O luxo de Ralph Lauren está de volta a São Paulo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A grife americana Ralph Lauren, famosa por ter como um de seus principais ícones a camiseta pólo com um cavalinho estampado, inaugurou esta semana a primeira loja própria no Brasil, no Shopping Cidade Jardim, no bairro do Morumbi, em São Paulo. A inauguração contou com a presença de nomes como o jogador de pólo argentino Nacho Figueras, modelo da marca, a atriz Camilla Belle e socialites como Kika Rivetti e Ruth Malzoni. Estiveram lá, ainda, nomes ligados à moda, entre estes Costanza Pascolato. David Lauren, Vice-Presidente Executivo Global de Publicidade, Marketing e Comunicação Corporativa da grife e filho do estilista Ralph Lauren também esteve presente para recepcionar os convidados.

 

Para a tristeza de alguns, ou diria eu, de muitos consumidores, a luxuosa loja da marca não venderá suas icônicas camisetas pólo. A estratégia da marca é mostrar ao consumidor brasileiro que a grife vai muito além das pólos. Seus sofisticados 800 metros quadrados incluem diversos salões com decoração requintada e que seguem os padrões da marca ao redor do mundo, e conta com um bar onde clientes podem degustar cocktails, petiscos e doces. A marca americana disponibiliza em sua loja brasileira peças masculinas e femininas dos produtos mais sofisticados: da coleção Ralph Lauren Collection (feminina) e Purple Label (masculina), além de acessórios, artigos de couro e alguns itens para casa.

 

Ralph Lauren teve lojas no Brasil até 2001, quando foram todas fechadas, uma vez que a operação da marca por aqui era comandada por um grupo argentino e, com a crise na Argentina, a empresa não pôde dar continuidade em sua gestão. Anteriormente ao grupo argentino, a grife americana teve sua operação no país comandada pela empresa São Paulo Alpargatas.

 

Nascido Ralph Lifshitz, Ralph Lauren iniciou sua carreira vendendo gravatas e hoje é dono de uma das marcas mais importantes do mercado do luxo, criada em 1967. A grife aposta em criações de luxo acessível, como camisetas e pólos, mas aposta também na coleção de produtos de edição limitada, como podemos ver na loja brasileira. Sua sofisticação e cuidado nos detalhes está presente em todas as hierarquias do luxo onde a marca atua. Lauren representa um estilo de vida.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: insistente como a água, perseverante como nós!

 

Grêmio 2 x 0 Campinense
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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“A água mole cava a pedra dura”, escreveu Ovídio dois milênios atrás, frase que ganhou variações conforme a cultura, mas sempre para enaltecer o perseverante, virtude dos vitoriosos. As conquistas vem desse esforço às vezes incompreensível. Esta insistência que está atrelada a paciência tende a ser premiada ao final, desde que moldada pelo talento e inteligência. Aqui no Brasil, o provérbio criado no latim transformou-se no verso “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Ou, em bom português: insiste que dá. E não é que deu!

 

Foram necessários 63 minutos, mas nossa insistência em atacar, chutar e tentar foi premiada não apenas com um, mas com dois gols na partida de ontem à noite, pela Copa do Brasil. Fazia tempo que não via a gente se esforçar tanto para chegar ao gol. Jogadas bem construídas, troca de passe relevante, chegada de nossos alas na linha de fundo e nossos meias se aproximando dos atacantes na área: este somatório nos permitiu chutar pela direita, pela esquerda, por baixo, por cima, colocada, no travessão, nas mãos do goleiro , no peito do adversário … só não conseguíamos chutar na rede.

 

O futebol que nos levava na cara do gol, não parecia capaz de nos levar a fazer o gol. E isto é um perigo neste esporte sempre cheio de frases prontas a serem executadas. “Quem não faz leva”, logo passaram a lembrar alguns. E o pior cenário apenas não se desenhava porque o adversário não tinha competência para superar nossa defesa, mais uma vez bem posicionada. Escapou uma ou duas vezes, não mais do que isso. Mesmo com baixo risco, classificar-se à próxima fase da Copa só com um empate em casa seria frustrante.

