O patrimônio de Paraty vai além da arquitetura: saiba por quê?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Paraty concorre agora a Patrimônio da Humanidade, cuja candidatura foi aceita pela UNESCO na categoria de sítio misto, paisagem cultural e natural.

 

Se vencer a eleição datada para 2019, terá seu segundo reconhecimento cultural, pois, em 2017, obteve o título internacional de Cidade Criativa para a Gastronomia.

 

A cidade de Paraty apresenta perfil histórico com múltiplas facetas, através de nuances culturais, econômicas e sociais. Paraty foi o maior porto exportador de ouro no período colonial – 1530 a 1815 – condição que contribuiu para a sua formação urbana e rural.

 

O romance biográfico “Ana em Veneza” de João Silvério Trevisan dá ideia da riqueza cultural da região ao descrever a estada da família alemã de Julia da Silva Bruhns Mann, nascida em Paraty e mãe do escritor Thomas Mann.

 

O patriarca da família Luiz Bruhns, de Lubeck, bem relacionado com D. Pedro II, pelo prazer do imperador em treinar o alemão, estendia sua avançada visão social e cultural a sociedade paratiense. O jantar de despedida em Paraty, quando decidiu voltar para a Alemanha, deixou os ilustres convidados extasiados diante da gastronomia local:

Salada de palmito, salada de lagosta, pimenta cumari, pimenta malagueta, batata doce, arroz ao molho de tomate, feijão preto, angu, moqueca de peixe, galinha ao molho pardo, pernil de porco assado. Compotas de caju, banana e goiaba, melado, baba de moça, manuê de bacia feito de farinha de trigo, melado e ovos, chuvisco, bolinho de massapão, broa de mãe benta, cocada, bala de ovos, pão de ló.

 

Deixou-os, também, assustados com as benesses sociais, pois Bruhns não só alforriou seus escravos como doou suas terras a eles. E alertou a todos que não havia futuro para a escravidão.

 

 

A força da passagem do ouro ficou marcada também na cidade de forma original ao desenhar as construções com o propósito comercial. As edificações tem sempre a função de loja. Ou a loja fica na frente e a residência atrás ou o térreo é para a loja e o sobrado para a família.

 

O longo e duro período de ostracismo da região redundou positivamente em preservar o antigo. Mas não foi fácil para a população. Houve até um momento em que a carência de recursos básicos urbanos como eletricidade e água foi tão grande que surgiu movimento separatista do estado do Rio de Janeiro, buscando guarida em São Paulo. Se de direito não conseguiram, hoje o afluxo de turistas paulistas é compensador à economia de Paraty.

 

Se, caro leitor, visitar Paraty, consulte o extenso calendário turístico e intelectual da cidade. Recomendo também buscar o cardápio que a mãe de Thomas Mann presenciou ainda criança quando da despedida da cidade.

 

Não deixe de incluir o camarão casadinho e a cachaça.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: o Gigante no Beira-Rio

 

Inter 1×2 Grêmio
Gaúcho – Beira-Rio/Porto Alegre-RS

 

25883205677_99a39dbde2_z

A alegria de Luan, a nossa alegria (foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA)

 

A trilha sonora no quarto de hotel em que estou é dos anos de 1980. Naquela época ainda estava em Porto Alegre. Havia uma certa excitação provocada pela chegada à universidade e a possibilidade de iniciar carreira. Mal sabia o que viria pela frente: da mesma maneira que a tristeza me importunou com a morte de minha mãe – a mais dura de todas as tristezas que vivi até hoje -, alegrias e esperanças surgiram com as transformações que se avizinhavam. Foi um tempo em que a vida e o futebol me causaram emoções incríveis. E por ser este um texto dedicado ao futebol é com ele que vou dialogar daqui pra frente.

