Avalanche Tricolor: que os deuses do futebol me perdoem

 

Grêmio 1 x 2 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Deus escreve certo por linhas tortas, dizia minha mãe sempre disposta a me consolar diante do revés e mostrar que teríamos de aprender com nossos erros. Seriam esses os sinais divinos enviados para amenizar a dor da derrota e lhe dar caráter pedagógico. Você, caro e raro leitor deste blog, sabe muito bem das minhas restrições quanto a misturar religião e futebol, por entender que o Cara lá em cima tem muito mais coisa para se preocupar do que interferir nos resultados em campo. Por isso, se o objetivo é escrever de bola rolando (ou rolada), como costumo fazer nesta Avalanche, melhor prestar atenção nas lições oferecidas não por aquele Deus superior que alguns de nós acreditamos (eu, inclusive), mas nos deuses do futebol, aqueles que, recentemente, foram clamados pelo técnico Mano Menezes, do Corinthians, para rogar praga sobre o arquirrival São Paulo (parece que deu certo). São eles que sempre me dão esperança de dias melhores, que me fazem acreditar na Imortalidade que marca nosso time, mesmo diante de todas as dificuldades.

 

Como tenho uma certa intimidade com os deuses do futebol, eles costumam me confidenciar segredos que devem ser guardados até a revelação final. Desta vez, porém, perdoem-me senhores, serei obrigado a contar aquilo que vocês sussurraram em meu ouvido assim que se encerrou o Gre-Nal na tarde deste domingo. E faço está inconfidência pois imagino que muitos torcedores gremistas estejam tristes com o placar desfavorável na primeira partida da final do Gaúcho, principalmente por saberem que terão duas semanas de espera até o jogo da volta – bem verdade que neste tempo todo teremos coisas bem mais importantes a fazer, como confirmarmos a classificação à próxima fase da Libertadores nos dois jogos que faltam nesta fase de grupos. Sobre isso, porém, falaremos na quarta-feira à noite. Como sei que muitos de vocês estarão cabisbaixos na segunda-feira, quebrarei meu pacto com os deuses de futebol. Eles me garantiram que o resultado ruim de hoje tinha a única intenção de convencer os dirigentes adversários a abrirem seu estádio, que será reinaugurado semana que vem, para o Gre-Nal final, coisa que não aconteceria se a conquista do título regional estivesse ameaçada. Diante da vantagem do gol qualificado e a possibilidade de perderem o título apenas se o Grêmio fizer dois gols de diferença, levarão o jogo para o Beira Rio, vão se preparar para a festa, colocarão o champanhe na geladeira, se vestirão de arrogância e, com o cenário pronto para a tragédia final, a Imortalidade Tricolor ressurgirá mais uma vez.

 

Só uma coisinha a mais da minha conversa com eles: um dos deuses que conheço, metido a dar palpites técnicos e táticos, me disse também que para a palavra deles se concretizar não podemos repetir o segundo tempo dessa tarde, pois o futebol não perdoa apáticos nem prepotentes da mesma forma, aliás, que eu não perdoo os idiotas racistas que seguem a manchar as arquibancadas. Que tirem a camisa tricolor ao tomar essas atitudes, pois nós não os queremos. E vocês não nos merecem.

De língua e linguagem

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Falar uma língua pode ser comparado a compor uma sinfonia, ou queimar uma oportunidade de fazê-lo. É ser capaz de decodificar vinte e seis sinais gráficos, e usá-los para pensar, escrever, sonhar, falar, como notas musicais que compõem

 

sinfonia
sonata
samba rasgado
serenata
um recital de fundo de quintal
samba de uma nota só
uma canção de Natal

 

A partir das letras do alfabeto, é possível formar um mundaréu de palavras que se põe à disposição para ser usado como cada um quiser. Na língua que quiser.

 

Tem as de som labial, nasal, gutural, dental, e outros, emitidos pelo nosso aparelho fonador, isto é, a orquestra formada de língua, dentes, cordas vocais, ar, lábios, nariz, traquéia, caixa-craniana, pulmão, diafragma e instrumentos coadjuvantes, como olhar, postura, expressão facial e corporal de todo tipo.

 

palavra
sociedade
diversidade
riqueza
poder
cada uma
como puder
ser

 

Mas mesmo com enorme poder e infindável riqueza, língua é só a base da comunicação de cada comunidade que cobre o planeta Terra. Ao menos a Terra, pelo que sabemos.

 

Só isso. Alicerce. O que você construir terá a tua cara, teu jeito, tua ginga. Mostrará quem você é e de onde você vem. E a essa construção se dá o nome de linguagem, que é a forma como você se expressa. É um instrumento de contato com o mundo à volta.

 

Espero que possamos adornar a linguagem com o luxo de compreensão, objetividade, doçura e gentileza, e desvesti-la de certeza.

 

Espero que possamos temperar a linguagem com afeto e incentivo, e desarmá-la de palavrão e crítica maldosa.

 

Espero que possamos respeitar a expressão do outro

 

Meu desejo é o de podermos lapidar a linguagem pensada, sonhada, bradada, sussurrada, escrita ou gravada.

 

Assim mudamos e desarmamos o mundo inteiro.

 

Simplesmente mudando a linguagem.

 

Ou não…

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Fernando Estanislau, Tritone, fala de comunicação interativa

 

 

Para se ter bons resultados na comunicação interativa tem de se pensar em entregar a mensagem de forma mais agradável, impactante e lúdica com vídeos que se transformem em entretenimento porque este modelo está cada vez mais no cotidiano das pessoas. A opinião é de Fernando Estanislau, CEO da Tritone, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Estanislau fala das melhores estratégias para as empresas conversarem com seus clientes através de tablets, celulares e demais equipamentos digitais.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Tom Ford lança loja virtual com campanha ousada

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O estilista Tom Ford, dono da marca que leva seu nome, anunciou esta semana o lançamento de sua primeira loja online. Por enquanto disponível apenas para entregas em endereços dos Estados Unidos, a loja virtual da marca disponibiliza itens de suas coleções masculina e feminina, como sapatos, bolsas, joias, óculos, perfumes e outros produtos de beleza.

 

Com 98 pontos de venda no varejo de luxo ao redor do mundo, Tom Ford tem a intenção de que sua loja online funcione realmente como uma extensão de suas lojas físicas, oferecendo a excelência não apenas nos produtos como principalmente no serviço prestado. Um de seus destaques será a nova fragrância Tom Ford Velvet Orchid, a ser vendida exclusivamente no site.

 A loja virtual de Tom Ford não mediu esforços para uma campanha ousada. Suas campanhas aliás sempre foram conhecidas por serem mais do que sensuais, muitas vezes, inclusive, proibidas em determinados países. O ambiente virtual continua com esse conceito que a marca já carrega em si. Ford tem atuado fortemente no mundo online: sua página no Facebook permite que seu público esteja informado de ações da marca, que já possui mais de 738 mil usuários, e há apenas alguns dias a marca inaugurou seu perfil oficial no Instagram, que conta com mais de 14 mil seguidores.

 

 

A entrada de Tom Ford para o e-commerce mostra que cada vez mais as marcas de luxo e premium rendem-se à estratégia de venda online, que apesar de ser criticada por muitos, pela possibilidade de banalização da marca, tem sido um caminho de sucesso para grandes marcas. Além disso, existe uma demanda do próprio consumidor pelos endereços eletrônicos das marcas de luxo. Para as marcas, o maior desafio é, no mundo online, oferecer a seu consumidor todo o luxo e experiência de compra já oferecidos em suas lojas físicas. É imprescindível investir em tecnologia, logística e uma comunicação eficaz entre a loja online e seu cliente. Muitos consumidores utilizam também a loja digital para se atualizar das novidades e conhecer peças de coleções novas, podendo decidir efetuar a compra pela internet ou até mesmo ir a uma loja da grife.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Minha Copa do Mundo era disputada na pracinha da Zamenhoff

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Zero Hora,nesse domingo,23 de março,dedicou cinco páginas,com textos e fotos em preto e branco,à Copa do Mundo, disputada em 1950,aqui em um Brasil do qual lembro com saudade. Se isso me transforma em saudosista de carteirinha,não me importa. Eu gostava de futebol,desde que fosse o disputado pela gurizada da minha rua nos terrenos baldios que somente aos poucos foram sendo preenchidos por casas de alvenaria,a maioria de dois pisos. A casa paterna ficava bem na frente de um arremedo de pracinha,situada na confluência da Ruas 16 de Julho e Zamenhoff. Essa – a pracinha – jamais foi ocupada por um jardim,como queria a prefeitura,porque nela,embora fosse triangular e em ligeiro declive, jogávamos futebol,vôlei,basquete e até partidas de tênis,por incrível que pareça. É verdade que nossas atividades lúdicas começaram muito antes do ano da Copa do Mundo.

 

Eu não costumava assistir aos jogos dos times de Porto Alegre:Grêmio,Inter,São José,Cruzeiro,Renner e Nacional. Em compensação,já trabalhando em rádio,na Clube Metrópole,tive de narrar uma partida entre Cruzeiro e Renner. No ano do Mundial,porém,minhas incursões radiofônicas restringiam-se aos alto-falantes do Colégio Nossa Senhora do Rosário e,em festas da paróquia do Sagrada Coração de Jesus,naquela que apelidamos de Voz Alegre da Colina,porque ficava no alto de um morro. Na parte baixa desse, havia o campo de futebol do amadoríssimo, União do Buraco. Os jogos eram sempre aos domingos e,volta e meia, dava uma pauleira danada (já naquele tempo)e os torcedores corriam Zamenhoff abaixo para fugir da bronca.

 

A turma da zona continuou,eu inclusive,a bater bola na pracinha mesmo quando já estávamos bem mais velhos. Assistir aos jogos dos profissionais,porém,no meu caso,ainda no ano do Mundial,era coisa raríssima. Eu sequer ouvia as transmissões das partidas pela Farroupilha,Gaúcha e Difusora (hoje Bandeirantes).Talvez,se a televisão já cobrisse futebol,eu teria me interessado bem mais por este esporte. Não passou pela minha cabeça assistir aos jogos de Porto Alegre,no Estádio dos Eucaliptos.Mexicanos,iugoslavos e Suíço não chamavam um mínimo de atenção da minha parte. E a esperada final chegou. Nem essa me prendeu em casa. Fui ver um filme no Cine Eldorado,um dos que costumava frequentar,além do Rosário,Orfeu e Colombo. Não recordo a que filme assistia quando a película foi interrompida:a notícia dada pelos alto-falantes do El Dorado não poderia ser pior: a Seleção Brasileira havia perdido para Uruguai. Saí do cinema e vi muita gente com lágrimas nos olhos, mas confesso lisamente,os meus permaneceram secos.

 

Agora,diante de nova Copa do Mundo em nosso país,não consigo a aceitar sem inúmeras restrições. Temo que,caso o Brasil conquiste o título mundial,o fato seja aproveitado politicamente na próxima campanha eleitoral,como ocorreu no tempo do governo militar que se aproveitou das vitórias da Seleção para se promover. Não posso dizer que Copa no Brasil me agrada. Bem pelo contrário,tenho certeza de que o seu custo para o nosso país será altíssimo. Seria muito melhor se o dinheiro que está sendo gasto fosse utilizado para amenizar ou mesmo corrigir problemas de todas espécies que afetam o nosso povo. São tantos que não me atrevo a os enumerar.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: pelo direito de ser aquele garoto mais uma vez

 

Grêmio 2 x 1 Brasil-Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Havia um menino, desses que entram em campo de mãos dadas com os jogadores, que me chamou atenção no momento em que o Grêmio ainda cumprimentava sua torcida. Estava com a camisa tricolor, calções pretos, meias brancas, vestido de jogador. O cabelo tinha o mesmo corte (estranho) usado por Pará, e ficou ao lado dele boa parte do tempo, o que me faz crer que o lateral gremista seja um dos seus ídolos, assim como também é um dos meus. Não foi o estilo da cabeleira, porém, que fez o garotinho se destacar em meio a tantos mascotes que acompanharam o time na saudação inicial. Com o menino havia um sorriso sincero e emocionado, que brilhou ainda mais quando, com os braços erguidos, imitou o gesto dos jogadores. O olhar voltado para a arquibancada era de uma alegria contagiante. Deveria estar ali imaginando que todos os gritos e aplausos com que os torcedores recepcionaram o time fossem para ele. Deve ter por alguns segundos sonhado que assim que o árbitro soasse o apito, ele é quem estaria correndo atrás da bola, driblando os adversários, chutando a gol, livrando seu time dos perigos com cabeceios lá no alto e carrinhos rente à grama. Sei lá o que estava pensando aquele menino, mas me fez relembrar as vezes em que meu pai me ofereceu a oportunidade de ter as mesmas sensações ao entrar em campo de mãos dadas com Loivo, Anchieta e tantos outros craques que admirei.

 

De volta à arquibancada, o garotinho de cabelo estranho e rosto tomado pela alegria deve ter comemorado com seus pais ao ver Dudu, jogador com tamanho e apelido de menino, furar o mais complicado bloqueio defensivo que já enfrentamos nesta temporada e dar início a vitória que nos levou à final do Campeonato Gaúcho. Saltitou sem conter a emoção quando percebeu que o talento de Luan, outro dos nossos meninos, que já havia sido decisivo no primeiro gol, seria capaz de superar a mais violenta marcação que encarou na sua carreira com a camisa tricolor e, sem tituberar, roubar a bola, driblar dois zagueiros, o goleiro e fazer o gol que sacramentou nossa conquista. Aquele menino, o da torcida, com certeza sofreu nos minutos finais diante da possibilidade de um revés, fechou os olhos nas bolas alçadas para nossa área e vibrou com as bolas despachadas lá de dentro. E voltou a sorrir, se emocionar, quem sabe chorar, quando o jogo se encerrou e todos seus desejos (ou quase) se concretizaram nesta noite de futebol.

 

Eu, assim como ele, também me emocionei, vibrei, sofri e sonhei. Sonhei em ter o direito de ser aquele garotinho ao menos mais uma vez.

Famosos de 4000 A.C. a 2010 D.C.

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No contexto atual em que a fama tem gerado um processo cada vez mais extenso e intenso de criação de personalidades públicas, o sério e competente MIT Massachusetts Institute of Technology vem apresentar um estudo em que mapeou a produção cultural do planeta através do seu laboratório de mídias. O trabalho, designado como projeto Pantheon, listou as pessoas que mais influenciaram a cultura no mundo prospectando e analisando os dados sobre a produção cultural de 4000 A.C. até 2010 D.C.

 

As dez maiores personalidades do mundo:

 

1º) Aristóteles
2º) Platão
3º) Jesus Cristo
4º) Sócrates
5º) Alexandre, o Grande
6º) Leonardo da Vinci
7º) Confúcio
8º) Julio César
9º) Homero
10º)Pitágoras

 

Andy Warhol provavelmente estava certo com os “quinze minutos de fama”, pois a fama duradoura exige consistência. O que pode explicar a liderança de Aristóteles que atuou intensamente na física, metafísica, poesia, drama, música, lógica, retórica, ética, governo, biologia e zoologia. E foi criticado principalmente com posições como o apoio à escravidão. Bertrand Russel chegou a declarar que todo avanço sério teve de começar com um ataque a alguma doutrina aristotélica. De qualquer forma as críticas também contribuíram para manter o foco no criticado.

 

As maiores personalidades dos países:

 

África do Sul: Nelson Mandela
Alemanha: Albert Einstein
Arábia Saudita: Maomé
Argentina: Che Guevara
Áustria: Adolf Hitler
Chile: Pablo Neruda
China: Confúcio
Cuba: Fidel Castro
Egito: Moisés
Espanha: Pablo Picasso
Estados Unidos: Martin Luther King, Jr.
França: Napoleão Bonaparte
Grécia: Aristoteles 
Holanda: Vincent Van Gogh
Índia: Mahatma Gandhi
Itália: Leonardo da Vinci
Jamaica: Bob Marley
Japão: Basho
México: Frida Kahlo
Palestina: Jesus Cristo
Portugal: Vasco da Gama
Reino Unido: William Shakespeare
República Tcheca: Sigmund Freud
Rússia: Vladimir Lenin
Uruguai: Diego Forlán
Venezuela: Simón Bolivar

 

O ranking do Brasil:

 

1º) Pelé
2º) Ronaldo
3º) Ronaldinho
4º) Paulo Coelho
5º) Ayrton Senna
6º) Kaká
7º) Rivaldo
8º) Zico
9º) Garrincha
10º) Lula

 

Sugiro que analisemos este estudo sem preconceitos, considerando a cultura, base, aliás, do próprio trabalho.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

27 anos separam Prego de Barbosa e quase nada mudou no Presídio Central

 

Há uma semana, o presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa foi a Porto Alegre para vistoria do Presídio Central, o maior do Rio Grande do Sul e um dos piores do Brasil. Não precisou de mais de 30 minutos para repetir aquilo que qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento do local já sabe: os presos vivem em condições subumanas. Barbosa disse aos jornalistas que “com certeza o preso não sai recuperado daqui. Ele muito provavelmente, em alguns casos, sai daqui muito pior do que entrou, enraivecido e brutalizado”. A visita faz parte do Mutirão Carcerário realizado pelo Conselho Nacional de Justiça, presidido por Barbosa. Verdade que o cenário encontrado na capital gaúcha não se difere muito daquele que temos em presídios Brasil afora, mas me chamou atenção por ter conhecido o local quando trabalhei no jornalismo gaúcho e perceber que pouca coisa foi feita desde então.

 

Em 1987, três anos após iniciar carreira na Rádio Guaíba de Porto Alegre, fui escalado para cobrir rebelião que ocorria no Presídio Central. Trinta e três presos deixaram as celas e renderam funcionários do Instituto de Biotipologia que fica dentro da penitenciária. Durante dez horas, fizeram ameaças, atacaram funcionários e desafiaram a polícia. Duas pessoas morreram no início da ação: um preso e um agente penitenciário. Próximo do local onde estavam, ouvi alguns deles gritando que nada tinham a perder, ao mesmo tempo que se percebia o desejo de policiais de entrarem para vingar a morte do colega. Após longa negociação e temendo a morte de inocentes, o Governo do Estado, Pedro Simon, deu ordem para que os presos fugissem em três carros acompanhados de reféns e sob a promessa de que estes seriam liberados com vida.

 

Em um lance de grande sorte e um pouco de irresponsabilidade, acompanhado pelo motorista Gilmar Lacerda, decidimos seguir o comboio de presos com o carro da rádio, o que permitiu que levássemos aos ouvintes, ao vivo, as emoções daquela fuga pelas ruas de Porto Alegre que estavam cheias devido ao horário do rush. A polícia também os perseguia até sumirem do nosso campo de visão. A ousadia dos rebelados rendeu reportagens durante semanas na imprensa gaúcha, enquanto a minha, alguns elogios e questionamentos, afinal, nos colocamos em risco durante aquela ação.

 

Não sei o que aconteceu com os presos que participaram da fuga, é provável que tenham morrido em outros confrontos ou voltado para a cadeia por novos crimes que cometeram. O mais perigoso deles, Vico, assaltante de banco, deveria ficar preso até 2029. Um dos comparsas dele, Prego, me disse, ainda durante a rebelião, que “nós estamos no colégio, na escola do crime”. Da declaração do condenado à de Joaquim Barbosa, 27 anos depois, poucas coisas mudaram no Presídio Central de Porto Alegre.

 

Talvez apenas eu tenha ficado mais velho e responsável (correr atrás de bandido, nunca mais!).

Avalanche Tricolor: três gols de Barcos e a vitória de um grande time

 

Grêmio 3 x 0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

O primeiro veio por cima após excelente cruzamento de Pará; o segundo da marca do pênalti, resultado de belo passe de calcanhar de Dudu para Wendell; e o terceiro exigiu talento para driblar o goleiro, depois de mais uma jogada de Dudu, desta vez em parceria com Luan. Barcos fez os três gols desta classificação às semifinais do Campeonato Gaúcho, e merece todo nosso aplauso e admiração, mas sabe que o mérito é da equipe. A vitória desta tarde de domingo, em Porto Alegre, foi de um elenco que tem sido capaz de superar a maratona de partidas, o cansaço e as lesões. Um time que tem muito talento com a bola no pé, troca passe com precisão, se movimenta com rapidez, varia as jogadas, tenta por um lado e pelo outro, até encontrar espaço na defesa adversária. Da mesma forma, marca com firmeza, desarma com força quando necessário, despacha a bola pela lateral se preciso e não dá chance para o adversário pelo alto. Hoje, até ter a partida decidida, Marcelo Grohe praticamente não foi exigido. E quando o foi, mostrou porque temos tanta confiança nele.

 

Estar nas semifinais do Campeonato Gaúcho não passa de obrigação, sem dúvida. Qualquer coisa que não seja o título estadual, significará muito pouco à torcida. Temos, contudo, que admitir que tem sido cada vez mais agradável ver o Grêmio jogando com talento e firmeza, reflexo da forma como o time está montado e comandado por Enderson Moreira. Os gritos do treinador ao lado do campo mesmo quando a goleada era certa, deixa evidente a seriedade e responsabilidade com que encara cada desafio. Para quem busca nesta temporada os títulos que almejamos não se pode mesmo baixar a guarda. Enderson tem nos oferecido esse entusiasmo e permitido o desfile de ótimos jogadores que muitas vezes entram no decorrer da partida para nos dar a certeza de que se for preciso reforço, não nos faltará.