 

Justiça se fez no segundo tempo. Primeiro no gol de Douglas, que curiosamente só marcou porque dois dos nossos desperdiçaram a jogada, na sequência; e depois no de Lincoln, já nos acréscimos. Mas, principalmente, no excelente futebol de Yuri Mamute, que entrou para desequilibrar a partida, novamente. Verdade que ele também perdeu seus gols e jogadas. Mas assim como todo o time não se desesperou por causa disso, apenas continuo lutando na crença de que seria recompensado. Ao deixar o campo, consagrado mais uma vez, nosso jovem atacante ainda teve tempo de demonstrar equilíbrio: “sou titular entre os 18”.

 

Mamute deve voltar ao banco no próximo jogo. Braian Rodriguez continuará sendo escalado como titular até porque ele, Luis Felipe e toda a torcida do Grêmio sabem que “un goteo constante puede erosionar una roca”. E nossa paciência é Imortal!

Senhor Prefeito: nossos bairros são nossos Parques!

 

Por Regina Monteiro
Arquiteta e urbanista
Artigo escrito para o Blog do Mílton Jung

 

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São Paulo não tinha um Plano Diretor até 1971 e a cidade cresceu a partir dos proprietários de glebas que abriram ruas e venderam lotes sem planejamento e regras de usos para os imóveis que surgiam. A falta de critérios urbanísticos levou a Cia City e outras proprietárias de grandes áreas, que se preocupavam com a qualidade urbanística dos seus empreendimentos, a fazer projetos de BAIRROS JARDIM nos moldes das Cidades Jardim Europeias.

 

Para atrair compradores de terrenos na década de 20, distantes do burburinho do centro antigo, as companhias loteadoras investiram em projetos com padrões urbanísticos diferenciados. As ruas deveriam ser sinuosas com pouca largura, já com a preocupação de impedir o fluxo intenso de trânsito por se tratar de bairros para moradia, contrapondo o traçado ortogonal imposto então pelas leis municipais da época.

 

As calçadas deveriam ser largas com faixas verdes impermeáveis e as ruas densamente arborizadas. Para a salubridade e permeabilidade dos lotes, as loteadoras exigiram recuos dos vizinhos, altura máxima das casas, áreas que não deveriam ter nenhuma construção, não poderiam ser construídos prédios que permitissem mais de uma família no mesmo terreno e dependendo das características de cada bairro planejado era exigido um tamanho mínimo generoso para cada lote.

 

Para garantir aos compradores que os investimentos poderiam ser feitos e que as regras exigidas não seriam mudadas, as companhias aprovaram os projetos de loteamento na Prefeitura e as plantas e os memoriais descritivos com as regras exigidas foram averbadas e registradas em cartório.

 

Todas as escrituras dos compradores deveriam conter todas as regras estabelecidas e desta forma foram consolidadas, o que hoje conhecemos como “restrições contratuais”. Ou seja, ninguém seria enganado. Os compradores já sabiam de antemão que o seu terreno era diferenciado, tinha regras claras e específicas e fazia parte de projeto urbanístico e contido em um BAIRRO JARDIM.

 

Os anos passaram e o novo conceito urbanístico foi um sucesso e assim nasceram o Jardim América, Alto de Pinheiros, Jardim da Saúde, Jardim da Aclimação e muitos e muitos outros. O que mais impressiona é que até a primeira lei de zoneamento os BAIRROS JARDIM foram preservados por todos. Quando o primeiro Plano Diretor foi aprovado em 1971 e a primeira lei de zoneamento em 1972, 40 anos depois do surgimento dos consagrados BAIRROS JARDIM, os legisladores entenderam a importância histórica, urbanística e ambiental e criaram então zonas especiais para estes verdadeiros parques e chamaram de Z1. E mais, criaram um artigo na Lei só para as regras exigidas pelas loteadoras e foram registradas nos cartórios que faço questão de transcrever:

 

“Art.39 – Ficam mantidas as exigências de dimensionamento, recuos, ocupação e aproveitamento do lote, estabelecidas em documento público e devidamente transcritas em Registro de Imóveis, para arruamentos aprovados pela Prefeitura, sempre que as referidas exigências sejam maiores do que as fixadas na Lei nº 7.805, de 1º de novembro de 1972, e as da presente lei.”

 

Foi aí que tudo começou. Parece que bastou dizer que não pode, para atiçar o mercado imobiliário. São Paulo tem 1.509km², mas há 40 anos que querem comer pelas bordas os 4% de BAIRROS JARDIM. Desde então a sociedade mobilizada luta contra os especuladores que querem adensar a cidade e vender a VISTA PARA A ZONA 1.

 

Tivemos então que apelar para os órgãos de preservação do Município e do Estado e conseguimos de forma inédita o tombamento das características urbanísticas de alguns BAIRROS JARDIM. Nestes últimos 40 anos, vai governo, vem governo, grupos se mobilizam para mudar o zoneamento dos BAIRROS JARDIM e acabar com as regras registradas no cartório.

 

Os BAIRROS JARDIM são hoje, mais do que uma referencia histórica de padrões urbanísticos consolidados. São UNIDADES AMBIENTAIS fundamentais para nossa cidade.

 

A carta da temperatura da superfície do Atlas Ambiental da cidade de São Paulo demonstra as ilhas de calor e mostra claramente que os BAIRROS JARDIM possuem pelos menos 6° C a menos que as demais regiões. No mesmo Atlas Ambiental notamos que as poucas regiões da cidade com alguma cobertura vegetal são exatamente os BAIRROS JARDIM.

 

A Prefeitura esta neste momento revisando o zoneamento da cidade. Em vez de propor novos BAIRROS JARDIM para diminuir as ilhas de calor e aumentar a área permeável da cidade, espalhando qualidade de vida de forma justa para todos, adivinhem o que estão propondo? Uma tal de Zona Corredor que como uma faca corta os tecidos consolidados dos BAIRROS JARDIM.

 

Por conta da falta de uma hierarquização viária séria e “deixando” uma Companhia de Engenharia de Trafego jogar carros, caminhões circulando por dentro dos BAIRROS JARDIM, (lembrando que o viário lá na década de 20 foi feito justamente para impedir o tráfego intenso), em nome do progresso, que a cidade esta mudando e que precisamos aproximar a moradia do trabalho, a Prefeitura inventou a tal Zona Corredor que vai permitir o comércio permeando os BAIRROS JARDIM, premiando quem já esta lá irregularmente e atraindo evidentemente mais trânsito que é o grande vilão das características urbanísticas de preservação.

 

Senhor Prefeito, um apelo sincero. Não deixe que os seus técnicos, de forma dissimulada acabem com os BAIRROS JARDIM de São Paulo. Ao contrário, crie mais BAIRROS JARDIM. Faça com que os Jardins Ângela da cidade tenham as características urbanísticas e ambientais do Jardim Paulista.

 

Prefeito, atente: os BAIRROS JARDIM são os nossos Parques! Nós vamos brigar muito por eles!

 

O hoje e o amanhã do varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Na posse do novo Conselho da ABRASCE os empreendedores e executivos de Shopping Centers ouviram na quarta-feira valiosas informações.

 

Alberto Serrentino, palestrante da NRF 2015 e titular da VARESE Retail & Strategy, apontou o bom momento das grandes organizações de varejo, que mesmo com as incertezas econômicas estão em expansão. O tempo em que os maiores varejistas desapareciam diante das crises está longe.

 

O número de lojas que abrirão este ano é significativo. Lojas Renner 45, Riachuelo 40, Magazine Luíza 40, C&A 29, Forever 21 21, Lojas Americanas 140, Óticas Carol 170, etc.

 

O varejo em geral teve alta de 1,8% nos últimos doze meses, embora tivesse queda de 6,4% no fluxo de pessoas nas lojas de rua e Shopping na comparação do primeiro trimestre com 2014. Apenas o setor de moda teve queda, mantendo o mesmo -1% do ano passado.

 

A incerteza gerada pelo mau humor atual do consumidor brasileiro pode ser uma ameaça ao desempenho futuro, mas há atalhos positivos. O setor de moda lidera o e-commerce com 17% do numero de pedidos num universo de 61 milhões de consumidores. E, o OMNICHANNEL, se acentua mostrando um caminho obrigatório para o varejo.

 

O OMNICHANNEL são todos os canais servindo ao consumidor, num relacionamento pleno, em que não se sabe a origem da decisão de compra. Se do e-commerce, Mobile Commerce, TV commerce, Social Commerce,loja física,catálogo,visita porta a porta, e também de quantas idas e vindas dentro destes canais.

 

A loja física precisa ser tecnológica, a loja virtual tem que apresentar customização e relacionamento, ou seja, o “editor” deve levar em conta o aproveitamento extremo das características de cada canal, para diferenciá-los.

 

É um desafio de percepção que já está sendo entendido pelas lojas. Pelos Shoppings ainda não se sabe. Na reunião não houve uma esperada manifestação, pois as lojas de Shopping vendem pela internet e não pagam por isso.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A Vida dos Outros: para ver sem nenhum mala ao lado

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“A Vida dos Outros”
Um filme de Florian Henckel
Gênero: Suspense
País: Alemanha

 

É uma história real do sistema de espionagem existente na Alemanha durante o período da guerra fria. Nos anos 80, o Ministro da Cultura se interessa por uma atriz famosa que por sua vez é namorada de um importante dramaturgo. Com suspeitas dos dois serem infiéis às ideias comunistas, eles começam a ser espionados por um temido capitão que acaba adorando conviver com a história deles, e se envolvemdo muito mais do que deveria.

 

Por que ver:
Sabe aquele filme que simplesmente não existe a possibilidade de alguém não gostar, tipo como chocolate… Este é o caso! Sucesso total de público e critica.

 

Como ver:
Agora que começou o friozinho, você troca seu jantar por uma sopinha em frente ao sofa e aperta o play; no meu caso, que estou de regime, o filme ajudará a esquecer a fome de tão bom!

 

Quando não ver:
Se você tiver aquele amigo super mala junto! Sabe aquele que adora ser do contra? O mundo ama chocolate, ele detesta… O mundo amou este filme e ele, só para encher o saco, dirá que é ruim!!! Mala deve ficar na casa dele! A sopa será uma melhor companhia.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

 

Avalanche Tricolor: vitória da maturidade

 

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Campeonato Gaúcho – Caxias do Sul

 

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Caxias do Sul sempre foi uma espécie de parque de diversões. E não leia esta frase de forma invertida, não! Falo das lembranças de família e de juventude. Não me refiro ao futebol.  Foi lá que passei boa parte das férias na minha infância. Costumávamos dividir os 30 dias regulamentares de descaso do meu pai entre a praia e a serra. Também gostávamos de visitar a cidade dos Ferretti durante a Festa da Uva e assistíamos ao desfile na janela da casa de uma das tias de Caxias, na avenida principal. Na adolescência, passei a ir para lá com os amigos, pois éramos muito bem recebidos pela turma do basquete e batíamos bola na sede campestre do Recreio da Juventude. Gostávamos mesmo das festas à noite. Depois, foi a vez das namoradas caxiense que me faziam subir à serra gaúcha. Boas lembranças de uma época em que não cobravam maturidade nas minhas decisões!

 

Quando o assunto era futebol, porém, a coisa ficava mais complicada. Jogar contra o Caxias ou o Juventude, assistir aos jogos nas arquibancadas do Centenário e do Alfredo Jaconi e cobrir as partidas no gramado dos dois times da cidade costumavam provocar alguns surpresas desagradáveis. Além de torcidas aguerridas, as equipes da casa sempre foram bastante competitivas e o Grêmio, apesar de algumas vitórias históricas, enfrentou muitas dificuldades. Por tudo isso, o jogo dessa tarde de domingo trazia momentos marcantes à memória, para o bem e para o mal. Era de se esperar dificuldade maior do que a que encontramos. Digo isso não para desmerecer o adversário. Pelo contrário: enalteço aqui a maturidade do time gremista.

 

Fizemos um gol cedo, em lance que teve o mérito de Brain Rodriguez e o talento de Giuliano. Nosso gringo acreditou em bola que estava quase perdida pela lateral. Pouco antes já havia dado um carrinho e encarado os zagueiros na linha de fundo. Mesmo que siga sem marcar com a frequência que um centroavante precisa, mostrou-se muito mais participativo nesta tarde. E graças a isto, recuperou a bola e deu de bandeja para Giuliano, permitindo que este completasse o contra-ataque com bom domínio e chute preciso, no ângulo. Aliás, um dos únicos chutes que demos a gol. Nem precisava mais. A vitória simples, fora de casa, nos colocaria em excelentes condições de chegar à final do Campeonato Gaúcho.

 

No restante da partida, o Grêmio soube como poucas vezes acabar com o jogo sem correr riscos, exceção a um ou outro lance adversário. Segurou a bola, trocou passes à exaustão, não se precipitou, cavou faltas, dominou o jogo nos 90 e poucos minutos de disputa. Ao contrário de outras oportunidades, em que passamos sufoco e não conseguíamos manter a bola entre os nossos, fiquei impressionado com a personalidade de nossos jogadores. E, além do golaço de Giuliano, foi o que mais me agradou nesta tarde em que Caxias do Sul voltou a me dar alegrias.

Conte Sua História de São Paulo: no cortiço, os melhores dias da minha infância

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto de Mariza Christina, de 60 anos, moradora da Água Funda, que preferiu escrever uma carta à mão em lugar de nos enviar um e-mail, pois assim se sente mais próxima das pessoas:

 

 

Em 1961, eu estava com 7 anos e minha irmã, 5. Meus pais passavam por dificuldades financeiras, não podiam pagar mais o aluguel da casa onde morávamos, no bairro da Ponte Rasa, onde nasci, por isso decidiram que iríamos morar com a minha avó materna até a situação melhorar. Ela morava na Rua da Glória, entre a Rua Conselheiro Furtado e a Rua Lava-pés, bem no centro de São Paulo. Era um terreno longo e estreito com vários quartos. Imagine seis pessoas num quarto 6×3, mais ou menos, era um aperto danado, bem diferente da casa grande e confortável que vivíamos, mas para mim e minha irmã era novidade e nos divertíamos muito.

 

Naquela época era comum quartos como aquele por serem baratos e fáceis de alugar, eram popularmente chamados de ‘cortiços’. E foi nesse quarto tão simples e apertado que passei os melhores dias da minha infância. Moramos lá um ano, mas o suficiente para deixar muitas lembranças.

 

Fiquei encanada quando vi pela primeira vez o bonde, aquele carro grande que andava sobre trilhos carregando pessoas, e fiquei intrigada como elas não se molhavam quando chovia, pois não tinham portas! Será que elas abriram o guarda-chuvas?! Corri para contar à minha avó, tão curiosa e ofegante que mal podia falar. Assim que pude, a enchi de perguntas. Quanto ela me disse que os bondes iriam acabar, pois estavam sendo substituídos por ônibus, fiquei muito triste: eles eram tão bonitos! Às vezes, ficava horas no portão só para vê-lo passar, queria gravar aquela imagem na memória.

 

Todos os dias, as duas horas da tarde, saía uma fornada de pão da padaria que havia em frente a nossa casa, o cheiro era inebriante e tão delicioso que até hoje quando me lembro posso sentir aquele cheirinho maravilhoso. É inesquecível!

 

O Carnaval estava próximo. A ansiedade era grande, eu nunca tinha assistido a um desfile. Ao lado da nossa casa tinha uma lojinha que vendia de tudo; fantasias, plumas, máscaras, adereços, etc … O movimento na loja era enorme, pessoas que entravam e saíam alegres com fantasias que iriam vestir. Meus olhos brilhavam com tantas coisas bonitas e coloridas. Meus pais também iam desfilar e deixaram que eu ajudasse a escolher suas fantasias. Compraram ainda confetes, serpentinas e bisnagas de água, para mim e minha irmã.

 

Ainda não existiam blocos ou escolas de samba, eram cordões. As fantasias simples, sem luxo, porém, muito bonitas e criativas. Os cordões se concentravam na Rua Lava-pés e de lá saíam cantando marchinhas que até hoje são lembradas, subiam a rua da Glória e outras ruas do bairro. Quem não desfilava acompanhava jogando confetes e serpentinas. No ar, exalava um perfume delicioso de lança-perfume. Ao fim do desfile ia-se atrás do cordão preferido.

 

Apesar das dificuldades foram os dias mais felizes das nossas vidas e, com certeza, deixou muitas saudades em todos nós.

 

Mariza Christina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Ou mande um carta como fez dona Mariza.

Mundo Corportivo: Max Bavaresco alerta para a importância de a empresa cuidar da sua identidade

 

 

As empresas têm de entender que uma das questões fundamentais, nos dias de hoje, é que o consumidor está preocupado em saber quais são os valores, princípios e a cultura organizacional das empresas de quem estão comprando produtos e serviços. Querem saber se elas estão alinhadas com os seus valores. O alerta é de Maximiliano Tozzini Bavaresco, da Sonne Branding, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Bavaresco fala dos cuidados que devem ser adotados para que empresas e profissionais construam sua identidade.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Leopoldo Rosa, Douglas Mattos e Ernesto Foschi.

