Juro que não foi proposital. Foi ocasional. Estou longe desta Avalanche há quatro jogos — coisa tão rara quanto os leitores dessa coluna — por uma série de fatores extra-campo. Férias, lançamento de livro e compromisso inadiável com amigos coincidiram com as últimas partidas disputadas pelo Grêmio. Nessa sexta, que era para ter sido sábado, tudo conspirou a favor e me permitiu voltar a assistir aos nossos jogos. E que jogo, amigos!
Desde os dois minutos, o Grêmio apresentava suas credenciais. Com jogada veloz, passes rápidos, cruzamento na área e Vina chegando forte para marcar, fizemos o primeiro de seis gols. Em sete minutos já estava três a zero fora o show. Tive até a felicidade de comemorar um gol de Kannemann, zagueiro que poucas vezes balançou a rede, mas merecia essa alegria por tudo que representa na história gremista. O quarto e o quinto vieram antes do encerramento do primeiro tempo.
Há muito não assistia a um jogo do Grêmio com tamanha tranquilidade e diante de futebol tão vistoso. O gol de Bitello, o terceiro gol gremista, resume bem o que foi esse jogo e o nosso desempenho de luxo. Foram seis toques na bola em uma jogada que se iniciou com Reinaldo passou por Bitello, Carballo, Suarez e de novo Bitello. Quase tudo de primeira, com muita movimentação e a conclusão precisa daquele que foi o melhor jogador dessa partida.
Por curioso que seja, mesmo com os cinco gols e a classificação em primeiro lugar garantida com antecedência, os torcedores gremistas ainda estavam a espera de um último presente para a sexta-feira ser completa: o gol de Suarez. Ultimamente tem sido assim. Não basta vencer, queremos gol de Suarez, também! E ele estufou a rede, aos 38 minutos, batendo de primeira uma bola cruzada rasteira dentro da área.
Com um ótimo futebol às vésperas das duas mais importantes partidas até aqui disputadas na temporada — estreia na Copa do Brasil e o clássico Gre-nal —, o Grêmio sextou!
“Liderar pessoas parte do pressuposto de que você consegue ser muito transparente com relação ao que você está sentindo mas também ser muito humilde para entender e receber feedbacks do seu time”
Mariam Topeshashvilli, LTK América Latina
Foi para o Brasil que vieram na condição de refugiados os pais de Mariam, uma menina de apenas quatro anos, nascida na Georgia, país que faz fronteira com a Rússia e do qual ela tem poucas lembranças. Sabe mais pelo que o pai, cientista político, e a mãe, enfermeira, contam e pelos registros que fazem parte da história desta nação de cerca de 3,7 milhões de habitantes, marcada por uma série de conflitos externos e internos.
Sem que os diplomas conquistados no país de origem fossem validados no Brasil, os pais tiveram de se virar do jeito que podiam. Seu Avtandil foi vender cerveja em lata na praia de Copacabana, no Rio. Mariam acompanhava o pai e não se contentava em observar o trabalho dele. Usava de sua desenvoltura para atrair os clientes, dando, sem que soubesse ainda, o primeiro passo em uma carreira vitoriosa de empreendedora e aprendendo lições que seriam aplicadas mais à frente:
“O principal ponto (que aprendi) é ficar muito perto do seu cliente e entender o máximo possível todas as dores ou os momentos de consumo ideais e, realmente, conseguir conversar e ter esse diálogo. Eu olhava muito para o meu pai como uma inspiração de pessoa que tenta entender o seu redor”.
Escrevi no parágrafo anterior que ela tem uma carreira vitoriosa. Eu sei que pode parecer precipitado considerando que Mariam ainda é muito jovem, 26 anos, mas convenhamos: ter conseguido, com os pais, recomeçar uma vida aqui no Brasil depois de tudo que enfrentaram na Georgia já é uma baita conquista. A história dela não para por aí. Na crença de que a educação é transformadora, foi matriculada no Colégio Pedro II, escola federal das mais renomadas no Rio de Janeiro, participou de olimpíadas de matemática, química e história, fez trabalhos voluntários, aprendeu cinco línguas e formou-se em ciências sociais na Universidade de Harvard.