 

Foram os anos de 1980 que fizeram o Grêmio gigante. Até lá havíamos sofrido para conquistar o domínio regional; disputávamos cada campeonato gaúcho como se fosse a maior batalha a ser vencida em campo; ganhar um clássico estadual era a conquista a ser alcançada, independentemente do que mais viesse a acontecer. Foi uma etapa importante de nossa vida, pois forjou nosso crescimento.

 

Foi quando descobrimos que o nosso futebol não caberia mais nas fronteiras do Rio Grande. Conquistamos o Brasil, a América e o Mundo. Ganhamos respeito e deixamos história por onde passamos. Revisitamos muitas dessas conquistas para orgulho de nossa torcida, nos anos seguintes.

 

Nessas quase quatro décadas que nos separam dos anos de 1980, o Grêmio rodou o mundo; e ao Campeonato Gaúcho ofereceu sua verdadeira dimensão, sem jamais desmerecê-lo, mesmo que esse nem sempre merecesse nossa atenção.

 

Neste ano, pensando grande, aceitou o risco de escalar times jovens ou desentrosados. Calculou o perigo que corria ciente dos objetivos que busca na temporada. Sofreu pressão, ouviu intriga e ensaiaram até mesmo uma crise: nada disso foi suficiente para tirar o Grêmio de seu rumo.

 

Neste domingo, contra seu principal competidor no Rio Grande do Sul, que dedica 100% de suas forças à competição regional, e diante de um estádio praticamente tomado pela torcida adversária, o Grêmio mostrou-se mais uma vez gigante.

 

Em campo, provou porque é o time do Rio Grande do Sul mais respeitado e temido da atualidade. Fez um primeiro tempo quase que perfeito. Colocou seu oponente nas cordas, trocou passes com precisão, desfilou talento em campo e deu oportunidade para Luan apresentar seu cartão de visita, onde se lê: Rei da América.

 

Com dois gols, domínio total da bola no pé e sorriso no rosto, Luan é a cara do Grêmio que surgiu daqueles anos de 1980.

 

Apesar de ainda se parecer com um menino, tem apenas 24 anos, é um guerreiro em campo, não tem medo de cara feia, provoca o marcador a ponto de fazê-lo perder o equilíbrio, e o desequilibra com sua desenvoltura no meio de campo. Quando chuta a gol, toca na bola com uma delicadeza como se estivesse agradecendo por ela ser tão generosa com ele. E a bola responde, dirigindo-se de maneira certeira em direção às redes. Eles se entendem como poucos.

 

No segundo tempo, surpreendido logo cedo, outra versão gremista se revelou: a do time capaz de se defender de tudo e de todos. Calejado pelo tempo, segurou a pressão daqueles que pareciam desesperados por um empate para tentar evitar o confronto direto já na próxima fase do mata-mata. Foi então que Geromel e Kannemann confirmaram o que sabemos deles há algum tempo: são bons de mais.

 

O Grêmio foi grande como tem sido desde os anos de 1980.

 

O Grêmio, sem provocação, foi o Gigante no Beira Rio.

Conte Sua História de São Paulo: as chácaras e campos de várzea da Berrini

 

Por Umberto Canônico Filho
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Quando nasci, São Paulo ainda estava de ressaca pelo seu IV centenário. Nasci na maternidade Matarazzo, hospital de referência da época, que hoje é só uma lembrança. Não existe mais.

 

Meus primeiros anos foram no tradicional bairro da Lapa, mas a grande parte da minha infância e juventude foi no bairro do Campo Belo.

 

Dá para acreditar que onde hoje estão as Avenidas dos Bandeirantes e Luiz Carlos Berrini – novo centro de negócios de São Paulo – havia apenas pequenas chácaras, onde se criavam até cavalos, e os campos de futebol de várzea, hoje quase que extintos.

 

Nesta época, frequentava o primário no Grupo Escolar Mário de Andrade e o percurso da minha casa ate lá era feito por, acreditem, bondes elétricos – lentos, mas silenciosos e não poluentes.