Bottega Veneta abre loja de decoração de interiores em Milão

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A grife italiana Bottega Veneta, conhecida por seus acessórios para homens e mulheres, abriu a primeira loja em Milão dedicada à decoração de interiores. Localizado na prestigiosa Via Borgospesso, o espaço de luxo foi projetado por Tomas Maier e inclui produtos para casa como móveis, luminárias, peças para mesa e acessórios. Um ambiente rico em sua criação, com obras de arte que remetem à era do Renascimento.

 

A estratégia de extensão de marca demonstra um passo grande e importante para Bottega Veneta, que teve início no segmento de decoração há cerca de 9 anos, com a criação de um banco desenhado por Maier e agora conta com espaço exclusivo na cidade que é ícone do luxo, design e moda na Europa e no mundo. O hotel St. Regis Florence, na cidade de Florença, é um exemplo bem interessante de projetos com criações by Bottega Veneta.

 

No mercado do luxo, cada vez mais grifes de prestígio investem na criação de novas linhas de produtos, o que possibilita que a marca possa atingir número maior de consumidores. É importante que as empresas sejam rigorosas e seletivas em sua política de distribuição de produtos, sempre se preocupando com a comunicação e, principalmente, criando categorias alinhadas ao conceito da marca. No caso de Bottega Veneta, que já expandiu a marca há algum tempo, a abertura deste novo espaço foi a combinação perfeita: moda, luxo, design, sofisticação e atenção aos detalhes poucas vezes apresentados com tanta harmonia.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: vitória nos pênaltis e sofrimento em família

 

Grêmio 1 (6) x 1 (5) Novo Hamburgo
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foi um momento raro em família. Mulher e filhos costumam ficar distantes da televisão quando assisto aos jogos do Grêmio. Talvez tenham vergonha de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham dó de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham piedade de me ver sofrer por causa de um time de futebol.

 

Confesso que nunca tive coragem de perguntar para eles o que sentem quando me veem angustiado por causa de um time de futebol. Provavelmente porque ficaria constrangido em ouvir a resposta. Como pode alguém sofrer por causa de um time de futebol? Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia explicar. Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia me entender. Eu sofro. Sofro muito. E nesta noite sofri mais ainda.

 

A diferença do sofrimento de hoje é que eles estavam próximos de mim. Os meninos mais do que minha mulher. Ela suportou apenas até o fim do tempo normal. Os meninos ficaram até a cobrança de pênaltis, mesmo porque tinham os computadores para se distrair. Mas estavam mais atentos à televisão do que as atrações da internet. Torciam por Douglas e não entendiam como um cara com a técnica dele era capaz de cobrar um pênalti em um poste e uma falta no outro com tanta precisão. Curtiram o sorriso de Mamute que em meio tempo fez mais do que qualquer dos gringos que vestem nossa camisa, apanhou como sempre, provocou um pênalti, dois cartões amarelos e uma expulsão, além de colocar em risco o gol adversário por mais de uma vez.

 

Eles, até mais do que este casca dura, que já nos viu desperdiçar títulos nas cobranças de pênaltis com muito mais frequência do que gostaria, jamais deixaram de acreditar que o ídolo Marcelo Grohe resolveria tudo no fim das contas. Eu, com coração sofrido e tentando amenizar a dor de uma frustração, me contive o máximo possível. Fazer vexame na frente dos filhos não é legal. A pressão diante da bola na marca fatal – como diriam os locutores de antigamente -, porém me fez perder qualquer escrúpulo (nem sei se esta é a melhor palavra, mas foi a primeira que pensei neste momento). Esfreguei as mãos no rosto, rocei as unhas no couro cabeludo, soquei o sofá, disse palavras impronunciáveis e sofri desesperadamente diante da decisão da vaga às semifinais.

 

Claro que de nada valeriam as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe se cada um dos nossos cobradores não tivessem feito o seu papel, inclusive Douglas que se redimiu ao marcar quando mais precisávamos. Mas que as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe me levaram a vibrar como poucas vezes, não tenha dúvida. Vibrei na mesma dimensão que sofri. E após pular e comemorar a classificação à próxima fase do Campeonato Gaúcho – que convenhamos é conquista nenhuma – olhei para os meninos e fiquei envergonhado. Mas eles, solidários, souberam como sempre me mostrar que entendem muito bem minha paixão por um time de futebol, até porque este time é o Grêmio, o Imortal Tricolor.

 

Aos meninos (e a toda a família) que me compreendem e a Marcelo Grohe que nos salvou, agradeço pela noite de hoje.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr