A responsabilidade de ter na mesa um troféu com o nome da Ir. Dorothy Stang

 

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“Quando enterramos o corpo da Irmã Dorothy,
em fevereiro de 2005, repetimos
muitas vezes que ‘não estamos
enterrando Irmã Dorothy,
mas sim, estamos plantando’.
Ela é uma semente que vai dar muitos frutos.
Queremos celebrar estes frutos
e as novas sementes que
estes frutos estão lançando”
Dom Erwim Krautles, Bispo Emérito do Xingu (PA)

 

Sexta-feira passada, em Goiânia, fui um dos homenageados no Prêmio de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com a Menção Honrosa Ir. Dorothy Stang. De acordo com o informe da comissão de comunicação da CNBB, a escolha levou em consideração o trabalho que realizo no rádio:

 

“Sua competência profissional aliada a uma sensibilidade cidadã tem um impacto positivo na audiência e colaborado com a formação de valores humanos, critério definido pelos bispos para a escolha de comunicadores”.

 

Dedico-me ao jornalismo há 35 anos e ter o nome selecionado para esse prêmio me deixa, é claro, lisonjeado, mesmo que nunca consiga enxergar de forma evidente os resultados desse trabalho na transformação da sociedade —- e talvez seja melhor assim, caso contrário corre-se o risco de a soberba se sobrepor a causa.

 

Os outros profissionais que receberam a menção honrosa foram Wagner Moura, ator e diretor de Cinema; Sandra Annenberg, jornalista da TV Globo; Vinicius Sassini, jornalista de O Globo; os digital influencers Iara e Eduardo, “caçadores de bons exemplos” e, em homenagem póstuma, o jornalista Ricardo Boechat.

 

Havia sido informado do prêmio dias antes quando, então, a pedido dos organizadores gravei vídeo para agradecer a escolha do meu nome ao lado de outros colegas da mídia e do cinema —- que foi reproduzido durante a cerimônia.

 

Fiz questão de gravar a saudação no Pateo do Collegio, onde surgiu a cidade de São Paulo, no século 16. Foi lá que os jesuítas iniciaram o povoado que se transformaria nesta megalópole. Sempre considerei simbólico que, ao contrário da maior parte das cidades, São Paulo surgiu no entorno de uma escola e não de uma fortaleza.

 

Escolher como cenário o local da primeira escola de São Paulo foi a forma de expressar minha gratidão por ter em mãos um troféu com o nome da Irmã Dorothy que encontrou na defesa dos homens e das mulheres mais simples deste país a maneira de revelar sua missão cristã. Deu a vida por essa causa.

 

Na sua caminhada, Irmã Dorothy foi uma das fundadoras da primeira escola de formação de professores na Transamazônica, a Brasil Grande —- nome que por si só demonstrava o quanto ela e seus companheiros acreditavam que através da educação poderíamos nos desenvolver como nação.

 

Assim, fui ao Pateo do Collegio para lembrar que todos que trabalhamos com comunicação social não podemos jamais perder a noção de que temos também uma missão educadora quando buscamos a verdade, apuramos os fatos, ouvimos o contraditório e questionamos a autoridade estabelecida.

 

Além de agradecer pela gentileza da CNBB, fiz questão de, em vídeo, registrar minha crença que pela educação e com trabalho podemos ajudar a construir um Brasil mais justo, mais ético e mais generoso. Um Brasil grande, como sonhou Irmã Dorothy Stang.

Avalanche Tricolor: gol-gol-gol-goooool de Luan!

 

 

 

Inter 1×1 Grêmio
Brasileiro — Beira Rio/Porto Alegre-RS

 

 

O sábado começou com ótimas lembranças do clássico. Pelo e-mail soube que Edu Cesar, responsável pelo canal Papo de Bola, havia publicado imagens de um Gre-Nal disputado, em 1983, no Beira-Rio. O jogo em destaque terminou empatado depois de o Grêmio sair atrás no placar, muito parecido com o que aconteceu neste noite —- confira o vídeo alguns parágrafos abaixo.

 

Pelos jogadores que passaram na tela, desconfio que também entramos com time reserva. O jogo era válido pelo Campeonato Gaúcho e disputado em novembro. Vamos lembrar que naquele momento estávamos muito mais dedicados ao Mundial, que haveríamos de vencer em dezembro, no Japão.

