Avalanche Tricolor: o futebol tem dessas coisas

 

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Brasileiro – Arena Fonte Nova/Salvador-BA

 

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Everton em mais uma tentativa de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O futebol tem dessas coisas.

 

Fizemos jogos incríveis nesta temporada e saímos lamentando a falta de gol, o empate injusto, o erro do árbitro ou o campo maltratado. Desperdiçamos pontos e perdemos a oportunidade de estar no topo da tabela.

 

Na tarde em que tivemos o pior desempenho do ano, esquecemos de trocar passe no ataque, perdemos o controle do jogo — chegamos a tropeçar na bola, coisa rara neste time — e efetuamos chutes distorcidos, saímos do gramado com uma vitória de 2 a 0 e na vice-liderança da competição.

 

Verdade que os dois gols que fizemos foram resultado daquilo que temos de melhor: a velocidade com que se trabalha a bola e com que se escapa da marcação.

 

No primeiro, Everton foi talentoso para driblar e preciso ao encontrar Ramiro no meio da área, onde sofreu o pênalti. Por curioso, só fizemos o gol depois de Maicon errar a cobrança — outra raridade nestes últimos tempos.

 

No segundo, Everton, o “imparável” voltou a funcionar com uma escapada que deixou marcadores estatelados no chão. Depois foi uma corrida para ver quem conseguia empurrar a bola para dentro. Entre Pepê e Thaciano, ficou com esse último a tarefa de decidir o jogo.

 

Fora esses lances, pouca coisa se tirou da partida. Para não ser injusto, destacou-se a defesa que pressionada em boa parte do jogo soube afastar os perigos que se avizinhavam.

 

Torcedores devem estar a se perguntar: é melhor jogar bem e empatar ou jogar mal e ganhar os três pontos? A quem ainda tem essa dúvida, minha resposta: jogar o melhor futebol do Brasil como vínhamos fazendo até aqui e ganhar. Essa é a nossa missão e voltaremos a cumpri-la assim que as principais peças estiverem em forma novamente. Porque jogar bem e não conseguir o resultado até acontece — o futebol tem dessas coisas. Agora, jogar mal e vencer, é muito mais difícil — apesar de que o futebol, como vimos hoje, também apronta dessas. Ainda bem que dessa vez foi a nosso favor.

Conte Sua História de São Paulo: a saudade que sentirei da cidade

 

Iêda Lima
Ouvinte da rádio CBN

 

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Iêda é autora de livro e nos visitou na CBN 

 

 

Pelos idos dos anos 1980, visitava São Paulo com frequência por razões profissionais. Um dia, de carona com um amigo do Metrô, disse que jamais moraria nesta “selva de pedras” — sem vida, poluída e engarrafada. Meu amigo, nascido carioca, porém paulistano até a alma, respondeu: “se eu fosse você não diria isto; um dia você poderá rever esse seu conceito, vir morar aqui e gostar.” Limitei-me a rir do seu comentário pelo absurdo que representava.

 

Passados 30 anos, após sair de Fortaleza e morar em Brasília e Campinas, o destino quis que eu me curvasse perante a realidade e viesse fixar residência nesta terra quatrocentona.

 

Pois bem, aqui eu descobri o Parque do Ibirapuera — que hoje chamo carinhosamente de meu Ibira —, conhecer o Horto Florestal, o Jardim Botânico, o Jardim do Museu do Ipiranga, o Parque Trianon, a Casa das Rosas, o Largo São Francisco, o Pateo do Colégio, o Largo do Arouche, o Parque Aclimação, o Parque Água Branca — e tantos outros lugares aconchegantes que provaram que eu estava errada ao apelidar a cidade de “selva de pedras”.

 

São Paulo foi conquistando um espaço no meu coração, competindo com minha terra natal, Campina Grande, na Paraíba. Fui ficando e, após oito anos, sinto-me tão paulistana quanto alguém que nasceu aqui.

 

Fiz amigos com quem nos encontramos regularmente para passeios ao ar livre ou para experimentar o melhor da gastronomia paulistana na companhia de bons vinhos, sob a condução do maior enófilo que já conheci.

