Conte Sua História de São Paulo: no meu imaginário, era a terra da salvação


Jose fabio nobre nobre

Ouvinte da CBN

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No idos da década de 1970, eu, criança, na Cidade de Crato,  interior do Ceará, passava com frequência  em frente a uma empresa de ônibus — não havia rodoviária — e presenciava cenas que me chamavam atenção. Época em que muitas famílias faziam o trajeto para São Paulo na busca de sobrevivência mesmo. Aquelas cenas começaram a me tocar porque eu via pessoas conhecidas, outras, crianças, e até parentes próximos. Aquelas despedidas me sensibilizam, eu chorava junto àquela gente. 

Daí, São Paulo ficou no meu imaginário como sendo a terra da salvação. Garanti a mim mesmo que ao completar 18 anos, eu também iria para a capital paulista para conhecer, visitar parentes e, quem sabe, morar na casa de uma tia ou um tio. Quando completei a maioridade, já trabalhava e apesar de solteiro era o “provedor” da casa —  os irmãos e irmãs mais velhos já haviam casado e fiquei órfão de pai muito cedo. Com o dinheiro que recebia do trabalho em um banco privado,  me organizei para realizar o sonho de viajar a São Paulo, o que ocorreu em dezembro de 1980. 

Quarenta e oito horas num ônibus que, diante das minhas expectativas tão positivas, tirei de boa. Fui recompensado. Adorei tudo que via, uma prima que morava em Vila Nova Cachoeirinha passeava bastante comigo e me mostrava os locais mais importantes. 

O que me marcou naquela primeira viagem foi ir a uma gravação do Programa do Chacrinha — havia uma senhora amiga da minha prima que fazia caravana para o programa, num teatro da Brigadeiro Luiz Antônio. Na época ele estava na rede Bandeirantes, depois retornou para a Globo. Aquilo me fascinou. O inusitado é que de repente a gravação parou, as chacretes se abraçavam e choravam. Os artistas e jurados, também. Nós na plateia não sabíamos o motivo  da demora do intervalo. Até que a notícia chegou a todos: há poucos instantes, havia sido anunciado o assassinato de John Lenon. A despeito disso, a gravação e a vida tinham de continuar.

Hoje sigo amando São Paulo mesmo morando em Recife há 40 anos. Visito a cidade no mínimo três vezes ao ano. Adoro a fervura cultural e vou aos principais eventos artísticos. Amo ficar próximo ao COPAN, que para mim é a cara da cidade, para bater perna por todo o centro e subir a Consolação caminhando até a Paulista, aproveitando para cumprir a minha meta de sete mil passos diários —  ouviu, Márcio Atalla?

José Fábio Nobre personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cuidado com o discurso ambientalista que não se sustenta!

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“Greenwashing é basicamente as práticas e propagandas que se apoiam em falsas informações e mensagens emitidas por empresas, relacionadas à sustentabilidade”

Cecília Troiano

Atendendo a demanda do público, muitas marcas têm se apresentado como defensoras do meio ambiente e anunciam uma série de medidas que viriam em favor da preservação das matas, da qualidade das águas e do controle da poluição do ar, entre outros tantos benefícios elencados em suas peças publicitárias e relatórios anuais. A preocupação é justa e necessária, mas deve ser sustentável. Esse é o alerta de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que chamaram atenção para a fragilidade de boa parte dessas ações. 

Para ter uma ideia, em 2021, a comissão europeia (EC) analisou 344 alegações aparentemente duvidosas de empresas e chegou a conclusão de que quase 60% das empresas usavam palavras como eco-friendly, eco-consciente, biodegradável e sustentável sem oferecer provas concretas. São típicas praticantes do ‘greenwashing’ 

“ .. ou seja, fala que faz algo em termos de sustentabilidade, mas na prática isso não se sustenta, com o perdão ao trocadilho. falam que determinados processos protegem o meio ambiente, mas a história não é bem essa”. .

Infelizmente, ainda há muita empresário que acredita que dá para sustentar e alavancar a marca por meio de histórias inventadas, sem validade nas suas práticas e processo.  Não precisamos voltar tanto ao tempo nem ir tão distante. Basta lembrar o que assistimos recentemente com produtores de vinhedos, no interior do Rio Grande do Sul, que apesar de seus compromissos com as políticas ESG, foram flagrados usando mão de boa análoga à escravidão. 