 

De qualquer forma, foi bom ver em cena ao menos um dos nossos craques do passado, caso de Paulo Bonamigo que deu início a jogada do segundo gol com um passe de três dedos para a ponta esquerda. Era um volante que combinava muito bem a boa qualidade técnica para sair jogando e a força na marcação.

 

Puxei na memória, mas não consigo lembrar de ter estado no estádio naquele domingo. Seja como for nem o resultado nem os jogadores em campo foram o motivo da alegria que o vídeo me proporcionou. O que mais me tocou foi o fato de que a narração do jogo era do pai, na época em que trabalhou na TV Guaíba.

 

Se você é leitor de primeira viagem nesta Avalanche, esclareço: sou filho de Milton Ferretti Jung —- sim, sou o Júnior —-, que dedicou 60 anos de sua vida ao rádio e por algum tempo ao jornal e à televisão. Foi locutor do principal noticiário do rádio gaúcho e narrador esportivo. Com a inauguração da TV Guaíba, passou a transmitir os jogos pela emissora.

 

 

O pai adaptou sua forma de narrar os jogos quando se transferiu para televisão. Fazia uma descrição mais comedida dos lances e reduziu o grito de gol que havia criado no rádio. Manteve o gol-gol-gol — sua marca registrada —- mas abriu mão do grito mais longo e alto de gol ao final. Entendia que a imagem era suficiente para oferecer ao telespectador a emoção necessária. Foi um craque nessa arte da narração, assim como no jornalismo esportivo de uma forma geral.

 

Ouvi-lo no sábado pela manhã, bateu fundo no coração. Deu saudade não apenas da sua voz, mas da sua presença ao meu lado. Assistimos a muitos jogos juntos. Comemoramos abraçados os gols mais importantes da história do Grêmio. Quando eu assistia aos jogos na cabine da rádio Guaíba, o grito de gol dele sempre vinha acompanhando de um sorriso que era compartilhado comigo, como se quisesse se desvencilhar das amarras que o papel de narrador lhe impunha para me abraçar como torcedores gremistas que sempre fomos. Muitas vezes passei meus braços no entorno da cintura dele para comemorar enquanto cumpria sua função diante do microfone.

 

O pai hoje encara os desafios que a doença o impõe, em Porto Alegre — sequer pode ter a alegria de assistir ao Gre-Nal pela televisão. E se tivesse condições, talvez ficasse frustrado com o futebol jogado nesta noite. Eu estava aqui em São Paulo e assisti à bola ser maltratada de pé em pé, em um jogo no qual as duas equipes entraram com forças medianas, devido aos compromissos mais importantes no meio da semana. Mas juro que ao ver a bola estufar a rede colorada após Luan completar de cabeça o cruzamento de Juninho Capixaba parecia estar ouvindo a voz dele em alto e bom som gritando aos quatro cantos do Rio Grande do Sul: gol-gol-gol- gooooooooool de Luan, o Rei da América!

 

Saudade do seu grito, pai.

Conte Sua História de São Paulo: a saga de Seu Orlando e do caloteiro da padaria

 

Por Andrea Magri

 

 

Seu Orlando (Laurenti) como todos os dias estava de pé na porta de sua padaria… já bem conhecida em São Paulo, principalmente dos descendentes italianos, no coração do Bixiga. Na frente havia o estacionamento, naquela época, meados de 1968, isso era um luxo.

 

Assim, ele viu parar aquele Volkswagen cor vinho com rodas brancas, impecável, novo em folha. De de lá um jovem senhor, talvez uns 45 anos — naquela época, mais de 40 era quase idoso. Mais velho que seu Orlando, que só tinha 30, mas bem apessoado, de mangas de camisa, paletó e sapato nos trinques. Cara de bom cliente, pensou seu Orlando.

 

O cliente pegou tudo que havia de bom e dava sinais de ser bem nascido, já que era conhecedor de queijos e vinhos. Encheu uns quatro cestos e assim que chegou no caixa, colocou a mão em um bolso e em outro …

 

— “Puxa, a carteira deve ter ficado no carro”.

 

— “Sem problema”, respondeu seu Orlando, que logo providenciou um funcionário para levar as compras até o fusca. Deram cinco minutos e o funcionário voltou sem compras, sem cliente e sem dinheiro:

 

—- “Foi embora e nem me deu caixinha”.