 

Descobri espaços onde posso curtir o que há de melhor em arte cinematográfica no mundo, como a Reserva Cultural, os Espaços Itaú de Cinema e o Cinema Belas Artes. Fui apresentada à Casa do Bordado por uma amiga “japonesa”. Vez em quando, estou na Pinacoteca, no Museu da Língua Portuguesa, no Teatro Municipal, no MASP, no MIS, na Caixa Cultural e no CCBB.

 

Virei assinante da Orquestra Sinfônica de São Paulo — a OSESP, que me leva mensalmente, aos sábados à tarde, a apreciar a esplendorosa arquitetura da Estação da Luz e da Sala São Paulo, embalada pelos clássicos majestosamente interpretados por músicos que andam de ônibus.

 

Em dias de inverno com céu azul, saio por ai com minha câmera fotográfica, registrando os contrastes entre o novo e o velho da sua arquitetura e a diversidade que faz o povo paulistano.

 

No caminho para o Metrô — a minha principal opção de deslocamento pela qualidade do serviço —, aprecio as árvores, as flores e as pessoas que encontro no caminho, confirmando a profecia do meu amigo. São Paulo me fisgou!

 

Agora, que talvez tenha que retomar o caminho de volta, será que aguentarei a saudade!

 

Iêda Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Robert Wong diz o que as empresas esperam encontrar quando saem em busca de um CEO

 

 

“Escolher as pessoas certas, para o lugar certo, na hora certa e que trabalhem pela razão certa” — essa é uma das competências necessárias para quem pretende assumir o comando da empresa, segundo o headhunter Robert Wong, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN. Outro aspecto que destaca é a necessidade de o “líder enxergar onde os outros não enxergam”. Wong é chairman da Havia e um dos maiores especialistas em atuação no Brasil no recrutamento de CEOs.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no site e na página da CBN no Facebook, às quartas-feiras, 11 horas da manhã. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Gustavo Boldrini, Ricardo Gouveia e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: crise? que crise?

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Everton contra três marcadores em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sem crise. Sem gols, também. Mas sem crise. E se alguém pensa na possibilidade de que uma possa se instalar, está muito enganado. O Grêmio é campeão Gaúcho e da Recopa Sul-Americana. Está classificado às quartas-de-final da Copa do Brasil, segue firme e forte na Libertadores e se mantém na luta pelo Brasileiro

 

Mas está em oitavo? Sim, está mesmo. E pode ficar em nono, dependendo a combinação de resultados. Para quem só enxerga futebol pelo buraco da fechadura pode parecer um problema. Mas é preciso olhar de maneira mais ampla.

 

Começa que a distância para o topo da tabela é pequena — e pode mudar em duas ou três rodadas no máximo. Ao contrário de anos anteriores, ninguém disparou na liderança, apesar de haver times com campanhas consistentes — alguns inclusive com campanha dedicada ao Brasileiro, diferentemente do Grêmio.

 

O mais importante é que a falta de gols nas últimas partidas, que tanto incomoda o time e os torcedores, não ocorre pela falta de futebol —- a bola segue rolando de pé em pé a maior parte do jogo e com passes precisos acima da média dos adversários. A quantidade de finalizações também é significativa, mesmo estando abaixo do esperado pelo tempo que mantemos o controle da partida.

 

As lesões, principalmente no ataque, tiraram opções de Renato que, neste momento, está com jogadores de características semelhantes para colocar dentro da área. Sem essa variação, o adversário se fecha, e os caminhos para chegar ao gol ficam limitados. À medida que os machucados retornarem, os gols voltarão, também.

 

O curioso nesse empate de quarta-feira foi perceber que se antes a retranca era o antídoto usado por times que ocupavam a zona de rebaixamento, agora passou a sê-lo daqueles que estão no topo da tabela. Ou seja, a fórmula encontrada para parar o futebol bem jogado do Grêmio é impedir que se jogue futebol.

 

Se você estiver apostando em crise, não perca seu tempo. O futebol de qualidade haverá de perseverar.

