“X-Man” – Apocalipse: se é X-Man, assista!

 

Descobri nos “drafts” do meu blog, este texto da Biba Mello, escrito ano passado, com mais uma boa dica de filmes. Por erro deste blogueiro, não programei a publicação do post e lá ficou pendurado. Aproveito que estamos em férias para trazer esta sugestão da nossa colunista (desculpa aí, Biba!)

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“X-Man : Apocalipse”
Um filme de Brian Singer
Gênero: Ficção
País:USA

 

Apocalipse, o primeiro mutante, retorna após milhares de anos adormecido. Seu poder é estrondoso pois sua habilidade é tomar o poder de outros mutantes, inclusive se mudar para um novo corpo, jovem e poderoso, tornando-o imortal. Ele recruta jovens mutantes para juntos destruirem toda a humanidade. Xavier, por sua vez, com a sua turma do bem, entra em conflito com este enorme mal para salvar o planeta desta destruição completa.

 

Por que ver:

 

“Gentem”, e tem X-Men ruim? Nãaaaaooooo! Não tem! Espetáculo garantido.

 

Até quem não curte muito ficção como eu, curte! Meu marido sempre fala: “amor, é X-Men, não tem como você não gostar”… Ele sempre acerta!

 

O que mais gostei do filme foi ver os X-Mens jovens. Também mostra como a Tempestade virou a tempestade, e entendemos o porquê muitos deles se tornaram o que são hoje…

 

Como ver:

 

Como, quando e onde quiser!

 

Quando não ver:

 

Desculpem os muitos chatos, mas X-mens é fundamental ! Assistam!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Quando proibir vira moda, a vítima é sempre a moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Miss Brasil Sataël Maria Rocha Abelha posa de maiô acompanhada de outras misses no último concurso antes da proibição de Jânio

 

 

Jânio Quadros, em 1961, de Brasília, com o intuito de moralizar, proibiu o uso de biquíni dentre tantas outras medidas.

 

Pery Cartola, em 2017, de São Bernardo do Campo, com a intenção de educar, proibiu decotes num Manual de Etiqueta tão controvertido quanto genérico.

 

Quadros em contencioso com o Congresso renunciou antes da ebulição das pitorescas proibições. Cartola após descuidada entrevista ao SPTV transformou as proibições em sugestões.

 

As mídias sociais e também as convencionais, como a VEJA e o FANTÁSTICO, absorveram o espetáculo e abriram espaço para Pery Cartola e as advindas repercussões.

 

Muito espaço e pouca análise.

 

Isentando o mérito intencional de Jânio e Pery, fica claro que lidar com o tema de moda mesclado com comportamento, etiqueta, elegância, civilidade e moda propriamente dita não é tarefa para leigos.

 

Se a intenção é orientar para que as pessoas estejam mais seguras e felizes com o modo de vestir, adequando o local com o próprio estilo de vida e refletindo o padrão profissional escolhido, é preciso transmitir o conhecimento existente sobre a moda.

 

O “Manual de Cartola” evidencia uma boa intenção totalmente perdida sob o aspecto técnico. Ora é um código de vestimenta profissional, ora é um apanhado de produção de moda, ora um almanaque com dicas como aquela da meia como extensão da calça, ou dos cuidados com babados e rendas.

 

Entretanto, o mais importante deste episódio de São Bernardo pode ser a sinalização da adequação de pessoas ao trabalho em uma Câmara de Vereadores, menos do que a impropriedade das respectivas maneiras delas se vestirem.

 

A Moda é tecnicamente uma forma das pessoas comunicarem seu estilo de vida, seu comportamento. Se há descompasso deste modus vivendi com o seu trabalho, o problema não está nas roupas, mas na escolha da profissão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de São Paulo 463 anos: minha padaria em Higienópolis

 

Por Paulo Mayr

 

 

Estou em Higienópolis e na minha padaria tem de tudo.

 

O João, homem experiente de uns 70 e poucos anos, já me contou emocionado que mais de uma vez, quando era estudante, havia apenas um ovo na geladeira para o jantar. Formou-se em Direito. Desde sempre, trabalhou. Começou como boy. Quando se formou, já era gerente na área administrativa e não quis voltar à estaca zero no Direito. Aposentou-se como Diretor. Nunca redigiu uma única petição na vida, mas não sai de casa sem o anel vermelho de doutor.

