Mundo Corporativo: Maurício Goldstein fala de gestão inovadora

 

 

Uma crença fundamental no ser humano, este foi o fator diferencial que os consultores Maurício Goldstein e Vicente Gomes, da Coral, encontraram nos líderes de 24 empresas identificadas por eles como adaptadas as atuais exigências do mercado. O resultado desta pesquisa está no livro “Novas organizações para uma nova economia – Um mundo onde as empresas, as pessoas e o planeta prosperam juntos”, ponto de partida da entrevista do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Goldstein destacou ainda que essas corporações geralmente têm um fundador ou um líder muito forte, carismático e um sonho mobilizador.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Fora da Área: para quem vou torcer?

 

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Foi cansativo driblar os textos que me ofereceram para ler, nesta semana, sobre a final da Copa do Mundo, mas consegui eliminar de todos eles a expressão “hermanos” que, insistentemente, acompanhava as notícias relacionadas a Argentina. Não porque cultive qualquer incomodo com os argentinos, muito antes pelo contrário. Como sabe bem o caro e raro leitor deste blog, sou gaúcho, gentílico de todos os nascidos no Rio Grande do Sul, mas que também identifica o povo ligado à pecuária em especial os da região dos pampas, da Argentina e do Uruguai. Portanto, a proximidade vai além da geografia, se faz pelos hábitos, expressões e atitudes. Não gosto de chamá-los de “hermanos” simplesmente porque se transformou em lugar comum e uma de nossas tarefas no jornalismo tem de ser a pureza da língua e a limpeza do discurso. Portanto, lembrando brincadeira do colunista Ancelmo Gois, de O Globo, sempre que depara com o exagerado uso de expressões estrangeiras: “hermanos” é o c…..

 

Não gosto de “hermanos”, mas não tenho nada contra eles. Por isso, apesar de muitas vezes compartilhar das brincadeiras que os brasileiros costumam fazer todas as vezes que se referem aos argentinos, os admiro pela bravura, pela elegância no vestir (mesmo diante da crise econômica) e pela carne saborosíssima. Sendo assim, não haveria qualquer motivo para torcer contra a seleção comandada pelo técnico Alejandro Sabella nesse domingo na final contra a Alemanha, no Maracaña. Mesmo porque eles tem Messi, jogador que potencializou à sua genialidade síndrome apontada como uma forma branda de autismo, a de Asperger. Joga com rara qualidade e a cada partida nesta Copa parece melhorar a capacidade de extrapolar com seu sorriso sem jeito os limites emocionais que o transtorno o impõe. Vê-lo jogando é um privilégio. A Argentina, claro, tem Messi, mas também tem Mascherano, tem Zabaleta, tem Di Maria e tem uma torcida de causar inveja. Isso não quer dizer que torcerei para os argentinos.

 

Nascido de família meio italiana e meio alemã, lá no Rio Grande do Sul, escolhi o Jung como sobrenome para me acompanhar na vida profissional. Nem me pergunte porque abri mão do Ferretti que se parece muito mais com a minha personalidade. Mas sendo Jung teria motivos que chega para torcer pela Alemanha. Parentes, que devem viver nas colônias germânicas formadas no meu estado natal, certamente ficarão bastante satisfeitos com a vitória da equipe comandada por Joachim Löw. Se me faltassem motivos para torcer, a seleção ainda tem como maior destaque Thomas Müller, atacante que carrega o sobrenome da minha mãe, não bastasse jogar bola como poucos. Independentemente dessa familiaridade, o tetracampeonato da Alemanha teria um fator pedagógico para o futebol mundial devido a estrutura construída pelo país para chegar ao nível atual, desde a derrota para o Brasil, na Copa de 2002. Sim, na semifinal fomos vítimas de uma criatura que se reconstruiu a partir da lição que aprendeu ao perder para nós por dois a zero no Mundial do Japão e da Coreia. O governo alemão ajudou a reestruturar os times de futebol do país e os obrigou a adotar escolas na região em que atuam, nas quais professores foram capacitados a partir de conhecimento desenvolvido em cursos da Uefa, novos talentos foram identificados e submetidos a uma série de conhecimento técnico e tático e preparados física e psicologicamente. Para se ter ideia, Özil tinha 14, Müller 13, e Kross 12 anos, quando isso começou. O que vemos em campo não é resultado do acaso ou do improviso, como costume aqui no Brasil. O título alemão seria um incentivo a quem acredita em planejamento, trabalho, competência e, claro, muito talento. Isso não quer dizer que torcerei para os alemães.

