Faz exatamente 72 anos que moramos na mesma casa no Pacaembu. Minha avó recomendou, quando mudamos do Parque Dom Pedro, para tomarmos cuidado com os indígenas e cobras, nas ruas recém-abertas do condomínio da Companhia City, no entorno do estádio do Pacaembu, também recém-inaugurado.
Plantamos pinheiros e árvores frutíferas em nosso jardim que dá a volta em toda casa, três frondosas jabuticabeiras, pitangas, goiabeiras e diversas outras espécies com frutos em seus galhos.
Desde então, convivemos com pássaros, principalmente os sabiás que nos alegram com seus cantos contínuos, as maritacas barulhentas que comem todas nossas jabuticabas, os pombos, os gaviões, as corujas, os gatose os ratos — até duas araras fugidas do Parque da Água Branca, que não fica muito distante.
Hoje, os sabiás se deleitam com uma grande bacia de água, onde passam o dia tomando banho sob o comando do sabiá pai — depois dele surge a família toda, mamãe sabia e os filhotes. O Bem-Te-Vi tem que esperar sua vez. Temos também beija-flores. Todos os dias, eles distraem minha mãe de 99 anos que fica controlando esse desfile de pássaros no seu terraço envidraçado no meio do verde.
O Pacaembu ainda preserva nossa fauna natural no meio de tantas árvores que resistiram em um bairro bem próximo do centro da cidade. É São Paulo com ares de interior em plena capital.
Claudete Brochmann é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
Estávamos no início dos anos 80 —- se a memória não me faltar era 1981. Eu, aluna da Escola Estadual Oswaldo Aranha, na Avenida Portugal, no Brooklin Novo. Nós os alunos fomos surpreendidos com a notícia de que o terreno arborizado que ficava na lateral do prédio do colégio, no quadrilátero rua Pensilvânia, avenidas Portugal, Padre Antonio José dos Santos e Santo Amaro, teria suas árvores derrubadas para a construção de prédios.
O pessoal do centro acadêmico iniciou uma mobilização e convocou os estudantes para uma passeata e um abraço ao terreno. No dia marcado, os alunos de todos os períodos, professores e funcionários com cartazes e imbuídos do espírito de preservação daquela área arborizada saíram em caminhada entoando palavras de ordem pela preservação da área.
Alguns colegas subiram nas árvores e ao fim abraçamos o terreno — e olha que o quadrilátero é enorme!!!
A mobilização foi um sucesso. À época, o pessoal do centro acadêmico entrou em contato com a turma do jornal Gazeta de Santo Amaro para cobrir o evento. Foram enviados um jornalista e um fotógrafo e fizeram uma reportagem que chamou a atenção dos moradores, levando a um movimento de preservação incrível. A construção dos prédios foi desautorizada pela prefeitura de São Paulo — ordem mantida até 2004.
Naquele ano, uma construtora comprou o terreno para iniciar um empreendimento. Começou nova mobilização dos moradores que conseguiram reduzir os danos ambientais. Graças aos protestos ficou registrado em matrícula que dos 18 mil metros quadrados de Mata Atlântica ao menos 7 mil e seiscentos teriam de ser preservados e abertos para uso público.
Foi assim que nasceu o Bosque do Brooklin, um dos poucos espaços de Mata Atlântica mantidos na região do Brooklin Novo. Quando passo pelo local e me recordo desse momento na juventude, sinto uma enorme emoção, pois foi fundamental para construir na minha personalidade a consciência da preservação ambiental e do exercício da cidadania. Aquele bosque me traz a confiança de que temos de nos engajar na defesa do meio ambiente e fazermos a diferença para a construção de um mundo melhor. De uma cidade melhor.
Eliana Lucania é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
“A vida só pode ser compreendida olhando para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente”
Søren Aabye Kierkegaard
Fechar seu perfil no Instagram para reduzir o impacto que as redes sociais geram sobre o seu cliente pode parecer loucura nesses tempos em que todos queremos estar bem posicionados nessas plataformas e em busca de, cada vez mais, seguidores. Foi essa, porém, a atitude da marca indiana de alimentos The Whole Truth Foods (TWT) que anunciou uma pausa na sua conta por entender que a profusão de mensagens estaria causando exaustão às pessoas e isso não atenderia aos propósitos da empresa.
A “hiperfadiga” provocada pelo turbilhão de informações que recebemos e pelas incertezas do cotidiano é uma das tendências da sociedade, em 2023, identificadas pela consultoria internacional Mintel, em relatório anual divulgado recentemente. Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, alertam para a necessidade de as marcas se atentarem a esses movimentos e refletirem como devem se ajustar as demandas do público.