 

50 Anos em 5

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Posse de Juscelino Kubitschek como Presidente da República e de João Goulart como Vice, 1956 FOTO ARQUIVO NACIONAL

 

 

O Plano de Metas de Juscelino Kubitschek executado de 1956 a 1961 pode elucidar causas de ontem e efeitos de hoje, explicitados pelos caminhoneiros do momento.
As prioridades estabelecidas e as origens dos recursos para o Plano, criaram um inegável e ágil desenvolvimento. Ao mesmo tempo houve erros nas metas e nas fontes de capital pelas escolhas malfeitas ou mal dosadas. Saúde e educação não foram destacadas enquanto capital inflacionário foi ativado através de investimentos governamentais. Com atenção especial para a industrialização em geral e o automóvel em particular. Assim como a evidência para o transporte rodoviário em detrimento do ferroviário.

 

Foram criados Fundos Especiais que representavam 55% dos investimentos totais — e que eram alimentados por impostos vinculados ao Plano de Metas. Por exemplo, o Fundo Rodoviário Nacional era abastecido pelo IMPOSTO ÚNICO SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. O Imposto Único Sobre Energia Elétrica e mais 4% da parcela federal sobre Consumo contribuíam para o Fundo Federal de Eletrificação.

 

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Charge da época

 

Os primeiros anos de Kubitschek foram agitados, divertidos e inovadores, a par da forte oposição gerida pela UDN, inconformada com o grande endividamento do país e da intensa ameaça inflacionária.

 

Uma miscelânea de novos produtos, serviços, comportamentos e eventos surgiram. Entre outros, o rádio de pilha, o barbeador elétrico, o sabão em pó, a Parker 61, a garota propaganda, o bambolê, o sofá-cama, o longplay, a lambreta, o disc joquei. Os primeiros artistas ensaiando o uso da coca; Nelson Rodrigues lança Gabriela Cravo e Canela, enquanto surge a Juventude Transviada. Maria Ester Bueno brilha em Wimbledon, o Brasil é campeão na Suécia e a indústria automobilística surge com o DKW Vemag e a Rural Willys, em 1958. A seguir veio o Simca Chambord, o Dauphine e o Fusca, em 1959.

 

E Brasília, a 31ª meta, aglutinava e personificava a ambição do Plano. Inaugurada em 21 de abril de 1960, foi construída por meio de transporte aéreo e rodoviário, no centro do território nacional. Não à toa que JK ouviu de Eisenhower que os Estados Unidos não teriam dinheiro para fazer igual.

 

O tamanho da obra de Juscelino deixou críticas à altura, intensas e apaixonadas. Carlos Lacerda na oposição e agressivo no tom. Nelson Rodrigues** na defesa e apaixonado pela “pátria de chuteira” e crítico ao “complexo de vira lata”, acreditava que Kubitschek contribuíra para levantar a autoestima do brasileiro.

 

O hoje evidencia a essencial necessidade de liderança. Lacerda e Juscelino seriam bem-vindos.

 

**”Lançam a inflação na cara de Juscelino. Mas o Brasil estava de tanga, estava de folha de parreira ou pior: – com um barbante em cima do umbigo. Todo o Nordeste lambia rapadura. E vamos e venhamos: para um povo que lambe rapadura, que sentido têm os artigos do professor Gudin? Sempre existiram os Gudin e o povo sempre lambeu rapadura. Ao passo que o Brasil só conheceu um Juscelino. Eu poderia falar em Furnas, Três Marias, estradas, Brasília, indústria automobilística. Mas não é isso o que importa. Amigos, o que importa é o que Juscelino fez do homem brasileiro. Deu uma nova e violenta dimensão interior. Sacudiu, dentro de nós, insuspeitadas potencialidades. A partir de Juscelino, surge um novo brasileiro. Aí é que está o importante, o monumental, o eterno na obra do ex-presidente. Ele potencializou o homem brasileiro.” (Nelson Rodrigues)

 

Fonte: Fabio de Sá Earp, Instituto de Economia UFRJ

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Crise de abastecimento e de confiança

 

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Caminhões bloqueiam rodovia Raposo Tavares/SP em foto de Renata Carvalho/Helicóptero CBN

 

O posto de combustível está fechado. O supermercado está vazio. A feira livre tem apenas algumas barracas. A faculdade suspendeu a aula. O aluno não tem van para chegar na escola. O trabalhador tem pouco ônibus para chegar ao trabalho. O paciente teve o atendimento suspenso. Os clientes não apareceram. Enquanto isso, na estrada, parte dos motoristas de caminhão segue parada a despeito das concessões feitas pelo Governo Federal.