 

— “Minha nossa senhora da Achiropita! Não posso acreditar! Que prejuízo! Ele não pagou as compras”, gritou seu Orlando, desesperado.

 

Nem conseguiu pegar no sono naquela noite, só de pensar no golpe do bom cliente.

 

As noites mal dormidas e o prejuízo se dissolveram no tempo. Seu Orlando, empreendedor e trabalhador, fez sociedade com um amigo em uma lanchonete. Já tinha duas filhas e as coisas não eram fáceis. Trabalhava de dia na padaria e à noite, ali na praça Carlos Gomes, em frente ao Cine Joia.

 

Em uma noite daquelas, um homem de cavanhaque e bem vestido chega na lanchonete e pede ao garçom 10 chess-saladas, 5 porções de batata frita, 10 cachorros quentes e queria tudo para viagem. Seu Orlando estava na chapa e ficou curioso para saber quem havia feito aquele pedido todo. Foi quando saiu aos gritos:

 

— “Ei, você! Que está fazendo aí? Veio acertar comigo o que me roubou na padaria, é ?”

 

O safado saiu correndo, atravessou a praça e fugiu no seu fusca. Era o mesmo que havia aplicado o golpe na padaria, fazendo aquela história voltar a atormentar Seu Orlando.

 

Mais de um ano depois, em um domingo, Seu Orlando vai ao açougue da vizinhança. De repente, quem ele enxerga no caixa com sacolas de carne sendo levadas por um empregado até o carro.

 

— “Seu Jorge! Esse é ladrão, seu Jorge! Ele já pagou?

 

— “Que isso, o cliente vai pegar o dinheiro no carro”

 

— “Esse é ladrão! Me roubou na padaria! Do mesmo jeito! Chama a polícia, seu Jorge! Ele quer te roubar! Esse cara é um gatuno!”

 

E o cliente, sem jeito, disse que não precisava levar as encomendas no carro porque ele não era dessas coisas, não. Foi até lá, pegou a carteira, pagou as compras e resolveu sair por cima:

 

— “Você quer me difamar! Chama, sim, a polícia… Eu nem te conheço!

 

Foi, então, que a polícia chegou, o homem deu queixa contra o Seu Orlando, que estava desnorteado e acabou na delegacia para dar explicações do motivo da agressão verbal ao pobre cliente.

 

— “Vai ficar aqui até esfriar a cabeça”, ouviu do delegado, envergonhado e ultrajado.

 

Pois não é que o caminho dos dois cruzou novamente, dias depois.

 

Eram mais de dez da noite e seu Orlando foi ao restaurante ao lado da padaria para tomar um copo de cerveja com o dono, o seu Antonio. Ao chegar, depara com vários homens sentados em uma mesa, jantando. Entre eles, o infeliz. O sangue italiano ferveu e não o deixou sequer pensar!

 

— “É aqui seu próximo calote? Seu Antonio…muito cuidado! Esse é o homem que me roubou na padaria, quis me enganar na lanchonete e ia dar o golpe no açougue! Este é o gatuno que te contei!”

 

E, claro, foi aquele fuzuê. O almofadinha, diante de amigos, desta vez se rendeu com tantos encontros inesperados:

 

— Fala aí, quanto eu fiquei te devendo? Não aguento mais te encontrar. Você já está prejudicando a minha vida.

 

Sacou a carteira recheada de dinheiro, pagou a conta e foi embora. Assim como Seu Orlando, que viu justiça ser feita tantos anos depois. Hoje, ele tem 80 anos, três filhas — Andrea, Paula e Juliana —- e três netos — Luca, Matteo e Sofia. Dona Vilma, a esposa, já se foi. A padaria Basilicata, segue firme no mesmo endereço, há 102 anos, e ainda é da família.

 

Orlando Laurenti é o personagens do Conte Sua História de São Paulo, escrito pela filha, Andrea Magri. A sonorização é do Cláudio Antonio.Escreva o seu texto também e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Alê Prates ensina como preparar equipes engajadas

 

 

“Se a gente pudesse definir engajamento em uma palavra, eu definiria como liberdade, faço porque quero, não preciso de uma força externa para fazer algo, faço porque estou livre e por ser livre eu coloco o meu melhor em jogo” – Alexandre Prates, educador executivo.

