisessem captar todas as imagens que compunham aquele cenário mágico que é o campo de futebol. Mal prestou atenção quando o pai o apresentou a mim como “um gremista nascido em São Paulo”. Por respeito, aceitou tirar uma foto ao meu lado. Mas o que queria mesmo era ver o Grêmio no gramado.

 

 

A satisfação do pai também era enorme aquela altura. Sabemos como é difícil criar essa gurizada em terra distante do nosso time do coração. Lá no Rio Grande do Sul, você já nasce predestinado a seguir o time do pai. Ou torce pelo time dele ou pelo arquirrival — o que exige algum atrevimento e muito desprendimento. Quando os criamos fora do Estado, os riscos de termos um desgarrado é enorme, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em que os grandes clubes estão sempre em destaque no noticiário e disputando títulos. Sem contar a tentação em torcer pelos times milionários do exterior.

 

 

Aqui em casa, com dois paulistanos expostos as múltiplas tentações, me esforcei para impedir dissidências. Já contei ao caro e raro leitor desta Avalanche como a batalha de todos os Aflitos, em 2005, foi determinante para o rumo que os meus dois guris tomariam. Tivemos poucas oportunidades de assistirmos juntos ao Grêmio nos estádios de futebol. Mas sempre fiz questão de tratar esses momentos com cerimônia. Houve partidas marcantes, como a despedida do Olímpico Monumental, o primeiro jogo na Arena ao lado do avô ou as finais do Mundial em 2017.

 

 

A última vez que assistimos a um jogo juntos e com a presença da mãe ao lado —- ou seja, família completa —- havia sido em 2001. Por coincidência no próprio Morumbi. Valia vaga à semi-final da Copa do Brasil. O Grêmio já havia vencido por 2 a 1 em casa. Por essas inconsequências do calendário, a partida foi marcada para quarta-feira à tarde, em pleno dia útil. Com a possibilidade de termos pouco movimento de torcida, me arrisquei a levar os guris que estavam com apenas dois e cinco anos, e pudemos experimentar um jogo incrível com sete gols, duas viradas de placar, vitória do Grêmio por 4 a 3 e classificação à fase seguinte.

 

 

Para constar: naquele ano, 2001, fomos campeões da Copa do Brasil.

 

 

Nesse sábado, estivemos de volta ao Morumbi. Eu, eles e a mãe a tiracolo. Justiça seja feita, ela já encarou algumas poucas e boas sozinha ao meu lado, como assistir a um jogo do Grêmio em uma noite de sábado e Dia dos Namorados. É muito amor, né?!? Havia muitas outras famílias reunidas, além da minha e a do pai e filho que inspiraram os primeiros parágrafos desta Avalanche. Uma delas se apresentou a mim, também. “Somos primos”, disse o porta-voz dos Jung de Passo Fundo. Sim, encontramos um parentesco em meio a felicidade de estarmos reunidos torcendo pelo Grêmio. Não sei se todos os Jung são gremistas, mas não conheci até hoje nenhum que não fosse.

 

 

Os Jung e as demais famílias gremistas, aproveitávamos as facilidades que uma partida de sábado pela manhã, em São Paulo, proporciona, mesmo com as dificuldades para se obter ingresso, as limitações impostas pela falta de segurança e o desconforto de ficarmos expostos no espaço menos nobre do estádio — já contados neste blog.

 

 

Todos queríamos ver o Grêmio jogar e não nos importávamos de estar diante de uma equipe alternativa, já que o Campeonato Brasileiro não é nossa prioridade. Nos contentávamos em estar em família, comungando nossa paixão com quem amamos. E assim comemoramos as defesas de Júlio César e os desarmes de David Braz, tanto quanto as tentativas de dribles de Luan e Tardelli.

 

 

Agradecemos a Renato que nos permitiu assistir a Everton em campo — o craque que parece vai ficar entre nós por mais algum tempo. Raras são as equipes brasileiras com capacidade de ter no elenco um craque que é reverenciado por todos os demais torcedores brasileiros, fato alcançado por nosso atacante depois do desempenho como titular da seleção brasileira na Copa América.

 

 

Aliás, que privilégio tiveram os mais de 40 mil torcedores que foram ao Morumbi nesse sábado. Se de um lado tínhamos Everton, o craque da final da Copa América, de outro havia Daniel Alves, o craque da Copa América.

