Conte Sua História de São Paulo: A Horta das Flores, o quintal dos moradores da Mooca

Áurea Fortes

Ouvinte da CBN

Foto reproduzida do Instagram @hortadasflores

Sou voluntária da Letraria, grupo que arrecada livros e os distribui gratuitamente na cidade de São Paulo. Depois de entregar centenas de livros, pensei que seria interessante participar de algum grupo que valorizasse o plantio de árvores, pensando em uma compensação mesmo. 

Encontrei a Horta das Flores, uma área verde que fica na Radial Leste, na Mooca, em São Paulo, e é cuidada por um coletivo comandado pelos gestores José Luiz Fazzio e Regina Grilli.

Comecei a frequentar o espaço, fui muito bem acolhida, levei árvore para ser ali plantada e fiz a compostagem do resíduo orgânico da minha casa. Sempre considerei a Horta das Flores uma espécie de quintal dos moradores da Mooca. Nosso bairro é muito árido, quase não tem árvores e áreas verdes. 

Ao longo dos anos, vimos a Horta das Flores ser muito ameaçada pelo mercado imobiliário e pela prefeitura, que chegou a negociar a venda da área. Participei de várias manifestações. Abraçamos a Horta, seguimos organizando as atividades de educação ambiental e reforçamos as atividades culturais da Letraria e até a mobilização social, com arrecadação de mantimentos destinada ao Arsenal da Esperança. Tudo realizado na Horta das Flores.

Felizmente com intervenção do Ministério Público e constante mobilização dos gestores, a Horta das Flores foi mantida, nenhuma árvore foi derrubada e as atividades seguem cada vez mais fortalecidas. 

Ao contrário de tantas outras que têm o meio ambiente em seu foco, essa é uma história com final feliz, em São Paulo.

Áurea Fortes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítudo de São Paulo. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: a ‘floresta’ que nasceu de uma semente, no Largo de Pinheiros

Por Sergio Reis Alves

Ouvinte da CBN

Bosque da Batata: reprodução do GoogleMap

A minha história é sobre esperança e fé no futuro.

Escolhi falar de uma área extremamente degradada no Largo de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Área que  renasceu. Uma praça na rua Paes Leme, próximo da Igreja Matriz.

Eu sou um trabalhador que iniciei jornada em Pinheiros, limpando calçada das lojas Pernambucanas, na Teodoro Sampaio.

Fui para a  Pedroso de Morais, no Banco Santander, o antigo Noroeste, onde fiquei por seis anos  Depois, graças a Deus, segui para os livros: Editora Vozes, Editora É Realizações, Editora Cosmos e, voltando para Pinheiros, na Editora Todavia. Um volta para celebrar o espaço verde renascido.

Aquela praça me ensina como podemos ter esperança na semente —- tão pequenininha, tão minúscula. Começou do zero e hoje é uma pequena floresta. Até mesmo a temperatura muda quando passeamos por ela: é sempre amena. 

Que possamos sempre acreditar na semente!

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a força local em “Marcas dos Cariocas”

reprodução da capa de O Globo com o resultado do Marcas dos Cariocas 2022

“O Brasil é um país muito plural, e possui marcas nacionais e internacionais muito fortes bem estabelecidas por aqui, mas quando observamos com uma lupa certa região, as marcas regionais sempre têm força”

Cecília Russo

O Rio de Janeiro é uma cidade com identidade universal mas tem uma personalidade local, também. E isso fica evidente no resultado da pesquisa “Marcas dos Cariocas”, do jornal O Globo, que chegou a sua décima-terceira edição. Jaime Troiano e Cecília Russo, nossos comentaristas, é que estão à frente da elaboração deste estudo e têm visto, ano após ano, o fortalecimento de marcas tipicamente cariocas, como é o caso da Drogaria Pacheco e dos Supermercados Guanabara, por exemplo:

“…por que mais do que serem marcas nascidas no Rio, são marcas que entendem o carioca, que os representam de forma genuína, e que estão ali no dia a dia deles, sempre presente, para atendê-los”.  

