Queimando as pestanas para entender algumas coisas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu neto Gregório já está fazendo vestibulares. O plural está de bom tamanho. Afinal,estudioso como o seu avô não foi,confesso lisamente,Greg não se contenta em queimar as pestanas com um único exame. Os mais jovens,provavelmente,não sabem o que significa a expressão que,por ser um velho senhor, estou liberado para usar o termo. O significado da junção dessas duas palavras – queimar as pestanas – é algo muito antigo. Ocorre que começou a ser usada quando ainda não se dispunha de energia elétrica e os estudantes da época eram obrigados, com bem se pode imaginar,a ler as matérias prescritas pelos mestres à luz de velas ou lampiões e se dizia,meio que forçando a barra, que queimavam os olhos.

 

Não estranhem,gosto muito dos adágios e,por isso,volta e meia, lembro de um que se encaixa no meu texto. Na última quinta-feira,escrevendo sobre o absurdo que seria trazer PMs do Interior para ajudar no policiamento de Porto Alegre,repetindo o que haviam feito durante a Copa do Mundo,disse que estavam, mais uma vez, despindo um santo para vestir outro. Esperava,voltando ao início desta postagem, que o Gregório, bem mais alto que o pai dele,que jogou basquete, do juvenil ao adulto,no Grêmio,pudesse aproveitar a sua estatura e,no mínimo,tornar-se um respeitável ala. Entretanto – e aí vai mais um provérbio – o segundo em idade dos meus netos vai seguir a carreira do pai dele e a minha. Vão dizer que a laranja não cai longe do galho. Sei – e sinto muito – que frustrei o desejo do seu Aldo,meu pai. Queria ver-me advogado. E não foi por falta de esforço dele que acabei me apaixonando pelos microfones. Não sei se ficou feliz ao me ouvir nas duas únicas rádios em que trabalhei,mas acho, pelo menos,se conformou. Fico torcendo para que o Fernando que,com a Vivi,mora em Porto Alegre,faça uma boa escolha quando chegar a hora do seu vestibular. Já mostrou que é um estudante caprichoso e isso é meio caminho andado.

 

Ao lembrar como precisavam estudar à luz de velas e lampiões os estudantes de antanho sem sequer imaginarem que,um belo dia,alguém inventaria o computador e,daí para a frente,uma série de outras tecnologias que facilitariam hoje a vida deles,duvido que não pensassem serem essas benesses coisas de livro de ficção científica. Agora,lamentavelmente,as grandes invenções do homem,dependendo dos interesses dos que nos governam,servem não para facilitar a vida das pessoas. Basta que se dê uma lida nos jornais dessa terça-feira que “o governo estadual decide adiar tarifaço da CEEE na conta de luz. Por quê? Porque um aumento agora poderia prejudicar os que desejam ser eleitos neste domingo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: nossa hora está chegando

 

Grêmio 1 x 0 Figueirense
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Barcos chega a marca simbólica dos 28 gols ao decidir a partida desta noite na cobrança de pênalti. Foi a meta que ele se propôs ano passado, registrada no número da camisa, mas que só foi alcançada nesta temporada. É o nosso goleador e um dos maiores goleadores do futebol brasileiro na atualidade. Joga sempre no sacrifício, quase isolado, a espera de bolas que poucas vezes chegam redonda aos seus pés. Os zagueiros, no cumprimento de suas funções, são implacáveis com ele. Apanha por trás, por baixo e por cima. Não bastasse o que sofre lá na frente, é constante sua presença na nossa defesa. Hoje, salvou ao menos dois cruzamentos na nossa área. E, com a personalidade que lhe é comum, cobrou pênalti da maneira clássica: chute forte e no alto, sem qualquer possibilidade de o goleiro esboçar defesa. Cumpriu seu papel.

 

 

Peço perdão a Barcos, porém. Em data tão significativa para nosso atacante, vou dividir a dedicatória desta Avalanche com outro gremista que há algum tempo merece toda nossa reverência. Refiro-me a Marcelo Grohe que a cada partida revela-se maior, seja por defesas espetaculares, como as feitas em jogos passados, seja pela segurança que transmite, como na noite desta quarta-feira. Em jogo no qual a atuação do time foi mediana, Grohe se sobressaiu. As bolas lançadas para a área, os cruzamentos que se aproximavam do nosso gol e os chutes de longa e média distância desferidos pelos atacantes adversários tinham um só destino: as mãos de Grohe. Por cima, por baixo e por todos os lados. Só dava ele. E, foi o que percebi assistindo à partida pela televisão, o torcedor no estádio reconheceu seu talento ao comemorar cada intervenção de nosso goleiro como se fosse uma conquista.

 

No fim e ao cabo, o fato de o Grêmio estar rondando o G4 a pelo menos 13 rodadas deste campeonato, tem muito a ver com o desempenho desses dois talentos. Barcos, que fez mais da metade dos nossos gols na competição (13 de 25), e Marcelo Grohe, que comanda a defesa menos vazada do Brasileiro (levamos apenas 17 gols até aqui). Tem a ver com eles e com Luis Felipe Scolari que, independentemente de todas as críticas que ouça, construiu um time do tamanho do elenco que tem em mãos e cultiva uma paciência impressionante. Felipão nos faz jogar sempre no limite. Vem cozinhando os adversários rodada após rodada. Muitas vezes nos causando incômodo, desconformidade, mas convicto de que o bote para o G4 tem de ser definitivo, na hora certa. E a hora está chegando (tua batata tá assando).

Virada à paulista: de Getúlio a Aécio

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os votos paulistas no primeiro turno das eleições, pela expressividade do estado e pela concentração da votação contra o PT, tem sido um dos temas prediletos de jornalistas e analistas políticos.

 

O colégio eleitoral de São Paulo, que representa mais de 22% do total nacional, deu a Aécio 42% de votos e 25% a Dilma. Ou seja, 10,1 milhões contra 5,9 milhões. Reelegeu Alckmin com 57%, enquanto Serra interrompeu os 24 anos de Senado de Suplicy. Além disso, na Assembleia Legislativa, o PT passou de 24 para 14 deputados, e o PSDB manteve os 22, contribuindo para que a oposição ficasse com apenas 21% dos deputados e operacionalmente impotente.

 

Para esta rejeição, talvez, mais do que uma explicação, São Paulo tem uma vocação, que é a de viradas contundentes. Ora aposta em obras e elege Maluf, com a ilusão de petróleo, de fechar rios com avenidas, ou, em administrações equilibradas como as de Jânio Quadros, Carvalho Pinto e Franco Montoro.

 

Nesse aspecto, historicamente a relação mais intensa e dissonante foi com Getúlio Vargas. Em 1932 a revolução constitucionalista deixou marcas nas famílias paulistas, ao perderem filhos e maridos, em luta contra o golpe de Vargas. Anos mais tarde, em 1950, Getúlio retorna ao poder pelo voto democrático com apoio paulista. Virada e tanta, mas certamente ocasionada pela nova classe de trabalhadores que começava a surgir na indústria que se desenvolvia.

 

A virada de agora também pode estar sendo exercida pela nova classe de trabalhadores. Predominantemente urbanos, da área de serviços e mais instruídos.

 

Conjecturas a parte, São Paulo não tem nenhum logradouro com o nome de Vargas. O 9 de julho não foi esquecido.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Para ter bons hábitos, exercite-os e seja persistente

 

Mãos unidas

 

As academias de ginástica têm cadastros cheios de clientes que jamais usufruíram de suas dependências ou as frequentaram tão poucas vezes que sequer perceberam as vantagens que a atividade física pode lhes oferecer. Inscrições feitas na segunda-feira e no fim das férias são comuns, a medida que as pessoas sempre parecem mais motivadas a mudar seus hábitos. Em levantamento feito em uma das maiores unidades de São Paulo soube-se que dos 1.300 inscritos apenas 300 passam por lá três vezes por semana.

 

Pesquisa da Associação Brasileira de Academias identificou que aqueles que ultrapassam a barreira dos dois meses tendem a manter-se ativos – infelizmente apenas 1/3 tem esta persistência. O fato se explica, também, através de trabalhos desenvolvidos pela USP que identificaram como o corpo se molda a novos padrões de atividade e alimentação. São necessários de 70 a 90 dias para você adquirir um hábito, levando em consideração a repetição de comportamento de cinco a seis dias por semana.

 

Uma universidade de Londres encontrou resultados semelhantes ao analisar 96 pessoas que foram desafiadas a escolher um comportamento diário para transformá-lo em costume. A maioria preferiu introduzir no seu cotidiano atividades relacionadas à saúde, por exemplo comer uma fruta nas refeições. Após coletar informações durante quase três meses, constatou-se que, em média, foram necessários 66 dias para formar um hábito, tempo que variava de acordo com a complexidade da atividade. Curiosamente, o participante que optou por fazer exercícios físicos pela manhã não conseguiu criar o costume mesmo após encerrado o prazo dos testes.

 

Dito isso, o que nos resta para criar bons hábitos? Incluí-los no nosso dia-a-dia, sermos persistentes e, após cerca de dois meses, torná-los um costume. Ressalte-se: use a fórmula apenas para bons hábitos.

A foto deste post é do álbum de Fabiane Secomandi, no Flickr, compartilhada com licença de creative commons

Avalanche Tricolor: um jogo sob o impacto da cintilação ionosférica

 

Goiás 0 x 0 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Serra Dourada (GO)

 

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O futebol é rico em expressões que tentam explicar o que acontece dentro de campo; claro que nessa diversidade há exageros e distorções. Durante muito tempo, se dizia do time que estava perdendo o jogo que teria de correr atrás do prejuízo. Parece que hoje estamos todos convencidos de que o objetivo mesmo é correr em busca do sucesso. Deixe o prejuízo para trás.

 

Acho curioso, também, quando comentaristas falam que o time joga por apenas uma bola, como se isto não fosse uma imposição da regra. Nesse caso, porém, justifica-se: a equipe mantém o jogo em banho-maria (e eis mais uma dessas expressões) a espera de um contra-ataque ou uma bola lançada para dentro da área adversária.

 

Com isso, lembro de outra expressão comum, que por muito tempo identificava o time do Grêmio: é forte na bola parada. É usada para times que fazem gols de escanteio ou falta. Tenho saudades de um gol assim, ultimamente está difícil até acertar cobrança de escanteio (não é, Fernandinho?). Acabo de lembrar de mais uma: joga com o regulamento embaixo do braço, que serve mais para as competições mata-mata. Já fomos bons nisso, também.

 

Para não cansar o caro e raro leitor desta Avalanche, registro a última: joga no erro do adversário. Serve para quem abre mão da posse de bola, marca forte e fica a espera do passe ou lançamento errado do time oposto.

 

A despeito da falta de graça e emoção da partida de sábado à noite, no Serra Dourada, fui surpreendido ao ser apresentado a outra expressão que não sabia ter relação com o futebol: cintilação ionosférica. Foi Milton Leite da Sport TV, narrador de primeira, quem a usou para explicar – não um fenômeno esportivo – os problemas no sinal de transmissão da partida. A imagem travava e impedia que soubéssemos como seria a conclusão da jogada, apesar de que pelo andar da carruagem já não esperava grande coisa mesmo.

 

A ionosfera, camada que está de 50 até cerca de 1.000 quilômetros de altitude, ajuda nas transmissões a longa distância. É uma espécie de espelho que reflete o sinal das rádios de ondas curtas e, no passado, por exemplo, permitia que ouvíssemos emissoras de outros continentes nos famosos Transglobe. Nela também são refletidas as ondas de televisão e o sinal de GPS. O espelho às vezes causa distorções, produzidas por irregularidades na distribuição de életrons (não se perca nos detalhes), especialmente entre o pôr do sol e à meia-noite, em regiões de baixa latitude, como o Brasil. Situação que piora com os períodos de máxima atividade solar.

 

Como se vê nem tudo que cintila é ouro, e esta cintilação, além de ter prejudicado a transmissão da TV, pelo visto, influenciou o desempenho do nosso time que, assustado com o calor de 34º e umidade relativa do ar em 11%, apesar do anoitecer, fez questão de jogar com o pé no freio. Havia momentos em que antes de a bola chegar, nossos jogadores já posicionavam o corpo para passá-la para trás. Quando alguém arriscava correr, terminava o lance extasiado. Verdade que alguns dos nossos craques, como Luan, sempre parecem jogar cansados. Aliás, porque ele faz tantos gols com a camisa da seleção e não repete este desempenho com a do Grêmio? Marcelo Grohe com seu mal-estar foi o personagem do jogo, seja por refletir fisicamente o que todos pareciam sentir, o que o levou a ser substituído, seja pela defesa precisa (e sortuda) que fez em contra-ataque inimigo.

 

Tinha a expectativa que, em Goiânia, recuperaríamos os pontos perdidos no jogo anterior, em São Paulo, o que nos colocaria dentro do G4. Parece-me, porém, que o desempenho que tivemos atendeu a estratégia combinada no vestiário, haja vista que sequer tentamos substituir jogadores com o intuito de dar mais dinamismo na partida. O entra e sai foi apenas para fazer mais do mesmo. Nossos comandantes têm mais paciência do que eu. E talvez estivessem cientes do risco que corríamos frente a cintilação ionosférica.

 

Que nos próximos e finais compromissos deste Brasileiro o fenômeno não volte a prejudicar o sinal da TV nem a vontade de jogar do nosso time.

De Eleição e Lexigrama

 

Por Maria Lucia Solla

 

Olá, a poucos dias da eleição, reli por curiosidade os Lexigramas dos nomes dos candidatos à Presidência deste país, em textos que escrevi recentemente, e que foram postados aqui no blog do Mílton Jung.

 

O Lexigrama de Eduardo Campos trazia, entre tantas outras, esta frase:

 

‘Caros compadres e caras comadres, eu sou Eduardo Campos, marcado por carma para mudar a roda do poder e curar a seca do Ceará com pedra e suor, mas sem dor e sem medo.’

 

Certamente mudou a roda do poder.
Mas tem também:

 

‘Sou marcado com o dedo de Deus e de S. Amaro…’

 

Eduardo Campos faleceu na Ilha de Santo Amaro, e foi enterrado no Cemitério de Santo Amaro.

 

Outro pedacinho de frase:

 

…de mãos dadas com Deus.

 

Quanto aos dois candidatos atuais à Presidência deste país, leia você, “caro e raro” leitor,” os textos postados anteriormente, dos candidatos Aécio Neves e Dilma Rousseff, e vote bem, porque eu vou.

 

Lexigrama de Dilma Roussef x Lexigrama de Aécio Neves

 

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Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Adriana Auriemo, da Nutty Bavarian, e o sabor de uma boa franquia

 

 

“Tem de saber lidar com pessoas, tem de saber motivar, tem que ser engajado com negócio; o franqueado tem de saber que ele, embora seja dono do negócio tem algumas regras para seguir”. O alerta é da empresária Adriana Auriemo, sócia-diretora da Nutty Bavarian, que produz e vende produtos como castanhas, amêndoas e macadâmias, em quiosques espalhados por mais de 100 pontos no Brasil. Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Auriemo também conta como a marca se desenvolveu no país e as mudanças estratégicas que foram realizadas no negócio que começou, originalmente, nos Estados Unidos.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site CBN.com.br e os ouvintes-internautas podem participar pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Produzem o Jornal da CBN Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Ernesto Foschi​

Conte Sua História de SP: queria comprar um sapato novo

 

No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha o depoimento de Hilário Burri ao Museu da Pessoa. Hilário nasceu em Dois Córregos, interior de São Paulo, em 1924. Veio para a capital, depois que um irmão conseguiu alugar a casa para os pais, no bairro do Sacomã. Da casinha no Sacomã, o pai conseguiu outra no Alto do Ipiranga, época em que seu Hilário já era ajudante de pedreiro na empresa Elevadores Atlas. No caminho não havia calçada, apenas barro, o que o obrigava a levar um sapato extra na sacola. Para sair de lá, só havia uma linha de ônibus. Seu Hilário conta que todo o dinheiro que ele e os irmão ganhavam tinha de ser entregue para o pai. Até que ele resolveu mudar a ordem das coisas

 

 

Hilário Burri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode registrar, em áudio e vídeo, suas memórias. Agende entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, escreve um texto e envie para mim: milton@cbn.com.br

Trazer polícia do interior para a capital, é despir um santo para cobrir outro

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Perdoem-me,mas sou obrigado a tratar,novamente,de um assunto que já foi por mim abordado durante a Copa do Mundo,época que por diversas razões ainda não caiu no esquecimento da maioria. Era de se imaginar que não fosse um período lembrado efemeramente pelos brasileiros. Da Seleção Brasileira,então,seria melhor que não fosse lembrada,pelo menos,nos próximos quatro anos. Isso,porém,desta vez,é impossível:teremos de disputar a fase Eliminatória. Antes de seguir com o texto desta quinta-feira,esclareço por que,na primeira linha do parágrafo inicial,anunciei que vou tratar de uma questão que interessa apenas aos gaúchos,tanto os de Porto Alegre quanto os do Interior.

 

Ocorre que estão voltando a falar ou,mais do que isso,a agir,visando a transferir Policiais Militares do interior para Porto Alegre,a exemplo do que fizeram no período do Mundial. Lembro que,quando surgiu a ideia,passou pela minha cabeça um velho ditado:vão despir um santo para vestir outro. Agora,entretanto,já existe decisão judicial que proíbe o remanejo de soldados de Pelotas para reforçar o policiamento na Capital gaúcha. O Interior começa a reagir. Isso é ótimo. E,por favor,sou porto-alegrense honorário,título que me foi conferido pelos vereadores de Porto Alegre. Moro aqui desde que completei,em Caxias do Sul,uma semana de vida. Logo,alguém poderia pensar que estou tratando de uma questão com parti pris. Estou convicto de que os que moram nos municípios interioranos têm direito de contar com um contingente de brigadianos que,no mínimo,não os deixe nas mãos de bandidos,principalmente,os assaltantes de bancos,episódios com um sem número de episódios relatados e,pior,vividos por gente do Interior.

 

Se alguém duvida,que tome nota destes números assustadores:homicídios cresceram 76%;roubos de residência aumentaram 14%;roubo de veículos subiram 22% e roubos de todas as espécies chegaram a 19%. Isso depois que despiram o santo interiorano para vestir o porto-alegrense. Em reunião realizada no último dia 12,a Diretoria da Federação das Associações do Rio Grande do Sul ficou decidido que a FAMURS os prefeitos devem procurar a promotoria de suas cidadese acionar o Ministério Público para assegurar a presença normal de PMs em seus municípios. Aliás,dado colhidos na época da Copa do Mundo,quando foram remanejados para Porto Alegre deixaram claro o aumento da violência no Interior. Está na hora de se pensar e,mais do que isso,por em prática,o aumento do contingente de brigadianos,especialmente oferecendo aos interessados em vestir a farda da nossa Polícia Militar salários que combinem melhor com os perigos enfrentados por esses soldados. Que isso não fique apenas nos projetos,mas que esses sejam postos em prática por quem for eleito Governador do Rio Grande do Sul e por seus acólitos..

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Pesquisa eleitoral: você confia?

 

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A virada de Aécio no último dia, colocando-o no segundo turno, foi um dos temas preferidos nas discussões pós-eleições. Onde se destacaram as críticas sobre as prévias realizadas pelos institutos de pesquisa.

 

No geral, o uso de pesquisa como técnica e ferramenta para uma boa prática de gestão, embora essencial, não é uma unanimidade. A difusão é pequena. Restrita a grandes corporações e entidades, e normalmente com resultados positivos.

 

Na política, e principalmente nas eleições, é bem difundida e aplicada com razoáveis resultados. Observação que neste momento é contestada, pois apenas as tendências foram detectadas. Como ocorreu na disputa à presidência, que sinalizou a progressão de crescimento de Aécio Neves, mas não o apresentou seguramente como segundo colocado.

 

Sob o ponto de vista técnico, que é como se deve analisar uma técnica, as pesquisas têm demonstrado que:

 

– Desde 1989 as pesquisas sempre acertaram os presidentes eleitos.
– A pesquisa tão somente fotografa o momento, de forma que daí até a hora da cabine eletrônica poderá ocorrer mudança do eleitor. Gerada por cognição ou por fatos políticos novos.
– Os levantamentos pesquisam de 2000 a 4000 pessoas para obter o quadro de votação de 143 milhões, isto significa que conhecer eleitores pesquisados não é tarefa fácil.
– Os votos brancos, nulos e a abstenção atrapalham as pesquisas. Segundo o Blog do Milton Jung, em SP e no RJ a abstenção foi de 20%, e dentro dos votantes os brancos e nulos somaram também 20%.

 

Dentre as abordagens técnicas consistentes, matéria da VEJA desta semana, atribui confiança nas pesquisas nacionais e informa o resultado do estudo com 800 pesquisas presidenciais em 37 países, feito pelo instituto francês IPSOS, que apresentou média de erro de 3,2 pontos. A média brasileira variou de 0,9 em 1989 a 1,9 em 2010, para 3,9 pontos agora.

 

Caberá aos institutos de pesquisa neste segundo turno dirimir a questão da confiança ou desconfiança. Estou confiante. E, você?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Duda Arraes, no Flickr, publicada conforme licença creative commons