São Paulo respira, mas perigo permanece: lei de Zoneamento ficou para fevereiro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A cidade de São Paulo ganhou um fôlego a mais ao ter protelada a votação da lei de Zoneamento.

 

Como se sabe, os 4% de áreas preservadas foram visados por interesses diversos para abrir ocupações não exclusivamente residenciais.

 

Como também se sabe, o prefeito Fernando Haddad, cujo conceito de urbanismo é peculiar e esdrúxulo, haja vista o critério da implantação das ciclovias e da redução das velocidades, chegou a reconhecer que o lado minoritário está perdendo para a maioria.Entretanto, acredita que as mudanças propostas e aceitas reduziram a distorção, e apenas 0,1% das vias da capital tiveram sua ocupação alterada. Conclui então, que fazendo alguma flexibilização neste espaço a população estará atendida.

 

Na realidade a lógica é oposta, pois em área tão pequena não há razão para mudanças. É aí que entra a visão estrábica do alcaide, que a demonstra em entrevista à jornalista Juliana Diógenes do Estado:

 

“Aquele comércio e serviço que funciona à noite com moderação, você evita que ao anoitecer a avenida perca completamente as suas características do dia e se transforme em alguma coisa completamente diferente do que era. As grandes metrópoles precisam disso”.

 

Haddad realmente é um exemplo típico do fenômeno brasileiro atual, quando políticos e líderes nacionais tergiversam, para dizer o mínimo. Tanto é que Juliana, após ouvi-lo, resumiu a nova lei nos seguintes pontos preocupantes à cidade:

 

Residências x Comércio – permissão de Zonas Corredores em ZERs
Verticalização – locais formados por casas receberão torres sem limite de altura
Imóveis tombados – descongelamento após o prazo de dois anos
Prédios mais altos – nas vias de centralidade, a permissão será de prédios de 28m/8 andares para 48m/14 andares

 

Se no âmbito federal a protelação de importantes decisões políticas, econômicas e morais foram um mal à Nação, nesse caso do município paulistano pode ter sido uma chance de retroagir para manter o equilíbrio ecológico da cidade.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

9 comentários sobre “São Paulo respira, mas perigo permanece: lei de Zoneamento ficou para fevereiro

  1. Com todo respeito, a noção de democracia do Sr. Prefeito carece de lógica ou de matemática. Nos 4% das áreas preservadas da cidade, praticamente 100% dos seus moradores NÃO quer mudanças. A mídia, as audiências públicas, os documentos protocolados comprovam. Portanto, democraticamente, nesses territórios não há que se ter mudanças. Mas justamente esses mínimos 4% foram drasticamente fatiados e rodeados por corredores comerciais. Por que será se a cidade tem mais 96% do seu território disponível para esses corredores? 4% de 100% realmente é pouco mas 100% de 4% é tudo. Mais uma vez com todo respeito, sugiro que o Sr. Prefeito refaça suas contas e se renda à democracia.

    • Renata, bom dia
      Haddad apresenta uma mistura explosiva. Ou seja, ao mesmo tempo em que tem uma visão estereotipada do urbanismo, precisa corresponder aos colaboradores de sua campanha.
      Ou ainda há alguém que acredita que as corporações privadas investem em candidatos a troco de nada?

  2. Sr. Prefeito Fernando Haddad, nem a casa que tenha alugado se pode devolver estragada. O senhor sabe que o proprietário pode multá-lo, não é mesmo? E o senhor vai entregar a cidade pior do que recebeu e com um planejamento que não está voltado para o interesse público. A cidade está sendo planejada para os empreendedores, na linha de seu discurso de posse. O futuro da cidade vai ficar comprometido, caminhando para o território insustentável dado o esgotamento das reservas ambientais urbanas, dentre aquelas representadas pelos bairros exclusivamente residenciais e as áreas verdes agora passíveis de verticalização. Diferentemente de algum proprietário de imóvel estragado pelo inquilino, a população não será chantageada e vai multá-lo pelos estragos que deixar.

    • Prezada Elza Félix dos Santos,
      Infelizmente o alcaide já fez estrago suficiente em operações conceitualmente benéficas e pioneiras como as ciclovias. Nos corredores de ônibus roubou espaço dos carros mas ainda não soube aproveitar a área exclusiva, aumentado a quantidade de coletivos suficiente para não só reduzir o tempo de percurso de quem está no ônibus como também abrir mais lugares colocando quantidade maior de coletivos.
      Quanto à lei de zoneamento ainda há esperança, embora com grande possibilidade de mais uma vez ficar um péssimo legado para a população paulistana.

  3. Eu me pergunto qual o Real interesse do prefeito. Sua postura parece descolada do mundo que vivemos. As melhores cidades do mundo buscam áreas verdes conservadas e é isso que o prefeito ataca. (não é só ciclofaixa não, é verde também!!!!)
    A postura do prefeito demonstra um viés ideológico higienista como se quem morasse em bairros arborizados fossem o responsável pelos pecados da cidade.
    Se a atenção fosse melhor verificaria que nos bairros arborizados encontramos o que resta de ilha de tranquilidade e conservação ambiental na cidade. A decisão de preservar estes bairros é um objetivo ambiental e a cidade precisa de nosso zelo com o verde.
    Lembro ao leitor que a violência proposta é muito maior, vejam o que aconteceu em 22 dezembro na câmara municipal.
    “No último dia de trabalhos legislativos de 2015, ocorrida nesta segunda­ feira, 22, os vereadores de São Paulo aprovaram 106 projeto de lei, sendo 35 deles em segunda votação — que serão levados para a sanção do prefeito Fernando Haddad (PT).”
    Como é possível uma análise adequada em 106 projetos num único dia.
    Precisamos estar atentos e atuantes, pois o prefeito é o que é porque a câmara é o que é!!!!
    Vamos ver se nas próxima eleições conseguimos mudar algo para melhor !!!!!

    • Prezado Claudio,
      Muito boa a sua informação e colocação.
      Uma saída seria o ADOTE UM VEREADOR.
      A qualidade e a postura da Câmara segue o Executivo. Aliás como em todas as camadas deste infeliz Brasil de hoje, Estados e Federação não fogem esta regra que ora vivemos em São Paulo.
      A reforma eleitoral precisa vir urgente. O voto obrigatório é uma das causas da desqualificação destes homens públicos.

  4. Aproveito para agradecer o acompanhamento firme do Carlos Magno a questão da lei do Zoneamento, que permitiu que este blog estivesse atualizado com o debate e inspirando outras pessoas a participar dele como se perceber nos comentários deixados neste e nos demais posts assinados pelo Carlos. Como diria um velho amigo: “a luta continua”, afinal a lei ainda será votada em fevereiro.

  5. Pingback: São Paulo respira, mas perigo permanece: lei de Zoneamento ficou para fevereiro | ivanmaglio

  6. Hoje o G1 apresenta um balanço da gestão de Haddad, e prova que estatistica é ferramenta que precisa ser analisada com cuidado. Veja que registra que a promessa do Plano Diretor foi cumprida:

    REVISAR E IMPLANTAR O PLANO DIRETOR

    Promover a revisão e implantação do Plano Diretor, com horizonte temporal em 2024, paralelamente ao estabelecimento de um programa de metas a ser cumprido até 2016.
    Promessa consta do programa de governo.
    STATUS: cumpriu –

    Absurdo. Basta cumprir? De que maneira? Para o bem ou para o mal?

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