Um dos desafios dos líderes nas empresas é construir equipes com profissionais engajados em seus projetos e tarefas. De acordo com o consultor Alê Prates, existem três aspectos que sustentam esse engajamento: a participação efetiva, a frequência e o método. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, ele explica como esses aspectos se revelam no dia a dia dos escritórios:

“É um engano dizer ‘eu fiz o melhor possível’, a gente precisa fazer o que precisa ser feito, ou seja, ter um método, saber qual é o começo, o meio e o fim do que eu preciso fazer”.

Alê Prates ensina que o engajamento só existe quando a iniciativa parte do próprio profissional, do contrário o que temos são equipes comprometidas, que só fazem algo porque existe uma força externa a impulsioná-las —- e isso faz uma tremenda diferença no resultado final.
 

 

Autor do livro “Não negocie com a preguiça — a prática do engajamento para o pleno desempenho” (Editora Best Seller), Prates reconhece que muitas vezes deixamos que a preguiça vença, pois é muito mais sedutora e está sempre pronta a nos oferecer algo prazeiroso:

“Todas as vezes que você pode fazer, você sabe fazer mas você não faz — isso é a preguiça”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo Twitter (@CBNoficial) ou pelo Facebook. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. Colaboram com o programa Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Vendramini e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: a vitória da maturidade

 

 

Bahia 0x1 Grêmio
Copa do Brasil — Arena Fonte Nova/BA

 

Gremio x Bahia

A festa do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio de Renato voltou. Na forma de jogar. E na forma de ganhar.

 

Desde o início da decisão desta noite, o futebol gremista se expressou com o controle do jogo, a troca de passe mais rápida, a triangulação de jogadores aparecendo para receber, a mudança de lado para confundir a marcação e a defesa firme e forte reduzindo o risco de um gol fora de hora (a bem da verdade todo gol tomado é fora de hora).

 

A velocidade de nossos atacantes por um lado e por outro também esteve presente. E foi a partir dela que chegamos ao gol que nos classificou à mais uma semifinal de Copa do Brasil. O passe precioso de Matheus Henrique encontrou Alisson correndo em direção à área e ele não se fez de rogado: deu um corte no primeiro marcador, deu um corte no segundo e chutou com o pé invertido no canto que parecia mais improvável para a bola entrar. E entrou.

 

Em uma temporada na qual nem sempre apareceram essas características que nos puseram em destaque, o que mais me chama atenção é que todas —- ou quase todas —- tem dado sinais de vida quando mais precisamos.

 

Já havia sido assim na reta final da fase de grupos da Libertadores, quando muita gente já não acreditava na nossa capacidade de recuperação.

 

E foi assim na noite de hoje quando tínhamos pela frente o desafio de encarar um time muito bem organizado e batalhador diante de sua entusiasmada torcida. Aliás, desta vez também tivemos de superar o descrédito de críticos. Ainda hoje, ouvi colegas de rádio colocando em dúvida a possibilidade de seguirmos em frente na Copa do Brasil.

 

Sabemos da dificuldade em manter o mesmo ritmo vitorioso por tanto tempo, por mais que se invista na permanência do comando técnico, a começar pelo seu maior nome, Renato, e na busca de reforços para substituir jogadores e formar um elenco mais bem equilibrado. Mas para esses momentos de inconstância, aposta-se na maturidade do grupo. E foi essa maturidade que fez ressurgir o futebol gremista na noite de hoje, em Salvador, quando chegamos a marca de 100 vitórias em Copas do Brasil e nos credenciados a disputar a 14a vez uma semifinal desta competição.

 

Se não bastasse ver o Grêmio de volta com sua força e maturidade, ainda curti essa alegria ao lado de um velho companheiro de torcida,  Gregório, meu filho mais velho, que também voltou após três meses distante do Brasil. A festa foi completa.

 

“Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação”

 

“Primeiro, as pessoas não funcionam racionalmente e sim a partir de emoções.As pesquisas mostram cientificamente que a matriz do comportamento é emocional e, depois, utilizamos nossa capacidade racional para racionalizar o que queremos. As pessoas não leem os jornais ou veem o noticiário para se informar, mas para se confirmar. Leem ou assistem o que sabem que vão concordar. Não vão ler algo de outra orientação cultural, ideológica ou política. A segunda razão para esse comportamento é que vivemos em uma sociedade de informação desinformada. Temos mais informação do que nunca, mas a capacidade de processá-la e entendê-la depende da educação e ela, em geral, mas particulamente no Brasil, está em muito mau estado”

Manuel Castells, sociólogo, teórico da comunicação e autor de “A Sociedade em Rede”, em entrevista à jornalista Paula Ferreira, em O Globo.

Varejo de serviços avança em shopping centers

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Se as mudanças ocorridas no varejo de Shopping Centers têm acarretado indagações sobre o formato futuro destes empreendimentos, o recente avanço das operações de serviços indica uma nova composição de mix. Essencial, oportuna e bem-vinda.

 

É essencial aos shoppings que precisam preencher espaços deixados por lojas satélites que reduziram o canal de distribuição físico, e também dividem participação com o omnichannel de lojistas.

 

É oportuna aos lojistas de serviços que fortalecem sua distribuição através de um novo canal com oferta de conforto, segurança e variedade.

 

É bem-vinda aos consumidores que podem se embelezar, cuidar da saúde oi se divertir num mesmo local.

 

Há dias, no Mercado & Consumo, Marcos Hirai, sócio-Ddiretor da GS&BGH Expansão e Pontos Comerciais e organizador da EXPO Retail Real Estate, destacou que o segmento de conveniência e serviços cresceu mais de 15% e que beleza e estética, academias de ginástica, laboratórios clínicos, clínicas médicas e odontológicas começam a ter participação de 25% do mix — e se somar isto ao setor de alimentação, há shoppings em que se chega a 50%.

 

Hirai pontua algumas marcas que tiveram sucesso como Sobrancelhas Design, Dr. Consulta, Clínica CEMA, Clínicas Seven e ressaltou Espaçolaser, que tinha 33 lojas, em 2015, e fechou o ano de 2018 com 400 unidades. Na mesma linha identificamos a openLaser depilação e a Turquesa esmalteria e beleza.

 

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A openLaser é do Grupo Empresarial GSF Siluets Franchising que mantém a Siluets estética, com 90 lojas, e a AMYC dermocosmetics, que produz produtos de beleza. Hoje, são 15 lojas da openLaser que irão se expandir dentro do sistema de franquias com programação de abertura até 2020 de 120 lojas em Shopping Centers. São unidades com produtos de beleza e serviço de depilação a laser para propiciar uma “vida mais confortável e sem pelos”, segundo Ignacio Ferreiro e Alberto Garcia, fundadores da empresa. Eles ressaltam que visualizam um benchmarking com o fast food na medida em que podem repetir com a openLaser e o Espaçolaser, o que o Burger King faz com o McDonalds. Ou seja, uma presença que não divide mas acrescenta.

 

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A Turquesa esmalteria & beleza tem 60 lojas instaladas e 15 em implantação, e destas quatro iniciaram a fase de ocupação em Shopping Center, que é o canal a ser priorizado. Segundo Carla Bruno, consultora de expansão, para os shoppings está sendo oferecido também o formato de quiosque.

 

A praticidade ou a conveniência desse cenário de serviços oferecido aos consumidores de hoje certamente indicam uma promissora tendência de um novo mix dentro dos Shopping Centers.

 

Para o bem de todos e a felicidade geral.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Sua Marca: o lado inovador da nostalgia

 

“Existe um lado da nostalgia que é inovador e por isso algumas coisas tem valor sempre. A gente tem de tirar essa ideia de que a nostalgia é uma coisa velha, mas, sim, de que é algo atemporal” —- Cecília Russo

O mundo contemporâneo sempre tem algo novo para nos mostrar e as marcas mais inteligentes estão em sintonia com esses movimentos, por outro lado também é verdade que impulsos nostálgicos alimentam a relação delas com os seus consumidores. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, quando que vai ao ar, aos sábados, 7h55 da manhã no Jornal da CBN.

 

Em conversa com Mílton Jung, os especialistas em branding Jaime Troiano e Cecília Russo dizem que as marcas que entendem a alma de seus clientes e consumidores sabem que para ir à frente é preciso recuperar memórias saudosas mais afetivas: fazer um passeio pelo passado que ainda faz parte de nossas lembranças.

