O que o ouvinte da CBN faz quando está no carro

 

 

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O carro ainda é extensão de nossas vidas e dentro dele passamos parte do dia em deslocamento nas cidades, mesmo que uma série de inovações e campanhas por mudanças de hábito estejam em andamento. Interessada em descobrir o que costumamos fazer enquanto dirigimos – e dedicamos parcela importante do nosso dia nesta tarefa – a Citroen realizou estudo mundial no ano passado e pretende usar este conhecimento para direcionar o desenvolvimento interior dos seus novos modelos.

 

 

Apesar de a pesquisa ter sido divulgada em setembro de 2016, sites brasileiros voltaram a tratar do tema nesta semana e o assunto foi motivo de conversa, nesta terça-feira, no Hora de Expediente, quadro que apresento com Dan Stulbach, José Godoy e Luis Gustavo Medina, no Jornal da CBN. Além de uma bate papo divertido, o assunto mexeu com os ouvintes da rádio que compartilharam conosco o que costumam fazer enquanto estão no trânsito.

 

 

Conforme a pesquisa da montadora, os brasileiros são os que mais tempo ficam dentro dos veículos ao longo da vida: 4 anos e 11 meses. E refém desta situação, a maioria passa o tempo cantando suas músicas favoritas, o que não surpreende. Como o resultado é baseado em respostas de motoristas e caronas, talvez seja motivo de melhor investigação a informação que a segunda atividade que mais realizamos enquanto dirigimos é agradecer a outros motoristas. Você acredita nessa? Em terceiro lugar no ranking nacional, muito mais crível, apareceu o hábito de falar sozinho. Quem não faz isso?

 

 

Se você quer o resultado completo do trabalho realizado pela Citroen, pode acessar este link. Mas, antes, siga até o fim do texto porque vou apresentar agora o resultado da enquete que realmente nos interessa, que foi realizada com os nossos ouvintes e da qual participaram 141 pessoas.

 

 

E como são nossos ouvintes o que mais eles poderiam dizer que costumam fazer enquanto dirigem: ouvem a CBN, lógico. Que baita orgulho, hein! Com variações sobre o mesmo tema, 36% disseram que acompanham nossa programação como atividade preferencial:

 

 

“Amo conversar com o rádio, principalmente com vc Milton e com a CBN. Participo de todas as entrevistas, dou opinião, sugiro o que tem que ser feito, porém, é uma pena que não sou ouvida …. rsrs” – Adriana Natale Cera

 

“Acho muito bom quando você o Dan, o Luiz Gustavo e José Godoy se reúnem! O humor sarcástico de seus convidados me diverte muito! Respondendo sua pergunta, é disparado que o que mais faço quando estou em meu carro de manhã é ouvi-los aí na CBN e conversar com vocês ao mesmo tempo, ainda que não saibam disso. Já, no período da tarde, é escutar música, xingando ao mesmo tempo a “cambada” de mal educados no trânsito aqui de Goiânia. Que stress, viu!” – Raquel Canella

 

Os motoristas cantores também apareceram em destaque na enquete, ficando em segundo lugar com 14% das preferências.

 

“Além de cantar muito e alto, eu toco vários instrumentos imaginários, principalmente bateria e guitarra!” – Victor Triverio

 

“Eu danço sertanejo, então eu pego batidas com as mãos e com as viradas de cabeça….isto é viciante kkkkk” –  Felipe Mattos

 

Em terceiro um empate entre respostas politicamente corretas e outras nem tanto: 10% dos ouvintes disseram que quando estão no carro apenas dirigem e ficam atento ao trânsito em função dos muitos riscos que enfrentam; já outros 10% garantem que o melhor a se fazer é “limpar o salão” – se é que você me entende. Isso mesmo, ficam cutucando o nariz. Só não explicaram onde a sujeira vai parar. Será que as montadoras tem uma solução para este hábito?

