Mundo Corporativo: Marcelo Pinto dá sugestões para gerenciar o humor na sua empresa

 

 

Cuidar do humor no seu local de trabalho pode render muito mais do que boas risadas, é o que pensa o advogado trabalhista Marcelo Pinto, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. O consultor oferece inúmeras sugestões que colaboram com a criação de um ambiente criativo e saudável nas empresas. O método que defende é composto por etapas que reunidas formam num acróstico a palavra SMILE – Sorria, Mude de atitude, Identifique oportunidades, Lidere positivamente, Envolva e execute. “O humor é uma competência que começa a ser valorizada pelas empresas”, diz o autor do livro que leva o mesmo nome do método que propõe: “O Método S.M.I.L.E. para Gestão do Humor no ambiente de trabalho – Um guia prático para humanização corporativa”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br) e você participa com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Selfridges amplia boutiques para homens de luxo, em Londres

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Que luxo e a Inglaterra combinam, a gente já sabe. Londres é a prova disso, com suas boutiques de grifes prestigiosas, lojas de departamento, restaurantes com estrelas Michelin, opções culturais e históricas. Agora, a rede de lojas de departamento britânica Selfridges ampliou seu leque de opções de marcas de moda masculina com a inclusão de novas boutiques no interior de sua loja na capital inglesa. As boutiques recém-abertas tem o objetivo de criar espaço amplo e exclusivo destinado ao público masculino dessa unidade. Recentemente, muitos varejistas e marcas de vestuário começam a se concentrar mais na segmentação, enfatizando ações e espaços reservados ao consumidor do sexo masculino.

 

Em sua loja londrina, a Selfridges incluiu em seu portfólio marcas internacionais renomadas como Givenchy, Dries Van Noten, Lanvin e Rick Owens, somando a um espaço que já possuía marcas desejadas como Brunello Cucinelli, Ralph Lauren, Paul Smith, Ted Baker e outras. A rede mostra viver um momento de crença no homem, pois sua unidade de Manchester, na Inglaterra, também foi ampliada e recebeu investimento de 3 milhões de libras para o segmento masculino, projeto em que incluiu a expansão de seu espaço, bem como a inclusão de marcas como Tom Ford, Bottega Veneta e Dan Ward. A rede investe não apenas em novas marcas como também cria espaços exclusivos que proporcionam ao cliente experiências e contato direto com suas marcas de desejo, além, é claro, a possibilidade de vivenciar tudo que uma loja de departamentos de luxo como a Selfridges oferece.

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Fora da Área: e se o Brasil perder?

 

 

Ao fim do único jogo da Copa que assisti ao vivo, na Arena Corinthians, fui apresentado a Matthew Cruickshank, um dos responsáveis pelos desenhos que animam a página do Google, conhecidos por doodle. Ele nasceu em Londres, na Inglaterra, país pelo qual acabara de torcer sem muito sucesso, pois os ingleses haviam perdido para o Uruguai por 2 a 1, o que praticamente os eliminou do Mundial ainda na fase de grupos. A derrota não foi suficiente para tirar o bom humor de Matthew que começou nossa conversa dizendo que o ônibus em que estávamos sacudia tanto, devido aos buracos nas vias que deixam o estádio, em Itaquera, que ele pensou estar em São Francisco, cidade onde mora e sempre ameaçada por terremotos. Ele tinha outros motivos para estar satisfeito, a começar pelo fato de pela primeira vez a equipe de doodlers ter deixado a sede americana do Google para vivenciar o evento que inspira suas ilustrações. Em lugar de planejar com dois, três meses de antecedência os desenhos, o desafio imposto a eles foi criá-los com apenas duas, três horas baseado na experiência que estavam tendo no país da Copa. Por isso, Matthew está sempre em busca de ideias. Papo vai, papo vem, ele não se conteve e me perguntou: “e se o Brasil perder, o que eu desenho?”. Confesso que fui surpreendido, pois até aquele momento não havia me passado pela cabeça essa possibilidade. Desde que o Brasil se prepara para o Mundial, e me refiro aqui a nossa seleção, a meta é uma só: ser campeão. Meta não. Obrigação que o país se impôs. É como se o título de 2014 tivesse o poder de apagar da memória do mundo a derrota contra o Uruguai na final de 1950. O que considero uma bobagem, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra e se não vencermos a vida segue amanhã, os filhos vão para a escola, você para o trabalho e os problemas a serem enfrentados serão os mesmos de ontem.

