Varejo físico e virtual juntos e na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Um novo formato de loja de moda em que após o processo convencional de escolha e venda o consumidor recebe a mercadoria comprada, em casa, tem despontado como novidade aprovada no varejo.

 

É um sistema que se destaca pela aceitação de um segmento de consumidores e por facilitar alguns itens do processo de comercialização tradicional.

 

O perfil do cliente para esse formato não é único. Ao juntar a experiência física de compra com a potencialidade de alternativas do virtual, serve tanto ao consumidor da geração 4D quanto ao conservador, que requer o contato com o produto e com a vendedora.

 

Sob o aspecto do processo de abastecimento, há um passo significativo para resolver um dos maiores problemas do varejo: a previsão de vendas da loja. A esse respeito, Eliya Goldrat, um dos maiores autores sobre processos industriais e comerciais, coloca o “gargalo” na indústria e a “previsão de vendas” no varejo como os grandes desafios destes processos.

 

Historicamente, esse formato de loja virtual na loja física surgiu há cerca de 20 anos, quando do primeiro boom da internet. Embora sem resultado positivo. Ainda era a época da miopia de marketing em que se dizia que roupa nunca seria vendida pela internet.

 

Da C&A, que foi uma das precursoras deste formato no início deste século até a AMARO, a nova pioneira, e a BASICO.COM tivemos uma evolução, ou melhor, uma revolução de hábitos e tecnologia que explicam o insucesso de ontem e o sucesso de hoje.

 

Para quem aposta nos multicanais e está atento ao “omni-channel” e ao “unified commerce” é aconselhável acompanhar mais este formato.

 

Sem miopia.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: barba, cabelo e bigode, com toda a elegância

 

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Gaúcho – Estádio dos Eucaliptos – Santa Cruz/RS

 

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Arthur completou o serviço no segundo tempo

 

Barba, cabelo e bigode. No passado, era assim que se descrevia uma tarefa que havia sido realizada por completo. E assim pode-se descrever a tarefa cumprida pelo Grêmio no simpático estádio e complicado gramado de Santa Cruz do Sul, nesta tarde de domingo.

 

Desde os primeiros movimentos, percebia-se que superar o campo ruim e pesado dos Eucaliptos seria mais difícil do que vencer o adversário que jogava em casa.

 

Apesar de enfrentarmos um time que se propôs a fincar-se diante de sua área e de lá não sair, com o objetivo de não levar gols, o toque de bola do Grêmio era envolvente a ponto de encontrar espaço para jogar.

 

Com a área congestionada, preferimos arriscar de fora e tivemos sucesso nos pés de Ramiro, aos 8 minutos de partida. Aliás, no pé esquerdo de Ramiro, o que não é comum ao meio-campista destro do Grêmio que tem revelado um excelente chute, como já vimos em algumas cobranças de falta, nos últimos jogos.

 

Barba feita, fomos em busca do segundo gol que veio dois minutos depois. A fórmula foi a mesma. Ou quase. Troca de passe veloz e precisa. Deslocamento de jogadores de um lado e de outro. Jael recebeu de Luan na esquerda e ao tentar devolver a bola foi desviada na mão do marcador. Luan cobrou bem o pênalti.

 

Renato chegou a pedir serviço completo ainda no primeiro tempo. Gato escaldado tem medo de água quente, costumava dizer seu Alecir, barbeiro que me atendia nos tempos em que morei em Porto Alegre. Melhor matar o adversário quando ele ainda está tonto do que deixá-lo ir para o vestiário, se reorganizar e reagir. Não foi atendido, mas contou com Marcelo Grohe que mais uma vez fez das suas para impedir qualquer reação: que baita goleiro, heim seu Alecir?!?

 

Fomos para o vestiário com barba e cabelo feitos. E não demorou muito para aparar o bigode, também. Aos 12 do segundo tempo, após nova troca de passe bem elaborada, Arthur recebeu de Everton de frente para o gol. Havia dois marcadores em cima dele, então com a elegância que lhe é comum, Arthur puxou a bola para trás, deixou os dois zagueiros abraçados  e com o mesmo pé que fez o corte completou o serviço: 3 a 0.

 

Restou para a segunda partida, na Arena, quarta-feira à noite, apenas o banho de “aqua velva – aquele toque invisível de distinção que todos notam”, como se lia na publicidade antiga desta que foi das mais famosas águas pós-barba que já conhecemos.

 

 

Conte Sua História de São Paulo: como criança, brinquei entre os pingos de chuva

 

Por Ivani Dantas
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Olhei para aquela chuva de verão e pensei em quantas vezes tive vontade de me enfiar debaixo daquelas gotas mornas, pisar nas poças d’água, correr por entre os pingos como na infância, na volta da escola!?

 

Aquelas calhas jorrando água pelos muros, correndo pelas sarjetas e a sensação única da água entrando pelos sapatos, inflando nossas meias como bexigas. E o melhor: sem a severa proteção da mãe, que não permitia esses riscos de se pegar um resfriado.

 

Vou? não vou?? Não, não cabem mais as dúvidas de outros tempos… Encaro olhares sutis de reprovação? E o cabelo? Vai ficar horrível? Interrogações eternas.

 

Tirei as sandálias pensando em quantas chuvas de verão vão me convidar a essa alegria de criança nos próximos 67 anos. Fui!

 

Que delícia pisar naquelas poças d’água enquanto os amigos pensavam seriamente em chamar um atendimento de emergência, antecipando, no chamado, a necessidade indiscutível de uma camisa de força… Será que pensaram? Que importa?

 

No meio da minha farra aquática vejo Juju, a florzinha adolescente, desabrochando para a vida, querendo também soltar as amarras e participar daquela festa. Apesar da presença da mãe, não havia os riscos nem super proteção. A parceria fez brotar ainda mais a vontade de correr, se não pelas sarjetas, hoje tão sujas e contaminadas, mas em torno do prédio, o que era possível.

 

Uhu!!! Bora lá!

 

Oportunidades não se perdem assim…

 

Curtimos nossa transgressão. Agora falta encontrar o que vestir de uma criança de 67 anos numa menina de 13. Opostos? Que nada! Lá foi a Juju, linda no meu vestido colorido e atemporal com suas formas perfeitas, cheias de vida para gastar.

 

Recolhi minha flacidez no meu vestido de listras que me aqueceram a alma lavada. E não é que aprendi?

 

Obrigada parceirinha amada! Você, como a chuva, me fez muito feliz!!

 

Ivani Dantas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves e a narração de Mílton Jung. Conte você também a sua história enviando seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: fui demitido, e agora?

 

 

“Falar sobre demissão é um tabu; as pessoas tem muita vergonha e eu sempre falo: o que me salvou foi não ter vergonha”. Sem ter vergonha de perder o crachá e com a responsabilidade de quem precisaria iniciar-se em uma nova carreira profissional, Claudia Giudice deixou para traz o trabalho de jornalista e executiva de comunicação para se transformar em empreendedora no setor de pousadas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da CBN, ela conta como reorganizou sua vida para enfrentar essa transição forçada de carreira.

 

Giudice entende que a melhor maneira para se conseguir um novo emprego é conversar, falar e compartilhar sua situação com outras pessoas, desde os parentes, amigos e até profissionais de outros setores. Já em relação a busca de um plano B, ela sugere que se comece a pensar não tema a partir da identificação do seu patrimônio pessoal: “o que você gosta de fazer? Você gosta de falar? Você gosta de ficar quieto, no seu canto? É concentrado ou disperso? É ativo e mão na massa ou você prefere delegar e dar ordens? Isso é o seu DNA”.

 

A experiência e Claudia Giudice está no livro ““A vida sem crachá – a dor de perder um emprego e a experiência de dar a volta por sinal com um plano B”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN com a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves

Avalanche Tricolor: por Marcelo, vamos ganhar este Gauchão

 

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Gaúcho – Beira Rio/Porto Alegre-RS

 

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Marcelo Grohe comemora a classificaçao em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Sofrimento não faltou neste campeonato.

 

As escolhas no início da temporada não deram o resultado esperado. Com um time de jogadores da base, salvo alguns agregados do grupo principal, o desempenho ficou aquém da expectativa. O nome do Grêmio rondou a parte mais baixa da tabela de classificação até praticamente as últimas rodadas da primeira fase.

 

Os catastróficos estavam prevendo o pior, sem levar em consideração o potencial do time que, sob o comando de Renato, se preparava nos bastidores para a temporada longa de jogos importantes. Dois deles, inclusive, logo no início do ano quando disputamos e vencemos a Recopa Sul-Americana.

 

Houve até quem fizesse discurso, diante de algumas injustiças cometidas por árbitros, que o Grêmio deveria deixar de lado o estadual para não prejudicar a campanha nas competições que realmente interessavam no ano: Libertadores e Campeonato Brasileiro, por exemplo.

 

Os matemáticos chamados a mostrar suas contas pareciam incrédulos na possibilidade de o Grêmio impor uma sequência de vitórias que lhe tirasse da parte de trás da competição e o colocasse entre os oito classificados às finais. Preferiam falar em chances para não cair. Pobres coitados! Tão obstinados pelos números, esqueciam do poder de reação que sempre marcou a história gremista.

 

Ao fim e ao cabo, o Grêmio chegou às quartas de final não na última vaga, mas em sexto lugar e com uma vitória na casa de seu principal adversário, que lutou desesperadamente por um empate apenas para não ter o dissabor de enfrentar o tricolor já na etapa seguinte. Sabia o que teria pela frente.

 

O Grêmio chegou grande e forte no momento decisivo da competição e mostrou sua superioridade no domingo passado, na Arena quando encaminhou sua classificação à semifinal com uma goleada de 3 a 0.

 

Na noite desta quarta-feira, diante da torcida adversária e de um time que tem como sua maior pretensão no ano a conquista do estadual, o Grêmio somente precisava carimbar a passagem à próxima etapa. Fez um jogo sabendo desta missão.

 

É provável que ciente de sua superioridade e da grande vantagem que havia garantido no primeiro jogo tenha sobrado soberba. E isso sempre cobra um preço por mais talento e técnica que seu time tenha.

 

O Grêmio, como diz o lugar-comum dos jornalistas esportivos, jogou com o regulamento embaixo do braço, e se expos a riscos. Riscos calculados é verdade, pois como se viu nos momentos finais da partida, bastava colocar a bola na grama, trocar alguns passes e o talento que nos deu a Copa do Brasil, a Libertadores e a Recopa, nestes últimos anos, se revelava novamente.

 

Jogou o suficiente para se classificar e aprendeu a lição. É o que espera Marcelo Grohe, segundo se ouviu na entrevista que ele concedeu ao fim da partida. Nosso goleiro confidenciou ao repórter de campo que antes do jogo se iniciar lembrou a seus colegas que neste ciclo vitorioso que estamos vivendo ainda não havíamos vencido o Gauchão.

 

Marcelo, um dos dois únicos remanescente do último título gaúcho que o Grêmio conquistou, ainda chama o estadual no aumentativo, coisa que evito há bastante tempo, pois entendo que o campeonato perdeu importância especialmente diante dos verdadeiros desafios que temos pela frente.

 

É bom que ele alerte seus colegas e chame minha atenção, também, para a necessidade de reconquistarmos este troféu. Até porque, Marcelo sabe que o Grêmio está condenado a disputar cada jogo como uma decisão. É assim que nossas história foi forjada. E, independentemente do tamanho do campeonato, o Grêmio tem de ser grande em campo, sempre.

 

Vamos ganhar o Gauchão – e o chamarei assim, a partir de agora – por Marcelo Grohe.
 

Procura-se candidato com semântica correta e homogênea

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Sessão no Senado em foto de Waldemir Barreto/Agência Senado

 

Uma batalha semântica sempre esteve presente no mundo politico, onde partidos usam palavras como “democracia” e “social” invertendo o significado.

 

Ignorância ou engodo?

 

A verdade é que o nível de destempero da classe politica exorbitou e chegou a ponto em que “politica” e “partidos” passaram a serem palavras indesejáveis. Os partidos estão deixando de usar o vocábulo que mais os caracterizam. A palavra “partido” começa a ser retirada das siglas que as representam.

 

O atual prefeito de São Paulo João Doria usou como principal bandeira de sua candidatura o argumento que era gestor e não político. Uma fuga que durou pouco, pois ao se lançar candidato ao governo do Estado comprova que é politico. E da antiga escola. Nega a premissa e nega a promessa. Não vai permanecer como prefeito até o fim do mandato.

 

Entre a dezena de candidatos que se apresenta como pretendente à presidência há um fator que merece atenção especial. Como se sabe nenhum dos poderes da nação tem mostrado desempenho satisfatório. E ainda assim há uma intromissão indevida nas escolhas da população.

 

O governo não dá conta do público e se mete no privado.

 

A maioria dos presidenciáveis expõe plataformas heterogêneas sobre o aspecto conceitual. Predominam as propostas liberais para a economia e tradicionais para o social e comportamental. Posição que endossa a atual situação, onde o público avança no social.

 

Até agora, há apenas o programa do partido Novo aproximando-se do liberalismo de forma homogênea. Pois intitula-se de direita propondo o liberalismo econômico e salvaguardando a liberdade individual a temas pessoais. Dentre outras medidas propugna o fim do fundo partidário, o porte de arma e a decisão do aborto para a pessoa.

 

Esperemos que mais novidades se juntem a Amoedo e Doria enquanto Flavio Rocha se decide.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Conte Sua História de São Paulo: aprendi a andar por aqui com as páginas do guia da cidade

 

Por Pedro Lúcio Ribeiro
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Vivo em Campinas, desde meus dois anos de idade. Logo, sou campineiro aos sessenta.

 

Aos sete ou oito anos, conheci São Paulo, no Parque Edú Chaves, e fiquei vivendo na casa dos tios por uma semana em companhia de meu priminho de oito meses.

 

Naqueles dias, conheci a televisão assistindo ao Zas-Trás, programa infantil apresentado pelo “Tio Molina” e pela “Tia Márcia”. Hoje esse priminho é Tenente Coronel Reformado, aposentado, da PM de São Paulo.
 

 

Muito tempo depois, mais de 25 anos, tive de me embrenhar nas ruas e avenidas de São Paulo, sozinho, por minha conta, para cumprir missão decorrente de um concurso para o cargo de escriturário na Secretaria de Fazenda de São Paulo.
 

 

Putz! Eu não conhecia São Paulo, tinha medo de andar sozinho, mas tinha de ir à Secretaria da Fazenda para tomar posse do cargo de “Escriturário Lei 500” (só quem é do ramo sabe o significado disto).
 

 

Peguei um “Cometão” de Campinas a São Paulo com algumas páginas de um guia da cidade. Apeei antes da Julio Prestes – antiga rodoviária – e fui contando as quadras e as quebradas pelas quais eu deveria passar para chegar ate a Rangel Pestana, número 300.
 

 

De lá, outras instruções para exames médicos no Instituto de Assistência Médica do Estado de São Paulo. Tive de pegar as páginas do guia no bolso da calça para ver como chegar na rua Maria Paula passando pelo viaduto Maria Paulina, etecetera e tal. 

 

Fiz o trajeto pelo menos três vezes, sempre acelerado. Era tal a minha tensão  e concentração que muitos pensavam que eu era dali e paravam minha caminhada frenética para perguntar uma ou outra informação. E, medroso, medo de ser assaltado, eu falava qualquer coisa para me desvencilhar da pessoa.
 

 

Coitada de uma mulher, coitado de mim. Uma senhora queria ir para São Miguel e me perguntou se aquele ônibus pertinho de nós, por onde eu passava, fazia este trajeto. Eu apressado disse que sim. Só depois li no letreiro que o itinerário era outro e no sentido oposto: jóquei clube ou coisa parecida.

 

Depois disto, vinte e tantos anos depois, conheci essa cidade como “motorista de juiz”. Hoje, sei andar por São Paulo como se paulistano fosse. Mas não gosto de ser motorista por aqui. E não gosto por razões que só explico em verso:
 

 

“Cidade imponente, decadente e ultrapassa,
adorada só por gente impaciente e afobada.
Que loucura é aquilo ali! Quanta gente nas calçadas!
Cedo, tarde ou à noitinha… Ou varando a madrugada.
 

 

Seu tamanho é seu orgulho.
Seu tamanho é seu perigo.
Ali cheguei sem barulho, paranóico e nada rico.
 

 

Que me vê até se ilude.
Pensa até que sou dali.
Tenho cá minhas virtudes,
E uma delas é fingir.

 

São Paulo imponente,
São Paulo meu terror,
Eu não sei se te odeio,
Ou por ti declaro amor!

 


Pedro Lucio Ribeiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Débora Gonçalves. Conte você também a sua história. Escreva para milton@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: foram palavras mágicas!

 

 

Grêmio 3×0 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

 

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Muitos motivos para sorrir (foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O saudoso estádio Olímpico está a alguns passos de onde escrevo esta Avalanche, nesta noite de domingo. A Arena fica mais distante, algo em torno de 11 a 12 quilômetros. Era para lá que seguiria nessa tarde para assistir ao Gre-Nal 414. O ingresso destinado aos sócios, no setor Oeste das cadeiras gold, ficou armazenado no meu computador a espera de ser impresso. Preferi guardá-lo. Mudei meus planos.

 

Em vez do estádio, entendi que meu lugar era na sala da casa onde passei minha infância e adolescência, na Saldanha Marinho, no bairro do Menino Deus. Naquele mesmo espaço onde nossa família se reunia no passado, onde eu e meus irmãos brincávamos, onde a mãe montava a árvore de Natal, onde ligamos a nossa primeira TV a cores … Ali mesmo, onde hoje estariam meu irmão mais novo, meu filho mais velho e, especialmente, meu pai.

 

Foi ele, o pai, quem me ensinou a ser gremista desde pequenino – usou método pouco ortodoxo, é verdade, e já escrevi sobre isso em Avalanches anteriores, mas foi fundamental na minha escolha.

 

O pai me levou pela mão ao estádio Olímpico, me apresentou muitos dos meus ídolos, me fez conhecer os bastidores e corredores do time. Me fez íntimo daquele espaço e daquelas cores. Forjou minha personalidade e educação nas conversas que tínhamos diariamente, nas quais o Grêmio era nosso motivo de interação.

 

Foram-se muitos anos desde aqueles tempos de guri. Eu já estou com 54 anos e o pai com 82. Por aquelas coisas que a idade avançada vai nos tirando da memória, a conversa com ele já não tem a mesma fluidez. A gente se esforça para dialogar, dizer algumas palavras, descobrir o que queremos falar um para o outro. Às vezes, a mensagem chega por gestos, por sorrisos ou pelo olhar.

 

Com medo que essa distância aumente de maneira acelerada, acreditei que estar ao lado dele, neste domingo, era o melhor que poderia fazer, aproveitando minhas férias na cidade. Por isso nos sentamos nos sofás e poltronas novos que ocupam a nossa velha sala de televisão para assistir ao Gre-Nal.

 

Foi mágico!

 

Falamos do jogo e dos jogadores; vibramos com as primeiras defesas de Marcelo Grohe; nos incomodamos com a falta de chute do nosso time; reclamamos do árbitro e das manias dos locutores e comentaristas esportivos. Em pouco tempo, éramos novamente pai e filho daquele passado que havia se passado bem ali ao lado, no estádio Olímpico.

 

E foi ainda mais mágico, porque o Grêmio parecia entender os instantes que estávamos experimentando juntos.

 

Para nos oferecer a primeira grande alegria, fez questão de marcar um gol, através de Everton, ainda antes do intervalo, em uma troca de passes típica deste time que tem encantando a América. Apenas não corri e me joguei nos braços do pai porque achei que ele não suportaria essa extravagância. Preferi dar-lhe um abraço e um beijo enquanto falávamos da nossa satisfação.

 

Tive de me conter mais uma vez, aos 17 minutos do segundo tempo, ao ver Jael bater falta de maneira precisa e indefensável e correr em direção a Renato com o sorriso característico deste atacante que a cada partida revela seu prazer em ser feliz. Sorrimos, o pai e eu, juntos com Jael. Voltamos a nos abraçar e trocamos palavras de felicidade.

 

Aos 31, acompanhamos quase em pé a corrida de Arthur em direção ao terceiro e definitivo gol. A medida que a bola se aproximava do “fundo do poço”, nós já nos cumprimentávamos, agora batendo as mãos no alto, uma contra a outra, como se fôssemos dois adolescentes. Era o que parecíamos mesmo, narrando novamente cada momento daquela jogada, o lançamento, o toque de ombro de Jael, a escapada de Arthur e o chute por debaixo do goleiro adversário.

 

Falávamos com satisfação, felicidade e jovialidade. Falávamos do Grêmio e das alegrias que ele nos proporcionava. E a partir da nossa fala, descobri que por mais que a memória queira ir embora, as palavras que sempre nos uniram se mantém vivas. E esta foi, mais do que a goleada, a minha maior alegria deste domingo de Gre-Nal.

Mundo Corporativo: “melhor experiência, melhor venda”, diz Léo Xavier, da PontoMobi

 

 

 

 

 

“Investir em mobile é um bom negócio. Entregar experiência melhor para o consumidor é um bom negócio. Seja na sua loja física, seja no seu site de computador, seja na sua presença móvel. Pode ser um site ou pode ser um aplicativo, mas a relação é direta: melhor experiência, melhor venda”.