 

Algumas referências da área cultural mostram que a estratégia tende a dar certo quando realizada de forma competente e cuidadosa, caso do espetáculo das Frenéticas, que recentemente voltou aos palcos, ou a peça “O Amor e o Tempo”, que conta a história de Nelson Gonçalves, em cartaz em São Paulo, ou o filme Rocketman, com a biografia de Elton John.

 

No mundo das marcas um bom exemplo é a Granado Pharmácias, empresa brasileira de cosméticos, medicamentos e perfumarias, fundada em 1870. De acordo com Troiano, as lojas da Granado recriam um ambiente que remetem você ao livro “A Moreninha”, que se passa na Ilha de Paquetá, escrito por Joaquim Manuel de Macedo.

 

Nostalgia, tratada com inteligência, sem uma pegada careta, vende muito e presta uma homenagem a momentos inesquecíveis da vida. O importante, alertam Troiano e Cecília, é não confundir nostalgia com coisa velha e ultrapassada: tem de renovar sempre, não pode deixar a marca empoeirar.

Avalanche Tricolor: Pepê é mais um talento com direito a nome próprio

 

Grêmio 2×1 Vasco
Brasileiro — Arena Grêmio

Atacantes

 

Faz pouco tempo que assistimos à ascensão de Everton. Lembrei parte dessa história na Avalanche anterior, ao escrever sobre nosso empate na Copa do Brasil. O atacante, hoje cobiçado por alguns dos mais importantes clubes da Europa, até se firmar entre os titulares, tinha de esperar as substituições que Renato fazia no segundo tempo, geralmente em lugar de Pedro Rocha. No Mundial de Clubes, Rocha assistiu àquele jogo quase ao meu lado na arquibancada — ele já havia sido vendido ao exterior, onde ficou pouco tempo para retornar ao Cruzeiro. Mesmo assim, Everton ainda era um reserva de luxo. Fernandinho era o preferido do treinador.

 

Na época do entra e sai no time, Everton oscilava em suas apresentações. Quando encarava os marcadores já cansados no segundo tempo, levava vantagem com sua velocidade e habilidade com a bola. Fez gols importantes na campanha vitoriosa da Copa do Brasil, em 2016. Porém, sempre que saía jogando, seu futebol era colocado em dúvida, pois a excelência que se esperava dele não costumava aparecer da mesma maneira. Repetia assim o mesmo que já havia ocorrido com Pedro Rocha —— inclusive nas críticas, injustas, a imprecisão nas finalizações a gol. 

 

Rocha também demorou para se firmar entre os titulares. Havia torcedores que arrancavam os cabelos todas às vezes que assistiam ao nosso atacante disparar em direção ao gol e desperdiçar suas oportunidades com chutes sem precisão. Até que, com a confiança demonstrada pelo técnico, seu futebol amadureceu, ganhou personalidade, transformou-se em titular reverenciado por todos os torcedores e valorizado a ponto de ser a maior transação gremista de todos os tempos: foi negociado por 12 milhões de euros —- 45,2 milhões de reais —- para o Spartak Moscou, da Rússia.

 

Mesmo depois do gol que nos levou à final do Mundial, em 2017, Everton voltou a ocupar o banco de reservas, ao menos mais uma vez. Na partida decisiva, em Abu Dhabi, só entrou no segundo tempo. Com apenas 21 anos, trilhava o mesmo caminho de seu antecessor e sabia que sua hora estava para chegar.

 

Foi no ano seguinte, 2018, que Everton se notabilizou, tornou-se titular absoluto e um dos maiores goleadores da Arena Grêmio, tendo seu nome cogitado para a seleção brasileira. Neste 2019, após a consagração na seleção campeão da Copa América, mantê-lo no elenco virou missão impossível e estamos aqui apenas contando os dias que faltam para o jogador anunciar sua despedida do clube.

 

Nós torcedores já estamos resignados com essa situação: todo ano, dar adeus ao menos a um dos nossos jovens craques. Já não nos indignamos mais com a saída precoce deles e nos consolamos com as cifras absurdas que os estrangeiros pagam para contratá-los, nos contentando com uma espécie de competição paralela com os nossos rivais na qual quem consegue vender seu talento por uma preço maior é o vencedor.

 

Aos gremistas nos resta a satisfação de saber que a fábrica que produz jogadores com a qualidade e velocidade de Pedro Rocha e Everton dá sinas de estar em plena atividade. Haja vista, o crescimento de Pepê a cada partida que disputa. Ele jogou na base do Athletico Paranaense, foi para o Foz do Iguaçu —- na cidade natal —, passou rapidamente pelo Coritiba e chegou nas nossas bandas em 2016, após uma operação sigilosa da diretoria gremista que temia perder o jogador para os concorrentes mais próximos.

 

Fez sua estreia no time profissional em 2017 e, veja como a história é cíclica, substituindo Everton. Fez seu primeiro gol já na terceira partida que disputou e sempre que chamado por Renato apresenta-se com uma vitalidade incrível que lembra …. bem, lembra Everton.

 

Foi assim, nesse sábado quando o Grêmio venceu de virada com dois gols do nosso jovem atacante. O primeiro entrando em velocidade pelo lado direito da área e aproveitando passe preciso de Luan; e o segundo, pasmem, de cabeça após um cruzamento-passe de Leo Moura — sim, ele tem no máximo 1,75 de altura, mas estava dentro da área e muito bem colocado. Pepê cabeceou de olhos abertos e com o movimento clássico que esperamos dos atacantes sempre que a bola é alçada para a área. Já é um dos nossos goleadores do Campeonato Brasileiro. Sim …. ao lado de Everton.

 

Ontem mesmo já havia quem estivesse chamando-o de Novo Everton.

 

Vamos combinar o seguinte, assim como aprendemos a respeitar o futebol de Everton com a saída de Pedro Rocha, vamos aprender a admirar o futebol de Pepê com a saída de Everton. E dar a ele direito a nome próprio: Pepê, o novo craque!

Conte Sua História de São Paulo: cheguei cego e menino na cidade que me acolheu

 

Por Geraldo Pinheiro da Fonseca Filho
Ouvinte da CBN

 

 

O dia 2 de março de 1965, uma terça-feira, constituiu-se num marco definitivo em minha vida, pois naquela manhã um tanto assustadora desembarquei juntamente com meu saudoso pai, na antiga rodoviária de São Paulo, no bairro da Luz, procedente de minha cidade de origem no Estado do Paraná, a cidade de Maringá, visando iniciar meu ciclo de formação escolar fundamental no instituto de cegos Padre Chico, no bairro do Ipiranga.

 

Inicialmente, para mim que contava então com a idade de seis anos, considerando ainda que jamais deixara minha cidade a não ser para tratamento médico, abria-se um mundo sombrio e totalmente desconhecido onde a profusão de sons que se misturavam em uma sinfonia severa, num primeiro momento muito mais assustavam e constrangiam do que arrebatavam.

 

Logo ao desembarcar, o ruído quase uníssono e o odor que entorpecia de dezenas de veículos da marca DKW Vemago, que naquela época eram utilizados como táxis, iam aos poucos absorvendo minha percepção, demonstrando de forma avassaladora a austeridade e o domínio implacável da cidade-gigante que me recebia.

 

E foi assim sob este misto de temor e expectativa que chegamos ao instituto Padre Chico, a escola que eu tanto aguardava, porém nos moldes da rotina de minha irmã mais velha, na escola que ela já frequentava há algum tempo lá em minha longínqua cidadezinha e que me despertara para aquela ansiosa expectativa da escola; porém, quando meu pai me deixou no internato em um ambiente inovador mas totalmente estranho, ao cair na realidade da distância e da falta da família, sobretudo de minha mãe, passei por um período de difícil adaptação, mas gradativamente fui desvendando, através da dinâmica eloquente das atividades desenvolvidas no Instituto, os enigmas e a magia da cidade que me acolhera, convertendo mais e mais todo aquele temor inicial em conquistas que iam sedimentando meu apreço e admiração por seus valores, sons que me conquistavam, sua história e sua potencialidade predominante de proporcionar inovações, mutações e conquistas diante de desafios inimagináveis para uma criança cega como o meu caso e também para minha família.

 

Embora as atividades da dinâmica escolar absorvessem parte substanciosa de minha vida como aluno interno do Instituto, paralelamente fui sendo cada vez mais inserido no âmbito das novidades peculiares à cidade de São Paulo, ensejando assim cada vez maior enquadramento e uma crescente afeição aos seus valores, que me envolviam em uma verdadeira magia de sons que, se inicialmente assustavam e até constrangiam, iam consubstanciando em meus sentimentos um apreço cada vez mais vinculante e também fascinante em face a esta cidade que me acolhera, e ia definindo um futuro moldado por aspirações e expectativas.

 

Um dos primeiros sons que me encantou por sua característica estridente e o tilintar do seu sinalizador sonoro de alarme foi o inesquecível bonde, que ligava o Ipiranga à praça João Mendes; muitas vezes aos finais de semana, aos sábados eu era retirado do Instituto para passar o domingo com uma família de amigos de meu pai que residira em Maringá no passado, quando então tomávamos o bonde cujo ponto inicial era em frente à portaria do Instituto, descíamos na praça João Mendes, seguíamos pela rua Direita, atravessávamos o viaduto do Chá e seguíamos para a praça Ramos de Azevedo, lá tomávamos o ônibus para a vila Leopoldina onde residiam. A vila Leopoldina era provinciana, parecia mesmo uma cidadezinha do interior; ali me encantava com o ruído emitido pelos subúrbios da antiga Sorocabana, a sineta de sinalização da cancela da estaçãozinha por onde transitavam os trens.

 

O Museu do Ipiranga também tornou-se reduto de visitas frequentes dos alunos internos do Instituto, percorríamos aos domingos, seus extensos jardins adornados por vastos gramados, ouvindo os sons inconfundíveis dos realejos e a nostalgia de suas melodias, sempre repetitivas e no mesmo ritmo como a acalentar nossas imaginações sonhadoras de criança.

 

Ainda envolto pelas recordações singelas daquele período inicial, o parque Xangai, na baixada do Glicério, com seus brinquedos exóticos e muitas vezes temerosos para mim em razão da confusão dos sons estridentes que emitiam, tornou-se um dos nossos ambientes preferidos de diversão, conquanto me intimidassem até que superasse a barreira severa da primeira experiência.
No rádio da época a Jovem Guarda ousava confrontar a explosão dos Beatles, da onda avassaladora das canções italianas e norte-americanas, proporcionando neste devaneio sonoro a nova característica da música jovem brasileira.

 

O rádio fazia fluir por pontos diversos da cidade os toques soturnos e melancólicos do carrilhão do mosteiro de São Bento, irradiados hora a hora pela extinta rádio Piratininga, uma espécie de clamor do coração paulistano que até hoje e creio que para sempre, persistirá latente em minhas recordações mais sutis desta cidade-gigante que jamais perderá sua magia de encantar.

 

Todos os anos no mês de outubro, na semana da criança, visitávamos o inesquecível salão da criança que era instalado no Ibirapuera, que nos acolhia em um recanto de singelas imaginações e sonhos acalentadores e sublimes.

 

A biblioteca infantil Monteiro Lobato na vila Buarque era frequentada pelos alunos do Instituto todas as quintas-feiras. Naquele ambiente saudoso e inesquecível, tínhamos acesso a um acervo de livros em Braille, discoteca com um diversificado repertório de canções e histórias infantis, sala de jogos e brinquedos pedagógicos, teatrinho de fantoches e até academia infanto-juvenil de letras fazendo-me já naqueles tempos imemoriais, usufruir das nuances culturais de São Paulo, cujos preceitos e riquezas prevalecentes prosseguem emoldurando minha vida com intensidade e nobreza.

 

E foi assim, envolto por esta trajetória evolutiva da cidade que me acolheu, me encaminhou e me formou que fui transpondo todas essas etapas precedentes, deixei o Instituto após ter concluído o primeiro grau, prossegui meus estudos no ensino médio ainda no bairro do Ipiranga, ingressando por fim no curso de direito da PUC-SP, onde me formei em 1984.

 

Como se pode depreender desta singela síntese histórica, não mais me afastei desta cidade, que um dia foi até designada por alguém que não me lembro quem como (selva de pedra) mas que para mim foi e sempre será o símbolo da nobreza, da cultura, da conquista da inclusão e do sucesso decorrente da valorização profissional.

 

São Paulo em minha opinião é mais mãe do que pai, pois tal qual um coração de dimensões imensuráveis, sabe acolher, confortar e amar, sem abdicar da prerrogativa de exigir e valorizar seus filhos, sejam naturais ou adotivos, todos na mesma amplitude de amor maternal, por isso São Paulo, quero exprimir meu amor filial delineado neste abraço supremo e eterno.

 

Geraldo Pinheiro da Fonseca Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Envie a sua história, também: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br