Rádio Sucupira: “fui vítima de um atentado ‘inescrupulento’ e traiçoeiro”

 

BemAmado

 

Se grandes homens cometem grandes erros, Odorico Paraguaçu já acredita que Deus se passou pra oposição. Sucupira continua inundada em escândalos, mas o prefeito sabe que tem companheiros leais, capazes de morrer por sua causa. Com a alma enxaguada e lavada na aflição, Odorico faz um apelo dramático.

 

A Rádio Sucupira, programa de humor político que encerra o Jornal da CBN às sextas-feiras, tem falas da novela O Bem Amado, cedidas pelo Acervo da TV Globo, texto de Dias Gomes e interpretação de Paulo Gracindo. Todo o resto, é material cedido pela vida real dos políticos brasileiros.

 

A edição é de Fábio Portugal e Claudio Antonio.
 

 

Avalanche Tricolor: é matar ou morrer!

 

Grêmio 4×0 Zamora
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Foi fácil como se imaginava. Estamos classificados como se esperava. Cumprimos nosso papel nesta primeira parte da Libertadores. Tivemos o grupo sob controle da primeira a última rodada. Chegamos abrir mão de um resultado quando poupamos equipe em jogo jogado fora de casa. E terminamos a fase de grupos com a terceira melhor campanha até aqui.

 

Tivemos oportunidade de construir e reconstruir o time ao longo desta primeira fase. Boa parte das mudanças foi forçada por lesões. Algumas pela necessidade de adaptar a equipe à competição. No entra e sai de jogadores, Renato ganhou um elenco e confiança: conhece bem a formação ideal e sabe com quem poderá contar quando olhar para o banco.

 

Barrios é o matador que precisávamos. Luan é de um talento singular. Arthur é joia rara. Pedro Rocha merece nosso aplauso pelo tanto que luta em campo. Essa lista poderia ir além do setor de ataque assim como se estender a alguns que não estiveram em campo na noite desta quinta-feira. E parece-me suficiente para mostrar a qualidade que foi sendo forjada até aqui.

 

A goleada de hoje foi divertida mas marcou o fim de uma etapa. Daqui pra frente, não haverá mais espaço para erros. Vacilos serão fatais. Tropeços não serão aceitáveis. É matar ou morrer!

 

O legal é saber que estamos prontos para encarar mais este desafio.

Taxistas terão de ir além do sorriso e da simpatia para se manterem vivos na cidade

 

 

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Passeie pelo Rio por três dias e fiquei bem impressionado com o atendimento que recebi da saída do aeroporto à porta do hotel. Funcionários simpáticos e atenciosos me receberam nos lugares que visitei. Foram poucos é verdade, mas diversificados. Rodei de táxis pela cidade e fui transportado por motoristas que fizeram questão de me dar informações sobre o Rio e os lugares pelos quais passamos. Um deles, assim que percebeu que eu havia descido em local errado fez questão de retornar para me levar mais adiante. Pediu desculpas, pois se soubesse que eu queria entrar na Arena Jeunesse teria me deixado mais à frente para facilitar. Em resumo, uma simpatia.

 

 

Para todos os cariocas com quem conversei, e fiz questão de compartilhar esta minha boa impressão, fui alertado que “antigamente” as coisas não eram assim, especialmente nos táxis. A mudança de comportamento teria sido o efeito Uber. Motoristas perceberam que teriam que incluir no seu cardápio sorriso e bom atendimento para competir com os aplicativos. No meu caso, funcionou, mesmo com a corrida saindo um pouco mais cara.

 

 

As mudanças, porém, terão de ir além do comportamento.

 

Ainda nesta semana, e já aqui em São Paulo, leio em “O Diário do Transporte” que os motoristas do Táxis Preto – que surgiu no fim de 2015 como alternativa de alto padrão ao Uber Black – tiveram de receber socorro extra da prefeitura pois não têm conseguido pagar as parcelas do alvará, que custa R$ 60 mil, valor que pode ser dividido em 60 prestações de R$ 1 mil. A administração municipal anunciou que o prazo de pagamento será ampliado e aqueles que desistirem de prestar o serviço poderão devolver a licença sem a obrigação de fazerem o pagamento integral, terão apenas de acertar os atrasados.

 

Na outra ponta do sistema, os jornais informam que o presidente executivo da startup 99, o americano Peter Fernandez, anda feliz da vida com os US$ 200 milhões que foram colocados na empresa por investidores (ou seja dinheiro privado): US$ 100 milhões da chinesa Didi Chuxing e US$ 100 milhões da japonesa SoftBank. Com muito mais dinheiro no caixa, Fernandez diz que será possível acelerar a missão da empresa de fazer o transporte ficar cada vez mais barato, rápido e seguro para os brasileiros.

 

Fico sabendo, no texto assinado pelo jornalista Alexandre Pelegi, que a prefeitura de São Paulo tira do seu caixa (ou seja dinheiro público) R$ 250 milhões por ano para os taxistas transportarem 1,5% das pessoas que são atendidas pelo transporte público, na capital. Pelegi compara: cada paulista que usa táxi recebe subsídio cinco vezes maior do que os que andam de ônibus.

 

Os números mostram que a concorrência entre os táxis e os carros que atendem pelos aplicativos é desleal. E digo isso não no sentido de revelar uma irregularidade. Pelo contrário. Digo pelo simples fato de que o dinheiro privado é muito mais abundante e rentável do que o dinheiro público.  Sorrisos e bom atendimento não serão suficientes para a sobrevivência da categoria. Taxistas e prefeituras terão de repensar a gestão do sistema, e, temo, ainda chegarão a conclusão – na marra ou por reflexão  – que o transporte individual tenha de ficar nas mãos dos empresários, cabendo à administração municipal a fiscalização rígida do serviço prestado.

 

Na ponta do lápis, faz muito mais sentido a prefeitura investir cada tostão em um sistema que atenda muito mais gente – ônibus, trem e metrô, por exemplo – do que desperdiçá-lo no transporte público individual, especialmente se o setor privado é capaz de oferecer o mesmo serviço, com mais carros  e por um custo menor.

 

Enquanto essa época não chega, seguirei chamando meu táxi na expectativa de ser atendido com sorriso, simpatia e segurança.

 

*na primeira versão deste texto, por engano deste blogueiro, o nome da startup 99 estava grafado errado. Corrigido, agora!

Lula e Temer são resultado de sistema político apodrecido, diz procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, à CBN

 

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“Pessoas vão ver nisso um cenário de terra arrasada, eu vejo um cenário de oportunidade para reconstrução …  Se nós não tivéssemos esse diagnóstico tão claro na nossa frente seria muito difícil olharmos para reformas”.

 

Herói para alguns e vilão para outros. Por função, apenas procurador da República. Deltan Dallagnol construiu sua história na coordenação da força-tarefa da Operação Lava Jato e conta parte dela em livro, lançado nesta terça-feira, em São Paulo. Diz que não é super-herói nem o Brasil precisa de um. Aliás, não acredita que seja esse o caminho para atacar o “sistema político apodrecido” – fenômeno que, segundo ele,  se manifesta tanto nas denúncias contra o ex-presidente Lula quanto na situação enfrentada agora pelo presidente Michel Temer:

 

Se não tratarmos a causa desse problema, nós continuaremos com esse problema. Vão mudar as lideranças, vão mudar os rostos, mas o problema vai continuar existindo”.

 

 

Em entrevista ao Jornal da CBN, na manhã desta terça-feira, Dallagnol puxou conversa para dois temas de sua preferência: o livro “A luta contra a corrupção – a lava jato e o futuro do país marcado pela impunidade” (Primeira Pessoa)  e as 10 medidas de combate a corrupção, encaminhadas ao Congresso Nacional com apoio popular e controvérsia política.

 

Tanto um assunto como o outro tratam diretamente sobre o que assistimos nesse momento no País: ontem, Lula foi denunciado mais uma vez por corrupção e lavagem de dinheiro: hoje, dois governadores do Distrito Federal foram presos; e, por um bom tempo, Michel Temer vai ter de dar explicações sobre suas conversas pouco republicanas com um empresário que se aproveitou da bandalheira política que impera no Brasil.

 

Mesmo acostumado em investigar tantas falcatruas, o procurador disse que  “os novos acontecimentos nos estarrecem”. E se mostra incomodado com o fato de os políticos irem a público apenas para negar o que fizeram.

 

“Ninguém vem a público para reconhecer os crimes e se afastar da vida pública, como em outros países. Todo mundo vem a público negar, negar, negar. A mensagem implícita é de desrespeito a todos nós, como se estivéssemos sendo feito de bobos”

 

A safadeza dos políticos brasileiros também pode ser combatida com política, pensa o procurador. Ao mesmo foi o que entendi nas suas palavras quando defendeu que se não gostamos das pessoas que estão no Congresso, em 2018 teremos oportunidade para colocar outras no lugar delas: que não estejam sendo investigadas e processadas por um crime.

