Carteira de motorista e carro próprio deixam de ser símbolo de liberdade para os jovens

 

16078804173_41990cd872_o

 

(texto escrito originalmente no meu perfil do Medium)

 

Com 18 anos mal completados, lá estava eu na porta do centro de avaliação para fazer o teste que me permitiria receber a carteira de motorista — ou carta, como dizem aqui em São Paulo. Apenas algumas manobras depois, o fiscal perguntou se eu já dirigia anteriormente dado os cacoetes que apresentava na condução do carro. Sem muito constrangimento e até com uma ponta de orgulho, respondi que sim, pois fazia alguns anos que era testado pelo meu pai, inicialmente sentado no banco do carona e tendo o direito de segurar a direção enquanto ele controlava os pedais e a marcha. Demorou um pouco para o pai me dar a chance de trocar as marchas no câmbio manual e, muito mais do que eu gostaria, para assumir o comando do carro definitivamente.

 

As oportunidades costumavam surgir aos sábados à noite quando nós saíamos de casa, no bairro do Menino Deus, em direção a sede da rádio Guaíba, centro de Porto Alegre, onde o pai apresentava o Correspondente Renner. O passeio à noite era estratégico, pois o caminho estava geralmente livre.

 

O prazer de sentar no banco do motorista, engatar a primeira marcha e comandar o carro por conta própria só apareceu mais tarde nas ruas praticamente vazias da praia que frequentávamos nos períodos de férias e mesmo assim sob o olhar atento e preocupado dele.

 

Na realidade, o pai repetiu comigo a mesma experiência que teve com meu avô quando aprendeu a dirigir. Apesar de um pouco ansioso, foi um excelente professor tendo me passado uma série de recomendações que mantenho até hoje. Por exemplo, foi ele quem me chamou atenção para quando tiver de ultrapassar um ônibus que esteja parado no ponto: “sempre há o perigo de um passageiro cruzar na frente do ônibus e atravessar a rua sem prestar atenção” — alertava. Para o motorista não ser surpreendido e reduzir o risco de atropelamento, ele ensinou-me a olhar por baixo do ônibus e ver se não havia nenhum pé se aventurando por ali.

 

Nós dois somos de gerações diferentes mas ambos nascidos em uma época em que o carro era objeto reverenciado e a carteira de motorista, sinal de liberdade. Não por acaso a minha primeira habilitação foi expedida três dias depois de completar 18 anos. Hoje, ele ainda admira mais os automóveis do que eu. Apesar de me considerar um “carro-dependente”, sou defensor do uso da bicicleta e do transporte público sempre que possível, impactado por uma mudança de consciência que vem surgindo em diferentes sociedades. E, claro, pelos enormes congestionamentos que tiram qualquer um do sério.

 

4475461669_5968dfc450_o

 

Pesquisas não faltam para provar nosso desperdício de tempo:

 

Em outubro de 2015, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgou que pelo menos 31% das pessoas passam mais de uma hora no trânsito diariamente, percentual que chega a quase 40% nas cidades com mais de 100 mil habitantes.

 

Um mês depois, a Rede Nossa São Paulo e a Fecomercio mostraram que quem vive em São Paulo e dirige automóvel tende a perder, em média, 2h38 minutos, nos deslocamentos de casa para o trabalho, para a escola, para o mercado e para qualquer outro canto que se fizer necessário, no decorrer de um dia.

 

Metodologias à parte, uma e outra pesquisa ressaltam o que eu, você e toda a torcida do …. vá lá, toda torcida do Grêmio já perceberam: não dá mais para darmos continuidade a esta apologia do automóvel que marcou nossas gerações. E talvez por isso mesmo, não repeti a experiência do rito de “passagem do volante do carro” para os meus filhos.

 

Tenho a impressão, pelo que vejo em alguns jovens, incluindo os meus dois meninos — o mais velho já com a carteira de habilitação na gaveta e nenhuma intenção de dirigir, ao menos por enquanto -, de que atual geração começa a enxergar a relação com o carro de maneira diferente. Hoje, temos muito mais informações dos malefícios que os automóveis provocam no meio ambiente com aumento dos níveis de poluição e prejuízos à qualidade de vida.