 

Ah, que saudade dos passeios no centro da cidade, quando minha mãe me levava nas lojas Clipper, na Casa Eduardo e no inesquecível Mappin, onde os ascensoristas recitavam em quase versos os produtos que compunham cada um dos andares da loja.

 

Bons tempos do ginásio no Instituto Ênio Voss na hoje Av Jornalista Roberto Marinho, mas naquela época apenas um córrego que margeava o caminho até minha casa.

 

Saudades também das catacumbas do Curso Objetivo, na Av. Paulista, que me levaram a frequentar a mais paulistana das universidades – a USP. Lá me formei e fui conhecer novas paragens – onde fui muito feliz também, mas como diz o ditado: “o bom filho a casa torna”. Eu voltei e hoje já avô levo minha neta a passear, não de bonde nem até o Mappin, mas pelos ainda recantos desta cidade mutante.

 

Umberto Canônico Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.

Sua Marca: o desafio do gestor de marcas ao dialogar com o cliente

 

 

 

 

Você já pensou com quantas marcas se relacionou ao longo do dia? Da toalha do banho à roupa que veste; do café que toma ao carro que dirige; do restaurante que frequenta ao supermercado do qual é cliente. Em cada ponto de venda ou produto consumido, você recebe uma enxurrada de informações, mas apenas algumas poucas serão retidas pela sua memória.

 

 

Essa realidade se transforma em um desafio aos gestores de marcas que gostariam de expor ao cliente todas os benefícios que o seu produto oferece, mas correm o risco de falarem muito e dizerem pouco. O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com apresentação de Mílton Jung e comentários de Jaime Troiano e Cecília Russo, mostra alguns caminhos que podem ser percorridos para que esta relação seja positiva.

 

 

  • embalagem ou propaganda não é bula de remédio
  • escolha uma ou duas ideias pelas quais sua marca vai ser conhecida
  • abra mão do restante
  • pense no que é realmente relevante
  • abra mão de outras mensagens
  • menos é mais

 

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, 7h55, no Jornal da CBN

Mundo Corporativo: políticas em favor da diversidade podem aumentar em até 15% resultados das empresas

 

 

Ao trabalhar em equipe, valorizando o conhecimento, entendendo o que cada um tem a contribuir e respeitando suas diferenças, as empresas tendem a se desenvolver mais e alcançar resultados melhores. É no que acredita Andreia Dutra, presidente da Sodexo On Site, empresa que historicamente desenvolve políticas que beneficiam a diversidade no ambiente de trabalho. Ela é uma das poucas mulheres a ocupar o cargo de CEO no Brasil.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Dutra disse que investir na diversidade de gênero, orientação sexual e raça “pode aumentar em até 15% o resultado financeiro da companhia”. Mais do que isso, essas ações afirmativas têm o poder de transformar a sociedade.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: dos tempos da Semana Gre-Nal

 

Grêmio 1×0 São Paulo (RS)
Gaúcho – Arena Grêmio

 

IMG_0990

Maicon faz de pênalti único gol da partida

 

 

Começo essa Avalanche revelando a idade: 54 anos. E com todo orgulho. A passagem do tempo é da natureza do homem, portanto não há motivos para fugir dela. Só não passa o tempo quem já morreu. E quero viver por muitos anos ainda. Basta que tenhamos capacidade de nos adaptarmos às transformações. E esse tem sido meu esforço.

 

As confidências do primeiro parágrafo, posso garantir, não foram influenciadas pela presença, na noite de ontem, na Arena, do técnico Ernesto Guedes que, aos 68 anos e 57 clubes depois, ainda tem disposição de ficar em pé ao lado do gramado, gritando com seus jogadores na esperança de posicioná-los melhor em campo, mesmo ciente da baixa qualidade técnica do time que tem para comandar.