 

No início dos preparativos, a seleção teve resultados titubiantes, trocou o técnico quando dava sinais de recuperação, ganhou novo rumo e confiança. A vitória na Copa das Confederações fez aumentar o otimismo dos torcedores e da própria seleção. Lá se enxergou pela primeira vez que, mais do que uma obrigação, tínhamos chances reais de sermos campeões. Jogar em casa nos oferecia vantagem sobre os adversários que se somava a nossa própria história no futebol, marcada por grandes espetáculos e cinco títulos mundiais. Foi por isso que, antes dos jogos se iniciarem, Parreira disse – e me parece foi mal compreendido – que tínhamos uma mão na taça. E é por isso que temos assistido a cenas explícitas de emoção, tensão e pressão protagonizadas por nossos jogadores, sobre as quais já escrevi e defendi aqui neste Blog. Jamais pensamos no risco de sermos derrotados (houve até quem acreditasse que ganharíamos apenas porque a Copa já estava comprada, sem perceber a falta de lógica da tese).

 

As partidas da Copa, nosso desempenho abaixo do esperado e a decisão levada para os pênaltis contra o Chile mostraram que não somos imbatíveis. Para muitos, abalaram a confiança que tinham na equipe brasileira. Colocaram em nossa perspectiva o risco de mais uma decepção em casa, a possibilidade de perdermos o Mundial. Fez com que muitos de nós repetíssemos a indagação do recém-conhecido Matthew: “e se o Brasil perder?” Pois vou lhe dizer sem pestanejar que, para mim, todos esses acontecimentos até aqui apenas fortaleceram a ideia de que somos capazes de superar nossas próprias fraquezas e com humildade e perseverança nos tornarmos habilitados a disputar a final. Fred, o goleador sem gols, Thiago Silva, o capitão que sabe chorar, e Hulk, o atacante que nasceu para ser Cristo, são alguns dos muitos personagens que passam por um período de provação e assim são forjados para terem sua história enaltecida. Serão transformados em heróis, lembrados para o todo e sempre (até que dure). É nisso que acredito. Por tanto, caro Matthew, invista seu tempo imaginando como ilustrar a página do Google quando o Hexa chegar – até porque se o Brasil perder, melhor nem imaginar.

Porto Alegre, 22 gols depois da Copa do Mundo

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na semana passada fiz algumas projeções ao tratar da Copa do Mundo e os seus reflexos em Porto Alegre,porque é daqui que escrevo no blog ancorado pelo Mílton. Algumas se confirmaram,outras não. Redigi as projeções,como sempre,dois dias antes da postagem. Foi um risco,mas bem menor do que andaram correndo as oito seleções classificadas para disputar as Quartas de Final. Não foi fácil para nenhuma delas alcançar a segunda meta da mais importante competição de futebol do planeta. Como o recomeço está marcado para sexta-feira,desta vez,não será necessário me meter de pato a ganso com prognósticos acerca de quem está mais perto das Semifinais.Vou escrever sobre o que já ocorreu nesta Copa do Mundo.

 

O Internacional encerrou gloriosamente as suas atividades copeiras. Foram cinco jogos muito interessantes realizados na Arena Beira-Rio,começando por Austrália x Holanda e se encerrando com a disputa entre uma das seleções favoritas e outra que nunca havia ido além da fase de grupos do Mundial,a Argélia. Não vou esquecer tão cedo dessa partida. Para homenagear postumamente a memória dos meus avoengos – foi da Alemanha que veio o meu bisavô Jung – torci pelos germânicos. E não me arrependi. Diga-se a bem da verdade que os eliminados argelinos lutaram bravamente durante 120 minutos,mas tiveram de se render aos alemães. Esses,no entanto,tiveram em Neuer,um misto de goleiro e volante,eis que saiu cinco vezes da goleira para desarmar perigosos contra-ataques. A Alemanha,com seis titulares do Bayer, me fez lembrar do Grêmio,que conquistou o seu primeiro Campeonato Brasileiros em 1981 enfrentando,no Morumbi,sob o comando de Ênio Vargas de Andrade,um São Paulo com sete jogadores da Seleção Brasileira. Choramos todos com a comoção provocada pela vitória:Jacque,Mílton,Christian,a mãe deles,Ruth e eu.