 

Segundo o médico Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo, os gases tóxicos e a fuligem do escapamento dos veículos matam 4.600 pessoas por ano na capital paulista.

 

Se não mata, engorda — dizia minha mãe.

 

Isso mesmo, a poluição provocada pela circulação de carros e pela fumaça de cigarro, também, com suas partículas minúsculas e agressivas provocariam inflamações generalizadas e atrapalhariam a capacidade do corpo de queimar calorias. Ao menos é o que tenta nos convencer estudo do qual fez parte o professor Hong Chen, da Universidade de Toronto, no Canadá.

 

A preocupação com a saúde não é única justificativa para afastar os jovens dos carros. Eles também estão muito mais conectados, o que, em tese, reduziria a exigência de tantos deslocamentos pela cidade. E, a despeito da qualidade do transporte público, temos maior oferta de metrô e ônibus, além de os aplicativos terem deixado os táxis e os motoristas privados mais acessíveis.

 

DSC_0233

 

A dar respaldo para o que penso sobre a redução da dependência do carro, temos ainda trabalho apresentado durante o Simpósio de Engenharia Automotiva, realizado em São Paulo, em agosto do ano passado.

 

Após ouvir 404 estudantes, entre 18 e 25 anos, da capital e de Ribeirão Preto (SP), o jornalista Lupércio Tomaz, da rede social Campus Universitário, informou que 59% dos jovens entrevistados ainda não tinham carteira de habilitação. Verdade que desses, 95% disseram que pretendiam tirá-la um dia. Levando em consideração que todos já tinham idade para pegar sua carteira, os dados me levam a pensar que ao menos eles já não demonstram a mesma pressa que a turma da minha idade.

 

Dois outros aspectos interessantes que nos dão esperança de que começa a surgir um novo olhar entre os jovens quando o assunto é o automóvel:

 

Mesmo que tivessem dinheiro suficiente, antes de pensar em comprar um carro, os jovens que participaram da pesquisa disseram que preferiam fazer intercâmbio cultural, participar de algum outro projeto e viajar para estudar. Ou seja, colocaram o desenvolvimento pessoal acima do sonho do carro próprio que moveu muitos da minha geração (eu, inclusive!)

.

 

Para 51% deles, o carro é visto como meio de transporte, portanto, se o querem é porque têm necessidades práticas. O melhor é que a maioria não cultiva mais a ideia de que o veículo simboliza a liberdade — apenas 18% concordaram com esse pensamento -, o que demonstra que estão buscando essa expectativa em outros caminhos.

 

Com todas as ponderações que se deve fazer diante de estudo que se restringe a um grupo de pessoas, em duas localidades apenas, o que impede que se conclua que esta seja a visão de toda população jovem brasileira, me parece evidente que há mudanças na relação dos mais novos com o automóvel. A velocidade com que essa transformação ocorre no Brasil apenas não é maior porque o investimento em transporte público ainda é baixo e a política de incentivo do uso do carro prevalece na maior parte das cidades brasileiras.

Promises: o conflito Israel-Palestina pelo olhar das crianças

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Promises”
Um filme de B.Z. Goldberg
Gênero: Documentário
País: USA

 

O filme foi gravado entre 1995 e 2000, tendo continuidade em 2004. É a captura do olhar de sete crianças palestinas e israelenses sobre o conflito Israel/Palestina.

 

Por que ver: estamos nos deparando com estas questões em torno deste conflito há tempos e, pelo menos eu, não consigo chegar a uma conclusão. Através deste doc., algumas perspectivas são colocadas em pauta e outras derrubadas. O olhar das crianças é muitas vezes fruto do pensamento de seus pais. Existe um ódio que não é deles, apenas uma repetição da fala dos mais velhos… O diretor, que conduz tudo com habilidade, vai quebrando tais ideias pré-concebidas com conversas e questionamentos interessantes. É engraçado como as visões viciadas se quebram aos poucos.