 

Ouça a entrevista completa com o procurador da República Deltan Dallagnol: 

 

 

 

Arquivos de Joesley e CBN têm tempos diferentes; interrupções podem ser causadas por sensor de áudio

 

Um áudio paralisa a Nação. Assim tem sido desde que foi divulgada a gravação feita por Joesley Batista com Michel Temer, semana passada.  Não é uma conversa qualquer: fala-se da maneira como a política é feita no Brasil.

 

Um mega-empresário se encontra com o Presidente da República, fora de agenda oficial, entra na casa de forma sorrateira e com nome falso, e conta que mantinha dois juízes e um procurador na mão e silenciava um ex-deputado preso, com pagamentos mensais. O Presidente não esboça reação negativa. Ao contrário: dá sinais que concorda e incentiva – apesar das controvérsias que seus defensores impõem a estas interpretações.

 

A delação premiada da JBS vai muito além daqueles 30 e poucos minutos de gravação, mas a discussão tem se centrado na veracidade do áudio porque é assim que Michel Temer tem tentado derrubar as suspeitas que recaem sobre ele. O perito contratado pelo Presidente disse que a gravação não pode ser considerada autêntica: é imprestável (assim como também são as negociações entre empresários e políticos, digo eu).

 

Tem perito que fala em 50 pontos de edição, tem quem conte 14 e tem quem diga que nada dá para dizer.

 

O  arquivo de áudio em questão começa e se encerra com o som da programação da rádio CBN, uma forma que teria sido encontrada pelo empresário para deixar registrado o dia e o horário da conversa deles.

 

Hoje, a reportagem da CBN, após usar um software profissional de edição, comparou a gravação do empresário com a programação original da rádio e identificou que existe uma diferença de 6 minutos e 21 segundos.

 

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Ouça a reportagem produzida por Julio Lubianco e André Coelho:

 

 

Em outro trabalho produzido pela CBN, profissionais de investigação e inteligência afirmaram que gravações feitas através de aparelhos com sensores de áudio ambiente podem provocar a impressão de que foram editadas. E afirmam que gravadores que entram em modo de espera diante da ausência de ruídos podem apresentar um áudio menor do que o tempo que durou uma conversa.

 

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Ouça a segunda reportagem produzida por Julio Lubianco e André Coelho

 

 

Como fiz questão de ressaltar no Jornal da CBN, desta segunda-feira, ainda antes de termos o resultados dessas duas reportagens, somente perícia oficial e juramentada é capaz de resposta definitiva. E disse isso porque levantamento prévio, baseado em registros manuais de produção da CBN, apresentado ainda na sexta-feira passada, mostrava que o tempo do áudio da gravação era condizente com o tempo de intervalo entre os dois programas da rádio que aparecem no arquivo entregue por Joesley à Justiça. A apuração mais precisa e comparando os arquivos de áudio, agora, mostra o contrário. A contradição apenas reforça a necessidade de análise técnica e isenta para que se tire qualquer conclusão.

Obscuridades da eleição indireta

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

 

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Além da ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral, onde há risco de cassação do mandato presidencial e decretação de inelegibilidade, recentes acontecimentos ensejaram pedidos de impeachment do presidente da República. Diante disso, alguns cenários podem ser delineados, especialmente porque o respeito e a obediência à Constituição Federal impõem a realização de uma eleição indireta pelos congressistas.

 

Para o caso de cassação, o TSE dispõe de dois caminhos: determinar o afastamento imediato de Michel Temer e a posse do presidente da Câmara dos Deputados para que convoque uma eleição suplementar ou atribuir efeito suspensivo a eventual recurso até que o Supremo Tribunal Federal se pronuncie definitivamente sobre os fatos.

 

Se houver a renúncia do presidente, algo que tem sido especulado em função da gravidade das imputações que lhe são encetadas, esta deverá ser formalizada mediante documento escrito e lido pelo presidente do Congresso Nacional, e não da Câmara dos Deputados, eis que aquele é o chefe do Poder Legislativo.

 

Declarado vago o cargo presidencial, o presidente da Câmara dos Deputados é chamado à interinidade na presidência da República e, de acordo com o §1º art. 81 da Constituição Federal, convoca eleição indireta, a qual deve ser realizada em até trinta dias a contar da vacância.

 

Noutra hipótese, caso algum pedido de impeachment prospere e resulte no afastamento do presidente, inicialmente por cento e oitenta dias, o interino neste período será o presidente da Câmara dos Deputados, nos termos do art. 80 da CF. Consumado o afastamento definitivo pelo Senado Federal, repete-se o rito e a convocação da eleição indireta. Rejeitado o pedido, reassume a presidência.

 

A eleição indireta no Brasil é legal, porém obscura. Embora disponha de regulamentação através da Lei Federal nº 4.321, esta é datada de 7 de abril de 1964, portanto estabelecida conforme as determinações e, sobretudo, limitações da Constituição de 1946. O seu texto é perigosamente omisso em aspectos essenciais.

