Kassab, a nota 10 e a realidade virtual

 

 

O prefeito Gilberto Kassab (PSDB) deu nota 10 à gestão dele, mesmo não tendo tido condições de realizar boa parte das metas a que se propôs. Muitas pessoas não concordaram com a resposta que ele deu à jornalista Luciana Marinho, da rádio CBN, aliás as pesquisas de opinião demonstram descontentamento com o trabalho do prefeito, também. A avaliação de Kassab sobre ele próprio gerou reações dos ouvintes-internautas do Jornal da CBN. E levou Esper Leon (@esperleon), em seu perfil no Twitter, a buscar uma resposta bem humorada para o comportamento do alcaide paulistano.

Há 48 anos narrando notícias no rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Acredito que os leitores mais idosos deste blog (se é que tenho leitores) têm bons motivos para apreciar as histórias de rádio que, por sugestão do Mílton, venho contando em algumas quintas-feiras. Particularmente, é o assunto de que mais gosto. Vivencio-as desde 1954, data em que me atrevi a fazer um teste numa emissora que estava para ser inaugurada e buscava profissionais do ramo ou, no meu caso,de quem se dispusesse a passar da condição de ouvinte à de radialista, mesmo alguém cuja única experiência diante de microfones fosse mínima: era, na paróquia que frequentava, um “speaker” de esporádicas quermesses e cuja “rádio” se chamava Voz Alegre da Colina. No Colégio Nossa Senhora do Rosário, tradicional educandário marista de Porto Alegre, último dos muitos em que estudei, havia uma equipezinha de locutores que, antes das aulas, levava aos colegas todo tipo de informação que lhes pudesse interessar.

 

Havia, no mínimo, duzentos candidatos. No teste, tínhamos de ler anúncios e notícias. Depois, os candidatos recebiam folhas com a programação musical da Rádio Canoas. Queriam saber se a gente sabia pronunciar os nomes de músicas em diversas línguas. Três apenas foram aprovados. Um era radioator, outro trabalhara na Rádio Difusora, hoje Bandeirantes. O terceiro foi este “que lhes fala”. Fiquei por quatro anos na Canoas que, embora usasse o nome de um município da Grande Porto Alegre, sempre teve sua sede em Porto Alegre. Transferi-me, em 1958, para a Rádio Guaíba, emissora da Companhia Jornalística Caldas Jr., que foi ao ar com uma proposta diferente das suas concorrentes. Seus dez locutores comerciais (eram nove homens e um voz feminina) liam os textos ao vivo. Somente os programas de radioteatro – Mestre Estrela e Teatrinho Cacique e o Grande Teatro Orniex, esse apresentado aos domingos, eram gravados. A Guaíba (alguém me corrija se estiver enganado) não aceitava propaganda em jingles e spots. Era um grande diferencial. Fez diferença na época, igualmente, o fato de, em 1958, com pouco mais de um ano de existência, ter feito a cobertura da Copa do Mundo, disputada na Suécia. Seu diretor-técnico, Homero Simon, graças à sua “expertise”, criou um sistema que proporcionou à Guaíba a possibilidade de acompanhar a vitória Brasileira na competição, com narração de Mendes Ribeiro. Foi ele que me transformou em narrador de futebol e outros esportes. Eu tivera uma experiência em narração na Rádio Canoas. Transmiti um jogo entre o Cruzeiro e o Renner. Creio que vivi essa experiência em 1957. A partida foi disputada no Estádio da Montanha, onde se vê, hoje, o Cemitério João XXIII. Comecei a apresentar, na Guaíba, em 1964, o seu principal noticiário: o Correspondente Renner. Hoje,a síntese informativa é patrocinada pelo Banco Renner. Das suas quatro edições, me encarrego, hoje, apenas a da uma da tarde. Creio que nenhum apresentador de notícias está faz tanto tempo no ar quanto eu: 48 anos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Camiseta regata: no Habib’s ou no avião é um problemão

 

Por Carlos Magno Gibrail

Camiseta regata nem para Jesus voar

 

Segunda-feira, no programa do Mílton Jung, o comentário reprisado de Arnaldo Jabor referiu-se aos percalços das viagens aéreas da atualidade. Muito diferente dos áureos tempos da Varig, quando se viajava de trajes sociais clássicos, enquanto os espaços nos aviões eram civilizados, e os passageiros também assim se comportavam. Não bastasse a ineficiência aeroportuária e o incômodo de abrigar o corpo de 1,92m no exíguo espaço das modernas aeronaves, Jabor enfatizou ainda a inconveniência de passageiros com regatas e chinelos.

 

Pouco depois de ouvir o sensato discurso verifico que um dos assuntos mais acessados na internet naquela manhã é a condenação da Justiça Paulista a uma franquia do Habib’s. Por ter colocado para fora da loja um casal cujo cidadão vestia camiseta regata e chinelo.
Na verdade, a camiseta regata que une os fatos apontados, não é a grande vilã destes episódios. Habib’s e as companhias aéreas são as responsáveis, respectivamente, tanto pela inabilidade do gerente que expulsou o casal, quanto pela falta de competência em ordenar a acomodação e a educação dos passageiros.

 

Há evidências que nos momentos de mudanças, como o que vivemos de liberalidade da moda de um lado, e da ascensão de classes de outro, aparecem exageros, normalmente por falta de orientação diante da novidade. No caso do uso de trajes mais despojados como o da regata, é necessário educar. Com educação. É preciso reverter sem subverter. Adequar é o caminho para a elegância.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

O Corinthians não é o Brasil

 

Foi o técnico Tite quem disse. E assino embaixo. Semana passada, a chamada da CBN para o primeiro jogo da Libertadores também “brincava” com esta ideia. Usufruía do título de Nação Corinthiana para dar a verdadeira dimensão do clube que tem a segunda maior torcida do Brasil. E fechava, na voz-padrão de Laerte Vieira: “O Corinthians é o Corinthians na Libertadores”.

 

Esta ideia de que todos estarão abraçados em torno da vitória corintiana é uma tremenda bobagem. O foguetório que inundou o céu de São Paulo na vizinhança onde moro, na zona oeste, no momento em que o Boca fez seu gol na Bombonera, na quarta-feira à noite, mostra claramente esta realidade. Há até quem vestirá a camisa azul e amarela dos argentinos sem pudor como, aliás, os próprios corintianos já fizeram quando estavam sentados na arquibancada dos secadores.

 

É possível que alguns se comovam com a paixão demonstrada pelos corintianos e a possibilidade de uma conquista inédita do time. Hoje mesmo, durante o almoço, alguns colegas de mesa anunciaram que torcerão para o Corinthians porque jamais estariam ao lado de um time da Argentina. Eu estou longe desta divergência nacional mas, confesso, me divido quando assisto a estes jogos e me sensibilizo pela forma como uma equipe se entrega pelo resultado. E gosto muito do trabalho do técnico Tite que, sempre bom lembrar, ganhou seu primeiro título de relevância, a Copa do Brasil de 2001, no comando do Grêmio, contra o Corinthians. Ao mesmo tempo, sei que o dia seguinte será de muita corneta – expressão que representa bem o barulho que a gozação dos vencedores faz nos nossos ouvidos. E corneta tocada por corintiano, por milhões deles que aparecem em todos os cantos, resultado do incrível tamanho desta torcida, não é fácil de aturar.

 

Eu quero ver é estes “brasileiros” que estarão se unindo a torcida do Corinthians em caso de um revés no Pacaembu. Vão tirar sarro, fazer piadas e se divertir às custas da tristeza alheia. E aquela história de que o Corinthians é Brasil, ficará na lenda. Portanto, vamos combinar que hoje o Corinthians é apenas Corinthians – o que já é mais do que suficiente. Quem quiser torcer para ele, que torça; quem quiser secar, que seque. E que todos se respeitem.

Livros para embalar as férias da gurizada

 

Seis livros estavam na mala dos meninos que se anteciparam e deixaram a cidade antes de mim para aproveitar as férias escolares. Faziam parte de uma lista recomendada pelos professores da escola após terem pedido, por conta própria, sugestões de leitura. Claro que fiquei orgulhoso da iniciativa deles e até mesmo surpreso com alguns dos títulos que escolheram. Aqui em casa estão quase sempre diante do computador, não necessariamente jogando, muitas vezes consumindo vídeos informativos, conversando com os amigos e, também, estudando. A beira do mar, onde aproveitarão os dias de descanso, preferiram investir na leitura. Neste momento, o mais novo tem em mãos o clássico 1984 de George Orwell, e o mais velho, O Retrato de Doran Gray de Oscar Wilde.

 

Citei, hoje, o exemplo deles durante conversa com Ethevaldo Siqueira, nosso comentarista no Mundo Digital, que falou sobre um site que oferece acesso público e gratuito a uma enorme lista de livros, áudios, vídeos e teses universitárias. Neste mês, o destaque é para as obras de Machado de Assis, que podem ser baixadas no seu computador e tablet. São mais de 200 mil títulos à disposição no serviço desenvolvido, desde 2004, pelo Ministério de Educação. Ethevaldou destacou que, infelizmente, o acesso ao site tem diminuído de forma considerável, dos 900 mil acessos que chegou a registrar, hoje não passam de 400 mil. Talvez o motivo seja a falta de publicidade, o que nos propusemos a fazer ao tratar do tema em um programa jornalístico de caráter nacional. Também pode ser pela falta de interesse na literatura.

 

Sou mais otimista e ao perceber o sucesso da Flip em Paraty, que se inicia nesta quarta-feira, e o interesse dos meninos nos livros em plenas férias, não temo em dizer: há esperança.

 

A propósito: o endereço do Site Domínio Público está aqui e sugiro que você envie para todos os seus amigos nas redes sociais.

Câmara de São Paulo tem superencanador na folha de pagamento

 

Os dados abertos na Câmara Municipal de São Paulo têm oferecido ao cidadão uma série de informações de como é tratada a coisa pública no País. O levantamento feito esta semana, mostra que um encanador recebe salário de R$ 11.095,77 por mês. A distorção salarial atinge outras categorias profissionais como o operador de xerox que ganha R$ 9.303,30 enquanto o lavador de carro, R$ 8.321,88. Nem chega a ser tanto quanto o garagista que está deslocado de área e trabalha para o vereador Juscelino Gadelha (PSB) por R$ 23 mil, apesar de o parlamentar garantir que foi um engano no contracheque. São todos funcionários que conseguiram furar os limites previstos em lei por já estarem contratados antes de 2003 quando se tentou restringir os vencimentos em até R$ 4 mil.

 

Por estes valores, só dá pra aceitar se o encanador for o Super Mário, o herói dos videogames capaz de superar qualquer adversidade e se infiltrar nos subterrâneos de mundos imaginários.

Nem 8 nem 80!

 

Por Julio Tannus

 

Há alguns anos, um amigo meu nascido e crescido em São Paulo recebeu uma herança. Cansado das contravenções impunes e da pesada carga tributária sem retorno, tomou nas mãos o globo terrestre e passou a meditar sobre qual país seria ideal para morar. A Suíça foi o escolhido. Passou então a morar em um condomínio de luxo e comprou um belíssimo automóvel.

 

Após alguns dias no novo domicílio, ao entrar em seu apartamento, toca o interfone e uma voz pede que compareça a entrada do condomínio. Dá de cara com um policial, que com uma fita métrica nas mãos mostra que seu carro foi estacionado alguns centímetros além da guia, e, portanto ele, o policial, iria autuá-lo por desrespeito a lei.

 

Passado algum tempo, após multas e mais multas, chega ao condomínio bastante irritado e dá um tapa em uma planta. Ao entrar em seu apartamento o zelador lhe informa que acaba de multá-lo por agressão a vegetação. Foi a gota d´agua! Arruma as malas e retorna a São Paulo.

 

Outro dia desses, ao recordar esse episódio, passei a observar com mais atenção o comportamento de nós paulistanos.

 

No trânsito: motoristas falando ao telefone celular enquanto dirigem. Carros parados em fila dupla com pisca alerta ligado em vias de mão dupla, e, portanto, impedindo a passagem de veículos indo na mesma direção. Carros fazendo conversão sem acionar o pisca-pisca. Pedestres que atravessam fora da faixa. Carros que não respeitam pedestres. Motociclistas aos montes vindo em ambos os lados dos automóveis em alta velocidade, sem qualquer regulamentação, etc…

 

Trânsito em São Paulo

 

No Metrô: ninguém ou quase ninguém obedece aos avisos

 

 

Nas escadas rolantes: apesar dos avisos, nenhum deles é seguido pela maioría dos usuários

 

 

E assim por diante…

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Carta a um sobrinho corintiano

 

Por José Renato Santiago
Amante do futebol e ouvinte-internauta

 

Meu querido sobrinho, Felipe.

 

Sua mãe, minha irmã, é testemunha sobre o quanto a sua chegada foi desejada.
Em 1995, quando ela engravidou pela primeira vez, ganhei de presente ser padrinho de sua irmã, Mariana.
Uma grande alegria e orgulho para mim.
Em 1999, quando sua mãe nos avisou que o meu primeiro sobrinho viria ao mundo, vibrei!!!
Mesmo assumindo, apenas, o papel de tio, me satisfez muito saber que passaria a ter um novo amigo para ir comigo aos jogos do meu tricolor.
Olha que tentei.

 

Seu primeiro jogo no estádio foi um São Paulo x Juventus no Morumbi.
Escolha estratégica, adversário supostamente tranquilo, tudo convidativo para fazer alguém se tornar são paulino.
Bem, só não avisaram isso ao Juventus que venceu por 1 a 0 naquele dia.
Não foi problema, você era tão pequeno que nem notou a derrota do São Paulo.
Ainda assim, fui tentando de trazer para o meu lado rs rs.

 

Em uma partida do São Paulo x Rio Claro, conseguiu que você, juntamente com seu irmão, Marcos, entrassem junto com a equipe tricolor, ao lado de Ceni.
Desta vez, vitória tricolor, para mim, o jogo estava ganho.
Ledo engano…

 

Em 2007, o Corinthians estava muito mal no campeonato brasileiro e acabou rebaixado.
Novamente, achei que estava resolvida esta questão, ainda mais porque o São Paulo tinha sido campeão.
Mas naquele dia, o do rebaixamento, a primeira coisa que você fez foi: vestir a camisa do Corinthians e ficou com ela a semana inteira.
Realmente, o jogo estava ganho, você seria corintiano.

 

Aliás, foi com você que aprendi a respeitar efetivamente os torcedores rivais.
Não que eu fosse desses torcedores que saem ofendendo os rivais, mas achava, até então, impossível ter um corintiano na minha família (lembrando que cunhado, seu pai, não é parente rs).

 

Minha torcida contrária ao Corinthians continuou, mas certamente sem a mesma força de antes, graças a você.
Não conseguia realmente torcer de forma contrária da mesma maneira.
Esta Libertadores, torci a favor do Vasco, a favor do Santos e até mesmo a favor do Boca…
Mas, capitulei…

 

Acompanhei a sua aflição…
Acompanhei a sua alegria…

 

E mais, é difícil deixar de admitir que a atual equipe corintiana é realmente merecedora da conquista da Libertadores deste ano.
Sendo assim, não irei torcer a favor do seu time, mas sim que você fique feliz com o resultado.
Pois independente do resultado, para você, o Corinthians é sempre Corinthians e isto é o suficiente!

 

Um grande abraço de seu tio tricolor desde sempre.

O roteiro turístico da corrupção

 

Leio que Rafael Greca será candidato do PMDB para prefeitura de Curitiba e me lembro de ideia inusitada defendida por ele em entrevista que fiz na época em que apresentava o CBN São Paulo. Em 1998, o País assistiu às denúncias de envolvimento de funcionários da prefeitura de São Paulo em casos de corrupção, durante a gestão Celso Pitta, que levaram a Câmara Municipal a instalar a CPI da Máfia dos Fiscais. Foi um marco na luta contra a corrupção, definiu o promotor Roberto Porto, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), pois pela primeira vez na história da cidade um vereador foi condenado à prisão. Vicente Viscome, denunciado em 1999, foi para a cadeia por fazer parte do esquema de cobrança de propina.

 

Greca em mais uma de suas ideias mirabolantes propôs que São Paulo criasse uma espécie de roteiro turístico da corrupção que passaria pela sede do Ministério Público, onde as investigações eram feitas, pela Câmara Municipal, que havia instalado a CPI e de onde saíram parlamentares envolvidos no caso, pelos prédios que teriam sido beneficiados com o pagamento da propina, e, claro, pela cadeia onde Viscome estava preso. O ex-vereador seria apresentado como um troféu no combate à corrupção. Imagino que este roteiro ganharia novos rumos, incluindo, hoje, os shoppings centers que pagaram para construir além do permitido por lei ou criaram vagas invisíveis de estacionamento.

 

A ideia, lógico, não prosperou. Tempos depois, Rafael Greca acabou deixando o Ministério do Turismo acusado de envolvimento com casas de bingo e máquinas caça-níquel (incrível, Carlinhos Cachoeira já tinha seu dedo nesta história). Nada ficou provado contra ele, mas as denúncias marcaram sua carreira política. A propósito: Vicente Cândido condenado a 16 anos de prisão já está em liberdade e chegou a pensar em voltar para a política. Não conseguiu (até agora).