Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje

Diego Felix Miguel

Foto de Jorge Acre

Prezada leitora e prezado leitor,

O título deste texto é um ditado Iorubá que escolhi para iniciar uma reflexão sobre envelhecimento, velhice e política. Utilizá-lo valoriza a sabedoria ancestral, fundamental para os temas que proponho discutir neste momento.

Confesso que, de início, tive dificuldade em entender completamente o significado desse ditado. Conversei com pessoas amigas para esclarecer melhor sua profundidade. Não pretendo ser didático em relação à Exu, já que não tenho o conhecimento necessário. Contudo, o pouco que li sobre essa entidade, despertou em mim grande curiosidade e fascínio.

Voltando ao título, este ditado nos convida a pensar sobre o tempo de maneira diferente, sugerindo que o presente pode afetar não apenas o futuro, mas também o passado. Não se trata de ficção científica, mas de honrar a história daquelas pessoas que vieram antes de nós. O compromisso com o passado e o futuro deve sempre buscar o desenvolvimento social, científico e humano.

Todas as pessoas que vieram antes de nós, seja pelos bons ou maus exemplos, moldaram o presente em que vivemos. Como reagimos a este momento é o que faz a diferença. É a pedra que podemos ou não atirar.

Envelhecimento, velhice e política: pedra ou cadeira?

As decisões que tomamos hoje influenciam diretamente como viveremos no futuro e revelam o quanto aprendemos com o passado. Que histórias honramos e qual futuro queremos construir?  Nossas escolhas afetam questões como violência, desigualdade social e a privação de direitos básicos, que agravam a vulnerabilidade de muitos.

Quando falo de decisões, não me refiro apenas ao voto ou à política eleitoral, mas ao nosso compromisso político-social diário, nas relações pessoais, profissionais e até nas redes sociais. O envelhecimento, assim como gênero, raça, classe social e tantos outros aspectos que nos diferenciam, formam nossa identidade, e, em uma sociedade machista, racista e idadista, essas condições nos tornam mais vulneráveis.

Estamos na “Década do Envelhecimento Saudável nas Américas – 2021-2030”, e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) nos alerta sobre os desafios do envelhecimento populacional para uma sociedade que não se preparou para vivenciar essa transição. A proposta não desmerece a velhice, mas valoriza a longevidade, afinal, viver mais é uma grande conquista.

A OPAS apresenta que é possível acolher as velhices em sua diversidade, com a participação social de todas as pessoas, em suas diferentes identidades, realidades e contextos, de forma representativa, para a construção de políticas públicas voltadas às demandas sociais reais. Mas, para isso, é preciso empenho, solidariedade e empatia.

Devemos refletir: estamos prontos para atirar a pedra certeira, que trará mudanças, ou preferimos repousar na cadeira da hipocrisia, ignorando as lições que o passado nos ofereceu?

Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SP, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: uma vitória na nossa Arena

Grêmio 3×2 Flamengo

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Cristaldo comemora o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Campeonato Brasileiro já está em sua vigésima-sétima rodada e esta foi apenas a quarta partida do Grêmio na Arena. Desde as enchentes que nos afastaram de casa, foi o segundo jogo no próprio estádio e a primeira vitória. Isso diz muito sobre o que se passa com o time nesta temporada, mesmo que não justifique não justifique as dificuldades em apresentar um desempenho mais seguro e qualificado em campo..

Foi um ano penoso em diversos aspectos e o futebol que apresentamos até aqui tornou tudo ainda mais complicado. O sistema defensivo é vulnerável — sofreu 32 gols em 25 jogos, sete apenas nos três últimos —, enquanto o meio de campo e o ataque nem sempre entregam a qualidade que aparentam ter. 

Hoje, mesmo com um adversário muito desfalcado e atuando a maior parte do segundo tempo com um a menos, corremos riscos até o minuto final. Um sofrimento a cada lance. Mesmo assim e, talvez, até por ter sido assim, temos que comemorar muito essa vitória. 

Cristaldo segue decisivo e preciso em seus chutes. Braithwaite cumpriu seu papel ao escorar às redes uma das poucas bolas que surgiram no seu caminho. Monsalve, apesar do desempenho aquém do esperado, fez uma jogada linda que nos levou ao terceiro gol. E Diego Costa voltou a marcar. Há ainda Soteldo que é sempre um escape diante da falta de solução.

Mais importante do que tudo isso é que ganhamos. E depois de cinco meses e todas as intempéries que cruzaram nosso caminho, ganhamos na Arena.

A Arena vive! Viva a Arena!

Mundo Corporativo: Roberto Lee, da Avenue, fala o que existe no mercado financeiro além dos números

Entrevista de Roberto Lee no estúdio do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Confiança não é automatizada, pelo menos ainda não.”

Roberto Lee, Avenue

O mercado financeiro, frequentemente associado a números e algoritmos, está cada vez mais digital. Porém, a verdadeira base de uma relação de longo prazo com os clientes ainda reside no fator humano. Roberto Lee, fundador da Avenue, plataforma de investimentos que conecta brasileiros ao mercado internacional, trouxe uma reflexão provocadora em sua entrevista ao programa Mundo Corporativo: “Automação melhora nossos preços, dá escala, mas é na ponta final que ganhamos confiança”. Para ele, a chave para conquistar e manter clientes vai além da tecnologia e está no entendimento profundo de suas necessidades.

Automação versus relacionamento humano

A automação desempenha um papel central nas operações da Avenue, proporcionando eficiência e escala. No entanto, Lee destaca que, apesar de suas vantagens, “trust” — confiança — não pode ser obtida apenas por meio de máquinas e algoritmos. “A automação coloca o ‘price point’ do serviço no lugar correto, mas é o ser humano que faz a diferença”, afirmou ele. A Avenue, que já reduziu o tempo de abertura de contas para cinco minutos, notou que, em certos momentos, essa facilidade gerou desconfiança em alguns clientes, levando a empresa a rever suas estratégias de comunicação e transparência.

Segundo Lee, empresas que pretendem se destacar no mercado precisam entender que “o comportamento da marca é o que realmente cria relações duradouras”. Ele enfatiza que não se trata apenas de oferecer um serviço, mas de guiar o cliente em sua jornada, ajustando o atendimento às expectativas e medos que ele carrega.

Alianças estratégicas e o valor da colaboração

Outro ponto destacado por Roberto Lee foi a importância das alianças no mercado financeiro. Para ele, o cenário atual exige parcerias até mesmo entre concorrentes. “Aprendi muito a trabalhar em conjunto, inclusive com meus concorrentes”, disse ele. Lee acredita que os maiores problemas só são resolvidos quando diferentes visões se unem para enfrentá-los. Essa abordagem colaborativa é, segundo ele, uma das razões que fazem empresas crescerem e se fortalecerem ao longo do tempo.

Lee também ressaltou a necessidade de adaptação rápida às mudanças no comportamento dos clientes. “Nós precisamos entender não apenas o produto, mas o cliente, colocando-nos no lugar dele e entendendo suas angústias”, afirmou.

Assista  ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Após 40 anos de jornalismo, começa uma nova jornada que une educação e comunicação

Quarenta anos se passaram desde o meu primeiro dia em uma redação. Eram 10 de agosto quando sentei em frente a máquina de datilografia  e os cheiros da lauda, do carbono e da tinta que imprimia as letras no papel me faziam sentir pronto para desbravar o mundo com palavras —  uma ilusão, pois, não estava tão pronto assim; de verdade, ainda era um estagiário, um jovem aprendiz.  

Essa trajetória que se iniciou há quatro décadas me levou às mais diversas redações e forjou minha experiência no campo da comunicação. Aprendi na lide e com os leads, entrevistando, com os entrevistados e com os colegas. Da profissão que escolhi, surgiram as oportunidades para desenvolver novos conhecimentos. E de tanto aprender peguei o gosto por ensinar. Comecei pelo microfone, depois passei aos palcos, nas palestras, e, mais tarde, às páginas dos livros. Já escrevi cinco até agora.

Começar uma nova etapa profissional, em paralelo a todas as demais que seguirei exercendo, é como folhear um livro cujas páginas ainda não revelam o que está por vir. Mas sabemos que a história será rica. Talvez seja a oportunidade de retomar alguns fatos já contados, com um novo olhar e de um novo jeito. Talvez, a chance de acessar outros conhecimentos e se espantar com o mundo de sabedoria que temos para explorar. A comunicação é uma criatura viva, inquieta. Sempre em busca de novas maneiras de se expressar, de se conectar. Não há um fim; há sempre um novo começo. 

A decisão de ensinar me pareceu natural. É como compartilhar um segredo, só que sem mistério.  Agora, sinto que estou entrando em uma nova fase com a produção de um curso de comunicação, que se inicia on-line e pode se expandir nos mais diversos formatos, ampliando essa conversa. Um livro em branco, pronto para ser preenchido com histórias e descobertas, mas com a vantagem de que, dessa vez, a jornada não será solitária — será acompanhada de parceiros, mestres e de cada aluno que decidir fazer parte desse percurso.

A nova aventura, que se soma a maior delas que realizo diariamente na rádio CBN, surge a partir da parceria proposta pela WCES — empresa americana de educação e consultoria. Desde os primeiros contatos, Thiago Quintino, o fundador da startup e especialista em experiência do cliente, me dizia: “Comunicação é coisa séria.” E isso me fez lembrar de uma lição que aprendi ainda criança.

Lá no início, quando eu era pequeno e andava de mãos dadas com meu pai, ele me levava ao estúdio da rádio onde apresentava o principal noticiário do Rio Grande do Sul. Enquanto ele transmitia as notícias, eu ficava quieto, sentado num canto, quase sem me mexer, consciente da seriedade daquela missão. Foi ali, naquele estúdio silencioso, que aprendi a respeitar o microfone — aquele equipamento mágico que amplificava a voz do meu pai e fazia suas palavras chegarem longe. O microfone me ensinou que comunicação é coisa séria.

A decisão de participar de um curso, nos moldes do proposto pela WCES, não é apenas um passo a mais; é um salto. É reconhecer que o mundo mudou, que a comunicação não conhece mais barreiras físicas, e o ensino também precisa se adaptar a essa nova realidade. Assim como na rádio, onde a voz precisa alcançar o ouvinte onde quer que ele esteja, o nosso curso tem essa mesma missão: chegar ao público, onde quer que ele esteja, com a mesma paixão e compromisso de quem acredita no poder da comunicação para transformar.

Nessa caminhada, tive o privilégio de contar com mestres generosos que aceitaram o convite de ampliar o conhecimento. O filósofo Mário Sérgio Cortella vai falar de ética na comunicação; a futurista Martha Gabriel compartilhará sua visão sobre a importância do pensamento crítico em tempos de transformação digital; Leny Kyrillos, fonoaudióloga e colega de diversos projetos, trará sua expertise sobre a comunicação efetiva e afetiva; e meu companheiro de livro, Thomas Brieu, vai nos mostrar como o exercício da escuta pode ser transformador para as relações humanas. Novas vozes se juntarão a nós em breve, pessoas que têm muito a ensinar e que, assim como eu, acreditam que, por meio da educação, podemos nos tornar melhores.

Este é o momento de pegar a experiência acumulada, os aprendizados ao longo da carreira, as lições de nossos parceiros e transformá-los em algo acessível, prático e, principalmente, transformador. Afinal, a comunicação é isso: uma jornada constante de troca, de aprendizado e de evolução. E agora, esse caminho se faz na tela, na conexão entre professor e aluno, num espaço virtual que promete ser tão envolvente quanto uma boa crônica.

Participe do lançamento de “Comunicação Profissional – técnicas e práticas para o sucesso no trabalho”

Convidado especial: Milton Beck, Diretor-geral do LinkedIn 

Vagas limitadas 

Inscrição gratuita 

Dia: 26 de setembro, quinta-feira 

Hora: das 19h às 21h30 

Local: Edifício Milano | Espaço Olos 

Avenida Mário de Andrade, 1.400, 14º andar, Água Branca/SP 

Inscreva-se aqui:

https://abrir.link/JLqvh

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: os anúncios de rádio capturam melhor as mensagens da marca

“Os anúncios de rádio, segundo a pesquisa, são capazes de capturar melhor as mensagens da marca e com isso alimentar conversão em vendas. Sorte dos anunciantes!”

Jaime Troiano

A força do rádio e do áudio na publicidade vai além da nostalgia. Este é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, na CBN. A recente pesquisa conduzida pelo grupo de comunicação Dentsu revela que os anúncios em rádio e áudio são capazes de capturar melhor as mensagens da marca e estimular a conversão em vendas. “Trata-se acima de tudo de alguma coisa concreta”, afirma Jaime, ressaltando a eficácia do rádio como veículo publicitário.

Isso não se restringe apenas ao rádio tradicional. Cecília Russo aponta que “o estudo fala também de conteúdos de áudio de forma geral”, incluindo plataformas de streaming e podcasts, que têm se popularizado nos últimos anos. Ela enfatiza a evolução do rádio e dos streamings de áudio em conjunto com as tecnologias digitais, ampliando as possibilidades de alcance e engajamento.

No estudo“Attention Economy” – ou Economia da Atenção –, a Dentsu mostrou que os formatos em áudio conseguiram, em média, 56% mais efetividade na retenção da atenção dos ouvintes e das mensagens da marca do que a média dos outros meios. De acordo com informação de Andrea Ferraz, gerente de BI da Dentsu, “em média, os formatos de áudio geram 8% mais de lembrança de marca do que a média dos nossos estudos anteriores em outros meios”. 

A marca do Sua Marca

A principal marca deste comentário está em destacar a importância de medir o impacto da publicidade nos diferentes meios de comunicação. Como diz Jaime Troiano: “Usar algum meio de comunicação, seja ele qual for, por uma determinada marca, é claro que a gente precisa medir resultado.” Cecília também destaca a complexidade da atenção do consumidor na era da “bagunça mental” causada pelo excesso de informações visuais, e como os meios de comunicação em áudio podem escapar desse efeito.

Leia aqui mais sobre o estudo da Dentsu

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Avalanche Tricolor: os 121 anos mereciam mais do que um suspiro

RB Bragantino 2×2 Grêmio

Brasileiro – Bragança Paulista/SP

Braithwaite deu assistência para o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Os 121 anos do Grêmio mereciam resultado mais expressivo. Nem me refiro àquelas vitórias de encher os olhos e dar orgulho ao torcedor. Daquelas que tornamos memoráveis pelo placar e perfomance. Que nos colocam à frente dos adversários e nos encaminham à conquista maior. Essas, infelizmente, não fazem parte do roteiro que almejamos nessa temporada. 

Além da conquista do Campeonato Gaúcho, restou-nos pouco em 2024. Fomos eliminados da Libertadores e da Copa do Brasil, enquanto no Brasileiro a disputa será mesmo para ficar fora daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Sem muita esperança de que esse martírio termine cedo, considerando que as oportunidades para respirar um pouco mais aliviado têm sido desperdiçadas partida após partida. Nos últimos dois jogos, entregamos cinco de seis pontos disputados.

Do jogo desta tarde no interior paulista, há talvez a celebrar apenas o suspiro de talento que tivemos aos 28 minutos do segundo tempo. A triangulação iniciada por Monsalve, do lado esquerdo, que teve a participação de Cristaldo e um passe preciso de Braithwaite, foi concluída com uma cavadinha do jovem colombiano em direção às redes. É pedir muito que esse futebol bem jogado se espraie no restante do jogo? 

Verdade que chegamos a marcar um segundo gol: em mais uma troca de passes de Monsalve e Cristaldo, o cruzamento chegou para Jemerson completar de cabeça. Diante da forma como temos desperdiçado pontos, porém, confesso, minha dúvida era apenas a que horas cometeríamos mais um pênalti (assim como havíamos feito no primeiro tempo, e no jogo anterior e em uma dezena de outras partidas neste ano). Não precisou. Falhamos de maneira bizarra e sofremos o empate.

Temos experimentado mais amarguras do que precisaríamos. Mesmo considerando os impactos das enchentes na trajetória gremista — muito maior do que para qualquer outro time gaúcho —, o time que temos à disposição deveria ter uma performance superior. Pelo menos acima de algumas das equipes que temos enfrentado na competição — caso do adversário de hoje. 

Mais do que não conseguirmos os resultados, tenho a impressão de que estamos dispostos a aceitar esse destino. Em lugar de lutar até o último instante pelos três pontos, admitimos o empate. As substituições finais sinalizaram esse comportamento. Entendo a prudência diante da maneira como entregamos a partida anterior e de estarmos jogando fora de casa. Mas eu queria muito um time pautado pela valentia, especialmente no dia em que comemoramos 121 anos de uma história que me enche de orgulho.

Mundo Corporativo: Tatiana Aloia e a integração entre tecnologia e cultura no mercado aeroespacial

Os bastidores da gravação do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

  “Nós temos diferentes culturas ao redor do mundo, mas o ser humano é o mesmo em todos os lugares.”

Tatiana Aloia, Aloia Aerospace

A liderança de uma empresa global exige mais do que estratégias de mercado, requer uma compreensão profunda das nuances culturais e a habilidade de integrar essas diferenças em um ambiente coeso. Essa foi uma das principais reflexões de Tatiana Aloia, cofundadora e CEO da Aloia Aerospace, em sua entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. À frente de uma empresa que atua no setor de reposição de peças aeronáuticas em diversos países, Tatiana destacou a importância de equilibrar a agilidade nos negócios com o respeito às particularidades de cada cultura, sem perder de vista o que é comum a todos: a natureza humana. “Nós passamos muitas horas da nossa vida, praticamente um terço do nosso tempo, trabalhando. Então, tem que ser prazeroso, tem que trazer alegria e bem-estar para todos”, afirmou. 

O aprendizado no início de carreira

Tatiana Aloia iniciou sua trajetória profissional aos 15 anos, movida pela vontade de trabalhar e aprender. Atuando inicialmente no setor automobilístico, ela se especializou em engenharia mecânica e gestão empresarial, o que a preparou para os desafios futuros. Após anos de experiência e aprendizados, tanto com colegas quanto clientes, surgiu a oportunidade de realizar um sonho antigo: fundar sua própria empresa. Em 2015, junto com seu irmão Tobias, Tatiana criou a Aloia Aerospace, levando sua expertise em gestão e atendimento ao cliente, enquanto Tobias contribuía com sua vasta experiência na aviação. “Unimos nossas forças e experiências para construir uma empresa que tem o cliente como foco desde o início”, relembra.

O foco no cliente como diferencial competitivo

A Aloia Aerospace tem se destacado no mercado global de peças de reposição aeronáuticas, não apenas pela eficiência logística, mas também pelo foco no atendimento ao cliente, de acordo com sua fundadora. Tatiana enfatizou que o cliente deve ser a prioridade em qualquer circunstância. “Muitas vezes o fornecedor pode ter falhado, mas nossa missão é resolver o problema do cliente, sem importar o que aconteceu nos bastidores.” 

Esse compromisso, segundo Tatiana, vem se consolidando como um dos pilares da empresa, que tem operações em diversos continentes e atende clientes de diferentes culturas. Calcula-se que existam 600 empresas que integram esse mercado competitivo. Para ela, respeitar as diferenças culturais e, ao mesmo tempo, manter o foco em elementos universais do relacionamento humano — como respeito e feedback constante — é o segredo para garantir um atendimento de excelência. “Temos que respeitar as culturas, mas em todo lugar, resposta rápida e educação são fundamentais.”

Investimento em IA 

A Aloia Aerospace já está implementando o uso de inteligência artificial (IA) em seus processos para otimizar o atendimento ao cliente e melhorar a eficiência na busca por peças aeronáuticas. Tatiana explicou que a IA está sendo utilizada para rastrear, em tempo real, a disponibilidade de peças em todo o mundo, facilitando o trabalho da equipe e agilizando as entregas. “Nosso objetivo com a IA não é substituir pessoas, mas fornecer ferramentas que aumentem a capacidade de resposta e precisão no atendimento. A tecnologia permite que nossa equipe tenha acesso a informações detalhadas e rápidas, o que faz toda a diferença em um setor onde o tempo é crucial”, ressaltou.

Ouça o Mundo Corporativo

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Conte Sua História de São Paulo: escolas de datilografia e bondes de teto de linóleo, eu vi

Rubens Cano de Medeiros

Ouvinte CBN

Foto: Mílton Jung

Por volta de 1960. Tenho treze anos. Mas não lembro se São Paulo já dispunha de supermercados – ao menos o pioneiro Peg-Pag, na Vila Mariana. Perto do Cine Phenix. Não faltavam mercearias, empórios ou quitandas, onde – tal qual em padarias, bares e botecos – uma plaquinha alertava. “FIADO? Quando o Corinthians for campeão”. Durou até 1977, sabemos. Osvaldo Brandão tirou as plaquinhas, das paredes.

Num incerto dia – quase noitinha, lembro – subi a escada de cimento e granilito do sobradão, ainda hoje em pé. Dobrando a esquina toda, Domingos de Morais com Rodrigues Alves, grandão! À frente do então lindo Largo Dona Ana Rosa, que mantinha resquícios, ainda, de footing… Ali, um entroncamento de trilhos e fios. Dos bondes; uns iam até São Judas; outros, até Santo Amaro. Mais um: Vila Clementino.

Então, eis-me no amplo salão de grandes janelas, onde ouvíamos o “tec-tetec”, típico, dos teclados da Escola de Datilografia Rodrigues Alves. Quando, inédita vez, meus olhos e minhas mãos acercaram-se pertinho de uma máquina de escrever – se lembro, hein! Uma Olivetti, meio esverdeada.

Aluno do curso, eu me sentava rente à janela. Donde podia ver – não antes visto – os bondes, de cima, que passavam. Algo me intrigava. Do chão, mal se notava. Era um revestimento escuro que recobria o bonde, exteriormente; todo o “teto” que suportava a alavanca de contato. Que seria “aquilo”? Perguntava-me, a mim. Alguém explicou. Era linóleo. Imensa lona que impermeabilizava o teto de madeira, do bonde, ante a intempérie. Igual aos tetos dos carros de passageiros da Santos-a-Jundiaí. Que podíamos ver na Luz, das passarelas sobre as plataformas. Jornais antigos mostram que ônibus paulistanos, de até os anos 40, também traziam revestimento de linóleo – um charme que carrocerias metálicas dispensaram, obviamente.

Todos sabem. A datilografia, a das máquinas, morreu, não? De atestado emitido – ironicamente – pela própria causa-mortis: e-mail! Digitar, no computador, eu? Não morro de amores. Sempre adorei da-ti-lo…grafar! Tanto que – inviável, descabido e anacrônico, sei bem, mas…

Deparasse eu, num jornal, com um fantasmagórico anúncio… Exatamente assim: “PRECISA-SE DE DATILÓGRAFO”, ah… Precisa-se, é? Algum rascunho de escritorinho, de fundo de corredor? Uma portinha só, uma tosca escrivaninha – puxa vida! – com uma autêntica Remington-Rand? Caramba!

Ei! Eô, eô: me chama, que eu “vô”!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem são as celebridades com maior índice de conexão com as marcas?

Iza é a celebridade que teve maior conexão com marca Foto: Alex Santana/Divulgação

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“Tudo acontece num espaço escuro e úmido de 1 cm cúbico na cabeça dos consumidores. Entenda o que se passa aí dentro antes de sair por aí investindo”

Jaime Troiano

A relação entre marcas e celebridades segue sendo um ponto de discussão entre anunciantes e empresas de comunicação, especialmente diante dos desafios impostos pelo excesso de informação que bombardeia o consumidor. No comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” o tema foi revisitado para abordar a eficácia dos investimentos em publicidade que envolvem famosos e influenciadores.

Jaime destacou o que os estudos chamam de “efeito clutter”, referindo-se à confusão causada pelo grande volume de estímulos que sobrecarregam o cérebro. “Estudos americanos de Princeton mostram que o nosso cérebro está naturalmente predisposto a ordenar o caos”, comentou Jaime, explicando que o excesso de informações visuais não só cansa a mente como também dificulta o foco nas mensagens que realmente importam. Nesse cenário, marcas e celebridades tentam estabelecer uma conexão em meio a essa sobrecarga de estímulos.

Cecília Russo, por sua vez, trouxe à tona os resultados de uma pesquisa que analisou a associação entre 28 celebridades brasileiras e as marcas que elas representam. Apesar de nomes amplamente conhecidos, como Fátima Bernardes (88%), Ivete Sangalo (87%) e Michel Teló (87%), os índices de conexão efetiva entre essas personalidades e as marcas ficaram bem abaixo do esperado. Cecília ressaltou: “Iza foi a celebridade com maior índice de correlação, alcançando apenas 21%, seguida por Marina Ruy Barbosa e Fátima Bernardes, ambas com 18%”. 

Conheça o TOP 5

Quais foram as celebridades que deram índices de conexão mais altos, entre 2.300 pessoas entrevistadas? 

  • Iza 21%
  •       Marina Ruy Barbosa 18%
  •       Fátima Bernardes 18%
  •       Tiago Leifert 17%
  •       Marcos Mion 16%

Esses números surpreendem, uma vez que tanto as marcas quanto as celebridades são muito conhecidas. No entanto, Cecília sugere que o ambiente de comunicação atual, “jorrando volumes muito grandes de mensagens”, pode estar prejudicando a capacidade do público de assimilar e fazer as conexões desejadas.

A marca do Sua Marca

A principal lição que emerge do comentário é que a popularidade de uma celebridade por si só não garante uma associação de sucesso com uma marca. Jaime Troiano alerta: “Não escolha uma celebridade só porque ela é conhecida ou porque o investimento parece atraente”. O verdadeiro desafio está em entender o funcionamento da mente do consumidor e como ele processa as mensagens em um ambiente saturado de informações.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior

Mundo Corporativo: Matthias Schupp, CEO da Neodent, fala de cultura organizacional e inovação

Matthias Schupp na gravação do Mundo Corporativo

“A cultura da empresa nunca vai se adaptar a uma pessoa. É a pessoa que precisa se adaptar à cultura.”

Matthias Schupp, Neodent

Nos corredores de uma empresa global, a cultura organizacional não se molda pelas preferências individuais dos funcionários. Pelo contrário, quem ingressa deve se ajustar ao ambiente já estabelecido. Esse é um dos princípios que sustenta o sucesso da Neodent, líder brasileira em soluções odontológicas com presença em 95 países, de acordo com Matthias Schupp, CEO da companhia. Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, ele afirmou que o compromisso com a cultura empresarial é o alicerce que impulsiona a inovação e fortalece a marca.

A cultura, segundo Matthias, prospera quando é constantemente reforçada. “Cada pessoa que se junta à Neodent tem que se adaptar a essa cultura”, disse o executivo. Esse princípio gera, segundo ele, um “processo automático” que assegura a consistência dos valores organizacionais.

Investimento em pesquisa e desenvolvimento

Na fábrica da Neodent, em Curitiba, a área de pesquisa e desenvolvimento desempenha um papel crucial no avanço da odontologia moderna. Matthias, destacou que a empresa lidera o mercado de implantes, e também investe em soluções digitais e personalizadas. “Hoje, oferecemos não só implantes, mas também alinhadores transparentes e outras tecnologias de ponta, todas desenvolvidas no Brasil”, explicou o CEO. Ele ressaltou o orgulho em manter um centro de pesquisa avançado, onde são testadas novas técnicas que depois são replicadas globalmente, em sinergia com o Grupo Straumann. Essa estrutura permite à Neodent exportar tecnologia e conhecimento, consolidando sua presença em 95 países.

Matthias, também destacou o impacto crescente da transformação digital na odontologia. “A transformação digital que estamos vivendo agora é apenas o começo”, afirmou, mencionando inovações como o uso de impressoras 3D para próteses dentárias em tempo real e o uso de robôs em cirurgias odontológicas nos Estados Unidos.

A inclusão como chave para o futuro

Entre os desafios abordados, Matthias, destacou a importância da diversidade na cultura corporativa. “Acredito que somente as empresas que oferecem as mesmas condições para mulheres e homens terão um futuro brilhante”, disse ele, reforçando que a inclusão é um pilar essencial para o crescimento sustentável. Na fábrica da Neodent, 49% dos funcionários são mulheres, o que reflete a realidade da prática da diversidade na empresa, segundo Matthias Schupp.

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Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.