 

“Sem dúvida, cutucar o nariz, tirar meleca e fazer bolinhas” Cláudio Santana

 

Falar sozinho que pode ser tão estranho quanto cantar apareceu em quinto lugar na nossa classificação com 8,5% da preferência dos motoristas:

“Vou falando o trajeto tipo GPS humano” – Rita Loureiro

 

“Geralmente eu tento conversar com meu marido, mas ele fala pouco então é meio que estressante…” – Daniele

 

No elenco de respostas encontramos ainda ouvintes religiosos que passam o tempo no trânsito rezando ou conversando com Deus; os vaidosos que lixam as unhas e passam o rímel; os apaixonados, que aproveitam para beijar; os irritados que xingam motoristas que consideram mal-educados; e as celebridades:

 

“Tiro selfies ! – Deylor Pires

 

Aliás, está é uma curiosidade: apesar de sabermos que hoje é comum assistirmos aos motoristas consultando o celular ao mesmo tempo que rodam na cidade, exceção a um ouvinte ninguém mais se entregou cometendo esta irregularidade.

 

No estudo de comportamento da Citroen, o hábito também não apareceu, porque a montadora francesa preferiu deixar a resposta fora da pesquisa com a intenção de não incentivar um costume extremamente perigoso.

 

Uma coisa que descobri ao ler atentamente cada uma das mensagens enviadas ao Jornal da CBN foi que alguns motoristas – no caso, algumas motoristas – aproveitam para “dar uma cantada”.

 

Depois de ouvir que o Dan Stulbach, enquanto dirige, gosta de dar beijos, hábito que aparece entre os cinco mais comuns entre os motoristas brasileiros, leia o que escreveu a Cynthia:

 

O Dan quer uma carona? – Cynthia Santos

 

Beijos a vocês todos que aceitaram participar desta brincadeira no Jornal.

 

Amanhã tem mais!

Ecos do carnaval: roteiro de acidentes é lugar-comum no Brasil

 

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Vítimas de acidente são atendidas no Sambódromo (reprodução site CBN)

 

 

Perdão pelo lugar-comum. Sei que poucas coisas são tão antigas quanto a expressão “ecos do carnaval”. Leio e ouço isso desde os tempos em que a mãe pintava um pinico na minha testa e me convencia que era o suficiente para estar fantasiado para o baile de carnaval dos Gondoleiros, clube da zona norte de Porto Alegre do qual meu avô era sócio remido – e reproduzo aqui essa informação pois lembro que na infância imaginava que esta categoria de associado era destinada às famílias nobres e, portanto, tinha orgulho de contar aos amigos.

 

 

O uso da palavra “eco” é uma desculpa que costumamos usar quando queremos voltar a escrever sobre assuntos que parecem esgotados, mas ainda reverberam na nossa cabeça. É o meu caso neste momento.

 

 

Mesmo depois de três semanas seguidas de festa, o carnaval ainda nos oferece subsídios para reflexão, especialmente diante dos acontecimentos no Sambódromo do Rio de Janeiro, onde dois carros alegóricos, da Paraíso do Tuiuti e Unidos da Tijuca, estiveram envolvidos em acidentes ferindo ao menos 30 pessoas, entre as quais algumas com gravidade.

 

 

Um dos diretores da Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – Elmo José dos Santos comparou os dois acidentes na Marques de Sapucaí a desastres de avião, mas não para revelar a dimensão da tragédia: “Tudo pode acontecer. O avião não cai? O avião não foi feito para cair, mas ele também cai. Então tudo pode acontecer”.

 

 

Infeliz comparação.

 

 

Apesar do clamor popular que acidentes de avião geram, por motivos óbvios, é inegável a seriedade com que os agentes envolvidos – fabricantes, companhias aéreas, engenheiros, pilotos, autoridades entre outros – tratam a questão da prevenção. Atitudes como as que levaram a tragédia da Chapecoense são raras. Se em lugar de desdenhar da gravidade dos acontecimentos no Sambódromo, o dirigente se espelhasse na forma como o setor aéreo atua, provavelmente estaríamos aqui apenas comemorando o título da Portela (aliás, eu nem estaria aqui escrevendo).

 

 

Por coincidência, ao mesmo tempo em que nossos carros alegóricos se envolviam em acidentes, no Rio, o mundo se mostrava escandalizado com a gafe proporcionada pela organização do Oscar, o maior prêmio do cinema internacional.