“Eu acho que eu entendi muito cedo a importância das diferenças culturais, em conseguir construir algo ainda maior. Meio que um mais um não é dois é muito mais do que dois. Você consegue realmente enxergar muito além do que só uma cultura te entregaria ou só a outra te entregaria. Então, essa junção de culturas para mim foi muito importante. Me deu essa visão de sempre tentar ir um pouco além do entendimento das coisas”.
Em cada uma das etapas, Mariam foi construindo sua personalidade e amadurecendo além do seu tempo. Trabalhou na Ambev e The Kraft Heinz Company, e se realizou como empreendedora ao criar a Avocado que entregava com agilidade produtos de maternidade, ajudando mães de filhos recém-nascidos, investindo no modelo de dark stores — centros de distribuição que atendem às compras online. Os resultados foram tão positivos que a empresa foi comprada pela Rappi, durante a pandemida, em 2020, onde Mariam assumiu um posto de direção.
Mariam Topeshashvilli, entrevistada do programa Mundo Corporativo, recentemente assumiu o cargo de líder da LTK América Latina, uma plataforma de marketing digital que conecta marcas a influenciadores. E leva para a empresa aquilo que ela própria define como sendo suas características de empreendedora:
“Acho que o principal é questionar. Então, eu gosto muito de questionar as coisas. Eu não necessariamente aceito as respostas, por exemplo, que o meu time dá. Eu sempre gosto de questionar e tentar entender se de fato aquilo está fazendo sentido. E obviamente perseverança. Não aceitar as barreiras que a vida impõe para você. Eu acho que tudo tem um jeito, talvez não seja o jeito que você visualiza mas você consegue chegar lá de outra forma, por outro caminho. Além disso, humildade pra saber que nem sempre você está certa e tentar o máximo possível ouvir as outras pessoas”.
Na LTK, a ideia é potencializar a capacidade de criadores de conteúdo e permitir que cresçam como influenciadores, e oferecer às marcas aqueles que têm maiores possibilidades de conversão de vendas. Escrevi no masculino, mas deveria ter feito no feminino, até porque a maior parte do público que passa pela plataforma da LTK, atualmente, é formada por mulheres. Geralmente meninas que não precisam ter um turbilhão de seguidoras — a partir de quatro a cinco mil seguidores e você já pode ser identificada como uma influenciadora —, porque o importante não é o número de quantos as seguem, mas, sim, de quantos ou quantas elas influenciam.
“Você (para ser influenciadora) precisa da confiança da sua base para converter em vendas”.
Se ficou interessada ou interessado — já que a Mariam disse que homens são bem-vindos na plataforma — a recomendação é que você visite o site da LTK ou faça contato com a empresa pelo Instagram @LTK.brasil . Lembre-se, é preciso também planejar sua presença nas redes sociais, desenvolvendo conteúdo de interesse do público. Não é fácil, não!
A entrevista completa com a Mariam Topeshashvilli, da LTK América Latina, é bem mais inspiradora do que esse texto aqui, por mais que eu me esforce para ser um influenciador do meu jeito (não, não vou aceitar o convite dela para me inscrever na plataforma, porque jornalistas não devem ou não deveriam vender produtos). Por isso, convido você à assistir ao vídeo completo com a Mariam que está publicado em seguida. Tenho certeza que você terá muito a aprender sobre empreendedorismo, marketing digital e liderança feminina:
O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. O ridículo é muitas vezes subjetivo.
Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.
Criamo-lo para vestir com ele quem fere
nosso orgulho, ignorância, esterilidade.
(Pauliceia Desvairada)
Falei com o Engenheiro Goulart e com o Ermelino Matarazzo e disse que ia tomar a Liberdade de ir até a Sé para conseguir alguma Consolação ou até alguma Luz para a Pedreira que é a vida do Paulista.
No Pacaembu, procurei Palmeiras que acabei não achando. Achei, porém, Paineiras, no Morumbi, depois de passar pelo Paraíso sem pedir licença para a Ana Rosa.
Andei também por Itaquera, mas só achei o que queria no Parque da Vitória, pois a dita cuja não estava lá. Falei com muitos santos: São Mateus, Santa Terezinha, São Domingo, Santa Ifigênia, São Lucas. Pedi a eles Socorro para minha Saúde.
Santo Amaro, então, me falou que deveria ir até a Vila dos Remédios para encontrar o que eu queria. Fiquei com fome e fui pescar na Ponte Rasa, lá no Rio Pequeno. Não consegui nada. Fui então rezar na Vila Oratório para conseguir comida — a não ser que eu quisesse alguns Perus, pois as Perdizes estavam muito caras, tanto no Mercadão como no Mercado da Lapa.
Além de fome, senti sede e fiquei em dúvida entre a Água Fria, a Água Funda e a Água Branca. Achei melhor ir para a Água Espraiada, não sem antes fazer um Bom Retiro no Alto da Lapa, de onde se podia ter uma Bela Vista.
Cheguei na Lapa de Baixo e falei Mandaqui um Limão, pois ainda vou passar pela Quarta Parada e pela Quinta da Paineira. Parei na Parada Inglesa e fiquei pensando por que tanta coisa com os ingleses – Chácara Inglesa, Morro dos Ingleses se nós temos apenas Brás e Brasilândia.
Sem dinheiro para o Metrô, fui ao Tatuapé e, enquanto andava, me perguntava por que a gente precisa de um Moinho Velho se há um Brooklin Novo, ou um Parque Popular se há um Real Parque?
É mesmo uma Pauliceia Desvairada, como dizia o Mario de Andrade. Ainda bem que, quando estiver chateado, posso ler uns trechos de Brás, Bexiga e Barra Funda, do Alcântara Machado, pegar o “Trem das Onze” com Adoniran Barbosa, ou tomar um “chopps” na esquina da Ipiranga com São João.
Flávio Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
“Lealdade a marcas só funciona bem quando o consumidor ou cliente continuar se sentindo o centro das decisões”.
Cecília Russo
A Nívea, das mais tradicionais marcas de cremes do mundo, lançou recentemente um programa de fidelidade em parceria com a Droga Raia e Drogasil, as duas redes de farmácia do Grupo DR, aqui no Brasil. É a primeira iniciativa nesse modelo da multinacional alemã em todo o mundo. O Nívea Mais oferece pontos aos consumidores que poderão ser revertidos em descontos na compra da sua linha de produtos. A intenção é levar essa fórmula para outros países, em breve.
A estratégia da Nívea chama atenção para a importância dos programas que buscam manter a fidelidade do consumidor com a marca. Uma iniciativa que, segundo Jaime Troiano, do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, costuma funcionar quando a marca já tem prestígio:
“Cresça e depois apareça. Antes disso, é prematuro. Nívea tem história, chão rodado, já é suficientemente conhecida para dar esse passo”.
Jaime Troiano
Mesmo grande, as marcas precisam ter cuidado ao investirem nesse modelo de relacionamento. Um dos aspectos a serem considerados é a regra de resgate dos pontos que precisa ser simples e acessível a todos. Por isso, cabe o alerta para o risco de a marca oferecer benefícios em nome da lealdade do cliente e entregar uma experiência ruim:
“(O ideal) é ele sentir que é tão bem vindo quando entra no programa como quando resgata seus pontos ou prêmios”.
Cecília Russo
Algo que incomoda demais os clientes desses planos são os pontos que vencem. Talvez seja necessário pensar em um modelo de negócio em que haja a renovação automática ou alertas para que o consumidor troque os pontos que estão para expirar.
“Empresas que sabem usar bem o programa de fidelidade transformam a relação num verdadeiro programa de amizade. E amizade de verdade é sempre regida pelo sentido de reciprocidade”
Jaime Troiano
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” que vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã:
“Não confie em ninguém com mais de trinta anos Não confie em ninguém com mais de trinta cruzeiros O professor tem mais de trinta conselhos Mas ele tem mais de trinta, oh mais de trinta Oh mais de trinta, oh mais de trinta”
Marcos Valle. ‘Com mais de 30’
É assustador! Em uma sociedade cada vez mais longeva a ansiedade por uma ascensão profissional surge cada vez mais cedo. Jovens de 30 anos – sim, ainda são jovens, no meu ponto de vista – se revelaram preocupados por não terem alcançado cargos de gestão e liderança e duvidam que os alcancem após os 35. Esse foi o resultado de uma pesquisa realizada pela Talento Sênior, Vagas.com e Colettivo, em agosto do ano passado, com a participação de 252 profissionais de recursos humanos.
No programa Mundo Corporativo, Cris Sabbag, CDO da Talento Sênior, analisou essa contradição e apresentou soluções para incluir as empresas e seus profissionais no combate ao etarismo — o preconceito com a idade:
“Primeiro as empresas precisam olhar a sua fotografia e entender onde estão e onde querem chegar. E importante: não vai fazer isso porque é boazinha! Nenhuma empresa faz isso! Pode parar! A empresa faz porque tem consciência. E aí quando tem consciência, vai atrelar essa política esse programa com as estratégias dela”.
Empresas que não se dedicam a combater o etarismo tendem a desperdiçar talento e conhecimento. Profissionais mais experientes que detém informações estratégicas do setor em que atuam ao serem dispensados levam sua experiência embora e os jovens que permanecem perdem o acesso àquele conhecimento.
“Se a informação está na cabeça de uma pessoa e essa pessoa foi desligada porque simplesmente fez 50 anos, ela está levando um monte de coisas que o profissional jovem não vai ter onde achar”
Além do etarismo institucional —- aquele que parte da própria empresa —, esse tipo de preconceito também ocorre entre os colegas de trabalho e de forma autodirigida, ou seja, a própria pessoa começa a se ver incapaz de novas conquistas e têm medo de chegar aos 40 anos.
“O etarismo vai acontecendo no dia a dia do mundo corporativo. Começa a acontecer quando a empresa passa a classificar o seu colaborador pela idade e o cerceando de determinadas ações, por exemplo, de capacitação”.
Expressões como “ele é um dinossauro”, “isso não dá mais pra ele” ou “pra ele é difícil aprender coisas novas” são ouvidas com frequência no ambiente de trabalho e contaminam as relações e a confiança dos profissionais mais maduros. Cris comenta que de tanto serem repetidas a própria pessoa passa a aceitar essa situação e cria limites para o seu desenvolvimento.
A Talento Sênior se dedica a incluir os profissionais 45+ em empresas dos mais diversos portes e tem como meta impulsionar o mercado usando novos modelos de contratação. A pedido do Mundo Corporativo, Cris Sabbag elencou sete atitudes que as empresas esperam dos ‘talentos seniores”:
Entender o mundo fora das grandes corporações: o mercado aponta novas oportunidades para profissionais maduros fora das grandes corporações. Para entendê-las é preciso se atualizar sobre novas práticas e tendências do mercado em geral. Cursos que trazem temas atuais, acompanhar estudiosos futuristas, novas tecnologias, metodologias, novos processos e profissões são indicados. Manter-se atualizado é um ‘passaporte carimbado’ para conquistar novas experiências de trabalho
Saber trabalhar com dados: sabemos que hoje em dia os dados são valores estratégicos para as empresas. Entender e saber interpretá-los é um diferencial importante e bem avaliado pelas empresas;
Identificar suas soft skills: tão importante quanto saber quais são as habilidades comportamentais que incluem pensamento crítico, comunicação, letramento digital, multitarefas, alteridade, dinamismo, intraempreendorismo entre outras, o profissional sênior deve identificar quais são as suas principais soft skills e ainda buscar constantemente se desenvolver em cada uma delas.
Usar seu conhecimento tácito: reconhecer o próprio capital humano (habilidades, experiências e conhecimentos) e quão bem você consegue alavancar esses seus atributos. Mesmo sendo esse tipo de conhecimento mais difícil de ser formalizado e transmitido às outras pessoas, ainda assim é importante não só saber aplicá-los no dia a dia, mas como criar os nexos entre os desafios, pois dele podem surgir futuras inovações;
Aceitar a nova ordem das coisas: é preciso estar atualizado sobre as transformações sociais para conseguir trabalhar com outras gerações. Mudar o ultrapassado conceito de “competição” para o de “construção” e “colaboração”. Um bom exercício é ler livros que nunca imaginou ler ou assistir a programas diferentes daqueles que está acostumado. “Mudar de canal” é importante para entender as transformações do mundo.
Participar de processos seletivos cada vez mais digitais: a tecnologia pode e deve ser usada para expandir possibilidades e crescimento. O fato de um processo seletivo ser digital não deveria tornar nenhum candidato invisível. Caso isso aconteça, significa que a marca ou a empresa desenvolveu códigos enviesados e precisa reescrevê-los. É preciso usar as ferramentas a seu favor e saber se posicionar. Não descuide de seus perfis nas redes sociais e faça deles uma vitrine do seu conhecimento.
Conhecer novos modelos de contrato e rotina de trabalho independente: é preciso entender sobre os direitos e deveres nos novos modelos de trabalho. Flexibilidade, trabalho híbrido, home office, autonomia, são todas possibilidades reais de ganhos para além da CLT. Se bem planejado, os novos modelos já aprovados em lei, podem ser ótimas opções para o profissional e a marca empregadora.
Em relação a tecnologias que são usadas com maior frequência pelas empresas e precisam ser dominadas pelos profissionais, a Talento Sênior listou ao menos 12 delas. É bem provável que existam outras surgindo a todo o momento e não há desculpa para desconhecê-las, pois geralmente essas informações estão disponíveis a uma simples busca no Google ou no Bing:
“Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço A Bahia já me deu, graças a Deus, régua e compasso”
Gilberto Gil
Antes de dar início a esse texto, pense e responda a si mesmo: que lição você aprendeu com os seus pais que aplica hoje na sua vida profissional? Foi esse exercício que os meus dois colegas de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso fizeram. As respostas foram incríveis. Do bolo feito pela mãe às planilhas de papel do pai, Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram uma série de aprendizados que atualmente são aplicados na gestão das marcas. E não apenas delas.
Começa pelo formão que se destacava aos olhos de uma criança curiosa em meio as ferramentas bem organizadas na oficina de casa, mantida pelo pai do Jaime. Tão útil quanto perigoso, especialmente se for manuseado de maneira incorreta:
“Assim, como formão machuca a madeira se não for bem usado, algumas ferramentas de comunicação podem fazer o mesmo. Exemplo, e é algo que me entristece, usar crianças em filmes de algumas marcas de carro, para comover os pais”.
Empatia foi uma das lições que a Cecília aprendeu com a mãe Anna Machado Russo e a avó Maria Isabel Salgado Machado. Lição essencial seja para a gestão de marcas seja para a psicologia, outra atividade exercida pela nossa comentarista. No branding, por exemplo, empatia é aquilo que faz você calçar os sapatos dos outros, daqueles que são os potenciais consumidores da marca. E assim ver o mundo, os desejos, os sonhos dessas pessoas a partir deles próprios.
“Num ambiente como o mundo atual, cada vez mais narcisista, a empatia é essencial para entender o papel que sua marca tem na vida dos outros”.
O palito sendo usado pela mãe para furar o bolo é imagem que Jaime jamais esqueceu. Quando criança imaginava ser um daqueles costumes que se tem sem que se saiba exatamente a razão. Curioso — lembra do olhar dele para o formão na oficina do pai? —, Jaime um dia perguntou à mãe o motivo daquele hábito: “se o palito sai seco é porque está na hora de desligar o forno”, disse a dona Julieta Curcio Troiano. Ou seja, se tirar do forno antes da hora, a massa fica embatumada:
“Vocês já devem ter visto por aí marcas embatumadas. Algumas que, como fruto da precipitação, digital em especial, atropelam as coisas. Pra mim, o próprio costume das versões beta é um palito que ainda não está seco”.
As planilhas de papel quadriculado sobre a mesa do pai Rubens Russo, que era engenheiro, influenciaram na forma planejada e organizada com que Cecília trabalha os projetos de branding.
“Branding é tudo, menos poesia. O sentido de organização com começo, meio e fim são essenciais. É como por porco do lado de cá pra sair linguiça do lado de lado”.
Da mesma forma que nossos pais nos influenciaram e deixaram sua lições a partir de hábitos do cotidiano, sempre bom lembrar que você também é referência para aqueles que vivem no seu entorno. Se não aos filhos, provavelmente aos colegas mais jovens. Já pensou, o que eles estão aprendendo com você?
Moro na Serra da Cantareira, Vila Rosa. E tenho várias experiências deste lugar maravilhoso que é a cidade de São Paulo. A Cantareira já me permitiu ter contato com diversas espécies de pássaros, macacos e gambás.
Sou adestrador de animais pela Federação Brasileira de Animais – FBAA, tenho dois cães e duas gatas. Uma vez, no muro de minha casa, peguei uma coruja enorme que estava assustada com a implantação do Rodoanel. Para que fosse preservada, a encaminhei para o centro de reabilitação.
Fico triste de ver grandes chácaras virarem condomínios. Assim como me incomoda, saber que as pessoas vivem com tanta pressa que, às vezes, não se dão conta que tem perto delas belezas naturais como cachoeiras, uma mata robusta, pássaros, insetos e animais dos mais interessantes.
Quando na caminhada com meus cães, descubro algo novo a cada dia. Receitaria, se psicólogo fosse, uma belo passeio pelas ruas do seu bairro aliviando o estresse — seja nas Palmas do Tremembé, na Vila Maria, na Vila Marieta, na Vila Arnoni ou na Vila Rosa, que são um pedaço do imenso território que é a cidade de São Paulo.
Cidade que assim descrevo em um texto que ganha a forma de um acróstico:
Sentimento que se confunde com muito amor e carinho;
Alimenta corações e cria relações de grande valia;
Olha por todos e cuida de tudo como se fossem filhos;
Perdoa com facilidade maus tratos que fazem com ela, e retribui com delicadeza;
Adormece e acorda em movimento tão frenético que as pessoas se tornam assim;
Unifica povos, recebe diferentes etnias, tribos, sempre de braços abertos;
Logo se torna um grande palco de expectativas e conquistas profissionais;
Obrigado por existir! Isso é o mínimo que podemos falar desta grande metrópole
“Eu costumo dizer que o networking é uma maratona não é uma corrida de 100 metros”
Mara Leme Martins, BNI Brasil
Há muito tempo que a construção de relacionamentos profissionais e de negócios vão além da troca de cartões de visita. Não que essa prática tenha sido deixada de lado, haja vista o surgimento de novos modelos de cartões que surgiram no mercado permitindo que troca de contatos possa ser feita por meios eletrônicos, com o uso de QR code, por exemplo. O fato é que ainda existem pessoas que resumem sua estratégia de networking a esse hábito que provavelmente foi criado pelos chineses no século XV — eles desenvolveram cartões telefônicos e entregavam às pessoas que tinham a intenção de visitar.
Diante da complexidade dos relacionamentos e da diversidade de contatos que se tem à disposição, ficou evidente que a prática de networking precisa ser planejada e repensada, a começar por se afastar a ideia de que o negócio é só fechar negócio — com o perdão do jogo de palavras. No Mundo Corporativo, da CBN, Mara Leme Martins, vice-presidente do BNI Brasil — Business Networking International mostra a executivos que a missão que têm é muito maior:
“Acho que um grande erro é focar só na parte do business, na parte de negócios; ou seja, fez um negócio: “próximo, por favor, próximo, porque eu preciso vender mais, enfim, eu tenho metas”. Isso é pobre para o ser humano, isso não satisfaz”.
O BNI se dedica a criar oportunidade para que empresários façam networking, compartilhem contatos e referências de negócios, a partir de encontros presenciais e implantação de metodologia própria. Além disso, oferece cursos e treinamentos com o objetivo de ajudar a desenvolver habilidades relacionais e confiança. Essa, aliás, é palavra-chave, segundo Mara:
“Sobre relacionamento, eu poderia falar várias coisas, mas eu vou pontuar na confiança. Os relacionamentos se formam de maneira ocasional, os relacionamentos de trabalho, etc, mas ele se firmam na questão da confiança”.
Para que a confiança surja, a recomendação é que não se entre diretamente no modo de vendas, pulando etapas importantes como a da criação de visibilidade e credibilidade. É preciso considerar ainda o que Mara chama de “efeito borboleta”: a possibilidade de um contato —- sem interesse comercial — levar a outros que podem se transformar no fim das contas em um grande negócio. Ter consciência de que a velocidade com que as coisas acontecem atualmente não pode ser justificativa para a criação de relações fugazes também é importante:
“Nós somos agricultores, não somos caçadores. A confiança, traçando um paralelo, se faz através de uma agricultura … o agricultor vai cultivando, vai cuidando da terra. Tem o tempo de espera”.
De acordo com vice-presidente do BNI Brasil, jamais devemos perder a perspectiva de que, a despeito de os empresário representarem empresas, a negociação é entre pessoas:
“Os princípios do ser humano — lealdade, afetividade, solidariedade — é isso que, daqui a algum tempo, vai sobrar”
Para entender as estratégias que podem ser usadas para a construção de relacionamentos confiáveis, assista à entrevista completa de Mara Leme Martins, no programa Mundo Corporativo, da CBN.
O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.
Foram aproximadamente dois meses. No início, percebi que o Otávio (nosso cachorro) sempre espantava um pássaro que rondava a casa. Até que um dia vi gravetos jogados embaixo de uma das árvores, uma espécie de cerejeira que existe no nosso quintal. Notei que se tratava de um ninho. Peguei os gravetos, juntei no gramado e observei. Após algumas horas, vi um movimento. Era um pássaro grande, um pouco maior que um pombo. Que descia da árvore e pegava, pacientemente, um a um dos gravetos. Um ritual para Judite que se preparava para a maternidade.
Ops, desculpa, preciso apresentá-la: Judite é o nome que minha filha Bárbara batizou o pássaro que iniciava o ninho em casa.
Passados alguns dias, notamos que Judite não saía mais do ninho. Passava todo o tempo quietinha só observando o movimento. Teve uma tarde chuvosa em que em meio a tempestade, trovões e vento —- que sacudia as árvores —, ela se manteve firme em seu propósito. Ao ver os pingos d’água escorrendo sobre suas pernas tive uma enorme vontade de ajudá-la, mas entendo que a natureza tem suas soluções e precisa ser respeitada.
Da janela do andar superior tínhamos uma visão completa do ninho e sempre que a abríamos, Judite se virava para nos olhar fixamente como se estivesse nos alertando: “Eu sei que estão aí!”
Num outro dia, Bárbara me avisou que havia uma movimentação estranha no ninho. Olhando em volta da árvore notei alguns pedaços de cascas de ovo caídos no gramado.
Sim! Havia nascido William, assim batizado por Bárbara. William, filho de Judite e Kleber, que só conhecemos depois. O pai era muito parecido com a mãe , era um pouco menor e tinha as mesmas cores. Os dois se revezavam. Um cuidava do filhote enquanto o outro procurava alimento. A qualquer movimento estranho, os dois se apressavam em esconder William.
Bárbara que costumava ler à sombra da árvore, ficou surpresa ao notar que Wiliam, acompanhado de seus pais, arriscava alguns pulinhos de um galho para outro. No dia seguinte, houve uma revoada de andorinhas na árvore da casa ao lado da nossa. Comentamos que parecia ser uma festa da natureza, talvez pela mudança de estação, estávamos nos aproximando do fim do verão e no outono a cerejeira perde todas sua folhas dando lugar às delicadas flores de tom rosado.
No dia seguinte, mudamos de ideia. Concluímos que aquele balé das andorinhas era para festejar mais um espetáculo da natureza que estava por vir. Abri a janela, cumprimentei Judite com um olhar, e fui me exercitar. Quando terminei, voltei e pra minha surpresa o ninho estava vazio. Procurei pelos galhos da árvore no quintal e nada. Enfim, Wiliam voou.
Temos duas árvores em nosso quintal e já vimos algumas famílias de pássaros se formarem por ali mas nunca nos apegamos tanto a eles; e confesso que ao ver aquele ninho vazio, senti um aperto no peito, um misto de saudade e felicidade por terem tido sucesso.
Alguns povos acreditam que os espíritos nunca morrem, apenas trocam de plano ou seja, para que algum espírito venha a nascer para este mundo um outro precisa partir para outro. Nos meus devaneios me veio à cabeça uma ideia: será que o Sr. Macedo — meu sogro, falecido dias antes — se mandou para que Wiliam ganhasse um lugar neste mundo?
Não sei de nada! Só sei que Kleber e Judite cumpriram sua missão e agora Wiliam ganhou os céus para voar livremente como tem que ser com todos os seres.
Antonio M. Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade; escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
A noite na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, no lançamento de Escute, expresse e fale (Rocco)ganhou um significado que não cabe apenas na lombada do livro. A fila que se formava, os abraços que se repetiam, as conversas rápidas que sempre parecem ficar pela metade — tudo isso dizia algo simples e profundo: ninguém celebra nada sozinho.
Ao lado dos colegas da CBN
A cena me levou a lembrar de uma frase que escutei certa vez no estúdio da rádio, dita por um ouvinte que atravessou a vida colecionando histórias e amizades: “A gente se encontra para confirmar que existe”. Naquela noite, cada rosto presente fez exatamente isso. Amigos de longa data, colegas de trabalho que acompanham a sua jornada diária e ouvintes que, mesmo sem conviverem fisicamente, carregam uma intimidade construída pela voz que chega ao amanhecer — todos estavam ali, tecendo, sem perceber, o verdadeiro sentido de se comunicar.
Sacavem, eu, Leny e Thomas
Tenho certeza de que a experiência também foi vivenciada pelos meus colegas (e amigos) de jornada literária: Leny Kyrillos, Thomas Brieu e Antonio Sacavem, com quem convivemos intensamente nos últimos anos, desde que iniciamos as discussões para escrevermos juntos Escute, expresse e fale.
Entre os amigos, José Farina, do Colégio Dante Alighieri
A crônica daquela noite não fala só de um livro apoiado sobre a mesa. Fala da força que nasce quando pessoas que fazem parte da nossa trajetória se dispõem a estar por perto, celebrando o que construímos com esforço e alguma teimosia. Fala da alegria silenciosa que surge ao ver alguém que você não esperava, mas que faz questão de aparecer. Fala do privilégio de perceber que a vida é generosa quando nos permite caminhar acompanhados.
Meu companheiro de muitas lutas: Walter Fanganiello Maierovitch
No fim, Escute, expresse e fale não é apenas um título. É também a prática de quem reconhece que amizades se sustentam assim: ouvindo com atenção, dizendo com honestidade, oferecendo palavras que acolhem e gestos que aproximam. A noite do lançamento terminou como terminam os bons encontros: com a sensação de que, antes de qualquer livro, o que realmente vale é o capítulo que os amigos escrevem na gente.