 

Guedes já era experiente nos tempos em que fui repórter esportivo, nas rádios Guaíba e Gaúcha, de Porto Alegre, na metade dos anos de 1980. Sempre foi dado a frases de efeito e comportamento provocativo com o objetivo de motivar seu time e seus torcedores. É daqueles entrevistados bons de conversar porque dele sempre se tira aspas de destaque  que podem render uma boa manchete (aspas é como chamamos as declarações que são transcritas palavra por palavra no jornal).

 

Não falo de minha idade por causa de Guedes, mas tenho certeza que se fossem outros os tempos e no comando de um dos times da dupla Gre-Nal, ele estaria abrilhantando o noticiário com suas afirmações, às vésperas do primeiro clássico da temporada.

 

Lembro dos meus 54 anos porque, assim como Guedes, eu também sou dos tempos em que a imprensa gaúcha dedicava enormes espaços para falar da “Semana Gre-Nal”.

 

Sim, naqueles tempos, respeitava-se uma semana inteira sem jogos para que os grandes do Rio Grande do Sul se preparassem para o clássico, os lesionados se recuperassem e – em alguns casos – os suspensos tivessem a chance de serem perdoados nos tribunais.

 

Era a oportunidade de se contar as histórias dos principais personagens de um lado e de outro: muitos dos nossos heróis tiveram sua imagem construídas dessa maneira. Alguns, inclusive, eram bem maiores na página do jornal do que dentro de campo.

 

Em reportagens que sempre traziam o selo “Semana Gre-Nal”, havia comparação do desempenho de jogadores, análise com lupa das estratégias dos técnicos e a lembrança de duelos épicos.

 

Antigamente, se andava pelo centro de Porto Alegre e se percebia um clima diferente. Um excitação que levava todos a falarem mais alto na Rua da Praia por onde ecoava uma provocação que incomodava tanto quanto era respeitada. 

 

Aqueles, porém, era outros tempos. 

 

Atualmente, joga-se sábado ou domingo, depois volta-se a jogar na segunda, na quarta ou na quinta e a rotina segue no fim de semana. Falta tempo para digerir o resultado do jogo que mal acabou e já é preciso promover a próxima partida.

 

Ontem à noite, o Grêmio ainda não havia deixado o gramado, depois de mais uma vitória no Campeonato Gaúcho, contra o time treinado por Ernesto Guedes, e o repórter já perguntava sobre o clássico. Não havia tempo a perder porque o Gre-Nal é logo ali e outros tantos podem se seguir dependendo da combinação de resultados.

 

Menos mal que deu tempo para ver Arthur voltar ao gramado, dominar a bola com a elegância que marca seu futebol, de cabeça erguida, com o corpo sempre voltado em direção ao gol e o olhar em busca de um companheiro mais bem colocado. Ter nosso volante à disposição renderia uma ótima reportagem nos tempos da Semana Gre-Nal.

 

Em forma, ele poderá ajudar e muito o Grêmio a vencer o clássico no domingo. Até porque se tem alguma coisa que não mudou com o passar do tempo foi o nosso desejo de vencer sempre o Gre-Nal.

Boa imagem dos idosos no trabalho deve ser usada e estudada

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

hands-545394_1280

 

Pesquisa Datafolha mostra que na comparação entre idosos e jovens, a percepção de 70% a 90% dos entrevistados é que os idosos são mais responsáveis, educados, honestos, atenciosos, compreensíveis, solidários, dedicados, tolerantes e éticos, do que os jovens.

 

Por outro lado, entre 5% e 31% dos entrevistados disseram que os idosos são menos criativos, preconceituosos, ambiciosos e preguiçosos, do que os jovens.

 

Do ponto de vista mercadológico, o idoso é um produto com potencial. Hoje apenas 26% estão ativos, trabalhando ou procurando emprego, mas a sua presença no mercado de trabalho evoluiu nos últimos 14 anos de 10% para 16%.

 

Velhos

arte reproduzida do jornal Folha de São Paulo

 

Comprovando esta tendência, embora ainda de forma embrionária, cinco empresas, de acordo com reportagem da Folha que apresentou a pesquisa, iniciaram em 2017 a busca de idosos para funções especificas. De acordo com as habilidades que elas creditam ao perfil dos maiores de 50 anos.

 

A GOL, a Drogaria Pacheco e São Paulo, a PwC consultoria, a Tokio Marine seguros e a Telchep, as pioneiras em buscar idosos, apostam em qualificações especificas desta gente. Entre tantas:

 

– não se irrita facilmente
– compreende melhor as necessidades dos clientes
– apresenta baixo absenteísmo e rotatividade
– grau elevado de empatia
– aptidão para gestão

 

Ao mesmo tempo tentam neutralizar ou compensar alguns problemas como:

 

– não se submetem sempre ao protocolo
– são mais prolixos
– tem dificuldade com tecnologia

 

Neste contexto, acredito que a percepção do idoso esteja um pouco estereotipada.

 

Os atributos percebidos podem estar influenciados pela imagem do idoso antigo e inativo. Afinal, é fato preponderante considerar a longevidade que atingimos, e que ainda não foi assimilada nem pela burocracia nem pela realidade.

 

Embora seja inegável que a maturidade esmaeça a imagem mais agressiva, não creio que a idade possa mudar o essencial comportamental do indivíduo.

 

As notas altas dadas aos idosos pelas empresas que os contrataram podem refletir um grupo mais competente, que diante de preconceitos conseguiu adentrar ao mercado de trabalho e demonstrar a realidade de suas habilidades e conhecimentos.

 

Entretanto, é inegável que a experiência é um trunfo para grande parte das funções corporativas.

 

Considerando que o bônus demográfico brasileiro tem seus dias contados, pois em menos de 10 anos teremos menos jovens do que adultos este é um tema a ser bem estudado.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

Avalanche Tricolor: o ciclo natural das coisas

 

Juventude 0x2 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias do Sul-RS

 

IMG_0950

 

Espantados com o baixo rendimento nas primeiras rodadas do Campeonato, justificado pela escolha que se fez de preservar o time principal – registre-se, escolha correta -, muitos se iludiram com o desempenho gremista.

 

Falou-se de tudo um pouco, inclusive da possibilidade de rebaixamento na competição. Fez-se, também, um murmurinho na tentativa de colocar crise onde não havia espaço para tanto.

 

Quando parte dos titulares foi a campo e alguns pontos deixaram de ser conquistados, tentou-se mostrar que havia ali um padrão negativo em ciclo. Esqueceu-se que aquele time estava apenas voltando ao futebol depois da temporada vitoriosa e difícil do ano passado.

 

Vieram, então, a Recopa, com direito a mais um título sul-americano na lista, e a estreia da Libertadores. Foi quando lembraram que tínhamos diante de nós desafios muito maiores do que o Gaúcho e a esta competição daríamos a devida atenção quando necessário. Demoraram para entender isso.

 

Assim que os primeiros compromissos importantes do ano foram despachados, levamos nosso melhor futebol ao estadual. Já havíamos vencido bem em casa e agora voltamos a vencer fora dela. Nesse domingo, com toque de bola – mesmo com alguns passes errados – e muita disposição superamos o adversário que disputava diretamente com a gente a vaga na zona de classificação.

 

O Grêmio mais uma vez foi o dono da bola, dominou a partida, movimentou-se com paciência, pressionou a defesa e aproveitou-se dos erros provocados por esta pressão.

 

O gol de Jael valeu pela insistência de nosso atacante. Pela crença que demonstra em cada disputa de bola. Foi graças a esse esforço constante que conseguiu roubar a bola dos pés do goleiro adversário e chutar a gol. Seu segundo gol no Gaúcho e seu segundo cartão amarelo. Que venham outros!

 

A lição de Jael foi aprendida por Madson. O ala sabe que somente a sequência de bons jogos o colocará nos braços do torcedor. Hoje usou da velocidade para chegar a linha de fundo e cruzar; e abusou quando na troca de passes, no segundo tempo, chegou no meio da área para marcar seu primeiro gol com a camisa do Grêmio. Que venham outros!

 

Ao fim e ao cabo, o Grêmio já está entre os finalistas e ainda faltam duas rodadas para serem disputadas.

 

O ciclo natural das coisas começa a se revelar.

 

Azar de quem vem pela frente!

Conte Sua História de São Paulo: o professor do cronista da cidade

 

Por Eloi Jun Yano
Ouvinte da CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN Eloi Jun Yano:

 

 

Estudei no Colégio Estadual de São Paulo, no bairro do Brás. Por que minha mãe me colocou lá se eu morava na Vila Mariana? Se no começo parecia longe ir de ônibus, imagine meus amigos que vinham de Itaquera, Cidade Patriarca, Artur Alvim…

 

Uma mistura de todas as nacionalidades. Além dos japoneses, como eu , tinham os coreanos, chineses, italianos, até amigos gregos…

 

Na nossa escola, tínhamos laboratório de química, física, ciências. … bom, na minha época já um pouco deteriorado …. Além do teatro e do nosso orgulho maior: a imensa quadra coberta, toda de assoalho de madeira. Uma beleza!

 

Às vezes, cabulávamos aulas e íamos jogar futebol debaixo dos viadutos na baixada do Glicério. Nos recreios qualquer coisa virava bola. Desde uma pinha até um simples pedaço de madeira. E lá estávamos nós tirando Jankenpon para escolher os timinhos e chutar a bola improvisada.

 

E a disciplina e respeito com professores?

 

Quando eles entravam, todos de pé a recebê-los. Lembro muito bem do professor Bretas. Naquela época já velhinho mas com muita sabedoria.

 

Toda segunda-feira, tínhamos que levar um recorte de jornal e ler para os colegas. Uma vez, fui o escolhido e li crônica de Lourenço Diaferia. Quando acabei o texto, o professor me olhava com ternura. Fui bem na lição, pensei. E ele emocionado disse que Lourenço tinha sido seu aluno.

 

Outra vez, na aula de redação, um colega leu um poema de sua própria autoria. O professor sabiamente não lhe deu nota. Disse que não daria uma nota a alguém que poderia um dia ser famoso: – “já pensou se ele dissesse que eu dei zero para um poema dele?”

 

Foi então que pensei comigo mesmo e lembrei de Lourenço Diaferia, ex-aluno do professor Bretas: será que um dia ele deu zero para o nosso cronista da cidade?

 

Eloi Jun Yano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Debora Gonçalves. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade e envie seu texto para milton@cbn.com.br

Sua Marca: se tiver tradução em português, prefira o português

O brasileiro é muito receptivo ao uso de palavras estrangeiras, mas isso não deve ser motivo para que as marcas abusem deste recurso ao se comunicar com seus clientes. A afirmação é de Cecília Russo que ao lado de Jaime Troiano participam do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado pelo jornalista Mílton Jung, na edição de sábado do Jornal da CBN. Neste episódio eles identificam as situações em que expressões estrangeiras podem ser usadas na comunicação das marcas.

A primeira regra para decidir-se pelo uso de expressões estrangeiras é identificar se fazem algum sentido para o seu público-alvo.

Em seguida, pense se não existe para esta palavra estrangeira uma tradução em português. Prefira essa.

E, finalmente, como em outros setores do ‘branding’ – este é o nome em inglês do que nós podemos também chamar de gestão de marcas – evite seguir a manada e usar a expressão somente porque todos estão usando: entenda se essa palavra estrangeira consegue traduzir aquilo que você é e o que você quer comunicar.