 
 

 

A conclusão é de Léo Xavier, CEO da PontoMobi, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

  

 

Xavier apresentou o resultado de pesquisa que identificou o grau de mobilidade das 235 marcas mais valiosas, no Brasil. Foram avaliadas as soluções usadas em aplicativos, sites móveis, mensageria e plataforma social.

  

 

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Deste total, apenas 10 (ou seja 4%) se encontram na categoria “Mobile Expert”, considerada a mais avançada segundo critérios aplicados no estudo. A maior parte das marcas, 112 (ou 48%), são identificadas como “Mobile Basic”, categoria que reúne aquelas que estão em estágio de experimentação.

 

 

Para ter acesso aos resultados completos da pesquisa, clique no link a seguir:

 

 

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O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da rádio CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo.

Um crime contra a liberdade de se fazer política

 

 

Por Mílton Jung
criador do Adote um Vereador SP

 

 

 

 

Os vereadores têm o dever de defender os valores fundamentais para que as pessoas possam viver e terem chances iguais de felicidade. Dentre esses valores estão o respeito aos direitos humanos, a liberdade de expressão e a democracia. Aqueles que constróem seu mandato pautados nessas ideias devem ser respeitados e valorizados, pois fazem da política uma arte maior.

 

 

Os assassinos de Marielle Franco, vereadora pelo PSOL do Rio de Janeiro, morta na quarta-feira à noite, no centro da cidade, quiseram atingir esses valores e mais uma vez colocar a sociedade como refém do medo.

 

 

Marielle foi eleita com 46,5 mil votos, a quinta mais votada no Rio de Janeiro, e teve sua trajetória dedicada a defender bandeiras relacionadas ao feminismo, aos direitos humanos e aos moradores de favelas.

 

 

Mesmo que a apuração ainda esteja em curso, as características do crime não deixam dúvidas: foi uma execução. E fica muito claro que, com este ato, os assassinos e seus mandantes pretendem enviar a mensagem de que não vale a pena fazer da política uma ferramenta em favor do bem comum.

 

 

Que ninguém se engane e pense nesse acontecimento como se fosse um ato isolado. O que Marielle Franco sofreu foi o grau máximo de violência que os defensores dos direitos humanos sofrem em seu cotidiano.

 

 

A intolerância em relação aos que acreditam no direito à vida e à liberdade é frequente e ocorre de diversas formas: na maior parte das vezes, através de palavras; outras tantas, pelo descrédito oferecido a seus porta vozes; e em alguns casos com a violência física que pode, inclusive, levar à morte, como ocorreu com a vereadora carioca.

 

 

Infelizmente, persiste em parcela da sociedade a ideia que a defesa dos direitos humanos é a defesa dos bandidos. A ponto de o assassinato de Marielle Franco estar servindo de cenário para este falso dilema.

 

 

É preciso entender que se defendemos de verdade os direitos humanos, não temos o direito de escolher quem os merece. São direitos de todos. Se quero que o homem de bem seja respeitado, tenho por obrigação oferecer este mesmo respeito a todos os demais seres humanos, independentemente de seu comportamento.

 

 

Aos que cometem crimes contra a sociedade e violentam o cidadão cabe a justiça. E justiçar não é vingar. A sociedade que age com o sabor da vingança é uma sociedade injusta.

 

 

Nós do Adote um Vereador acreditamos na ideia de que a proximidade do cidadão, através do monitoramento e fiscalização do mandato, é importante para que os parlamentares atuem nas câmaras municipais em busca do bem comum.

 

 

Portanto – e peço licença aos demais participantes para dizer o que digo -, não podemos aceitar em hipótese alguma qualquer atitude que vise coibir a ação legítima desses representantes.

 

 

Sendo assim, espera-se que a polícia e as autoridades brasileiras investiguem com rigor e eficiência esse crime que pretende calar todos os parlamentares e pessoas que defendem os direitos fundamentais. Espera-se que os assassinos – os que mandaram matar e os que cumpriram a ordem – sejam identificados, julgados e condenados pelo crime cometido.

 

 

Que a justiça seja feita em nome da nossa liberdade de fazer política seja através de um mandato – como devem fazer os vereadores – seja através da ação cidadã – como fazemos nós no Adote um Vereador.