 

Sem força para negociar, Temer entregou o que pode — porque o cargo ele não solta de jeito nenhum. Anunciou redução de imposto, vai controlar o preço do diesel, tabelar o valor do frete, reduzir o pedágio e tirar dinheiro de onde já não havia. Vai aumentar o nosso imposto, também. Mandou as Forças Armadas para liberar estradas e escoltar caminhão de combustível. Investigou empresários que incentivaram a greve e está de olho em líderes de caminhoneiros que se recusam a recuar apesar das demandas atendidas.

 

Na boleia do caminhão tem de tudo um pouco. Motorista que não consegue mais pagar as contas porque o frete está barato e o diesel cada vez mais caro.
Tem empresa que não quer pagar a conta e força a mão para reduzir os custos.
Tem gente que não aguenta mais este governo.
Tem quem não aguente mais nenhum governo.
Tem quem que queira chegar ao governo.

 

Chegamos ao nono dia de paralisação. Alguns já deixaram o caminhão na empresa e voltaram para casa. Outros, entregam o que restou na carroceria. Há os que estão sem rumo, na expectativa que as negociações cheguem a bomba de combustível e ao seu bolso. Apesar de o número de manifestantes ter diminuído, os focos de protestos permanecem — são radicais, baderneiros ou resistentes, depende do seu ponto de vista.

 

No cenário que levou a essa situação, está uma economia que ficou aos frangalhos, tomada pela corrupção e má-gestão. E se o país não cresce, não tem carga para entregar. Sem carga, o frete é pouco e barato. O Governo reluta em cortar gastos, mantém uma máquina muito cara e não encara os problemas estruturais. Para sustentar tudo isso, cobra alto através de impostos na produção, na distribuição, na venda, na compra e na contratação.

 

Tem também o olhar errado — erro histórico — que nos levou a concentrar o transporte de cargas nas rodovias — responsável por mais de 60% do que se leva e traz no Brasil — quando todo país que se preze divide o peso também com ferrovias e hidrovias.

 

O que está descentralizado é o tipo de liderança por trás dos movimentos sociais — e essa característica se transforma em encrenca para quem quer negociar e desafio para a própria sociedade. Por isso, mais uma vez somos surpreendidos com manifestações que surgem nas redes e se espalham pelas ruas — desta vez, pelas rodovias.

 

Assim como em 2013, quando não havia líderes para negociar em nome das massas, em 2018 os líderes negociam sem o apoio das massas. Comandam sindicatos, associações, federações e confederações, mas não lideram as pessoas.

 

A crise no abastecimento é também a crise de confiança — e de liderança.

 

Enquanto chefes discutem no gabinete e assinam acordos, o WhatsApp corre solto de um celular para o outro e se transforma em uma enorme rede de intrigas, sem controle e sem limite. Todos os desejos cabem nas mensagens enviadas, ilusões circulam livremente e salvadores da pátria são elencados.

 

Confia-se muito mais no que circula na rede do que se publica no Diário Oficial.

 

O abastecimento se resolve com caminhão circulando — e não se sabe ainda quando isso voltará a ocorrer com regularidade —; a confiança, por sua vez, vai demorar para chegar — e temo que partidos e políticos estejam prontos para desperdiçar a oportunidade que as eleições desses ano nos abriria para essa mudança de comportamento.

 

Lá vamos nós para o nono dia de greve dos caminhoneiros.

O simples e o complexo na greve dos caminhoneiros

 

Por Julio Tannus

 

Como toda questão que envolve a “coisa pública”, a greve dos caminhoneiros é ao mesmo tempo complexa e simples.

 

A complexidade advém do fato que existem grandes interesses envolvidos.

 

Por parte dos caminhoneiros, a raiz de sua insatisfação está na política de preços dos combustíveis, com constantes reajustes que, segundo representantes da categoria, tornam inviável o transporte de mercadorias no país.