“É importante olhar para trás, no caso das marcas, mas também saber o que vem pela frente, para nos inspirar”
Jaime Troiano
No relatório da Mintel são apresentadas cinco tendências (e não seis como falamos no comentário):
Mentalidade Eu — essa tendência aponta para o olhar das pessoas voltando-se para si e querendo que marcas os ajudem nesse olhar mais autocentrado.
Poder para as pessoas — seguindo a tendência anterior, as pessoas querem ter mais poder de fala nos negócios, por isso sugere-se que as marcas dêem espaço para um novo C em seu C-Suite, tradicionalmente integrado pelo CEO, CFO e o CTO, cargos de alto nível dentro da empresa. É preciso criar o C do consumidor permitindo que este passa a fazer parte do centro criativo e de inovação.
“Para as marcas isso significa trazer condições para que as pessoas se expressem, criem soluções customizadas, ganhem mais voz”
Cecília Russo
Hiperfadiga — o excesso de informação; as incertezas política, socioambiental e econômica; a necessidade de estar por dentro de tudo que acontece em todos os cantos causam essa exaustão. Para a maior parte marcas cair fora das redes sociais pode não ser uma boa estratégia, mas há outras ações a serem adotadas para acolher o consumidor.
Um café no bairro de Arimatsu de Nagoya, no centro do Japão, fez esse momento em direção às necessidades do seu público e oferece espaço privado para os consumidores meditarem enquanto desfrutam de chás e doces em um ambiente tranquilo e escuro.
Localismo — faz alusão a dar valor aos produtores, comerciantes e empreendedores locais, não apenas como forma de protegê-los, mas também para reduzir impactos ambientais.
“Isso abre uma enorme oportunidade para marcas locais estreitarem seus laços com sua comunidade, valorizando e trazendo esse orgulho local. Por exemplo, um frigorífico que oferece carnes com QR Code para rastreabilidade de origem, comprovando essa proximidade”.
Jaime Troiano
Gastos inteligentes — em um cenário econômico difícil, os consumidores querem tornar inteligente as escolhas financeiras, sem sacrificar sua qualidade de vida. Isso vai além de pensar em um ‘orçamento amigável’, passa por considerar a flexibilidade do produto, a durabilidade e a sustentabilidade.
Em tempo: antes que você decida apagar de vez seu perfil no Insta ou qualquer outra rede social, a TWT já está de volta. Foi apenas um “break” e não um “instagramicídio”.
Eram três de janeiro de 1973, dez horas da manhã, quando desembarcamos, de mala e cuia, de um dos vagões do trem que havia partido de Assis, na noite anterior. Eu e meu amigo Zé Rosseto descemos na plataforma da estação Júlio Prestes.
Nosso canto já estava arrumado. O último cômodo, escada abaixo, seguindo o corredor onde havia os quartos de aluguel: era um porão de mais ou menos dez metros quadrados bem abaixo do nível da rua, com uma janelinha, lá no alto do Ipiranga. O banheiro, coletivo, era do lado de fora. Emprego eu já tinha. Um escritório de contabilidade na Avenida Santo amaro, pertinho do Borba Gato. Tomava o 975 e descia em frente.
Alguns dias depois ainda chegariam o José Yuao e o Hideru Tadashi. Todos nós recém-saídos do 3° colegial. O nosso sonho era estudar na Fatec – Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Contudo, os planos não iriam se concretizar. Zé Rosseto logo nos primeiros dias foi acometido por uma intensa dor de cabeça, que já o tinha importunado meses antes. Aquela dor o levaria a ser internado no hospital Ipiranga. Dali, no dia seguinte, seria levado para um hospital na cidade de Jaú e, meses depois, em junho, voltaria a São Paulo, agora para o Hospital das Clinicas, para nos deixar definitivamente aos 18 anos por conta de um câncer no cérebro.
Alterando ainda os planos, no meio do mesmo ano, lá se foram o Yuao e o Hideru. Foram trabalhar em Osasco, na Cidade de Deus, onde vários colegas assisenses já estavam empregados. Em agosto, foi minha vez de sair para ir morar com minha irmã e meu cunhado na Vila Morais, na Cursino, em um quartinho dos fundos da casa que compraram. O sonho da Fatec acabou no insucesso do vestibular. Tempos depois entraria numa faculdade particular, no curso de Administração de Empresas.