 

A conclusão dos jogos na Arena Beira-Rio,durante os quais foram marcados 22 gols,demonstrou que a Copa,por aqui,deixou felizes os torcedores das nações que jogaram no estádio colorado e os que assistiram a bem disputadas partidas de futebol. Os moradores da Zona Sul de Porto Alegre vão,por sua vez, contar com obras que prometem facilitar acesso ao Centro Histórico e demais regiões da Capital gaúcha. A rigor,a prefeitura ficou devendo a conclusão da Avenida Tronco. Essa não progrediu porque vai ser necessário remover para outro locais moradores de casas situadas ao longo da via. Outro projeto que gorou foi o do metrô. A mobilidade urbana melhoraria muito se essa obra fosse realizada,mas não houve tempo hábil para que pudesse ter sido,pelo menos,iniciada. Vamos,a partir de sexta-feira,assistir aos jogos das Quartas de Final,torcendo,é claro,para que a Seleção Brasileira faça o que dela se espera. Ser campeã!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Sob o domínio do MTST

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O churrasco comemorativo patrocinado pelo MTST na segunda-feira em frente à Câmara Municipal de São Paulo ilustra bem o poder deste movimento dentro do sistema político da cidade. O Plano Diretor aprovado na tarde de 30 de junho contempla o MTST em todas as suas mais otimistas expectativas, tanto genéricas como específicas, tanto atuais como futuras. Pois aumenta as áreas para habitações populares, incluindo terrenos invadidos pelo Movimento e regulariza favelas e loteamentos clandestinos.

 

Até mesmo a ação pontual de Itaquera, a “Ocupação Copa do Povo” foi atendida, assim como a invasão da “Vila Praia” no Portal do Morumbi, realizada com a intenção de aumentar a pressão na votação do Plano Diretor. Em Itaquera e no Morumbi não houve o mínimo cuidado da administração da cidade para cercear inicialmente as invasões, a despeito da ampla divulgação em todas as mídias. As convencionais e as sociais. No Morumbi, ao lado das notas sobre recentes assaltos na tradicional Giovanni Gronchi, surgiram por parte dos moradores muitas fotos sobre a rápida invasão do MTST no Portal, quando houve uma acentuada multiplicação de barracas e tendas. Se os moradores do Morumbi não tiveram resposta do Poder Público, receberam o recado de Guilherme Boulos, líder dos Sem Teto em declaração à FOLHA:

 

“Para desespero das madames do Morumbi, vai ter pobre do lado. Hoje nós provamos que quando o povo se organiza, a vitória vem. Que essa lição de mobilização popular continue para que essa lei vire letra morta”.

 

É hora de perguntar a Boulos não só o que entende por “madames do Morumbi”, mas principalmente por que sua entidade intitula-se Trabalhadores e como ela se mantém financeiramente.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Fora da Área: a cara da nossa torcida na Copa 2014

 

A Copa das Selfies registrou nos 48 jogos da fase de grupos o envio de mais de 32 milhões de fotos, segundo informou Ethevaldo Siqueira, no quadro Mundo Digital, do Jornal da CBN. O SindiTeleBrasil, que reúne as empresas do setor, relatou que durante essas partidas foram feitas 2,5 milhões de ligações telefônicas e em torno de 31 milhões de conexões para envio de dados. A frente de todos esses números, estão milhões de torcedores que foram aos estádios ou curtiram a festa do futebol. Para ilustrar essas marcas, convidei ouvintes do Jornal da CBN a enviarem suas fotografias pelo Twitter @jornaldacbn. Consegui reunir 77 fotos, algumas de colegas nossos da rádio como você poderá ver no painel a seguir:

 

Mais Brasil

 

Por Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos

 

Desde a Copa de 98, escrevo sobre a realização das Copas do Mundo e a participação da Seleção Brasileira neste grande evento esportivo. Acredito que estádios de futebol representam para os brasileiros “espaços de construção de identidade, de cultivo de bons valores humanos e espaço para viver e experimentar os melhores relacionamentos”. Acredito que, em todas as Copas do Mundo, brasileiros e brasileiras fazem uma revisão de si mesmos, jogando com seu orgulho, sua cidadania e seu amor à Pátria como componentes fundamentais da identidade brasileira.

 

Em 2014 não faltaram aqueles que quiseram ensinar um novo jeito de torcer por esta nação e pelo futebol brasileiro, sendo contra aquilo que vem de nossa alma e nossa essência: o gosto pelo futebol. Mas “erraram o pulo”, pois para a imensa maioria, o futebol reflete as diferenças, os potenciais, os talentos e a criatividade. O futebol representa muito do nosso povo, de sua postura e de sua vontade de vencer e apresentar-se ao mundo.

 

O Brasil não precisa mais impressionar ninguém, em nenhum quesito, muito menos no futebol. O Brasil deve se fazer respeitar por tudo aquilo que tem de bom e todos os brasileiros deveriam orgulhar-se do país que somos. Esta é a atitude fundamental para continuarmos lutando, diariamente, por um Brasil cada dia melhor. Este imenso país possui um povo que não pode ser subestimado por sua inteligência, criatividade e ousadia.

 

O falso pessimismo que tentaram imprimir neste país tem a ver com a resistência às mudanças substantivas que ocorreram no Brasil nos últimos anos, para a maioria dos brasileiros. Tem a ver com a ampliação das possibilidades democráticas de vivermos a cidadania, nem sempre bem vistas por aqueles que se sentem donos desta nação. Tem a ver com um novo e importante advento que se aproxima: as eleições gerais.

 

Os brasileiros provam, mais uma vez, que a maior riqueza está na garra, na fé e na esperança que se fazem na luta cotidiana de cada cidadão e cidadã brasileira. Os brasileiros manifestaram que querem mais do que já conquistaram, mas sabem que não existem mágicas nem ideias “mirabolantes” que irão mudar o percurso da ampliação de sua cidadania.

 

Emprestamos nossa terra, nossa altivez e nossa cultura para a realização do maior espetáculo do mundo. Sem medo de expor ao mundo nossas contradições, durante a realização da Copa do Mundo, fomos nos alimentando daquilo que mais temos de bom. Apesar de excessos de uma minoria, unimos os nossos sentimentos de brasilidade nos mais equidistantes rincões e comunidades deste país.

 

A Copa do Mundo pode não trazer título à nossa Seleção, mas já nos trouxe de volta o que queriam nos tomar: a fé e a esperança de que nosso país vai dar certo! Brasileiro de verdade acredita no Brasil e age nas horas certas. Sabe que este país tem uma enorme dívida com a cidadania e com a falta de oportunidades para com a maioria dos brasileiros: pobres, explorados, sem estudo, sem trabalho, sem saúde, sem dignidade. Esta conta quem vai pagar é a nossa rica nação brasileira e quem deve exigir é a organização e a luta da coletividade, agora alimentada por um sentimento de “mais Brasil”.

Fora da Área: quem chora por último chora campeão

 

 

Chorei muito na vida. Nas conquistas pessoais, nas vitórias de amigos e nas mortes, também. Nas arquibancadas do velho Olímpico Monumental chorei muitas derrotas. Os colegas mais próximos começavam a me preparar a medida que o jogo se aproximava do fim, pois sabiam que meu choro era inevitável diante da partida perdida. Quando fui para dentro do campo ou das quadras, chorei mais ainda. De alegria, mas principalmente de raiva por não alcançar os resultados que sonhava. Chorava ao ver injustiças acontecendo à minha frente. Às vezes o choro me levava ao descontrole e as lágrimas se transformavam em violência. Tinha de me conter. A maioria das vezes, ser contido. Ao deixar o esporte competitivo, voltei a chorar de emoção em especial nas vitórias de meu time do coração. O esporte, sempre o esporte a mexer comigo. O mais feliz de todos os choros foi na incrível conquista da Segunda Divisão, em 2005, quando o Grêmio foi protagonista da Batalha dos Aflitos. Naquele dia, levei os filhos a chorar, também. E não tive vergonha. Me orgulhei. Até hoje quando revejo o filme que conta essa epopeia, os olhos enchem de água. Encharco as vistas com muito mais facilidade do que se possa imaginar, às vezes com notícias que me tocam, favores que recebo ou me permitem oferecer.