 

 

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Gafe histórica no Oscal (Reprodução site CBN)

 

 

Apenas para relembrar: os apresentadores Warren Beaty e Faye Dunaway anunciaram “La la land” como melhor produção quando o vencedor na categoria havia sido “Moonlight”. A PwC – PriceWaterhouseCooper, auditoria contratada para a apuração dos votos dos 6.600 jurados do Oscar, assumiu a responsabilidade pelo erro, imediatamente. Um de seus funcionários, no mínimo descuidado, entregou o envelope trocado aos apresentadores, enquanto ainda curtia o resultado de uma selfie com Emma Stone, vencedora na categoria melhor atriz.

 

 

A retratação não foi suficiente para a PwC, uma das empresas de auditoria e consultoria mais conhecidas do mundo, presente em 157 países, cerca de 223 mil colaboradores e receita bruta de US$ 35,9 bilhões, em 2016. Sua história não resistiu ao erro humano e a organização do Oscar cancelou o contrato e a parceria que durava oito décadas. Manchou seu legado.

 

 

Aqui no Brasil, a Liesa premiou as escolas responsáveis pelos carros alegóricos acidentados ao decidir que, neste ano, não haveria rebaixamento para não prejudicar as agremiações. E, sem pestanejar, isentou de culpa o engenheiro Edson Marcos Gaspar de Andrade, que certificou o carro da Paraíso do Tuiuti. Um engenheiro pra toda obra, como destacou em manchete o jornal O Globo, ao constatar que ele tem longa ficha de serviços prestados à Liga e a nove das 12 escolas de samba do grupo principal, no Rio.

 

 

O mais triste é perceber que tanto quanto a expressão “ecos do carnaval”, o comportamento da Liga das Escolas de Samba diante dos acidentes é lugar-comum no Brasil. A maneira leniente com que a Liesa trata o assunto é a mesma que permitiu a morte de 242 jovens na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), e causou o maior desastre ambiental que se tem notícia, além de ter matado 19 pessoas e deixado milhares sem abrigo, em Mariana (MG). Infelizmente, não faltariam exemplos se quiséssemos estender essa lista de tragédias. E não nos faltarão no futuro. Ao menos enquanto políticas de segurança e prevenção não se transformarem, estas sim, em lugares-comuns no Brasil.

Avalanche Tricolor: o talento de Miller Bolaños

 

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Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Miller, o craque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grenal disputado na noite deste sábado – quem diria que o clássico já mereceu um domingo só pra ele – teve muitos dos ingredientes que se espera para uma partida com esta tradição.

 

Teve chuva, provocação, boas jogadas e algumas pixotadas.

 

Teve jogador que fez o jogo maior, teve quem foi a campo apenas para provocar.

 

E, claro, teve um pênalti que não foi marcado logo nos primeiros minutos de partida, que poderia ter feito uma baita diferença (ou você também acha que aquilo não é pênalti?). Mas isso não chega a ser nenhuma novidade.

 

Diante de tantos fatos ocorridos, pontapés desnecessários e variação no placar, permita-me, caro e raro leitor desta Avalanche, falar daquele que considerei o mais importante: Miller Bolaños.

 

Nosso gringo desencantou de vez, após uma temporada abortada por um cotovelaço que também não foi punido pelo árbitro. Joga com autoridade e coragem. Tem passada larga e passe refinado. Corre de cabeça em pé e enxerga o jogo com facilidade. Por isso, é solidário, também. Abre espaço para os companheiros chegarem em condições de marcar. Chuta forte e sempre no gol.

 

Por falar em gol: abriu o placar ao receber bola de Pedro Rocha em contra-ataque e o fez com talento, pois apesar de chegar à frente da defesa tinha pouco espaço para disparar o chute. Deu um toque para ajeitar a bola e outro para colocá-lo no ângulo. A maioria bateria de primeira e com grande possibilidade de despachar pela linha de fundo. Miller não. É preciso quando precisamos dele.

 

A qualidade do equatoriano o torna alvo dos adversários. É combatido o tempo todo e muitas vezes de forma violenta. É lamentável que os árbitros permitam que ele seja caçado por toda a partida. Não bastasse a impunidade à violência, ele é repreendido com cartão por cobrar justiça, como aconteceu hoje à noite.

