Pepê prepara-se para chutar a gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Há pouco mais de três dias, deveria ter publicado esta Avalanche como costumo fazer ao fim de cada partida do Grêmio. O adiantado da hora e o placar avançado me tiraram completamente o prazer da escrita — e veja que já estive por aqui em situações bem mais dramáticas para falar de nosso time. Os compromissos que seguiram na semana ocuparam meu tempo e se transformaram em cúmplices da minha intenção em não traçar uma só linha sobre o ocorrido de quarta à noite.
Preferi esperar para retomar a Avalanche neste domingo, quando voltaríamos a escalar alguns dos melhores que o técnico tem à disposição, e estaríamos diante da nossa torcida e de um adversário à nossa altura. Tinha esperança de que a partida do meio da semana tivesse o poder de ser um divisor de águas na nossa jornada nacional de 2023. Considerando o choque de realidade que fomos obrigados a encarar, na quarta à noite, imaginei que nossa equipe teria entendido que o futebol moderno exige intensidade na marcação, inteligência na movimentação e precisão na troca de passes.
Hoje, o cronômetro não havia completado quatro minutos do primeiro tempo e, confesso, minhas esperanças se renovaram. Foram seis trocas de passes, com Bitello recebendo logo depois do meio de campo, passando de primeira, se deslocando, tabelando com Suarez e colocando Vina de frente para o gol. O goleiro impediu que abrissemos o placar dispensando a bola para escanteio. Uma pintura de jogada, daquelas de brilhar os olhos e fazer o torcedor acreditar que algo melhor nos é reservado. Um lance que resumia tudo o que eu gostaria para o meu Grêmio.
Outras tentativas de ataque surgiram em especial no primeiro tempo. Em alguns momentos parecia que o time desencantaria e a presença de Pepê no meio de campo era o principal motivador dessa expectativa. Ele faz diferença quando consegue jogar porque carrega bem a bola de trás e distribui o jogo com rara visão. Claramente, a ausência nas partidas anteriores e os demais desfalques prejudicaram o entrosamento dele com seus colegas, o que deve melhorar a medida que os demais jogos ocorram.
O fato é que além daquele belo lance e alguns chutes a gol nada mais fizemos para abrir o placar. Tivemos de nos contentar com o empate que mantém a ilusão do time imbatível na Arena. Se não me falham as contas, a última derrota como mandante foi em agosto do ano passado; e de lá para cá já chegamos a 19 jogos de invencibilidade. Não que eu queira que essa sequência se interrompa mas gostaria muito, muito mesmo que fosse marcada por vitórias atrás de vitórias — nas últimas três partidas apenas empatamos.
Que voltem as vitórias nessa semana que se inicia quando teremos compromisso na quarta-feira, pela Copa do Brasil, e sair da Arena em vantagem nas oitavas-de-final é primordial. Enquanto no domingo encaramos o clássico gaúcho pelo Campeonato Brasileiro — e os três pontos, a gente sabe, daria início a uma nova história na competição.
Bastidores da entrevista online com Mell Azevedo. Foto de Pricila Gubiotti
“Essencial é fazer as perguntas certas. Olhar para os dados — antes de querer uma resposta pronta, é o que eu quero saber sobre o meu consumidor”
Mellina Azevedo, i-Cherry
Ao acessar este texto, você deixou sua digital. Em algum lugar, plataforma ou ambiente que tenha passado, seu comportamento foi registrado. O caminho que fez para nos encontrar por aqui, o tempo que permaneceu e a porta de saída que usou para deixar este espaço, oferecem informações que ajudam a entender o seu comportamento. Isso acontece sempre que você passa pela rede social, entra em um site ou usa um aplicativo.
A quantidade de dados que a sociedade contemporânea gera é incalculável. Ops, parece que conseguem calcular sim, ao menos foi o que fez o professor Martin Hilbert, da Universidade do Sul da Califórnia, que diz ter chegado ao incrível número de 295 exabytes de informação. Era o ano de 2007 quando ele apresentou esse estudo, o WhatsApp ainda não havia chegado entre nós, o que nos faz pensar que o volume de dados atualmente é ainda muito maior (o fenômeno e os riscos que isso tudo gera estão descritos lá no meu livro Escute, expresse e fale!).
Administrar todas as informações e entregar produtos e serviços que atendam a expectativa e necessidade do consumidor é uma das funções da i-Cherry, empresa que tem como diretora de operações Mellina Azevedo, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da CBN. A despeito dela viver “mergulhada” nos registros deixados por onde os consumidores passam, Mell (é como ela prefere ser chamada) faz questão de ressaltar que o negócio da i-Cherry são as pessoas:
“Quando a gente fala de dados, a gente está falando de pessoas. E pessoas são únicas, comportamentos são únicos, necessidades são únicas. Obviamente quando eu estou gerenciando uma estratégia de mídia, uma estratégia de SEO para uma marca, eu não estou observando o comportamento individualizado, mas eu estou observando o comportamento agrupado de pessoas que demonstram interesses, capacidades e necessidades em comum”.
A i-Cherry, da qual Mell faz parte, se apresenta como uma martech, nome que une “marketing” e “tecnologia”, e tem sido usado para definir as agências que cuidam de tudo que envolve o comportamento digital e a interação das marcas com os consumidores online. É uma forma de colocar a tecnologia à serviço do marketing através de plataformas digitais e inteligência estratégica.
Apesar dos termos “digital”, “virtual” ou “artificial” fazerem parte do dia a dia de Mell Azevedo, voltamos a lembrar: é de pessoas que ela está falando. E para as pessoas que estão à frente de pequenas empresas e negócios, nossa convidada sugere que estes empreendedores se aprofundem um pouco mais nas informações que os clientes deixam nos diferentes canais de contato com a marca: Facebook, Instagram, WhatsApp ou Twitter, por exemplo, oferecem um retorno de informação a respeito do consumidor. Todas essas plataformas podem ser gerenciadas no Google Analytics, que é uma ferramenta acessível de análise para monitorar com eficiência o comportamento online e, claro, traçar estratégias sustentáveis — tendo, inclusive, uma versão gratuita. A Mell que sugere é a Mell que alerta: use os dados do cliente para conhecer seu comportamento sempre respeitando a LGPD — Lei Geral de Proteção de Dados.
Deixe-me voltar a relação dados x pessoas! A segunda parte da nossa entrevista seguiu essa trilha para aproveitar outro mérito revelado pela nossa entrevistada: a capacidade de liderar equipes de alta performance. Atualmente, a i-Cherry trabalha no formato “híbrido opcional”, que foi como Mell definiu o modelo implantado na empresa, em que os profissionais podem trabalhar no escritório ou em casa, conforme suas necessidades:
“As pessoas vêm quando elas querem ou quando elas estão motivadas, quando elas têm um porquê de vir aqui. Vir ao escritório tem a ver com troca de ideias, tem a ver com aprendizagem, tem a ver com fazer com que as coisas aconteçam de forma mais rápida, mas não significa que o online não funciona. Funciona, também!”.
A medida que se tenha uma boa metodologia de trabalho, Mell entende que é possível fazer com que o “olho no olho” digital alcance os resultados esperados. Mais importante do que o meio pelo qual ocorre a interação entre os profissionais da empresa, é fazer com que essa relação seja sincera e transparente e se mantenha a equipe motivada na busca de seus propósitos. Ela ressalta que o online fez com que se ganhasse tempo com a família, uma alimentação mais saudável e uma vida com mais qualidade e, atualmente, ninguém quer abrir mão dessas conquistas.