 

Talvez é de tanto chorar que não me surpreende a reação dos jogadores brasileiros nesta Copa. A cantoria do hino à capela nos estádios tem tocado muitos deles. É nítida a tensão com que cada um está enfrentando a responsabilidade de disputar o Mundial dentro do Brasil. São todos muito jovens e forjam suas personalidades jogo a jogo. A reação de Julio Cesar antes de partir para seu maior desafio, a cobrança de pênaltis na decisão da vaga às quartas de final, contra o Chile, chegou a me assustar, pois transparecia insegurança. Descobrimos, após duas defesas, que era apenas agradecimento pelo destino lhe oferecer a oportunidade de reescrever a história na seleção. Os olhos marejados de Thiago Silva, o capitão, desde a primeira partida, poderiam embaçar sua liderança, mas a torna transparente e humana. Nada disso, porém, tem convencido muitos críticos e torcedores que se incomodam com os chorões da nossa seleção. Não é por acaso. Crescemos ouvindo que homem que é homem não chora. Meninos não choram (Boys Don’t Cry), é o que diz o refrão da música do The Cure, que conta a história de personagem que ri diante do sofrimento do amor perdido, “escondendo as lágrimas em meus olhos”.

 

Os meninos do Brasil não escondem as lágrimas de seus olhos. Não têm vergonha da sinceridade de suas lágrimas. E compartilham seu choro com toda a Nação. Que continuem a nos fazer chorar, também. Até a final desta Copa do Mundo, porque quem chora por último, chora campeão.

Fora da Área: com sofrimento, emoção e lágrimas ganhamos os que torcem pelo Brasil

 

 

Falei com o pai por telefone pouco antes de a partida começar. Assim como na minha, na casa dele também tem quem não torça pela seleção do Brasil. Sentimento que, confesso, não consigo entender especialmente em Copas do Mundo. Não que as pessoas tenham o dever de vibrar com as coisas do futebol, mas bem que poderiam ser solidárias aos milhões de brasileiros que buscam na bola o prazer do sorriso. Mas vamos deixar para lá tudo isso, afinal este texto é para comemorar a passagem do Brasil às quartas de final e o iniciei pela conversa que tive com meu pai porque ele havia me perguntado quem seria o maior torcedor da seleção aqui em casa. Respondi de bate-pronto que era eu, pois os meninos nunca tiveram esta ligação que tenho com o futebol e muitas vezes assistem às partidas de canto de olho, pois o grosso do olho está voltado para as acirradas disputas no League of Legend, jogo eletrônico com maior número de adeptos no mundo, no qual ambos são craques. Verdade que, nesta Copa, o interesse deles aumentou de forma considerável, provavelmente resultado do barulho que o Mundial provoca na internet e entre colegas na sala de aula. Saiba, porém, caro e raro leitor deste blog, que após ter visto o que vi durante a disputa de vaga contra o Chile vou ter de voltar a ligar para meu pai e corrigir a resposta.

 

Diante da televisão, a medida que o Brasil revelava-se incapaz de apresentar um desempenho a altura da nossa expectativa, meus dois guris, sentados, um no sofá e o outro no piso, sofriam como somente os torcedores de futebol sabem sofrer. Um esfregava as mãos no rosto insistentemente, enquanto o outro se agarrava nas almofada como tentando se proteger dos riscos de gols que surgiam a cada falha do nosso sistema defensivo. Um se calava, querendo entender por que o Brasil não era capaz de ficar com a bola em seus pés, enquanto o outro praguejava para se desfazer do nervosismo. Compartilhavam comentários sobre o sumiço de Neymar e a tentativa de drible de Neymar; o erro de Hulk e a tentativa de chute de Hulk; a ineficiência de Fred e a de Jô, também; o toque de bola do Chile, a velocidade do Chile. Pô, o Chile de novo!Que susto! Juntos reclamamos o gol anulado, a falta não marcada e o impedimento assinalado, mesmo sabendo que o juiz tinha razão. Torcemos pelo fim do jogo, pois temíamos o gol adversário. Ficamos satisfeito com o Brasil da prorrogação e com medo da decisão nos pênaltis. Que isso! Gritamos antes do silêncio que tomou conta da sala na bola que explodiu no travessão de Julio César no último minuto de jogo.

 

A vaga decidida nos pênaltis era novidade para eles em Copa do Mundo. Assisti de mãos dadas com o que estava mais próximo. Mãos que suavam frio. Que tapavam os olhos. Que se contraíam na cobrança chilena. Que se contorciam na cobrança brasileira. Que socavam o ar na comemoração de cada gol marcado e voltavam a se juntar por Júlio César. Angústia transformada em alegria na bola final que bateu no poste, e em pura emoção ao vermos as lágrimas do nosso goleiro que chorou copiosamente diante das câmeras, diante do Mundo – cena que me dá a certeza de que raras atividades permitem a dor e a redenção em praça pública como o futebol. E por isso sou um torcedor de futebol e fico ainda mais feliz em descobrir que meus filhos, também.

Conte Sua História de SP: assustada com o barulho dos aviões, em Congonhas

 

Por Maxionilda Schiavinatto Gubolin
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Com muita alegria escrevo essas linhas pra contar um pouco da minha história, da minha vida na grande cidade de São Paulo. Eu era menina, tinha 11 anos de idade. Era de Jales no interior, e vim para São Paulo trabalhar como babá na casa da Dona Ivone e do Dr. Amaury, olhando o pequeno Fernando, na época com oito meses. Morávamos em uma casa com sua irmã Zoraide e seu esposo Dr Velozo, diretor do Hospital Osvaldo Cruz, e os filhos deles, Maria Angélica e José Roberto. Essa casa era próxima ao aeroporto de Congonhas em frente a um quarteirão da Aeronáutica, onde, lembro bem, nós pegávamos água. A Aeronáutica continua lá, mas em frente ao Shopping Ibirapuera. Nas férias, os filhos desses doutores iam para nossa casa no interior para brincar, mesmo sendo uma casa de pau à pique era muito divertido. Aqueles senhores gostavam muito de nós e sempre pediam aos meus pais que deixassem eu morar na capital para estudar, mas retornei para Jales.

 

Outra coisa que ficou marcada em mim foi o 25 de janeiro de 1954. São Paulo fazia 400 anos. A Dona Ivone sentou ao meu lado e disse: “Maxionilda, hoje São Paulo faz 400 anos estamos todos aqui, mas quando fizer 450 anos posso não estar mais, mas você estará para lembrar esse dia”. Lembro-me de ir à igreja de Moema, ao circo Arrelia, de ver a Angela Maria cantando na televisão que tinha acabado de ser lançada, das idas ao parque do Ibirapuera e de andar de bonde. Foi uma época maravilhosa o tempo da garoa. Lembro-me de ter visto o sol raras vezes em três meses que fiquei aqui. Ah! Lembro também de acordar assustada com o barulho, mas logo eles me acudiam dizendo que era o avião decolando ou pousando. A iluminação das ruas era com lampião de gás.

 

Há algum tempo voltei àquele lugar e procurei notícias sobre Dona Ivone e o Dr. Amaury, mas os vizinhos me disseram que tinham mudado para o Brooklin. Gostaria muito de revê-los. Enquanto não consigo, aproveito para deixar um abraço para eles. Hoje, tenho 71 anos, três filhos e três netos, moro em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Sempre conto aos meus netos essas gostosas aventuras, pois sou muito honrada por ter vivido histórias tão lindas na capital.

 

Maxionilda Schiavinatto Gubolin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.