Ceília Russo

A ideia do localismo, uma das tendências da gestão de marcas para o ano de 2023 — falamos disso no programa anterior a este que você também encontra aqui no blog — fica evidente quando os pesquisadores querem saber quais as as “Marcas que são a cara do Rio”, onde o consumidor elege aquelas que representam, em sua essência, o que é o Rio de Janeiro. Além da Pacheco e do Guanabara, a lista conta com a presença do Mate Leão, do Biscoito Globo e das Havaianas — que já são presença história no ranking realizado pela TroiannoBranding. Como se percebe, exceção a marca de sandálias de dedos, todas as demais são nativas.

Alguns destaques na lista de marcas eleitas pelos cariocas são aquelas que saltaram para o todo do ranking em suas categorias nesta edição: Nubank, Pic Pay, Claro, Shopee e Heineken. Atente-se para o fato de que as quatro primeiras revelam outra tendência nos últimos tempos que é o fortalecimento das marcas nascidas no digital. A Heineken, por sua vez, cresceu muito diante das ações relacionadas ao Rock in Rio.

Diante dos resultados completos que você pode acessar aqui, Jaime Troiano conclui:

“As (marcas) que estão nas primeiras posições trazem dois fortes recados: entender seu público e criar iniciativas que conversem corretamente com ele e, sem dúvida, se comunicar. O silêncio raramente cria marcas fortes e desejadas. 

Jaime Troiano

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que foi ao ar no Jornal da CBN:

Conte Sua História de São Paulo: Horto Florestal, o meu lugar preservado da cidade

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

Horto Florestal em foto de divulgação do Governo de São Paulo

Nasci em 21 de abril de 1959 na Maternidade de Vila Maria, na zona norte de São Paulo. Naquela época, morávamos em um cortiço no bairro de Vista Alegre e era bem arborizado.

Alguns anos depois, meus pais compraram uma casa no bairro de Vila Medeiros, divisa com Vila Sabrina — sempre na zona norte. Existiam muitos lugares arborizados até com lagoas onde pescávamos lambaris, que chamávamos de Varjão.

Com o passar dos anos e a necessidade de moradia, lugares arborizados foram sendo destruídos para a construção de casas. Nosso Varjão virou Jardim Guançã. Em 1978, casei-me e fui morar no Parque do Mandaqui onde encontrei ainda muitos lugares arborizados.

Um desses que frequento até hoje é o Horto Florestal. Durante muitos anos o Horto foi administrado pela prefeitura, e a depredação foi deixando o local impossível de se frequentar.

Quando começaram a cobrar entrada e ocorreram melhorias, o Horto voltou a ser aconchegante. Em 1993, passou a se chamar Parque Estadual Alberto Löfgren, homenagem ao naturalista, cientista sueco e idealizador do Horto Florestal.

Em 10 de fevereiro fará 127 anos. Hoje tem 187 hectares, abriga remanescentes da Mata Atlântica e contribui para a manutenção de um corredor ecológico que conecta a cidade de São Paulo à Serra da Mantiqueira. Lá estão instalados o Palácio de Verão do Governo do Estado, as sedes da Polícia Militar, Polícia Florestal do Estado e o Museu Octávio Vecchi, também chamado de Museu da Madeira Florestal, inaugurado em 1931.

Em 20 de janeiro do ano passado, o Governo de São Paulo assinou contrato de concessão por 30 anos para a iniciativa privada. O Horto Florestal é o meu lugar preservado de São Paulo.

 Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo

Avalanche Tricolor: a qualidade de Suárez!

Caxias 1×2 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul/RS

Suárez comemora o fol da virada em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Centenário estava lotado. Ao menos a parte reservada aos torcedores do Grêmio. Havia gremistas de Caxias, de Farroupilha, de Bento Gonçalves e de Gramado. Claro tinha a turma de Porto Alegre e, também, muitos de outras cidades pelo interior. A contratação de Luis Suárez pelo Grêmio promete se transformar em uma fenômeno no Rio Grande do Sul. Não é fenômeno pronto e acabado, ainda. Mas, será. E a medida que o atacante uruguaio entregue tudo o que se espera dele a cada partida, esta obra fenomenal se realizará mais cedo do que se imagina.