 

Entre Argentina e Alemanha, no domingo, ainda escolho o Brasil, pois, como já escrevi neste blog, sou torcedor contumaz da nossa seleção.

Plaza Athénée reabre ainda mais atraente, em Paris

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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O hotel Plaza Athénée, em Paris reabrirá suas portas no dia primeiro de agosto após quase um ano fechado para reforma. O centenário hotel símbolo do luxo parisiense, que já recebeu celebridades como Grace Kelly, Josephine Baker e Jackie Kennedy, estava fechado desde outubro de 2013 para reforma e expansão. O Plaza Athénée faz parte do portfolio de hotéis de luxos da rede Dorchester Collection ao lado de The Dorchester (Londres) e Principe di Savoia (Milão), entre outros. Localizado na Avenue Montaigne, próximo da Champs Élysées,e em meio ao círculo fashion e de negócios da cidade, o hotel não deixou de irradiar o mesmo charme e elegância de sua inauguração, em 1911.

 

As mudanças no Plaza Athénée incluem seis quartos, oito suítes, salão de bailes e dois espaços para eventos. Tradicional e requintado, sua decoração tem tons de terracota e bronze a seu estilo clássico francês, com design e tecnologia considerados state-of-the-art. Algumas de suas acomodações em suítes são diferenciadas, com decoração contemporânea e mais clara.

 

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A alta gastronomia continua sendo um dos ícones do Plaza, tanto que é supervisionada pelo chef Alain Ducasse. Hóspedes que têm o privilégio de vivenciarem o verão parisiense podem saborear alguns dos coquetéis servidos no La Cour Jardin, localizado no coração do hotel, em um ambiente de paz e serenidade em grande estilo. O hotel conta agora com o novíssimo Instituto Dior, spa da companhia, que oferece tratamento da mais alta qualidade com excelentes profissionais. O Plaza Athénée ainda tem programas especiais para famílias com crianças, oferecendo não apenas a comodidade de quartos conectantes como também amenidades especiais para os pequenos hóspedes como joguinhos, pelúcias, pantufas e outros.

 

Ah, o verão em Paris…

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

Nenhum adjetivo é capaz de expressar o que sentimos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Gostaria de possuir capacidade para expressar em palavras o que passou pela minha cabeça quando a Seleção Brasileira,muito cedo,levou o primeiro gol da Alemanha e,quase a seguir,os outros seis que,”al fin y al cabo”,se transformaram não apenas num maldito 7 x 1,mas na derrota mais vexatória do nosso selecionado em toda a sua historia. Essa nem pode,pelo menos,ser comparada ao ocorrido,no jogo final do Mundial de 1950,contra o Uruguai. Se aquele foi chamado de “maracanaço”,apelido derivado do espanhol “maracanazo”, que foi assistido por 200 mil torcedores,pode ser visto como café pequeno. Quem dera que todas as derrotas brasileiras fossem por diferença mínima – 1 x 0,2 x 1 ou pelo escore clássico de 3 x 1. Fosse o que aconteceu na semifinal de 2014,não no Mineirão,mas na final,no Maracanã,os estrangeiros estariam rindo da nossa cara,ressuscitando o maracanaço.

 

A derrota de terça-feira,que eu saiba,ainda não tem apelido. Os adjetivos que vem sendo usados,porém,pela mídia impressa,são muito mais pesados do que qualquer alcunha inventada por algum desaforado rival do futebol brasileiro. Refiro-me aos usados por jornais porque,após a derrota por 7 x 1,somente liguei o rádio para ouvir o Jornal da CBN,com o qual desperto antes mesmo de escutar os relinchos do despertador. Vou ficar somente com os adjetivos ou coisa parecida que li na ZH,aqui em Porto Alegre. Está,na capa do Jornal da Copa,a seguinte manchete: “VERGONHA” (caixa alta).Abaixo se lê a conclusão em letras menores um pouco:”para sempre”. Ao folhear as páginas 2 e 3 de Zero Hora dei com este titulo em letras bombásticas e,por acaso,com o mesmo bordão que eu usava quando narrava futebol ao relatar um gol: “NO FUNDO DO POÇO”. O diabo é que o “fundo do poço”,no contexto atual,é muito mais profundo do que o gritado em meu bordão. Há muitos outros adjetivos que não vou me dar o trabalho de repetir. Por quê? Porque,de tantos que estão sendo veiculados,nenhum chega ao ponto de exprimir o que nós,brasileiros,sentimos ao descobrir que o primeiro gol alemão seria seguido de outros seis. Também não acho que os jogadores que sofreram a goleada,ficaram marcados pelo fracasso e humilhados por sepultar o Hexa em casa. Eles,não importa o que vai acontecer no sábado,na disputa pelo terceiro lugar,voltarão aos clubes de origem,nos quais a maioria deles não perdeu prestígio e sequer um dólar dos principescos salários que recebem no exterior. Claro,todos eles e os seus fracassados comandantes ficarão um certo tempo com a goleada atravessada na garganta. Afinal,diz um velho provérbio que não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe.