 

Como ver: chame aquele seu amigo jornalista, ou CDF que ama história, que será um bom debate…

 

Quando não ver: se você for do tipo de pessoa que se nega a repensar seus ódios e vícios, e, portanto, fechado a mudanças.

 

Ano novo, vida nova a todos!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos, deseja a todos um super ano!

Mundo Corporativo: Fernando Leira, da Landor, apresenta as marcas mais ágeis do mundo

 

 

Samsung, Android, Wikipedia, Google, Dyson, Apple, YouTube, Microsoft, Ikea e Disney são as marcas mais ágeis do mundo de acordo com estudo realizado pela Landor, agência global de branding. A pesquisa foi realizada em quatro etapas e contou com a participação de 80 mil consumidores e análise de mais de 5.200 marcas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Fernando Leira, gerente-geral da Landor, diz que são consideradas marcas ágeis as que permanecem fiéis à própria essência, mas se adaptam e reagem positivamente às transformações do mercado.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração do Paulo Rodolfo, do Douglas Matos e da Debora Gonçalves.

“Seiscentos e sessenta e seis” para comemorar “dois mil e dezesseis”

 

IMG_2617 (1)

 

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ªfeira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

E você, o que espera de 2016?

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Fireworks in Miami

Fireworks in Miami

 

Estamos quase em 2016. Ouvimos de todos ao nosso redor promessas, pedidos, agradecimentos, sonhos, metas… inevitável nessa época de festas de fim de ano, não praticarmos ainda mais a reflexão e o auto-conhecimento. E por que não sonhar?

 

Apesar do cenário econômico-político-social desastroso no Brasil, em 2015, entendo que, particularmente, meu ano foi muito bom. Sempre temos o que sonhar ou “pedir” para o novo ano, mas o mais justo, penso eu, é ser grato por tudo de maravilhoso que eu pude viver nesse 2015. Grato inclusive, evidentemente, pela atenção de vocês leitores aqui do Blog do Milton Jung.

 

O que eu desejo para 2016?

 

Melhorar (sempre!) como ser humano, como profissional, evoluir… tudo que é material, independentemente de ser algo de luxo ou não, pode ser conquistado. Basta a gente se propor, se empenhar, buscar efetivamente. Mas o maior luxo, de verdade, é quando percebemos que, a cada ano, o que mais tem valor, o que mais me encanta e o que é o meu maior luxo é o privilégio de estar bem comigo mesmo. Estar em paz. É estar com as pessoas que gostamos e amamos. É ter tempo para si próprio e para os que merecem a nossa presença e dedicação.

 

O maior luxo é aquele que não pode ser comprado. O resto é resto. E como já disse Clarice Lispector, ninguém nunca precisou de restos para ser feliz, não é mesmo?

 

Sonhe. Planeje. Permita-se. Ouse. Seja feliz. Faça alguém feliz. Viaje. Conheça lugares, culturas, experiências. Faça o bem.

 

Que o seu 2016 seja repleto de Saúde, Amor, Paz, Sucesso e Sonhos realizados!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Chegando aos 50, shopping terá que renascer

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

19077122964_e9b95cdda5_z

 

Às vésperas do cinquentenário do formato Shopping Center, o setor apresenta o pior desempenho dos últimos dez anos. Mesmo com a inclusão de 19 novos empreendimentos.

 

É um negócio de R$145 bilhões, com 893 unidades, 140 mil pontos de venda, 1,3 milhões de empregos, que recebe, mensalmente, 2,3 vezes a população brasileira, e, de forma geral, usufrui prazerosamente dos serviços e produtos ofertados.

 

O resultado ruim deste ano pode ser creditado ao momento econômico, como avaliou a ALSHOP, através do presidente, Nabil Sahyoun, citando o dólar, o crédito, a inflação, as incertezas econômicas e políticas. Ou a redução do fluxo nos Shoppings pelo Black Friday como registrou o diretor Luís Ildefonso, de Relações Institucionais.

 

Um olhar mais atemporal mostrará que, em 49 anos, as crises não afetaram o modelo dos Shoppings tão significativamente. O positivo do resultado ruim de hoje é que a diminuição de vendas está mostrando a necessidade de mudanças na estratégia da operação para se adaptar a novas demandas do mercado.