 

Primeiro e fundamentalmente, quando alija o TSE do julgamento dos registros de candidaturas. Quem fará isso será a Mesa do Congresso por ato dos próprios interessados e votantes da dita eleição. Isso não é nada recomendável.

 

Segundo, que estabelece o voto secreto, algo incompatível à Constituição, que estabelece a prática do voto aberto para a quase totalidade das atividades parlamentares.

 

Terceiro, que não esclarece sobre a possibilidade de coligações e apoios.

 

Quarto, que não prevê a necessidade de desincompatibilizações de cargos públicos.

 

Quinto, que silenciou sobre quem pode ou não concorrer. Sexto: não há previsão de fiscalização.

 

São muitas lacunas. E lacunas como essas geram dúvidas. Dificultam a interpretação da lei. Propiciam casuísmos. O Congresso Nacional tem negligenciado na atualização de um tema tão importante. Tempo, contudo, não lhe faltou. Afinal, a Constituição Federal é datada de 1988, o primeiro impeachment ocorreu em 1992 e o outro em 2016.

 

*Alea jacta est

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

*A sorte está lançada

Avalanche Tricolor: verdades escancaradas

 

Atlético PR 0x2 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada/Curitiba-PR

 

GREMIO

 

Funcionei em três versões neste fim de semana, nesta passagem pelo Rio de Janeiro que se estenderá até segunda-feira. Antes de chegar aqui, já tínhamos a cobertura política de um país estarrecido com a verdade escancarada por um grupo de delatores, chefiado por Joesley Batista. Um noticiário com várias nuances, revelações, traições e a realidade pura e crua de como agem poderosos e homens públicos, no Brasil.

 

O Rio foi meu destino na sexta-feira para assistir de perto às finais do MSI2017, o Mundialito de Lol – League of Legends. Apesar da ausência de brasileiros nesta rodada, os times europeus e asiáticos conseguiram trazer bom público à Arena Jeunesse, que teve seus quase 10 mil lugares ocupados, especialmente na batalha final. Desde o início da competição havia uma verdade escrita: a superioridade dos sul-coreanos. Verdade confirmada para delírio dos torcedores que fizeram uma bela festa por aqui com o título da SKT.

 

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E foi do Rio que assisti, neste domingo, ainda de dentro da Arena Jeunesse, e pela tela do meu celular, ao Grêmio, na Arena da Baixada, em Curitiba. Um time que vem jogando futebol de verdade pela maneira como se posiciona em campo, troca passes com precisão e se desloca para desorientar o adversário.

 

Antes mesmo do gol, Luan desfilava no gramado com a elegância que tem caracterizado seu jeito de jogar bola. Conseguia se safar dos marcadores com toques sutis e malabarismos imperceptíveis, suficientes para avançar em direção ao ataque. Foi premiado ao receber a bola dentro da área e marcar o primeiro da vitória gremista.

 

Ramiro também se mostrava superior. Fazia ótima companhia a Luan. Misturava talento e raça, categoria e qualidade técnica. No primeiro gol já havia feito a assistência para Barrios, que não conseguiu manter a bola e deixou para Luan. No segundo, recebeu de Luan e procurou novamente Barrios: desta vez, não escapou e ele matou o jogo.

 

Verdade que a expulsão de Marcelo Grohe tirou a tranquilidade dos gremistas, pois abriu-se espaço para o adversário atacar. Mas também é verdade que o sistema defensivo demonstrou a segurança que precisávamos para conter a pressão. E com isso, o Grêmio marca sua segunda vitória em dois jogos seguidos por dois a zero, no Campeonato Brasileiro.

 

Nas três versões em que funcionei neste fim de semana havia verdades escancaradas: no Lol e no futebol, principalmente; já na política, apesar de descobrirmos algumas verdades, ainda tem muita mentira para ser desmascarada.

Conte Sua História de São Paulo: um argentino conquistado pela Capital

 

Por Fernando Andina
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte-internauta Fernando Andina:

 

 

Ainda lembro que meu primeiro contato com São Paulo foi assustador.

 

Nas escolas argentinas de começo dos anos 1980, havíamos estudado um pouco a história brasileira, sabíamos da importância do Rio de Janeiro, e que Brasília, a nova capital, tinha sido erguida do zero. Muitos argentinos tiravam férias em Florianópolis e Búzios, mas para mim, um adolescente ainda no colegial, São Paulo era uma absoluta desconhecida.