 

Na vida e,como não,em futebol,não há nada inexplicável. Existe,isso sim,o que não se sabe explicar. Há,porém,quem encontrou a explicação para seus fracassos. Os alemães descobriram como evoluir a partir de derrotas. Sua história já foi contada e não é segredo. Convém que o Brasil procure imitar a Seleção Alemã que,neste domingo, fará a final desta Copa do Mundo,enfrentando a Argentina. E tem mais:que não repita o erro dos cartolas trapalhões que demitiram Mano Menezes cujo trabalho de renovação da Seleção Brasileira deveria ter sido preservado. Vá lá,o futuro a Deus pertence. Quem sabe,todavia, não tivéssemos,com Mano no comando,uma equipe capaz de não envergonhar o povo desta terra.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Fora de Área: problema resolvido, já encontramos o culpado

 

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No meio das lágrimas e vergonha dos jogadores brasileiros, ainda dentro de campo, Luis Felipe Scolari bateu no peito e assumiu a responsabilidade pela goleada. O gesto foi reproduzido em palavras na entrevista coletiva logo após a partida e não esperava outra atitude do técnico que fez história no futebol brasileiro e não merecia levar para o currículo a tragédia que assistimos na semifinal da Copa do Mundo. Independentemente do comportamento dele, a Alemanha ainda não havia completado o estrago no currículo da nossa seleção e boa parte dos dedos já apontava para o técnico como o culpado pela perda da vaga à final diante de uma placar catastrófico. A despeito de termos alguns jogadores afastados do grupo depois do Mundial, pelo visto a responsabilidade vai recair sobre as costas largas de Felipão. Como é praxe no Brasil, tanto quanto estamos sempre em busca de heróis que salvem a pátria de todos os seus males, também somos prósperos em encontrarmos um Cristo para pagar nossos pecados. Felipão foi o condenado agora, assim como Barbosa, em 50, Ronaldo, em 98, e Dunga, em 2010, apenas para lembrar alguns desses nomes. Com isso nos livramos da necessidade de analisar mais profundamente nossas incompetências e, principalmente, de encarar mudanças estruturais que exigem coragem e troca de poder. Esse, para mim, é o ponto crucial no esporte brasileiro: encontrar pessoas com capacidade de reorganizar o desenvolvimento de talentos, investir em administrações profissionais e adaptar nossa formação tática às estratégias mais modernas.

 

Felipão pagou por não ser Felipão, treinador que nunca se incomodou com a crítica, entendia o tamanho de seu time, posicionava-o dentro dos limites de cada um de seus jogadores e sabia que à vitória se chega por caminhos muitas vezes tortuosos. Apostou na formação tática que vinha jogando até aquele momento, apenas substituindo nomes por suspensão ou lesão para enfrentar a Alemanha, quando poderia investir na presença de mais volantes e voltar a ouvir que é um retranqueiro e traía a forma de se jogar no Brasil, mas, talvez, sair com uma derrota menos escandalosa. Sim, porque o risco de uma vitória nossa frente ao poder alemão e as limitações brasileiras era pequeno apesar de possível, afinal sabemos que o futebol é das poucas modalidades em que forças diferentes podem se enfrentar e o mais fraco sair vitorioso. É baseado nessa verdade, por sinal, que sempre mantenho minha crença na conquista mesmo sabendo das dificuldades que vínhamos enfrentando. Sou um torcedor contumaz do meu time, da nossa seleção e de algumas personagens que aprendi admirar: Felipão é uma delas. Mais do que ser goleado na semifinal da forma como fomos, lamento por Luis Felipe Scolari ter sido escalado na função de culpado de todos nossos males. Seja porque é injusto com seu histórico e méritos seja porque servirá para mais uma vez não aprendermos com nossos erros e aproveitarmos essa derrota para fazermos as mudanças necessárias.

 

Fato consumado, e a espera de um milagre que nos faça sair com um mínimo de honra neste Mundial, vencendo a Holanda no sábado, em Brasília, fico com a impressão de que o Brasil é um país fadado a perder suas Copas em casa. Parece ser o preço que pagamos ao destino por sermos o maior campeão de todas as copas. E isto ninguém vai tirar da nossa história.

Que Barbosa agora descanse em paz

 

Diante da vitória acachapante da Alemanha e da forma surpreendente como o Brasil perdeu a vaga à final da Copa, tive dificuldade de encontrar inspiração para escrever a você, caro e raro leitor. Ainda bem que antes de tentar escrever qualquer coisa, recebi o texto abaixo, assinado pelo colega de blog Carlos Magno Gibrail. Aproveito a forma precisa, observadora e definitiva com que ele analisa o Mundial no Brasil, e antecipo a publicação do artigo enquanto ganho um tempo para me refazer do impacto da goleada desta terça-feira.

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Os números e os fatos têm demonstrado que estamos realizando uma COPA de sucesso. Tanto no aspecto técnico do futebol quanto nas condições operacionais. Dentre os principais quesitos, a COPA 14 ocupará posição de destaque na história do futebol. Apenas o número de público ficará em segundo lugar, em torno de 60mil espectadores por jogo. Nos Estados Unidos, a média foi de 70mil. Até mesmo o número de gols, que graças à contribuição brasileira dada aos alemães deverá ser o maior de todas as COPAs. Os demais aspectos também têm superado as previsões. A quantidade de sul-americanos que marcaram presença, o clima amistoso que foi dado aos turistas e sua reciprocidade, a postura simpática da maioria das seleções com a nossa cultura, e até mesmo fatos marcantes. Como a mordida celeste, a joelhada que gerou a mais séria contusão, e a goleada de sete que marca o Mineirão e desagrava o Maracanã.

 

Diante deste ambiente amigável, ficou evidente a preferência de consumo dos turistas por produtos e serviços típicos. Restaurantes a quilo, comidas da terra e a caipirinha se sobressaíram. Sem falar nos bairros com lifestyle que teve a Vila Madalena, em São Paulo, como um dos destaques. Ela foi literalmente invadida e consumida. Cerveja e caipirinha que o digam.

 

Do início até hoje o cenário real da COPA 14 evidenciou total reversão da expectativa. A COPA das COPAs.

 

A questão agora é saber se os três dias restantes de jogos continuarão dentro deste clima. Tudo indica que sim. Afinal, em matéria de COPA em casa evoluímos de um vexame de 2×1 ao desastre de 7×1. Com a seleção brasileira composta de jogadores e técnicos internacionalizados, suporte globalizado, todos ricos e famosos. Que Barbosa agora descanse em paz.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Fora da Área: #SomosTodosNeymar #SóQueNão

Máscaras de Neymar estão sendo distribuídas pela internet em campanha de apoio ao atacante que teve, como ele próprio disse, o sonho de disputar a final da Copa do Mundo abortado pela violência com que foi atingido pelas costas. A ideia, lançada pelo Grupo ABC de comunicação, é que a torcida brasileira vá mascarada ao estádio repetindo manifestação que havia sido realizada quando Neymar estava no Santos, em jogo contra o Colo-Colo, pela Libertadores, em 2011. Se naquela época a inspiração era o Carnaval, desta vez é o drama que está vivendo o jogador. Agregado a campanha está a hashtag #SomosTodosNeymar que, não por acaso, segue a linha do #SomosTodosMacacos criado pela mesma agência quando Daniel Alves foi alvo de atos de racismo na Espanha. Do ponto de vista promocional e motivacional tudo é válido, afinal o baque com a fratura da terceira vértebra da lombar foi enorme, pois tira no momento mais decisivo o jogador em que o Brasil depositava total confiança. Torcedores e equipe sofrem com o acontecido. Sem contar o sofrimento pessoal de um jovem que dedica a vida ao futebol, é expurgado da primeira Copa, na África do Sul, por não ter experiência suficiente e, na segunda, é abatido pela agressão traiçoeira.

 

Agora, caro e raro leitor deste blog, sabemos todos que não é preciso ser nenhum especialista no tema para entendermos que #SomosTodosNeymar #SóQueNão (usufruindo de outra hashtag de sucesso no Twitter). Ou seja, por mais que Luis Felipe Scolari procure no seu grupo de jogadores e mesmo se pudesse buscar em outros elencos não encontrará alguém à altura do craque. Neymar tem o dom, como tiveram Pelé, Garrincha, Maradona, Messi, Zidane, Beckembauer e poucos outros que fizeram a história desse esporte mais rica e bonita. Ele nasceu para exercitar a arte do futebol e por isso foi capaz de marcar gols após a sequência inimaginável de dribles naquela vitória contra o Inter (3×1) ou na derrota para o Flamengo (5×4), ambos na Vila Belmiro, quando jogava com a camisa do Santos. Se transformou em um dos maiores jogadores do mundo com pouco mais de 20 anos e alcançou marcas que impressionam vestindo a camisa do Brasil. Atualmente é o sexto goleador da seleção com 35 gols marcados, quatro nesta Copa.

 

Scolari sabe que não tem ninguém com o mesmo talento de Neymar nem procura alguém semelhante. Pode usar William, Bernard ou quem sabe três volantes. Talvez peça para Oscar ocupar o espaço do nosso camisa 10. Só saberemos pouco antes do início do jogo, pois vai anunciar em cima da hora para não dar mais munição a seleção da Alemanha. No vestiário (e deve estar fazendo isto desde que foi comunicado da eliminação do seu goleador), porém, mobilizará a equipe com o discurso de que Neymar estará incorporado em cada um dos que entrarem em campo na esperança de que consigam doar 110% das suas capacidades. De que Oscar desabroche, Hulk chute a bola fora do alcance do goleiro e Fred, em pé ou deitado, desencante de vez. E, assim, transforme em realidade o que só existe até agora na versão virtual: #SomosTodosNeymar.

Plano Diretor….novos rumos para São Paulo?

 

 

Por Regina Monteiro
Arquiteta, urbanista e cidadã

 

Acabamos de vivenciar momentos difíceis e polêmicos na Câmara Municipal de São Paulo. O Executivo Municipal mandou no ano passado projeto de Lei o PL 688/13, para a revisão do Plano Diretor que foi aprovado em 2002. Para quem não acompanhou faço questão de lembrar como foi o processo e o que resultou em forma de Lei em 2002 do tão esperado planejamento para a São Paulo dos nossos sonhos.

Começou com uma correria para que, em nome da participação popular, audiências publicas fossem feitas e nós cidadãos motivados pelo interesse público acreditamos e participamos. A prefeitura se gabava que mais de 10.000 pessoas participaram. Ridículo! Depois, a Prefeitura mandou para a Câmara Municipal um projeto de Lei que viria a mudar conceitos consolidados da cidade. Consagrou-se o solo criado, que eu resumo da seguinte forma – “não tem cálculo para ver se cabe mais gente empilhada, mas pagando pode”. Simples assim.

 

Foram definidos índices de ocupação e aproveitamento dos lotes de forma empírica sem que cálculos da capacidade da infra-estrura de um bairro fossem feitos para receber o novo adensamento proposto. Os recursos da “outorga onerosa” resultantes da compra do potencial construtivo deveriam dar conta de requalificar o estrago feito pelo novo adensamento. Não vi nenhuma requalificação de áreas saturadas nos últimos 12 anos. Inventaram o zoneamento, que os urbanistas chamam de paramétrico. Coisas assim como se o cheiro não sair do lote um restaurante pode ser instalado em um determinado imóvel! Eram sete parâmetros que a prefeitura deveria regulamentar. Nunca foi feito.

 

Ah …um conceito que nunca esqueço. A anistia! Leis para anistiar imóveis so poderiam ser feitas depois de 10 anos. Ou seja, faça o que quiser, mas “segure o seu fiscal” que depois de 2012 vai ter anistia! Mas acho que a vergonha maior não foi a anistia, até porque que ela não aconteceu de forma expressa. Muitos dos que estão lendo este artigo agora devem ter ouvido do seu subprefeito – “Não vou mandar fiscal para multar os imóveis irregulares porque pode ser que o zoneamento mude com o novo Plano Diretor”.

 

Esses são só alguns exemplos do que a Prefeitura deveria ter avaliado no que aconteceu nestes 10 anos, o que deu e o que não deu certo no Plano Diretor então vigente. Nenhuma avaliação foi feita – e se fizeram ninguém ficou sabendo – para não cometermos os mesmos erros e consolidarmos os acertos.

 

Então, mais uma vez, a nossa generosa cidade se torna um grande laboratório e a Prefeitura tira da cartola projetos surpreendentes para a salvação do território urbano e, em nome da MORADIA PERTO DO TRABALHO surge o arco do futuro e o adensamento auto aplicável ao longo dos eixos de transportes! O projeto de lei que chegou na Câmara no final do ano passado era tão ruim e tão desestruturado que o relator do PDE e a Comissão de Politica Urbana tiveram que fazer um substitutivo totalmente diferente, mas com uma condição: não se podia alterar o que ficou conhecido como “núcleo duro” – o arco do futuro e o adensamento ao longo dos eixos de transportes.

 

Nunca foi dito, mas sabíamos que havia uma agenda política. O Plano deveria ser aprovado até abril, para que leis complementares, como o zoneamento, fossem aprovadas antes das eleições. Muitas audiências e reuniões com vereadores foram feitas, cada setor com sua demanda, muitas interessantes para a cidade, outras nem tanto. Mas na minha avaliação foi o processo mais democrático que se deu até agora com relação às discussões do Plano Diretor. Não que os resultados foram necessariamente bons ou objetivos, mas ninguém pode dizer que alguns vereadores mais interessados não ouviram exaustivamente o que cada segmento da sociedade clamava.

 

Dentro dessa ótica, tudo estava correndo bem até que um dia um grupo de pessoas invade uma grande área de proteção dos mananciais com Decreto de Utilidade Pública para implantação de um Parque, com o objetivo de obter as suas moradias. Ate aí podemos tentar compreender a proposta, uma vez que movimentos semelhantes se organizam em anos eleitorais, pois fica mais fácil evidentemente de negociar as suas demandas.

 

Em março deste ano, esse grupo e vários outros ligados a um movimento que luta por melhores condições de moradia vão em passeata até o gabinete do Prefeito fazer suas reivindicações. Após reunião com representantes da Prefeitura e com as lideranças do Movimento, o Prefeito sobe no caminhão de som pega o microfone e dispara: “Nós revogaremos o Decreto de Utilidade Pública da área tão logo a Câmara aprove o Plano Diretor e demarque a área como Zona Especial de Interesse Social.”

 

Eu não sei se foi de propósito essa solução, mas foi no mínimo equivocada. Por que o prefeito não teve a coragem pública de revogar um decreto que bastava uma canetada? E qual o problema de colorir de vermelhinho nos mapas mais uma área para HIS – Habitação de Interesse Social? É certo que numa área de proteção dos mananciais, com muitas nascentes, área importantíssima de produção de água para recarga das represas, precisaria de algo mais impactante.

 

Virou uma guerra. Informações desencontradas (ou não) levaram o Movimento a acampar em frente a Câmara, a apedrejar e botar fogo nos banheiros químicos que estavam por ali para lhes dar conforto e dignidade. Nós que estávamos na Câmara, justamente nas audiências que tratavam de tantos outros temas importantes para a cidade, ficamos ali, sitiados, olhando pelo janelão de vidro estupefatos pensando como de uma hora para a outra apareceram tantos pneus para serem queimados. A partir de então, as audiências tomaram outro rumo. Com o acompanhamento da imprensa, vereadores que nunca apareceram resolveram perambular por ali e discursar. E ao som dos “gritos de guerra” – “criar, criar, governo popular”, estava certa que o Plano seria aprovado rapidamente.

 

Chegou o dia da votação. Chegamos na Câmara às duas da tarde, estávamos em 12 pessoas e queríamos entrar no plenário para acompanhar a votação porque queríamos ter certeza que as nossas demandas que foram sinalizadas como aceitas seriam atendidas. Queríamos ouvir os argumentos dos vereadores na hora da votação quem votou contra e a favor. Não conseguimos entrar. O movimento que mantinha as pessoas acampadas na porta da Câmara estava muito organizado e em nome de 20 entidades distintas conseguiram lotar o plenário. Graças a uma policial que entendeu que o nosso movimento também tinha o direito de participar e a um vereador que também se esforçou muito, conseguimos entrar em quatro pessoas para ficar em pé no cantinho.

 

O PDE foi aprovado e comemorado com muito confete e serpentina que o pessoal da galeria jogava lá em baixo nos vereadores. De onde estávamos podíamos ouvir os rojões lá fora. Saímos todos juntos apertadinhos na multidão que gritava freneticamente algo assim – “Quem não pode com a formiga não cutuca o formigueiro.” Esperamos eles descerem e fomos até o janelão de vidro e atônitos vimos que as duas pistas de carro estavam lotadas de pessoas e o caminhão de som lá embaixo e alguns vereadores, um a um discursando.

 

Para nós a luta continua! Lembrei-me dos tempos que a gente fazia vigília na Faria Lima contra a Operação Urbana. Quem sabe!

 

O que a cidade ganhou com o Plano aprovado? Isso fica para uma outra vez.

Fora da Área: Neymar abatido pelas costas faz parte de um roteiro épico

 

 

Terminei a sexta-feira assistindo, na tv à cabo, à 42 – A História de uma Lenda, que tem como personagem principal Jackie Robinson (Chadwick Boseman), primeiro jogador de beisebol negro a entrar na Major League, na década de 1940, recrutado pelo dono da equipe dos Dodgers, do Brooklyn. O executivo Brach Rickey (Harrison Ford) desafiou o racismo que manchava os Estados Unidos enquanto Robinson suportou as mais absurdas ofensas e agressões de torcedores, colegas e jogadores, demonstrando abnegação e talento. A atitude deles escreveu capítulo importante do combate à segregação e transformou Robinson em lenda atualmente representada pela sua camisa 42, número que foi aposentado pelo beisebol americano, em 1997, e é vestido por todos os jogadores no dia 15 de abril, data que ele estreou na liga “dos brancos”. Evidentemente que os roteiristas precisam se esforçar e adaptar as histórias à tela e ao tempo e nos apresentam um resumo de fatos marcantes, alguns reescritos para glamourizar a cena. Mas é inevitável que percebamos como o esporte por sua própria beleza e dramaticidade é protagonista de momentos fantásticos que, apesar de surgidos de forma espontânea, parecem terem sido previamente escritos por alguém disposto a criar um filme inesquecível.

 

Nestas três últimas semanas, temos sido espectadores da Copa do Mundo de futebol com suas histórias incríveis contadas ao vivo, sem roteiro prévio, e captadas por centenas de câmeras ultramodernas que registram lances, gestos, expressões e palavras por diferentes ângulos e reproduzidas à exaustão e lentidão suficientes para estender nosso sorriso e sofrimento até o próximo capítulo. O corpo de Neymar estendido no gramado quase ao fim da partida contra a Colômbia, vítima de agressão sofrida pelas costas, é uma dessas imagens que serão eternizadas e nos ajudarão a entender o fim do filme, feliz ou não. Fico imaginando que roteirista, se não a nossa própria vida, seria capaz de escrever aquele instante. O maior craque da seleção local, aquele em que o país que sedia a competição deposita sua esperança, abatido pelo adversário com um tiro certeiro, traiçoeiro, sem direito à defesa. Com o rosto esfregando de dor na grama, ele agoniza à frente de seu público e seu choro é compartilhado pela enorme arquibancada que a Nação se transformou desde que se iniciaram os jogos. A alegria que se desenhava com a classificação à semifinal ganha tons de cinza e a incerteza se torna unânime mesmo entre os mais otimistas. O que será de nós a partir de agora? O escritor conduz a plateia a imaginar o pior.

 

Desculpe-me se você, caro e raro leitor deste blog, está cético com nosso futuro nesta Copa. Eu tendo a enxergar em cada drama o ponto de virada da história, como se fizesse parte da estrutura mítica que os contadores usam para criar narrativas poderosas que impactam todos nós e nos levam a grudar os olhos nas páginas seguintes, ansiosos por descobrir o final, certo de que o autor está pronto para nos impressionar. Não acredito nos que pregam a derrota antecipada pela ausência de Neymar nas duas partidas finais deste Mundial. Os vejo como incapazes de compreender o enredo planejado pelo destino que nos quer campeão. Temos, porém, de provar que somos merecedores desta conquista e fortes para suportar o gol contra no início da história, o futebol mal jogado nas primeiras partidas e a bola que explodiu na trave no minuto final. Vamos forjando nossos ídolos: o goleiro que chora antes de se transformar em herói ou os zagueiros que desbravam o ataque para nos fazer vencer. Até o título precisaremos ainda encontrar aquele que vai substituir o insubstituível – talvez vestir a todos com o nome do craque ferido na camisa. E esperar pela redenção de muitos dos que ainda não estiveram a altura de seu nome. Dentre eles, o escritor haverá de escolher um para marcar o gol definitivo, que nos permitirá chorar diante da imagem do capitão levando a taça às mãos de Neymar, sentado em uma cadeira de rodas.

 

Insisto em acreditar que Luis Felipe Scolari saberá, como nenhum outro, escrever esta história para nós.

Conte Sua História de SP: levei meu pai pela primeira vez ao estádio

 

Por Clarindo Oliveira

 

 

Ouça aqui a história do ouvinte Clarindo Oliveira que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo

 

Como tantos outros meninos, lá pelos meus 7 ou 8 anos, escolhi o time que iria torcer pelo resto da minha vida. Por influência do meu pai e do meu irmão, decidi ser palmeirense. Decisão fácil. No começo dos anos 70, o time era fantástico! Era a famosa Academia. O Verdão ganhava tudo: Campeonato Paulista, Brasileiro, torneios internacionais. Enquanto isso, o nosso rival amargava quase 20 anos sem nenhum título.

 

Minha estreia como torcedor num estádio foi em 1977 no Morumbi. Era um torneio chamado Taça Governador de São Paulo. Foram dois jogos numa noite só: “Ex-Time da Marginal sem número” versus “Time da Vila” e Palmeiras versus Atlético de Madrid. Nosso time tinha Leão, Jorge Mendonça, Edu. E Ademir da Guia, é claro. Muitos diziam que ele era lento, ultrapassado. Pura dor de cotovelo. Ele estava sempre onde precisava estar. Seus passes eram precisos. Dava ritmo ao time. Um verdadeiro maestro! Do time espanhol, eu só conhecia um “tal” de Luís Pereira. O placar foi 1 x 1 e depois perdemos nos pênaltis. Na rodada seguinte, os espanhóis se sagraram campeões.

 

Além de admirar o Divino, muita coisa me encantava. A começar pelo fato de que 3 grandes torcidas dividiam pacificamente o mesmo espaço num Morumbi lotado. Todos sentados lado a lado. Diziam que havia mais de 100.000 pessoas naquela noite. Num dado momento, começou um coro lá do outro lado do estádio e eu aderi na hora: “Ôôôôôôô, Ôôôôôôô”. Dizem que a torcida “daquele time” trouxe um leitão pintado de verde e o lançou arquibancada abaixo. Isso eu não vi mas, na verdade, o coro era “Porcoooo, Porcoooo”!

 

Mal sabia que eu e toda a nação alviverde seríamos atormentados por aquele apelido por muitos anos… Até que, num lance de mestre, a nossa torcida decidiu adotar o simpático animal como um de seus mascotes.

 

Passemos a Janeiro de 2007. Meu pai, já com mais de 80 anos, passou o fim de semana comigo. Ao levá-lo para casa, ele me disse que não estava reconhecendo o caminho de volta. Foi quando parei na Avenida Sumaré e peguei sua camisa do Palmeiras e disse: “Pai, estamos indo ao Parque Antarctica para ver um jogo”.

 

Ele, que nunca havia entrado um estádio, balbuciou umas poucas palavras, dizendo que já estava velho e que o joelho não aguentaria subir as arquibancadas. Que nada! Ele cantou, xingou e vibrou muito quando o Verdão de Marcos, Edmundo e Valdivia marcou o único gol da partida contra o Santo André.

 

Guardo aquele domingo com muito carinho no coração. Pelos poucos anos que ainda esteve conosco, meu pai sempre falava com muito orgulho que seu filho o levou para assistir uma partida de futebol. Eu via em seus olhos a alegria de um sonho realizado. Tenho certeza que ele via nos meus o sentimento de missão cumprida.

 

Clarindo Oliveira foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe deste programa enviando textos para mundocorporativo@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.com.