Foto-ouvinte: protesto de motoboys para trânsito

 

Motoboys paralisam ponte

 

Motoboys interrompem pontes e avenidas de São Paulo para protestar contra regras impostas pela prefeitura que entram em vigor dia 4 de agosto. A intenção é tornar mais seguro o exercício da função, mas os motoboys entendem que isto vai dificultar o trabalho deles. Na foto enviada pelo ouvinte-internauta André Pimentel as motos interrompem o tráfego na ponte do Morumbi, na zona sul da capital paulista.

"Um lugar para todos"

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Há muitas coisas sem as quais, hoje em dia,não conseguiria viver. Claro que não me criei usufruindo as satisfações e os benefícios que elas me trouxeram ao longo da minha vida. Já escrevi neste blog, por exemplo, que considero indispensável o telefone celular. Para mim, as facilidades oferecidas aos seus usuários por este aparelho, cada vez mais sofisticado, são infinitamente superiores aos incômodos que provoca. Antes que a telefonia móvel estivesse à nossa disposição, tudo era mais difícil. Como, porém, nem só de criações tecnológicas se sobrevive no dia-a-dia, existe um invento bem mais antigo que preenche as minhas horas de lazer e têm ainda muitas outras utilidades. Refiro-me aos livros. Minha vida não seria a mesma sem eles.

 

Comecei a ler muito cedo. No quarto da minha avó paterna, onde eu dormia na minha infância, meu pai mantinha um armário cujo conteúdo me atraía.Entre os que li com tenra idade,lembro-me até hoje, estavam alguns que papai jamais imaginara que pudessem chamar a minha atenção: O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós; |Zadig,novela escrita pelo filósofo Voltaire…e Minha Vida Sexual. Agora, entretanto, prefiro ler livros policiais e, não se espantem, de terror. Sou fã, entre outros autores, de Frederick Forsyth, Stephen King, Scott Turow, Ken Follett, Thomas Harris, James Patterson, Tom Clancy. Essa gente me acompanha no almoço, na janta e em diversos outros momentos.

 

A biblioteca que Maria Helena e eu montamos em nossa casa está recheada de livros. Não foi uma nem duas vezes que compramos obras que já possuíamos. Agora, enquanto aguardo a chegada de uma encomenda, resolvi ler um livro de uma escritora sobre a qual nunca ouvira falar: Thrity Umrigar. Ela é indiana, cresceu em Bombaim, mas mora atualmente nos Estados Unidos. O título original do livro que recém comecei a ler é Um Lugar para Todos ou, no original inglês, Bombay Time. Como está claro, a história tem Bombaim por ambiente. O primeiro personagem a surgir é um empresário que vai ao um casamento com sua mulher “A bem da verdade – escreveu Thrity Umrigar – ele nem queria ir ao casamento. Os mesmos convidados de sempre, as mulheres cravando seus olhos penetrantes nos dois…” Mais adiante, lê-se o que pensava o empresário sobre a sua cidade: “Quanto mais velho ficava, menos lhe agradava sair de casa, a não ser para ir à própria fábrica. A Bombaim da sua juventude – ao menos aquela que ele guarda na lembrança – dera lugar a uma cidade fétida, apinhada e sufocante, que lhe insultava os sentidos. Pôr os pés na rua equivalia a enfiar uma meia suja, malcheirosa, suarenta e pútrida. Quase em sequência, o homem continua pensando: “E, cada ves mais, a cidade – o barulho, a violência, a poluição, a sujeira – invadia sua casa. Diariamente o jornal aterrissava como um míssil na sua porta. Professora idosa morta em assalto. Ministro envolvido em escândalo financeiro. Ladrões Armados fogem depois de assaltar banco.”

 

Bombaim – lembro eu – em 2011 abrigava 12.478.447 habitantes. Esse número, hoje, deve ter crescido muito. O que Thrity Umrigar usou no seu romance “Um Lugar para Todos” vale para São Paulo, para o Rio de Janeiro, para a minha Porto Alegre e todas as grandes cidades do mundo. Se não forem buscadas soluções visando, pelo menos, a diminuir os nossos problemas, não sei aonde isso nos levará.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o pai dele)

“Chique barato” pode sair caro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Do clima das Olimpíadas, nas chaminés da abertura na sexta-feira, à camisa de Djokovic no domingo, pudemos viajar da Revolução Industrial de Fayol e Taylor até a dinâmica do comércio atual, onde despontam marcas e produtos com propostas intensas de moda, atualização e preços agressivamente competitivos.

 

As críticas de Chaplin do passado encontram eco, hoje, nas acusações de entidades afins como o Greenpeace, apontando as irregularidades de trabalho escravo ou infantil.

 

Se os produtos de alto valor agregado, como os automóveis, onde há retorno dos investimentos feitos em tecnologia, robôs e similares, as piores tarefas já deram lugar à tecnologia. E diminuíram os empregos.

 

Nos demais artigos onde o trabalho manual é mais barato do que os equipamentos, ele ainda existe. Os empregos também. Não importam o pequeno tamanho do salário nem o lugar onde habita.

 

A Uniqlo, de “Unique Clothing” com a filosofia de “Made For All” roupa única de tudo e para todos, do economista japonês Tadashi Ianai, é a mais nova companheira da espanhola Zara, da inglesa Top Shop e da sueca H&M. Empresas cuja tônica são as propostas de Fastfashion e de Cheapchic, ou seja a moda rápida e o chique barato. Produtos que pelo exíguo preço estão cada vez mais na mira das entidades sociais. Fechando um curioso ciclo, pois ao possibilitar o consumo a uma maior gama de consumidores, desperta a atenção pela forma como remunera a mão de obra. E, lucra, pois a festejada Uniqlo coloca Ianai como o mais rico japonês, capa da Forbes e dono de 10,6 bilhões de dólares. Amealhados nas 1100 lojas, nos 55 mil funcionários, e com ícones como os cinco mil metros quadrados da maior unidade de varejo de Tókio. Além de novidades como camisetas com filtro solar 30, ou com fibras Heattech, controladoras da temperatura e anti-odor, bem como sucessos via aplicativos que viraram febre nacional como o despertador matinal. Ianai, 63 anos, está processando uma entidade japonesa pela acusação de explorar trabalho humano, ao mesmo tempo em que para Embaixador Internacional de sua marca, contratou por cinco anos, a partir de maio o tenista Novak Djokovic.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Como decidir seu voto para vereador

 

Semana que vem estarei na Câmara Municipal de São Paulo para mediar uma discussão que é do seu interesse e da nossa cidade: como escolher um vereador. Em parceira com o Movimento Voto Consciente, a rede Adote um Vereador promoverá seminário no qual teremos a oportunidade de discutir sobre os critérios que devemos usar para definir nosso voto. O evento terá as participações dos professores José Álvaro Moisés, titular do Departamento de Ciência Políticae diretor do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPs) da USP, e Marcelo Arno Nerling, do Curso de Gestão de Políticas Públicas, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

 

O seminário “Eleições 2012 – Como Decidir seu Voto para Vereador”, no dia 7 de agosto, às 19h na Câmara Municipal de São Paulo (auditório Prestes Maia)

 

Você está convidado a participar e a divulgar este encontro. Nos ajude a espalhar nas redes sociais.

Um aplicativo para ler Machado de Assis de graça

 

 

O Domínio Público, site que oferece livros, música e documentos de graça para baixar, gerou um incrível interesse desde que tratamos do assunto no bate-papo com o Ethevaldo Siqueira, no Mundo Digital, há cerca de um mês, e voltou a mexer com as pessoas nesta semana quando falamos do Projeto Gutenberg (leia post). Fiquei muito satisfeito em saber que motivado pela nossa conversa no Jornal da CBN, a empresa MobiDevel Ltda desenvolveu um aplicativo, que está na Itunes Store, pelo qual é possível baixar toda a obra de Machado de Assis, disponível no site Domínio Público. Nem preciso dizer que para baixar o aplicativo é de graça, também.

Conheça aqui APP Machado de Assis – Obra Completa.

Aqui e Agora


 

Por Julio Tannus

 

Tudo indica que experiência e maturidade não têm mais vez em nossa atualidade. O “aqui e agora” parece ser prevalente. É o que nos diz o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Um dos teóricos mais importantes da atualidade, Bauman dedica os seus estudos, ensaios e obras à interpretação da modernidade e da época pós-moderna. Segundo o autor, vivemos um mundo cada vez mais fragmentado pelas paixões e confusão ética e cada vez menos afeito a unidade, razão e consciência ética.

 

Em Vida Líquida, seu mais recente livro, demonstrando uma impressionante capacidade de perceber e analisar a vida social, Bauman chama a atenção para os problemas que a atual estrutura social e econômica suscita no ser humano hoje, ou seja, entre a necessidade de se adequar ao ritmo “destrutivo-criativo” dos mercados e o medo de ficar defasado, tornar-se dispensável.

 

Para o autor o que importa na vida atual não é a duração; unicamente a velocidade. Bauman nos lembra de uma epígrafe, citando Emerson: “Quando patinamos sobre gelo quebradiço, nossa segurança depende da nossa velocidade”, outra vez como no jogo das cadeiras, onde a cada intervalo da música sempre sobra alguém sem lugar para sentar. Mas, por mais velozes que possamos ser nada nos garantirá que, na próxima música (que se dança agora mesmo), não sejamos passados para trás.

 

Além disto, a “vida líquida” não pode ter apenas uma direção, mas muitas. Trata-se de “ligar-se ligeiramente a qualquer coisa que se apresente e deixá-la ir embora graciosamente”. Segundo o sociólogo, a precificação generalizada da vida atual impõe uma condição humana onde predominam o desapego e a versatilidade em meio à incerteza, exigindo estar-se na vanguarda constantemente.

 

Dentro deste contexto, o autor considera que “as realizações individuais não podem solidificar-se em posses permanentes porque, em um piscar de olhos, os ativos se transformam em passivos, e as capacidades, em incapacidades”. Ou seja, as condições de ação e as estratégias de reação envelhecem muito rapidamente e se tornam obsoletas. Assim, aprender com a experiência a fim de se basear em estratégias e movimentos táticos empregados com sucesso no passado é pouco recomendável.

 

Trata-se de uma visão bastante interessante sobre os mecanismos atuais nos quais todos estamos inseridos. Vale a pena sua leitura!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung

Livro digital de graça

 

Hoje, o comentarista do Mundo Digital Ethevaldo Siqueira voltou a falar sobre portais que oferecem livros digitais de graça na internet. Há um mês, ele havia sugerido o site Domínio Público, do Governo Federal, já nesta segunda, falou sobre o Projeto Gutenberg, que oferece também obras em língua portuguesa.

 

É acessar, escolher, clicar, baixar e ler

 

Projeto Gutenberg

 

http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal

 

Dominio Público

 


http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

Foto-ouvinte: placa de rua lembra assassinato de Herzog

 

Protesto na placa

 

A frase “Herzog-Morto pela ditadura” foi escrita com tarja preta em uma placa de rua da Av Nove Julho com a rua João Adolfo, em frente ao Edifício Joelma, na Praça da Bandeira, centro. De acordo com Devanir Amâncio, da ONG Educa SP, que flagrou a imagem, “os garis dizem que havia várias placas pichadas com os mesmos dizeres ao longo da avenida que homenageia a Revolução de 32”.

De liberdade, democracia e voto.

 

Motivado por um dos posts que publiquei no Blog Adote São Paulo, da Revista Época São Paulo, o leitor Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos, publicou comentário que gostaria de compartilhar com você. Nei fala da importância do cidadão no processo democrático:

 

O voto não tem preço, tem consequências(Campanha Voto Cidadão)

 

As eleições municipais caracterizam-se por uma disputa densa, acirrada e mais controlada pelos agentes da política. A relação estabelecida entre candidatos e eleitores quase sempre pressupõe, como moeda de troca, favores e promessas de cunho pessoal, direto e familiar. Neste contexto, a compra de voto é uma prática recorrente, apesar de proibida. As promessas mirabolantes e oportunistas também são utilizadas na perspectiva de soluções fáceis, para problemas complexos. Corromper e ser corrompido tornam-se atos quase naturais, próprios da atividade política e partidária, em tempos eleitorais.

 

Nosso povo já tem a consciência de que vender seu voto é vender-se. Sabe que trocar seu voto por algum benefício é abrir mão de sua consciência. Por outro lado, vê nas eleições uma oportunidade única de resolver algum de seus mais eminentes problemas ou dificuldades. Em grande medida, associa compra de votos a ações que envolvem transações de dinheiro, mas não à obtenção de utensílios, vantagens ou bens materiais como uma carga de pedra, um poste de luz, uma oportunidade de emprego, um rancho, uma dúzia de telhas ou de tábuas, uma consulta médica. Para muitos, o período eleitoral torna-se oportunidade de um décimo terceiro ou quarto salário, e que tem prazo para ser cobrado: até o dia da eleição.

 

O descrédito dos políticos está na base das atividades que geram a corrupção. A facilidade com que os mesmos fazem política, sem levar em conta os interesses da coletividade, descaracterizou a atividade política, confundindo política e politicagem. Estranho é que, aqueles que condenam tais práticas, fazem uso dela para beneficiar-se, contribuindo assim para uma cultura em que o bem comum é relativizado, prevalecendo sempre a conquista sorrateira e indevida dos favores ou benefícios conseguidos em períodos eleitorais. É igualmente uma ilusão achar que temos liberdade se muitos de nós estão iludidos naquilo que tem de decidir.

 

Muitos políticos odeiam os que combatem as práticas ilícitas de galgar consciências e votos. Muitos políticos não gostam nada das Campanhas de Voto Cidadão ou Voto Consciente. Muitos deles detestam os que pregam o voto consciente e cidadão. Mas como posicionar-se contra estes lhes custaria um alto preço, buscam desqualificá-los pessoalmente, saindo da esfera democrática e das ideais para a esfera da desconstituição moral, pública e política.

 

A desmotivação e o desinteresse da população pela política também é originada pela pouca renovação das pessoas nos cargos do legislativo e do executivo. Eleição após eleição, quase sempre os mesmos é que se elegem, criando assim uma classe profissionalizada de políticos. As câmaras de vereadores acabam sendo pouco representativas pelo número de vereadores que podem ser eleitos, principalmente nas médias e grandes cidades.

 

O verdadeiro compromisso da democracia deve ser a efetivação dos direitos já conquistados na legislação na vida prática e cotidiana de todos os cidadãos e cidadãs. É preciso revigorar a democracia para o atendimento das necessidades coletivas, orientando os agentes políticos para que suas decisões sejam feitas a favor das maiorias. Os direitos não são benefícios, mas resultado de conquistas da sociedade.

 

As eleições municipais são uma oportunidade de nos reconhecermos como moradores/habitantes das cidades. Como expressa bem uma campanha da Justiça Eleitoral, uma cidade é a cara de quem a governa. A verdadeira política é aquela que está em busca de soluções para os nossos maiores problemas. E eleição não é um jogo (como o de futebol), mas tem a ver com o compromisso e o enamoramento que todos nós assumimos com a gente mesmo. Afinal de contas, quem é a cidade senão a sua gente?