As camisas celestes vendidas até sumirem das lojas e o público no aeroporto, na apresentação e na partida de estreia sinalizavam a representatividade de Suárez para o nosso torcedor. A necessidade de a diretoria do Caxias ampliar o espaço destinado aos gremistas no Centenário, em pleno sábado à tarde de verão —- quando os gaúchos preferem os prazeres de Capão, Torres, Tramandaí e Rainha do Mar —, reforçou essa ideia. E estamos apenas no início do campeonato. 

Ontem, a desorganização do sistema defensivo do Grêmio bem que ensaiou uma frustração nos animados torcedores que pulavam na arquibancada e cantavam músicas em homenagem a Luisito. Nos fez sofrer revés logo no início da partida, e colocar à prova a capacidade de  recuperação do time que ainda está em formação, especialmente com seus novos laterais e meio campistas. 

Ao contrário de um previsível desacerto, o gol do adversário parece ter servido de choque de realidade aos jogadores gremistas. A facilidade da Recopa era passado. Agora é Copa do Mundo! Ops, Campeonato Gaúcho! E camisa apenas não é suficiente para vencer e chegar à final.

Cabeça no lugar, marcação mais dura — com Kannemann em destaque —, bola no chão e tentativas de passes mais rápidos, o time começou a se aproximar do gol adversário.  Todos jogavam visando Suárez, na esperança de que se conseguisse entregar a bola no pé dele, o resto ele resolve. Claro que as coisas não são bem assim, a tal ponto que o atacante percebeu que não adiantava esperar lá dentro da área, precisava sair e tabelar com os companheiros. A falta de entrosamento impedia a sequência das jogadas. Em um surpreendente lance de humildade, após o jogo, Suárez disse aos jornalistas que “às vezes, são erros meus, que me apresso a jogar rápido, acho que passando os jogos, vamos nos entender melhor. A qualidade eu tenho, tenho que acertar os movimentos com meus companheiros”.

Alguém duvida da qualidade dele? Eu, jamais! 

Foi em um desses lances em que o talento de Suárez se expressa que a bola chegou até ele pelo lado esquerdo, dentro da área. Sem esconder a fome por gols, mesmo sem estar com o corpo enquadrado para matar, chutou forte, provocando o rebote do goleiro, muito bem aproveitado por Bitello. Em tempo: que prazer ver esse guri jogando! E não é de hoje!.

Aquele lance que culminou com o gol de empate foi um dos poucos em que o Grêmio e Suárez se entenderam plenamente. No segundo tempo, houve uma série de tentativas sem muito sucesso. O passe nunca chegava em condições do arremate, sempre exigia uma tabela ou o deixava refém da marcação dos zagueiros. 

Foi quando muitos já lamentavam a necessidade dele deixar o gramado — afinal, precisa ter seu físico preservado — que Luis Suárez demonstrou todo seu talento. Em uma rara bola que chegou com ele de frente para o gol, o atacante matou com o pé direito, ajeitou com o esquerdo, deu mais um toque  com o direito, o suficiente para tirar o zagueiro da frente, e bateu forte. Nem alto nem baixo; nem muito a direita nem muito a esquerda. No ponto certo. Ali, onde o goleiro não alcança e a rede estufa.

Suárez fez o gol da virada, o gol da vitória e em um dos raros momentos em que lhe deram a chance de chutar.  Entregou o pacote completo aos torcedores do Centenário e aos gremistas espalhados pelo mundo que assistiam ao seu segundo jogo com a camisa tricolor. Com sua voracidade, mostrou que não veio encerrar carreira, quer seguir sendo o gigante respeitado em todos os clubes pelos quais passou, independentemente do tamanho do jogo ou da importância da competição.