 

É o caso das lojas satélites cuja a participação no mix é de aproximadamente 70% e estão sobrecarregadas em benefício de outras áreas. Cinema, alimentação e lazer deverão absorver mais espaço e mais custos.

 

As satélites, se não forem tratadas de acordo, serão reduzidas e poderão migrar para outros canais. Um deles é a internet, mercado estimado de R$ 50 bilhões, cujas vendas tiveram acréscimo de 17,6 milhões de pedidos em relação a 2014. Nesse Natal, enquanto os Shoppings tiveram queda de 1%, a internet cresceu 26%.

 

Destino que várias cadeias de loja e algumas âncoras estão seguindo, isoladamente ou em Market Places. Enquanto se prevê abertura de mais de cem Shoppings Center para os próximos anos, a Söks, que fez a plataforma para lançar o Piratasonline, primeiro shopping a se apresentar na web, está programando a abertura de três réplicas de shopping físico para implantar online em 2016.Além disso, apenas um empreendedor está se preparando para a web.

 

Será que os Shoppings dos R$ 145 bilhões continuarão a ver a expansão das Agências de Afiliação e os novos Market Places dos R$ 50 bilhões e ficarão fora deste mercado que cresce na crise?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 
 

Quem precisa de 30 fones de ouvido em casa?

 

Bagunca1_Fotor

 

Provocado pelo texto que publiquei recentemente, sob o título A assustadora verdade sobre o excesso de coisas dentro de nossas casas e nossas vidas, tive a curiosidade de olhar como andavam as coisas nos meus armários, gavetas e caixas. Aproveitei assim o último dia de férias para esta tarefa que prometia ser diversificada, mas que se resumiu a primeira etapa ou ao primeiro desafio que encontrei: as três gavetas da bagunça eletrônica.

 

A existência da gaveta da bagunça é quase necessidade do ser humano, pois seria impossível colocar todos os materiais selecionados por categorias. Somente casas especializadas são capazes de criar espaço para tanto, como as lojas de ferramentas ou de peças de automóvel, onde os produtos são separados por utilidade, tamanho, cor e outros quetais, facilitando o controle do vendedor e a busca do comprador.

 

Em casa, costumamos colocar os livros em uma estante que se transforma em biblioteca e a gaveta para o material de escritório que tende a estar próxima da nossa mesa de trabalho; tem ainda o balcão com divisões para utensílios de cozinha, com pratos, copos, talheres e panelas selecionados em grupos; tem o armário com as roupas, com cabides para casacos e calças, as gavetas para camisas, cuecas e meias, e na parte mais alta as roupas de cama ou as que usamos com menos frequência.

 

Por mais organizado que você seja, e eu tento ser, existem itens que não se encaixam em uma categoria específica e se acumulam em algum lugar qualquer, de preferência naquela que chamamos de a gaveta da bagunça: controle remoto reserva do portão da garagem, rolo de barbante e chaves sobressalentes podem se misturar a pequenos parafusos que vieram junto com o aparelho de televisão e velas para o caso de falta de luz, claro que acompanhadas de uma caixa de fósforo.

 

BaguncaFio1_Fotor

 

Jogar esta variedade de itens em um mesmo lugar ao contrário do que muitos entendem não é desorganização, mas a estratégia que usamos para ajudar nossa memória a encontrá-los sempre que necessário. É a gaveta dos sem-categoria. Quer vela, tá lá … a não ser que você seja um admirador de velas e tenha uma variedade tal que mereça uma espaço próprio.

 

Claro que a medida que vamos acumulando coisas, a tendência é que a visão que temos da gaveta da bagunça fique um pouco embaralhada e a mesma perca sua funcionalidade. Por isso, de vez em quanto é bom abri-la e ver se não tem peça sobrando ou itens que já deveriam ter um lugar só para eles.

 

Na casa de um ‘suposto’ organizador contumaz, como eu, mantenho diferentes gavetas de bagunça, e a que me tornou refém do trabalho na despedida das férias foi a que reúne materiais eletrônicos. Fiquei impressionado com o que tirei lá de dentro, a ponto de quase ter abortado a operação, fechado a gaveta e deixado as coisas para outro dia. Procrastinar, porém, não é a melhor estratégia quando se busca organizar a vida (ou as coisas).

 

BaguncaApple_Fotor

 

Encontrei lá dentro quatro aparelhos de telefone celular para os quais não tenho nenhuma finalidade, pois são de tecnologia ultrapassada e sequer merecem lugar na coleção de algum especialista. O meu primeiro celular, um Gradiente “tijolão”, já tem o devido destaque na estante onde estão também cinco ou seis câmeras de vídeo e fotografias antigas, inclusive a Polaroid, um palm top Zire 71 e o gravador com o qual iniciei minha carreira profissional. Com os celulares velhos, havia seus carregadores e algumas baterias tão inúteis quanto seus pares.

 

Muitos fios se embaralhavam e exigiram certa destreza para separá-los. Tinha cabo de áudio, cabo de internet, cabo de telefone, cabos com USB, pequenos e grandes, conexão de USB para USB e mais um monte de terminações para as quais não tenho a menor ideia de como usar. Adaptadores universais de tomadas tinham três, um deles com flechas para a mais estranha das tomadas que conheci, as da Africa do Sul. Se você acha as nossas sem muito nexo, não sabe o que está perdendo.

 

Encontrei quase uma categoria à parte, na bagunça eletrônica, a dos produtos da Appel. Fontes de energia de aparelhos aposentados, mouse sem uso, adaptadores para iPhones e uma câmera iSight que não lembro de ter usado alguma vez no meu primeiro MacBook, que, aliás, também mantenho guardado em casa, fazem parte desta coleção. Todos sobreviveram nesta faxina com a expectativa de que meu conselheiro particular para o tema, Sergio Miranda, ex-editor da MacMais e atual apresentador do @pontoreview no #loopinfinito, dê mais uma dica matadora.

 

BaguncaFone_Fotor

 

O que mais me assustou mesmo foi contar 20 fones de ouvido do tipo intra-auriculares (sim, na foto só aparecem 19 porque o vigésimo encontrei depois). E só coloquei na conta aqueles que estavam guardados e sem uso, coisa que aliás a maioria deles permanecerá. Se incluir os que tenho em casa para ouvir música no celular e som no computador de mesa e notebook, é provável que chegue a mais de 30. Qual a necessidade de se ter mais de 30 pares de fones de ouvido em uma casa onde vivem apenas quatro pares de ouvidos? Não pense que os comprei. Vieram juntos com um celular, um equipamento de som, computador e qualquer outra coisa que tenha saída de áudio, o que nos remete a uma das principais razões de acumularmos este monte de traquitana: o preço é baixo, está inserido no valor do aparelho e sequer percebemos seu custo. É fácil tê-los. Difícil é se desfazer deles.

 

Coloquei-os em um saco plástico com o intuito de dar um fim nestes fones que só ocupavam espaço. Em outros dois sacos, juntei baterias, fios redundantes, adaptadores de celular e algumas outras coisas para as quais não entendia bem o objetivo. Muitos outros itens permaneceram, mesmo com a quase certeza de que jamais os utilizarei. Mas vai que ….

 

Aí está outro problema: adquirimos as coisas, guardamos, ocupamos o lugar e não usamos. Na hora de decidir o que fazer com aquela peça, melhor deixar ali porque talvez um dia, sabe-se lá quando e em que situação, eu precisarei dela. É provável que este dia nunca chegue, mas teimo em mantê-la na gaveta.

 

A incursão às gavetas da bagunça eletrônica resultaram em uma redução de cerca de 40% das peças que estavam guardadas, mas ainda me deparo com outra dificuldade: o que fazer com o material que pretendo descartar? Talvez este seja o problema mais complicado neste processo.

 

Jogar no lixo nem pensar. Apesar disso, é para onde vai boa parte deste material. A Abrelpe, que reúne empresas do setor de limpeza pública, calculou, em 2012, que cerca de 40% dos resíduos sólidos urbanos tiveram destino impróprio. Ou seja, quase 24 milhões de toneladas de lixo foram descartados de maneira incorreta em lixões e aterros sanitários. Um crime do qual não quero fazer parte.

 

Devolver aos fabricantes, seria a melhor solução, desde que houvesse estrutura para o bom funcionamento da logística reversa. No Brasil, lei de 2010, já prevê responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Nesse processo, os produtores de um eletroeletrônico, por exemplo, têm que prever como será a devolução, a reciclagem daquele produto e a destinação ambiental adequada, ensina ((o))eco, portal desenvolvido por jornalistas que integram a ONG Associação O Eco.

 

Temo, porém, que se chegar em uma revenda e tentar deixar o material por lá, vou ser mandado de volta para casa com o saco cheio (duplamente cheio). Se aceitarem o material, não tenho nenhuma garantia de que seu destino será o recomendado. Imagino eu, vá parar lá no lixão de dois parágrafos acima.

 

Entidades que vendem ou manipulam este material podem ser outra saída.

 

Você conhece alguma?

 

Aqui em São Paulo, costumo entregar para o Lar Escola São Francisco que mantém o Bazar Saburá, na Vila Mariana. Lá seus funcionários e voluntários separam, selecionam e vendem o que for possível e com o dinheiro financiam o trabalho de assistência que realizam. O que acontece com as coisas que acumulam em seus depósitos, não sei ao certo, mas são a esperança de que alguém pode me ajudar a dar um jeito nas minhas gavetas da bagunça.

 

Se você tiver outra boa ideia, será bem-vinda.

 

Em breve, me comprometo a seguir em frente na aventura em busca de coisas que estão sobrando aqui em casa. Mas a primeira experiência me deixou um pouco assustado, pois a persistirem os sintomas corro o sério risco de me equiparar àquelas famílias de classe média americana, que vivem em Los Angeles, alvos de pesquisadores da UCLA, que mantinham, em média, 300 mil itens, nas suas residências — pesquisa que está em destaque no texto A assustadora verdade sobre o excesso de coisas dentro de nossas casas e nossas vidas .

Acertos e erros na estratégia dos shoppings de luxo neste Natal

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

foto-destaque-689x459

 

Então, é Natal!

 

Muitos esquecem o verdadeiro significado da data e, independentemente da religião de cada um, é notável como o consumo é palavra-chave para boa parte de nós.

 

E por falar em consumo, já que aqui no Blog do Mílton Jung escrevemos sobre o mercado do luxo, inevitável não observar e analisar as políticas de promoções dos principais shoppings de luxo, em São Paulo. Ressalte-se que promoção, neste caso, não significa desconto ou liquidação e, sim, as estratégias para incentivar a venda.

 

Tem sido comum durante décadas, os shoppings, independentemente do segmento econômico em que atuam, promoverem sorteios de carros de luxo, como BMW e Mercedes-Benz. Este ano, a estratégia foi mantida apenas pelos shoppings do mercado de massa e premium; os de luxo preferiram caminhos diferentes.

 

Visitei os principais shoppings de luxo, na capital paulista, e me chamou atenção a promoção realizada pelo Cidade Jardim, na Marginal Pinheiros, zona Oeste, que ofereceu aos seus clientes um cupom, para cada R$850,00 em compras, que lhes dava o direito a concorrer a uma viagem para a Suíça – estratégia bastante coerente com o mercado do luxo contemporâneo, no qual o consumidor busca cada vez mais experiências diferentes do que simplesmente produtos. Viagens como essa têm enorme potencial para se tornarem inesquecíveis e gerar momentos incríveis na vida de cada um.

 

Cidade jardim

 

Na mesma região de São Paulo, outros dois shoppings de luxo, Iguatemi e JK Iguatemi,deixaram os sorteios de lado. Investiram na promoção “compre e ganhe”, na qual o cliente deveria gastar R$650,00 em compras e de prêmio teria o direito a dois panettones, no JK; e R$ 850,00 para ter direito a um panettone com um pote de Nutella, no Iguatemi. Inacreditável, não?

 

A meu ver, ambas foram promoções incompatíveis com empresas que lidam com clientes de alto poder aquisitivo. Como sabemos, o comportamento do consumidor AAA varia muito e sua compra é geralmente ligada a aspectos emocionais. Raramente um cliente nesta categoria se motivaria a consumir por conta de um sorteio qualquer ou de pequenos presentes.

 

Será que os shoppings não se esqueceram que parte de seus frequentadores é composta por clientes aspiracionais? Ou seja, são pessoas que talvez não consumam frequentemente em lojas de alto luxo, mas, sim, ocasionalmente, e pudessem ser motivadas a comprar mais neste período de Natal se houvesse uma promoção inspiradora.

 

Um shopping de luxo não pode querer atrair e manter fiéis seus clientes fazendo este tipo de oferta. Chega a ser patético o consumidor, depois de ter desembolsado R$ 850,00, ficar horas numa fila para ganhar panettone, por mais saboroso que este seja.

 

Captura de Tela 2015-12-23 às 21.43.58

 

Bem verdade que bastaram alguns dias de promoção para o estoque de brindes “prometidos” ter se esgotado, o que nos remete a outra situação constrangedora: depois de clientes na fila do panettone, assistimos a clientes na fila de espera do panettone.

 

Sou admirador de ambos os shoppings, mas não há como negar o meu desapontamento.

 

Onde o Shopping Iguatemi não deixou a desejar foi na decoração (como você pode ver na imagem que abre este post), o que aliás já é uma tradição do empreendimento. Desta vez, foi assinada por Jeff Leatham, um dos melhores floristas do mundo e diretor artístico do luxuoso hotel Four Seasons George V, em Paris – impecável e de extremo bom gosto.

 

Consumo, erros e acertos à parte, não esqueça:

 

É Natal! Seja feliz!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

São Paulo respira, mas perigo permanece: lei de Zoneamento ficou para fevereiro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

16076432064_fcfb59294b_z

 

A cidade de São Paulo ganhou um fôlego a mais ao ter protelada a votação da lei de Zoneamento.

 

Como se sabe, os 4% de áreas preservadas foram visados por interesses diversos para abrir ocupações não exclusivamente residenciais.

 

Como também se sabe, o prefeito Fernando Haddad, cujo conceito de urbanismo é peculiar e esdrúxulo, haja vista o critério da implantação das ciclovias e da redução das velocidades, chegou a reconhecer que o lado minoritário está perdendo para a maioria.Entretanto, acredita que as mudanças propostas e aceitas reduziram a distorção, e apenas 0,1% das vias da capital tiveram sua ocupação alterada. Conclui então, que fazendo alguma flexibilização neste espaço a população estará atendida.

 

Na realidade a lógica é oposta, pois em área tão pequena não há razão para mudanças. É aí que entra a visão estrábica do alcaide, que a demonstra em entrevista à jornalista Juliana Diógenes do Estado:

 

“Aquele comércio e serviço que funciona à noite com moderação, você evita que ao anoitecer a avenida perca completamente as suas características do dia e se transforme em alguma coisa completamente diferente do que era. As grandes metrópoles precisam disso”.

 

Haddad realmente é um exemplo típico do fenômeno brasileiro atual, quando políticos e líderes nacionais tergiversam, para dizer o mínimo. Tanto é que Juliana, após ouvi-lo, resumiu a nova lei nos seguintes pontos preocupantes à cidade:

 

Residências x Comércio – permissão de Zonas Corredores em ZERs
Verticalização – locais formados por casas receberão torres sem limite de altura
Imóveis tombados – descongelamento após o prazo de dois anos
Prédios mais altos – nas vias de centralidade, a permissão será de prédios de 28m/8 andares para 48m/14 andares

 

Se no âmbito federal a protelação de importantes decisões políticas, econômicas e morais foram um mal à Nação, nesse caso do município paulistano pode ter sido uma chance de retroagir para manter o equilíbrio ecológico da cidade.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.