 

Por parte do governo, essa política de preços dos combustíveis é necessária para tentar segurar o aumento da inflação. Diferentemente do governo Dilma Rousseff que atrasava o repasse dos preços internacionais aos combustíveis no mercado interno, obrigando a Petrobras a vender os produtos a preços abaixo do mercado, causando grandes prejuízos, o governo Michel Temer passou a ter uma mudança significativa em 2016: os reajustes passaram a ser determinados pela Petrobras, em função das variações do dólar e do preço do petróleo no mercado internacional.

 

A simplicidade, dentre outras, advém do fato que não existem alternativas de transporte de mercadorias no país.

 

Lembro-me de um professor de pós-graduação, em 1971, da Escola Politécnica da USP, na área de Sistemas de Transportes, que ficava transtornado quando se referia ao que estava sendo feito com o sistema ferroviário no Brasil. Segundo ele, o lobby da indústria automotiva (estrangeira) era suficientemente forte para impedir o desenvolvimento natural do uso da energia elétrica no transporte ferroviário e rodoviário urbano no país. E mais: ele dizia que iriam acabar com as nossas ferrovias. Não deu outra!

 

É simples porque basta apenas vontade/vocação política para romper as mais fortes barreiras.

 

Por que até hoje não foi desenvolvida tecnologia para se ter veículos (automóveis/caminhões) movidos a energia elétrica, com todos os benefícios decorrentes de uma energia limpa, não poluidora? Certamente os interesses ligados as grandes montadoras, as gigantes do petróleo, etc. não o permitiram.

 

Já entramos em colapso!

 

Julio Tannus é engenheiro e consultor em estudos e pesquisa aplicada, coautor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Avalanche Tricolor: uma vitória com o talento de Everton, o “imparável”

 

Ceará 0x1 Grêmio
Brasileiro – Arena Castelão/Fortaleza CE


 

 

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Everton em mais uma escapada, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Começo esta Avalanche com um pedido de desculpas — e endereçado a Thonny Anderson, o menino que em um minuto e meio fez aquilo que vínhamos tendo dificuldade para fazer durante esta e as duas últimas partidas pelo Campeonato Brasileiro.

 

Aos 35 minutos do segundo tempo, de cabeça, Thonny fez o único e necessário gol nesta vitória sobre mais um adversário que enfrentamos que estava na zona de rebaixamento — os dois times anteriores, para os quais desperdiçamos quatro pontos dos seis disputados, também estiveram ou estão por lá.

 

Peço desculpas a Thonny Anderson porque o lógico seria escrever esta Avalanche sobre ele, que aos 20 anos, emprestado ao Grêmio, tem sido colocado à prova desde o Campeonato Gaúcho. Cotado para sair jogando na partida deste domingo, havia quem o desafiasse a mostrar seu talento, pois estaria devendo o futebol que prometeu nas suas primeiras aparições.

 

Lamento, Thonny, mas meu coração pede para escrever sobre outro jogador — aquele que protagonizou a jogada que permitiu que você fizesse o gol. 

 

Foi Everton quem, no fim do ano passado, me proporcionou a lembrança mais emocionante do futebol nos últimos tempos. Eu estava ali, ao lado dele, em Al Ain, quando nosso atacante entrou na área, cortou para a direita e marcou o gol, já na prorrogação, que nos colocou na final do Mundial de Clubes.

 

Aquele gol parece ter feito nosso atacante desencantar. Parece ter provado a ele próprio o quanto era capaz de fazer com a camisa do Grêmio.

 

Até ali, Everton ameaçava dribles, arriscava alguns chutes e até decidia partidas, mas sempre deixava a ideia de que mais desperdiçava oportunidades do que as aproveitava. Era o jogador que entrava no segundo tempo quando o time não encontrava solução.

 

Hoje, com apenas 22 anos, Everton está muito mais maduro e preciso, sem perder o desejo de ser moleque, que lhe faz acreditar em todas as jogadas, mesmo com a marcação dobrada. Quando recebe a bola, não se satisfaz com o passe para o lado ou o lance burocrático. Quer mais. Olha para frente. Arrisca o drible e consegue passar pelos marcadores.

 

É duramente marcado, empurrado, acossado, mas resiste a todos os algozes. Ele não desiste. Não para nunca. Hoje, sofreu dois pênaltis. No primeiro, o pé foi puxado pela mão do zagueiro, mas o árbitro titubeou e voltou atrás. No segundo, foi derrubado em cima da linha, e o árbitro marcou fora.

 

Quando muitos já temiam mais dois pontos perdidos, a bola foi espantada da nossa área, em uma cobrança de escanteio, e encontrou Everton na nossa intermediária. Ele tocou a bola para a frente, cruzou o meio de campo, atropelou sem dó o marcador e seguiu conduzindo-a em velocidade impressionante.  Ao entrar na área, havia outro zagueiro para pressioná-lo. Everton não se incomodou. Tocou a bola pelo alto e na cabeça de Thonny. Deu de presente ao outro menino do nosso ataque o gol da vitória.

 

Everton comemorou o gol de Thonny apontado o dedo para o céu, enquanto todos nós, inclusive o autor do gol, apontávamos o dedo para ele — o “imparável” Everton.

Conte Sua História de São Paulo: o leão de bronze amigo da família

 

Por Isabel Rubio Vazquez Conde

 

 

Faço parte de uma família de imigrantes espanhóis e tenho muitas histórias para contar mas esta que conto agora acho especialmente interessante:

 

Viemos da Espanha, meu pai, minha mãe e eu, em julho de 1949 — eu com um ano e meio de idade. Inicialmente, ficamos em Rio Claro, interior de São Paulo, onde meu pai tinha uns primos. Alguns meses depois viemos para São Paulo, onde meu pai foi trabalhar na Cia. de Gás, na Rua do Gasômetro, no Brás. Fomo morar próximo da fábrica.

 

Lembro-me do meu pai me levar para brincar no Parque Dom Pedro II, onde tinha uma estátua de bronze de um leão —- era a reprodução de uma obra do artista francês Prospér Lecourtier, especialista em construir estátuas com imagens de animal. Como bom imigrante, tudo que meu pai registrava em foto, ele enviava para a família na Espanha. Era para acompanharem meu crescimento. Isso deve ter sido no início dos anos de 1950.

 

Com as mudanças no Parque Dom Pedro II, a estátua do leão foi transferida para o Parque do Ibirapuera, nos anos de 1960. E havia perdido o contato com ela. Eis qual foi minha surpresa, muitos anos depois, passeando com meu marido e meus filhos, dou de cara com o leão —- e foi aquela festa, contei a história da estátua para meus filhos, lembrei da minha infância …

 

Os anos se passaram e o leão continuou a me acompanhar. Em 2011, visitei a família na Espanha. Minha prima Isa pegou uma foto toda amassadinha na qual aparecia eu, com mais ou menos cinco anos, montada no leão de bronze. Isa me contou que quando recebeu a foto, tinha uns quatro anos e levava a imagem na escola para mostrar para as amiguinhas e contar que tinha um prima que morava no Brasil e montava em uma leão. Era a sensação das meninas. Achei aquilo incrível.

 

Dois anos depois, essa mesma prima esteve no Brasil. E eu não tive dúvida: levei-a ao Parque do Ibirapuera, sem dizer nada, e a apresentei, ao vivo, ao leão mais famoso da nossa infância. Tudo, como aprendi com meu pai, registrado em foto.

 


Isabel Rubio Vazquez Conde é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: André Oliveira alerta que orgulho do empreendedor quebra a empresa

 

 

“Sabe o que quebra as empresas hoje, os pequenos negócios, é uma palavra chamada orgulho; às vezes as pessoa insistem no erro e não pedem ajuda: não tem nada de errado você parar de vender um produto ou mudar de ramo, não tem problema nenhum, faz parte do jogo” — a lição é de André Oliveira, empreendedor desde os tempos em que era um menino de calça curta e atualmente no comando da Credifácil, uma rede com mais de 100 lojas no Brasil. Ele começou vendendo sacolé com o irmão para comprar um presente para mãe, foi para a faculdade, montou seu negócio próprio, teve dificuldades financeiras, quebrou e recomeçou.

 

Entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Oliveira conta o que aprendeu ao longo de sua carreira: “não adianta você ser só querer ser um empreendedor, é necessário você ser ser um gestor”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11h da manhã, pelo site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 11h da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Gustavo Boldrini, Ricardo Gouveia e Débora Gonçalves.