A persistirem os sintomas, Suárez será um fenômeno de renda e público e, em breve, faltarão arquibancadas para o público disposto a se deslocar pelo Brasil afim de acompanhar esse craque mundial.

Conte Sua História de São Paulo: fomos pescar na Ilha do Bororé

Durval Pedroso

Ouvinte da CBN

Reprodução de foto do site Refugios no Interior

Era julho de 1962, nascido no Bexiga, eu passava alguns dias de férias na casa de minha avó Antônia, em Santo Amaro. Foi quando recebi um telefonema de meu pai, num domingo de manhã, em que ele dizia que no fim da tarde me buscaria para cumprir uma promessa antiga: me levar a uma pescaria. 

Ele apareceu de caminhão, às quatro e meia da tarde, com mais seis pessoas — dois meninos de idade semelhante a minha, 11 anos, filhos de um dos seus quatro amigos. Subi na carroceria e meu pai foi na boleia. Logo avisou que precisávamos andar rápido, uma vez que a última balsa que ligava o Grajaú a Ilha do Bororé saía às seis da tarde. Chegamos um pouco antes do horário e fizemos a travessia. 

Acampamos à beira da represa Billings, em um pequeno rancho de um dos amigos. Chegamos quase sete da noite e estava relativamente escuro. O rancho parecia mais com uma garagem sem porta: três paredes e uma cobertura de sapé; mal cabiam cinco pessoas e nós estávamos em oito. Foi então que entendi a razão deles tirarem do caminhão uma grande lona, que seria colocada em frente à entrada para formar uma barraca. 

Foi o Zé Mineiro, um dos amigos do papai, quem deu por falta de duas grandes caixas de madeira onde estava toda a nossa comida, a cachaça e as garrafas d’agua. Tinham ficado na casa dele no bairro do Socorro.

Meu pai, que era o mais velho de todos, pediu calma e lembrou que o Seu Augusto, dono do rancho, sabia onde tinha uma venda na ilha. Chegamos lá quando o dono já estava quase fechando. Só havia cachaça de cabeça do seu próprio alambique, cebolas, uma réstia de alho, um pedaço de bacalhau seco, que servia de tira gosto para as pingas, e, com muita boa vontade, o dono da venda arranjou duas xícaras de arroz. Esse seria o nosso banquete antes de dormir: uma sopa de arroz com cebolas. Eu que nunca tinha tomado sopa de cebola e muito menos comido cebola crua, não titubeie quando a fome bateu para valer. Também tomei o meu primeiro gole de cachaça na vida. Desceu queimando.

No dia seguinte, depois de um café preparado pelo Zé Mineiro, fomos para beira da represa. Estava frio e após mais de quatro horas tínhamos pegado poucos peixes — os meninos sequer pescamos algum. Foram suficientes para o almoço preparado pelo Seu Augusto, acompanhados de arroz, feijão e carne seca, comprados pela manhã.

Em meio as garfadas, meu pai e Zé Mineiro resolveram brincar com o nosso medo. Falaram que, na madrugada, ouviram corujas e miados de onça do mato. O efeito da história foi percebido assim que o Seu Augusto convocou os meninos a arrumar as coisas e voltar para Santo Amaro. Nossa produtividade superou a dos adultos.

A Ilha do Bororé é, ainda hoje, um dos rincões de São Paulo, com muita Mata Atlântica e pouca densidade demográfica. Aos fins de semana, recebe um bom número de turistas, que apreciam as beiras da Billings. A balsa segue sendo o único meio de acesso, agora com capacidade para 20 automóveis e funcionando 24 horas, inclusive aos domingos.

Durval Pedroso  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: o passeio no Parque Augusta com a benção da minha mãe

Por Sergio Slak

Ouvinte da CBN

Parque Augusta em foto do perfil @parqueaugusta.sp no Instagram

Moro no bairro de Moema na zona sul de São Paulo. Um parque que marcou minha vida, apesar de ser novo, é o Parque Augusta. Mesmo não sendo próxima da minha casa, sempre gostei de frequentar a Sorveteria Soroko, que fica na Augusta, bem no quarteirão do parque. Gosto de seus sorvetes com múltiplos e deliciosos sabores.

Sempre comentei com o dono da sorveteria, os funcionários e outros frequentadores, que aquela área verde me fascinava e sonhava com ela transformada num parque.

Num domingo de sol levei minha mãe na sorveteria, pois ela queria muito provar os sabores de melancia e abacate. Acomodei minha mãe em uma mesa com quatro lugares e fui pegar os sorvetes.

Quando retornei, vi que dois rapazes se sentaram na mesma mesa e o que estava ao lado da minha mãe tinha muitas tatuagens e mesmo com a diferença de idade, conversavam de forma descontraída. Isso é uma marca dessa região, pois não importa a idade, a tribo, a religião, a orientação sexual ou o time de futebol, todos convivem em harmonia e respeito. Mais um motivo para existir ali um parque.

Na gestão do prefeito Fernando Haddad surgiu o impasse, duas construtoras disputavam o terreno para construir prédios e parte da população queria o parque. Felizmente a turma da natureza venceu.

Visitei o parque Augusta uma semana após a abertura, não consegui tomar o sorvete, pois havia uma enorme fila, mas fiquei contente pelos comerciantes da região Ao passear por lá senti um enorme ar de felicidade, que só não foi completo, pelo fato da minha mãe não estar mais entre nós.

Apesar de que num momento de magia, senti como se ela estivesse ao meu lado, e ela que adorava parques e áreas verdes, contemplava feliz as árvores, os pássaros e as pessoas, comentou de algum lugar qualquer em que ela esteja hoje:

“Que bom que fizeram este parque, meu filho, foi muito bom preservar esta linda área verde”

Sérgio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: o verde e a lagoa do campo de golfe dos Matarazzo

Por João Nunes

Ouvinte da CBN

Photo by Thomas Ward on Pexels.com

“Daqui a pouco são cinco horas, hora do guardinha ir embora….”

E lá ía eu e meus amigos em corrida pelo verde do São Francisco Golf Club nadar nas lagoas do clube fundado pelo conde Luiz Eduardo Matarazzo, em 1937. Ficava em Osasco que não época era um bairro de São Paulo — que viria a se emancipar em 1962.

Aquelas tardes de verão eram lindas. O gramado quase que nivelava com as águas que refletiam o brilho do sol que já se punha —  o suficiente para alguns mergulhos e várias travessias.

Às vezes até dava tempo de ir ao “Green 7” onde logo acima havia as amoreiras. Era subir e se encher de amoras; uma delícia.

Até que uma vez, o guardinha que ia embora às cinco não foi embora e nos surpreendeu ameaçando atirar. Ele tinha fama de disparar com espingarda de chumbinho. Eu sempre morri de medo do guardinha. Naquele dia, nunca corri tanto.

Minha surpresa foi, tempos depois, vê-lo passando em frente de casa e cumprimentando o meu pai. Eles eram amigos.

Bons tempos aqueles de infância, começo dos anos 1960, em que aprendi a nadar nas lagoas do São Francisco Golf Club. Tempos  de doces lembranças.

João Nunes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo

Conte Sua História de São Paulo: os parques que visitei com meu filho

Por Profª Maria Emília dos S. Gonçalves

Ouvinte CBN

Parque da Juventude Foto Dibulgação Gov. do Estado de São Paulo

Como guarulhense e, agora, vivendo no extremo sul da Bahia, em uma região agraciada pela natureza, não resisti em escrever sobre a minha eterna relação com os parques da cidade São Paulo, nossa querida Sampa. 

Ainda com o meu filho pequeno, o San, iniciei o ritual de amar a cidade que é um organismo vivo e que injustamente ganhou o título de selva de pedra, como foi cantado por Caetano Veloso. Aproveitávamos as férias para desbravar os parques e por instantes nos jogar nos braços da natureza gentil. 