 

 

De nosso lado, olhávamos com o merecido respeito toda vez que o agora meio-campista adversário pegava na bola e ensaiava alguma jogada — na maior parte das vezes não correspondida por seus companheiros de equipe. E vibrávamos assim que a bola era passada a Everton. Aplaudíamos a maneira como corria pela lateral do campo, a forma como cortava para dentro em busca do gol e os dribles que acumulava sobre seus marcadores.

 

 

O que foi aquele sequência de dribles em direção a área no segundo tempo? Lembrou o lance que nos levou ao gol da vitória na Libertadores dias atrás. Desta vez só não completou a jogada porque foi derrubado por um zagueiro, que o árbitro jura ter agido dentro da lei. Nós, como bons torcedores, lógico, reclamamos a injustiça cometida.

 

 

Ao contrário daquele jogo de 2001 que assisti com a família no Morumbi, nesse ninguém conseguiu marcar um só gol. Pela reação final das torcidas, a impressão que ficou é que a nossa saiu do estádio mais satisfeita do que a deles. Até porque nós já estávamos suficientemente felizes em compartilharmos aqueles 90 e tantos minutos de futebol em família — a família gremista.

Mundo Corporativo: quem é o novo profissional de TI que as empresas precisam?

 

“Já foi o tempo em que os profissionais de TI ficavam simplesmente conectados a uma máquina, por um projeto, por uma atividade. Hoje, esses profissionais estão sendo muito mais demandados para estarem próximos ao negócio. Entenda de fato o que as empresas fazem. Em qual a proposta. E onde a tecnologia pode amparar as empresas para ter um diferencial competitivo”. Paulo Exel, Yoctoo

As empresas passam por um momento de transformação em que a tecnologia tem sido a protagonista e esse fenômeno tem refletido no aumento da demanda de profissionais de TI, aqui no Brasil e lá fora, também. Diante dessas novas necessidades, o mercado de trabalho tão restrito para a maior parte das funções tem registrado um déficit entre profissionais formados em tecnologia da informação e as vagas que estão abertas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, o consultor Paulo Exel falou como as organizações estão encarando o setor de TI de maneira diferente:

“Já existe uma maturidade das empresas de olhar a tecnologia muito mais como uma área de apoio ao negócio, de estratégias ligadas as decisões do negócio ,do que simplesmente uma área de suporte e manutenção de uma operação”.

Exel é sócio-diretor da Yoctoo, uma consultoria de recrutamento especializada no campo da tecnologia e no mercado digital. Na entrevista, ele identificou três áreas em que existem oportunidades de emprego no setor:

—- desenvolvimento ou programação
—- dados
—- segurança da informação

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no Twitter @CBNoficial e no perfil da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini, Débora Gonçalves e Adriano Bernardino.

O futebol não quer você no estádio adversário

 

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Torcida do Grêmio no Pacaembu, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em um momento em que o futebol brasileiro tem conseguido mobilizar uma quantidade significativa de torcedores para os estádios —- e os “calculistas” podem me confirmar se a média de público tem aumentado, neste ano —- quero conversar com você, caro e raro leitor deste blog, sobre a dificuldade para se assistir aos jogos no estádio do adversário.

 

(ops: antes de seguir em frente, acabo de receber a confirmação do meu colega Paulo Vinícius Coelho: o público tem aumentado, a média está em 20.700 torcedores, a maior em 36 anos)

 

Nasci e fiz minha infância e adolescência quase dentro de um estádio de futebol. O quintal da casa em que morei, em Porto Alegre, era o Olímpico Monumental. Assistir aos jogos pelo interior do Rio Grande do Sul também não era um problema pois tinha o privilégio de chegar aos estádios na companhia da equipe de esportes da Rádio Guaíba, estivesse ou não com o meu pai. Os portões se abriam e na pior das hipóteses eu arrumava um lugarzinho na cabine da emissora.

 

Nos clássicos que eram disputados no Beira Rio a logística era parecida graças ao carinho com que a diretoria do Grêmio sempre concedeu ao meu pai. Assim, era fácil encontrar um diretor gremista que me acolhia e  me levava junto com o staff para o estádio adversário.