Fui atravessando invernos, não sem, logo no primeiro, meu irmão me levar até a José Paulino para comprar um sobretudo: “o frio aqui é de rachar. Além da garoa”, disse ele. Nessa trajetória, vi o calor e o desespero no incêndio do Andraus. A novidade da linha do metrô seguindo em frente e perturbando o trânsito na Domingos de Morais. Comprei na Pitter, comprei no Mappin e na G. Aronson. Passeei na rua Direita, fui ao Playcenter e namorei no Auto Cine Chaparral.
Senti a rejeição de uma vaga de emprego por causa da minha cor; e em outro, ser rejeitado por ter curso superior: “ele não”, me falou assim, na cara dura, o senhor com seus quase 60 anos. “Já estou demitindo o outro por causa disso!”.
Vi a cidade se transformar. Não há mais inverno na hora certa. São Paulo não é mais a terra da garoa. Dorme-se com cobertor no Natal. Vi a cidade mudar. A praça Clovis não tem mais lojas de sapato. Aliás, a praça sumiu. Não consigo mais ir a Santo Amaro sem o Waze. Mas “o mundo foi rodando, e já que um dia montei”, fiquei!
Poderia ter feito a mala e ter voltado. Dona Luzia, “seo” Juquinha e o Joli – meu cachorrinho – estariam a minha espera naquela mesma casa de madeira, de varanda azul, e quintal de muitas roseiras e margaridas brancas. Mas, não! Bati o pé e fiquei. Comprei casa; construi família e amigos. “Professorei”. Ensinei e aprendi. Fiz um futuro de presentes! Às vezes com resmungos de saudosismo. Mas, fazer o quê? Ninguém é de ferro. E cinquenta anos não são cinquenta dias.
O tempo passou e continuo aqui pra comemorar, também, mais um aniversário desta cidade que adotei, e que não tenho coragem de abandonar. “Paulistanei”!
Mauro Alves dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar da série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
“O envolvimento com consumidores se cria com bons produtos, atrelado a uma comunicação que tem sustentação na prática. Discursos vazios, nunca mais!”
Jaime Troiano
A gestão de marcas foi fortemente influenciada pela retomada das atividades e a redução dos casos de Covid, no Brasil. Entre os cinco principais destaques do setor, ao menos três têm ligação direta ou indireta com o tema. Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram um balanço das ações desenvolvidas pelas marcas, em 2022, muitas das quais se transformando em tendência para os próximos anos. É o caso da presença das marcas nos grandes eventos presenciais, tais como a CCXP, em São Paulo, o Rock In Rio, no Rio de Janeiro, ou a Copa do Mundo, no Catar.
“Estar lado a lado dos consumidores, num lugar onde eles estão curtindo o momento e trazendo presenças pertinentes a esse momento foi uma modalidade de Branding que parece ter vindo para ficar e esses 3 eventos em particular deixaram isso claro”
Jaime Troiano
Outro destaque que teve influência da pandemia foi a descoberta de que, em geral, as marcas dependem tanto do fisico quanto do digital. Mesmo marcas nativas digitais entenderam a importância de criarem pontos presenciais de contato com os seus consumidores. Um dos exemplos é a Petlove que se apresenta como a maior plataforma digital de produtos para animais de estimação e, ano passado, iniciou operação física para facilitar sua distribuição e agilizar a entrega.
O terceiro destaque, apontado por Jaime e Cecília, foi a presença das marcas em apoio a causas dos mais diversos temas para gerar engajamento. A ideia é oferecer ao público mais do que apenas uma uma boa entrega de produtos ou serviços. Muitas empresas, por exemplo, aderiram a campanhas em favor da saúde mental ao perceberem a necessidade das pessoas, de seus profissionais e da sociedade em buscar equilíbrio diante das incertezas provocadas pela pandemia.
O foco na diversidade também marcou o ano que se foi. Ainda bem! As marcas perceberam o interesse da opinião pública no tema e a necessidade de entenderem melhor os diversos grupos que compõem a sociedade. Ao promoverem a inclusão, seja em suas campanhas publicitárias seja na contratação de profissionais, outro benefício é a maior criatividade nas soluções oferecidas ao mercado. Mas, é preciso cuidado:
“Sempre insisto que ainda há marcas falando mais do que fazendo de fato e isso é um grande desrespeito à sociedade. Precisamos sempre cobrar consistência”
Cecília Russo
Outro tema que passou a integrar a estratégia das marcas foi o da sustentabilidade. Definitivamente colocar essa pauta em suas comunicação e, mais do que isso, nas suas práticas. Aqui também cabe o alerta que foi feito agora há pouco: é preciso comprometimento com o meio ambiente em palavras e ações sob o risco de suas práticas serem identificadas como green washing.