Cada parque com sua característica e com algo a nos ensinar. 

Do parque do Ibirapuera, as árvores centenárias que se tornaram testemunhas e cúmplices de amantes em seus primeiros beijos, de pedidos de noivado, do fim de um namoro.

Árvores caladas e donas de segredos, sombra para um remanso, para  esquecer o mundo lá fora, ouvindo o cantar dos pássaros e suas algazarras e nos lembrando que nunca poderemos ser como eles e, por isso, sinto uma boa inveja.

Do parque do Zoológico, amamos a presença dos animais em um espaço rodeado de matizes de cores das árvores, e de nós seres humanos. A gente se sente parte de um todo e nesse momento não consigo saber onde começo e termino; me afundo e sinto que posso rugir, que posso ser uma árvore bonita que balança e balança nos dando a sua seiva. 

Do Jardim Botânico, descobrimos que tem árvores centenárias com milhares de espécies nativas que contam a nossa história e guardam esperanças e sonhos.

Para cada parque uma história. 

E assim chego ao Parque da Juventude, cujo espaço democrático não discrimina pessoas idosas, etnias e orientação sexual. Sua história precisa ser contada para que as próximas gerações se contraponham ao massacre de pessoas presas. Assim como uma fênix, o espaço ressurgiu. A grande área verde é palco para shows, encontros e despedidas, a contemplação da natureza e a possibilidade de recarregar as baterias e respirar. 

O que seria de São Paulo sem os nossos parques?

Maria Emília dos S. Gonçalves  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar você também desta série especial em homenagem aos 469 anos da nossa cidade com textos sobre locais em que o verde e o meio ambiente foram preservados na capital paulista. Escreva agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. E vamos juntos comemorar mais um aniversário de São Paulo

Avalanche Tricolor: Suárez é Imortal!

Grêmio 4×1 São Luís 

Recopa Gaúcha — Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Suárez comemora um dos três gols marcados, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

Um toque por cobertura, um tapa pelo lado e uma chapada com força para a bola estufar a rede. Em três lances, três gols! Em 37 minutos, Luis Suárez já havia feito sua melhor estreia da longa carreira dedicada ao futebol e havia entregado tudo o que o torcedor gremista poderia esperar para começar esta nova etapa em sua jornada esportiva. 

A ansiedade pela estreia da maior contratação já feita pelo Grêmio em sua história estava por todo o canto, das esquinas de Porto Alegre às entranhas das redes sociais. As arquibancadas pulsavam desde cedo, antes mesmo de os portões da Arena se abrirem. Havia uma inquietude! Um desejo de definitivamente virar a página desconfortável dos dois últimos anos. Não esquecer essa página, porque é preciso lembrar-se da dura lição sofrida para que os erros não se repitam, mas olhar para a frente, se dar o direito à alegria.

Suárez personifica esse novo momento. Por isso, a comoção provocada pelo anúncio das negociações com o craque uruguaio. Por isso aquela multidão no aeroporto a espera do quinto maior goleador do mundo, na apresentação na Arena e nesta noite de estreia, quando mais de 49 mil torcedores foram assistir à final da Recopa Gaúcha. 

A camisa 9 com o nome de Suárez às costas representa muito mais do que se possa imaginar. Sim, o nome do Grêmio ganha destaque no exterior, aumenta o número de sócios e crescem as vendas de material esportivo. Sim, os adversário têm a quem temer sempre que alçarmos a bola em direção ao ataque e nós temos a certeza de que haverá alguém lá na frente com categoria suficiente para concluir às redes.

Suárez no Grêmio é mais do que marketing ou, até mesmo, mais do que futebol. Neste momento, é a retomada do prazer que sentimos diante de uma paixão. É a esperança rediviva. É o renascimento da nossa crença. E, em particular, é a minha oportunidade de recuperar a ilusão e alegria daquele menino que aprendeu a gostar do Grêmio quando sequer nossa imortalidade havia sido testada.

Suárez agora também é Imortal!