 

As coisas começaram a ficar mais complicadas aqui em São Paulo. Os primeiros jogos em que me arrisquei foi no Canindé, em época na qual a Portuguesa estava sempre disposta a pregar suas peças —- bons tempos aqueles, não é Luisinho! Foi lá, porém, que tive minha primeira decepção. Pois insisti em levar um dos meus filhos. A desorganização na fila do ingresso, a forma agressiva com que os cambistas nos abordavam e a violência de uma das organizadas fez com que ele me pedisse para nunca mais convidá-lo para aquele selvageria.

 

Tivemos algumas experiências, também, no Parque Antártica e no Morumbi —- nada muito convidativo, mesmo que os resultados em campo tenham sido positivos para o meu Grêmio. Aliás, antes mesmo de os meus meninos serem gremistas, fui ao Morumbi com eles para ver o São Paulo em campo e os maus-tratos foram tais que acabamos sentados nas cadeiras reservadas ao time adversário, que estavam completamente vazias.

 

Transformei-me em torcedor de televisão, especialmente depois do surgimento do paga-pra-ver. É mais fácil, mais seguro e mais confortável — mesmo que nada se comparece com o prazer de você pular na arquibancada, gritar até a voz se perder e comemorar abraçado a alguém do seu lado que você jamais viu na vida e jamais verá de novo, mas se identifica com você pela cor da sua camisa.

 

Nesta semana, muitos amigos não acreditaram que eu não assistiria ao Grêmio na Libertadores, no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

 

Pense comigo: o trajeto até o estádio tem de ser feito de forma clandestina, porque se um louco qualquer identificá-lo com a camisa contrária, você corre o risco de ser agredido. Estacionar seu carro nas proximidades do estádio é uma façanha (e um achaque). O espaço destinado ao torcedor adversário é sempre o pior possível. Distante e em um canto qualquer, cercado de seguranças por todos os lados, oferecendo a sensação de que você é um terrorista prestes a explodir uma bomba. Ao fim da partida, você se transforma em refém, pois só pode deixar o local quando a polícia entender que está tudo em ordem do lado de fora. Ou seja, para um jogo que começa às nove e meia da noite, como foi o caso desse, você só vai voltar para a casa por volta de uma hora da manhã —- inviável para quem como eu acorda às quatro da matina.

 

Entenda, não estou aqui desmerecendo o sistema de segurança necessário para manter a ordem e os bons costumes em um estádio de futebol. Sei que a estupidez humana exige alguns limites. Mas chamo atenção para a necessidade de o torcedor adversário —- e aqui em São Paulo sempre sou o adversário —- também ser mais bem respeitado nos estádios de futebol.

 

Hoje, pensei em me organizar com a família e assistir ao Grêmio no sábado pela manhã, no Morumbi. O horário é ótimo —- mesmo que ainda me cause uma estranheza —- e o local é próximo de casa. Além de ver meu time, mesmo com os reservas em campo, ainda terei a oportunidade de acompanhar, ao vivo, a atuação de Daniel Alves, um dos maiores nomes do futebol mundial. Sim, eu gosto de ver craques jogando, apesar deles estarem do outro lado.

 

Aí surge a primeira decepção: na busca de ingresso, a informação que descubro é que a torcida visitante pode comprá-lo, mas “somente no dia da partida, na bilheteria 05 do portão 15”. Não fosse o fato de ser um dos mais caros, R$ 80,00, você tem de ficar sentado na arquibancada superior, a mais distante do gramado e sem direito a cobertura — torça para não chover no dia nem ter de enfrentar um sol escaldante.

 

Com todas as possibilidade de os ingressos serem vendidos on-line, difícil entender o motivo de oferecer como único serviço ao torcedor adversário a bilheteria e no dia da partida — o que nos leva a crer que haverá filas enormes e a possibilidade de entrar quando a bola já estiver rolando. Só uma coisa justifica essa atitude: convidar o torcedor adversário a ficar em casa e diante da televisão.

 

 

 

Avalanche Tricolor: obrigado, pai!

 

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Libertadores — Pacaembu-SP

 

 

Gremio x Palmeiras

Everton dispara para o segundo gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Eu pedi para você, pai. Antes do jogo começar. Eu pedi para você, pai. Sabia que você não poderia estar mais ao meu lado. Mas eu pedi, pai. Sei lá por onde você andava. Mas quis acreditar que você estava por aí. Em algum lugar qualquer. Prestes a me ouvir. Perto de mim, mesmo que em uma distância eterna. Uma distância que ainda me faz sofrer, sentir dor no coração. Uma dor que amanhã completará um mês.