Dar sequência a essas ações é o desafio das marcas para 2023. Mas sobre as tendências do ano que se inicia, vamos conversar com você na próxima semana.
Ouça o comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo, que citam alguns projetos para ilustrar os cinco destaques do ano passado:
Nasci no extremo da zona leste, em Cidade Tiradentes, último bairro de São Paulo. A minha infância, mesmo que muito humilde, foi cheia de alegria e carinho. Eu e meus amigos adorávamos jogar bola na quadra da escola municipal Aureliano Leite. Por vezes, tínhamos que correr para casa, pois os constantes tiros e confusões nos deixavam assustados.
Com muito esforço e dedicação, terminei o ensino médio e ingressei na faculdade, época que me fez sair do bairro em função da distância, pois eram cinco horas de trajeto casa-escola.
Nessa época, meu vizinho de porta, que não vejo há 15 anos, me dava carona até o metrô para diminuir o sofrimento do transporte público. Eram pessoas humildes, mas com coração enorme. Gostaria muito de reencontrá-las.
A saída do bairro foi conturbada, pois sem experiência quase caímos num golpe que nos deixaria completamente sem o pouco dinheiro que tínhamos ao vender nossa casa.
Graças a Deus deu tudo certo, fomos morar em Arthur Alvim, próximo ao metrô, onde conhecemos excelentes pessoas e por onde passamos oito anos, antes de mudar para a Mooca.
Me formei na PUC de São Paulo o que me abriu as portas para o mundo: fui fazer intercâmbio no Canadá, estudei nos Estados Unidos, morei em Zurique e ao retornar ao Brasil terminei o MBA em finanças, no IBMEC.
Hoje, moro na Saúde devido ao trabalho, mas sinto uma enorme saudade dos meus amigos de infância, principalmente dos momentos em que dividíamos um salgadinho com refrigerante entre dez e quinze meninos. Éramos felizes e tínhamos sonhos, muitos realizados com estudo e força de vontade.
André Morais é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar da série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo
“Menos é mais e isso vale também aqui para marcas”
Cecília Russo
Qual a nossa capacidade de observação e retenção das informações que recebemos ao longo dia? Partindo desta dúvida, a Millward Brown, dedicada a fazer pesquisas de mercado, expôs um grupo de pessoas diante de quatro cenários. Em um deles, havia um comercial com apenas uma mensagem, em seguida outro com duas, três e quatro mensagens. O resultado não surpreendeu, mas serviu para certificar o que muitos profissionais de branding têm defendido há algum tempo: ser simples gera melhores resultados.
De acordo com a pesquisa, o público que foi exposto ao comercial com quatro mensagens reteve de 24% a 42% das informações transmitidas. Em contrapartida, o potencial de retenção daqueles que estiveram à frente do comercial com apenas uma mensagem chegou a quase 100%.
Com base nesse trabalho, Jaime Troiano e Cecília Russo, alertam para o risco de as empresas cairem na tentação de criarem peças publicitárias ou material de divulgação com mensagens técnicas, detalhadas e minuciosas sob a justificativa de deixarem seu cliente bem informado. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, nossos especialistas em branding lembraram que quanto mais congestionado for o mercado, mais meios e mensagens tivermos à disposição, mais precisamos ser concisos em nossas mensagens:
“Ninguém consegue apreender várias mensagens de uma marca”.
Cecília Russo
Para comunicar de forma mais eficiente é preciso fazer um exercício de depuração das mensagens, identificando aquela que seja a mais importante, contendo a ambição de querer falar tudo. É a mensagem-chave que precisará ser comunicada, e para fazer essa escolha é importante entender muito os dois lados:
“Saber tudo de seu produto para saber o onde colocar o holofote e conhecer profundamente seu consumidor, para que a mensagem tenha relevância para ele”.
Jaime Troiano
O que os números não mostram, mas é importante para que essa mensagem-chave seja realmente absorvida pelo público-alvo é a forma de transmitir a informação. Ter um bom storytelling é uma maneira interessante de dar vida a mensagem única que se quer comunicar.
Na nossa conversa, Jaime lembrou de um diálogo do filme “Amigos, sempre amigos”, de 1991, quando o personagem representado por Bruno Kirby pergunta a um companheiro:
— Sabe o que uma vida simples significa?
— Não?
Do alto de seu cavalo, Kirby mostra com o dedo:
— One thing (uma coisa)!
— E como saber qual é a uma coisa?
— Você tem de descobrir!
Com marcas é exatamente isso, uma mensagem relevante e você é que tem de descobrir qual é essa mensagem.
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que foi ao ar no último fim de semana do ano:
O Arsenal da Esperança acolhe pessoas em situação de rua, em área que no passado recebia os imigrantes — especialmente italianos, que chegam da Europa em busca de uma nova vida — na Mooca, zona leste de São Paulo. Todo ano, sob o comando do Padre Simoni, os acolhidos são convidados a participar de um concurso literário. Neste ano de 2022, o vencedor foi André Luiz Maciel de Barros. Convidado, tive o privilégio de interpretar o texto vencedor.
Aproveite para conhecer e colaborar com o projeto do Arsenal da Esperança:
Chegamos da França, em 1952, e fomos morar na região da avenida Paulista, vizinho da mansão Matarazzo, hoje Shopping Center Cidade de São Paulo. E em frente a um convento de carmelitas com seu parque maravilhoso, cujo o pecado delas foi ceder o terreno para serem construídos dez prédios além do Maksoud Hotel.
Naquela época só famílias abastadas e produtores de café residiam em casas. Meu prédio, concentrava muitos estrangeiros pois morar em prédio nos jardins, era fora de propósito para a sociedade paulistana.
Aos sábados, eu passeava na Paulista com os meus pais, frequentemente nos deslocando de bonde até a esquina da rua Augusta para saborear ótimos lanches e sorvete no Conjunto Nacional, na confeitaria Vienense.
Saudades daquela época onde brincar de carinho de rolimã era o costume.
Gérard Scerb é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Fique atento porque já estamos nos programando para mais uma série especial do Conte Sua História: escreva agora o seu texto, envie para contesuahistoria@cbn.com.br e vamos comemorar os 469 anos da cidade. Para conhecer outros capítulos, visite meu blog miltonjung.com.br ou o nosso podcast.
Pelé no estádio Olímpico Foto publicada pelo perfil @Gremio no Instagram
A morte de Edson Arantes do Nascimento, aos 82 anos, nos traz à memória as incríveis histórias protagonizadas pelo Rei do Futebol. Todos lembramos dos grandes feitos do maior jogador do planeta terra — os recordes, os títulos, os dribles, o gol perdido, o gol 1.000, a guerra que parou ou os países e autoridades que o enalteceram. Cada um de nós, seus súditos, sem medo do sacrilégio cometido, também procuramos referências que nos aproximem dele: o jogo que assisti ao vivo, o dia em que o vi no Maracanã, a transmissão que ouvi no radinho portátil, a imagem que eternizei armazenando-a no arquivo do computador ou a réplica da camisa 10. Sim, somos tentados a produzir uma espécie de “eubituário”, em que nos colocamos ao lado da morto ilustre.
Nessa linha, poderia contar aqui o dia em que assisti a Pelé jogar no estádio Olímpico, em Porto Alegre, em 1974, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro do ano anterior, em que o Grêmio venceu por 1 a 0. Meu pai me levou pela mão e mesmo tendo apenas 10 anos sou capaz de lembrar o local do estádio em que tive o privilégio de ver Pelé desfilando: as sociais do velho Olímpico, abaixo do reservado para as cadeiras cativas. Cinco anos antes foi o pai quem vivenciou o histórico gol 1.000, narrado por ele de uma cadeira de madeira colocada ao lado do gramado do Maracanã, pois não havia mais espaço nas cabines de rádio.
Fugirei dessa armadilha — mesmo que, no parágrafo acima, tenha ensaiado algumas linhas nesse sentido. Prefiro lembrar de um trecho da entrevista que o jornalista Luiz Zini Pires fez com Pelé, para o jornal Zero Hora, publicada em novembro de 2014. O rei confidenciou que quase jogou no Grêmio.
Quando estava no início da carreira, o Santos costumava emprestar seus jogadores mais jovens para que ganhassem experiência. O time paulista esteve em excursão no Sul, jogou em Pelotas e Rio Grande, no interior gaúcho, e foi consultado se alguns dos garotos poderiam ficar. Pelé era um deles.
“Quase que eu reinicio minha carreira no Grêmio”, disse ao repórter. Tivesse um cartola santista aceitado a proposta, naquela época, haveria a chance de Pelé ter se imortalizado no cenário futebolístico com a camisa do Grêmio e, provavelmente, nossas conquistas nacionais e projeção mundial teriam chegado mais cedo. Por outro lado, a facilidade com que alcançaríamos nossas façanhas impediria que forjássemos a nossa imortalidade. O destino quis que cada um construísse sua própria história.
Enquanto escrevia este texto, o perfil do Grêmio no Instagram, publicou trecho da entrevista em que Pelé confirma a história de que quase foi jogador do Grêmio: