Por Maria Lucia Solla

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung
Por Elza Conte
ouvinte-internauta da CBN
Eu sempre discursei muito a vida toda, sobre a importância para os paulistas do dia 9 de Julho. Quando o governador Covas decretou este feriado, foi uma emoção muito grande para mim. Sempre que converso sobre o assunto, lembro de minha Nona, Dona Marieta. Todos conheciam bem a história dela, viúva com 32 anos (1928) e, segundo conta-se, quase morreu ao perder seu grande amor. Com quatro filhos pequenos para criar, a maior com sete anos e a menor com oito meses, trabalhou e lutou muito para sobreviver.
Convivi pouco com essa adorável criatura, mas o suficiente para lembrar as homenagens, ainda após 30 anos do falecimento do vovô Vicente, nas datas referentes. Todos precisavam fazer muito silêncio. Varrer o chão jamais. No dia anterior a essas datas, os alimentos eram cozidos, para que o fogão não fosse utilizado. No máximo, apenas esquentar a comida. Tudo estava direcionado ao silêncio. O fósforo sendo riscado, já poderia ser uma forma de sair do estado de concentração. E nós netos, seguíamos a Nona sempre com muito interesse e respeito.
Bem, toda esta descrição é para mostrar-lhes o quanto de amor eterno nossa amadinha Nona tinha pela lembrança do vovô Vicente. Ainda assim ela não tinha sua aliança de casamento original, porque havia sido doada no movimento da Revolução Constitucionalista de 1932. Imaginem a importância dessa doação.
Este fato por si só, sempre me fez prestar muita atenção nas lindas histórias românticas que ouvi sobre esse episódio em São Paulo. A revolução de 1932 liderada por São Paulo tem precedentes desde 1920 e que faz caminhar até os anos do Estado Novo e aos 15 anos de Ditadura, no Brasil.
Alguns aspectos muito importantes gostaria de destacar, que ainda fazem parte das mentes dos nossos patrícios. Muitas vezes eu ouvi:
– Ah, se a revolução de 32 tivesse dado certo, hoje estaríamos separados do Brasil.
Esta propaganda inteligente, porém destrutiva, foi uma das principais armas do governo da República, para motivar os soldados a combater os paulistas, e fazer muitos Estados, que inicialmente iriam aderir ao movimento, desistir.
Fundamentalmente, a Revolução Constitucionalista de 1932 combatia o governo provisório de Getúlio Vargas, instaurado em 1930. Os revolucionários exigiam uma nova Constituição e eleições presidenciais para o Brasil. Nunca foi intenção do movimento separar São Paulo do Brasil. Foram três meses de conflito. O movimento congregou toda a sociedade paulista e paulistana, que atingiu o emocional da população quando da morte, em 23 de maio, do mesmo ano, de quatro jovens: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, o MMDC. Houve uma organização exemplar para confecção de uniformes, compra de material bélico, suporte aos soldados. Foi onde entrou a aliança de minha avó. Sinônimo de amor sem precedentes para mim.
Além da propaganda enganosa sobre as intenções dos paulistas, o suposto erro foi a falta de estratégia dos nossos soldados, muito mais alimentados de sonhos do que de metas. A suposta aliança entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul acabou voltando-se contra São Paulo, seduzidos pelo populismo de Getúlio Vargas.
“E São Paulo, sozinho, descobriu que de nada valeriam seus 25 mil voluntários animados e idealistas, sem armas e munição. Os dois meses de luta que se seguiram foram pródigos em criatividade e heroísmo. A eloqüência dos tribunos, as histórias guardadas nas sagas familiares paulistas – em cujas casas as sucessivas gerações preservaram as relíquias constitucionalistas, capacetes, granadas e cartuchos, e esconderam a “bandeira das 13 listas” cantada pelo poeta Guilherme de Almeida e queimada e proibida por Getúlio – formariam acervo precioso de que hoje ainda bebem historiadores.” (Cecilia Prada)
Aqui cabe uma explicação muito interessante sobre a velocidade das informações na época. Nos últimos dias de setembro de 1932, o governo republicano já considerava terminada a revolta. Enquanto os comandantes trocavam consultas e protocolos de um possível armistício, as tropas decidiam em vários pontos prosseguir a luta. Inconformados, oficiais e praças fogem para tentar continuar a campanha em Mato Grosso. Somente em três de outubro foi considerada terminada uma revolução que na verdade, já havia se encerrado há um mês. Um ex-combatente, que fez certa vez uma palestra na faculdade que eu estudava, disse que não havia como eles saberem que a Revolução havia terminado. Hoje se sabe destas informações, quase ao mesmo tempo de seu acontecimento.
