Os videogamens e a influência sobre as crianças e adolescentes

 

 

O comentarista de tecnologia Ethevaldo Siqueira, do Mundo Digital, levou para o Jornal da CBN a discussão sobre a influência dos jogos eletrônicos para os adolescentes. O tema é extremamente atual a medida que em muitas casas ainda assistimos ao drama dos pais na tentativa de controlar o uso da tecnologia por entender que os excessos podem causar prejuízos, danos no desenvolvimento psicológico e perdas no desempenho escolar. Ethevaldo disse que o tema divide os educadores em quatro grupos: os radicais que são totalmente contra os games; os liberais que recomendam o acompanhamento dos pais; os que condenam os jogos violentos; e os que só aceitam os educativos.

 

Provocado pelo comentarista, contei minha experiência com os dois adolescentes de casa, ambos apaixonados pela internet e pelos videogames. Quando eram pequenos, jogávamos juntos; agora que cresceram, têm interesses próprios e o tempo em que compartilhamos os games diminuiu (mesmo porque passei a tomar surras históricas). Uma coisa não mudou: mantivemos o mesmo ambiente para acessarmos computadores e games. Uma mesa redonda no início, agora horizontal, onde estão nossos computadores, equipamentos que usamos para trabalhar, estudar e nos divertir. Eles fazem lição, conversam com os colegas pelo Skype, trocam mensagens e conhecimento. Também assistem aos seriados, graças a conta no Netflix, e aos seus Youtubers preferidos, onde encontram informação relevante. Jogam bastante em games que, atualmente, são capazes de atrair audiência maior do que boa parte dos jogos de futebol dos campeonatos estaduais aqui no Brasil. Ao lado deles, faço meu trabalho, escrevo textos (como agora), atendo a demandas de jornais e revistas, respondo e-mails, planejo o Jornal da CBN com o apoio dos produtores do programa e organizo minha vida. Em meio a tudo isso, conversamos muito.

 

Considero-me um liberal, pois sequer imponho tempo de uso dos videogames. Nunca precisei disso. Eles sempre foram capazes de perceber quando exageravam e cumpriram perfeitamente suas obrigações. Importante registrar que o desempenho escolar de ambos é exemplar. Pode ser que isto aconteça porque sou um pai de sorte, ou melhor, somos pais de sorte, afinal minha mulher tem tudo a ver com a educação que eles receberam. Creio, porém, que esse privilégio também está ligado ao diálogo que mantivemos durante todos esses anos, sem esconder nossos pensamentos sobre os diferentes comportamentos diante do computador. e da vida. Afinal, jamais pensamos em delegar para a televisão, para os games, para os amigos ou mesmo para a escola a formação que sempre desejamos para ambos. Provavelmente cometemos alguns erros nessa jornada, mas assumimos nossa responsabilidade.

 

Se há um erro que percebo em parte das famílias é a ideia de que a educação de nossos filhos tem de ser terceirizada. É comum ouvirmos pedidos para se encher a grade curricular com temas que poderiam ser muito bem resolvidos em casa: ética, religião, direitos humanos, cidadania, respeito ao meio ambiente, entre outros. São assuntos importantes, sem dúvida, e devem ser debatidos de forma interdisciplinar na escola, mas, principalmente, devem ser exercitados em casa, o que somente vai ocorrer se os pais estiverem presentes. Sei que a maioria de nós tem obrigações profissionais que nos impede de acompanhar os filhos 24 horas. Mas não é isso que se deve buscar, mesmo porque seria impossível. Precisamos valorizar o tempo em que estamos com eles e aproveitar para reforçar os laços de confiança que os fará procurá-lo sempre que surgirem dilemas. E muitos dilemas vão surgir na vida desses adolescentes.

 

Fiquei bastante satisfeito ao perceber que não estou sozinho nesse pensamento, pois a maior parte das mensagens que chegou à minha caixa de correio eletrônico, na rádio CBN, foi de pais que concordam com a ideia de que os videogames não são a fonte de todos os males que descaminham os jovens. Pais que entendem que a responsabilidade deles é muito maior na formação das crianças.

 

Ouça aqui o comentário do Ethevaldo Siqueira que motivou este artigo:

 

Controle e motivação para ter serviço com qualidade

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

No mundo corporativo, salas de diretores sem portas, executivos em contato direto com o nível operacional, premiação para mudanças sugeridas pelos funcionários, programas de treinamento, planos de carreira, etc. fazem parte do que se reconhece como as melhores práticas de administração. E, convenhamos, é uma receita antiga, embora bem menos praticada do que se poderia esperar.

 

No Mundo Corporativo do Mílton Jung há uma semana, Carlos Ewandro da ENDESA Brasil, empresa de serviços de eletricidade, expôs os métodos adotados no relacionamento do trabalho, ressaltando a preocupação da Companhia em executar o que poderíamos chamar de plenitude da cartilha da Escola de Recursos Humanos. A tal ponto que Ewandro não é “diretor”, mas “responsável” pelo RH. Ao mesmo tempo em que “comunicação” é corretamente interpretada e executada, pois se fala, mas também se ouve.

 

Todos estes tópicos preenchem a condição necessária ao sucesso, mas não o suficiente, pois o que confere à ENDESA a excelência no resultado é o controle total sobre o principal do seu negócio, que é o serviço na rede elétrica. As câmeras que monitoram toda a movimentação das equipes que realizam os serviços de implantação e reparo da rede elétrica agem como controle e ao mesmo tempo como motivação, pois os erros podem ser corrigidos e os acertos premiados. Em virtude disso os acidentes foram reduzidos em mais de 60% e a confiança dos consumidores aumentou.

 

Essa capacidade de transformar a supervisão em motivação é essencial à qualidade dos serviços. A técnica do comprador camuflado também é uma alternativa ao uso de câmera e igualmente pode ser usada como elemento controlador e motivador. As câmeras ou os compradores camuflados juntos às demais práticas de administração dará a condição necessária e suficiente para um serviço de qualidade. Portanto, para produtos e serviços que necessitam de qualidade de atendimento a melhor prática é o velho e conhecido controle. Não o de Taylor, mas o de Mayo, o professor de Harvard que em 1927 provou que atenção é fundamental.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: águas passadas não movem moinho

 

Por Alberto Juan Martínez

 

 

Nas primeiras horas do 20 de janeiro, justo um ano e cinco dias antes do IV Centenário de minha futura querida cidade, São Paulo, cheguei via Santos. Os amigos que aqui me aguardavam me alojaram em um apart hotel na avenida São João depois da Dom José de Barros e a poucos metros da Ipiranga. Melhor que isso só mandando fazer.

 

Terra da inesquecível garoa; bondes abastecendo mão de obra da Pça do Correio à Lapa, da Pça Ramos de Azevedo ao laborioso Pinheiros, aos perfumados e elegantes Jardins; e de ai para a cidade em crescimento.

 

O bar do Jeca, do Brahma, o Hotel Excelsior, o cinema Marabá, a Pça da República, a nobreza da Vieira de Carvalho, o deus-nos-acuda da Sta Ifigênia, Timbiras, Rua do Triunfo; a Av. Rio Branco com sua mini-rodoviária e o ponto de partida e chegada das lotações que serviam a baixada Santista e suas praias.

 

A discreta rua e Largo do Arouche, “O Gato que Ri”, o francês “Le Casserole””, o Mercado das Flores. O charme da rua São Luiz embalada pelo som da trompete de Araquem e a voz de seu irmãozinho Cauby Peixoto. Roberto Luna dava o ar da graça e a noite corria mansamente.

 

Não esquecer os restaurantes da São João com destaque para o Leão, onde gregos e troianos se alimentavam como reis a preços de operários. Fácil chegar, difícil era encontra uma mesa vaga ou um lugarzinho na mesa de alguém que graciosamente te convidava a sentar.

 

Durante o dia, todo o respeito pelo Centro da Cidade com lojas de artigos de últimos lançamentos em outras latitudes: o Mappim, a Mesbla, o luxo da Barão, da Rua Direita, São Bento, Três de Dezembro, onde o bom e o melhor poderia ser comprado, onde homens e mulheres vestidos de domingo circulavam naquele frenesi paulistano.

 

Águas passadas não movem moinhos; filhos, sobrinhos, netos não viveram esse esplendor e me acham um saudosista exagerado. Queira Deus que esse enorme pequeno mundo volte a ser o que era. Que sejam enterradas promessas, utopias e o sol volte a brilhar na minha, nossa cidade, que se pretendeu e se pretende assassinar a sangue frio.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar no CBN SP, sábado, após às 10h30 da manhã. Você participa enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou marcando entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. A sonorização do texto é de Cláudio Antonio.

Avalanche Tricolor: programa de domingo

 

Esportivo 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Bento Gonçalves (RS)

 

 

A costela foi salgada e levada à churrasqueira pouco fora do horário, o que se justifica pelo desacerto entre o relógio biológico e de parede, que teve de ser atrasado ontem à noite para se adaptar ao fim do horário de verão. Depois de 199 dias tentando se acertar com a hora que foi tirada no fim de outubro, precisamos de alguns dias para voltar ao normal. Por isso, ninguém se incomodou ao ver o fogo sendo feito mais tarde. O importante era acertar o ponto da carne, desafio bem mais complicado a medida que costela não é minha especialidade. Prefiro imensamente a que é feita pelo meu irmão Christian, um comandante e tanto de churrasqueira, até porque, apesar de gaúcho, sou quase um forasteiro ao lidar com carnes. Seja para dar apoio moral a este churrasqueiro seja porque sou um cara de sorte, todos (mulher e filhos) elogiaram a carne servida. E, sinceramente, também curti roer o osso que estava com sabor especial. Aliás, esse domingo estava com um jeito especial. Além da carne e do fim do horário de verão, ficamos livres do calor absurdo que tomou conta da cidade de São Paulo nestes dois primeiros meses do ano. Não apenas a temperatura ficou amena como choveu boa parte do dia. Para completar havia o Grêmio na televisão, de volta da Libertadores e disposto a se manter na liderança do grupo no Campeonato Gaúcho.

 

Verdade que não era nenhum jogo especial, o adversário era o Esportivo, tradicional time do interior gaúcho, que passa por fase bastante complicada. O estádio Montanha dos Vinhedos, onde já tive oportunidade de cobrir partidas pelo Gauchão, nos tempos de repórter de campo, é acanhado e tem gramado irregular, capaz de atrapalhar o domínio de bola dos mais talentosos. E o Grêmio entrou com time misto, misto quente, formado por titulares, que estavam em Montevidéu, na quinta-feira à noite, e reservas, alguns bem qualificados, mas desacostumados a jogarem juntos. Mesmo diante desse cardápio, a simplicidade com que o Grêmio decidiu o jogo transformou a partida em excelente programa de domingo (principalmente para quem precisava resistir ao sono provocado pela carne que ainda pesava no estômago). Sem forçar muito, ensaiando alguns bons lances e dribles, deixando a marcação mais frouxa do que de costume, marcamos três gols de forma bem interessante pelo desenho das jogadas. O pênalti cobrado por Maxi, antes dos cinco minutos de partida, foi resultado da movimentação e talento de Luan que aproveitou passe perfeito de Riveros. O gol de cabeça de Werley veio depois de falta cobrada por Alán Ruiz, que havia sido derrubado após driblar dois adversários na lateral do campo. E a confirmação da vitória chegou com a triangulação entre Maxi Rodriguez, Moisés e Everaldo, que concluiu no gol.

 

Depois do sofrimento da quinta à noite, que só se encerrou no início da madrugada de sexta, merecíamos mesmo um fim de semana tranquilo e sem preocupação. Por falar nisso, Alán Ruiz deu sinais de que pode ser bastante útil na temporada e se tornar em grande preocupação para os adversários.

Como a minha avó

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Não canso de me encantar com a magia da vida. A todo instante, a cada sensação, experiência, presença, ausência, a cada tudo e a cada nada. Encantamento. Impossível convencer alguém de que vida é magia, ou de qualquer outra coisa. Convencimento é coisa íntima, que se faz a sós, cada um a seu modo. E que sempre é diferente. Novidade. Nova idade interior. É um movimento surpreendente, que alinha fatos, organiza dados e, plim, acontece. Imagino uma vitamina de vivências levadas ao processador interno, acionado pela coragem e perfeitamente ajustado ao nosso mecanismo perfeito, que clica quando é hora e pronto.

 

Convencimento pede flexibilidade e é flexível. Mostra-se quando os ponteiros se abraçam, quando a busca frenética faz uma pausa para o devido descanso. O ócio criativo, talvez. Então um dia assim de repente, ao anoitecer, ou ao amanhecer, acionado por um abraço, uma despedida amorosa, um sonho, um acidente, uma canção, ou por qualquer coisa vinda de qualquer lugar, a ficha cai. E a gente vai em frente meio bamba no início, mas maravilhada ao longo do caminho. É como andar de bicicleta.

 

Aqui, neste idílio com o Mar, meus processos internos clicam com maior frequência e intensidade. O mar clama e declama para mim. Eu ouço. Ouço tudo mais claramente: as cores das palavras, do silêncio, do quebrar das ondas nas pedras, do espreguiçar da Valentina. Percebo o pulsar da vida, ora aqui, ora ali. Nas minhas preces peço coragem para continuar mudando, conquistando e me desapegando. Para aproveitar mais uma entre tantas oportunidades que a vida me oferece de recomeçar todo dia com alegria, gratidão, gratidão, gratidão e muita garra.

 

Como acredito que o pensamento pode ser amigo ou inimigo, tenho exercitado a escolha de cada um, como fazia a minha avó Grazia com os grãos de feijão.

 

E você, como sente a vida?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Cartier lança programa global de MBA em Gestão do luxo, em Paris

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O Institut Supérieur de Marketing du Luxe (Sup de Luxe Paris), fundado pela joalheira francesa Cartier (Richemont Group), em 1990, lançará MBA Global em Gestão do Luxo, em setembro deste ano. O programa será o segundo MBA no segmento em Paris, após o da renomada escola Essec, apoiada pelo grupo LVMH. O MBA terá aulas de segunda à quinta-feira à noite e em 2 sábados por mês, sendo ministradas no idioma inglês, com duração de até Julho de 2015. O MBA não terá foco apenas em Marketing, como muitos espectadores costumam confundir antes de ingressar no curso, e sim envolverá todas as áreas importantes na gestão da marca de luxo, tais como política de negócios, logística, finanças, Marketing e varejo, análise setorial e assuntos relacionados à legislação (contratos, leis, transações entre empresas), e ainda ênfase em gestão da criação.

 

Para ingressar no MBA é necessário graduação em universidades reconhecidas, além de submeter-se ao Graduate Management Admission Test (GMAT), prova de admissão exigida pela maior parte das escolas de negócios da Europa e dos Estados Unidos. Para alunos que não tenham o inglês como língua nativa, é necessário realizar testes como TOEFL, TOEIC ou CPE, a menos que estes tenham frequentado universidade de língua inglesa por dois anos. O custo é de 26.000 Euros para o programa completo, além da taxa de aplicação de 200 Euros.

 

Como uma das premissas do luxo é a exclusividade, o MBA terá classe limitada a um número razoavelmente pequeno de alunos com potencial internacional e quer formar profissionais capacitados para o segmento que cada vez mais cresce ao redor do mundo. Vai se tornar, assim, fonte de perfis interessantes para as empresas de luxo, segmento peculiar que para obter resultados positivos e atender a demanda de seus clientes exige profundo conhecimento dos profissionais dedicados ao mercado.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo entrevista Carlos Ewandro da Endesa Brasil

 

 

“A palavra comunicação é dita ‘como única ação’. Você quando separa isso, dá uma dimensão maior a questão da comunicação, porque se você não comunica e não se aproxima – e a comunicação é falar mas essencialmente escutar – alguém comunica por você. Se você não fala, o Sindicato vai falar, o corredor vai falar, a fofoca vai falar”. O alerta é de Carlos Ewandro, responsável pelo RH da Endesa Brasil, empresa do setor energético, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Evandro diz que a troca de informações entre os chefes e os colaboradores tem de ser valorizada, por isso “nós temos modelos robustos de comunicação na Endesa e para se ter ideia as salas dos executivos não tem porta”. O resultado desta troca de experiência foi o uso de câmeras que registram toda a movimentação das equipes que realizam serviços de implantação e reparo da rede elétrica, método que teria reduzido o número de acidentes de trabalho e aumentado a confiança dos consumidores.

 

Você pode assistir, ao vivo, o programa Mundo Corporativo, toda quarta-feira, 11 horas da manhã, pelo site da rádio CBN (www.cbn.com.br) e participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @miltonjung, usando a hashtag #MundoCorpCBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: a cara do Grêmio na Libertadores

 

Nacional 0 x 1 Grêmio
Libertadores – Montevidéu (URU)

 

 

Já passava da meia-noite quando o Grêmio garantiu a vitória na estreia da Copa Libertadores, contrariando parte das previsões, apesar da estatística ser totalmente favorável a nós. Uma vitória merecida, mesmo com os riscos que corremos, especialmente nos minutos finais do jogo quando o Nacional nos empurrou contra o gol. E foi quase de dentro do gol que Edinho tirou uma bola, Marcelo Grohe defendeu outra e nos safamos do que seria um empate injusto. O Grêmio foi maduro a começar pelo jogo jogado por seus jovens, que tiveram liberdade para criar, enquanto os “veteranos” lhe davam segurança. Acima de tudo, foi equilibrado, pois se soube usar da técnica para trocar passes e se movimentar com rapidez com a bola de pé em pé, quando o adversário tentava jogar, marcava sobre pressão e com precisão (exceção a alguns lances nos quais poderíamos ter nos adiantado e evitado os riscos de gol).

 

Apesar do adiantado da hora, e talvez pela excitação provocada pelo sofrimento e pela vitória, esperei para ouvir o que diriam os jogadores gremistas ao fim da partida. Gostei do equilíbrio das falas, semelhante ao que tivemos dentro do campo. E, principalmente, sorri ao ouvir Zé Roberto, um dos nomes que têm sido contestados neste início de temporada, que depois de um desabafo aos descrentes decretou: “esta é a cara do Grêmio”. Sempre racional, Zé foi ao ponto certo, pois o que assistimos no fim da noite dessa quinta-feira foi o Grêmio do jeito que gostamos de torcer.

 

Na estreia do Grupo da Morte, mostramos quem é o Imortal.

O que é melhor: trabalhar em pé ou sentado?

 

Há quem não acredite quando conto que apresento em pé boa parte das três horas e meia do Jornal da CBN. Quem duvida é convidado a conferir minha postura pelas imagens do estúdio disponíveis no site da rádio. Por mais cansativo que possa parecer, sinto-me mais confortável nessa posição e percebo que consigo me comunicar melhor. O ar flui com mais facilidade, pois não falo com o diafragma pressionado; o movimento das pernas ajuda na circulação do sangue; sinto-me mais ativo, apesar de acordar de madrugada e trabalhar desde cedo; elimino boa parte da pressão sobre as costas que existe quando se está sentado, a medida que divido o peso sobre os dois pés; e, no conjunto da obra, o corpo ajuda a expressar melhor as mensagens. Para manter este costume, o estúdio da CBN tem dois computadores para o âncora, um sobre a bancada central, onde boa parte prefere ficar sentada, e outro em uma mesa elevada, e há um microfone “headset” ou “da Madonna”, como costumamos chamá-lo, que oferece ainda mais liberdade para quem apresenta o programa em pé.

 

Conto isso porque, nesta semana, li reportagem no britânico Financial Times sobre os efeitos de se trabalhar muito tempo sentado. O colunista Charles Wallace escreve que vários leitores identificam que as dores nas costas que sentem estão relacionadas as longas horas sentadas diante de um computador. De acordo com especialistas ouvidos pelo jornalista, trabalhar sentado por longos períodos é o “novo fumar”, pois aumenta o risco de morte e doença, não importando quão ergonômica é sua cadeira ou mesa nem mesmo quão extensa é sua rotina de exercícios semanais. Os músculos das pernas e das costas ficam contraídos ao longo do tempo e o coração sofre com a falta de atividade. De acordo com o Marvin Dainoff, diretor do centro para a ciência comportamental da seguradora Liberty Mutual, ouvido pelo colunista, os trabalhadores que se levantam durante sua jornada de trabalho têm menos queixas sobre sua saúde.

 

Leia aqui a reportagem completa do Financial Times

 

Com base nos estudos apresentados sobre os efeitos negativos de se ficar longos períodos sentados no trabalho, leitores passaram a entender que o ideal então é ficar em pé o tempo todo. Nem tanto ao céu nem tanto a terra ou, adaptando o ditado a situação em debate, nem tanto sentado nem tanto em pé. Afinal, há muitos anos somos alertados pelos médicos sobre os perigos para os trabalhadores que permanecem em pé na maior parte de sua jornada. “Existem riscos para a parte inferior das costas e membros inferior”, lembra Karen Messing, que estudou o tema. Ela mesma apresenta a solução: “a proporção ideal é de aproximadamente 70% em pé e 30% sentado, alternando ao longo do dia”. Nunca calculei o tempo em que fico em pé na apresentação do Jornal da CBN mas imagino que minha proporção é de 90% para 10%, a não ser que esteja muito cansado (sabe aqueles dias em que fico assistindo aos jogos do Grêmio até depois da meia-noite?).

 

Na CBN, como citei no primeiro parágrafo, já temos à disposição mesas em alturas diferentes para atender aqueles que preferem ficar em pé e os que se mantém sentados. Nos Estados Unidos, escreve Wallace, empresas têm se dedicado a fabricar mesas com motores elétricos que elevam a plataforma e se adaptam a sua postura. Uma recomendação importante é que a tela do computador esteja um pouco acima do nível dos olhos e o teclado muito próximo da altura dos cotovelos. Para quem tem pouco tempo para se exercitar, existem empresas que incluem uma esteira diante da mesa que permite que a pessoa se mova em ritmo de caminhada lenta ao longo do dia. Eis aí uma boa sugestão para o nosso estúdio.

 

Protestando contra os protestos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Segunda-feira, no momento em que o Jornal Nacional publicava o editorial sobre a morte cerebral do cinegrafista Santiago Andrade e a Band o homenageava, as demais emissoras, comovidas, externavam pesares e revoltas, ao mesmo tempo em que mostravam no centro do Rio, no mesmo local, a mesma violência que gerou a barbárie então condenada. Sinal evidente de que nada mudou e nada mudará, a não ser que surjam competência e moral novas para romper a anarquia implantada.

 

Nada contra as manifestações, entretanto quando se evidencia que não se consegue neutralizar a ação de bandidos que usam máscaras e armas nem mesmo as suas origens, é hora de pensar seriamente. O ministro do STF Marco Aurélio Mello, em entrevista à Veja, diz que a culpa é da sociedade, pois é ela quem vota. Segundo ele ao invés de ir para a rua o povo deveria ir para a urna, embora reconheça que há ajustes a fazer. O financiamento das eleições permitindo a doação de empresas, a compostura dos debates políticos focando em ataques pessoais enquanto os reais problemas não são analisados, são alguns itens que precisarão ser ajustados. Eis aí um caminho que poderá ser aperfeiçoado com o voto não obrigatório, que deverá tirar parte dos eleitores que não entendem e/ou não gostam de política. Sistema, aliás, que é usado na maioria dos países mais civilizados do mundo.

 

Para iniciar e completar a receita civilizatória se deveria exigir do Poder Legislativo uma postura mínima de convivência no trabalho que lhes compete, em forma e conteúdo. Obrigando deputados e senadores, a sentar em suas cadeiras, na metáfora e na realidade, e educadamente prestar atenção aos oradores. A semelhança das imagens entre as sessões do Congresso e as manifestações de rua é evidente. Todos de pé, em grupos, uns gritando outros assistindo. Alguns mais afastados mexendo em eletrônicos. Ninguém atento ao principal.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.