 

O Reinaldo formou-se na Poli. Também se aposentou em alto cargo, mas em empresa pública. Executivo dinâmico de outrora, hoje a primeira, a segunda, a terceira e a milésima impressão que se tem dele é de que vive para polemizar. Seja o assunto que estiver em baila, ele sempre tem uma opinião, a que dê mais margem para discussões intermináveis. Não pense que entro no jogo dele, não: ele diz uma coisa, seja qual for, eu concordo lacônica e monossilabicamente.

 

Os donos da padaria são o pai e dois irmãos. De manhã, o irmão mais velho, um encanto de pessoa, se desdobra em dez. O irmão da tarde chega a ser famoso no bairro: não há um único cliente com quem ele já não tenha se desentendido. O da manhã bate escanteio e corre pra área pra cabecear. A primeira coisa que o da tarde faz ao chegar é tirar uma atendente do balcão e bota ela no Caixa. Ele vai para a calçada acende um cigarro e lá permanece.

 

Com frequência, alguém estaciona ocupando duas vagas. O segurança não tá nem aí. Certamente, imagina que a função dele é evitar um novo 11 de setembro.

 

A Drika, hoje minha amiga, que toda semana janta em casa, é loira, magra, muito bonita, filha de comerciante famoso e rico, bem estabelecido na José Paulino.
Apesar de toda mordomia, prefere ganhar a vida como sacoleira: vende roupas para funcionárias e clientes da padaria, além das balconistas das lojas vizinhas.

 

A figura mais curiosa: um cara que está sempre de óculos escuros e falando ao celular. O assunto, digo, a cifra é sempre a mesma: ou está comprando empresas de alguns milhões de dólares, ou está vendendo empresas de outros milhões de dólares. Eu imaginava que fosse um milionário exótico que, em vez de fechar negócios no escritório, que, certamente, tinha no prédio mais sofisticado da Faria Lima, ficava ali mesmo na padaria tomando decisões de tal envergadura. Pois bem, garantiram-me que nunca há pessoa alguma na outra ponta da linha do celular. Ele está sempre falando sozinho, só para impressionar a plateia.

 

Faça chuva ou faça sol, bato ponto diariamente na padaria. Onde mais me divertiria tanto sem pagar um único centavo de couvert artístico?

 

Paulo Mayr é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar também sua história na cidade: envie o texto para milton@cbn.com.br. 

No aniversário de SP, uma galeria de fotos para destacar a beleza da cidade

 

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(texto e foto de divagação)

 

A cidade de São Paulo tem uma galeria só para ela e que fica na loja 22 da área comercial do símbolo da cidade, o histórico edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer.

 

São fotografias do skyline da Avenida Paulista, aéreas do centro, prédios históricos como o Martinelli, o Itália, o Altino Arantes (antigo Banespa), o São Vito (demolido em 2011), o Teatro Municipal, a Catedral da Sé, além de vistas do Copan, que também é retratado pelas lentes do premiado fotógrafo RenattodSousa (dois Nikon Photo International e dois Prêmios Abril de Jornalismo).

 

A foto galeria exibe uma exposição permanente de imagens de São Paulo, impressas e montadas em diferentes materiais como canvas (tela de algodão), metacrilato, molduras tradicionais, echarpes, entre outros.

 

No aniversário de São Paulo a galeria estará aberta. A visitação é gratuita.

 

Serviço

 

RenattodSousa Foto Galeria
Endereço: Avenida Ipiranga, 200, loja 22, edifício Copan.
Telefone: (11) 3237-0056
Funcionamento: de 2ª a sábado, das 11 às 19 horas.
Visitação gratuita.

Conte Sua História de São Paulo 463: as cores dos ônibus que rodam na cidade

 

Por Sérgio Slak

 

 

Nasci na Vila Prudente, há 59 anos, e morei até os sete anos na Vila Ema, tudo na zona Leste. Com o falecimento do meu pai mudamos para a casa dos meus avós em Moema, na zona Oeste. Em frente de casa, tinha o ponto inicial da linha 670 – Moema – Praça da República, da Viação Moema. Eram ônibus nas cores vermelha, verde e branca. Lá perto tinha, também, o ponto inicial da linha 77 Vila Uberabinha-Rodoviária, da Viação Caribe. Eram amarelo, vermelho e branco.

 

Comecei ali meu fascínio pelos ônibus. E o que me encantava é que havia muitas empresas e cada uma com suas cores. Algumas com apenas uma linha. Por exemplo, achava maravilhosos os ônibus da Viação Útil, que faziam a linha Barra Funda – Bosque da Saúde, nas cores azul e cinza. Tinha a imagem de um cachorro atravessando o numero 969.

 

É claro que existiam as empresas com mais linhas de ônibus, como a Bola Branca que tinha as cores branco e vermelho. Não podemos nos esquecer do azul e bege da CMTC. Lá na gestão do prefeito Jânio Quadros, havia os Vermelinhos e os Fofões de dois andares.

 

Adorava olhar aqueles ônibus circulando, numa festa de cores e estilos de pintura.

 

O cenário passou a mudar no fim da década de 1970 quando criaram os consórcios de empresas de ônibus, as menores foram compradas. Na gestão da prefeita Luisa Erundina ocorreu a municipalização e todos os ônibus passaram a ter as cores branca e vermelha. Na de Marta, criaram-se oito consórcios e aí ficaram apenas oito cores em toda a cidade.

 

O transporte público evolui muito. Temos bilhete único, corredores, terminais, veículos articulados, biarticulados, com ar-condicionado e até wi-fi. Mas sinto uma saudade danada daquelas cores rodando por São Paulo.

 

Quando estou em um ponto, fecho os olhos e imagino que o ônibus que está chegando traz a marca da CMTC ou o colorido de algumas das velhas empresas.

 

Sergio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para milton@cbn.com.br e conte a sua história da nossa cidade.

Conte Sua História de São Paulo 463: a costureira do Brás

 

Por Meire Theodoro

 

 

Nasci no Jaçanã. Em 22 de março. Tenho 40 anos e sou de família humilde: meus pais vieram do Nordeste muito jovens e moravam na cidade vizinha: Guarulhos.

 

Um dos meus primeiros empregos foi no Brás, na rua Monsenhor de Andrade. Era uma fábrica de confecção de lingerie onde se fazia desde o corte do tecido até a embalagem das peças. Trabalhar no Brás, um dos bairros de comércio mais movimentados de São Paulo, era curioso. Gostava de ver aqueles ônibus enormes com placas de todas as partes do Brasil que estacionavam a espera das sacoleiras.

 

Tinha 18 anos e gostava muito de tudo aquilo. Fui admitida como ajudante de produção e para bater o cartão às 7h10 da manhã, acordava às cinco e pegava o busão. Não tinha ainda a estação Tucuruvi do Metrô. Descia no Terminal Rodoviário do Tietê e embarcava no ônibus Museu do Ipiranga.

 

Com o tempo na confecção, aprendi a costurar. Meus pais, separados. Então, eu, uma das irmãs mais velhas, percebi que a vida era cheia de surpresas e responsabilidades. Aos 21 anos, fiz vestibular e com o salário da costura paguei meu curso de pedagogia. Era difícil conciliar mas eu queria muito … Gostava de falar. Percebi já no 2o Grau. Nas aulas de apresentação tirava boas notas e sonhava ser professora.

 

Era uma rotina difícil. Trabalho e faculdade. Saía às cinco da manhã, chegava às 11 da noite. Namoro nem pensar. O tempo passou rapidamente. Leciono há 20 anos na prefeitura, na Educação Infantil e Pós-graduação, em Educação Inclusiva. Sou casada, mamãe de um casal de filhos adolescentes lindos.

 

Moro em Guarulhos, acesso fácil a São Paulo, para onde vou todos os sábados sempre para descobrir algo interessante.Deixo o carro na região da 25 de Março e faço um “tour” por aí.

 

Meire Theodoro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais uma capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. 

Conte Sua História de SP: o prédio

 

Por Suely A. Schraner

 

 

A tarde trazia consigo melancolia de pôr-do-sol. Andara o dia todo.
As têmperas latejando. Britadeira batucando do outro lado da rua.
Demolira planos. Rompera ilusões. Nadara em águas revoltas. Nebulosas da memória. Mistura de vinho com Rivotril, as suas sinapses poéticas.

 

Ávidos edifícios o espreitam.

 

Pele de vidro e frita aves. Caleidoscópio lancinante. Lugarzinho inabitável. Áreas descomunais. A planta letal. A vida por um fio é que dá força para amar. Certificar o nada.

 

O desespero a um passo da felicidade.

 

Deu por si e estava diante dela.

 

“Não esperava te encontrar aqui”. “Ah, bem sabe que minha vida é nos cascos”. “Sei, nos sapatos e na cama”. “Andou chorando?”

 

Abaixa os olhos. “Cisco”.

 

Sinto que gostaria de me beijar. “Diga-me, será que desta vez conseguiremos? “O não, nós já temos. Agora, é tentar o sim”.

 

Passam despercebidos.

 

No andar, começara a sentir-se mal. “Você está doente? “Cisco”. Tá brincando! “Sinta o cheiro”. De morte? “Não amole, é cheiro de felicidade”.

 

Embolados. “Sabia que o corpo fala? Ás vezes faz bem ficar doente”. “É a vida chamando a atenção da gente”. Tem o dinheiro?

 

“Daqui dez dias”. “Dez dias não é possível. Até lá…”

 

Saem.

 

O sol se escondera detrás do prédio.

 

Espelhado e colorido.

 

Caleidoscópio onírico. Na planta ou próprio para morar. A vida alucinada. Certificação AQUA- alta qualidade ambiental. Áreas comuns generosas.

 

A felicidade a um passo do desespero.

 


O predio ou Suely Schraner é personagem do Conte Sua Historia de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Esta história foi reproduzida no CBN SP há dois anos, porém jamais havia sido publicada no blog. Aproveito o aniversário de São Paulo para compartilhar com você

Conte Sua História de SP 463: o cheiro das coxinhas na padaria da Consolação

 

Por Miguel Chammas

 

 

Primeiramente, Escola Técnica de Comércio Frederico Ozanan; depois Colégio Comercial Frederico Ozanan – boate Ozanan para os detratores. Reduto e fonte de ensino para todos os alunos.

 

Fui admitido em suas fileiras nos primórdios da década de 1950 para cursar o antigo Admissão. Fui aluno, atleta, diretor do Grêmio, fundador e membro da fanfarra, diretor artístico do GATO, membro efetivo de diversas comissões pró-formatura, professor substituto de Contabilidade Básica e, finalmente, diplomando do Curso Técnico de Contabilidade, em 1965.

 

Comecei minha vida na escola quando ela estava na Praça Franklin Roosevelt, 123, e a acompanhei até meados de 1967 já na Rua Augusta 423.
Eu era de família humilde e mesmo antes da conclusão do curso básico, por necessidade de trabalhar, estudava no curso noturno. Para economizar, minha ida para a escola ao fim do expediente de trabalho era metade a pé e a outra, andando.

 

O grande obstáculo que eu tinha de vencer, diariamente, era o quarteirão entre as ruas Caio Prado Jr. e Marquês de Paranaguá. Nessa esquina, pouco antes da escola, estava, ou melhor, ainda está a Rotisserie Bologna. O aroma de seus quitutes nos encontrava metros antes de seus portais. Ato contínuo, inebriados pelo cheiro, consultávamos nossos bolsos, quase sempre vazios, na busca de alguma moeda que nos permitisse saciar nossa gula com mordidas nas coxinhas de paladar inigualável. O tamanho não era nada avantajado, mas ganhavam da maioria das coxinhas vendidas na velha Sampa. Secas de gordura, com um creme consistente e saboroso, e um pedaço considerável de frango.

 

Era o alívio da nossa fome durante os estudos da noite. Isso quando encontrava algum dinheiro no bolso.

 

Quando os trocados não nos permitiam fazer loucuras gastronômicas, nos contentávamos em entrar na loja e sentir o cheirinho das tais coxinhas de frango. Pra disfarçar, íamos ao balcão da sorveteria, abríamos a torneira e tomávamos um copo d’agua estupidamente gelada.

 

Triste consolo para este pobre estudante!

 

Miguel Chammas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Vamos juntos comemorar mais este aniversário da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo: Sergio Gomes fala de “slash career”, uma alternativa para a crise do emprego

 

 

“Se você de fato tem um trabalho onde você já trabalha há um bom tempo e essa é a sua única profissão, acho que cabe você olhar para si mesmo, quais são as vontades que você tem e que você não conseguiu exercer ainda profissionalmente. Provavelmente, esse seria um excelente caminho para você iniciar uma segunda carreira”. A afirmação é do consultor Sergio Gomes que fala sobre a importância de os trabalhadores planejarem um caminho alternativo em sua vida profissional como forma de encarar a crise no trabalho. A busca por uma segunda função é conhecida também como “slash carrer”.

 

Gomes é sócio da Ockam, consultoria de transformação organizacional, e foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo é apresentado ao vivo às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da rádio CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo: Juliana Causin, Rafael Furugem e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de SP 463: O monstro da trilha do Tremembé

 

Por Ozair Lessa

 

 

O ano era 1961. Eu com cinco anos e meio morava na avenida Sezefredo Fagundes, antiga Vila Zilda, bairro do Tremembé, zona norte da cidade. Morava na parte de cima do sobrado. Embaixo, ficava a Pensão Fartura, nome do restaurante que minha mãe, meu irmão e minhas três irmãos administravam. Naquela altura, meu pai tinha saído pelo mundo em busca de uma situação financeira mais confortável para depois levar toda a família.

 

O restaurante era frequentado por motoristas de caminhões e ônibus que por ali acessavam a rodovia Fernão Dias, em direção a Minas Gerais. Com a família formada majoritariamente por mulheres, abaixo do letreiro com o nome do restaurante uma frase era sempre retocada para que nenhum freguês pudesse argumentar que não tinha notado: “AMBIENTE RIGOROSAMENTE FAMILIAR, RESPEITE PARA SER RESPEITADO”.

 

Para os mais distraídos ou que não sabiam ler, minha mãe deixava sempre bem visível um cassetete de borracha, presente de um primo integrante da antiga Força Pública. E quantas vezes vi aquele cassetete “cantar no lombo” de engraçadinhos que se enganavam com a aparência frágil da dona Benedita!

 

Eu era só uma criança muito feliz que, morando na entrada de uma grande reserva florestal, fazia dela meu quintal e passava o dia trepado em árvores dando asas à imaginação. Ali, eu e mais dois ou três amigos, cavalgávamos como o Roy Rogers, o garoto Rusty de Rin-Tin-Tin e o Zorro e Tonto. Às vezes, voávamos como o Nacional Kid.

 

Fui estudar no Grupo Escolar de Vila Bortolândia, hoje Escola Estadual Judith Guimarães dos Santos, distante uns dois quilômetros de nossa casa. Para me ensinar o caminho mais curto, meu irmão entrou por uma trilha batida dentro de um matagal. Na sua companhia até achei o caminho divertido.

 

Quando tive de ir sozinho, a história foi diferente: a trilha parecia interminável e cheia de ruídos estranhos. Foi que em um dia, um desse ruídos veio em minha direção e um “monstro” saiu de uma moita rangendo os dentes de forma ameaçadora. Quadrupliquei minha velocidade até ele desistir de correr atrás de mim.

 

No dia seguinte, o ritual para sair de casa foi mais lento: acordar, vestir o uniforme, preparar a lancheira com um sanduíche de pão com ovo e o frasco com suco ou água.

 

O que está esperando menino? Vai … se não você se atrasa!

 

Mas e o “monstro”? – pensei comigo. Não, não vou contar. Como explicar que eu, um homenzinho feito, que enfrentava os incas venusianos invasores da terra, estava com medo? E assim foram os dias: entrava na trilha, o monstro aparecia e eu chegava à escola suado e com taquicardia.

 

Numa das idas, já atrasado, esqueci de passar a alça da lancheira pela cabeça e quando o “monstro” apareceu corri e ela caiu no chão. O “monstro” parou de me seguir e foi direto na lancheira onde encontrou o pão com ovo preparado pela minha mãe. Entre uma mordida e outra, olhava para mim e parecia esboçar um sorriso de agradecimento.

 

Passei fome naquele dia, mas fiquei feliz e aliviado por descobrir o verdadeiro objetivo do “monstro” da trilha. Minha mãe também, pois a partir daquele momento pedi para que ela fizesse dois sanduíches.

 

“Tá crescendo este menino, tá com uma fome de leão!”

 

Mal sabia ela que o segundo sanduíche era o salvo-conduto, cobrado pela cachorrinha que vivia solta por ali, e de tão bem tratada ficou minha amiga.

 

Ozair Lessa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. E a narração de Mílton Jung