 

Miller Bolaños foi protagonista do Grenal, e com seu futebol elevado a um nível superior dos demais promete ser protagonista da Libertadores, que começa semana que vem.

 

Obs:  tive a impressão que ao fim da partida e com o quinto lugar ameaçado na tabela de classificação do Campeonato Gaúcho, teve um time que comemorou o empate na Arena? É verdade?

Conte Sua História de SP: saudades dos aviões da PanAir que jamais voei, em Congonhas

 

Por Rubens Cano de Medeiros

 

 

 

 

De meus atuais 69 aninhos, os primeiros vinte foram acolhidos por nossa modesta casinha – que “nossa” nem era – na então romântica Vila Mariana. Desde 1948. Eu tinha um mês de vida.

 

Foi então que a Avenida 23 de Maio resolveu chegar e arrasou a colossal chácara. com a qual nosso quintal confrontava. Tivemos que mudar: “mudaram-nos”, na verdade!

 

E fomos para uns dez quilômetros de longe, Vila Guarani, perto da cabeceira da pista de Congonhas, “do lado do Jabaquara” – a casinha que viemos a construir era nossa de verdade.

 

Lembro bem. Nossos novos vizinhos, solícitos; um simpático casal de portugueses, “seu” José e dona Amália, filha brasileira. Ele, mecânico de aeronaves. Da Varig, num dos hangares de Congonhas. Gente boa!

 

“Duas pátrias, um só coração” – era o laborioso mecânico de além-mar. Amava o Brasil. Amava Portugal. Lembro, ele me confidenciava – “ia até as lágrimas”, emoção e saudade! Bastava que visse o avião! Só de ver!

 

Trabalhando, pois, no Aeroporto, calhava de ele ver o belo quadrimotor “a pistão”, Douglas DC-7C, branco, prata e traços verdes! Belo pássaro! Muitos lembrarão.

 

Lembro, também. Era o “Voo da Amizade” – trazia, inscrito na fuselagem, o possante quadrimotor americano: “Panair do Brasil – TAP” (a empresa portuguesa). São Paulo a Lisboa (e vice-versa, pá!).

 

Sim, sinhoire! Bastava o “seu” José ver o avião – “em pessoa” – “ver é preciso; voar nem é preciso” – que até lágrimas – dizia-me ele – gotejavam-lhe no macacão de brim azul… Eram, pois, lágrimas da Panair!

 

Sempre gostei dos aviões. Notadamente os que me sobrevoavam a infância, a adolescência, a mocidade. Dentre eles, o Douglas DC-7C, Seven Seas, chamava-o a mãe, a fábrica Douglas, da California. Era “meu preferido”!

 

Como não lembrar? Belo, veloz, possante – mesmo em não sendo um jato; confortável, espaçoso. Hélices que refulgiam à luz do sol, cintilavam sob luar: poético, inclusive! O que eu diria dele? Viagens transoceânicas. O que eu achava? Soberano! Meu preferido! Douglas DC-7C! Eu não o trocava por outro!

 

Quantas vezes nele voei, eu?! Ora: nunca, jamais, nenhuminha. Nem em avião algum – nem teco-teco! Agora, morrer, morri… mil vezes. Se morri. De vontade. De entrar, lá no Congonhas, no “Voo da Amizade” – voar, São Paulo – Lisboa, Lisboa – São Paulo.

 

Quando voltasse – ah! –, assim que a porta do DC-7C abrisse, eu… Do alto daquela escada de embarque (e desembarque)… Lágrimas? Não. Respeitosamente, eu, não! Eu… Eu ia era descortinar um enorme sorriso – alegria, contentamento, emoção!

 

Eô-eô – voei! Um sorrisão! Um sorriso, da Panair – sim, senhoire!

 

Pena que findou.

 

Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Vera Martins diz o que é preciso para desenvolver sua inteligência emocional

 

 

A pessoa inteligente emocionalmente, diante de uma situação difícil, não fica focada no problema, foca na solução; a pessoa que não é assertiva, foca no problema para se desculpar de tudo que está enfrentando. Essa diferença de comportamento define na maior parte das vezes o sucesso frente aos desafios que o profissional encara no mercado de trabalho, segundo a educadora e coach Vera Martins. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Martins elenca aspectos importantes que nos ajudam a desenvolver a inteligência emocional, tais como resiliência, atitude e auto-percepção. Vera Martins é autora do livro “O emocional inteligente – como usar a razão para equilibrar a emoção” (Auta Books Editora).