 

Em 1985, viajei por intercâmbio para Europa, e o avião saindo de Buenos Aires, faria escala em São Paulo. Na era pré-internet não havia muita informação disponível – pelo que durante o voo fiquei me perguntando que classe de cidade seria essa para termos que pousar lá. Logo saí da minha ignorância. Enquanto a aeronave se aproximava da pista em Guarulhos, percebi com espanto as dimensões imensas da metrópole, os inúmeros edifícios se erguendo, e uma cidade que se revelou de extensão infinita para mim. Aí fiquei curioso. Afinal, que cidade é esta?!

 

No ano seguinte programei tirar férias nas praias do Rio, mas passando primeiro por São Paulo, para conhecê-la no nível do chão. Fiquei maravilhado com o dinamismo das pessoas, a movimentação das ruas, e admirado com a força econômica do interminável cordão industrial das cidades vizinhas. Tomado pelo verdadeiro espírito brasileiro, tive a convicção de que tudo daria certo, e eu alguma vez faria parte desse dinamismo.

 

Ainda passariam mais de 20 anos até meu desejo adolescente virar realidade. Hoje, já faz quase 10 que moro por aqui, e São Paulo demonstrou ser tudo o que prometia e mais: uma cidade de nível mundial, dinâmica, vibrante, cosmopolita, a verdadeira capital da América do Sul.

 

Saludos!

 

Fernando Andina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe você também. Envie mais um capitulo da nossa cidade para milton@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo: o sucesso está nas pessoas engajadas, diz Ricardo Seperuelo

 

 

“O engajamento está totalmente ligado ao sucesso; pessoas que não estão engajadas têm muita dificuldade de ter sucesso. Elas não conseguem transmitir seu verdadeiro potencial dentro daquilo que elas fazem”. A afirmação é do consultor Ricardo Seperuelo, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O autor do livro “A Arte de Engajar Pessoas – modelo de gestão para liderança estratégica de organização e pessoas” (Quality Mark), diz que ao não estar conectado com seus propósitos, o profissional tem dificuldade de “ser aquilo que de fato você é dentro dos seus dons e talentos”. Ele apresenta estratégias que ajudam os líderes a oferecerem aos seus times oportunidades que atendam suas demandas e beneficiam no resultado da empresa.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, a Juliana Causin, o Rafael Furugen e a Débora Gonçalves.

O pior é que “eles” acreditam que é assim mesmo que se faz política

 

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Foi Michel Temer, o primeiro: “não renunciarei”, “sei o que fiz e sei a correção de meus atos”, disse com cara de indignado durante pronunciamento oficial, no Palácio. Não tinha ouvido o áudio que Joesley Batista, da JBS, havia gravado na conversa que teve com ele no Palácio do Jaburu. Depois de ouvir, dizem, respirou aliviado:“a montanha pariu um rato”.

 

Em seguida, vieram alguns poucos ministros e somente os mais próximos, porque os demais se calaram.

 

Moreira Franco, fiel escudeiro, disse a Jorge Bastos Moreno, na CBN, que os fatos são manipulados e a interpretação não corresponde a verdade. Afirmou que o país não pode perder tempo e o povo brasileiro já está acostumado com o espetáculo que se produz em alguns fatos.

 

Eliseu Padilha, fiel como Moreira, falou a Miriam Leitão, que o Governo havia passado apenas por uma tempestade. Para ele, a divulgação do áudio dissipou a crise: “ele não tem todo esse comprometimento que foi num primeiro momento sinalizado”.

 

Para um e para os outros, o presidente receber um empresário às escondidas, faz parte das funções dele. Os dois falarem de falcatruas, como dar dinheiro a um ex-deputado, preso por corrupção, é ajuda humanitária. Ambos trocarem palavras de apoio quando o empresário confessa ter um procurador e dois juízes na mão, é próprio do exercício do cargo.

 

Temer, Moreira e Eliseu realmente acreditam que é assim que se faz política, aceitam a regra do jogo e a defendem sem pudor. Consideram tudo normal. Assim, quando as suspeitas são investigadas e a verdade apurada, é conspiração. Quando os jornalistas escancaram os fatos nas manchetes, querem audiência.

 

O pior neste cenário talvez seja o fato de que eles fazem desse comportamento sua própria verdade. Mais do que isso: reproduzem pensamento deles, de seus partidários e de grupos que, aparentemente, estão em espectro político oposto a eles, mas que atuam da mesma forma. Não assumem seus erros, porque não consideram errados os seus atos.

 

Ou seja, eles não têm conserto.

 

A nós, cabe encontrarmos outros “eles” que pensem e se comportem de forma oposta. Mas para isso, precisamos decidir antes se nós realmente somos diferentes deles.