“O que as marcas têm de mais valioso é a credibilidade que conquistaram junto a seus públicos. É tão difícil ter essa confiança das pessoas, mas tão arriscado perdê-la” Jaime Troiano

Você que está acostumado a acompanhar o Sua Marca deve lembrar de frase que repetimos várias vezes para alertar aos gestores sobre os riscos que decidem assumir diante de estratégias erráticas: marca não é tapume que esconde as más práticas das empresas.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

Avalanche Tricolor: enferrujado!

Cruzeiro 1×0 Grêmio

Brasileiro – Independência, BH/MG

Suárez ensaia arrancada em direção ao gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBA

Começo com uma confissão, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche. Estou enferrujado! Talvez algum de vocês possa pensar que é a proximidade dos 60 anos — duvido muito. Haverá alguém que colocará a culpa na falta de atividade física — posso provar que treino com regularidade e forte. E o que dirá: “deixa de bobagem, Mílton, você está muito bem”. Mesmo que não tenha razão, aceitarei o elogio porque ouvi de meu colega e filósofo Mário Sérgio Cortella que a modéstia é nojenta, por falsa que soa e porque diante dela você obriga o outro a elogiá-lo novamente.

De volta à ferrugem que impede o funcionamento de algumas engrenagens que desenvolvi ao longo dos muitos anos escrevendo essa Avalanche. Os que me leram no passado — quando os leitores eram caros, mas não raros — sabem que desde a criação desta coluna, em janeiro de 2008, com as exceções de sempre, sou bastante disciplinado em meu propósito: falar do Grêmio! E falar bem, porque mal tem muita gente que já é craque em fazê-lo. Escrevi a Avalanche em alguns dos mais tristes momentos da nossa história como o rebaixamento (toc-toc-toc) de 2021. Fui fiel a escrita mesmo diante de algumas goleadas acachapantes. Resiliente, mantive-me tão firme que houve época em que esta coluna era reproduzida em outros blogs gremistas que estavam cansados dos corneteiros.

Neste ano, convenhamos, não tem sido difícil elogiar o Grêmio. Fizemos a maior contratação do futebol brasileiro, reforçamos o time, tivemos bons desempenhos em campo e, mesmo quando a bola não rolava redonda nos gramados, vencemos uma atrás da outra. Já conquistamos dois títulos regionais e seguimos em frente na Copa do Brasil. Nestes meses todos de 2023 — estamos no fim de abril —, só havíamos tido uma derrota e, mesmo assim, sem muita importância. Foi fácil me virar nas palavras. 

O fato é que deparo com a segunda derrota do ano, a primeira no Campeonato Brasileiro, e já na segunda rodada da competição. De tão desacostumado em ter de driblá-la, fiquei sem palavras para explicá-la, a tal ponto que só estou escrevendo essa Avalanche no domingo, um dia depois do mau resultado. Espero manter a ferrugem para essas situações e não ter de me acostumar com o fato!

Mundo Corporativo: Matheus Bombig, da Invenis, conta como funciona uma empresa “sem chefe”

Matheus Bombig em entrevista ao Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“Nesse modelo, a gente até brinca que ao invés de você ter um chefe, você tem todas as pessoas da startup como chefe, porque todo mundo vai estar olhando a decisão que você eventualmente vai tomar”

Matheus Bombig, Invenis

Em toda a empresa, o assunto na sala do cafezinho é o mesmo: reclamar do chefe. Uns dizem que ele é muito intrometido e outros que ele é omisso; há os que falam da dificuldade dele tomar decisões e os que o criticam por centralizar tudo na sua mesa. Na Invenis, uma startup de tecnologia que atua no campo do direito, o grau de desconformidade chegou a tal ponto que quem reclamava do chefe era o próprio chefe. Isso mesmo! Matheus Bombig, um dos criadores da empresa, identificou sua dificuldade em liderar a equipe que estava iniciando suas atividades e assistia ao crescimento dos negócios e no número de funcionários. Foi quando tomou a decisão de acabar com a figura do chefe e investir em uma gestão descentralizada: 

“Eu sou empreendedor de primeira viagem … eu não sabia muito bem como lidar com isso, então fui ficando um pouco perdido em definir papéis, cargos, o que cobrar, metas do dia a dia … eu percebi que não estava sendo um bom chefe ou um bom Líder naquele momento. E entendi que talvez fosse melhor deixar as atividades na mão das próprias pessoas”.

O modelo que começou de forma improvisada, há dois anos, foi se estruturando a medida que Matheus buscou no mercado outras experiências semelhantes. Apesar de nesse processo haver uma série de rituais que podem ou não serem descentralizados, na Invenis a decisão foi por radicalizar o fim da hierarquia, tarefa que talvez tenha sido possível porque a startup ainda tem poucos profissionais atuando. 

Para Matheus, um dos desafios nesse modelo é o da tomada de decisão, especialmente diante do fim da estrutura piramidal em que o subordinado pede autorização para um líder e o líder tem de analisar e autorizar para que a execução aconteça. No modelo descentralizado, o poder de decisão está nas mãos de cada um e dentro de sua própria área. Um exemplo: quem cuida do comercial toma decisões relativas a área comercial, não pode se meter a escolher o banco em que a empresa terá conta, pois esta é tarefa do financeiro.

Antes de decidir, a pessoa que identificou um problema que exige uma solução vai se aconselhar com os colegas que podem ser impactados pela medida a ser adotada e buscar a experiência daqueles que passaram por situação semelhante. Todos têm o direito de sugerir mudanças e identificar erros. Após a consulta e de internalizar as sugestões e comentários, a decisão é anunciada para a empresa, de forma transparente.

“A gente tem algumas coisas que ainda são um pouco centralizadas. AS metas a gente centraliza, mas centraliza em todas as pessoas. Então, não são sócios que definem a meta. A gente traz uma sugestão e discute isso com o time”.

Perguntado sob o risco de o crescimento da Invenis inviabilizar a descentralização, Matheus recorreu a história de uma empresa holandesa de homecare. A Buurtzorg iniciou-se por iniciativa de um enfermeiro que criou uma equipe de 12 profissionais para atendimento de saúde nas casas. Hoje, são cerca de 12 mil funcionários que se dividem em núcleos de até 12 enfermeiros que tomam decisões soberanas para fazer o atendimento. Para ele, a ideia de criar núcleos dentro da empresa talvez seja a melhor solução para as organizações que comecem a crescer muito.

Apesar das experiências que podem ser encontradas em diversas partes do mundo, Matheus não acredita que este será o futuro das empresas em curto prazo. Entende, porém, ser um modelo mais adequado para lidar com o mundo complexo que vivemos, que exige mudanças rápidas e sem depender de autorizações. Para introduzir o modelo descentralizado não existe uma “receita de bolo”, mas Matheus sugere que se comece a pensar em alguns processos e rituais que existem na organização, usando-os como um laboratório. Conforme houver a adaptação, migra-se o modelo para outros setores.

Assista ao programa Mundo Corporativo com Matheus Bombig, da Invenis:

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscilla Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: São Sebastião da praça da minha rua

Vera Helena Gasparotti Praxedes

Ouvinte da CBN

Parque Nabuco, no Jardim Jabaquara

Existem coisas que nos emocionam! 

Apareceram na pracinha, em frente da minha casa, algumas mudinhas plantadas de ora-pro-nóbis, cada uma com uma plaquinha as identificando. Há mudas de outras espécies, também. 

A origem daquela obra da natureza, descobri quando fui levar os recicláveis no parque Nabuco, que fica entre o Jabaquara e a Cidade Ademar.

Na volta, vi um senhor passar por trás de um belo carro vermelho com uma enxada nova na mão. Nova sim, porque visualizei o selo.  Fui sem demora perguntar o que ele estava fazendo. 

Qual foi a minha surpresa! Com a enxada, estava capinando ao redor de uma minúscula planta. Começamos a conversar e então o senhor me contou que mora bem longe daqui e na casa dele não tem espaço.  Tem até uma praça por lá, porém arrancam qualquer coisa que por ventura alguém resolva fazer. 

Disse-me o senhor que estava plantando sementes que, com carinho, germinam na casa dele. Até falou que a mudinha de orvalha que por hora capinava ao redor, trouxera a semente de mais longe ainda lá da represa. Falou também que comentou com a esposa que achava que aqui as pessoas não arrancavam o que era plantado. De vez em quando, ele vem fazer limpeza ao redor das mudas porque assim quando a prefeitura vai cortar o mato e limpar a pracinha não as arranca. 

Contou-me que mora lá pra cima, pelas bandas da Montemor. A saber: a rua Rodrigues Montemor fica no bairro de Americanópolis. A pracinha — cenário desta história que compartilho com vocês — se chama Azevedo Antunes, e fica na rua Conde Moreira Lima, no Jardim Jabaquara. O nome dessa doçura é Seu Sebastião. São Sebastião que preserva a cidade!

Vera Helena Praxedes é  personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  quatro motivos para um rebranding

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“Rebranding seriam aqueles casos em que é preciso fazer um desvio de rota na estratégia vigente do branding. Revisar, refazer, reequacionar” 

Jaime Troiano

Branding é gestão de marca e todas as iniciativas que se adota para que esta ocorra de forma coerente e efetiva. Pela própria terminação (ING), percebe-se que é algo que está sempre acontecendo ou como dizem Jaime Troiano e Cecília Russo é algo vivo — você já deve tê-los ouvido falar sobre isto no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Desta vez, porém, eles  foram além. Convidaram o ouvinte a pensar em rebranding, que é o processo que se inicia com a reflexão sobre as mudanças que devem e podem ser feitas na marca, considerando que muita vezes nem devem nem podem passar por uma transformação.

Para evitar exageros ou precipitações por parte do gestor que, cansado de ver sua própria marca, deseja mudá-la por vontade própria, avalie as quatro razões elencadas por Jaime e Cecília para que efetivamente se realize o rebranding:

  • Desatualizada: quando seu posicionamento não reflete mais quem você é como marca, ou o que você faz; quando a marca está “empoeirada”. Assim, algumas vezes é preciso um rebranding para fazer essa atualização, que permitirá tirar a poeira e oferecer uma visão nova da marca. 
  • Crescimento: hoje, nesse universo em que vemos uma empresa comprando a outra, o crescimento de uma marca muitas vezes exige um rebranding. 

“É preciso atualizar a visão que se tem da empresa, seja porque tem um portfólio maior de produtos ou serviços, seja porque ampliou geograficamente sua atuação”

Cecília Russo
  • Defesa: são os casos em que uma marca é posicionada de forma indesejada pela atuação de um concorrente; ela acaba sendo vista como não gostaria de ser. Torna-se necessário um rebranding para se colocar no lugar onde você acredita que seja seu espaço e não aquele que lhe foi designado pelo concorrente.
  • Evolução: Esse é o caso em que o rebranding não vem para corrigir falhas, mas sim para mostrar que a marca está atenta, não para, está se movimentando. O rebranding vem para trazer esse dinamismo

“Não façam um rebranding precocemente, reflitam sobre esses quatro motivos que trouxemos hoje, para ver se efetivamente ele será necessário para sua marca ou, ao contrário, criará uma confusão na cabeça dos consumidores, não deixando tempo para sedimentar sua identidade”

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo: 

 

Avalanche Tricolor: Grêmio completa 700 vitórias diante de uma torcida que faz a diferença!

João Pedro comemora o gol da vitória, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Grêmio 1×0 Santos

Brasileiro – Alfredo Jaconi, Caxias/RS

“Muito feliz com o desempenho da torcida” — disse Nathan, naquela entrevista feita logo após o apito final do árbitro, ainda no calor da partida. Costuma ser a mais difícil de todas e injustamente cobrada de jogadores que nem sempre têm habilidade com as palavras. O batimento cardíaco está em alta, mal deu tempo de respirar fundo para pensar no que acabou de acontecer e o repórter dispara uma pergunta que, convenhamos, tende a ser mais longa do que deveria, considerando que tudo que ele gostaria de saber é “o que você achou do jogo?”.

O recém-chegado meio campista do Grêmio respondeu no microfone da televisão com a mesma sensibilidade e talento que havia apresentado em campo desde que entrou aos 26 do segundo tempo em lugar de Cristaldo.  Foram dele três dos principais e raros lances de ataque na etapa final —dois em que foi o protagonista do chute a gol e um terceiro, já nos acréscimo, quando desarmou o adversário e entregou a bola limpa para Suárez concluir.

Ao exaltar o torcedor, que havia tomado quase todas as dependências do Alfredo Jaconi, em Caxias, e vibrou mesmo diante da pressão maior do adversário, Nathan fez justiça aos gremistas que, já no ano passado, entenderam sua importância para o clube e tomaram para si a responsabilidade de nos levar de volta à Série A. Ascensão  conquistada e o orgulho recuperado, nesta temporada de 2023, os torcedores souberam dar a resposta ao esforço da diretoria que montou um elenco qualificado e, principalmente, contratou um dos maiores goleadores do mundo, Luis Suárez. 

Cada jogo é uma nova festa. Da Recopa Gaúcha a Copa do Brasil, do campeonato Gaúcho ao Brasileiro, tomamos as arquibancadas e aumentamos exponencialmente o número de sócios. Estamos com o Grêmio onde o Grêmio estiver. A despeito de algumas recaídas, com vaias pontuais a determinados jogadores, canta e embala a equipe, faz nosso time se desdobrar em busca da vitória, e a resistir quando necessário. No fim deste domingo, foi fundamental para dar força a equipe que estava tendo dificuldades para dominar a bola, especialmente no segundo tempo. E reconheceu quem se doou em busca do resultado, como fez com Kannemann que teve seu nome gritado enquanto estava caído e extasiado no gramado.

De minha parte, queria chamar atenção para a boa atuação dos três laterais que vestiram nossa camisa. Na direita, João Pedro que fez o gol da vitória, batendo de fora da área com pé trocado e tendo seus últimos desempenhos premiados neste momento importante da vida, às vésperas do primeiro bebê nascer. Thomas Luciano, de apenas 21 anos, que substituiu o autor do gol no intervalo, tomou para si a responsabilidade de combater o principal atacante adversário e cumpriu com precisão seu papel, além de ter sido o responsável por provocar a expulsão dele. E, finalmente, Diogo Barbosa, que se faz melhor nas últimas partidas e hoje foi essencial na movimentação de ataque pelo lado esquerdo.

O futebol jogado pelo Grêmio ficou aquém da expectativa mas havia na partida de hoje algo muito mais importante a se comemorar: a volta à Série A. Volta que se deu com uma vitória histórica porque é a de número 700 desde que as competições nacionais foram unificadas, em 1959 — estatística registrada logo após ao jogo pelo canal História Grêmio, no YouTube.

Mundo Corporativo: Francisco Nogueira e Nina Campos propõem análise e diversão para simplificar as relações na empresa

Francisco e Nina em entrevista no Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“O palhaço traz essa verdade do lúdico da leveza das relações e a psicanálise traz a verdade do sujeito essa verdade que vai ser revelada a partir do inconsciente ..”

Francisco Nogueira, psicanalista

O bobo da corte era uma figura comum na corte dos reis e rainhas medievais na Europa. Acredita-se que sua origem remonte ao antigo Egito, onde havia uma classe de pessoas chamadas “bufões sagrados”, que eram responsáveis por entreter os faraós e suas famílias. Durante a Idade Média, os bobos da corte eram contratados pelas cortes reais para entreter os membros da realeza e seus convidados. Tinham, também, uma função social importante. Eram frequentemente os únicos membros da corte que tinham permissão para falar livremente com o rei ou a rainha, sem medo de represálias. Eles eram muitas vezes considerados conselheiros informais e podiam fazer sugestões ou oferecer críticas construtivas que outros membros da corte não se atreveriam a fazer.

Os “reis” corporativos – donos, CEOs e presidentes de empresas – talvez devessem buscar naquela referência do passado uma solução para enfrentar os desafios do presente. É o que se deduz a partir da experiência de Francisco Nogueira e Nina Campos, sócios da consultoria Relações Simplificadas, entrevistados no programa Mundo Corporativo. Ele é psiquiatra e psicanalista, enquanto ela é palhaça, no caso a palhaça Consuelo. Em dupla e na união do conhecimento e da arte de ambos, Francisco e Nina desenvolvem treinamentos em algumas das principais corporações do Brasil:

“Quantas coisas as pessoas gostariam de dizer umas as outras que elas não dizem. O palhaço dá essa licença. Então, quando eu estou de Consuelo em geral a conversa da equipe flui melhor e é mais direta. Todo mundo se sente autorizado de uma forma acolhedora a dizer o que está pensando”

Nina Campos

É verdade que quando o palhaço entra no palco corporativo, muitos o rejeitam porque afinal quem tem tempo a perder com … palhaçadas. Daí a importância de o trabalho ser complementar, tendo o psicanalista para promover o conteúdo e realizar intervenções e o palhaço (no caso a palhaça) para desconstruir as pessoas, com leveza e bom humor.

“Esse trabalho na medida em que traz leveza pode falar coisas que estão circulando na cabeça das pessoas e pode precipitar essa informação, trazer o não dito para a consciência”

Francisco Nogueira

A ideia de criar relações simplificadas, que está no nome da consultoria mantida por eles, é uma alternativa à utopia de se ter relações perfeitas que, diante de toda a complexidade do ambiente corporativo, se torna inalcançável. Porém, não se engane: almejar o simples não é fácil. Exige um desenvolvimento pessoal e uma sofisticação do ser: O problema é que muitas vezes não se percebe que estamos vivendo em lugares de sofrimento, haja vista que boa parte das pessoas que deparam com a pergunta sofre com andam as coisas no ambiente empresarial, a resposta que Francisco e Nina mais ouvem é que está tudo normal.

“A gente está perdendo essa capacidade de investigação do nosso mundo interno. As relações sofrem, as pessoas sofrem, a ansiedade aumenta, a depressão se agrava. E aí começamos a ter problemas muito sérios de saúde mental dentro das organizações. Isso vai impactar a organização, isso vai impactar as pessoas, isso vai impactar produtividade e todo mundo vai sofrer”

Francisco Nogueira

Na combinação de experiências, a despeito de a empresa estar ou não preocupada com a sua saúde mental e com as relações internas, Francisco recomenda que as pessoas façam análise, cuidem do seu mundo interno, porque isso organiza os pensamentos e ajuda a entender melhor o sofrimento do outro e a sair de um padrão de cobrança para um padrão de tolerância. Enquanto isso, Nina sugere que as pessoas divirtam-se:

“Brincar vai trabalhar o pensamento não linear que é o que as empresas mais estão procurando: a capacidade de inovar, a capacidade de criar, que vai fazer com que as nossas relações sejam mais inteiras e leves”.

Nina Campos

Para aprender mais com a experiência da palhaça e do psicanalista, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Avalanche Tricolor: precisamos falar de Bitello 

ABC 0x2 Grêmio

Copa do Brasil – Frasqueirão, Natal/RN 

Bitello comemora o gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

João Paulo de Souza Mares é o nome de batismo. Dito assim, porém, talvez poucos sejam os gremistas capazes de dizer quem é e qual a importância deste jogador para o time. João Paulo já chegou ao clube marcado pelo apelido de infância que surgiu de uma brincadeira com um amigo na sala de aula, Bitello. E é por Bitello que gritamos na arquibancada para reverenciar aquele que  atualmente é o melhor jogador do elenco gremista.

Alguém haverá de precipitadamente me criticar pela afirmação feita na última frase do parágrafo anterior, afinal no comando do ataque temos um dos maiores goleadores do mundo. “Como, Milton, você acha que Bitello é melhor do que Suárez ?” Explico. Luisito, por tudo que estamos vendo nos gramados, pela sua história e méritos, é “hour concour”, expressão que costumávamos usar para aqueles que de tão especial que nasceram estão acima de qualquer comparação. E Suárez está entre eles, está em um patamar diferenciado, só oferecido àqueles que nasceram abençoados pelos Deuses do Futebol.

Dito isso, voltemos a Bitello, o craque do momento. 

Na noite de ontem, ele brilhou em um jogo de futebol ofuscado pela qualidade do gramado e pela forma desconsertada que o Grêmio entrou em campo, devido as dificuldades para escalar o time. Especialmente no segundo tempo foi o responsável pela melhoria na qualidade do jogo, cadenciando a bola, se deslocando para se aproximar dos companheiros, melhorando a troca de passe e permitindo que o Grêmio dominasse a partida, praticamente anulando os riscos de o adversário chegar ao nosso gol. 

Foi de Bitello o segundo e mais bonito gol da partida, ao acertar no ângulo um chute de fora da área, depois de uma cobrança de escanteio ensaiada. Um gol que nos trouxe tranquilidade, em uma partida de alto risco — cabe lembrar que o adversário já havia eliminado um time da séria A, na fase anterior da Copa do Brasil, e não perdia, frente a sua torcida, desde janeiro do ano passado.

Fazer golaços e gol decisivos, são duas tarefas que já aparecem no currículo de Bitello, apesar de ainda ser tão jovem.  Foi dele o gol que abriu a vitória gremista na final do Brasileiro de Aspirantes, em 2021, levando o Grêmio a um título inédito. Foi dele um golaço parecido com o de ontem, em um dos Gre-nais do Campeonato Gaúcho de 2022.  Ainda no ano passado, na segunda divisão, foi, também, a maior revelação do futebol brasileiro. E neste 2023 conquistou o bi no prêmio de Craque do Gauchão — sim, ainda com 22 anos já havia se destacado como o melhor da competição, logo que estreiou no time principal. 

O guri está jogando muito e fazendo a diferença com uma maturidade que chama atenção. Foi fundamental para a volta à Primeira Divisão e é peça essencial para nossa campanha no Campeonato Brasileiro que se inicia no fim de semana. Se não bastasse cumprir seu papel à risca, ainda demonstra irreverência nas comemorações, reproduzindo os gestos e danças de seus ídolos da NBA — o que demonstra ser craque de bola e ter excelente referências.

Vida longa para Bitello!