 

Mas eu precisava que você estivesse comigo em mais essa, pai. Você nunca me faltou quando precisei. Me incentivou a não desistir jamais, mesmo quando percebia que eu não era capaz de fazer mais. Você acreditava. Você me ensinou a acreditar. E, por isso, eu pedi para você, pai: “nesta noite, me dá só essa vitória”.

 

Você sabe o que é estar sozinho por aqui. Isolado em São Paulo. Ouvindo desde cedo a provocação do adversário. Vendo o olhar desconfiado dos que não conhecem a nossa história. Recebendo a mensagem às vezes agressivas. Outras jocosas. Nesta noite nem os meninos estavam ao meu lado, pai.

 

Só não imaginava que você fosse me testar dessa maneira. Aquele gol contra logo no início era para ter me levado para cama mais cedo. Baixado a cabeça. Me preparado para a dureza do amanhã. Mas eu voltei a pedir a você, pai. “Você tá comigo aí, né!?!”, pensei em voz baixa enquanto o grito da vizinhança feria meus ouvidos.

 

Lembrei de quantas vezes você me abraçou nas arquibancadas do Olímpico. Enxugou minhas lágrimas. Mandou eu lavar o rosto, porque estava na hora da reviravolta. E a volta por cima se dava.

 

Demorou pouco para você me mostrar que, sim, você estava por aí. Prestes a me ajudar. Atento ao que eu pedia. Que eu não estava sozinho, não. E o primeiro sinal veio naquela bola jogada para dentro da área e escorada com a categoria de Everton. E se consumou com os dribles incríveis do mesmo Everton. E a conclusão do preciso Alisson.

 

Você não parou por aí, pai. Você se expressou em Geromel, o nosso Mito. Na raça de Kannemann, o nosso Gigante. No talento de Jean Pyerre, o Filósofo da Bola. Em cada um daqueles que vestiram a nossa camisa nesta noite, no Pacaembu, lá estava você, pai. Estava jogando para me fazer feliz, mesmo sabendo a tristeza que ainda sinto pela sua perda.

 

Pai, obrigado!

Mais colaboradores, mais líderes e mais empresas realizam trabalho voluntário

 

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A crise econômica não foi suficiente para tirar o ânimo do pessoal que trabalha com voluntariado corporativo. É a impressão que se tem ao conversar com os gestores que atuam nesse segmento e ao se observar o resultado de pesquisa que está sendo divulgada nesta semana.

 

Você, caro e raro leitor deste blog, deve lembrar que há duas edições, no programa Mundo Corporativo, entrevistei Marcelo Nonoay, da MGN Consultoria, que falou de estratégias para a implantação de projetos de voluntariado nas empresas e de impactos gerados nas pessoas que participam dessas atividades —- sem contar o resultado que isso gera na vida daqueles que são beneficiados pelas ações desenvolvidas.

 

A empresa criada por Nonoay é responsável por organizar dentro das corporações atividades de voluntariado. Identifica o potencial existente, planeja os programas e engaja o pessoal —- muitas vezes se descobre que os profissionais já são voluntários por conta própria. Na entrevista, ele mostra que empresas investem nesses projetos porque percebem que ajudam a desenvolver competências nos colaboradores: “a pessoa não volta igual”.

 

Se não lembra ou não assistiu à conversa, é só clicar aqui e você encontra o vídeo e o resumo da entrevista.

 

O otimismo em relação ao voluntariado corporativo também se fez presente na pesquisa da Comunitas, organização que se dedica a inspirar as empresas a realizar investimentos sociais. Para Marcar o Dia do Voluntariado, que será em 28 de agosto, quinta-feira, a instituição vai publicar o resultado da pesquisa BISC 2019 — Benchmarking de Investimento Social Corporativo — com 256 grandes empresas e fundações empresariais.

 

Na 12a edição da pesquisa, alguns resultados que já são conhecidos e destaco a seguir:

O número de colaboradores envolvidos em programas de voluntariado em grandes empresas do país aumentou 15% em relação a edição anterior.

 

O número de empresas em que a maior parte dos líderes participa das atividades também subiu. E subiu muito: de 11% para 21%. Quanto mais os líderes atuam no voluntariado maior é a garantia de manutenção desses programas.

 

Tem mais dinheiro disponível também: foram investidos R$ 11,6 milhões, um aumento de 12 em relação ao levantamento anterior.

 

Outro aspecto interessante é que boa parte das empresas (44%) tem como meta engajar até 15% de seus colaboradores nesses projetos —- uma meta e tanto se levarmos em consideração que o número de voluntários ainda é baixo diante do número de total de colaboradores: 8%, segundo a pesquisa.

 

A professora Anna Maria Medeiros Peliano, que coordena a pesquisa, viu nos dados consolidados em 2018 e divulgados agora o reconhecimento das empresas em relação aos benefícios proporcionados pelos programas de voluntariado.

“Ganham as comunidades, pelo atendimento recebido; ganham os colaboradores, que se sentem gratificados pela oportunidade de contribuir para a sociedade e desenvolver competências úteis à carreira profissional; e ganham as empresas com a melhoria do ambiente interno de trabalho”

 

Assim que os dados completos da pesquisa estiverem divulgados, eu publico aqui para vocês, enquanto isso me responda:

 

Você realiza algum trabalho voluntário?

Avalanche Tricolor: Luan voltou a sorrir

 

Grêmio 2×1 Athletico PR
Brasileiro — Arena Grêmio

 

 

Gremio x Athletico-PR

Luan comemora, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Eita, coisa estranha esse campeonato! Dia desses falei com você, caro e raro leitor desta Avalanche, que ainda me acostumava com o fato de ter de assistir a alguns jogos em horários diferentes, como o do sábado passado que foi às nove da noite, além de termos partidas disputadas quase todos os dias da semana. Não é que nesta 16a rodada do Brasileiro, descobri que também passamos a ter jogos sábado pela manhã?!? Ainda bem que não era o do Grêmio.

 

A rodada mal começou e deparei com outra novidade: jogo de bola só na internet —- exclusiva no site GloboEsporte.com. Por falta de atenção minha, passei a correr as centenas de canais disponíveis na televisão e nada de aparecer a partida do Grêmio. Clica aqui, corre canal ali, acessa o PPV —- aquele que eu pago para ver, mas não tive direito de ver —- e só depois de a bola já ter começado a correr na Arena lembrei que o adversário dessa tarde tem um imbróglio qualquer com a emissora que detém os direitos de transmissão (ou quase todos) do campeonato.

 

Corri no computador e conectei na TV tão rápido quanto pude. E logo descobri que o ataque do Grêmio foi bem mais rápido do que eu e em três minutos já havia aberto o placar, depois de pressionar a defesa adversária, provocar o erro, Luciano roubar a bola e deixar Luan na cara do gol. Ainda bem que a mesma internet logo tinha à disposição o gol gremista para ver e rever quantas vezes eu quisesse. E gostei muito de ver Luan marcando e comemorando aquele gol que o consolida como goleador da Arena e o coloca na privilegiada posição de já ter mais gols com a camisa do Grêmio do que o próprio Renato.

 

Dizem que Luan pode ir embora. Dizia-se o mesmo há exatos dois anos quando o meio-campista estava no auge de sua performance. Ele preferiu ficar, mesmo com as ótimas propostas que surgiam. Quis ser campeão mais vezes pelo Grêmio, conquistar a Libertadores, ser o Rei da América, disputar o Mundial e deixar seu nome na história. Luan conseguiu.

 

Neste ano, seu desempenho ficou abaixo de sua capacidade. Foi para o banco, entendeu que o momento não era dele. Treinou muito, recuperou-se fisicamente e tem se esforçado além da conta em toda a oportunidade que recebe. “Titular” do time alternativo, Luan enfrenta a dificuldade imposta por uma equipe que não tem o mesmo entrosamento da principal. Mas sabe que precisa passar por esse momento para voltar a ser o jogador que aprendemos a admirar em campo.

 

Se esses serão os últimos dias de Luan com a camisa do Grêmio, saberemos em breve. Se realmente o forem, o jogo deste sábado já valeu a pena, pois fiquei feliz em ver o sorriso dele na festa que fez pelo gol marcado e na festa que recebeu da torcida pelo jogo jogado. E mais uma vez Renato foi genial ao sacá-lo do time minutos antes de a partida se encerrar dando-lhe o direito de ouvir seu nome ser gritado pelos torcedores enquanto deixava o gramado.

 

Valeu, Luan!