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: entusiasmo de Endres superou o da torcida, na Arena

 

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Primeira Liga – Arena Grêmio

 

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O entusiasmo de Felipe Endres no comando do Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GremioFBPA

 

Tinha gente com nome estranho: Rex e Ty, por exemplo. Tinha jogador com nome de outros jogadores: Rondinelly e Jeferson Negueba. Tinham alguns que já havíamos assistido: Wallace Oliveira e Lucas Coelho. A maioria, porém, eu jamais havia ouvido falar – e perdão por esta minha ignorância.

 

O time que o Grêmio levou a campo sequer era o reserva. Nem de alternativo foi chamado pelos jornalistas. Era mesmo o time de transição, pois, soube por eles, costuma representar o clube na copa que a Federação Gaúcha de Futebol inventou para manter as equipes do interior em atividade depois do Campeonato Gaúcho.

 

Com muitos jogadores que provavelmente serão emprestados o mais breve possível, era de se esperar pouco daquela equipe que tinha pela frente um adversário com pretensões na Primeira Liga, coisa que não temos desde que começamos a disputar esta competição. Por isso, as falhas que nos fizeram tomar o gol no primeiro tempo não me surpreenderam. Nem a apatia e dificuldade para trocar bola no campo de ataque.

 

Contagiante para mim foi a presença do técnico Felipe Endres e sua barba que impõe respeito, no banco de reservas. Apesar de interino e no comando de uma equipe sem muita expectativa, mostrou-se disposto a acertar o passo e ajustar o time da forma que podia: gritava, sinalizava e esbraveja a todo momento. Tenho quase certeza que foi esta sua agitação e entusiasmo que mexeram com o time no intervalo, pois na volta para o segundo tempo havia um outro ânimo a empurrar o Grêmio.

 

Jogamos melhor do que o adversário, apesar de seguirmos colocando em risco nosso goleiro Bruno – o Grassi, esse sim velho conhecido e de bons trabalhos prestados. Estivemos mais tempo com a bola no pé, mesmo que em alguns momentos isto fosse motivo de trapalhadas. E mais próximo da vitória. Mas ficamos mesmo foi no empate com uma bola lançada dentro da área e cabeceada ao gol por Lucas Rex, um zagueiro grandalhão que promete muito.

 

Ao fim e ao cabo, o resultado foi bom e mantém o time a uma vitória da próxima fase da Primeira Liga que, pelo que entendi, será apenas no segundo semestre do ano.

 

Os menos de 3 mil torcedores que foram a Arena davam a dimensão do interesse do Grêmio na partida de ontem à noite. Até porque, convenhamos, na Semana Gre-nal o que mais pode nos interessar além do próprio Gre-nal? 

 

Em tempo: agora à noite, leio no ClicRBS que Felipe Endres é filho do doutor Alarico Endres, que salvou muita gente do tricolor nos anos dedicados ao departamento médico do Grêmio. Tá explicado tanto empenho ao lado do campo: tem pedigree. Parabéns a família Endres!

Não aborde seu chefe no banheiro!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Com a folga liberada pelo Carnaval resolvi dar uma olhada geral em meus livros. Eis que, o passado de quinze anos surgiu através de Max Gehringer com o título “Não aborde seu chefe no banheiro!”. No livro, Gehringer enfatiza que é preciso evitar a qualquer custo:

 

  • Falar com o chefe se ocasionalmente encontrá-lo no banheiro
  • Interromper o chefe por gestos com ele ao telefone
  • Explicar a fala do chefe quando ele terminar de falar
  • Tratar o chefe como “intimo” na frente de terceiros
  • Interromper o chefe

 

Antes de prosseguir na leitura de tópicos que me levaram ao passado de forma divertida e inteligente, não pude deixar de recordar uma experiência similar que tive.

 

Foi em 1975 no CDI Conselho de Desenvolvimento Industrial do Ministério da Indústria e Comércio, ainda sediado no Rio de Janeiro. Estava acompanhando o processo que tinha encaminhado para obtenção de isenção de tributos sobre equipamentos têxteis no expressivo valor de US$ 500 mil, correspondendo a 100% do preço.

 

Os equipamentos estavam no porto e a empresa precisava da isenção porque os impostos não tinham sido previstos. A fábrica já estava pronta aguardando os teares.

 

Não havia tempo a perder, tomei um avião e me dirigi à sala do Secretário Geral Dr. Bello, homem forte do setor predominante naquela fase de crescimento do país. Na espera do atendimento a ser feito, vi quando o Secretário se dirigiu ao banheiro. Fui atrás e posicionado ao lado dele, cumprimentei-o declinando meu nome e o da minha empresa.

 

Sem aperto de mão, claro!

 

Dias depois recebi o telefonema do Assessor, informando que o meu pedido fora aprovado, e  a cena do banheiro foi citada pelo Dr. Bello como prova do árduo trabalho que desenvolvia no ministério.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

“O Contador”: aproveite que ainda é Carnaval e assista a este ótimo filme

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“O Contador”
Um filme de Gavin OConnor
Gênero: Ação/Suspense
País:USA

 

Christian é autista e desde criança sofre as agruras desta condição. Essa mesma condição o faz ter uma habilidade incomum com números, e em seu escritório de contabilidade acaba ajudando organizações criminosas. Em determinado momento, é contratado para checar os livros contábeis de uma empresa de próteses, pois uma contadora jr. descobre que há algo de errado… Chris revela uma fraude que coloca em risco sua vida, mas vocês verão, que, além de contador, ele é uma máquina de guerra…

 

Por que ver:

 

Esse tipo de filme acaba colocando em cheque nosso julgamento moral, pois o Crhis é aquele personagem que você não consegue definir se é bom ou mal… te faz perceber que nem tudo é assim tão preto no branco…

 

Se segura na cadeira pois as cenas de luta e ação são fantásticas e violentas.

 

Roteiro instigante, que é revelado aos poucos, e bastante coerente apesar da estranheza que o personagem, que parece um nerd, é capaz de causar. A história explica como ele virou aquela super máquina de combate, mas, mesmo assim, se a gente pensar bem, é estranho.

 

Um filme que vale a pena ser visto!

 

Como ver:

 

Amigos, família… Mas lembre-se: tem muita violência e mortes.

 

Quando não ver:

 

Com os menorzinhos…. Vai roalr muitos pesadelos…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: sem exagero!

 

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Gaúcho – Vieirão – Gravataí

 

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Miller e Ramiro marcaram os gols, foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

 

É exagerado este futebol, não?

 

O acanhado estádio da cidade de Gravataí, com direito a estacionamento logo atrás do gol e arquibancadas expostas ao sol intenso do verão gaúcho, tem, oficialmente, oito mil lugares. Dizem os registros que foi inaugurado em 2008 e batizado Antonio Vieira Ramos, um dos fundadores do Cerâmica, que alugou o local para o Cruzeiro, ex-Porto Alegre, levar suas partidas enquanto  espera a entrega do seu estádio próprio.

 

O fato de o estádio ser enxuto e ter dependências simples não impede de o pessoal da cidade chamá-lo de Vieirão. Soa quase como uma brincadeira entre amigos. Aliás, como fazíamos nos tempos de guri quando convidávamos os colegas para uma pelada no “Areião” ou no “Aterrão”, que nada mais era do que um pedaço de terra pura, com uma sequência de buracos a serem driblados a cada ataque e goleiras sinalizadas com pedaços de pau que, em todos os jogos, tínhamos de cravar novamente, porque um espírito de porco fazia questão de arrancá-los nos dias sem jogos.

 

O uso do aumentativo se disseminou com narradores esportivos que exageram na dose para compensar a baixa qualidade do espetáculo que transmitem pelo rádio e TV. Por exemplo, em toda minha vida vivida no Rio Grande do Sul e isso significa até 1990, só lembro de a competição estadual que disputávamos ser chamada por seu nome próprio: Campeonato Gaúcho. Hoje, quando sua importância é restrita, tem menos clubes e tempo de duração menor, é Gauchão.