As histórias envolvendo Getúlio Vargas são surpreendentes. O seu poder de persuasão era muito forte. A minha avó, que deu sua aliança para o “bem de São Paulo”, nunca admitiu que o Pai dos Pobres, como conhecido, pudesse trair seus vizinhos. Em 1955, quando Getúlio Vargas morreu, ela chorou copiosamente, repetindo o que ouvia no velho rádio: Estamos órfãos….
Elza Conte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade, envie um texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa no e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.
Por Ricardo Ojeda Marins
História, prestígio e tradição. Esses são alguns dos principais atributos de uma marca de luxo. A Fabergé, fundada em 1842 por Gustav Fabergé, é a prova disso. Famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas, e sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Verdadeiras obras-primas da joalheria produzidas por ele e sua equipe entre os séculos XIX e XX para os czares da Rússia.
Se uma marca de luxo tem uma história, nada mais interessante que seu público-alvo a conheça. Admiradores da Fabergé agora contam com uma novidade: a grife criou um documentário com toda sua história e tradição que pode ser conferida nas telas de cinema com o lançamento mundial do premiado documentário Fabergé: “A life on its own”.
O filme mostra objetos requintados da Fabergé em detalhes impressionantes gravados através das mais avançadas lentes cinematográficas.
Produzido em associação à Arts Alliance, o documentário chegou aos cinemas em 29 de junho deste ano em países como Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Canadá, Rússia, mas ficará em cartaz por tempo limitado. Os espectadores também terão acesso às coleções particulares de alto luxo, com a participação de especialistas e entrevistas com descendentes da família Fabergé.
Além de descrever a ascensão de Peter Carl Fabergé quando trabalhava sob o patrocínio dos czares Alexandre III e Nicolau II, em São Petersburgo, Rússia e a expansão internacional da marca, o filme mostra também a história de um ovo imperial que estava desaparecido e que quase chegou a ser derretido por um comerciante de sucata, antes de perceber o seu verdadeiro valor.
Veja uma amostra da qualidade do trabalho cinematográfico no trailer do documentário:
Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.
Grêmio 1×0 Cruzeiro
Brasileiro – Arena Grêmio
Estou passando em algum ponto qualquer próximo do continente africano a caminho do europeu. Faltam pouco mais de quatro horas de voo até Munique, primeira parada antes de chegar ao destino final, Roma. São 37 mil pés de altitude, e acabo de vibrar com mais uma vitória do Grêmio, a quarta seguida neste campeonato.
Quando deixei São Paulo, cheguei a lamentar com os parceiros de viagem o horário do voo, que me impediria de assistir ao jogo desta noite, na Arena. Como, porém, era a melhor opção neste início de férias, registrei, antes do embarque, em telefonema para o meu pai, o desejo de sorte para nós, nesta partida contra um adversário clássico do futebol brasileiro. Era o bicampeão que estaríamos enfrentando e tendo o desafio de manter uma sequência de vitórias difícil para o nível da competição.
Fui,porém, surpreendido pela tecnologia. O avião da Lufthansa no qual embarquei oferece acesso à internet ao custo de 9 euros uma hora e 14 euros por quatro horas. No anúncio que fazem dizem que é oportunidade para as tarefas corporativas e acesso aos amigos pelas redes sociais. Eu tinha um só interesse, assistir ao jogo do Grêmio e o fiz pelo aplicativo do Premier.
Foi gratificante, a caminho das férias, ver o Grêmio jogar mais uma vez futebol de gente grande. Luan acabou com o jogo e não por acaso sofreu o pênalti que nos fez justiça, depois de uma série de chutes defendidos pelo goleiro adversário. A marcação e a velocidade na troca de passes se repetiram e foram fundamentais para a conquista.
Ao fim do jogo ainda deu tempo de ouvir Douglas dizendo que queremos ir longe neste campeonato e lembrei de Avalanche publicada recentemente quando fui efusivo ao escrever que o Grêmio chegaria ao G4 e além.
Só não esperava mesmo é que o Grêmio fosse junto comigo tão além-nuvens assim como nesta noite.
Aqui do alto, saudações tricolores!
Por Antônio Augusto Mayer dos Santos
Carecendo de tradição democrática mais profunda, o país que está na sexta Constituição Federal em menos de um século e meio de república necessita redefinir seu formato politico-institucional. O atual não convence mais. Não funciona mais. Não satisfaz mais.
Mas qual, dentre tantos, seria o adequado? Aquele que melhor conciliar as características nacionais. Para isso, é essencial levar em conta que não há sistema perfeito que tenha satisfeito, satisfaça ou vá satisfazer a unanimidade. Por quê? Porque como tudo na vida, cada um contém os seus defeitos e virtudes, em maior ou menor escala. No Brasil não é diferente. Basta referir que conceitos como cidadania e mandato, ainda que muito abstratos e não chegando ao cotidiano da maior parcela da população, não a impede de atribuir níveis acachapantes de desconfiança e rejeição à política e aos políticos a cada pesquisa de opinião que é realizada. As últimas propostas votadas não qualificam substancialmente a democracia.
O lamentável é que mesmo diante dessa penúria, a reforma política é apenas uma miragem, uma palavra solta sem conexão. Só existe na teoria, na retórica das entrevistas, das frases-feitas e dos bordões de campanha. Nunca foi objeto de uma agenda parlamentar realmente ambiciosa e conclusiva. Transformada numa espécie de obsessão nacional adornada com argumentos sedutores, foi amesquinhada, virou palavrório, bolor e até piada. Ninguém acredita na sua efetivação. Da distante Comissão Temporária instalada em junho de 1995 para cá, vinte anos e seis legislaturas escoaram sem qualquer mudança, embora o Congresso Nacional tenha produzido um volume considerável de projetos dotados de potencial reformador.
O cenário de falcatruas e de dinheirama desviada evidencia que nem os abalos institucionais mais recentes geraram aprendizado para efetivá-la. Porém, não obstante um parlamento integrado por maiorias autointeressadas e eficientes na blindagem do modelo atual para sobreviver eleitoralmente, há espaço para reações. Essa fadiga levada quase à exaustão pode ser um campo fértil para pautas menos intrincadas e mais convincentes.
Trabalhosa mas possível, a edificação de uma nova engrenagem representativa depende do interesse dos cidadãos não apenas exigi-la como saber de que maneira isso pode realmente aperfeiçoar a modesta democracia do Brasil. Do contrário, o tema continuará raso e saltitando de legislatura em legislatura, como se fizesse parte de uma peça teatral monótona e de longa temporada onde cada ato repete o anterior e não empolga quem assiste mais do mesmo.
Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Escreve no Blog do Mílton Jung.
Danilo Barboza
Movimento Voto Consciente
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em votação relâmpago, em três dias, desde o protocolo do projeto à votação em plenário, um aumento de 660 assessores de livre provimento para os gabinetes dos vereadores. Isto é um absurdo.
Não estarão contratando assessores, e sim cabos eleitorais – com o nosso dinheiro, pois estes assessores poderão ser usados para “trabalhar nas bases”. Estarão estabelecendo uma vantagem injusta e, a meu ver, ilegal sobre todos os eventuais candidatos que com eles concorrerem em 2016 – o TRE pode ter uma visão interessante sobre isto. De novo: com o nosso dinheiro. Estarão aumentando em muito a disparidade entre a quantidade de funcionários concursados e os de livre nomeação trabalhando na casa.
Alegam os vereadores que não haverá custo extra, pois a verba de gabinete, donde sai o pagamento dos assessores, não aumentou. Isto não é verdade, pois o auxílio refeição e o bônus de fim de ano não estão incluídos nesta verba de gabinete. Estima-se um gasto extra com essas duas rubricas de R$ 4 milhões neste ano e de R$ 7 milhões, em 2016.
O projeto foi aprovado em primeira votação. A próxima sessão da Câmara será hoje quando os senhores vereadores já estarão votando, e, certamente, aprovando em segunda e final votação, o projeto dos assessores.
E será que alguém gostaria de patrocinar um bolão sobre o tempo que demorará a apresentação de outro projeto aumentando a verba de gabinete?
Será que o Presidente da Mesa Diretora, que protocolou o projeto, aceitaria colocar um artigo proibindo aumentos da verba de gabinete, afora os advindos do crescimento vegetativo do valor?
Por Carlos Magno Gibrail
Em clara defesa de alguns comerciantes e proprietários de imóveis localizados em áreas com restrições, Alencar Burti, presidente da ACSP-Associação Comercial de SP e da FACESP-Federação das Associações Comerciais de SP, através de artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, sugere que a nova Lei do Zoneamento respeite a realidade atual de São Paulo, pois segundo ele esta é a verdadeira cidade e deve ser mantida.
Leia aqui o artigo assinado por Alencar Burti no Estadão
Manifestação um tanto parcial, se considerarmos o abrangente papel da ACSP através do tempo quando a entidade destacou-se nos momentos mais relevantes da história brasileira e paulista. Lutando sempre no sentido de romper, mudar e melhorar.
Burti, ao propor legalizar as ocupações em áreas desvirtuadas, segundo ele pelo tráfego, desconsidera que os comerciantes ilegais de então participaram da descaracterização tanto quanto a Companhia de Engenharia de Tráfego-CET, que, como sabemos, atua divorciada da cidade, em benefício somente do trânsito.
Até a fraca postura da Prefeitura em relação às Zonas Estritamente Residenciais-ZERs é temida por Burti, que é direto na proteção ao comércio:
“boa parte do comércio nesses lugares já está instalada e em pleno funcionamento. Proibi-lo causaria prejuízos aos comerciantes, que teriam de fechar as portas ou se reorganizar, buscar outro local que autorize o comércio. Isso não está nos planos do empreendedor, que já sofre as dificuldades de manter um negócio”
Burti sugere ainda que as ZERs contemplem espaço para farmácias, padarias, escritórios, etc. Justo esse que é o ponto mais vulnerável e agressivo da proposição. Os moradores das ZERs são categóricos em afirmar que não querem os corredores comerciais e esperam que se ponha fim ao atual sistema de degradação crônica.
A cidade de São Paulo oferece um complexo de shoppings, ruas especializadas, centros de convenção, hotéis, cinemas, teatros, bares, restaurantes, casas de show, estádios e tudo o mais. Será que precisamos ainda mais?
Ou devemos mudar conceitos e buscar mais qualidade. De vida e de cidadania?
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.
Por Biba Mello
FILME DA SEMANA
“Elsa e Fred Um Amor de Paixão”
Um filme de Marcos Carnevale.
Gênero: Amor.
País:Espanha/Argentina
Dois senhores se apaixonam… Elsa é cheia de vida e Fred rabugento e melancólico. Fred é o novo vizinho de Elsa e ele acabou de perder a esposa. A urgência pela vida é grande. Os dois não terão um futuro juntos. Querem viver o momento; cada um a seu modo.
Por que ver:
É um daquele filmes que te leva a uma reflexão profunda sobre nossas vidas seja qual for o momento dela. Nos leva a pensar sobre a única certeza que insiste em estar presente a cada resfriado que pegamos… a morte. Será que estou inteira em minha vida, no meu trabalho, com meu marido e filho, amigos? Cada vez que assisto a este filme, me dá uma vontade louca de viver, um momento Carpe Diem total.
Existem duas versões do filme, uma mais atual, com um de meus atores favoritos na pele de Fred, Christopher Plummer, e, interpretando a Elsa, a Shirley Maclaine; e a versão argentina que foi a que eu vi. Portanto, estou falando da versão original, ok?
Nessa, a atuação do casal é tão soberba, precisa e tocante, que a cada olhar e a cada gesto nos faz estar na pele daquele personagem, expondo nossa própria história com uma crueza cortante. É aí que fica evidente o quanto este filme/roteiro foram construídos em cima do talento destes atores que são capazes de nos despirem com suas atuações.
Como ver:
Com alguém bom de papo. A conversa vai durar por horas.
Quando não ver:
Se você tiver menos de 10 anos(classificação do filme), no mais, vale tudo.
Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Aqui no Blog do Mílton Jung, sempre disposta a oferecer uma boa sugestão para você
O dilema é antigo e, apesar de para mim sempre ter sido coisa bem resolvida, sei que muita gente ainda tem dúvida sobre seus próprios sentimentos: você prefere ver a seleção campeã a comemorar o título de seu time? Nunca pestanejei: quero o Grêmio campeão e azar de quem não gostar do que penso. Prova disso foi o que aconteceu nesse sábado em que o futebol tomou conta da programação a partir da tarde com a rodada do Campeonato Brasileiro e se estendeu à noite com a Copa América.
Ver o Grêmio em campo me causa muito mais apreensão e nervosismo do que a seleção. E não é por confiar menos no time gremista. É por torcer mais. Desejar muito mais uma vitória nossa do que qualquer outra (ao menos quando a referência é o futebol). E, nesse sábado, o desejo da vitória começou a ser atendido quando ainda nem havia me ajeitado direito no sofá.
Em jogada relâmpago, a pressão gremista provocou o erro da defesa adversária e, com apenas seis toques na bola, a partir da nossa intermediária, Pedro Rocha apareceu na entrada da área para marcar. Soube depois da partida, porque durante o jogo o locutor da televisão insistia em repetir que o gol havia sido no primeiro minuto de jogo, que nosso atacante fez o gol mais rápido do campeonato ao assinalá-lo aos 37 segundos. Foi o suficiente para voltar a ouvir elogios ao talento do jovem Rocha, apesar de não me iludir com isso, pois bastará uma partida dele sem gols, um erro diante do goleiro, para surgirem os que implicam com o futebol do guri. Dia desses houve até quem escrevesse que ele não era um atacante de verdade para explicar o gol desperdiçado na derrota para o São Paulo.
Aliás, lembro ter lido em algum lugar qualquer, após aquele mesmo jogo contra o São Paulo, que Luan era um “moscão”, a alegria dos zagueiros, o meia do drible para trás e outras coisas do mesmo nível. Com seu estilo diferente de jogar e difícil de marcar, Luan já é o segundo goleador do time, o que mais finaliza, dribla e dá assistência a seus companheiros. Nesse sábado, ainda marcou um gol em excepcional cobrança de falta. Colocou a bola por cima da barreira e no ângulo, como manda a cartilha. Foi mestre em segurar o jogo quando éramos pressionado e quase voltou a marcar no segundo tempo, após sequência de dribles dentro da área.
Claro que a vitória não poderia ser tão tranquila assim, especialmente por estarmos jogando na casa do adversário. A reação haveria de acontecer nem que fosse pela força de vontade, já que tecnicamente éramos superiores. No entanto, nossos laterais substitutos funcionaram bem, com destaque para o garoto Marcelo Hermes. A defesa se garantiu como pode e Tiago voltou a mostrar valor. Os volantes também deram conta do recado, ao menos enquanto Walace e Maicon formaram a dupla à frente da área. E nosso conjunto mesmo pressionado garantiu a primeira vitória fora da Arena.
Assim que se encerrou a partida, com o Grêmio beliscando a terceira posição e se aproximando do líder, situação que pode mudar conforme a combinação de resultados deste domingo, satisfeito com a vitória, peguei o casaco para afugentar o frio e me arrumei para assistir à missa das seis da tarde, na capela próxima de casa.
Ouvi ainda alguém me perguntar: e a seleção? Que tenha a mesma sorte do Grêmio, pensei comigo. Não teve.
Por Maria Lucia Solla
Pensando na palavra, seus significados, cor, textura, sonoridade, gingado, malemolência, me dou conta de que nós somos palavras.
começamos com um sim
terminamos com um não
você olha pra mim
acelera meu coração…
Começamos sendo um nome, um xis peso e tal medida, e terminamos pesados e medidos na nossa despedida.
Hoje entendo melhor uma das frases preferidas do meu pai. Dizia que ‘nosso nome é nosso único bem’. Achava exagero seu, mas ele já sabia do que somos feitos, quando eu nem sabia falar.
me revelo
você se revela
nos unimos
separamos
sempre apoiados nela
Ando triste de tanto ver nossa Língua Portuguesa abusada por quem deveria ensinar o que não fala, a falar, e o que não escreve, a escrever.
Por falar nisso, você sabe como surgiu o termo você?
Vem de Vossa Mercê, que fatiado virou voismicê; daí para o apelido foi um escorregão, e virou ocê, até voltar a você. Só que que gora virou cê – Ce vai? ‘Vô! – c vai – vo.
E assim vai a vida.
(Inspirado no meu trabalho de hoje, com um delicioso grupo de Costa Rica. Um beijo para eles)
Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung