Conte Sua História de SP: o relógio da Luz e o incêndio do Museu

 

Por Lucineti da Rosa Possacos Alves

 

 

Sou nascida no Paraná. Com o falecimento do meu pai, em 1973, minha mãe resolveu tentar a vida na cidade de São Paulo, onde já estava sua irmã. Chegamos aqui, minha mãe, meu irmão e eu, com apenas três aninhos, e vivemos no Jaçanã.

 

A história que me marcou foi em um marco de São Paulo: a Estação Rodoviária da Luz. Esperávamos ansiosamente pelo mês de julho, quando tínhamos nossa tão sonhada férias, para visitarmos nosso avó que morava em Santa Cruz do Rio Pardo.

 

E lá íamos nós para estação rodoviária:  eu ficava maravilhada com tudo, principalmente com o relógio. Com todo esforço, tentava saber as horas e quando sairia nosso ônibus. Julho era muito frio e esta era mesmo a cidade da garoa.

 

Apesar de bem agasalhada, minha boquinha tremia e os dentes batiam.  Para esquentar minha mãe nos levava em um bar e tomávamos uma média bem quentinha com famoso pão na chapa.  Ali ficávamos até o momento de embarcar.

 

Como eu era a caçula, tinha a preferência da janela. E lá estava eu admirando toda a cidade, principalmente o Rio Tietê, o qual tinha receio que o ônibus caísse dentro. Logo  era vencida pelo cansaço e adormecia. Quando chegávamos  ao destino já nascia a expectativa para voltar, pois o que mais me encantava era admirar aquela região.

 

Alguns anos depois, foi inaugurada a Rodoviária  do Tietê. Fiquei sem entender nada, agarrei minha mãe e falei que estávamos no lugar errado, chorei, mas não teve jeito, era dali mesmo que teríamos que sair, só fiquei mais calma quando avistei o Rio Tietê, mas já não era mais a mesma coisa.

 

Cresci, estudei e  após alguns anos aquela região se tornou meu trajeto para o trabalho. Por 14 anos, passar pela Tiradentes  e ver aquele cenário sempre me levou a um passado simples, porém muito feliz.

 

Um momento único para mim foi quanto tive o prazer de levar meu filho, Rafael, de 5 anos, para conhecer a região e o Museu da Língua Portuguesa.

 

Hoje, trabalho em Suzano, me livrei do trânsito, mas sinto saudades da lembrança!

 

Dia desses entrei na internet e tomei aquele susto, uma grande tragédia: o incêndio no Museu, como doeu meu coração, parecia que ali iria embora um pedaço da minha história.

 

Acompanhei cada segundo daquele drama e foi um alívio quando soube que o relógio, aquele que não marcou apenas horas, mas também um pedacinho da minha vida, não tinha sido atingido. A dor ficou um pouco menor.

 

No dia seguinte por ironia do destino, tive uma reunião na Zona Sul e por ali passei: a dor invadiu minha alma e chorei, com a esperança que venha a reconstrução e esse marco da cidade nunca deixe de existir.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Cláudio Antonio e narração do Mílton Jung. O quadro vai ao ar, aos sábados, no CBN SP.

Mundo Corporativo: João Marcelo Furlan mostra como ser um líder ágil e adaptável

 

 

“O líder ideal é o que consegue enxergar o futuro e mobilizar as pessoas. Os dois papéis não são fáceis. Então, o líder ideal é uma pessoa que consegue ter essa habilidade em conjunto e ainda inteligência emocional para fazer isso de uma forma que as pessoas se sintam agradáveis e motivadas a isso”. A afirmação é do consultor João Marcelo Furlan em entrevista ao jornalista Mílton Jung, ao quadro Mundo Corporativo, da rádio CBN. Furlan é sócio-fundador da Enora Leaders e autor do livro Flaps – seis passos para acelerar resultados e decolar sua carreira liderança adaptágil (Editora DVS).

 

FLAPS é um sistema de aceleração de lideranças e gestão de pessoas desenvolvido por Furlan, formado por seis passos: desenvolva sua visão; conheça seus seguidores; construa confiança e uma relação de respeito; compartilhe sua visão, envolva e ouça o time, influencie; inspire, engaje e mantenha a motivação; mantenha o senso de urgência, persevere e celebre as vitórias.

 

Furlan explica na entrevista que a ideia de um líder “adaptÁgil” é a de um líder flexível, conectado que responde rapidamente. Entre outros aspectos “ele consegue compreender os diferentes perfis, estágios de desenvolvimento e maturidade dos membros de seu time e consegue adequar sua forma de abordagem de cada um deles para extrair sua melhor performance”.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no site http://www.cbn.com.br, às quartas-feiras, 11 horas. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Adriano Bernardino.

O que o vereador faz e qual é a sua responsabilidade – Parte II

 

Por André Leandro Barbi de Souza

 

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A principal função do vereador é legislar, mas é importante esclarecer o significado social dessa atribuição. Ao contrário do que habitualmente é comentado, legislar não significa apenas propor projeto de lei. Aliás, a apresentação ou não de projeto de lei, em quantidade, não deve ser uma preocupação do vereador e nem da sociedade. Para uma cidade, para um estado, para um país, é muito mais significativo ter menos leis, com mais clareza, precisão e simplicidade em seu texto, indicando de forma objetiva o que não pode ser feito, do que ter muitas leis, pobres de conteúdo, imprecisas e com baixa relevância social.

 

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, em pesquisa realizada sobre o tema, demonstrou que o Brasil produziu, nos primeiros 25 anos pós Constituição Federal, uma média de 784 novas normas por dia, considerando as leis federais, estaduais, distritais e municipais. E o Brasil está muito longe de ser considerado um país desenvolvido. Portanto, não é a quantidade de leis que irá resolver os problemas sociais, ao contrário, a sobreposição de leis, a produção de leis inúteis, inócuas, sobrepostas, demagógicas e de pequena relevância para a comunidade, não só tumultuam a vida do cidadão, das instituições e da sociedade, como produzem uma poluição legislativa, fazendo com que a fronteira entre o lícito e o ilícito fique incerta, como aponta o constitucionalista Manuel Gonçalves Ferreira Filho. Montesquieu, no seu clássico texto O Espírito das Leis, já alertava: as leis inúteis debilitam as leis necessárias.

 

Muitos candidatos a vereador estão, na campanha, por inexperiência, por desconhecimento ou até mesmo com a pretensão de produzir uma falsa expectativa no eleitor e, com isso, conquistar o seu voto, comprometendo-se em apresentar projetos de lei sobre vários temas, com o objetivo de resolver vários problemas. Já se ouviu inclusive propagação de metas: “se eu me eleger vou apresentar dez projetos de lei por mês”. É preciso ter cuidado com aquilo que é colocado em campanha, pois, primeiro, nem todos os problemas podem ser tratados por lei municipal; segundo, nem todos os problemas podem ser resolvidos por lei de iniciativa de vereador, em alguns casos, a iniciativa é reservada ao prefeito; terceiro, muitos problemas detectados na comunidade podem ser resolvidos com as leis que já existem e que não estão sendo aplicadas.

 

Por outro lado, muitos eleitores cobram dos candidatos a apresentação de projetos e até mesmo avaliam o desempenho de um vereador, quando for esse o caso, pelo número de projetos que ele propôs. Esse critério não é correto. Nesse ponto, o eleitor também precisa entender o seu equívoco. Para comunidade, é muito mais importante um vereador que apresente poucos, mas bons projetos de lei, e que atue com atenção, discuta, debata e busque o máximo de informação sobre todos os projetos de lei que tramitam na Câmara Municipal, do que ter outro vereador que proponha sessenta projetos de lei por ano, quase todos inconstitucionais ou de baixa relevância social, a fim de “obter estatística” para prestação de contas do mandato, e que não se interesse pelos demais projetos em tramitação, não atue nas comissões, não participa das audiências públicas e até mesmo aprova matérias, em sessão plenária, sem ter certeza da repercussão elas terão ou até mesmo sem saber exatamente do que elas tratam.

 

Quando se afirma, portanto, que a principal função do vereador é legislar, quer-se destacar que a ele não cabe fazer qualquer lei, mas dedicar-se, em todas as fases do processo legislativo, a fazê-la com qualidade, mesmo quando o projeto de lei não seja de sua autoria. Cabe ao candidato a vereador demonstrar ao eleitor o grau de comprometimento que ele terá com a construção qualificada da lei e com o exercício da sua função de legislador, demonstrando que a sua atuação não será demagógica, mas pedagógica, mediante a construção de conhecimento parlamentar para o correto exercício de seu mandato.

 

Leia do mesmo autor: O que o vereador faz e qual é a sua responsabilidade – Parte 1

 

André Leandro Barbi de Souza, advogado com especialização em direito político, sócio-diretor e fundador do IGAM e autor do livro A Lei, seu Processo de Elaboração e a Democracia.

O impeachment de Dilma e o governo de Temer

 

O impeachment de Dilma Roussef me entristece – e, claro, você já esta pronto para me acusar de comunista e petralha.

 

Ao mesmo tempo, torço para que Michel Temer tenha sucesso em seu governo – e poucos segundos bastam para eu ser acusado de golpista.

 

Tem sido assim nestes últimos meses no Brasil.

 

Uma fala é suficiente para nosso interlocutor traçar seu perfil. Uma entrevista que eu faça basta para que meu caráter seja questionado. Ouvir o contraditório é pecado de lesa pátria. Intolerável.

 

Nas redes sociais, surgem comentários de todas as tonalidades e às vezes versando sobre o mesmo conteúdo. E não coloque a culpa na rede, esta é apenas tecnologia à disposição das pessoas. A responsabilidade está na forma como nossos ouvidos e mentes estão contaminados por nossas convicções.

 

O diálogo foi interrompido. Todos gritam e poucos querem escutar.

 

A busca pelo equilíbrio, a mediação independente ou o contraponto necessário. Nada disso é levado em consideração. No mínimo, é crime de omissão. E seu autor é condenado a crítica desrespeitosa.

 

Independentemente do que pense, entristece-me o impeachment de Dilma, porque é resultado do fracasso da gestão, foi provocado por uma série de erros na condução das políticas públicas e com prejuízos a boa parte da população, especialmente aos mais frágeis que aparecem na enorme fila de desempregados: 11,8 milhões de pessoas, calcula o IBGE em pesquisa divulgada ainda nesta semana.

 

Além disso, o processo foi a extensão de uma crise que se iniciou antes mesmo das eleições do ano passado. E de uma cisão na sociedade brasileira que foi se tornando insuportável. Capaz de separar amigos, inviabilizar o almoço de domingo com alguns parentes e prejudicar as relações no escritório.

 

Independentemente do que pense, torço pelos sucesso do governo Temer porque é a única solução possível e razoável neste momento. Com a discussão necessária no Congresso Nacional, espero ver a aprovação de projetos que façam o Brasil voltar a crescer, o dinheiro circular com maior igualdade e as oportunidades de emprego serem retomadas.

 

Entristeço-me pelo impeachment e torço pelo novo governo porque não tenho interesse nos interesses partidários e políticos – apesar de estar atento a estes para a análise jornalística.

 

Entristeço-me pelo impeachment e torço pelo novo governo porque no fim das contas o que me interessa é o Brasil e os brasileiros. Conciliados, dialogando e prosperando.

 

E, claro, com os corruptos na cadeia. Todos!

O que o vereador faz e qual é a sua responsabilidade – Parte I

 

Por André Leandro Barbi de Souza

 

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Nas eleições de outubro, elegeremos o prefeito, o vice-prefeito e os vereadores do município. O papel do vereador ainda não está bem compreendido pela sociedade, pelos partidos políticos, pelos candidatos e até mesmo pelo eleitor. Não é raro candidatos prometerem ações que não são admitidas, pela Constituição Federal, ao vereador e não é incomum o eleitor cobrar de candidatos ações que não são próprias do exercício da vereança.

 

Para melhor compreender o que o vereador faz e qual é a sua responsabilidade, o primeiro passo é desconstituir algumas noções equivocadas que se firmaram como verdade, seja por desinformação do eleitor, seja por práticas demagógicas de candidatos ou seja por falta de orientação dos próprios partidos políticos.

 

A primeira noção a ser desconstituída é a de que o vereador é um “assistente social”. Essa ideia tem raiz nos anos de 1980, quando os parlamentos, especialmente os municipais, não tinham qualquer poder e exerciam uma função meramente formal. Daí que, naquela época, as pessoas buscavam, no vereador, um meio de obter favores assistenciais, que eram viabilizados por cotizações encabeçadas pelo então parlamentar, tendo em conta suas relações pessoais e a sua condição de obter favores institucionais. Assim, eram distribuídos remédios, cadeiras de rodas, óculos, muletas, alimentos, eram viabilizados tratamentos médicos, atendimentos odontológicos, passagens interurbanas…. É importante lembrar que, naquela época, também não havia legislação para a prestação de assistência social por órgãos públicos, o que permitia, inclusive, que a Câmara, por seus recursos orçamentários, realizasse, também, a pedido de vereador, ação assistencialista.

 

Com a Constituição Federal de 1988 esse cenário mudou radicalmente, pois a assistência social foi posicionada, junto com a saúde e com a previdência social, como ação da seguridade social, deslocando, para os órgãos do poder executivo, o dever exclusivo de realizar políticas públicas para retirar as famílias de situação de vulnerabilidade social, sob a ótica da construção de dignidade humana. Nesse contexto, em 1993, foi editada a Lei Federal nº 8.742, conhecida como Lei Orgânica da Assistência Social, estabelecendo os princípios e as diretrizes a serem observadas para a assistência social, de forma sistêmica, organizada e em rede, aos brasileiros que dela necessitarem com o objetivo de, dela – assistência social -, não mais necessitarem.

 

Portanto, qualquer promessa de candidato de vereador que sugira a prática de ações na área da assistência social é demagógica e inconstitucional, pois por ele, se eleito, não passará essa atribuição. Por outro lado, cabe ao eleitor assimilar essa nova orientação dos programas sociais, junto ao poder executivo, não esperando e não cobrando do vereador práticas como doação de cadeira de roda, medicamentos, muletas, concessão de cestas básicas ou viabilização de tratamentos de saúde.

 

Na área da assistência social, a responsabilidade do vereador é, primeiro, examinar com atenção os projetos de lei que tramitam na Câmara sobre os orçamentos públicos, a fim de confirmar o aporte de recursos para os programas sociais; e segundo, fiscalizar a execução desses programas sociais, não só do ponto de vista da sua correta aplicação, mas quanto aos resultados produzidos, a fim de apurar se, por eles, os indicadores desenvolvimento humano do município evoluem e se as famílias em situação de vulnerabilidade social estão sendo atendidas e conduzidas a um espaço de maior conforto social e melhor qualidade de vida.

 

Em termos de assistência social, não cabe mais ao vereador atuar “para” o cidadão, mas é sua tarefa constitucional atuar “pelo” cidadão. Portanto, cabe ao candidato, preparar-se para essa missão e cabe ao eleitor identificar se o candidato que ele está escolhendo tem a noção dessa atribuição parlamentar e se poderá cumpri-la com responsabilidade.

 

André Leandro Barbi de Souza, advogado com especialização em direito político, diretor do IGAM e autor do livro A Lei, seu Processo de Elaboração e a Democracia.

Avalanche Tricolor: com algum atraso, mas em condições de se recuperar

 

Grêmio 1×1 Atlético-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Miller, Luan e Walace comemoram gol, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Havia tempo que não ouvia uma partida inteira pelo rádio. Os compromissos dominicais, porém, me tiraram da frente da televisão e o APP da CBN_BH salvou-me aqui em São Paulo. Claro que dizer que ouvi pelo rádio é apenas força do hábito, pois, a bem da verdade, ouvi pelo celular. O problema, nesse caso, é que as “ondas” digitais, captadas pelo meu aparelho – e pelo seu, também -, têm tempo de resposta um pouco menor do que as ondas de rádio. Ou seja, fico sabendo dos acontecimento segundos depois. E isso pode fazer uma baita diferença.

 

O gol do Grêmio, para ser justo com você, eu sabia que sairia muito antes dele acontecer. A forma como construímos o jogo, mantivemos a bola no pé, demos velocidade nas jogadas e pressionamos o adversário abria o caminho para o gol que sairia a qualquer momento. Até demorou demais, pois no primeiro tempo já tínhamos somado chances consideráveis de ataque. Foi o promissor goleiro do adversário quem impediu nosso sucesso.

 

Assim que o time voltou para o segundo tempo, via-se que o ritmo do primeiro seria mantido, ao menos até abrir o placar aos sete minutos, após a bola chutada por Luan desviar na defesa e encobrir o goleiro. Ouvi críticos dizendo que se não fosse o desvio a bola não entraria. Prefiro dizer que a bola entrou porque o Grêmio insistiu em jogar para frente e chutar sempre que surgisse espaço. Em uma delas, quem mais atacou foi premiado.

 

Por curiosidade, a mensagem eletrônica confirmando o gol de Luan e enviada por outro APP no meu celular, o do GremistaZH, caiu na minha tela antes de o locutor do rádio gritar. São aqueles segundos de atraso na transmissão de áudio por via digital que expliquei lá no primeiro parágrafo. O atraso também ocorre na comparação com o envio na transmissão de texto. Coisas da tecnologia.

 

Por isso, foi no alerta enviado por texto, também, que fiquei sabendo do empate cedido aos 41 minutos do segundo tempo, curiosamente no segundo chute desferido pelo adversário em toda a partida. Foi o tempo de pensar em voz alta “eu não acredito” e o grito de gol do locutor de rádio soou alto nos meus ouvidos confirmando a crueldade e a injustiça por tudo que havíamos feito até então.

 

O que nem o alerta de texto nem mesmo o locutor do rádio tinham me contado – e só fui descobrir ao assistir aos lances na internet – é que assim como as informações por meio digital atrasam alguns segundos para serem recebidas, nossa marcação também havia atrasado. Deixou livre o lado esquerdo para a descida do atacante adversário, deu espaço suficiente para o cruzamento e ficou assistindo à entrada do artilheiro sozinho no meio da área. O gol não foi uma injustiça, foi uma condenação.

 

Os dois pontos a menos na tabela atrasam nossa recuperação no campeonato e nos deixam mais uma rodada fora do G4. Tem-se de levar em consideração, porém, que temos uma partida a menos do que os adversários diretos, portanto ainda estamos na batalha. Mas não dá mais para marcar passo.

Quintanares: O velho do espelho

Poesia de Mário Quintana
Publicado em Apontamentos de história sobrenatural
Interpretação Milton Ferretti Jung

Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto…é cada vez menos estranho…
Meu Deus, Meu Deus…Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim?!”
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga…Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra!-
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste.

Conte Sua História de SP: uma cidade que vai além da rua principal

 

Por Nair Kuniy

 

 

São nove horas da noite de 28 de fevereiro de 1960. O trem da Companhia Paulista de Estrada de Ferro chega pontualmente na Estação da Luz e dele eu desembarco junto com meus pais e mais três irmãos. Meu irmão mais velho, de dezoito anos, veio antes a fim de procurar uma casa para alugar. Estamos nos mudando para São Paulo. Eu vou completar quatorze anos daqui a três semanas e estou curiosíssima para conhecer a cidade da qual tanto ouço falar. Um primo que já mora aqui há alguns anos providenciou para os nossos primeiros dias, até a chegada do caminhão com os móveis, nossa acomodação junto à família de seu sócio. Eles têm uma pequena loja de produtos alimentícios, à Rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade, e a casa fica nos fundos da loja.

 

No caminho da estação de trem até a casa, olho pasma, pela janela do táxi, para os edifícios e as luzes da cidade. Eu venho de Vera Cruz, interior do estado. A cidade é tão pequena, que a igreja, um solitário semáforo e um edifício de três andares são as referências mais importantes. Para mim, o início e o fim de Vera Cruz estão delimitados pela extensão da rua principal. Meu primeiro pensamento ao ver tantos edifícios e luzes intermináveis é saber onde começa e onde termina a cidade de São Paulo.

 

Com o passar dos primeiros dias, as surpresas ainda se sucedem à medida que eu vou conhecendo mais um pouco o novo lugar. Bonde, escada rolante, elevador, feira livre, locais maravilhosos como o Aeroporto de Congonhas, o zoológico, o Anhangabaú, o Parque do Ibirapuera e, também, muita gente, de todas as idades e cores, em qualquer lugar que se vá, além do frio intenso e da garoa à medida que o inverno se aproxima.

 

Outro pormenor que não pode deixar de ser citado é o aviso de que devemos tomar muito cuidado com os batedores de carteiras. Eu os imagino uma espécie de prestidigitadores, pois a fama é de que suas vítimas não percebem quando são surrupiadas.

 

Outra grande surpresa é a casa em que vamos morar: na Vila Clementino, perto do Hospital São Paulo. Imensa a meu ver. Um sobrado, com um pequeno jardim na frente e um quintal todo cimentado nos fundos. Três dormitórios, duas salas, cozinha, despensa e dois banheiros. Nossa última residência, em Vera Cruz, não tinha sequer banheiro privativo. Usávamos uma fossa, compartilhada com mais duas famílias.

 

Uma das salas já está reservada para minha mãe abrir um salão de cabeleireira e por isso ela logo procura uma escola para a sua formação. Meu pai consegue um emprego de alfaiate com um patrício que tem uma bela alfaiataria na Domingos de Moraes. Meus dois irmãos mais velhos também começam a trabalhar e eu cuido da casa e da comida, com a ajuda da outra irmã menor. Até minha mãe começar a trabalhar, o que leva seis meses, o dinheiro mal dá para sobreviver e pagar o aluguel. No ano seguinte, a renda do salão já cresce o suficiente para vivermos com mais conforto e, assim, podemos retornar aos estudos e continuar até terminar a faculdade. A cultura japonesa sempre valorizou muito uma boa formação educacional e, felizmente, o Brasil é um país que permite a ascensão social daqueles que estudam e não perdem a chance de crescer profissionalmente.

 

Nair Kuniy é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo – Nova Geração: Rafael Ribeiro, da ABS, mostra como transformar sua startup em um bom negócio

 

 

“Não basta ter só uma ideia, se você não tem um time para executar aquela ideia”. O alerta é de Rafael Ribeiro, gerente executivo da Associação Brasileira de Startups, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Para ele, muitos jovens desperdiçam boas oportunidades no mercado por não se planejarem nem desenvolverem as estratégias necessárias para se aproximar de parceiros e investidores.

 

Na entrevista, Ribeiro também convida os novos empreendedores a ouvirem mais os profissionais que já estão no mercado: “você não vai chegar a lugar nenhum sozinho, muitas das vezes você não conhece muito daquele mercado tão a fundo quanto você acha, e ignorar a experiência de executivos e de pessoas mais experientes é um grande erro”.

 

A Associação Brasileira de Startups está promovendo a Case – Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo, nos dias 7 e 8 de novembro, no centro de exposições do Anhembi, em São Paulo. Para outras informações, acesse o site http://www.abstartups.com.br

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site e pela página no Facebook da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Todo último sábado do mês, você ouve a versão do Mundo Corporativo – Nova Geração, dedicado a orientar e inspirar jovens que estejam dispostos a entrar no mercado de trabalho como empresários, empreendedores ou profissionais nas mais diversas áreas de atuação.

Marketing para o Capital Humano

 

Por Julio Tannus

 

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Marketing, em sentido estrito, é o conjunto de técnicas e métodos destinados ao desenvolvimento das vendas, mediante quatro possibilidades: preço, distribuição, comunicação e produto (ou, os quatro p´s: preço, praça, promoção e produto). Em sentido amplo, é a concepção da política empresarial, na qual o desenvolvimento das vendas desempenha um papel predominante.

 

O marketing estuda as causas e os mecanismos que regem as relações de troca (bens, serviços ou ideias) e pretende que o resultado de uma relação seja uma transação satisfatória para todas as partes que participam no processo.

 

Marketing significa mais que vender, porque a venda é um processo de sentido único. O marketing é um processo com dois sentidos. A venda se apoia em ações de curto prazo. O marketing é uma atividade a médio e longo prazo. O objetivo final é assegurar a obtenção do maior benefício possível. No marketing são aplicados conhecimentos avançados a respeito da prospecção de mercados e a sondagem de opiniões.

 

O marketing é uma filosofia: uma postura mental, uma atitude, uma forma de conceber as relações de troca. É também uma técnica: um modo específico de executar uma relação de troca (ou seja, identificar, criar, desenvolver e servir a procura). O marketing pretende maximizar o consumo, a satisfação do consumidor, a escolha e a qualidade de vida.

 

O marketing tem uma área de atuação muito ampla, com conceitos específicos direcionados para cada atividade relacionada, por exemplo, o marketing cultural, o marketing político, o marketing de relacionamento, o marketing social, entre outros. O profissional de marketing é um investigador do mercado, um psicólogo, um sociólogo, um economista, um comunicador, um advogado, reunidos em uma só pessoa.

 

Em Administração de Empresas, Marketing é um conjunto de atividades que envolvem o processo de criação, planejamento e desenvolvimento de produtos ou serviços que satisfaçam as necessidades do consumidor, e de estratégias de comunicação e vendas que superem a concorrência.

 

Segundo Philip Kotler, marketing é também um processo social, no qual indivíduos ou grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos e serviços de valor com os outros.

 

Em marketing, o conceito de valor pode ser definido como todos os benefícios gerados para o cliente em razão do sacrifício feito por este na aquisição de um produto ou serviço. Oferecer ou agregar valor é um conceito diretamente relacionado com a satisfação do cliente, um dos principais objetivos do marketing. O conceito de marketing afirma que a tarefa mais importante da empresa é determinar quais são as necessidades e desejos dos consumidores e procurar adaptar a empresa para proporcionar a satisfação desses desejos.

 

Com o alcance proporcionado pela internet e a explosão de redes sociais, surgiu o conceito de Marketing 3.0, em que as empresas buscam uma aproximação com os consumidores e potenciais clientes, monitorando suas opiniões sobre os serviços ou produtos oferecidos pela empresa.

 

O marketing digital consiste em uma abordagem que utiliza a internet e outros meios digitais como instrumento para atingir os seus objetivos.

 

Desta forma, os consumidores têm papel fundamental na criação de novos produtos e serviços, adequados às reais necessidades do mercado.

 

O conceito de Marketing para o Capital Humano é uma associação de habilidades, métodos, políticas, técnicas e práticas definidas, com o objetivo de administrar os comportamentos internos e externos para potencializar o capital humano no interior das organizações e junto ao mercado.

 

Muitas vezes, é confundida com o setor de Recursos Humanos, porém RH é a técnica e os mecanismos que o profissional utiliza, e o marketing para o capital humano tem como objetivo a capacitação e consequente competência dos profissionais envolvidos no processo.

 

Com o conceito de Marketing para o Capital Humano, a missão do marketing passa a ser dos 4 P`S para os 5 P`S:

 

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Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora) a ser lançado na 24ª. Bienal Internacional do Livro no Pavilhão Anhembi/SP em 28/8/2016 das 17:00 hs. às 20:00 hs.