 

Nada mais contraditório, porém, do que o apelido dado aos goleiros de futebol. Independentemente do tamanho do frango que engolem ou das falhas que cometem, todos invariavelmente são chamados de “goleirão”. Às vezes com ironia, mas na maior parte das vezes por mania.

 

Não vou entrar aqui em outro dos exageros comuns que cometemos ao falarmos de futebol que é o de transformar em craque qualquer um capaz de dar um drible a mais no adversário. Pode ser um passe de letra, uma pedalada sem sequência ou uma assistência que permita que o colega bote a bola para dentro, tudo isso já é suficiente para cutucarmos o amigo sentado ao lado na arquibancada: “bom de bola esse guri, bate um bolão que só vendo, heim!”.

 

Dito isso e colocando de lado os exageros, vamos a partida deste Sábado de Carnaval.

 

A vitória de 2 a 0, mesmo que não tenha tido desempenho capaz de agradar Renato, e é bom que seja assim mesmo, me marcou pelo desempenho de alguns de nossos jogadores:

 

Marcelo Grohe e suas defesas no primeiro tempo, especialmente a do pênalti, que convertido causaria um estrago tremendo, mais uma vez mostrou que é uma baita goleiro.

 

Miller com sua movimentação no meio de campo, distribuição de jogo e um golaço de fora da área quando o time não estava jogando lá essas coisas, deixou mais uma vez claro que é um baita jogador.

 

Ramiro com mais um gol na estatística, batendo de primeira a bola cruzada por Lincoln, tem se revelado um baita cara.

 

Tudo bem, não foi um jogão, mas podemos dizer que Grohe foi um goleirão, Ramiro bateu um bolão e Miller merece o título de o craque do jogo disputado no Vierão. Sem exagero!

Conte Sua História de SP: meu primeiro Carnaval de rua, na Vila Esperança

 

Por Wagner Nobrega Gimenez

 

 

Imagine a época em que ainda existia Carnaval de rua em São Paulo. Hoje, essa tradição está voltando. Eram cordões, bandinhas com instrumentos rudimentares, confete, serpentina, gente fantasiada e muita alegria. Tudo o que se tinha direito a um bom desfile popular. Nunca eu havia assistido nada parecido e ainda era ao vivo e em cores, como se dizia naquele tempo.

 

Para nós, o Carnaval eram aqueles fatídicos banhos de espuma ou de água das guerrinhas que os moleques faziam entre si e que também jogavam nos poucos carros que passavam pelas ruas do Brás, onde eu morava na minha infância.

 

Meu cunhado tinha uma “parenta” na Vila Esperança, na zona Leste, onde lá sim desfilava um tradicional bloco carnavalesco. Todo ano, ele tentava me carregar para lá, mas a minha mãe não deixava: “Carnaval é confusão, dá briga, tem homem vestido de mulher, uma coisa absurda, não é bom para o menino”.

 

Mas, naquele Carnaval, já com 10 anos, consegui uma deixa para que fosse com ele e com a minha irmã: “Ele já está grandinho, não há problema, mamãe, nós vamos olhá-lo bem”, dizia ela.

 

Imediatamente, fui contar a novidade para todo mundo na rua: “pessoal, eu vou no Carnaval, vou sair fantasiado, vou até aparecer na televisão”. É claro, tudo mentira, e os garotos não acreditaram, mesmo assim ficaram com a maior inveja. Eles também não saiam muito longe, para nada além de ir à Igreja ou à escola, uma ou outra quermesse. Filmes também eram na Paróquia Santa Rita de Cássia, sabe, igual ao Cine Paradiso; só uns anos depois abriu na Avenida Celso Garcia, o Cine Universo. Agora é um prédio da Igreja Universal (combina um pouco com o nome antigo, não?).

 

Na verdade, a questão é que o tal do desfile era na terça-feira, chamada Gorda. Sinceramente não sei o porquê deste apelido.

 

Neste dia a rua da minha casa, devido ao feriado, parecia uma cidade abandonada: ninguém, nenhuma viva alma, nada para fazer, toda a garotada aproveitando para dormir até tarde. Nas casas preparavam-se almoços que seriam regados à cerveja ou vinho e depois o pessoal iria roncar nas poltronas das salas ou nos quartos, como preferissem.

 

Tudo muito calmo, menos eu. É que na noite passada não consegui dormir direito …

 

e havia acordado de mau humor. Imaginem um molequinho de mau humor, nada mais engraçado, não é?

 

“Meu filho, quer mais manteiginha no pão?”
“Nada não.”
“Porque isso benzinho, você sempre come bem de manhãzinha”
“Não enche mãe, estou esquisito hoje”
“Olhe, não responda assim que o papai do céu castiga, hem!”
“Chega disso, só quero café preto e pronto, estou muito nervoso”.

 

Então saí pela rua deserta. Bati na casa dos coleguinhas. Que nada, muitos tinham saído, outros ainda estavam dormindo, nenhum movimento a não ser os visitantes que chegavam com as suas roupas de domingo. Meus outros dois irmãos haviam viajado para o interior, para uma chácara de meu tio. Arre, meus pais, o que eu iria ficar fazendo com eles até a chegada da hora do desfile?

 

Naquela época não gostava de ler. Na TV não tinha programa bom e nem tampouco havia transmissão de desfiles de carnaval. O rádio era exclusividade do meu pai quando estava em casa.

 

“Vai comprar uma meia dúzia de ovos para eu fazer uma omelete.”

 

Lá fui eu na venda, comprei o que minha mãe pediu, voltei para casa. Daí que olhei para o relógio e parecia que ele estava parado, petrificado. A bendita hora não passava.

 

“Mãe, que horas é o desfile lá na Vila Esperança?.”
“Às 3 da tarde, ainda falta muito, são 10 horas ainda”

 

Ficava cada vez mais ansioso, sentia o coração acelerado. Não conseguia me controlar. Não podia imaginar nada, só ficava martelando na minha cabeça aquele Carnaval que não chegava nunca.

 

Saí no quintal e resolvi jogar bola. Pô, que coisa mais chata. E brincar sozinho, poderia? Sim, mas não naquele dia. Minha imaginação parecia bloqueada, branca, opaca, sei lá. Outra vez conferi o horário: 10 e quinze. Súbito pensei que ia enlouquecer. Nunca havia tido isso antes e fiquei com muito medo e afastei rapidamente aquela onda de energia malévola.

 

Bom, podia sair na rua e andar. Fiz isto. Estava com muita ansiedade. Porém ia até o fim da rua e voltava. Nem para isso eu estava criativo. Fiquei assim até a hora do almoço. Então resolvi comer bastante para passar mais o tempo.

 

“Nossa você comeu tanto hem, vai fazer mal, cuidado.”
“Não se preocupe, estou com fome mesmo.”

 

Depois de almoçar, escovei os dentes, tomei banho, me troquei e fiquei prontinho esperando o casal chegar para me levar ao tão esperado evento. Fiz tudo isso devagar, ganhando tempo, e aí com muito receio verifiquei: era 1 e meia  da tarde, faltavam 60 minutos, 1 hora inteirinha para nós sairmos do meu bairro até o local do grande encontro.

 

Passei o período restante contando minuto por minuto até deixar minha casa.

 

Para chegarmos lá, também a hora não passava. Pior. Foi um congestionamento, tudo por causa do excesso de carros e de pessoas nas ruas, o que atrasou bastante a nossa chegada.

 

Ainda mais essa!

 

Chegamos bem depois das 3, nem sei que horas eram, e o desfile já estava no fim, tinha só um carro; e uns músicos; e umas poucas pessoas fantasiadas.

 

Mesmo assim adorei aquele espetáculo: maravilhoso, lindo, deslumbrante. Sabe o que eles cantavam: “O trem das Onze” do Adoniran Barbosa, era a marchinha final do dia.

 

Valha-me Deus, a minha alegria era tanta que até chorei. E ria também.

 

Sinceramente sentia vontade de entrar no meio deles e sair sambando e cantando, mas não podia, porque tinha um cordão de isolamento.

 

Todavia a minha satisfação foi enorme, pena que acabou rápido demais, o meu primeiro Carnaval de verdade.

 

Wagner Nobrega Gimenez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br .