Antes de discutir o método e os processos usados para que se tenha um time engajado, mesmo à distância, Mell diz que o líder precisa lembrar que as pessoas têm sentimentos:
“Ninguém perde o prazo de um relatório e sente muito pelo relatório ou sente muito por uma planilha que não foi entregue. Mas, provavelmente, se você falhou com o combinado que você tenha feito com um colega, que estava esperando a sua planilha para iniciar um planejamento, isso vai gerar um constrangimento consigo mesmo”.
Os métodos existem para facilitar o acompanhamento e o desenvolvimento das pessoas. Na i-Cherry, são aplicadas, por exemplo, ferramentas de desempenho individual, de feedback, de integração e de grupo focal dentro das equipes para ouvir o que pensam. Mas os recursos digitais não podem tirar a capacidade de o líder ler a equipe e entender o que funciona para cada pessoa:
“Encontrar o sentimento que motiva a equipe é importante”.
Um dos papeis do líder, de acordo com Mell, é encontrar “pessoas incríveis” porque quando você está rodeado pelos melhores é compelido a oferecer também o seu melhor. E o faz não pela competição mas pelo desejo de pertencer aquele grupo de excelentes profissionais.
“… e o bom profissional também é caracterizado pela vontade genuína de compartilhar conhecimento”.
Para aprender mais com esta conversa, assista ao vídeo completo da entrevista que fiz com Mell Azevedo, diretora de processos da i-Cherry, a seguir. Antes, que a nossa equipe de incríveis no Mundo Corporativo tem o Rafael Furugen, o Bruno Teixeira, o Renato Barcellos e a Priscila Gubiotti.
No Conte Sua Historia de São Paulo, uma homenagem a Rita Lee, nascida em 1947 e vivida, boa parte de seu tempo, na Vila Mariana. Morta na segunda-feira, dia 8 de maio, aos 75 anos. Rita era apaixonada pela cidade. Selecionamos um dos capítulos do livro RITA LEE: UMA AUTOBIOGRAFIA para expressar essa relação dela com a capital paulista, quando escreve sobre as visitas que a família dela, a familia Jones, fazia ao parque do Ibirapuera:
Floresta encantada
Antes de virar parque, a floresta do Ibirapuera era o lugar perfeito para os piqueniques dos Jones, domingo sim, domingo não.
Socadas no Jeep com Charles pilotando, as seis mulheres equilibravam cestas de comidas e ferramentas de jardinagem.
Estacionávamos em frente ao Instituto Biológico e de lá seguíamos a pé dois quarteirões até a entrada da floresta.
A imensidão do lugar nos convidava a abrir pequenas clareiras em pontos diferentes, onde montávamos um pequeno acampamento.
Cada um de nós escolhia uma árvore ou planta para “tomar conta”, limpando ervas daninhas, juntando folhas mortas e batizando as plantas, por exemplo: pela exuberância, samambaias eram doñas Mercedes; eucaliptos eram Horácios, um primo nosso alto e magro com pele descascada; Carmens Mirandas eram as bromélias. Flores levavam nossos nomes por “usucapião estético”; e Ritas, claro, eram as marias-sem-vergonha.
A família Buscapé plantava milho, cana, melancia, café, banana, verduras, legumes. Podia-se dizer que vários cantinhos do Ibirapuera viraram uma feirinha para chamar de nossa.
O sonho acabou no quarto centenário de São Paulo, quando grande parte da floresta virou asfalto, cimento e construções de gosto duvidoso. Charles, inconsolável, se recusou a comparecer à festa de abertura. O harém foi, ficamos encantadas com as flâmulas prateadas que os aviões despejavam sobre o povo e tristes de ver nossas hortinhas destruídas.
Quando chegamos em casa, Charles disse: “Vocês por acaso sabem o que significa a palavra Ibirapuera em guarani? Ibirá = árvore, puera = lugar onde havia. Ou seja: lugar onde havia árvore. Os índios previram essa catástrofe e vocês foram lá aplaudir”. Um minuto de silêncio vergonhoso.
RITA LEE é nossa personagem no Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capitulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua Historia de São Paulo.
Suárez comemora seu gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Eram seis do primeiro tempo e o Grêmio já estava à frente no placar por converter uma penalidade máxima. Chute certeiro, bem feito, indefensável, do jeito que esperamos. Pênalti que surgiu de boa jogada pelo lado direito do ataque e a cobrança precisa de Franco Cristaldo.
Eram dez do segundo tempo e a bola bateu asas sobre a área adversária, foi resvalar na cabeça de alguém e desviou em direção ao pé esquerdo de Suárez — o pé que passa 90 minutos esperando uma só bola chegar para concluir em gol. Sem tempo a perder, sequer esperou a bola descer na grama. Bateu firme e a fez cruzar pela barreira de jogadores que havia diante dele para alcançar seu destino e estufar a rede.
Foi o primeiro gol de nosso craque no Brasileiro. Marcou o fim de um “jejum” de quatro partidas. E colocava o Grêmio de volta à partida. Tinha tudo para nos levar à comemoração, à virada e à felicidade.
Aos 16, a virada chegou por obra e caso de dois dos atacantes que haviam entrado no segundo tempo para dar mais dinamismo ao jogo. Zinho escapou e deu passe na medida para Galdino. Nosso meia-atacante cortou dois marcadores dentro da área para encontrar espaço e de pé esquerdo concluir em gol. Era a explosão de uma torcida que havia sofrido muito no primeiro tempo e estava assistindo ao seu time crescer em campo. Galdino estava prestes a ser o herói da partida, novamente. Foi assim nos dois últimos jogos em que entrou no segundo tempo e resolveu a nosso favor. Desta vez, ainda teria o mérito de nos levar ao G4 do Brasileiro.
O futebol até pode ser contado por lances e momentos isolados. Por essa felicidade a conta gotas que nos faz sorrir entre uma intempérie e outra. Conta-se a história do futebol através de seus protagonistas, também. Como o foram Cristaldo, Suárez e Galdino. E esssa era a história que eu queria ter contado.
O jogo jogado do futebol, porém, tem muitos outros elementos. Tem um adversário que luta até o fim, tem esquemas táticos que funcionam ou não, tem tropeços e vacilos, tem a influência dos técnicos e tem lances de sorte e azar. É na soma de tudo isso que o resultado é construído. E, infelizmente, a história contada neste domingo, na Arena — mesmo que tenhamos mantido a invencibilidade em casa, mesmo que Suárez tenha feito o seu e Galdino, também — não foi a que gostaria de estar contando para você.
Seu Oseas e a jabuticabeira em foto de arquivo pessoal
Tenho 77 anos. Sou viúvo. Moro no condomínio Interclube, no Jardim Umuarama, no Campo Limpo, zona Sul da cidade. Cheguei em São Paulo em 1972. Cinco anos depois, eu e minha esposa ganhamos uma muda de jabuticaba. Eu plantei em um vaso e continuamos a regá-la durante 15 anos.
Quando chegou 2018, plantei a jabuticaba no pomar do condomínio que moro e já está dando frutos.
Fico muito alegre de ver os sabiás, os bem-te-vis, o casal de João de Barros, pardais que comem os frutos todos os dias. Minha felicidade é enorme ao ver que o plantar da árvore frutífera alimenta os pássaros. E a mim, também.
Gostaria mesmo que minha esposa estivesse aqui para ver a jabuticabeira, como está linda e como atrai os passarinhos do bairro.
Oseas Pereira Campos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história, envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade ouça o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Adriana Martinelli em entrevista ao Mundo Corporativo, em foto de Priscila Gubiotti
“A gente tá muito pautado hoje em dia para construir esses novos futuros em posturas diferenciadas, mas posturas que não vão conseguir fugir de processos de escuta, de processo de empatia e de um trabalho colaborativo”
Adriana Martinelli, Bett Brasil
Em um país em que sites de apostas proliferam e muitas vezes são vistos como a esperança para um futuro melhor de parcela da população — mesmo que isso seja apenas uma ilusão, triste ilusão —, preciso começar este texto fazendo o seguinte esclarecimento: Bett Brasil, nome da empresa que nossa entrevistada no Mundo Corporativo representa, é “bett” mas não tem nada a ver com aposta. Seu nome remete a origem britânica de uma série global de eventos voltados para o setor educacional que tem versão brasileira e se realiza nesta semana, em São Paulo, com o tema “Educação e trabalho para novos futuros”. Portanto, aqui não falaremos de aposta mas de investimento no futuro. Ou nos futuros, como explica Adriana Martinelli:
“Educação e trabalho para novos futuros indica que existem vários caminhos para que a gente possa chegar lá e não só um. Mas para isso é necessário a conversa, o diálogo para que a gente consiga articular todos esses agentes e desenhar atitudes eficientes e práticas hoje, porque senão a gente nunca vai chegar na realização desse futuro”.
A diretora de conteúdo da Bett Brasil entende que a despeito do futuro que se apresente é preciso voltar a conjugar educação e trabalho, temas que se distanciaram por uma série de preconceitos e prepotências dos mais diversos setores da sociedade. O resultado desse abismo que existe entre os dois mundos é que a falta de engajamento e interesse leva 45% dos jovens a ficarem distantes do trabalho e dos estudos.
“As pessoas estão saindo formadas das universidades e se deparam com o mundo real diferente do que foi ensinado dentro da sala de aula .. a gente ainda tem uma educação superior muito pautada em teorias, muito pautada no que está no livro; e pouca prática, pouca realidade”.
Apesar de olharmos o ensino superior até aqui, é preciso esclarecer que a ideia de pensar educação e trabalho em trilhas comuns e não antagônicas precisaria ser considerada desde os primeiros anos das crianças na sala de aula. Não necessariamente ensinando um emprego ou uma atividade, mas preparado-as nas habilidades socioemocionais que se farão essenciais no futuro.
Outro aspecto que deve servir de reflexão aos que se dispõem a pensar na educação é o da ampliação de horizontes para os alunos que geralmente são “preparados” para o vestibular quando há uma quantidade enorme de oportunidades no ensino técnico.
Considerando isso que Adriana Martinelli falou no programa, lembro da conversa que tive com Clarissa Sadock, CEO da AES Brasil, no episódio anterior do Mundo Corporativo. A empresa ao abrir vagas para mulheres em uma usina eólica encontrou candidatas com cursos de pós-graduação e mestrados buscando emprego em funções que exigem o ensino técnico. Isso ocorre em vários setores da economia. No agronegócio, por exemplo, operadores de máquinas conseguem salários bastante superiores a advogados, engenheiros ou arquitetos.
Voltando a entrevista com a Adriana. Um ponto interessante lembrado por ela foi ensinamento de Jacques Delors, economista e político, que apresentou o que entendia ser os quatro pilares da educação, na época em que atuou na Unesco: o aprender a ser; o aprender a conviver; o aprender a conhecer; e o aprender a fazer.
“Quando a gente começa a entender essa visão mais completa e integral do ser humano, tanto na perspectiva da educação quanto na perspectiva do trabalho, consegue talvez ajustar — eu gosto dessa palavra, principalmente em relação à proposta do novo ensino médio que ela é necessária, ajuste sempre — em relação ao nosso propósito maior”.
Tem muito mais para aprendermos e pensarmos sobre a relação educação, trabalho e futuro na entrevista que você assiste agora com a Adriana Martinelli, da Bett Brasil.
“Se considerarmos que mais de 70% de nossa população pertencem ainda às classes C e D, dá pra imaginar a importância dessa questão”
Cecília Russo
Os mais observadores já presenciaram entre as gôndolas de supermercado a tensão que existe entre o que o consumidor quer comprar e o que pode comprar. Essa sintonia entre desejo e capacidade nem sempre existe porque o orçamento doméstico não permite. A partir dessa percepção, muitas marcas investem na oferta de produtos mais baratos que por baratos que são não precisam ser de baixa qualidade:
“Quando uma marca precisa custar menos para atender um segmento com renda menor ela não pode ser um produto “depenado”, que elimina características importantes da sua formulação”.
Jaime Troiano
Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo lembraram de ao menos dois casos em que a marca pensou na entrega de produtos populares. Uma delas foi a VolksWagen que fabricou um modelo de fusca bastante simples, que ganhou o apelido de “Pé de Boi”, entre 1965 e 1996. Eram mais conhecidos pelos itens que faltavam do que pelos que eram oferecidos e acabou se transformando em sinônimo de coisas baratas. A outra é a Ikea, que fabrica e vende imóveis, conhecida por seus produtos de preço baixo e de boa qualidade. Na comparação, claramente os suecos souberam trabalhar melhor essa relação preço e qualidade, porque apesar de terem reduzido o custo do móvel respeitaram melhor o seu consumidor.
“Muitas marcas já resolveram esse problema e capricharam na oferta de linhas de produto mais baratos que têm boa aparência em suas embalagens e qualidade no que têm dentro”.
Cecília Russo
Um aspecto que deve ser considerado pela marca quando atua para o público-alvo das classes C e D, de acordo com os nossos comentaristas, é que a qualidade dos produtos precisa satisfazer os desejos dessas pessoas e alimentar sua cidadania e dignidade.
Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, logo após às 7h50 da manhã:
Galdino comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
O Grêmio foi para o centro-oeste do País enquanto eu descia cá para o Sul, aproveitando-me do feriado de Primeiro de Maio. Fazia tempo que não visitava Porto Alegre e esperava estar por aqui em um dia que coincidisse com jogo na Arena. Minha agenda de folga e o calendário do campeonato, porém, não estavam sintonizados. Tudo bem! Minha cidade não se resume a meu time. Tem coisa linda para se ver e uma família querida para conversar.
Especialmente no outono, o sol se põe mais lindo por aqui. E nas mudanças que Porto Alegre vem passando, abriu-se espaço ainda maior na orla para que as pessoas comungassem com o rio e aproveitassem o poente que é bonito por natureza, que ganha cores impressionantes nesta época do ano.
No entardecer deste domingo, antes de a partida do Grêmio se iniciar lá no calor de Cuiabá, estive no Pontal do Estaleiro, área recém-recuperada e altamente frequentada no fim de semana. O cenário que encontrei me fez feliz: música ao vivo, gente espalhada pelos bancos e gramados, famílias passeando e crianças brincando. Entre os muitos passantes, alguns hábitos típicos do Rio Grande do Sul como a garrafa térmica embaixo do braço e o chimarrão nas mãos. Se destacavam, também, as camisetas dos dois principais times do estado, em especial a tricolor, é lógico — ao menos eram as que me atraiam o olhar.
Depois do espetáculo do pôr do sol, voltei entusiasmado para casa, disposto a dar sequência aos bons momentos que havia vivido na orla. Desejo atendido por apenas dez minutos. Onze se contarmos o gol que abriu o placar em boa jogada pela direita e a conclusão de cabeça de Vina. Dali pra frente foi aquele desespero que o caro e cada vez mais raro torcedor que lê esta Avalanche deve ter visto, também. Falta de controle da bola, dificuldade para chegar ao ataque e um deus-nos-acuda na defesa.
Sofremos o gol de empate e uma série de bolas rondando nossa meta. Voltamos para o segundo tempo e o cenário permaneceu. Corríamos risco a cada ataque do adversário. Trocamos um, dois, cinco jogadores na tentativa de equilibrar a partida. Se o equilíbrio não veio, foi dos pés de três dos entrantes que saiu o improvável gol da vitória. Zinho, Nathan e Everton Galdino participaram da jogada que foi concluída nas redes por este último, aos 22 do segundo tempo. Mais uma vez “GaldiGol” apareceu do banco para nos salvar.
Menos mal que os três pontos vieram e fora de casa, o que é sempre motivo para se comemorar, mas bonito mesmo, neste domingo, só o pôr do sol do Guaíba. Que o futebol do Grêmio se inspire na beleza do horizonte porto-alegrense e volte a brilhar em campo.
Gravação do Mundo Corporativo com Clarissa Sadock, da AES Brasil Foto de Priscilla Gubiotti
“É um grande desafio o CEO não se distanciar da empresa e dos colaboradores”.
Clarissa Sadock, AES Brasil
Ter pessoas com formações, visões e experiências diversas é essencial para as empresas que entenderam a necessidade de se transformarem na rapidez e consistência que os mercados exigem e o cidadão espera. Talvez por isso que não devesse espantar o fato de uma das principais empresas de energia renovável do país estar sob o comando de uma mulher. A verdade, porém, é que nesse ou em qualquer outro setor da economia brasileira ainda é rara a liderança feminina, especialmente no cargo mais alto da organização.
Desde 2021, Clarissa Sadock é CEO da AES Brasil, empresa que está há mais de 20 anos no pais. Sim, você que é atento às informações logo deve ter percebido que o convite para assumir o cargo surgiu e foi aceito ainda durante a pandemia. Desafio dobrado, portanto, que, de acordo com a executiva foi superado graças a forma ágil com que as equipes se adaptaram aos novos modelos de trabalho.
“É muito interessante como a gente se adaptou a trabalhar remotamente na pandemia com uma certa naturalidade. O time operacional, sem dúvida, teve um desafio maior, porque a gente precisava manter os operadores nos centros de operação e nas usinas”.
Apesar de os resultados terem superado as expectativas, na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Clarissa ressaltou o quanto foi importante a retomada das atividades presenciais para conversar pessoalmente com os colaboradores já que entende que é o olho no olho que nos leva ao aprendizado. Para ela faz muita falta não apenas comunicar, mas também ouvir o que está acontecendo na vida real.
“Para o CEO é muito importante estar à frente da estratégia, estar determinando o foco das prioridades da companhia, mas a gente precisa saber se aquilo ali tá funcionando, não tá funcionando, e como que a gente mexe nesse barco da melhor forma possível”.
A comunicação é uma das competências que Clarissa considera fundamental para manter as equipes engajadas, ainda mais diante do fato de que parcela dos colaboradores está trabalhando na forma híbrida. Também o é para entender as necessidades dos clientes e construir alianças com concorrentes em defesa do setor energético. Outro pilar destacado pela CEO é o da inovação:
“Nós temos um time de inovação há mais de 20 anos e tem diversos fóruns, seja local seja internacional. A gente se utiliza muito também do conhecimento global da AES Corporation”.
Inovadora foi a decisão recente da empresa em montar uma equipe apenas de mulheres para operar o Complexo Eólico Tucano, na Bahia. Iniciativa que se repetirá em Cajuína, no Rio Grande do Norte. Clarissa não admite que foi dela a ideia de ter equipes 100% femininas, prefere colocar na conta da política de valorização da diversidade que a empresa vem desenvolvendo há alguns anos que só não teria se concretizado antes porque os times operacionais são altamente qualificados e têm baixo turnover, ou seja, não abriam-se vagas para novos e femininos talentos.
Os planos de crescimento e expansão que pautam a AES Brasil — um dos muitos desafios apresentados à Clarissa quando ela assumiu a função de CEO — foram determinantes para que novas equipes tivessem de ser preparadas. Uma acordo com o Senai foi fechado para que as candidatas participassem de cursos e atividades de desenvolvimento profissional. Uma das surpresas de Clarissa foi verificar que apesar de ser um curso técnico, muitas mulheres com MBA e mestrado se apresentaram para as vagas, o que permitiu uma qualificação maior da mão de obra.
Assista à entrevista completa com Clarissa Sadock em que falamos também sobre transição energética:
O Mundo Corporativo tem as participações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti.
Suárez comemora gol de Galdino, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Eita, seu! Que coisa! Tudo que eu queria, depois de um dia de trabalho duro, era sentar diante da TV a espera de 90 minutos de entretenimento e tranquilidade. Aí a bola começa a rolar e você vai vendo a coisa degringolar. O passe não passa como deveria ser passado, o chute não chuta como deveria ser chutado e a marcação não marca como deveria ser marcada. Todas as vezes que é atacado, um susto. Você fica só chuleando para se ver livre de um gol tomado. Mas é claro que ele vai aparecer. Como apareceu ainda no primeiro tempo. E o jogo que era só pra carimbar passagem para a próxima fase, vira suplício.
Verdade que o Grêmio tentou reduzir o risco ficando mais tempo com a bola no pé, especialmente no segundo tempo. Para isso tem de ter alguém pra conduzir essa bola, outro para se aproximar e um mais à frente para se deslocar. Mas se quem conduz passa errado, quem se aproxima, só tira espaço para a bola fluir e quem se desloca não recebe, a estratégia vai para o ralo. E o que deveria ser simples, tranquilo e divertido, ganha ares de sofrimento.
Haja sofrimento! A cada escapada do adversário, o perigo era iminente. Você assistia à bola cruzando a sua área e logo imaginava um desvio para as suas redes e a ameaça de termos de decidir tudo nos penaltis. Observava o adversário se jogando para dentro da área e o medo de um pé descontrolado cometer uma penalidade — como diz o ditado: cachorro mordida por cobra tem medo de linguiça. Aí veio o lance do lado direito que passou por cima de nossos dois defensores e foi para diante do atacante deles. Confesso, ali não via nenhuma possibilidade de a bola não entrar. Pois não é que não entrou. Chocou-se no travessão e se perdeu pela linha de fundo. Foi o ápice do desespero.
Se eu, aqui distante, já estava impaciente, imagine o torcedor na Arena. Cada bola mal passada ou mal marcada era motivo de reclamação, buchichos e vaias. Dentro do campo era perceptível o nervosismo do time. Do lado do campo, também o era a irritação do treinador.
Foi então que o herói improvável apareceu para alívio de todos.
Everton Galdino, que na partida anterior pela Copa do Brasil havia errado praticamente todos os lances que participou, a ponto de tropeçar na bola em um contra-ataque, recebeu um presente de Suarez na entrada da área —- em tempo, que partida fez o nosso gringo preferido. Galdino poderia escolher: devolver para o nosso craque, o mais provável. Ou encontrar Bitello que entrava pelo outro lado. Não. Galdino ajeitou a bola e bateu lá de fora para estufar a rede, empatar o jogo e acabar com qualquer risco de desclassificação.
O Grêmio empatou e manteve a invencibilidade na Arena. Poderia até ter perdido por um e se classificaria assim mesmo. Independentemente do placar, o que importa é que avançou mais uma casa em direção ao título da Copa do Brasil. Vai precisar repor suas peças, consertar a parte física de jogadores importantes e reorganizar a forma de jogar. Não pode continuar sacrificando seu maior jogador, Luis Suárez, obrigando-o a sair da área, buscar a bola na intermediária e ensinar os colegas mais próximos como funciona um jogo coletivo de alta performance.
Teremos tempo para os consertos e o departamento médico haverá de liberar, em breve, jogadores especialmente do meio de campo que tem toque mais refinado da bola. Por enquanto, é comemorar a classificação depois de um jogo sofrido em vários sentidos.